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10 de dezembro de 2011

Press!

Dias atrás, recebi um e-mail de um jornalista que trabalha na redação do jornal A Gazeta, de Vitória, a respeito de uma matéria sobre publicação de livros independentes. O resultado foi uma entrevista, publicada esta semana no jornal. Infelizmente, o 24 Horas, 48 Crônicas ficou de fora da matéria, mas, mesmo assim, a iniciativa (e o resultado) foram ótimos.

Gostaria de compartilhar com vocês, com agradecimentos especiais ao Inagaki que, ao ser procurado pelo jornalista, me indicou como autor independente para a matéria; e ao Mario Cau, autor da “foto oficial”.

E, claro, obrigado a todos os leitores.

Abaixo, a imagem da página. Para ler, clique aqui.

19 de agosto de 2011

Muito Prazer, Rob Gordon

Não há muito o que falar, acho. Creio que um dia isso iria acontecer de qualquer forma, e meu rosto apareceria por aí. Alguns leitores já haviam me caçado pela internet e me localizado, mas agora, creio, é oficial. Afinal, tanta coisa mudou, por que não mudar isso também?

Fico apenas feliz por ter aparecido justamente em algo relacionado a um dos meus livros.

Como eu disse no Twitter, caso algum leitor ainda alimentasse as esperanças de que tudo era mentira, e eu era, na verdade, uma loira peituda assinando os textos com o nome Rob Gordon, sinto decepcioná-lo. Pensando aqui agora, eu poderia iniciar um trabalho tentando provar que este sujeito é um ator contratado, e que, na verdade, o Rob Gordon nunca existiu, ele é apenas um personagem fictício criado pelo Besta-Fera. Mas, convenhamos, isso daria um trabalho enorme.

Mas, enfim, a entrevista está aí abaixo. E, falando sério, gostaria de agradecer ao pessoal do Clube dos Autores pelo convite e, falando mais sério ainda, quero agradecer a todos os leitores.

Deixo um agradecimento especial a quem assistiu a entrevista e mandou as perguntas e comentários, mas também um agradecimento geral a todos os leitores que não estavam "lá" comigo, já passaram neste blog mesmo que somente uma vez, e riram ou choraram com algo escrito aqui.

Nada disso (seja esta entrevista, livro, Terapia, Malvadezas - alias, tem texto novo lá hoje) teria acontecido se não fosse por vocês.

Watch live streaming video from clubedeautores at livestream.com


Sei que o som não está 100% em alguns momentos, mas prometo ficar mais distante do microfone na próxima vez. E peço que não abordem os temas "Deus, como ele é feio", "ele é careca mesmo!" e "será que ele é deste planeta?" nos comentários, já que este blog sempre fugiu das obviedades.

Antes de encerrar, um pouco de merchan, aproveitando que é a primeira vez que mostro o rosto aqui. Aqui você compra 24 Horas, 48 Crônicas e aqui você compra Anônimos e Urbanos.

E, agora, para marcar de vez esta ocasião, vamos ao concurso cultural do dia. Como de costume, eu cometi uma gafe na entrevista ao comentar um assunto - eu tenho certeza que "Rob Gordon" significa "gafe" em algum idioma antigo.

A primeira pessoa que identificar corretamente qual foi a gafe que cometi na entrevista ganha uma cópia autografada de 24 Horas, 48 Crônicas.*

Divirtam-se!



*@rmschmitd e @anasavini estão proibidas de concorrer pois já sabem a resposta. Será considerado vencedor o primeiro comentário correto que aparecer aqui.

5 de agosto de 2011

Na Estante

Vamos falar rapidamente de livros?

Hoje, tem um texto inédito do 24 Horas, 48 Crônicas, publicado no Malvadezas: O Zelador do Edifício Escher. Adoraria que fossem lá conferir. E, claro, adoraria que de lá fossem direto ao Clube dos Autores comprar o livro.

Agora, vamos falar do Anônimos e Urbanos. Logo depois de lançar o livro, um leitor, Nelson, me mandou diversas revisões que faltavam no texto. Provavelmente, ainda escaparam outros erros, mas a ajuda do Nelson foi inestimável para aprimorar ainda mais o livro.

Assim, esperei um tempo passar antes de mexer no original, o que fiz agora. Acabei de lançar uma segunda edição do livro, com versão também em Ebook. Mas a capa teve que ser alterada, já que o Clube dos Autores não possui mais os direitos de uso da foto original. Assim, o livro continua disponível, mas somente com a capa nova.

