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2 de outubro de 2013

Entre a Ficção e a HQ Terapia

Se existe um gênero de não ficção que eu gosto de ler são biografias.

Isso vale especialmente para pessoas que admiro – ou que pertencem a um mundo que admiro – como músicos e diretores de cinema. E isso vale mais pelo mundo ao redor da pessoa que pela pessoa em si. Claro que eu adoro aprender sobre pessoas que admiro há anos, mas eu realmente fico muito empolgado ao ver o biografado tropeçar em outras pessoas das quais sou fã.

Vou tentar explicar melhor. Vamos pegar como exemplo a biografia do Eric Clapton. Talvez seja uma das melhores que eu tenha lido até hoje, pela história do sujeito – se você não leu, leia; se você não leu e gosta de música, leia agora. É doce e amarga ao mesmo tempo, e chega a ser incômoda de tão comovente em algumas passagens.

Mas ela brilha de verdade em momentos que ele se aproxima de outros sujeitos que, por si só, merecem ser biografados, como os Rolling Stones, os Beatles. É mais ou menos assim: você está lendo sobre o Clapton e, de repente, ele está num bar trocando confidências com o George Harrison. Você está lendo sobre a vida do Ozzy Osbourne e de repente ele começa a conversar com o Robert Plant. Você está lendo sobre John Huston e de repente ele está bêbado no meio da África com o Humphrey Bogart.

Eu considero estes trechos, estas “participações especiais”, como bônus em uma biografia. Você está aprendendo sobre a vida de uma pessoa e vê um lampejo sobre a vida de outra. E assim você aprende um pouco mais sobre o mundo da pessoa sobre a qual está lendo. Aprender sobre como o Eric Clapton se sentia ao gravar um determinado disco faz você saber como ele se sentia. Ver sobre o que o Eric Clapton e o George Harrison conversaram em um bar faz você se sentir na mesa ao lado da mesa deles.

Isso talvez aconteça porque eu sempre fui apaixonado por mundos. Para mim, o cenário de uma história é tão importante quanto a história em si. Isso vale para uma biografia como para um filme. Neste ponto, isso vale muito para ficção científica e fantasia.

E aqui eu vou divagar um pouco para tentar exemplificar melhor essa sensação: lembro-me de ser criança e assistir O Império Contra-Ataca e, na cena em que Luke e Vader se enfrentam pela primeira vez, na Cidade das Nuvens, eu me senti privilegiado. Aquele combate é um dos momentos mais importantes na história da galáxia, e provavelmente tema de comentários de gerações e mais gerações, mas ninguém estava vendo aquilo. Eles lutam num lugar vazio, sem testemunhas.

Ninguém estava vendo aquilo, a não ser eu. Eu estava vendo a história acontecer na minha frente. Eu estava na mesa ao lado, ouvindo Clapton e Harrison conversarem. É um privilégio.

Quando eu percebi meu privilégio em ver a batalha entre Luke Skywalker e Darth Vader, eu entendi que havia uma história enorme por trás daquilo que eu estava lendo. Talvez este momento tenha sido um ponto chave na minha vida, algo que me fez querer contar histórias pelo resto da vida – talvez não tenha sido, mas confesso que esta historinha em si é boa demais para não ser contada.

Tracei esta fusão entre biografias e ficção para chegar aonde eu queria: neste momento, estou lendo Marvel Comics – A História Secreta. O livro traça a história da editora, desde os anos 30 até a potência que ela é hoje.

E, nas primeiras páginas, eu percebi que teria uma dificuldade em ler o livro. E não porque assim como Easy Riders & Raging Bulls, é daqueles livros que pega algumas pessoas que admiro e não apenas o humaniza, mas literalmente os apodrece. Mas por causa das participações especiais. Você está lendo e testemunhando uma conversa entre Stan Lee e Jack Kirby. E se sentindo privilegiado. Mas, de repente, surge, no meio do diálogo, o Reed Richards.

E você se sente ainda mais especial por estar vendo tudo aquilo acontecer, por estar assistindo a três nomes que significam demais na sua vida...

Até que você abaixa o livro, respira fundo e lembra-se que o Reed Richards não existe, ele é apenas um personagem de quadrinhos que lidera o Quarteto Fantástico. E passa o resto do capítulo se forçando a acreditar que o Sr. Fantástico não está na sala junto com Lee e Kirby. Porque ele não existe de verdade.

A não ser, claro, na minha mente – o que certamente é o indício de algum problema mental que eu possa ter.

Vai ser difícil ler este livro, pois eu vou precisar me concentrar o tempo inteiro e ficar repetindo em voz alta que o Peter Parker não existe. Porque, no fundo, eu sei ele existe, eu convivo com ele há quase 25 anos. Eu me sinto mais próximo dele que de muitos amigos meus – que, até onde eu sei, existem.

Por outro lado, talvez não seja um problema mental. Talvez seja o fato de que alguns personagens se tornam tão importantes na nossa vida que eles se tornam reais. Eles deixam de ser imaginários e se tornam amigos e cúmplices de verdade. O amigo Luke Skywalker, o parceiro Peter Parker, o cúmplice James Kirk.

Existem personagens que são reais. E quem faz isso acontecer é o público.

Vamos pegar o exemplo do garoto de Terapia. Ele não existe, certo? Tudo o que ele fala foi escrito por mim e pela Marina. A cara dele é criada pelo Mario. Todas as vezes que ele segura o choro ou explode de raiva, não é ele. É o lápis do Mario obedecendo ao que eu e a Marina queremos que ele sinta.

Mas, para mim, ele é real. Para o Mario e para a Marina, também. E não porque ele “está dentro de nós” – isso seria clichê demais – mas porque ele existe de verdade. Eu sei que ele está andando por aí nas ruas, mesmo sem conhecer a gente. E espero de verdade que ele (ou eles, porque pode ser mais de uma pessoa) nunca nos processe por mostrar a intimidade dele para tanta gente que, assim como nós, sabem que ele existe de verdade.

Porque não somos poucos. Aposto que boa parte destes 700 e tantos apoiadores da imagem abaixo acreditam nisso como a gente. Sim, muitos compraram por admirarem o traço do Mário, outros por gostarem do que a Marina e eu escrevemos. Alguns compraram pelo blues, outros pela psicologia. E, alguns, claro, pela amizade que mantém conosco, por desejarem nosso sucesso nesta empreitada.




Mas eu tenho certeza que muitos compraram pelo garoto. Porque sabem que já faz anos que este menino cheio de problemas e apaixonado por blues se tornou amigo delas. E espero que cada um de vocês se sinta privilegiado em estar ali naquele consultório vendo o menino contar tudo o que pensa (ou quase tudo) e tudo o que sente (ou quase tudo) para seu terapeuta.

Foi difícil? Foi. Foram dois meses de ansiedade, querendo ver essa HQ impressa. Em muitos momentos, eu achei que não ia dar. E me surpreendi: não apenas batemos a meta antes do prazo, como atingimos a meta máxima que estipulamos (R$ 40.000,00).

E já faz alguns dias que estou dormindo com a sensação de dever cumprido. Não sobre o livro – o trabalho pesado começa mesmo agora – mas sobre o garoto. Estes números mostram o que eu defendo neste texto, algo que tanto a Marina como o Mario certamente concordam comigo.

Esta história é maior que a gente. Este personagem é maior que a gente. E ele existe de verdade.

Ao menos, no coração de muitos de vocês.


E é nome deste meu amigo, o “Garoto de Terapia”, que eu agradeço a cada um de vocês.

26 de março de 2013

"Espero que goste! Rob."




Normalmente, se assina um trabalho somente quando ele está terminado.

