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22 de dezembro de 2015

Exclusivo: Entrevistamos o Menininho dos Posts Politicamente Corretos do Facebook

Seja dentro de um ônibus, num vagão de metrô ou passeando pela rua ao lado do avô, você certamente já o viu antes. Mas nunca num metrô, ônibus ou na rua, e sim no Facebook. Nos últimos meses, é quase impossível não acessar a rede social sem encontrar o trabalho do ator Rui Fernandes.

Pouca gente conhece seu nome, mas todos conhecem seu personagem mais famoso: o menininho politicamente correto que aparece em relatos e mais relatos vendidos como reais nas redes sociais. Com uma carreira em televisão e teatro, o ator, que completou quarenta um anos recentemente (mas aparenta ter seis anos graças a uma rara doença conhecida como Síndrome de Highlander), viu sua carreira decolar de verdade no Facebook, especialmente graças aos milhões de pessoas que não apenas compartilham suas histórias como ainda acham que é verdade.

Nesta entrevista exclusiva, ele conta mais sobre seu trabalho, o relacionamento com Carlos, o ator famoso por interpretar seu avô machista (ou homofóbico ou preconceituoso – sua identidade muda de acordo a pauta do dia nas redes sociais) e assume: no Brasil, Facebook dá mais prestígio que teatro.

Quantos posts de Facebook você fez este ano?
[Pensa antes de responder]. Acredito que... Onze? Não, doze. Isso. Doze. Foram oito feministas, três sobre homofobia e um político. Na verdade, seriam treze, pois fiz dois posts políticos agora em dezembro. Mas como um deles só será publicado em janeiro, então esse não conta. Doze.

Como você vê a repercussão enorme que esses posts têm alcançado?
Acho que isso é fruto de vários fatores. Os textos são muito bem trabalhados, sempre com uma lição que normalmente fica comigo porque eu interpreto a criança, então tem mais impacto e gera mais empatia. Mas acho que o principal fator do sucesso é que hoje em dia as pessoas querem dizer algo, mas não sabem como.

Como assim?
Na verdade, não é que elas querem dizer algo, elas acham que precisam dizer algo. Se todo mundo está falando sobre um assunto, a pessoa se sente obrigada a falar também. Aí ela encontra um texto que parece real e tem uma mensagem bonita. Pronto. Tudo o que ela precisa fazer é compartilhar.

Virou um gênero?
Isso. No cinema você não tem o filme de super-herói? No Facebook, você tem o texto do menininho politicamente correto. É o que vende hoje. As pessoas querem consumir isso.

Mas diferente do filme de super-herói, as pessoas acreditam que as histórias do menininho politicamente correto são verdadeiras.
Ah sim, é isso que torna a história ainda mais forte. O roteiro é todo pensado para esse formato... Mas eu acho que... Não sei... [pensa] Eu acho que se a pessoa lê uma história sobre eu discutindo com meu avô machista no metrô e acredita que aquilo é verdade, não é só mérito do roteiro. Provavelmente é porque ela quer acreditar que aquilo é verdade. Acho que faz bem para ela.

Mesmo quando ela sabe que é mentira?
Mas a história nunca é mentira. Você nunca conseguiria provar.

Como assim?
Isso é algo que a gente toma muito cuidado no roteiro. Pode reparar: as histórias se passam dentro de um ônibus, no metrô, num shopping qualquer... Sempre num lugar que não é identificado com exatidão, mas que ao mesmo tempo, tem centenas de pessoas. Ou seja, se a pessoa ler e pensar que “ah, eu estava no metrô nesse dia, nessa hora, e não vi nada disso”, ela sempre vai achar que é porque estava em outro vagão.

Alguma das histórias que você trabalhou é verdadeira?
Não posso responder isso por contrato.

É que você deu a entender que elas são mentiras.
Não. Eu apenas falei da construção do roteiro. Eu não disse se ele é baseado em um fato real, ou se foi inventado por alguém que estava no Facebook e não tinha mais o que fazer. Você que está deduzindo isso.

Alguém já acusou de ser mentira?
Algumas pessoas. Mas é o que eu falei: você não pode provar que é mentira. A gente toma muito cuidado com isso. Você já reparou como nenhuma história que se passa no metrô tem o número do vagão? Ou, às vezes, quando aparece o segurança, nunca tem o nome do segurança? Mas não só é esconder localização e horário... O diálogo conta muito. Ele precisa ser real. Muitos roteiros pecam nisso, e colocam a criança falando como adulto. Detesto isso.

Como assim?
É assim: como eu interpreto um menino de seis anos, eu preciso falar como um menino de seis anos. E muitas vezes o roteiro está tão preocupado em criar uma mensagem bonita que as pessoas se esquecem disso, que os meus diálogos precisam parecer reais, senão ninguém vai acreditar. Pouca gente sabe disso, mas muitas vezes o roteiro é mudado de última hora.

Você tem alguma história assim?
Um dos primeiros posts que apareci... Era um texto sobre preconceito e se passava num ônibus. Um dos personagens era um negro que estava no banco ao lado e o Carlos, que interpreta meu avô, reclamava algo sobre Jesus não gostar de pretos. E eu respondia que “mas vovô, se Jesus nasceu no Oriente Médio, ele também não era negro?” e as pessoas aplaudiam. Era uma ideia ótima e o roteiro até tomava o cuidado de fazer o meu avô usar a palavra “preto”, e eu falar “negro”. Era um roteiro todo pensado em compartilhamentos, mas não parecia real.

Por quê?
Porque eu fazia um menino de seis anos. E um menino de seis anos jamais teria essa visão de “quem nasce no Oriente Médio não é branco”. Um menino de seis anos não sabe o que é Oriente Médio. E eu conversei isso com os roteiristas, expliquei e eles entenderam. O roteiro foi mudado e na versão final, eu respondi que “mas vovô, Jesus gosta de todo mundo e ele gosta até mesmo do senhor, que não gosta de negros”. Ficou mais real.

Mas na história real o garoto dizia isso?
Não sei.

Esse post foi baseado em fatos reais?
[silêncio].

Você mencionou o Carlos, que sempre interpreta seu avô. Quantos posts no Facebook vocês já fizeram juntos?
Não lembro. Uma meia dúzia, talvez mais. Temos uma química boa. É engraçado que ninguém percebe que o personagem dele é mais importante que o meu. Porque eu sou apenas o contraponto. Se ele é machista, eu sou feminista. Se ele é reacionário, eu sou de esquerda. E ele faz esse papel com um talento que nunca vi antes. Ele realmente encarna o personagem nos posts, seus diálogos são sempre com ódio, com rancor...

O engraçado é que ele normalmente interpreta um velho machista ou homofóbico, mas ninguém desconfia que, na vida real...
Sim, nem passa pela cabeça das pessoas que o Carlos é gay. Acho que isso é outra prova do talento dele.

Vamos falar um pouco de você. Você está com quantos anos?
Fiz quarenta e um agora em novembro.

E você aparentar ter seis anos...
É algo que a ciência ainda não conseguiu explicar direito. [acende um cigarro]. Posso fumar? Alguns chamam de Síndrome de Highlander, outros de Síndrome de Peter Pan. Não sei, para mim é algo normal. Você se olha no espelho todo dia e não vê nada de diferente, certo? É o mesmo comigo.

Mas com isso sua carreira ficou baseada na sua aparência.
Sim. Mas é engraçado que ninguém percebe isso, a não ser quando eu converso com a pessoa, como aqui, com você. As pessoas me olham na rua e acham que eu tenho seis anos de idade, e algumas até estranham o fato de eu estar andando sozinho.

Mas ninguém reconhece você na rua?
Você já viu um post como os que eu trabalho com foto? Foto das pessoas, do metrô, da loja de brinquedos? É engraçado isso: hoje, eu sou um dos atores mais famosos do país, mas ninguém sabe que eu sou ator. Acham que sou um menino de seis anos. E como ninguém sabe como é meu rosto... Isso é meio mágico.

Isso ajuda o post a parecer uma história de verdade?
[silêncio]

Você nunca havia feito tanto sucesso antes?
Não. Eu sou ator há vinte anos. Fiz muitos comerciais, sempre como a criança, claro. Teve ano que cheguei a fazer três comerciais diferentes somente na época do Dia das Crianças, porque eu era a única criança que conseguia decorar o texto, já que todas tinham seis anos e eu tinha vinte e três, vinte e quatro [risos]. Fiz pontinhas em novelas, mas coisas pequenas. Aí fui para teatro... Mas teatro aqui é difícil. Você não tem reconhecimento, financiamento... É difícil demais.

E aí surgiu o Facebook.
Isso. Me chamaram para fazer um texto, era sobre machismo. Eu fui, porque era diferente, nunca tinha feito posts de Facebook. E me apaixonei. O ritmo de trabalho, o cuidado com o texto... Adorei. Hoje, não penso em fazer outra coisa.

E tem mais alcance que teatro...
Ah, sem dúvida. Você se lembra do texto da cruzada de pernas? [Nota: ele se refere a um dos maiores sucessos de sua carreira, quando interpretou o garoto que cruza as pernas no metrô e o avô diz que aquilo é coisa de mulher, para logo em seguida todos os homens do metrô cruzarem as pernas em protesto]. Eu fiz peças de teatro que não venderam tantos ingressos quanto aquele texto teve de compartilhamentos.

Mesmo sem ser verdade?
[silêncio]

Quais seus planos futuros?
Continuar no Facebook. Esse ano agora, 2016, tem eleição, vai ter muito trabalho. Já me avisaram que dois partidos querem peças conosco. Uma delas sobre as ciclovias em São Paulo, a outra não posso falar, porque ainda não assinamos o contrato. Mas antes disso tem Páscoa. Páscoa sempre tem muito trabalho. O telefone aqui não para de tocar, com as pessoas querendo que eu apareça em posts sobre Kinder Ovo.

Kinder Ovo?
Sim, por causa daquele negócio do Kinder Ovo embalagem de menino e embalagem de menina, sabe? Todo ano eu trabalho em dois ou três posts pedindo o ovo de menina, para desespero do Carlos que tem medo que eu, como neto dele, me torne gay. [gargalhadas]

Então nós ainda vamos ver muito o menininho politicamente correto no Facebook?
Espero que sim.

Algum tema de post que você ainda não tenha feito?
Veganismo. Mas acho que deve acontecer logo, está na moda.

Como seria esse post?
Não sei. Eu imagino que aconteceria num mercado. Eu brigaria com meu avô, dizendo para ele que o abate de gado é cruel e sanguinário. E claro que todos os outros clientes iam começar a bater palmas e a devolver as carnes no açougue.