Ou seja, se você possui a 1ª edição do livro, guarde-a com carinho para vendê-la daqui a uns 30 anos no E-Bay. Dá que vira item de colecionador?

Enfim, dois livros. Missão cumprida?

1 de julho de 2011

Anônimos e Urbanos (e Cachorros)

- Alô.

- Oi. Rob?

- Não.

- É... O Rob está?

- Sim.

- Posso falar com ele?

- Seu nome?

- Jessica.

- É a respeito de quê?

- Eu combinei de ligar para ele agora à tarde para uma entrevista.

- Entrevista? Ele está marcando entrevistas no meu nome agora?

- Como assim?

- Aqui quem está falando é o Besta-Fera. Presumo que a entrevista seja comigo.

- Não, não... É com ele mesmo.

- Sei. E é a respeito de quê?

- Serão duas, na verdade. Uma sobre o Anônimos e Urbanos, e a...

- Ah. Sobre... Hum... Aquilo.

- Isso. Eu posso falar com ele?

- Então, eu me enganei. Ele não está.

- Não?

- Não. Ele viajou, deve voltar somente em outubro. Mas, olhe, é melhor assim. A entrevista com ele seria ridícula. Iria acabar com a sua pauta.

- Será?

- Você já conversou com ele?

- Não.

- Ele é um imbecil. Não fala nada de interessante. Aposto que vai ficar cagando regra sobre estilo de texto. Sério, chega a ser deprimente. Eu ouço isso o tempo inteiro. Fora que ele fala demais. O poder de síntese ali é nulo.

- Mas é que o livro...

- Eu, por outro lado, tenho opiniões muito mais ricas sobre qualquer assunto. Podemos conversar sobre política, artes, cultura pop. Posso até mesmo falar sobre o blog, visto que eu sou o grande responsável pelo sucesso disso aqui. E diferente dele, tenho opiniões totalmente embasadas, com conteúdo. E, evidentemente, me expresso de forma muito mais elegante que ele. Confie em mim, eu sou o entrevistado dos sonhos.

- É que ele é o autor...

- Fora que a voz dele é horrorosa. Sabia que durante minhas primeiras semanas aqui, eu cheguei a considerar o fato de ele ser um alienígena por causa disso? Eu, porém, consigo adaptar minhas respostas ao seu gravador, sem você precisar mexer na equalização. Posso responder em bemol, em sustenido... Como você preferir.

- Sim, mas...

- Então, estamos combinados. Preciso de um tempo para me preparar. Por que você não me liga em cerca de uma hora, e podemos conversar sobre os assuntos que desejar?

- É que o Rob...

- Esqueça o Rob. Mesmo. Hum... Só um minuto.

- Ok.

- Já volto.


- Eu estou no tefone, Rob. O que você quer?

- Quem é?


- Ninguém. É engano.

- Não é a Jessica?

- Quem?

- A pessoa que vai me entrevistar! Eu contei isso hoje pela manhã.

- Não, não. É engano. Acharam que era o telefone de uma lavanderia, então estou apenas dando orientações corretas à pessoa.

- Passe esse telefone para mim!

- Não, não acabei de falar ainda com a pessoa.

- Agora!

- A ligação não é para você. Não seja mais deselegante que o normal!

- Dá aqui esse telefone!

- Não. Meta-se com seus assuntos. Olhe, sua miniatura da Enterprise naquele armário está caindo!

- Oi? Onde? Volte aqui com esse telefone! Cachorro débil-mental!

- Largue este telefone, Rob. Eu sou um cão, posso morder você.

- Dá esta merda aqui!

- Eu serei entrevistado, você está atrapalhando.

- Dá aqui esse telefone!

- Não.

- Pronto. Porra! Está todo babado!

- Problema seu.

- Imbecil.

- Babaca.


- Alô?

- Rob?

- Jéssica?

- Isso.

- Tudo bem? Desculpe por... Por isso.

- Se não for um bom momento...

- Não, não. Está tudo sob controle. Podemos começar, se você quiser.

- Mesmo?

- Sim. A primeira é sobre o livro, certo?

- Isso.

- Então, vamos lá. Pode começar.


Entrevista Rob Gordon by Projeto Pra Ler
Espero que gostem!

Esta entrevista aconteceu algumas semanas atrás. Senti muito orgulho de ser procurado para falar sobre livro e outros projetos – em outra entrevista que será publicada aqui em breve – mas isso me criou um problema enorme. Agora, o Besta-Fera faz questão de ser entrevistado, alegando que ele é o responsável por absolutamente tudo de bom da minha vida, desde o blog fazer sucesso ao fato de as pessoas me darem bom dia aqui no prédio.