No caso da foto acima (feita durante o DossiêHQ, na Gibiteria) faço uma promessa: estamos apenas começando.


Longa vida para #TerapiaHQ.


22 de março de 2013

É Hoje!


Dia: 22 de março de 2013
Horário: a partir das 19h30
Local: Gibiteria (Praça Benedito Calixto, 158, 1º andar - (11) 3167-4838)
e-mail: contato@gibiteria.com
Twitter: @gibiteria

Eu estarei lá, junto com os demais autores, participando de debate e autografando o álbum!

Nos vemos lá!

15 de março de 2013

O Que Você Vai Fazer Sexta que Vem?



Na próxima sexta, 22 de março, acontecerá mais um Dossiê HQ na Gibiteria, comic shop localizada no bairro de Pinheiros, em São Paulo. O evento conta com um debate envolvendo convidados e sessão de autógrafos.

Os participantes desta edição são a equipe do Petisco (entre eles, os autores de TerapiaHQ), envolvendo os lançamentos dos álbuns Petisco Apresenta - Vol. I e Km Blues (de Daniel Esteves).

A entrada é franca. Esperamos vocês por lá!


Dia: 22 de março de 2013
Horário: a partir das 19h30.
Local: Gibiteria (Praça Benedito Calixto, 158, 1º andar - (11) 3167-4838)
e-mail: contato@gibiteria.com
Twitter: @gibiteria



14 de novembro de 2012

O Petisco está Servido!



Mais informações – não apenas sobre o evento – mas sobre o envio dos livros por correio, você pode conferir aqui.

Infelizmente, não poderei estar presente, mas outro evento sobre o álbum está marcado para o início de dezembro, também em São Paulo – e nesse estarei, sem falta. Em breve, mais informações aqui mesmo no blog.

Aproveitando: já estou separando as páginas originais e autografas do roteiro de todos os leitores que contribuíram com o projeto e me enviaram o pedido. Aguardem contato por e-mail em breve.

E para ninguém achar que não tem texto novo, tem duas crônicas novas no Chronicles: uma com jeitão de Neil Gaiman; outra mergulhada na ficção científica. Gostei bastante de ter escrito as duas e adoraria que lessem e deixassem um comentário com suas opiniões por lá.

16 de outubro de 2012

Vamos Falar de Quadrinhos?


Eis aqui, (quase) em primeira mão para vocês.



Como um dos autores envolvidos no projeto, eu ainda não tenho palavras suficientes para agradecer o apoio de todos vocês ao fazerem este sonho se tornar realidade. Muito, muito obrigado, em nome de toda a equipe de Terapia, e das outras séries do Petisco!

O álbum, com 96 páginas e preço de R$ 30,00, traz histórias inéditas e exclusivas das séries Nova Hélade, Nanquim Descartável, Demetrius Dante, Beladona, Macacada Urbana e Terapia. Os lançamentos oficiais serão no Fest Comix (19 a 21 de outubro, em São Paulo) e na GibiCon (24 a 28 de outubro, em Curitiba).

E sim, teremos tarde de autógrafos, em São Paulo, provavelmente no mês de novembro. Assim que for marcado, postarei o convite aqui.


Importante: Já recebi diversos e-mails de leitores apontando qual página do roteiro querem receber autografada. Estão todos guardados aqui: peço apenas que esperem até o fim do mês (quando a vida profissional voltará ao normal) para que eu responda todas com calma e comece a enviar por correio.

20 de setembro de 2012

Um Sonho Possível


Sinceramente?

Sinceramente, em muitos momentos eu achei que não fosse dar certo. Afinal, R$ 15 mil pode ser uma quantia pequena quando se comparada a um sonho, mas está longe de ser pouco dinheiro.

E olhe que todos nós trabalhamos em torno disso durante bastante tempo. Cavamos espaço de divulgação, pedimos aos amigos, fizemos promoções por conta própria. Sempre em nome de um único objetivo. Sempre em nome de um sonho.

Mas claro que todos nós sabíamos que seria difícil. Não apenas pelo montante, mas também pelo pouco tempo disponível.

Eu sabia que seria difícil. Mas nunca pedi a esperança. Nenhum de nós perdeu. As cartas estavam na mesa, era hora de esperar e trabalhar.

A esperança se tornou maior quando a quantia arrecadada chegou aos cinco dígitos. Mas conforme a esperança crescia, o tempo diminuía.

Foi quando começou a corrida final. Os últimos dias. A última semana.

E aí eu vi um fenômeno acontecer.

Os leitores tomaram a ideia para si e começaram a ajudar como podiam: contribuindo, divulgando, torcendo. Alguns me confessaram que olhavam o site três ou quatro vezes por dia. No Twitter, alguns leitores divulgavam a ação até mesmo mais que nós. Alguns contribuíram financeiramente mais de uma vez.

Foi uma das coisas mais bonitas que eu vi acontecer desde que este blog nasceu.

A ideia não era mais apenas nossa. Era de todos.

E é graças a este enorme “todos” que a ideia vai deixar de ser apenas uma ideia, e vai virar livro.


O álbum com a coletânea do Petisco HQ vai ser produzido!

E, sim, graças a vocês!

Mas é agora que o trabalho começa de verdade. Não há tempo a perder. A corrida, mais uma vez, é contra o relógio. É hora de abrir o Word e começar a...

Não. Nada de abrir o Word agora.

Antes disso, é preciso fazer algo mais importante.

É preciso agradecer vocês.


Pelo carinho, pelo apoio, pela contribuição. Por comprarem um sonho que era somente nosso e agora é de todos nós. Pela ajuda, pela divulgação, pela torcida. Por fazerem Terapia chegar ao papel pela primeira vez, com a companhia das outras histórias do Petisco.

Vocês, leitores... Leitores do Champ que se tornaram leitores de Terapia; leitores de Terapia que se tornaram leitores do Champ... Vocês são impressionantes.

E isso é algo que não tem preço – ou texto que pague.





Agora sim. Agora é hora de começar a trabalhar.

É hora de abrir o Word e pensar em uma história nova. Totalmente diferente, mas ligada ao universo de Terapia. Personagens diferentes, situações diferentes, universos diferentes.

Escrevendo, desta vez, para o papel. Outra experiência nova será escrever para páginas em preto e branco – o que aposto que vai possibilitar muita coisa nova, visualmente falando. Coisas muito boas.

Agora é hora de escrever. Conforme as coisas forem caminhando, posso soltar uma ou outra dica sobre a história, o tema, os personagens. Mas não prometo isso.

O que eu prometo é que nós vamos entregar a melhor história possível. Por que é o mínimo que vocês merecem.

Muito obrigado!


PS: Neste post aqui, eu avisei que sortearia cinco páginas originais do roteiro de Terapia autografadas entre os leitores que comentaram ali.

Mudei de ideia.

Não haverá mais sorteio. Todos os leitores que comentaram ali, informando terem contribuído para o projeto, ganharão uma página. Isso inclui um grande amigo que foi um dos primeiros a contribuir e que me avisou por mensagem no Twitter, explicando que não comentaria por receio de soar arrogante.

Assim, todos que comentaram ali: favor enviar seus endereços e o roteiro de qual página vocês querem receber para champ.vinyl.blog@gmail.com. Assim que possível, eu encaixo o roteiro desta página em uma única folha (mesmo que tenha que reduzir a fonte) e envio o impresso, em papel de luxo.

Mais uma vez: muito, muito obrigado!

4 de setembro de 2012

Terapia: Sobre Entrevistas e Doações


O que eu faço hoje?

Muita coisa. Escrevo nos dois blogs e faço textos de todos os tipos e formatos para os frilas que caem no meu colo. Mas não é segredo para ninguém que, hoje em dia, poucas coisas me trazem tão orgulho quando escrever a HQ Terapia, junto com o Mario Cau e a Marina Kurcis.