Mas isso seria ficção.
Será? Como você sabe que essa história não está acontecendo agora mesmo, e um dos clientes ficou tão emocionado com minha atitude que resolveu escrever no Facebook?

É porque ela parece um pouco forçada...
Bom, ela pode acontecer de forma diferente. Lembre-se que não sou roteirista.

Você não tem medo de que, ao ler essa entrevista, as pessoas deixem de acreditar nos posts que você aparece? Que elas leiam o post e pensem “isso aqui é mentira, a história é ficção, o menininho é um ator”.
Não. É o que eu disse: a pessoa quer acreditar. Se você chegar a ela e dizer que “olha, essa história é mentira por causa disso, disso e disso”, ela não vai ouvir. Vai continuar achando que é verdade e compartilhar como se fosse verdade. Isso vale para qualquer assunto. Política, tudo. A pessoa não acredita no que parece ser verdade, ela acredita naquilo que ela quer que seja verdade.

Mesmo se for mentira?
Sim. Especialmente se for uma mentira bem contada. Mas tem gente que acredita em mentiras mal contadas também.


Alguns dos seus posts é uma mentira bem contada?
Não. São histórias bem contadas. Mais que isso eu não posso dizer, por contrato.


(Assim como a maior parte dos posts estrelados por esse ator, essa entrevista é uma obra de ficção. A diferença é que, ao contrário dos posts, aqui isso é assumido.)

23 de agosto de 2013

O Texto que Não Vai ser Lido

Existe uma tela em branco na minha frente.

Duvido que eu consiga deixa-la assim por muito tempo. É provável que eu comece a jogar letras ao acaso nela, somente para pintá-la com uma historinha qualquer. Porque escrever é o que escolhi fazer da minha vida. Se eu consigo ou não, é outra história, em outra tela. Mas a tela com a história sobre o que escolhi fazer... Esta não está em branco. Está preenchida há anos.

Algumas pessoas se sentem gratas por possuir um dom - se eu tivesse um dom, me sentiria da mesma forma. Como não tenho, agradeço por ter aprendido a gostar de ler desde cedo. Afinal, foi lendo que aprendi a escrever, mas aprendi principalmente que queria escrever. Lendo, eu descobri alguns truques e macetes que uso em alguns dos meus textos. Porém, lendo, eu descobri que gosto de escrever, e gostar de escrever é algo que uso em todos os meus textos.

Então, não perco muito tempo agradecendo por um dom que não tenho, mas sim por ter a sorte de gostar de ler. Sim, sorte. Num país de poucas letras, você aprende a gostar de ler somente se tiver sorte ou se for burro a ponto de achar que ler vale a pena. Como meu instinto me impede de associar as palavras “leitura” e “burrice”, eu prefiro dar crédito à sorte mesmo. Isso vale para você também. Você gosta de ler? Parabéns, você tem sorte.

Tive a sorte de gostar de ler num país que não lê. Mas eu gasto esta sorte todos os dias, escrevendo em um país que não lê. Tive a sorte de poder escrever na internet. Mas eu gasto esta sorte todos os dias escrevendo em uma internet que não... Ok. A internet lê. Mas lê bem pouco. A internet prefere ler coisas com poucas letras, como vídeos e imagens com frases engraçadas.

É uma pena. Mas são as regras do jogo.

Arredondando para cima, já são quase dez anos escrevendo crônicas aqui, ali.

E quase sempre sobre mim. Ou, ao menos, nos primeiros anos. Na época, eu não entendia o motivo disso, mas hoje entendo melhor. Acho que seria quase uma falta de educação com meus personagens colocá-los no meio de um texto mal escrito – afinal, se eu não escrevia bem, a culpa disso era minha e não deles. Meus personagens não precisavam pagar pela minha falta de habilidade.

Esse é um dos motivos pelos quais gosto tanto desse blog: eu estou aqui. Inteiro. E não falo apenas do amor colocado em cada texto, mas da minha história. Existem anos e anos da minha vida aqui. Eu apenas transformei tudo em crônicas, da mesma forma que teria feito caso eu estivesse num bar contando esta história para quem lê.

Por isso que eu me espanto quando alguém diz que lê meu blog inteiro. Uma pessoa que fez isso sabe mais sobre mim do que eu mesmo – não, não estou exagerando. Existem anos e anos da minha vida, seja em post mais engraçados, seja em posts mais sérios. Eu posso estar no Twitter, posso estar no Facebook, mas eu sou, mesmo, nestes blogs.

Lembrei agora, enquanto escrevia, de uma vez – foi no meio daquela noite maluca que eu passei 24 horas escrevendo sem parar, em tempo real – que um leitor comentou no Twitter algo como “é impressionante o carinho que o Rob tem com os leitores”. Antes de continuar, eu deixo uma pergunta no ar: como não ter carinho com alguém que leu quase dez anos da sua vida?

Engraçado que mesmo me definindo como escritor, nos primeiros anos eu não me sentia totalmente desta forma. Talvez fosse o preço que eu pagava por – como disse acima – escrever histórias do jeito que eu as contaria para um amigo. Então, eu me sentia mais como um contador de histórias que como escritor propriamente dito, mesmo com algumas pessoas me elogiando como escritor.

Com o passar dos anos, isso mudou. Deixei de ser contador de histórias e virei escritor. Claro que para isso eu tive que escrever muito, descobrir técnicas, tentar encontrar meu estilo – aliás, você sabe qual meu estilo? Porque eu escrevo tanto que às vezes acho que não tenho estilo algum, ou que meu estilo é não ter estilo. E arrisquei gêneros. Fui da comédia para o drama, do drama para a ficção científica, da ficção científica para o romance, do romance para a fantasia...

Mas, enfim, basicamente, me reinventei.

Tem um texto... Esta talvez seja a primeira vez que conto isso. Eu tenho um texto que foi escrito na véspera do natal. Quando eu terminei, minha vontade era chorar. Não pela história em si – sim, eu já chorei muito escrevendo – mas pela sensação que o texto me deu. Quando eu terminei de escrevê-lo, fiquei emocionado demais. Era a primeira vez na vida que eu me sentia como um escritor. Um escritor e nada mais.

O processo de me reinventar teve fatores externos. Outros sites começaram a me convidar para escrever. De repente, eu acordei um dia e descobri que era roteirista de uma história em quadrinhos premiada. E escrevendo, escrevendo. E batalhando aqui e ali para pagar as contas – nada atrapalha mais alguém que escreve no dia a dia que o próprio dia a dia – somente para ficar tranquilo a ponto de escrever mais.

Deixando estilos e técnicas de lado, me reinventei de uma forma que pode ser resumida assim: hoje eu não enxergo mais um texto apenas como algo que gostaria que as pessoas lessem – criar algo e não ter retorno é pior que ter um retorno negativo – mas sim como parte de algo maior. Algo que ainda vai me levar onde quero chegar. Chega a ser contraditório, já que eu escrevo cada texto que faço como se fosse o último da minha vida. Mas, ao mesmo tempo, eu quero que o melhor texto da minha vida seja sempre o próximo.

Contudo, enquanto eu me reinventava, descobri também que é mais fácil você apenas “contar histórias” do que ser escritor. Pois, quando você é escritor, a expectativa que você tem pelo seu texto é muito mais alta. Deixou de ser farra, virou trabalho. Deixou de ser brincadeira, virou arte. Arte. Até a palavra pesa.

Resumindo: o texto deixou de ser um objetivo e se tornou parte do caminho. Ele amadureceu e, como qualquer coisa que amadurece, precisa dar frutos. E, sim, já tive frutos pelos meus textos. Mas eu ainda tenho uma cesta aqui que não tem metade dos frutos que eu quero – e aqui eu peço licença, pois sei que já fiz alguns de vocês sonharem com meus textos, então hoje quem está sonhando um pouco sou eu.

E ser escritor de ficção na internet é muito difícil. Teoricamente, deveria ser o contrário: você está em contato com o leitor, tem retorno imediato, publica de graça. Mas é difícil. Pois você passa metade do seu tempo produzindo cultura; a outra metade do tempo você transforma seu texto em um produto e tenta vendê-lo. Não basta escrever. É preciso ser escritor e vendedor.

E a concorrência na internet é forte. E não estou falando de outros escritores, mas da internet como um todo. Na internet, todo mundo adora ler, mas pouca gente lê de verdade. A internet não tem gostos, ela tem assuntos; ela não tem preferências, ela tem polêmicas. Um texto ruim sobre o assunto do momento vale mais que uma crônica muito bem escrita sobre, sei lá, um casal.

Na internet não importa como você escreve, importa sobre o que você escreve.

Na internet, tudo é sempre “agora”. É o assunto de agora, a briga de agora, a polêmica de agora, a música de agora... Num mundo onde tudo é “agora”, nunca é a hora de um texto atemporal, com uma história que pode ter acontecido ontem ou que possa acontecer amanhã. Ou que pode estar até acontecendo agora.

Claro, existe espaço para ficção. Dia desses vi as pessoas elogiando um blog e fui atrás. Gostei do que vi. Algumas crônicas eram exatamente o que eu fazia cinco anos atrás, mas não tive problema algum com isso. Como eu disse, é preciso ser escritor e vendedor. Se ele soube vender bem, parabéns para ele. E fico feliz, pois abre mercado para todos nós. Por que eu, sabendo disso ou não, estou aqui tentando abrir mercado para isso há anos.

Talvez num meio onde a cada dez minutos se cria uma novidade, alguém que está aqui escrevendo há dez anos deixou de ser novidade. Não sei.

Muita gente me pergunta qual o segredo para escrever na internet. Eu não sei. Eu tenho algumas dicas que aprendi depois de pastar um bocado – e não se referem a “estilo de texto”, mas sim a escrever na internet. A maior delas é não deixar de acreditar no que você quer escrever.

Eu, por exemplo. Às vezes eu desabafo sobre política no Facebook e os posts são um sucesso. Mas não vou começar a escrever somente sobre isso, em nome da audiência. Faço para desabafar, não por prazer. E na maior parte das vezes, o assunto do momento – que é o que se vende na internet – não me interessa como tema de crônica ou de um conto.

Talvez agora, como escritor, seja o momento de me reinventar.

Lembra-se do que eu disse lá em cima, sobre “gostar de escrever”? No momento que eu começar a escrever sobre assuntos que não quero, estarei dando o primeiro passo para deixar de gostar de escrever. Não, eu ainda quero escrever, e escrever sobre as coisas que gosto – e, como eu sempre falo, se um texto muda o dia de um único leitor, ele já valeu a pena (se um texto meu mudar seu dia, por favor, não se esqueça de me avisar).