A coisa se tornou insustentável esta semana quando entrei em casa e ele estava sentado numa poltrona, sendo entevistado pelo Jonas – que, evidentemente, não perdeu a chance de me alfinetar em metade das perguntas.

Assim, cheguei a um acordo com o Besta-Fera. Ele será entrevistado aqui no blog, mas eu não tomarei parte nisso, vou apenas transcrever e postar as respostas e postar.

Na verdade, quem irá entrevistá-lo são vocês. Quer saber algo do Besta Fera? Qualquer coisa? Deixe sua pergunta aqui nos comentários deste post, ou – caso você seja tímido – mande a questão para o mail champ.vinyl.blog@gmail.com com o assunto “Entrevista Besta-Fera”. Todas elas serão respondidas, garanto.

E espalhe para os amigos, pois, quanto maior a entrevista, mais tempo ele ficará sem me encher o saco com isso.

Semana que vem, eu posto as respostas aqui.

Agora a bola está com vocês. Divirtam-se.

24 de fevereiro de 2011

Letra e Música

Todo blog que se preza, em algum momento de sua história, apresenta um post somente com um vídeo. Nada mais que isso: o título da postagem, e um vídeo – normalmente um clipe musical. Quando muito, além do vídeo, existem uma ou duas frases comentando a música em si.

Minha vez de tentar.





Pronto. O vídeo está aí.

Mas por mais que eu adore música, eu não consigo ficar sem letras.

E este é justamente o motivo do vídeo. Poucas horas atrás, fui convidado por um leitor do blog, o @RicoCorreiaUP, para participar do projeto Musicontos. A ideia consiste em “cronicar” uma música qualquer, interpretando a letra.

Sim, eu já tenho um texto assim, baseado no blues Love in Vain, do Robert Johnson e que está no Anônimos e Urbanos. Mas eu não queria reaproveitar o texto porque, primeiro, a ideia é boa demais para isso. Segundo, aquele texto pertence ao livro, e somente ao livro.

Não foi difícil escolher uma música. Muitos fãs de Iron Maiden detestam esta música, alegando que “a banda se vendeu”. Bobagem. Apesar de ser uma balada – a primeira na discografia do grupo –, ela não é uma música sobre amor, mas sim sobre solidão. Como eu queria escrever algo no estilo do Chronicles, seria perfeita. Além disso, o verso “in your eyes I see the hunger” é fortíssimo, serviu como excelente ponto de partida.

Assim, sentei na frente do PC, com a música tocando, e deixei me levar. Fiz o texto, literalmente, em questão de minutos. Sim, admito que ele e curto, mas mesmo assim é engraçado como alguns textos parecem estar prontos dentro da gente, apenas esperando para ser escritos. Este foi um deles.

Espero que gostem (está aqui). E, claro, convido vocês a conferirem os demais textos do projeto Musicontos.

27 de outubro de 2010

Teaser

O relógio marcava poucos minutos após as quatro da manhã.

Apesar do enorme movimento que registrava durante o dia, típico de uma grande metrópole, a cidade de São Paulo se comportava como outro qualquer local do planeta no meio da madrugada. A Lua brilhava silenciosamente sobre os prédios, vigiando as ruas praticamente desertas, e molhadas por uma garoa fina que caía sem fazer ruído sobre o asfalto.

Quase ninguém se atrevia a andar a pé pelas calçadas, e poucos carros rompiam o silêncio da rua. Em milhões de residências, pessoas dormiam tranquilamente. Casais sonhavam de mãos dadas, crianças ressonavam tranqüilas, abraçadas aos seus brinquedos favoritos.

Todos dormiam. Todos menos eu.

Enquanto o resto da cidade descansava, eu estava há quase dez minutos preso no elevador do prédio onde trabalho.



Em breve, no Clube de Autores.

(Aproveitando, tem entrevista comigo sobre o Anônimos e Urbanos aqui.)

14 de outubro de 2010

– Oi! Você gosta de crônicas?

Imagine que você, leitor, está andando na Avenida Paulista. Ali perto do Masp, sabe? É um fim de tarde e você está caminhando por ali, tomando cuidado para não ser visto pelas pessoas que tentam vender livros de poesia, ou por aqueles malucos que agarram seu braço e aparentemente não o deixarão ir embora até que você compre um ingresso para uma peça de teatro amador.