E este orgulho não vem somente pelos elogios dos leitores, ou por termos recebido um HQMix. Claro que isso – bem como o fato de escrever uma história em quadrinhos – conta muito, mas tem algo ainda mais importante: o formato. Porque, se dois ou três anos atrás alguém me falasse que eu escreveria uma HQ, eu responderia apenas que “é impossível, eu não sei escrever isso, eu nunca escrevi algo assim.”

Aparentemente, deu certo: hoje, já são 60 páginas publicadas. E meu orgulho vem disso: assim como na maior parte das coisas da minha vida, eu não aprendi porque me ensinaram, eu aprendi fazendo. Isso vale para jornalismo, publicidade, escritor... E roteirista de quadrinhos.

Assim, eu queria convidá-los a saber um pouco mais sobre isso, lendo esta entrevista que respondi para o blog do Thiago Cardim, companheiro de longa data. Lá, eu falo sobre o prêmio, sobre como eu vejo os quadrinhos na internet e, mais importante, sobre as possibilidades de Terapia ser publicado em papel.

Aliás, já que estamos falando sobre Terapia: o projeto de publicarmos um álbum coletânea do Petisco, com uma história inédita de cada uma das HQs publicadas no site continua rolando. Se você quer saber mais sobre o assunto, eu falo sobre isso na entrevista, mas também já fiz um post especial sobre isso aqui.

E se você quiser ajudar a faze este álbum virar realidade – e concorrer a diversos brindes (e uma página do roteiro autografada por mim, caso o projeto alcance a quantia necessária), basta clicar aqui!


 Aviso: Para concorrer à página do roteiro autografada, além de doar é preciso que você se identifique nos comentários deste post aqui – não é preciso dizer a quantia doada – pois o sorteio será feito com base naqueles comentários.

30 de agosto de 2012

Uma Ajudinha, Por Favor?


Não me lembro ao certo quando comprei minha bota Timberland. Sei que já faz bastante tempo, coisa de anos. Com licença? Calculo que faz uns cinco anos, pelo menos. Talvez sete. Com licença? E, por mais que eu não a use todos os dias, ela é bem rodada, tem uma quilometragem alta. Posso ter um minuto da atenção de vocês? Pois tem fases da minha vida que cismo de matar a saudade e ando com ela o tempo inteiro, para cima e para baixo.

Com licença?

Obrigado!

Senhores leitores, senhoras leitoras: desculpem por atrapalhar a leitura de vocês, é que estou aqui para pedir contar uma história. Mas antes quero me apresentar. Meu nome é Rob Gordon e eu sou escritor. Escrevo crônicas e contos, já há alguns anos. Cheguei até mesmo a lançar dois livros.

Não sei se vocês sabem, mas trabalhar como escritor no Brasil é muito difícil. Você não tem incentivo, não tem apoio, e tem que fazer tudo sozinho. Mas mesmo assim eu sou escritor e adoro o que faço. Agora, queria mais um minutinho da atenção de vocês para falar do meu projeto em quadrinhos, que chama Terapia.

Não conhece Terapia? É só clicar aqui!

Eu comecei a escrever esta história faz mais de um ano, junto com outras duas pessoas. Uma escreve comigo e a outra desenha. Ganhamos até um prêmio, acreditam? Mas, agora, estamos com um projeto mais ambicioso: publicar um álbum com histórias inéditas de Terapia e das outras HQs que fazem parte do Petisco, onde tudo é publicado.

E este álbum vai ser colaborativo, produzido com a ajuda dos leitores. Então, pessoal, mais uma vez peço desculpas por atrapalhar a leitura de vocês e peço uma ajudinha, com um trocado que vocês tiverem aí no bolso, para comprarem estes brindes. Eu sei que é chato chegar aqui, atrapalhando a leitura de vocês, mas... Eu poderia estar na rua roubando, eu poderia estar matando em nome desse projeto, mas estou aqui pedindo a colaboração de vocês.

Então, estou aqui nesse blog pedindo a ajuda de vocês, vendendo estes brindes. Quanto mais alta a colaboração de vocês, mais brindes vocês ganham. Pode dar para o pai, para a mãe, para a namorada, para o irmãozinho. E, mais importante que isso, você terá seu nome nas páginas e agradecimento do álbum.

Quer saber mais sobre o álbum e ajudar? Clique aqui.

Oi? Como, senhora? Não entendi. Ah, sim. A história inédita de Terapia? Sim, eu posso falar um pouco. Ela vai ser uma trama paralela à história principal, com um personagem que já apareceu como coadjuvante. Como? Não, não, esta história nunca vai sair na internet. É por isso que estou aqui pedindo. A senhora vai dar cinqüenta reais? Obrigado, obrigado. Que Deus lhe dê em dobro.

Mas aproveitando que esta senhora aqui contribuiu, eu queria falar uma última coisa... Oi? Vinte e cinco reais? Muito obrigado, Deus lhe pague. Mas uma última coisa. Eu queria agradecer de forma especial aos meus leitores que contribuírem com o projeto. Então, estou anunciando aqui em primeira mão:

Todos os leitores deste blog aqui que contribuírem, com qualquer quantia, vão concorrer a uma página do roteiro de Terapia autografada por mim. Funciona assim: você contribui e comenta neste post, me avisando – se já contribuiu antes de ler isso, é só comentar aqui.

Se o projeto atingir a quantia necessária e se tornar realidade, eu vou sortear, entre os comentários, cinco vencedores. Cada um deles escolhe sua página preferida de Terapia e ganha uma versão impressa do roteiro original da página, com as anotações e sugestões que coloco para a equipe da HQ (mesmo que eu tenha que reduzir a fonte para caber a página inteira). São trabalhos muito legais, que me orgulho muito e que vocês vão adorar.

Pessoal, obrigado pela atenção! Peço que contribuam e avisem aos amigos! Afinal, escrever aqui no Brasil pode ser difícil, mas...


2 de julho de 2012

Um Dia para Relembrar

Na hora em que fomos chamados pelo Serginho Groisman, tudo o que eu consegui fazer foi soltar um “...caralho...” baixinho e dar um beijo na Esposa. Eu estava tão nervoso que nem me lembro de descer as escadas do teatro do Sesc Pompéia. Quando eu vi, já estava no palco, ao lado do Mario e da Marina. E com o microfone na mão.

Minutos depois, eu voltei para o meu assento. Não foi difícil me encontrar ali, porque o sorriso da Esposa brilhava ali no meio. Dei mais um beijo nela e, ainda sem saber ao certo o que fazer, eu discretamente escapei pela porta dos fundos para fumar um cigarro e me acalmar.

Quando voltei, perguntei a ela se tinha eu tinha ido bem. E minha pergunta foi honesta: eu não lembrava a maior parte do que havia falado lá embaixo.

Na verdade, quando eu voltei para o meu lugar, tudo o que eu me lembrava de ter falado era que, mesmo com Terapia sendo a primeira HQ – e hoje eu tenho mais certeza que nunca que é só a primeira – eu faço quadrinhos desde pequeno, porque eu sempre fui pequeno.

E me lembrava também de ter usado a expressão “estou muito feliz”, ou algo parecido com isso. Na verdade, eu queria falar mesmo era que “eu estou feliz pra caralho com tudo isso!”, porque era o que eu estava sentindo. Mas não ia pegar muito bem soltar um “pra caralho” ali no palco, na frente de todo mundo.

Mas isso era tudo o que eu me lembrava de ter falado.

O resto? Do resto eu me lembro de tudo. De cada segundo.