E já que não vou reinventar meus textos – posso experimentar, mudar o estilo, criar algo novo, mas jamais mudar a essência deles – preciso reinventar o meu relacionamento com meus textos.

Pois no momento que você tem expectativas sobre seu texto, numa mídia onde, em cada dez minutos, surge o novo assunto mais importante da história, é muito fácil sentir que o texto foi irrelevante. É muito fácil sentir que o texto mudou apenas seu dia e não de algum leitor – e não estou falando de comentários, mas sim de forma geral; e não estou reclamando de nada, apenas constatando.

Como eu disse, talvez seja hora de me reinventar.

Talvez seja a hora de recuar e voltar a escrever mais para mim, sem “tentar vender” os textos, sem competir com a foto com a piadinha ou com o vídeo engraçadinho. Pois, como alguém que cria, me incomoda perceber que estou perdendo espaço para coisas das quais as pessoas nem se lembrarão mais em duas ou três horas. E nada é mais desestimulante que ver uma obra sua não ir tão longe quanto você sabe que ela poderia.

Hoje, tudo é descartável. E eu não consigo enxergar meus textos dessa forma. E se a regra é criar coisa descartáveis... Não, desculpe, não consigo. Só quando o assunto me interessa. E se o assunto me interessa, ele não é descartável. E meu texto também não vai ser. Não para mim.

Talvez seja hora de voltar a escrever um pouco “para mim”, sem maiores expectativas.

Talvez seja a hora de ficar sozinho com meus textos. Voltar a ser mais escritor que vendedor. Talvez este seja o caminho. E, com isso, buscar novos textos. Novos projetos. E voltar a “vender” meus textos quando eu achar que existe “mercado” para eles. Até lá, escreverei para mim e deixarei os textos para quem quiser lê-los (sim, eles estarão aqui) e nada mais.

Pois existe uma coisa muito melhor que escrever: escrever sem o compromisso de “ficar bom”, de “ser vendável”. Escrever apenas pelo prazer de escrever. Isso sempre foi o que me motivou: criar. Criar mundos, criar histórias, criar pessoas. Ser lido – ou não – é apenas uma consequência.

Se você escreve para a internet, não se esqueça disso. Eu faço um mea culpa aqui e admito: esqueci. E é hora de me lembrar disso, de lembrar que as pessoas não têm tempo para ler o que você escreve.

Assim, este é o conselho que eu dou para quem quer escrever na internet: escreva. O que vier depois disso é lucro.

E se o texto mudou somente o seu dia, que bom. Ao menos ele mudou o dia de alguém, e deve ser bom.

Tomara que seja lido.

Se os meus estão sendo lidos? Não sei. E não vou procurar saber isso agora. Tem uma tela em branco na minha frente, e estou com vontade de criar uma história.

Depois eu me preocupo se alguém está lendo.


Caso você seja leitor habitual deste blog, este texto não foi divulgado em lugar algum. Se você gostou do texto e quiser comentar, fique à vontade; se gostou do texto e quiser divulgar, fique à vontade. Isso vale para todos os posts, e você não faz ideia do quanto eu lhe agradeço por isso.

24 de janeiro de 2013

Diga-me o que Procuras... E Eu te Direi Quem És - Parte XII


Nos últimos meses, este blog ganhou muitos leitores novos, então cabe uma explicação.

Esta série, uma das mais adoradas pelos leitores mais antigos, foi criada no início do blog e consiste na seleção das “melhores” (aspas bem grandes e em negrito) buscas feitas no Google e que, sabe-se lá porque, levaram seus autores ao Champ – e o mínimo que eu posso fazer é tentar ajuda-los da melhor forma. Caso queira conferir, clique aqui para ler o post anterior da série.

É engraçado como o tempo passa: nos primeiros posts da série, as buscas mais recorrentes eram fotos do Kleber Bambam pelado e vídeos de leões transando. Com o tempo, isso ficou de lado. Isso, claro, até agora, como o Bambam voltou ao Big Brother, ele voltou a aparecer por aqui – mas este assunto continua sendo ignorado, como já aconteceu nos últimos posts da série, já que não repito as buscas de um post para o outro.

Entretanto, alguns elementos continuam, como as pessoas que conversam com o Google, as buscas quase ininteligíveis e as taras doentias que mostram o que este blog sempre pregou: a humanidade não deu certo. Aliás, aconteceu justamente o contrário.

Mas, sem mais delongas, vamos às pérolas desta edição.


tela grande preta
Olhe, provavelmente, é uma televisão. E provavelmente, ela está desligada.

tem um primo cuidando dela
Certo. Ela disse que você não precisa se preocupar, que aquele cara que está ali com ela é apenas um primo, que eles se conhecem desde a infância e que jamais isso iria passar pela cabeça dela. E disse que você precisa ser menos inseguro e menos ciumento. E claro que você foi pesquisar no Google apenas para tirar a pulga atrás da orelha, porque ela é uma moça recatada e tímida, e o tal do primo parece ser um cara bacana. Agora, vou dar apenas um conselho: se você quiser continuar namorando, não pesquise no Google “tem um primo cuidado dela + Nelson Rodrigues” ou “tem um primo cuidado dela + Eça de Queiroz”.

 xaxa para o quequeque velhinho cantando e tocando violão
Talvez você se lembre de que alguns dias atrás o Google saiu do ar. Milhões de pessoas foram prejudicadas por não conseguir acessar o site e aposto que, com isso, o valor das ações do Google registrou queda neste dia. Para uma empresa do tamanho do Google, foi um vexame. E eles certamente estão procurando quem fez o site travar. Sugiro que você apague seus perfis em todas as redes sociais e nunca mais entre na internet, pois se eles lerem este post, você certamente entrará na lista dos principais suspeitos.

uma linda mensagem pra um subrinho que naceu
Hum... Podemos tentar algo assim: “Meu subrinho: agora que você naceu, espero que você aproveite a infância, mas, mesmo assim, comece a ir logo para a escola. Assim, tenho certeza que você aprenderá a ler e a escrever melhor que seu tio, e descobrirá que o certo é ‘sobrinho’ e ‘nasceu’. Beijos”.

puteiros largo da batata
Deixe eu adivinhar. Você estava passando pelo Largo da Batata e percebeu que estava se sentindo sozinho, precisando de um pouco de açúcar e de afeto. Bem, você está no Largo da Batata. Dizem que não existe amor em São Paulo. Talvez exista, mas não é num lugar chamado Largo da Batata que ele vai ser encontrado. Confie em mim, eu morei aí perto durante anos. Vai procurar sua felicidade em outro lugar.

menina de tupi paulista chupando rola com danone
Eu já volto. Vou ali deitar no chão e gargalhar durante horas.

quatrocentos como se escreve
É assim mesmo. Desculpe não elaborar muito, eu ainda estou rindo do lance do Danone.

tela preta grande
Não adianta mudar a ordem das palavras, o Google é mais esperto que isso. Vai continuar sendo uma televisão e vai continuar desligada.

espirrei inseticida na comida
Seu nome é Gregor Samsa? Você é caixeiro viajante? Você acordou um dia e descobriu que está dentro de um livro de Kafka, se transformando em uma barata? Não? Então pode comer tranquilo, não vai acontecer nada com você. Mas, como o seguro morreu de velho – especialmente porque ele nunca espirrou inseticida na própria comida – deixe um bilhete para sua família com instruções explícitas para que, caso você seja achado morto, eles entrem com um processo contra o Sr. Charles Darwin, exigindo que a Teoria da Seleção Natural seja abolida e pedindo indenização por danos morais.

 puteiros na cardeal arco verde pinheiro
Cara, quando eu disse outro lugar, era outro bairro. Se você estava no Largo da Batata e agora está na Cardeal Arcoverde, você andou uns cinquenta metros. Ou seja, você ainda está no Largo da Batata. Quem um conselho? Ande mais uns trinta metros e entre na Fnac. Vá até lá, dá uma relaxada e se acalme um pouco.

fotos que se mexem para celular
Você inventou isso e achou que ia ficar milionário? Olhe, sinto muito, mas isso já existe. Chama-se “vídeo”.

Ter o gorgon mais rápido
Ah, mesmo que você se esforce bastante, isso não será fácil. Meu conselho é levar o gorgon até um parque e, com ele preso na coleira, começar a correr com ele. A cada dez minutos, faça carinho em sua cabeça e pergunte se ele está entendendo tudo. Pode demorar dias, mas uma hora ele vai compreender e começar a correr sozinho para treinar. Ah, como o gorgon é uma criatura da mitologia grega e não existe de verdade, talvez as outras pessoas não poderão enxergá-lo. Mas não ligue para isso. As outras pessoas são bobas e feias e você e seu gorgon não precisam dela. E, se alguém começar a rir do seu comportamento, grite que “saia daqui ou meu gorgon vai olhar em seus olhos e transformar você em pedra!”.

pegação em banheiros de pinheiros
Você é louco? Quando eu disse para você ir até a Fnac, era para você tomar um café, folhear umas revistas, e não ser preso por atentado ao pudor! Vá embora daí agora!

zumbilandia Ibirapuera
Olhe, eu vi o filme, e apesar de boa parte dele se passar num parque, acredito que não seja o Ibirapuera pois... É... O parque... Ah, desculpe. Lembrei do negócio do Danone de novo. Foi mais forte que eu, e agora estou gargalhando aqui. Daqui a pouco eu volto.

sou maloqueiro sou vida loka cheio de dinheiro rodeado de cachorras
Engraçado é que, mesmo com todo esse dinheiro, você não conseguiu contratar nem um revisor para lhe explicar que as palavras “loka” e “cachorra” não rimam. Independente disso, tenho uma dúvida: qual foi a linha de raciocínio que você seguiu até desembocar na conclusão de que o Google iria se interessar por isso?

seso cou amazinho
Olhe, eu sei que o Google trouxe você até aqui, mas eu não vou conseguir ajudá-lo. Eu ainda não entendi se você está com um problema no siso, ou se quer fazer sexo com seu amorzinho. Ou com seu amásio. Ou com um armarinho. Prometo que assim que eu tiver tempo, vou procurar “armarinho danone” no Google.