Lá está você, desviando dos hippies que vendem colares feitos com conchinhas (“é do Peru”, porque tudo que eles vendem é do Peru, até mesmo se for um Cristo Redentor esculpido em madeira) e fazendo força para não engasgar com o cheiro de incenso.

E é neste momento que uma voz surge do nada:

– Oi! Você gosta de crônicas?

Você olha ao redor e não vê ninguém. Mas, aparentemente, seja quem for que falou aquilo, falou para você. A voz estava perto de você. Mas não há ninguém ali. Assim, você decide continuar andando.

– Você gosta de crônicas?

De novo. Mas agora você percebeu que a voz não veio do seu lado. Ela veio de baixo.

Você olha em direção ao chão e lá está um garoto de oito anos, gordinho e sorridente, com um livro na mão.

Não. Não é um garoto.

Ele tem barba – mal aparada, por sinal – e é careca.

Apesar do tamanho, não pode ser uma criança.

– Oi? – é tudo que você consegue dizer.

– Você gosta de crônicas?

É a terceira vez que a suposta criança, barbada e careca, pergunta isso. Aparentemente, o assunto não vai avançar até que você responda.

– Sim.

– Que ótimo! Veja, você conhece isso aqui?

E ele lhe entrega o livro que tem em mãos. O título, “Anônimos e Urbanos”, destaca-se na capa azul. O nome do autor é Rob Gordon. Antes que você possa folhear o livro, o ser diminuto se põe a falar.

– Este livro é meu, eu que escrevi todos os textos! Todos mesmo! Até a orelha e a contracapa. Produção independente, sabe?

– Hum...

– E agora estou promovendo o livro aqui, na Avenida Paulista. Aqui tem um nicho legal para crônicas. O pessoal que vende livros aqui trabalha somente com poesia. São aqueles hippies ali. Ninguém nesse pedaço explora o mercado de crônicas. Só vendem poesia.

Assim que ele terminar de falar, arrisca uma rápida olhada para os lados e, quando se certifica de que não está sendo observado, fica na ponta dos pés. Com a mão, pede para você se abaixar.

Você obedece e ele sussurra um segredo no seu ouvido:

– O mercado de poesias aqui no Masp está saturado. Não existe tanta demanda assim para sonetos, mas eles não percebem isso.

Antes que você possa responder, ele continua.

– Agora, crônicas, apenas eu vendo. Eu não sou hippie não, viu? Essa barba é preguiça mesmo, não é nada contra o sistema.

– Entendi. – É tudo que você consegue responder (e se serve de consolo, eu não teria feito muito melhor).

– E aí, quer dar uma olhada?

– Olhe, eu estou meio com pressa...

– Ah, é rapidinho. Olha só! Ele chama Anônimos e Urbanos porque ele fala das pessoas comuns da cidade. Sabe? Aquele rosto que é apenas mais um na multidão? Então, ele está aqui no livro. São pessoas como você, cara! Você vai adorar!

– Hum...

– Pode folhear.

Você se mostra indeciso quanto a segurar o livro. Mas ele insiste.

– Para folhear não paga nada, cara. Pode ficar tranqüilo.

Você pega o livro. Até que é bem acabadinho, o danado.

– Qual você está olhando?

– Não sei... Espere... Chama “Em Vão”.

– Esse é um texto feito exclusivamente para o livro. É baseado num blues antigo.

– Blues?

– É. Love in Vain, do Robert Johnson. Você gosta de rock?

É claro que você gosta. Toda pessoa de bom senso gosta.

– Muito!

– Então, os Stones regravaram essa música. Mas eu prefiro o original.

– E é baseada na letra?

– Isso mesmo. Tem outra também que é baseada num filme antigo, chama Desencanto. O filme, não a crônica. É um filme do David Lean.

– Quem?

– David Lean.

– Não conheço.

– É o cara que fez A Ponte do Rio Kwai e Lawrence da Arábia.

– Ah, sei sim. Mas não conheço esse filme.

– Pouca gente conhece, é da década de 40. E acho que não saiu em DVD no Brasil. Ao menos, não de forma oficial.

Como esse baixinho sabe isso? Ele deve estar inventando essas coisas. Ou é louco. Com essa barba, é mais provável que seja louco mesmo. Você começa a sentir vontade de ir embora.

– Olha...

– Mas têm outras. Tem a história do cara que queria voltar a ser adolescente e tenta mudar a própria idade. Tem a menina que consegue um encontro dos sonhos, mas não sabe se consegue voltar a ser feliz. Tem uma que eu gosto muito que é um casal se despedindo no metrô. É uma das minhas preferidas.