Porque é um pouco difícil se esquecer de um dia no qual pessoas que você não conhece pessoalmente fazem questão de vir até você, se apresentar e lhe dar os parabéns pelo trabalho. É impossível esquecer momentos nos quais artistas que você foi fã a vida inteira conversam com você de igual para igual.

Vai ser impossível esquecer um dia como sábado.

Mas foi fácil esquecer o que eu falei no palco.

Ainda bem que filmaram. Aí eu tenho certeza de que não falei nenhuma bobagem lá em cima – ou melhor, lá embaixo.

Ainda bem que filmaram, pois assim eu posso compartilhar isso com vocês. E a vontade de mostrar isso para vocês é enorme, porque, bem...




Agora que estou aqui no sofá de casa, sozinho, sem ninguém olhando... Posso ser sincero?

Estou feliz pra caralho!!!!



(O vídeo original, do Caio Yo, está aqui.)

18 de junho de 2012

HQMix!


Aconteceu meses atrás.

Era quarta-feira e uma página nova de Terapia havia entrado no ar. À tarde, peguei um comentário no Twitter de um leitor afirmando que se identificava muito com as dúvidas do personagem central. Minutos depois, outro leitor respondeu esta mensagem, dizendo que não apenas sentia o mesmo, como este sentimento aumentava a cada página.

Eu respondi aos dois que ficava muito feliz em ler aquilo. E fui sincero, da mesma forma que sou sincero agora, ao dizer que adoraria lembrar quem eram os leitores e qual era a página em questão, mas não consigo me recordar.

Mas me lembro de que, neste dia em especial, eu senti muito orgulho.

Não é segredo para ninguém que, desde que a primeira página entrou no ar, eu sou totalmente apaixonado por este trabalho. Como leitor de quadrinhos desde a infância, roteirizar uma HQ é quase um sonho; e, como escritor, é quase mágico ver algo que crio ganhar formas e cores a cada página nova.

Até este dia, creio que eu estava mais concentrado em aprender a escrever uma história em quadrinhos que na história em si. Estava aprendendo a costurar todos aqueles diálogos com a arte, descobrindo o que funcionava e o que não funcionava na narrativa (eu falei sobre isso nesta entrevista em áudio).

Mas foram estes dois comentários que me mostraram: a coisa estava funcionando. Eu podia estar apenas “aprendendo” a escrever uma HQ, mas as pessoas estavam lendo de verdade! E melhor ainda, elas estavam gostando do que liam – porque, sejamos sinceros, ninguém fala (ainda mais em público) que se identificou com o personagem de uma história ruim.

Já havíamos visto diversas pessoas elogiando as páginas novas quando elas entravam no ar, ou outras tanto nos cobrando por páginas novas nas primeiras horas da quarta-feira. E isso sempre já nos enchia de orgulho. Mas, no momento que alguém se identifica com o personagem que você ajudou a criar, bem... Aí é um caminho sem volta. Aí que você percebe que talvez as coisas estejam no caminho certo.

E aparentemente, estavam.

Continuamos a receber elogios – não apenas de leitores, mas desta vez em sites especializados, blogs e podcasts – e a ganhar cada vez mais fãs. A HQ começou a bombar de uma forma mais intensa que havíamos imaginado.

Mas as coisas decolaram de vez quando semanas atrás, fomos indicados ao HQMix, na categoria Melhor WebComic.

E aí eu senti mais orgulho ainda.

Afinal, trata-se do maior prêmio brasileiro de quadrinhos. Entre tantas HQs ótimas que circulam pela internet, a nossa acabou sendo escolhida como uma das finalistas. E isso no nosso "primeiro ano".

E, agora, é com mais orgulho ainda, que faço este anúncio:

Terapia ganhou o troféu HQMix!

É nosso!
  
A lista dos vencedores foi divulgada hoje e Terapia está lá, ao lado de obras do quilate de Macanudo e Um Sábado Qualquer. E nossos nomes estão lá, junto de gente do calibre de Angeli, Fábio Moon, Gabriel Bá e André Diniz.

Sim, eu quase decorei a lista, porque já olhei a relação dos premiados oito vezes desde que ela foi publicada, para ter certeza do que vi e de que não estou sonhando.

Enfim, passaram-se meses até eu cair na real que estava escrevendo uma história em quadrinhos de verdade, e perceber que as pessoas estavam gostando de Terapia mais do que poderíamos imaginar – ou, ao menos, do que eu poderia imaginar. Agora, eu preciso de mais alguns meses eu entender que Terapia tem, agora, um HQMix na prateleira.

Mas, mesmo antes da ficha cair, quero agradecer algumas pessoas.

Em primeiro lugar, meus parceiros.

Marina Kurcis, minha companheira de roteiro é a “verdadeira psicóloga” do personagem central. É ela que faz a parte mais difícil do roteiro: torna as conversas entre o Garoto e o Terapeuta em algo real.

Mario Cau, que consegue dar vida, de forma genial, a tudo o que eu e a Marina colocamos no papel, criando um universo que – seguindo nossas instruções ou mudando tudo para melhor – ilustra exatamente o que queríamos com o roteiro.

A grande honra não é receber o prêmio, mas sim dividi-lo com vocês dois.

Não posso deixar de falar também da minha esposa. Sem ela, nada disso seria possível. Afinal, mais que uma inspiração, ela é meu alicerce.

Porque, vamos ser sinceros, não deve ser fácil ser casada com alguém que escreve. Hoje ela é casada com o cara que escreve uma HQ premiada, na maior parte do tempo ela é casada com o sujeito que se irrita quando não consegue terminar um texto, e que procura ideias para crônicas o tempo todo. E em qualquer uma destas situações, ela mostra um amor do tamanho do mundo, sendo leitora na hora certa, sendo esposa na hora certa. Não sei como ela faz isso, mas ela faz. E faz como ninguém.

E, claro, à equipe do Petisco, que sempre forneceu todo o suporte para que Terapia fosse o sucesso que é hoje, ajudando com a divulgação e dando todo o apoio que precisamos.

Por fim, gostaria de mais que agradecer, dedicar este prêmio aos leitores de Terapia. São todos vocês (especialmente aqueles que acompanham a história desde suas primeiras páginas) que nos ajudam, a cada semana, a construir uma HQ cada vez melhor, elogiando, palpitando, criticando – e, principalmente, divulgando para os amigos.

Esse prêmio é de vocês também.

Muito obrigado!

Aliás, acabei de ler a lista dos premiados pela nona vez. Não é que nosso nome continua lá?

17 de abril de 2012

Terapia indicado ao HQMix!


Quando eu fui convidado para escrever os roteiros da webcomic Terapia junto com a Marina Kurcis, a primeira coisa que fiz foi avisar o Mario Cau:

- Eu nunca escrevi quadrinhos na vida. Nem sei como se faz isso.

Claro que eu tomei o cuidado de avisar ao Mario que não entendia nada do assunto somente depois de aceitar o convite, mas eu não estava mentindo. Por mais que eu sonhasse em escrever uma HQ um dia, eu não fazia ideia nem de como começar a rabiscar os roteiros.

Porém, como leitor de HQs desde a infância, alguma coisa sobre o assunto eu devia saber. Afinal, o melhor caminho para se aprender a escrever é lendo, e ler quadrinhos também é ler – e, cá entre nós, conheço meia dúzia de quadrinhos que me ensinaram a escrever melhor que muitos livros. E, claro, sempre pode se argumentar que “escrever é escrever, não importa onde”.

Mas se existe algo que eu aprendi neste último ano é que “escrever” e “escrever quadrinhos” são coisas bem diferentes entre si.