carreguei sozinha saco de ração
E agora você veio aqui desabafar. Eu entendo. Todo mundo diz que o Google está aí para ajudar, mas você teve que carregar cinquenta quilos de ração de galinha nas costas, sozinha. E o site ali, aberto no PC, mas fingindo que não é com ele, que não ajudou porque não viu nada, que nem sabia que a ração das galinhas ia chegar hoje. Bem, já foi, paciência. Mas isso não quer dizer que você pode deixar barato. Amanhã mesmo, quando você acordar, já abra o Google e digite que “hoje você vai carpir aquele terreno ali no fundo”, “depois você vai trocar a lavagem dos porcos”. Se ele reclamar, digite “estou cansada de fazer tudo sozinha aqui, se você não vai ajudar então está na hora de colocar uma roupa e arrumar emprego”. Lembre-se: você é a dona da casa, você quem manda.

chupa com carinho
Amigão, sai do banheiro da Fnac antes que algum segurança entre. E vai logo procurar ajuda profissional para largar essa vida.

rob gordon e neil Gaiman
Olha, quem sabe um dia. Mas obrigado mesmo assim.

google
Espere, espere. Deixe-me ver se entendi isso direito. Você entrou no Google para procurar o Google? Eu não sei se você é um completo idiota, ou se você está tão à frente do nosso tempo que a humanidade ainda não está pronta para você.

ouvir musica tva se achando a bam e hoje anoite é aham
Oi?

pegação banheiro maracanã
Você não estava na Fnac de Pinheiros agora mesmo? Como você já chegou ao Rio?

aposto que procurou nádega no google
Ok. E eu aposto que você procurou “aposto que procurou nádega no google” no Google. E aí? Valendo? 50 reais?

como fazer contador regressivo chuveiro
Você precisa prender um despertador ao lado do chuveiro – e vai descobrir que é mais fácil fazer isso com o chuveiro desligado. Aí, quando for tomar banho, basta apenas acertar o timer do relógio. Mas tenho uma dica para você: tente fazer isso num banheiro público, é bem mais divertido. Regule o relógio e, assim que a contagem regressiva chegar a zero, saia correndo – pode ser pelado e molhado mesmo – gritando que “Vai explodir! Vai explodir”. Um lugar legal para fazer isso é em algum aeroporto nos Estados Unidos. Aposto que todos vão adorar e aplaudir seu senso de humor, especialmente o pessoal da segurança.

deixe seu namorado sair com os amigos pra beber se ele te liga é seu se desligar o celular ele nunca te pertenceu
Você já parou para pensar que ele pode desligar o celular porque está desabafando com os amigos sobre as coisas imbecis que a namorada dele procura no Google? E está enchendo a cara porque acha que o namoro não vai dar certo, mas que não tem coragem de terminar porque a menina claramente tem problemas?

olhando pela janela do banheiro
Esquece esse negócio de banheiro! Ninguém quer participar dessas suas fantasias doentias. Olhe, quer saber? Eu tentei te ajudar. Tentei de verdade. Você ainda estava no Largo da Batata e eu já estava tentando dar conselhos. Mas não adianta. Você não escuta ninguém. Desisto.


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10 de outubro de 2012

Drummond 2.0


O revolucionário de sofá brigava com a feminista que brigava com o machista que brigava com o homofóbico que brigava com o militante de esquerda que brigava com o militante de direita que brigava com o fã radical de música que brigava com o jornalista que brigava com o blogueiro que brigava com o defensor do politicamente correto que brigava com o fã radical de séries que brigava com a menininha da moda que brigava com o metido a nerd que brigava com o sujeito comum que desligou o PC e foi viver.

29 de maio de 2012

Diga-me o que Procuras... E Eu Te Direi Quem És - Parte XI


Houve uma evolução.

Nos primórdios do blog, a busca mais recorrente dentre todas as que traziam as pessoas do Google para cá, envolviam fotos do Kleber BamBam sempre vestindo nada. Hoje em dia, a maior parte delas envolve ou o meu nome – o número de buscas por "blog do rob gordon" e similares é enorme – ou o meu sobrinho. 

Contudo, a boçalidade das pessoas ao usar o Google ainda impera – bem como a teimosia do Google em mandar para cá todos os casos que ele não sabe resolver. Sorte nossa, que podemos continuar brincando em cima disso, e produzir mais um post da série que certamente é uma das mais queridas dos leitores – não é à toa que estamos na parte 11 (a anterior está aqui).

Se você é novo aqui, basta apenas saber que o que está em negrito é o que a pessoa procurou no Google – e eu apenas copio e colo, sem corrigir o português. Já o texto abaixo é a forma que encontrei de ajudar cada uma dessas pessoas a resolver suas dúvidas, da melhor forma possível.

Assim, sem enrolarmos mais, vamos aos novos casos.

"você se lembra da minha voz?"
Não. Desculpe.

vamos ligar os pontilhados?
Vamos. Vai começando aí, quando você chegar no 1.314.983, me avise para eu ver como está saindo.

"hoje eu não comi moqueca"
Certo. Agora, qual é mesmo a parte que torna esta informação interessante para o Google, para mim ou para os meus leitores?

experienciassexuaisveridicas
Eutenhoumaexperiênciasexualverídica. Gostariadecompartilharcomvocê. Euestavaoutrodianomeucomputadoreviumabarranoteclado. Elaeramaiorqueasoutras. Suabelezachamouminhaatenção. Nosencaramosporumtempo. Aatmosferaeradepurodesejo. Lentamenteestiqueiminhamãoeaacariciei. Foiumaloucura. Minhavidamudoutotalmente. Explodimosdedesejo.  Elagemeubaixinhoesedeixoupressionar. E aí eu descobri que ela também serve para separar uma palavra da outra. Seu nome é Barra de Espaço.

queimadura de queijo quente
O problema não é nem a dor, mas sim a pobreza da queimadura.

espaço tum bum
Ok. Entendi. Agora leve-me ao seu líder.

tinham cameras filmando o show do eric clapton?
Claro que não. Eric Clapton há muito abandonou as pirotécnicas do rock e voltou sua carreira totalmente para o blues tradicional, de raiz. Assim, nos seus shows, a plateia, ao invés de filmar o concerto, prefere observar com calma e desenhar tudo o que assiste, para depois mostrar aos amigos. Se você estiver duvidando, basta pesquisar e descobrir que é permitido entrar com blocos de papel e lápis nos shows do inglês.

tenho boderline posso morar sosinho?
Pode, dezde que você não tente realisar tarefaz naz quaiz é precizo saber diferenciar az letraz “s” e “z”. Felicidadez na caza nova.

queimadura com açucar quente
Você já não tinha se queimado com queijo?

tchere tche tchere se eu te pega voce vai ve
Certo. Que bom para você.

tatuagem imagem de nossa senhora pontilhados
Espera, você não disse nada sobre ligar os pontos na própria pele. Sua tatuagem vai ser interativa?

talvez as pessoas não me decepcionam. talvez o problema seja eu que espero muito delas
Talvez. Agora, independente do que você espera da pessoa, vamos pensar no pobre Google por um momento. Eu acredito que ele deve estar muito decepcionado com algumas buscas que as pessoas fazem por lá. A sua é um bom exemplo disso.

queimadura causadas por animais
O que você está fazendo?

significado adoro sorvete com coca cola o nome disso é vaca preta
Olhe, você gostar de Coca-Cola com sorvete significa apenas isso: que você gosta de Coca-Cola com sorvete. Você saber que o nome disse é vaca preta também não significa nada além de você saber que o nome disso é vaca preta. Mas você querer conversar sobre isso com o Google significa, no mínimo – no mínimo! – que você precisa sair um pouco mais de casa, conhecer novas pessoas, talvez até mesmo arrumar uma namorada. Vai por mim, vai te fazer bem.

se um dia sentei no sol, com os pés na água, pedindo pra que tu fosse o vento que batia nos meus cabelos, hoje peço diferente. peço pra que tu seja um toque de celular, a campainha da casa, uma janela piscando na tela do computador. se não uma presença física, peço para que tu seja, no mínimo, um sinal. um aviso, um lembrete. um papelzinho colado no mural, uma anotação na agenda. peço pra que tu seja pelo o menos uma lembrança. peço pra que tu seja pelo menos algumas imagens na minha cabeça e o som da tua voz. se não puder ser mais, pelo menos não me deixe no silêncio, no vazio, não me deixe sem lembranças, não me deixe sem memórias.
Curiosisdade: você já pensou em usar o Word? Porque digitar uma crônica no Google é o equivalente a escrever usando caneta e um saco de pão.

tatuagem continuo vivo
Você é o cara que queria ligar os pontos? Olhe, eu não sei até onde foi a sua pesquisa sobre tatuagens, mas existem dois pontos bastante importantes: 1) ela é para sempre; e 2) ela precisa dizer uma verdade. Assim, como ela é para sempre (ver item 1) e você não, um dia você irá morrer. Agora, já imaginou o mau gosto de você morrer e ser velado com a inscrição “continuo vivo” no seu corpo?

deu bolhas no meu pulso
Bom, também, você se queimou quantas vezes desde que o post começou? Umas três?

se eu nasci em 1990 quantos anos eu tenho?
Acho que um dos grandes problemas do Google é que as pessoas não sabem ao certo o que pesquisar no site. O Google tenta ajudar todo mundo, mas nem sempre é fácil, porque as perguntas são mal formuladas. No seu caso, por exemplo, a resposta seria muito mais verdadeira e condizente com a realidade se você tentasse uma busca como: “Se eu nasci em 1990 e preciso do Google para calcular quantos anos eu tenho, qual a minha idade mental?”

receita de comida parecida complexo de golgi
Espere, você quer preparar um prato à base de Complexos de Golgi? Bem, algo me diz que você vai precisar de uma embalagem com aproximadamente seis trilhões deles, e ainda assim vai render uma porção bem pequena. Serve só como tira-gosto mesmo. Melhor comprar umas azeitoninhas, ou um patê.

quero enviar uma carta anonima para cair na imprensa
É fácil. Basta redigir a carta e mandar aos jornais. Mas precisa ter um assunto impactante, para despertar a atenção do jornalista – algo como “vou matar o presidente Obama” ou “explodirei uma capital brasileira até o final da semana” funcionam bem. Aí você assina com o nome que desejar. Agora, não sei até onde você está familiarizado com o jornalismo, mas o pessoal de  redação sempre checa as informações. Então, mantenha sua carta anônima, mas coloque no envelope seu nome completo, endereço e telefone para contato. Uma foto ajuda também. Mas não se esqueça de explicar aos repórteres que a carta é anônima, o seu nome está apenas no envelope, e este não deve ser publicado.

Bolha queimadura de segundo grau
Animais, açúcar, queijo. A queimadura é de segundo grau. Já a imbecilidade, aparentemente, é de um grau altíssimo. Enfim, não mexa na bolha.

primeiro poste do ano
Foi aqui perto de casa, na Lins de Vasconcelos. O pessoal da companhia elétrica estava instalando dois postes no dia 3 de janeiro. Não sei ao certo qual dos dois foi o primeiro, mas, caso seja realmente importante, posso mandar fotos dos dois.

preciso de um bebe mas nao sei qual pokemon pode cruzar alquem pode me ajudar
Olhe... Eu sei que chega um ponto na vida de uma pessoa que ele sente aquele ímpeto de perpetuar a espécie. Acontece com todo mundo – afinal de contas, faz parte do nosso instinto. Se você estiver nesta fase, parabéns. Mas deixe-me explicar uma coisa sobre reprodução: o método tradicional implica que nós devemos ter filhos com membros da nossa espécie. Um homem não pode engravidar uma leoa, um bicho preguiça não pode procriar com um canário e você – independente de qual seja a sua espécie – não pode cruzar com um Pokémon. Na verdade, os pokémons nem existem de verdade, mas acho que entrarmos nesse assunto agora serviria somente para deixar você em choque. Quer um conselho? Vá assistir aos desenhos do Pokémon um pouco, que essa ideia de se reproduzir deve passar em breve.

por que quando eu ligo para outro tim a mulher fala serviço nao disponível
Porque certamente você se esqueceu de habilitar o seu celular para ligar para esta determinada pessoa. Para evitar trotes, toda operadora precisa que o cliente, além de comprar o telefone, habilite o serviço de “ligar para tal pessoa”. A boa notícia é que é fácil: basta você ligar para a empresa – no seu caso, a Tim – e informar a eles que você deseja conversar com a pessoa em questão, informando o telefone dela, de onde você a conhece e qual o assunto que irá ser conversado. Assim, a empresa fará o seu cadastro e pronto: pode ligar à vontade que você nunca mais ouvirá a mensagem de “serviço não disponível”.

moro nos eua como faco pra comprar o salgadinho pingo de ouro da elma chips??
Vá a qualquer loja de conveniência e peça por “a pack of Golden Drop”. Você pode ser mal entendido, pois muitos funcionários de lojas de conveniência são imigrantes, então você precisa pronunciar com calma, e usando palavras mais simples. Por exemplo, todos nós sabemos que “or die” é o mesmo que “por favor”; e “fuckin’ Money” é sinônimo de “Pingo de Ouro” (ou Golden Drop). Assim, basta entrar na loja e falar que “give me the fuckin’ Money or die”. Para melhores resultados, tente sempre chamar a atenção do balconista gritando a frase e segurando uma arma.

o que se coloca quando abre a bolha de uma queimadura
Eu falei para não mexer na bolha! Mas, quer saber? Cansei de você. Se vira.

jodie foster te contei
Não! Não contou! Como foi? E ela sabe disso, ou é apenas uma alucinação sua?

fui comprar um tenis de 50 reais mas naum tinha o dinheiro pedi 25 emprestado com minha mãe e 25 com meu pai quando cheguei la teve um desconto de 10% o tenis então sobraram 5 reais dei 1 pra minha mãe e 1 por meu pai emprestei 3 pro meu irmão então 24+24=48com os 3 do meu irmão da 51 da onde saiu esse 1 real?
Pronto. Apresento-lhes o novo Ministro da Fazenda. É a primeira pessoa do país que consegue fazer dinheiro sobrar. Ele não faz muito sentido... Mas, até aí, qual ministro faz?

fotos da carolina dieckmann postadas pelada em sua intimidade
Adorei o “em sua intimidade”. Você é sempre romântico assim quando quer ver putaria na internet?

filme os infiltrados quem entendeu?
Eu. Na verdade, todo mundo entendeu. Não é difícil. Olhe: tem um cara mau que finge que é bom para ajudar outro cara mau a descobrir quem é o cara bom que está fingindo que é mau, para poder provar que os caras maus são caras maus. Mas o cara bom que finge que é mau também sabe que tem um cara mau fingindo que é bom, então o cara bom que finge que é mau passa a caçar o cara mau que finge que é bom, e o cara mau que finge que é bom tenta descobrir quem é o cara bom que se passa por cara mau. Fácil.

cicatrizacao de queimadura segundo grau
Já disse, se vira. Me esquece.

familias se comunicando atraves da fala
Ah, algumas famílias têm esse hábito horrível. Ele se chama conversa. Espero que na sua casa não seja assim. Na minha era, e eu detestava o hábito que meus parentes tinham de conversar comigo enquanto eu estava comendo e tentando ouvir a televisão. Era muita falta de educação. Depois, as pessoas não entendem porque almoços de família são um saco. Que mania desse povo, só porque é parente acha que tem que conversar, que dar bom dia...

eu sei que vocês estão observando
Puxa! Você descobriu tudo! Agora, que tal voltar a tomar aquele pilulazinha contra paranoia? Eu prometo que ninguém vai olhar enquanto você engole o remédio.

apertei o botão lixo eletronico na caixa de email,e agora eu bloquiei meus amigos?
Não. Você fez pior. Você apagou todos os seus amigos da existência. Eu não sei se você tem conhecimento disso, mas o botão do lixo eletrônico não deve jamais ser usado desta forma leviana. Enfim, agora já foi. Seus amigos, tudo o que eles eram e tudo o que poderiam ser um dia, desapareceram. E a culpa é sua. “Ah, mas eu vi um dos meus amigos ontem, na escola”, você vai me dizer. Não, não viu. O que você viu foi um resquício eletromagnético da existência dele – quase um fantasma, por assim dizer, fadado a vagar pelo planeta de forma solitária e infeliz. Parabéns. Você destruiu seus amigos.

estou vendo
É impressão minha ou você curou sua miopia usando o Google?

corpo inteiro descamando sem ser de sol o que pode sssser?
Na verdade, você está mudando de espécie. Isso acontece muito. Diversas pessoas já se tornaram répteis, da noite para o dia. E, dado o número de “s” que você usou na palavra “ser”, é evidente que você está se transformando em uma cobra. Isso não vai atrapalhar sua vida, mas claro que algumas adaptações serão necessárias. Primeiro, você precisará comer ratos. Mas fique tranquilo, as grandes pet shops vendem ratos fresquinhos e vivos. Segundo, você terá que abrir mão das pernas. Para ir treinando, saia do PC e vá se arrastando até a cozinha, sem usar os braços também. Aliás, para entrar no clima, quando passar pela sua mãe, levante a cabeça e mostre a língua para ela, rapidamente e várias vezes.

e agora ta me ouvindo
Não, ainda não. Você pode falar um pouco mais alto? Não, já sei! Tente fazer gestos na frente do computador. Eu sou bom nesse negócio de mímica!

como apagar minha mensagem de saudação da caixa postal oi
É impossível. A Saudação da caixa postal é algo imutável e intransferível. Tudo o que você pode fazer agora é impedir que as pessoas ouçam a sua caixa postal, simulando você mesmo a saudação que você gostaria de colocar. Assim, sempre que o telefone tocar, não atenda falando “alô”. Finja que você é a sua caixa postal e fale sua nova saudação. Ao terminar, não se esqueça de imitar o barulho do bip, e fique em completo silêncio, prestando atenção no recado que a pessoa deixou para você. Assim que ela desligar, ligue de volta para ela, dizendo que “oi, peguei o seu recado, estou ligando de volta”. Aproveite e pergunte se ela gostou da nova saudação.

brincadeiras indecentes com ovos
Olhe, tem um filme japonês chamado O Império dos Sentidos que pode te ajudar com isso. Se você gostar da ideia, alugue também O Último Tango em Paris e anote com cuidado a receita que o Marlon Brando faz com manteiga. Pronto. Ovos e manteiga. Agora você pode usar a criatividade e colocar bastante bacon – onde e do jeito que preferir. Mas cuidado para não morrer por causa do colesterol. Ou de vergonha, o que é mais provável.

banho de chuveiro para imprimir
Qual chuveiro você está usando? Porque aqui o chuveiro tem alguns botões, que vão de “1” a “5”. Antigamente, eu tinha um cujos botões eram “verão” e “inverno”. Me conte uma coisa: seu chuveiro tem alguns botões como “preto”, “colorido”, “cancelar”? Seu chuveiro fica na mesa, ao lado do computador? Folhas de papel costumam sair do seu chuveiro? Certo. Olhe, os chuveiros com botões deste tipo são muito avançados, e é preciso tomar cuidado ao usá-los. Mas claro que você pode continuar se banhando com eles, pois isso não atrapalhará sua vida em nada. Vale a pena somente lembrar para você não perder muito tempo no banho, pois isso pode acabar com o toner. Ah, o dia que você tomar um banho usando todas as cores, você pode mandar uma foto antes de se enxugar, para eu colocar aqui no blog?

obrigada podermos compartilhar desta pagina
Claro! Indique aos seus amigos e volte sempre!

15 de agosto de 2011

Diga-me o que Procuras... E Eu Te Direi Quem És - Parte X

Fazia tempo, hein?

Se você é novo neste blog, uma das séries mais famosas é esta, na qual eu pesco as buscas mais bizarras que as pessoas fizeram no Google e – sabe-se lá o porquê – vieram parar aqui, comentando as selecionadas. Como perguntaram no Twitter, ainda procuram por fotos do Kléber Bambam pelado, algo que já me conformei que nunca vai deixar de acontecer.

Caso você nunca tenha lido um post desses, não estranhe os erros de digitação, ortografia e, principalmente, de raciocínio lógico. Eu apenas copio a busca e colo aqui, antes de comentá-la, sem me importar se a pessoa é daquelas que conversa com o Google ou se busca algo inexistente no universo.

Mas, sem mais delongas, deixo vocês com algumas das pérolas mais recentes (ah, sim: o post mais recente desta série está aqui).

que nomes receberiam as organelas presentes nos departamentos
Vou tentar te ajudar, apesar de ter bastante dificuldade em dar nome aos personagens. Vamos, então, imaginar a célula como uma empresa. Na gerência temos o ribossomo Paulo e o lisossomo Roberto. A secretária executiva é uma mitocôndria chamada Maria de Lurdes. Os chefes de departamento são um retículo endoplasmático liso conhecido como Guilherme Retículo e o cloroplasto Da Silva. Os vendedores externos são três vacúolos, de nomes Cícero, Lauro e Alencar. Pronto?