As técnicas são diferentes, a própria linguagem é diferente. Ao escrever uma crônica, escrevo para mim; já ao escrever uma página, junto com a Marina, precisamos sempre ter em mente de estamos praticamente escrevendo para o Mario, que irá traduzir tudo em imagens.

E confesso que para mim, especialmente no início, foi difícil deixar de lado alguns textos para que eles fossem expressos somente pela arte. Se meu personagem está triste, por exemplo, meu instinto de escritor pede para que eu elabore um parágrafo inteiro mergulhando naquilo que ele está sentindo. Contudo, o Mario mostra esta tristeza em somente um quadro, sem palavra alguma.

Sem usar uma palavra! Como ele consegue isso?

Hoje, cerca de um ano depois de começarmos a trabalhar nisso, temos dezenas de páginas publicadas e mais um punhado delas em produção. Algumas destas páginas saíram totalmente diferente do que eu imaginava; outras saíram exatamente como eu pensei. Tenho minhas páginas preferidas – da mesma forma que a Marina e o Mario devem ter as suas, assim como os leitores devem sentir o mesmo.

Porém, confesso que, depois de 44 páginas publicadas e diversos elogios, eu ainda encaro tudo isso como “estou aprendendo a escrever histórias em quadrinhos”. Claro que já a produção é muito mais tranquila, com cada um conhecendo o estilo do outro, mas me sinto aprendendo mais e mais sobre como escrever HQs a cada diálogo, a cada quadrinho, a cada página.

E talvez venha daí a minha surpresa com a notícia que recebi semana passada: 


Terapia foi indicada ao HQMix na categoria Melhor Web Comic de 2011.


Pode parecer clichê, mas somente a indicação já é um enorme prêmio para nós. Afinal, nunca pensamos em prêmios ou nada desse tipo – nosso objetivo sempre foi entregar a melhor página possível (em termos de textos e arte) para os leitores. Mais nada.

Aparentemente, deu certo. Para quem não conhece, o HQMix é o maior prêmio brasileiro da indústria de quadrinhos, e a honra de ser indicado ao lado de tanta gente talentosa, como Angeli, Lourenço Mutarelli, Fábio Moon e Gabriel Bá é enorme – sem falar no amigo Raphael Fernandes, indicado pela ótima Ditadura no Ar. A lista completa dos indicados está aqui!

Assim, queria aproveitar este post para agradecer a todos os leitores, tanto aqueles que acompanham a história desde a primeira página como aqueles que descobriram Terapia mais recentemente. Eu e a Marina escrevemos; o Mario desenha; mas nada disso seria possível sem o apoio de vocês.

Muito obrigado por terem tornado Terapia em algo muito maior do que poderíamos imaginar!

29 de novembro de 2011

Top 5 - #TerapiaHQ

Com tudo o que aconteceu este ano, o tempo voou.

Assim, de repente eu acordo um dia e percebo que estou começando a escrever o terceiro arco (ou capítulo, como queiram) de Terapia, a HQ que desenvolvo junto com os ilustres @yellowsubmarina e @mariocau. Terceiro arco. Ou seja, com uma página por semana, estamos falando de quase meio ano (cada arco tem 12 páginas, e entre cada arco há uma página solta). É muita coisa já publicada.

Com isso, achei que seria legar dar uma revisitada nas páginas já produzidas e comecei a reler toda a série, desde o início. Fiz isso umas três ou quatro vezes nas últimas semanas e tive a ideia de fazer um Top 5 com as minhas páginas preferidas, e dividir com vocês.

A tarefa não foi fácil. De todos os trabalhos que estou fazendo, esta série é, certamente, um dos que mais me enche de orgulho. Então, tive que pensar e repensar e deixar de páginas que adoro de fora, mas, ao final, consegui chegar a o meu Top 5 atual – “atual” porque eu sei que neste terceiro arco terão páginas que certamente entrarão na próxima vez que eu fizer esta lista.

Mas, sem mais enrolação, vamos logo ao Top 5 - Páginas Preferidas da HQ Terapia (na ordem de publicação), com alguns comentários sobre o roteiro, e todos extremamente pessoais e nada técnicos.


1. Página 06
Quando escrevi esta página, vi que estava começando a acertar o tom da coisa. Ao descrever os dois últimos quadrinhos, reparei que estava começando a pensar no espaço da página e na arte, brincando com isso – nas páginas anteriores, acho que tinha escrito “somente” diálogos.

Foi com esta página que eu percebi que estava escrevendo uma HQ de verdade, e não uma crônica que seria desenhada. Foi aqui que eu finalmente consegui, pela primeira vez, passar a ideia desejada brincando com a arte da página, e não usando somente texto. E gosto demais do contraste entre os dois últimos quadros, com a “confusão mental” desembocando no “vazio emocional” que o personagem central sente.


2. Página 14
Acho que esta é uma das páginas mais ricas que o Mario desenhou. O roteiro indicava apenas que o arco II abriria com o personagem chegando ao terapeuta e uma briga do menino com a namorada ao mesmo tempo – a ideia era trazermos elementos da vida dele pela visão do leitor, e não somente pelas conversas entre ele e o terapeuta.

A solução do Mario foi primorosa: a briga corta a página em dois, como perturbando personagem, e os traços distorcidos dos quadros ao redor apenas reforçam isso. Além disso, a página tem detalhes primorosos, como o garoto andando na direção contrária à indicada pela seta, e com a cara fechada ao lado do adesivo do “smile”. Mas a minha preferida é a integração dele com as bolhas de água no último quadro. Ah, a letra da música é um trecho de I Can’t Be Satisfied, de Muddy Waters, que você ouve aqui.


3. Página 17
Difícil começar a falar sobre esta página. Como conteúdo, ela é extremamente importante, pois começa a apresentar dicas sobre o personagem central e sobre sua criação – ou seja, a respeito da sua personalidade. A única especificação “técnica” do roteiro era que a página seria um flashback e que o porta-retratos era bastante importante, pois uma referência a ele ele iria aparecer na página seguinte.

Partindo disso, o Mário criou uma página totalmente “impressa” como os antigos gibis dos anos 60 e 70, nos quadros “pontilhados” – eu praticamente sinto o cheiro ruim da tinta sempre que olho essas imagens. Mas o grande charme, para mim, são justamente os porta-retratos, que ganham uma textura impressionante e acabam sendo o elemento central da página, especialmente em termos de narrativa, passando justamente a ideia que eu e a Marina havíamos pensado.


4. Página 18
E eis um porta-retratos novamente, completando a referência da página anterior - a que falei acima. E aqui entra outra sacada genial do Mario. É uma imagem única, e os quadros que deveriam ser o diálogo entre o menino e o terapeuta tornaram-se detalhes do móvel, que possui uma riqueza de detalhes impressionante.

E o grande charme é que a avó do garoto e sua namorada se contrapõem no centro da página, como havia acontecido na arte que mostra a briga entre os dois. Esta foi uma das páginas que eu mal sabia como comentar com o Mário, quando recebi a arte.


5. Página 27
Confesso que este Top 5 deveria ter entrado no ar semana passada, para comemorar o lançamento do Arco III. Mas, quando vi esta página desenhada, resolvi adiar os planos por uma semana, já que seria injusto deixá-la de fora. Ela fugiu um pouco da ideia inicial – que não posso ainda revelar qual era, já que estragaria alguma surpresa – mas toda a essência do que eu e a Marina queríamos está aí: um clima totalmente diferente do apresentado até o momento, numa situação absurdamente estranha: uma refeição no meio de um descampado, quase como uma cena de um filme do Buñuel.

E o preto e branco dela, para mim, é totalmente opressivo – mesmo com um cenário aberto e que sangra para fora da página, eu a enxergo como algo extremamente claustrofóbico.