Faça uma relacao entre o complexo de golgi e os contorcionistas de circo
Não, chega. Se eu responder esse, é capaz de você pedir para eu escalar um time com organelas. Chega.

quantas curvaturas tem o cinto de jim Morrison
Esse é o problema do Google. Ele não entende as perguntas das pessoas e resmunga um “joga lá pro blog do carequinha, ele que se vire com isso”.

qual e o menor osso do corpo onde ele fica bocalizado
Partindo do princípio que o “b” e o “l” não estão exatamente próximos no teclado, creio que não foi um erro de digitação. Aliás, foi, mas o que está faltando aí é a cedilha. Então, sua pergunta, presumo, é: “qual é o menor osso do corpo e onde ele fica boçalizado”. É uma pegadinha. Afinal, a única parte boçalizada do seu corpo parece ser o cérebro, que, infelizmente, não é um osso.

professora e presa por trafico de rapadura
É. A cocaína é doce, mas não é mole não.

pq quando ligo para um celular nunca chama e uma voz diz para eu deixar um recado?
Eu já li sobre isso uma vez. Isto é um fenômeno que acontece em alguns aparelhos de celular, que aprisionam pessoas dentro deles. Algum amigo seu se distraiu quando estava perto do seu aparelho e foi engolido por ele. Agora, ele está preso naquele mundo escuro e úmido, e somente você pode ajudá-lo. Não acredita? Tente discar mais uma vez e preste atenção na mensagem que você ouve. Por trás daquela voz demoníaca que insiste na ideia de gravar um recado, você poderá ouvir a voz do seu amigo clamando por socorro. É bastante difícil de ouvir, então disque repetidamente e preste atenção até conseguir ouvir. Aí, tudo o que você precisa fazer é desmontar o celular e salvar seu amigo. Mas faça isso no meio da rua, sob a luz do Sol, e fique gritando com seu amigo para ele não entrar em pânico e seguir a luz até a saída (isso irá orientá-lo, já que é muito escuro lá dentro). E se as pessoas na rua rirem de você, ignore: elas não sabem o que é perder um amigo.

numa carta o remetente sou que estou mandando
Sim. A não ser, claro, que você esteja mandando uma carta para uma pessoa chamada Remetente. Aí, você coloca o Remetente no campo do Destinatário. Se você chamar Destinário, então, a coisa vai ficar melhor ainda. Você consegue me enviar uma foto do funcionário dos correios no momento em que ele ler o envelope?

nome do espantalho do fandangos da elma chips
Eu já disse isso antes no blog: Marília Gabriela.

eu quero ser um gorgonboi
Estou aqui pensando em diversas respostas, e todas elas envolvem você, completamente nu, esfregando gorgonzola no seu corpo. Eu não tenho mais idade para brincar disso, então vou direto para a próxima resposta.

crônicas 24 horas rob gordon
Viraram livro. Ele está á venda aqui (aceita cartão e pode ser parcelado), tem uma resenha aqui e uma entrevista aqui!

como e o siquini ficado hino eta namia casa
Se você digitasse sua busca em Wing Dings, ela faria mais sentido.

bruxa domar
É uma velha feiosa que trabalha no circo, cuidando dos animais. “Mande a bruxa domar os leões”. Trocadalho do carilho, entendeu?

artistasqueusamformasgeometricas
Temváriosespecialmentenaescolacubista. Masmesmoelestambémusavamespaçosnostextosqueescreviam. Osquadrosdelespodiamnãofazermuitosentidomasescreversemespaçojáéabusodasuaparte.

como ser um filho do demonio
Você foi a algum dos shows do AC/DC no Brasil? Caso tenha ido, você deverá se lembrar daquelas tiaras com chifrinhos que eram vendidas ali. Espere sua mãe dormir e entre no quarto dela escondido. Coloque a tiara na cabeça dela, com cuidado para não acordá-la (a transformação de uma pessoa em demônio é sempre dolorida, por isso ela acontece sempre que as pessoas estão dormindo). Após a aplicação da tiara, pinte o rosto dela de vermelho e pronto. Agora você é um filho do demônio. Se, ao acordar, sua mãe-demônio ficar brava e ameaçar deixar você de castigo, grite que “The power of Christ compels you” e ameace chamar um padre se ela não se comportar. Vai funcionar.

eu calço numero 37 e tenis tem que ser a mesma numeracao
Olhe, normalmente, é o mais indicado, caso você seja uma pessoa normal – o que, diga-se de passagem, me parece ser improvável. Claro que se você for um palhaço, o ideal seria usar um tênis tamanho 50. Ajudaria na construção do personagem. Mas, caso você seja uma pessoa normal o recomendado é sempre usar o tênis do mesmo número do pé. Agora, caso você seja supersticioso, você pode usar um tênis do seu número de sorte. Por exemplo, se seu número de sorte for “7” você pode usar um daqueles tênis-chaveiro tranquilamente, já que nada de errado irá acontecer com você. Esse negócio de numerologia funciona mesmo.

quanto e um equis boquis
Não faço ideia, mas é muito mais caro que um dicionário Inglês – Português. Pense nisso.

pequenos dialogos sobre gostar de animais
- Eu gosto de animais. E você?
- Eu gosto também.

pequeno dialogo no passado
- Eu gostava de animais. E você?
- Eu gostava também.

pequeno dialogo em trio
- Eu gosto de animais. E você?
- Eu gosto também. E ele?
- Ele gosta também.

pequeno dialogo com 10 linha
- Eu gosto de animais. E você?
- Eu gosto também.
- Qual seu animal preferido?
- Cachorro. E o seu?
- Gato.
- E agora?
- Não sei. Ainda estamos na sétima linha.
- O diálogo tem que ter dez linhas, né?
- Isso. Quem será que procurou isso no Google?
- Algum animal, provavelmente.

"salame tem leite?"
Você é o gorgonboy, né? Cara, neste ritmo, em 15 minutos você terá se transformado numa tábua de frios.

eu quero concorrer ao dvd dos roristone
É fácil. Basta apenas assinalar abaixo nos comentários qual das músicas a seguir não é dos Roristones:
( ) Satisfécxion
( ) Gimi Xélter
( ) Bróun Xugar
( ) Peint it Bléqui
( ) Máders Litou Rélper
( ) Sandra Rosa Madalena

churrascaria rebouças sp puteiro
Bom, faz sentido. Ao menos, para mim. Toda vez que vou no Bovinu’s, passo duas horas lá dentro, tenho um orgasmo atrás do outro (especialmente quando consigo cupim) e gasto os tubos antes de ir embora. Boa analogia, essa sua.

eu falar vc sua
Ah, concordância verbal, essa incompreendida.

desculpe por eu não ser o melhor pra vc blog
Tudo bem. Tenho certeza de que você tentou o melhor que pode. Próximo?

blog do ricardo rigotti
Olhe, esse cara é um jornalista que eu citei uma vez aqui porque ele havia plagiado uma frase minha sobre cinema, e eu ameacei processá-lo. Não sei se ele possui um blog, e não me interessa (caso você esteja realmente interessado, já ouvi falar na internet que parece que ele é bicha, então, esteja avisado).

excelente texto!! lavou a cara de muito babaca, aqui
É? Juro que nem achei tão bom assim, mas... Bom, obrigado.

porque prutão sumio do univeso
Então, não sei ao certo. Mas, depois de ler isso, eu apostaria minhas fichas em “vergonha”.

vou fazer uma lasanha para 140 pessoas quanto me custaria?
Olhe, eu acho que a questão mais importante aqui não é o preço. Mesmo porque isso é difícil de calcular, você teria que saber quanto cada pessoa come, pensar no tamanho da lasanha, nos ingredientes etc. Por exemplo: se as 140 pessoas forem modelos, uma lasanha de 600g da Sadia resolve. Se sofrerem de obesidade mórbida, certamente seria preciso uma lasanha do tamanho da Índia. Sabe, acho que você deveria desistir desta lasanha e mudar suas prioridades. Por exemplo, que tal perguntar no Google algo como “pensei, um dia, em fazer uma lasanha para 140 pessoas. Sou estranho?”

Eu tenho 16 anos. Sou fã de black sabbath desde os 14. Conheci as músicas do ozzy um pouco antes do black sabbath. Um dia resolvi pesquisar e descobri que o ozzy era, antes de mais nada, vocalista do bs. Resolvi escutar o album master of reality todo.
Então, você é totalmente sem amigos, ou a sua história tem uma moral que eu não captei?

O dia em que ele me fez dormir na casinha do cachorro amarrada numa colaira
Olhe, se você tiver fotos disso, eu compro. Estou falando sério, eu pago. Caso tenha interesse, favor avisar nos comentários.

tenho 20 anos e meu pe é tamanho 32
Partindo do princípio que existe uma lenda que reza que o tamanho do pé é diretamente proporcional ao tamanho do órgão sexual, presumo que você não seja uma das pessoas mais populares em sua escola. Ou vai me dizer que seu pé é tamanho 32 apenas porque você está com frio?

significado velhinha com sacola atravessa entrevista de emprego
Olhe, sinceramente? Eu acho que você está preso dentro de um sketch do Monty Pyhton.

meu presente pra voce sou eu
Obrigado. Espero somente que você tenha um selo de troca.

vida e morte sao 2 abstraçoes nao quantificáveis
Olhe, eu não sei se são abstrações ou não. Mas elas são quantificáveis, sim. Todo mundo tem apenas uma vida e uma morte. Daí a expressão “só se vive uma vez”. E caso você argumente comigo que “não, eu sou um gato”, elas ainda são quantificáveis, porque gatos têm sete vidas.

quanto e pleitreis
O dicionário, cara, o dicionário. Lembra?

sinfonias de beethoven tata dadam
Tata Dadam é a Quinta Sinfonia. Mas ela é mais forte, tipo um trovão. Tente usar caixa alta e escrever tudo com “t”. Assim: TATA TATAM! Viu? Depois que você aprender, tem outra bem famosa que é a Nona Sinfonia. Essa é bem mais complicada, olha: TÁTÁTÁTÁTÁTÁTÁTÁTÁTÁTÁTÁ TÁTÁÁÁÁ TÁTÁ! Vai treinando aí. No próximo post desta série, vamos falar de Chopin.

onde eu assisto a final da copa de 2002
Você tem diversas opções. Na televisão, mas dificilmente ela será reprisada. Em DVD, mas ela nunca foi lançada na íntegra. No estádio, mas aí você precisaria de um ingresso e uma máquina do tempo. E, claro, você pode procurar na internet de forma mais eficiente, sem fazer perguntas ao Google. Não sei se você sabe, o Google é um site e não um oráculo. Tente assim: “Final Copa 2002 Íntegra”. Spoiler – não leia a partir daqui se você não quer estragar a surpresa. Foi Brasil 2 x 0 Alemanha.