E, sim, existem duas luas no céu.

***********

Sem fazer propaganda barata, este terceiro arco promete. Afinal, com uma página de abertura como essa... Bem, não posso revelar mais por enquanto.

Mas queria aproveitar para agradecer, não somente em meu nome, mas em nome do Mario e da Marina, todos os elogios que temos recebido e que estão superando nossas expectativas. Muito obrigado a todos, e não percam as próximas páginas, toda quarta-feira, no Petisco.

27 de setembro de 2011

Oi, Você se Lembra da Minha Voz?

Para quem não se lembra, eu dei uma entrevista sobre assuntos como crônicas e a publicação do meu livro (à época, eu tinha lançado apenas o Anônimos e Urbanos) para a equipe do programa Pra Ler, da Rádio UFMG Educativa.

Mas, como eu afirmei na época, a pauta, na verdade, foi formado por duas entrevistas separadas, sendo que a segunda era totalmente sobre a HQ Terapia e a experiência de se escrever quadrinhos.

Agora, ela foi disponibilizada na íntegra e eu a reproduzo aqui no blog. Um agradecimento à equipe do programa pelo espaço cedido e, claro, à dupla Mario Cau e Marina Kurcis, parceiros nesta empreitada da qual eu tenho muito, muito orgulho de fazer parte.

Eu sei, eu falo rápido demais. Ou, como eu mesmo colocaria, “absurdamente rápido”. Mas, mesmo assim, espero que gostem!

Rob Gordon Terapia by thaiscmarinho


E nunca é demais lembrar que amanhã é quarta-feira e tem página nova do Terapia.

20 de setembro de 2011

Uma Semana Depois

É difícil voltar.

Passei os últimos quatro ou cinco dias morrendo de vontade de postar no blog, mas, em todas as vezes que tentei escrever, algo parecia me impedir. Ficava olhando a tela em branco, digitando começos de textos que não me agradavam – e, se não me agrada, eu não consigo dar continuidade.

Assim, eu percebi que ainda é difícil escrever quando o assunto sou eu – e, em 99% dos textos deste blog, o assunto sou eu. Não sei se é porque ainda estou mexido demais com tudo o que vem acontecendo, não sei se é efeito dos remédios. Quando a psiquiatra me receitou os remédios, a primeira coisa que perguntei foi se algum dos efeitos colaterais iria mexer com a minha criatividade – afinal, eu vivo disso – e ela disse que não.

Na verdade, enquanto escrevo isso – e é a primeira vez que eu chego a quatro parágrafos tão rapidamente ao escrever um texto para o Champ nestes dias, sinal que estou no caminho certo – estou entendendo que eu não deveria mais escrever no blog enquanto não agradecesse a todo o carinho recebido em cada um dos comentários.

Como algumas pessoas devem ter reparado, eu, agora, faço questão de responder todos os comentários do blog. Todos, sem exceção. Longe de ser para “aumentar” o número de comentários (nunca precisei disso), esta ideia serve para eu me aproximar ainda mais das pessoas.

E aqui, não falo somente de leitores, mas sim de “pessoas” mesmo. Pois uma das consequências da depressão é querer se isolar totalmente em alguns momentos. Assim, acho que responder aos comentários do blog é uma forma de eu lutar contra isso, praticamente “me forçando” a conversar com vocês. Isso irá continuar aqui – no Chronicles não, pois lá, como se trata de ficção, quero sempre que os textos funcionem sozinhos e por conta própria.

Mas o que estou tentando dizer é que o blog funciona como terapia também – algo que eu nunca escondi e que tem sido essencial neste momento tão complicado.

Ficção eu ainda escrevo com facilidade. Ao menos, eu acho. Postei algumas coisas no Chronicles outro dia, mesmo que sejam ligadas diretamente ao que estou passando (este mostra um dia bom; este mostra uma das crises de ansiedade). E sexta-feira teve texto novo no Malvadezas, que escrevi com (relativa) facilidade justamente por conseguir me colocar (ao menos enquanto escrevia) como um simples personagem do diálogo – é outra forma que encontrei de escrever sobre mim atualmente.

Assim, antes de voltar – ou, ao menos, tentar voltar – ao tom normal deste blog, gostaria de agradecer mais uma vez todos os comentários recebidos. Todos, sem exceção, foram importantes e alguns me emocionaram demais. Alguns leitores também me mandaram e-mails ao invés de comentar, e eu faço questão de responder a todos eles – devo fazer isso entre hoje e amanhã. Desculpem pela demora.

E quero agradecer, sobretudo, o respeito em cada um dos comentários, especialmente de pessoas que nunca passaram por isso. Muita gente se identificou com o que escrevi, mas fiquei sensibilizado demais por gente que apenas faz ideia do que essa doença implica se esforçando para entender o que tentei passar aqui, e mostrando apoio e carinho da mesma forma. Pode parecer clichê ou auto-ajuda, mas, nessas horas, isso conta muito.

Claro que certamente teve gente que leu o que escrevi e achou que se trata de frescura, ou que estou tentando chamar a atenção – e eu acho isso compreensível, já que é uma reação normal à minha doença. Não culpo ninguém por isso - e espero, do fundo do meu coração, que estas pessoas jamais passem pelo que passei / estou passando.

Caso você seja uma delas e esteja lendo este texto, meus sinceros agradecimentos por ter permanecido em silêncio, o que mostra, ao menos, respeito pelo que estou passando, mesmo que seja algo que esteja além da sua compreensão. Obrigado de verdade pela educação.

E, agora, vamos tentar tocar a vida em frente, no que diz respeito a textos. Hoje tenho alguns frilas para terminar, e um post para um blog que me convidou a fazer um texto especial. E tenho que colocar minha vida em dia com o Mario e a Marina, a equipe do Terapia, que pacientemente soube lidar com meus sumiços – que, espero, se tornarão cada vez mais raros.

Mas estou começando a ter ideias para novas crônicas e posts no velho estilo Champ. E, se no começo me forçarei a escrever num tom mais leve, espero de verdade que logo este tom mais leve apareça naturalmente em cada texto e, principalmente, em cada dia. Como disseram mais de uma vez nos comentários, hora de passos pequenos, sempre para frente.

É difícil voltar. Mas eu vou voltar.

Obrigado de verdade pelo apoio.

Obrigado de verdade.


Update: Em tempo, ainda com a política de me aproximar cada vez mais dos leitores estou com perfil oficial no Facebook. Basta clicar aqui e me adicionar.

13 de julho de 2011

How Blue Can You Get?

No Dia Mundial do Rock, é decisão deste blog não falar sobre rock. Ou, ao menos, não exatamente sobre rock. Afinal, hoje em dia pipocarão textos e mais textos sobre o gênero na internet. Alguns serão emocionais, outros serão teóricos. Alguns apresentarão listas das melhores canções, outros dirão que o rock morreu.

No Dia Mundial do Rock, é decisão deste blog voltar mais ainda no tempo e falar sobre blues.

A vontade de escrever sobre blues e como suas músicas praticamente salvaram minha vida – ao menos em alguns momentos – é antiga. Mas acabei sempre deixando a ideia de lado, por dois motivos. No início, eu achava que não entendia o suficiente para escrever sobre o tema. Depois, com o surgimento da HQ Terapia, eu não quis trazer o blues para o blog antes que suas músicas se tornassem parte vital da trama.

Contudo, a presença constante destas músicas nas páginas recentes de Terapia fez surgir o interesse de muitos leitores e amigos pelo gênero, que vieram me pedir indicações de músicas e artistas. Assim, a vontade de escrever voltou. Mas não escrever sobre o blues, e sim sobre a forma que eu enxergo o blues. Pois hoje eu sei que você só entende perfeitamente o blues quando descobre que ele não foi feito para ser entendido. Exatamente como a vida.