queria transformar duas camas de solteiro em sof[a queria algumas dicas
Nada é mais fácil que isso. Geometria pura. Arraste uma das camas para perto da parede. Esta será o assento. Pegue a outra cama e a coloque de pé, entre a primeira cama e a parede, no papel de encosto. Voila! Um sofá novinho para você. Mas, por que parar agora? Que tal colocar os travesseiros nas laterais, como braços do sofá? Ou, melhor ainda: pegue o microondas, enfie qualquer coisa lá dentro e finja que ele é uma televisão. Pronto! Sua sala de visitas está pronta! No próximo capítulo, vou ensinar você a transformar seu cesto de roupa suja em uma cama de casal.

o macumbeiro usa alpiste para fazer macumba?
Olhe, eu acho que você confundiu as coisas. O macumbeiro usa velas, galinhas pretas e coisas assim. Alpiste é outra coisa. Primeiro, eu sei que a pomba-gira tem “pomba” no nome, mas ela não é um pássaro. Segundo, lembra-se daquele cara que você viu, na televisão, colocando alpiste num cruzamento de uma estrada? Aquilo é um desenho animado, e o nome do sujeito é Coiote. E aquilo não chama “macumba” (sim, eu sei que está num cruzamento, mas deixe isso de lado), e sim “armadilha”. Tudo o que ele quer é pegar o Papa Léguas, e não fazer um despacho. Confie em mim: sem alpiste.

vc vai me procurar e eu te direi sim
Ok. Estou terminando o post então, e saindo de casa para te procurar. Não se esqueça de dizer “sim” quando eu aparecer, ok?

22 de fevereiro de 2011

Como Escrever Bem na Internet

Este é um manual de como se escrever bem na internet – as regras aqui são usadas de forma casual no Messenger, no Twitter e em qualquer outro tipo de comunicação virtual, mas para se ter um bom blog, é preciso que elas sejam seguidas à risca.

Lembre-se que isso não são regras para o sucesso, mas sim para escrever bem e manter um blog de qualidade. Agora, se você deseja fazer sucesso imediato e de um modo mais fácil, pule direto para o último tópico.


1) Tamanho não é documento
aquela história de que algumas palavras devem começar com letra maiúscula – a letra grandinha, sabe? – serve apenas para livros. em textos feitos para a internet, não é preciso se preocupar com esta regra – existem vários e-mails indicando que os teclados continuam com a tecla shift apenas por lobby dos fabricantes, tipo a dell ou a logitech, que não desejam mudar o desenho dos teclados. além disso, seus leitores não são burros e perceberão facilmente que na frase “passei a tarde com minha amiga lucrécia”, a lucrécia em questão é uma pessoa. e você não precisa usar letra maiúscula para indicar o começo de uma frase, já que antes dela existe um “.” indicando que a frase anterior acabou. assim, começar a usar letras grandes e pequenas é desnecessário e pode até soar pedante da sua parte.


2) O texto precisa ser ágil rápido veloz e direto
Você já ouviu aquela história de que a comunicação na internet precisa ser ágil porque ninguém tem tempo para mais nada hoje em dia então além de fazer textos curtos é indicado que você faça o leitor ler de forma apressada e para isso a melhor saída é não usar virgulas e o mínimo possível de pontos finais porque se o leitor parar para respirar durante uma frase sua ele pode sair do seu blog porque nós estamos sendo bombardeados de informação o tempo inteiro e você não pode correr o risco de outra pagina mais interessante que a sua chamar a atenção dele


3) Convicção!!!!!!!!!!!!
Na internet, ninguém quer uma pessoa que não saiba defender suas opiniões com força!!!!!! Então, evite ao máximo possível usar pontos finais ou reticências!!!! Eles mostram que você é inseguro e não tem certeza do que está falando!!!!!!!!! Quanto mais pontos de exclamação, mais certeza você mostrará!!!!!!!!!!!! E as pessoas querem isso!!!!!! Força e convicção nas suas opiniões!!!!!!!! E você pode até mesmo usar as exclamações para fazer perguntas!!!!!!!!!!! Entendeu!!!!!!!!


4) A letra que não eh letra
Ao se escrever para a internet, é preciso ter em mente que o “h” é uma mentira inventada pelas gramáticas para confundir os vestibulandos. A prova de que ele não existe é que não tem som de nada. Ora, se ele não tem som de nada, ele não precisa ser escrito, vai apenas confundir as pessoas. Leia as palavras a seguir em voz alta e comprove: Ospital. Onesto. Omem. Na verdade, as pessoas que escrevem livros usam o “h” de forma errada. Ele não é uma letra, mas sim um símbolo de acentuação, usado em palavras oxítonas com som aberto. Exemplos: “Ele estah lah” e “Mah, pode falah?”. O “h” não deve ser usado em nenhuma outra situação.


5) Acentuaçaum e outras lendas urbanas
Jah que estamos falando de acentuaçaum, eh preciso que fique claro que acentuar palavras eh um costume do seculo 20, e se voce começar a fazer isso seus leitores acharaum que voce eh ultrapassado e naum entende nada de gramatica e naum devia estar escrevendo. Ate mesmo os escritores jah perceberam isso e começaram a acabar com os acentos – o trema foi banido por causa disso. Entaum voce precisa abrir maum disso porque o publico da internet eh normalmente jovem e naum quer que esses tracinhos e cobrinhas fiquem sujando o texto que leem. Como jah vimos, o “h” eh usado para mostrar que o som da palavra eh aberto. Para mostrar que sua palavra tem som de til, basta apenas escrever como se fala (aviaum, coracaum, paixaum) o que aumenta o conforto de quem estah lendo. Se ela possuir som fechado, naum precisa colocar aquele chapeuzinho que as professoras falavam, aquilo eh coisa de criança e desnecessario porque se naum tem acento o som e fechado mesmo e todo mundo sabe disso.


6) - é +
Alguém disse certa vez q escrever bem é a arte de cortar palavras. Bobagem. Seja + ousado e corte letras. Isso aumenta a agilidd da comunicação, tornando seu texto + leve e gostoso d ler. Assim vc pd começar, por ex, a cortar os fonemas q não precisam d + d 1 letra. S vc começar a fazer isso, as pessoas q estão lendo s sentirão como s conversassem c/ vc no msn e isso faz elas s sentirem em ksa. Essa sensação d intimidade é vital pro texto fazer sucesso. Nnc é d+ lembrar que velocidd é td na qualidd d 1 texto. Seus leitores c ctz vão agradecer com um sonoro “VLW”!


7) kkkkkkkkkkkkkkkkkkk
O público está acostumado com piadas fáceis. Ninguém tem tempo para pensar hoje em dia husahuashuashuashuashu então sempre que você colocar uma piadinha no texto, mostre a ele que é o momento de rir, de uma forma amigável: rindo com ele huahauauahuahau. Você nunca parou para pensar porque as séries de comédia sempre têm som de risadas nas horas engraçadas? Kkkkkkkkkkkkkk Se alguém reclamar que isso suja o texto, é porque essa pessoa é triste e não gosta de conversas leves e com risadas hehehehe


8) Sucesso sem palavras
Se você deseja que seu blog faça sucesso, escrever bem não é necessário. É recomendável, mas não necessário. Porque, quanto menos texto, mais sucesso ele faz. Assim – e para não correr o risco de errar o uso das regras acima – evite escrever. Faça um blog com um nome ousado – palavrões e trocadilhos de mau gosto são ótimos – e fique postando todas as fotos engraçadinhas que você recebe por e-mail. Elas têm texto em inglês? Calma, nada que um Photoshop e o Google Translator não resolvam. Recheie o blog com estas fotos e vídeos, entupindo o layout de anúncios do Adsense (porque assim você vira problogger) e reserve o dia 5 de todo mês para postar as fotos da Playboy nova que você roubou de outro blog.

Agora, é só colher os louros da fama!

7 de setembro de 2010

Vida

Vamos por partes.

Em primeiro lugar, eu nunca disse que acabaria com o Champ ou com o Chronicles por causa da falta de comentários. O texto anterior, Morte, é totalmente genérico. E caso você seja alguém que a) pediu para eu não acabar com o blog; ou b) me xingou abertamente por causa do texto, volte ao post anterior e selecione, com o mouse, o texto (em branco) abaixo da palavra “Fim”. Talvez você se surpreenda. Talvez você me xingue novamente.

Agora, se o texto é ficcional, quase uma crônica, porque ele não está no Chronicles? Porque ele é verdadeiro. E está acontecendo com cada vez mais frequência.

Não vou acabar com os meus blogs, pois sou apaixonado incondicionalmente por eles – adoro receber comentários, mas, antes de tudo, adoro escrever. Contudo, cada vez mais, tenho visto blogs muito bons (inclusive, bem melhores que os meus) caminhando a passos largos para o esquecimento, devido aos poucos comentários que vem recebendo. E o esquecimento, muitas vezes, leva ao final do blog.


"É que nem o sujeito que sai pra correr depois de dez anos sem exercício. Belo dia, ele se manda pro parque, chega lá e sai em desabalada carreira. Não dá nem cinquenta metros e já dói aqui do lado. Aí ele para pra tomar um fôlego. Corre um tanto e para pra amarrar o cadarço. Puxa as meias pra cima, corre. Caminha. Para. Corre. Para. Para. Aí volta pra casa de táxi, traumatizado, joga o tênis no fundo do armário e, pronto!, o mundo do atletismo perdeu mais um. Blog é assim: a gente pensa que é atleta, mas chega na hora e vê que a coisa não é tão fácil. Dê um fôlego a mais, ajude seu blogueiro favorito a correr mais uns dez metros, comente!"
Bruno Palma

Acepipes Escritos



O tom do post anterior, somado aos dias em que fiquei sem postar, serve para mostrar que isso pode acontecer com qualquer blog, seja o Champ, o Chronicles, ou qualquer um que você adora a ponto de visitar regularmente e se decepcionar quando descobre que ele não foi atualizado.

Sim, a grande questão aqui são os comentários. Eles fazem a diferença no dia a dia de um blog. Se você tem blog – e, quando digo blog, quero dizer "um blog que gera conteúdo" – sabe disso tão bem quanto eu. Acessos, visitantes, pageviews, prêmios... Tudo isso é importante, mas os comentários recebidos em cada postagem, são vitais.

Eles são os indicadores de saúde do blog.

E, não, não estou falando de ego. É evidente que o ego está na equação, já que quem escreve quer ser lido. Porém, antes de tudo, blogueiros de verdade não querem colecionar elogios, mas sim opiniões. E isso inclui também críticas.

São os comentários que constroem a ponte entre o blogueiro e o leitor; são eles que transformam um blog em algo democrático, um espaço onde autor e leitor conversam abertamente. E são os comentários que indicam ao blogueiro se ele está no caminho certo, o orientando tanto no que diz respeito a estilo como a quais assuntos abordar.

Vou traduzir isso para o Champ, para mostrar que não se trata de teoria: se você gosta dos meus textos, saiba que os comentários que recebo são alguns dos grandes responsáveis por isso. Talento? Talvez eu tenha, sim, muito obrigado. Mas de nada adianta ter talento se você não sabe como utilizá-lo. E eu, por experiência própria, posso afirmar que aprendi a usar, ou melhor, a direcionar o meu talento aqui no blog, unicamente graças aos comentários. Acha que estou exagerando? Pegue um texto qualquer do primeiro ano do blog e outro mais recente, faça a comparação entre os dois.


"O problema de um blog sem comentários é que ele deixa de ser um blog. Exterminada a conversa, resta apenas a exibição patológica de um pretenso autor, e ninguém quer reafirmar durante muito tempo sua própria esquizofrenia. Quer???!"
Max Reinert
Pequeno Inventário de Impropriedades



Isso, claro, sem falar no estímulo que os comentários proporcionam ao blogueiro. Quanto mais comentários, maior a vontade que a pessoa tem de escrever. Não estou dizendo aqui que sem este tipo de retorno todo blog inevitalmente acabará sendo deixado de lado até ser abandonado totalmente (contudo, como eu disse lá em cima, isso pode acontecer sim). O que quero mostrar é que, ao perceber que está sendo lido, o blogueiro se sente naturalmente incentivado e, consequentemente inspirado a produzir mais e mais.

E ele percebe que está sendo lido pelos comentários. Como eu já disse antes, os comentários são o combustível do blog.

E, por fim, aquilo que considero o mais importante: os comentários, muitas vezes, geram um debate (entre leitor e autor, ou entre leitores) sobre o tema da postagem. Já aconteceu diversas vezes aqui no Champ, especialmente nos textos um pouco mais sérios. E poucas coisas que acontecem dentro de um blog podem ser mais sadias que essa.

Vale ressaltar que, quando falo “comentário”, estou me referindo a “participação” – se você é daqueles que comenta em todos os blogs que encontra, com um texto padrão dizendo que “adorei seu blog, visite o meu”, este texto não se refere a você, porque você nunca fez um comentário na sua vida.


"Ultimamente, os textos que não "pedem" a participação do leitor, textos que não provoquem interação, têm tido menos comentários. Às vezes a gente não pode – ou não quer – fazer o texto interativo.Mas o blog é! E por isso o comentário é importante, mesmo num texto em que o leitor seja só leitor. Eles são muito mais que um número no fim do post. É pelo comentário que a gente vê a opinião do leitor sobre o texto, fica sabendo se o post ficou ou não legal, e também descobre quem lê o que a gente escreve."
Tyler Bazz
Blog do Tyler


E o número de comentários caiu, de uns meses para cá, drasticamente. Não apenas no Champ (sim, eu tenho comentários, mas o número deles diminuiu consideravelmente) e sim nos blogs em geral – ao menos, em quase todos que conheço e nos quais tenho contato com os autores.

Com isso, textos excelentes e muito bem escritos estão sendo lidos, mas estão passando em bran...

Quer dizer, estão sendo lidos?

Não sei. E, pior: o próprio autor não sabe.

O motivo do volume de comentários ter caído? A meu ver, é incerto. Pode ser comodismo dos leitores, pois muitos acham mais fácil simplesmente dar RT no link, no Twitter. É uma iniciativa legal, já que o leitor está praticamente endossando o texto aos seus seguidores, mas, para o blogueiro, não chega aos pés de um comentário. Aliás, é uma iniciativa que, teoricamente, não deveria excluir o comentário, e sim complementá-lo. Se você gostou do texto a ponto de indicar aos outros, porque não comentá-lo também?

E, claro, pode ser comodismo de nós, blogueiros. E abro espaço aqui para um mea culpa.

Alguns anos atrás, a blogosfera era muito mais ativa. Memes, postagens coletivas, prêmios... Eu mesmo não dava conta de tudo. Hoje, a maioria de nós está caminhando mais por inércia: digamos que, ao invés de estarmos "postando", estamos, na maior parte do tempo, "mantendo os blogs atualizados". E existe uma diferença bem grande aí. E o leitor habitual é o primeiro a perceber isso.


"De uns 6 meses para cá, notei uma queda acentuada no número de comentários - o que, de certa forma, coincidiu com o auge do Twitter. Os índices de acesso aumentam cerca de 20 a 30% ao mês, então o motivo não seria falta de visitantes. Gastei quase um dia inteiro para fazer dois tutoriais, e recebi apenas 1 comentário em cada um. Isso é desanimador, pois o melhor de ter um blog está em saber a reação dos meus leitores. Ok, temos agora os RTs do Twitter, mas confesso que sinto saudades dos comentários e sei que a falta deles trata-se de um acontecimento geral."
Juliana

Dicas Blogger


Ou seja, algo precisa ser feito, mas também da parte de quem posta. Acho que é hora de dar uma sacudida geral na blogosfera. Este assunto, claro, é muito mais abrangente e acho que deve ser tratado como um problema separado, especialmente porque tentar descobrir se a blogosfera está parada porque os comentários caíram, ou se os comentários caíram porque a blogosfera está parada, seria apenas colocar uma roupa nova na questão “quem veio primeiro, o ovo ou a galinha?”.

E, claro, tem a terceira alternativa para o motivo do volume de comentários ter reduzido: perdemos a mão. Nossos textos caíram em qualidade. Toda vez que um texto meu não recebe o número de comentários que eu imagino, eu considero esta hipótese. Mas ter perdido a mão ou não é apenas especulação da minha parte, já que este é exatamente o ponto que estou tentando mostrar: não temos como saber se estamos escrevendo bem ou mal, sem os seus comentários.

Sem você, leitor, se manifestando, podemos dar o melhor de nós, mas estaremos sempre tateando no escuro.


"Deixar de receber comentário faz o blogueiro perder parte do carinho que nutre pela coisa, ficando apenas sua paixão de escrever. Isso significa menos textos, pois blogar passa a ser apenas uma forma de exercitar masturbação mental, algo que passa a fazer de vez em quando, enquanto não arruma local mais reconfortante para despejar esse desejo incontido. Até que encontra, e fecha o blog. E todos perdem."
Dragus
Pensamentos Equivocados


É evidente que ninguém quer leitores que se sintam obrigados a comentar. Qualquer blogueiro consegue identificar um comentário feito com tesão – seja ele positivo ou não - de um feito de forma automática. Queremos sim, que você, leitor, participe, mas apenas por que sentiu vontade disso. E é isso que tentamos fazer a cada texto novo: incitar você a participar do blog. Eu disse uma vez aqui no Champ: “quem faz o blog são vocês; eu apenas escrevo”. E isso é verdade.

Gostou do texto? Comente. Não gostou? Discordou? Na sua opinião, o sujeito só falou merda? Comente. Acha que não tem nada a dizer sobre o assunto? Você tem, acredite. Qualquer blogueiro sabe o que fazer com seu comentário, sabe como “usá-lo” e extrair o melhor do que você disse sobre o texto em questão.

E, por fim, ele sabe usar isso como ferramenta – e incentivo – para melhorar ainda mais o blog.

E, caso o texto estiver bombando de comentários, isso não quer dizer que o seu irá passar batido pelo autor. Confie em mim: eu leio cada comentário que apita no meu e-mail como se fosse o primeiro que recebo na vida. Porque – e isso não é demagogia – não é o número de comentários que importa. É o SEU comentário que importa.


"Existe claramente uma tendência das pessoas comentarem no Google Reader e no Twitter. Mas, quando você faz isso (principalmente no Google Reader) você só conversa com seus amigos. Na caixa de comentários de um blog, você conversa com o autor diretamente, e com as outras pessoas que frequentam aquele espaço, podendo fazer amizades. Eu fiz muitas amizades dessa forma."
Adriano Trotta
Blog do Trotta


Comentando, você pode fazer seu blog predileto, seja ele qual for, ainda melhor.

Comente, participe, opine, critique. O blogueiro quer isso de você: suas opiniões, suas ideias. E ele te convida a mostrar todas elas, a cada nova postagem que publica. Porque, por melhor que um blog seja, ele não vive sem comentários. Quando muito, e com sorte, ele consegue sobreviver sem comentários. E mais nada.

Sim, é você, leitor que está aí do outro lado da tela, que faz um blog ter vida. E você faz isso com seus comentários. Eles têm mais importância para a gente do que você pode imaginar.


"Por mais que surjam meios de se monetizar conteúdos, não há remuneração mais gratificante para um autor de blog que um comentário. Porque não há reação pior do que a apatia, o silêncio, a indiferença. Sim, todo blogueiro é carente de atenção. Mas que atire o primeiro mouse aquele que não deseja despertar uma emoção ao expor um texto publicamente. Parafraseando aquela composição da dupla Alice Ruiz & Arnaldo Antunes, um blog sem comentários é como um coração que não bate nem apanha."
Alexandre Inagaki
Pensar Enlouquece


Se você é blogueiro, sinta-se convidado a levar esta discussão ao seu blog, para os seus leitores. Faça um texto – você é bom nisso que eu sei – e espalhe a ideia. Espalhe entre seus leitores, convoque os blogs amigos a fazer o mesmo.

Para ajudar, seguem até mesmo opções de banner (que não contém em lugar algum o nome ou o endereço do Champ, pois o objetivo destes textos jamais foi a promoção deste blog). Escolha o que mais lhe agrada, faça um texto a respeito, passe a ideia para frente.








Agora, se você é apenas leitor, peço apenas que pare e pense um pouco sobre seus blogs preferidos.

Lembre-se de alguns textos que você leu ali. O autor daquele blog é alguém que, muitas vezes, passou horas escrevendo o melhor texto possível, com o objetivo de fazer você gargalhar na hora do almoço, chorar no meio da madrugada, aprender algo novo ou passar o resto do dia pensando em algo que você nunca tinha percebido antes.

E tudo o que ele quer em troca destas horas que ele usou escrevendo para você é um comentário que levará apenas um minuto para ser escrito.

Você não acha que vale a pena?



Nota: Este blog agradece imensamente a todos os blogueiros que enviaram os depoimentos publicados acima.