Sim, é possível teorizar. É possível falar parágrafos e mais parágrafos sobre a estrutura do blues, abordando os 12 compassos musicais e os versos que seguem a ordem “pergunta-repetição da pergunta-resposta”. Mas teorizar o blues é quase estragar o blues. Mais que música, blues é um estado de espírito.

Da mesma forma, é fácil pintar o blues como é um dos pais do rock, ao lado do country. O número de bandas e artistas que surgiram por causa do blues – ou que tem influência de blues em suas composições – é enorme, indo de Beatles a Bob Dylan, de The Doors a Jimi Hendrix. Como exemplos concretos, basta dizer que o Led Zeppelin foi processado por regravar músicas de Willie Dixon (You Shook Me e I Can’t Quit You Baby) sem os devidos créditos, e que o nome Rolling Stones foi escolhido para homenagear uma música de Muddy Waters. E falar de Eric Clapton aqui seria covardia.

Sim, o blues é o grande pai do rock. Mas, diferente do rock, é impossível precisar sua origem. Gosto da frase que diz que “o blues existe desde o começo dos tempos, desde que a primeira mulher mentirosa conheceu o primeiro homem cafajeste”, mas ela restringe o gênero, apontando que o blues gira somente em torno de corações partidos.

Sim, boa parte das suas composições aborda este tema, mas existem outros assuntos dominantes. O blues canta a verdade que está nas ruas, de uma forma muito mais lírica e muito mais cortante que o rock. Suas músicas são sobre corações partidos, sobre homens que traem e mulheres que tratam mal o homem que a ama; mas também abordam os problemas com a bebida, a falta de dinheiro, a solidão, a fé, paixões doentias, o frio e suas doenças, a ânsia de partir para outro lugar e começar tudo de novo.

Enquanto o rock usa drogas e dorme com groupies, o blues enche a cara de cachaça barata e dorme com as mulheres erradas. Enquanto o rock morre de overdose em hotéis luxuosos, o blues tem pneumonia e perde o salário do dia. Enquanto o rock é acusado de atrapalhar a educação dos jovens, o blues é o marginal que exala o cheiro das ruas. Enquanto o rock quer drogas e sexo durante a noite inteira, o blues deseja apenas uma nota de 20 dólares para pagar um jantar, um par de sapatos confortáveis e um uísque. Enquanto o rock acorda no meio da tarde, o blues acorda cedo porque precisa trabalhar. Enquanto o rock lamenta a saudade do grande amor perdido, o blues sabe que apenas levar este amor para a cama aplacará a dor – que, no caso do blues, chega a ser física. Sim, a dor do blues é quase física. E a felicidade do blues é passageira. Mas existe.

O blues não é uma starway to heaven, tampouco uma highway to hell. O blues é a realidade, seja ele cantado nas cidades grandes ou nas plantações de algodão. Como disse o cantor Brownie McGhee, “o blues não é um sonho, o blues é a verdade.” E a realidade, diferente do sonho de John Lennon, não acaba.

Agora, chega de falar. No Dia Mundial do Rock, deixo vocês com não com um Top 5, mas sim com um Top 3 Artistas de Blues, que, para mim, compõem a Santíssima Trindade do gênero. Não é a toa que são justamente estes que estão retratados nos posters respeitosamente pendurados no quarto do personagem central de Terapia, como visto no último quadro da página 07.

1 - Robert Johnson
É a maior lenda do blues. Ninguém sabe ao certo quando nasceu ou onde está enterrado. Diz a lenda que vendeu a alma ao Demônio, o que seria reforçado (ou explicitado?) por músicas como Hellhound on my Trail e Me and the Devil Blues. Gravou somente 29 músicas, em condições precárias (num hotel, de forma absolutamente amadora) e mesmo assim é considerado um dos guitarristas mais influentes de todos os tempos. Eric Clapton gravou um CD somente com suas canções e Keith Richards afirma que, ao ouvi-lo pela primeira vez, demorou a se convencer de que se tratava de apenas uma pessoa (e não duas) tocando.








2 - Muddy Waters
Provavelmente o maior nome do blues nas décadas de 40 e 50 (sendo redescoberto pelos roqueiros ingleses na década de 60), fez história sobretudo ao ligar sua guitarra na tomada, décadas antes de Bob Dylan fazer o mesmo. Assim, o blues se tornou urbano e, consequentemente, mais safado. Sua obra alterna temas como a dor de ser mal tratado pela mulher que ama (Good Looking Woman) e a vontade de aplacar a saudade com sexo (I Just Want to Make Love to You). Contudo, às vezes deixa a fossa de lado e sai de casa disposto a levar a cidade inteira para a cama graças a sua música, como fica claro em Hoochie Coochie Man, talvez o maior hino da história do blues.






3 - John Lee Hooker
Se existe um bandido na história do blues, este sujeito é John Lee Hooker. Cara de marginal, voz grave e ameaçadora (ele praticamente fala, sem cantar) e, nos últimos anos de vida, figurino de gigolô, não é difícil imaginar que andava para cima e para baixo com uma navalha no bolso. Apesar de falar sobre amor de forma solitária e amarga, também aborda com frequência temas como a pobreza e a busca pela felicidade na forma de uma mulher, de uma garrafa (ou de três garrafas, como fica claro em One Bourbon, One Scotch, One Beer), ou evidentemente, no blues, como fica claro em The Healer.




Existem outros. Muitos outros, talvez até mais famosos, como BB King – que também adoro (o título do post é inspirado em uma canção sua). Mas estes três são os meus. Enquanto os outros músicos de blues cantam para mim, estes três vão além e conversam comigo. É difícil explicar.

Porque, na verdade, o blues é difícil de explicar.

E esta é justamente a sua magia.

10 de julho de 2011

Processo Criativo

ONTEM.



HOJE.



EM BREVE, AQUI.

Contudo, como este blog nunca foi baseado somente em imagens, tem texto novo no Chronicles: Partido.

1 de junho de 2011

Nasceu! [2]

“E se tentássemos Blues?
Daqueles antigos e empoeirados,
que ninguém ouve mais?”




Foi meses atrás, poucos dias após o lançamento do Anônimos e Urbanos.

Eu ainda estava totalmente mergulhado na publicação do livro. Minha vida, á época, era bastante diferente de hoje. Eu ainda trabalhava dentro de uma redação e era lá de dentro que eu divulgava o livro, conversava com leitores e dava entrevistas para outros sites e blogs. Tudo isso enquanto trabalhava.

E foi nesta época que um leitor falou, no Twitter, que muitos dos meus textos (especialmente os do Chronicles) eram bastante parecidos com o trabalho que o Mario Cau fazia com sua série Pieces.

Olhem, se um dia este texto for publicado numa edição luxuosa e com capa dura, daquelas vendidas na seção de arte das livrarias, prometo que serei mais elegante na introdução e escreverei nesta parte do texto, que “aquilo certamente foi um sinal, pois eu e o Mário já havíamos conversado diversas vezes e sempre tínhamos pensado em fazer algo junto”. Mas, como estamos entre amigos, eu posso ser sincero: eu não conhecia nem o Mário nem o Pieces.

Assim, fui atrás para conferir. E fiquei meio chocado com o que vi. Como alguém podia comparar o que eu escrevia com aquilo?

Basicamente, eu me via apenas como alguém que estava brincando de escrever – e ainda me vejo assim a maior parte do tempo – enquanto o Mario estava criando mundos inteiros, habitados por personagens absurdamente reais e desenhados de uma forma que me fazia ficar admirando cada detalhe a ponto do meu cérebro se esquecer de ir para o quadrinho seguinte (este trecho ficou bonito e vou usá-lo também na introdução do livro, daqui a alguns anos, mas esta parte é verdade, juro).

Ganhei meu dia.

Mas o dia ainda não havia terminado. Logo depois, vi o Mario Cau falando (também no Twitter) que conhecia meu trabalho e havia acabado de comprar o livro. Neste momento eu desliguei o computador e fui para casa dormir, com medo de estragar o resto do dia.

Claro que começamos a conversar em algum momento das semanas seguintes. E claro que a ideia de produzirmos algo em parceria surgiu cinco minutos depois. E o Mário já tinha até mesmo tudo pronto dentro da sua cabeça: a história de um jovem comum e parecido com qualquer jovem de uma grande cidade (basicamente, um “anônimo e urbano”), que leva uma vida perfeita, com família, namorada e faculdade, a não ser por um detalhe: ele não se sente feliz e discute todos os aspectos de sua rotina com um terapeuta, em busca de respostas para perguntas que ele nem sabe ao certo quais são.

O nome não poderia ser mais direto: Terapia.

A ideia era um projeto que o Mario estava começando a desenvolver com a Marina para o site Petisco, que publica séries de quadrinhos com atualizações semanais. Quase um misto de quadrinhos com novelas. E eles estavam começando a desenvolver isso quando entrei. Ou seja, o projeto já existia quando eu apareci. Eu fui um mero intruso, entrando de bicão. Mas ao menos tive a delicadeza de entrar ainda no comecinho da festa, e pedindo licença para todos. E tive a delicadeza, também, de avisar o Mário:

– Eu nunca escrevi uma história em quadrinhos na vida.

E era verdade. Eu aprendi a ler com quadrinhos, passei boa parte da minha vida lendo HQs, mas nunca havia escrito uma. Já havia sonhado diversas vezes com isso, mas nunca havia feito. E não fazia sequer ideia da mecânica da coisa, de como era o processo de trabalho.

E, mais importante, eu nunca havia escrito algo para o blog em parceria com alguém. Sempre sentado e sozinho, sempre comigo mesmo. Como eu disse acima, brincando de escrever. E, quando o Mario respondeu algo como “não temos regras, vamos escrevendo” eu vi que estava em casa.

A partir daí, começaram as trocas de e-mails e de ideias. Mas a coisa começou a fluir de verdade em dois momentos.

O primeiro foi quando emperramos em um problema. Precisávamos de uma válvula de escape para o jovem, algo que o tornasse único e que fosse sua grande comunicação com o mundo. E nada parecia legal.

Assim, aproveitei que estava numa fase em que ouvia blues o dia inteiro, me identificando cada vez mais com as letras das músicas, e sugeri a frase que abre este post. O blues o tornaria diferente de todos ao seu redor e faria sua intensidade e sensibilidade ganharem sentido. Porque uma pessoa que ouve blues pode não ser sensível, mas uma pessoa sensível cedo ou tarde se apaixona por blues. Com o blues, as páginas ganharam mais vida. Mais emoção. E começaram a fluir, já que o blues encaixou tudo o que ele sentia. O blues se tornou não a trilha da história, mas o clima - quem gosta de blues sabe que isso é possível.

A partir daí, a coisa decolou de verdade, ganhando mais forma ainda quando passei uma tarde inteira tomando com café com a Marina e escrevendo, dissecando o personagem.

A Marina, aliás, é o nosso contato com a realidade. Além de escrever, ela estuda psicologia, o que transforma o nosso segundo personagem mais importante – o terapeuta – em um terapeuta de verdade. Sem ela, a história teria se encerrado depois das primeiras páginas, pois nosso terapeuta já teria seu diploma caçado.

Nesta tarde, eu e ela mergulhamos fundo na história do garoto, montando boa parte do seu passado, tentando entender seus problemas. E, em alguns momentos, eu precisava sair do café para fumar um cigarro e sentia um pouco de pena do garoto. Mas, ao mesmo tempo, eu sentia amor por ele e queria ver ele se sair bem, pois a melhor coisa de brincar de escrever é se apaixonar pelo personagem.

Não sei se ele vai se sair bem. Nós estamos desenvolvendo a história conforme ela acontece e ainda não sabemos como ela vai acabar (sim, já temos muitas páginas escritas, mas estão bem guardadas aqui, na mesa da Marina ou na prancheta do Mário).

Mas tomara que ele, em algum momento, tenha a mesma sensação que tive ao abrir o e-mail algumas semanas atrás e encontrar as primeiras páginas finalizadas e me fez gritar que:

– Cara, eu estou escrevendo uma história em quadrinhos!

Poucas vezes fiquei tão orgulhoso de ver o resultado de algo em participei. Às vezes, eu nem me lembrava de que isso seria publicado e que as pessoas iriam ler. Mesmo com o Mario e com a Marina ao lado, eu, até uns dias atrás, estava fazendo aquilo para mim, sem pensar se vai fazer sucesso ou não. Era um sonho de moleque.

Tomara que o menino encontre esta sensação em pelo menos algumas páginas.

E tomara que vocês também. Tomara que, assim como nós três, vocês se apaixonem por ele, pelo seu mundo, pelos seus problemas – e por suas músicas. Porque ele vai ficar por aí por bastante tempo.

E agora é hora de mostrar a vocês a mecânica da coisa – afinal, não vou fazer o trabalho sujo sozinho. Se eu tive que aprender a escrever quadrinhos, vocês terão que aprender a ler uma webcomic.

Terapia será publicado no Petisco, site que traz outras séries semanais de quadrinhos. Especialmente hoje, por ser o dia do lançamento, a seção Terapia (clique aqui ou no banner lá em cima) ganhará três páginas (enquanto escrevo isso, duas já estão lá). A partir daí, uma nova página será publicada toda quarta-feira, aos poucos formando arcos fechados e apresentando muitos dilemas – e algumas soluções – para o nosso personagem.

Assim, semana a semana, queremos que vocês entrem cada vez mais no mundo deste menino, acompanhando suas dúvidas, paixões e questionamentos. Ouvindo blues, mas ouvindo rock, ouvindo MPB. Nós escolhemos o blues para escrever, mas você pode (e deve) escolher a sua trilha para ler.

E queremos a resposta de vocês a tudo isso. Assim, comentem na página do Petisco, espalhem para os amigos e no Twitter. Como sempre, peço a ajuda dos blogueiros amigos na divulgação. Entrevistas? Informações adicionais? Indicações de discos de blues antigos? Basta gritar no email lá na barra superior do blog. Imagens das páginas ainda não publicadas? Não, nem perca seu tempo, o Mário me mata. Melhor até mudar de assunto antes que ele veja isso.

Mas antes de tudo: queremos que leia. Queremos que leia e conheça um pouco mais do rapaz que criamos. Porque esta história tem um pouco de nós três, mas, como alguém que brincar de escrever, quero que ela tenha um pouco de você também. E posso falar isso também em nome do Mario e da Marina. Afinal, nossa ideia nunca foi transformar a HQ em nossas próprias sessões de terapia – muito menos fazer isso com vocês.

Nossa intenção foi, antes de tudo, criar uma história que valesse a pena ser contada.

Pois não existe melhor maneira de compreender a vida do que contando histórias, algo que estou tendo a honra de fazer ao lado de duas pessoas fantásticas. Algo que estou tendo a honra de fazer para vocês, mais uma vez. E agora com imagens.

E, caso em alguma página o seu cérebro fique admirando um único quadrinho e se esquecendo de pular para o seguinte, não se preocupe.

Aconteceu comigo também.