Pior que o livro parece interessante. Ouvindo assim, dá vontade de ler. Bem, você não tem nada a perder mesmo. Além disso, você já leu tanta coisa que não gostou. Será que esse cara não merece uma chance?

– Foi você mesmo quem escreveu?

– Isso mesmo. Todas elas. Eu tenho um blog. Na verdade, dois blogs. Esse livro é o do blog menos famoso.

– E o livro do mais famoso?

– Não, por enquanto, só tenho esse. Esse é o primeiro.

– Mas vai fazer do outro?

O baixinho olha para os lados e se aproxima de você, diminuindo o tom de voz. Você se abaixa para ouvir melhor o que ele diz.

– Olha, você não conta para ninguém?

– Não.

– Promete.

– Ok.

– Promete!

– Prometo.

– É o seguinte. O meu blog mais famoso, o nome dele está aí no livro, é o próximo a virar livro.

– E vai ser coletânea também?

– Fala mais baixo! Aí que está. Não vai.

– Vai ser o quê?

– Vai ser um romance. Uma enorme história, inédita. Toda ela inédita, com todos os personagens do blog. Ou quase todos. Vai ser quase uma postagem de, sei lá, cento e poucas páginas!

– Uau! E já tem título?

– Sim. Bolei essa semana.

Ele não consegue disfarçar o orgulho.

– E como vai chamar?

Ele olha atentamente para os lados. Fica na ponta dos pés e chama você novamente. Você se abaixa e ele sussurra algo no seu ouvido, mas, infelizmente, você não entende nada. Consegue identificar apenas que é um nome curto.

Mas não há tempo para pedir que ele repita, pois ele se afasta novamente, e volta ao tom de voz normal, coçando a barba.

– Demais, hein?

Ele não consegue disfarçar o sorriso. E, sorrindo, com os olhos brilhando, aponta para o livro, que ainda está na sua mão.

– Mas o primeiro é esse.

– E quando sai o outro?

– Depois desse.

Esse cara está de sacanagem, só pode ser.

– É evidente que é depois desse. Este é o primeiro!

– Não, não. Você não entendeu. Eu vou esperar um pouco. Quero que este primeiro aqui venda um determinado número de cópias, antes de lançar o outro.

– Ah, entendi. E que número você quer chegar?

– Ah, cara, aí você quer saber demais, né? Eu tenho meu número na cabeça. Chegando nesse número, eu lanço o outro.

Você tenta captar a resposta no olho dele, mas não consegue. Podem ser oito livros, como podem ser dez mil. Mas a empolgação dele é genuína. E contagiante.

– Quanto custa?

– R$ 34 e uns quebrados.

– Uns quebrados?

– É, eu não consigo decorar os centavos. Tento, mas não consigo de jeito nenhum. É... R$ 34,62, acho.

Ele é louco mesmo. Um louco que quer arrancar trinta e cinco paus de você. Louco e pilantra.

– Carinho, hein?

– Mas vale a pena. Cada crônica. Eu garanto.

– Hum...

– Pode confiar. E, olhe, se comprar agora, aqui, da mão do autor, eu autografo. Quer dizer, você tem caneta aí?

– Tenho.

– Eu autografo.

Com autógrafo ainda. Eu, no seu lugar, compraria, leitor.

– Ok. Me convenceu. Você aceita cheque, né?

– Oi?

– Estou sem dinheiro comigo. Mas tenho cheque.

– Porra, meu... Cheque? Acho que ninguém aceita cheque hoje em dia. Talvez um mendigo. Mas, convenhamos... Eu sou escritor, mas não vamos exagerar, né?

– Então, nada feito.

– Olha, vamos fazer o seguinte? Você tem cartão?

Será que ele vai puxar uma máquina do Visa do bolso? Se ele fizer isso, é golpe. Mas você decide ver o que ele pretende.

– Tenho.

– Então você pode comprar pelo site.

– Seu site?

– Não! É o Clube de Autores, o livro está à venda ali.

– Entendi. E lá aceita cartão?

– Aceita. Crédito e débito. E no crédito você pode parcelar em até dez vezes! Fica fácil demais pagar assim!

– Ok.

– Aí você volta aqui e eu autografo. Fechado?

– Fechado. Qual o endereço do site?

– Anota aí. Aga tê tê pê dois pontos barra barra, né? Clube dos autores, tudo junto, ponto com ponto bê erre...

– Ok...

– Barra trinta e um cinco oito meia...

– Trinta e um o quê?

– Cinco oito meia.

– Só isso?

– Não. Cinco oito meia tracinho tracinho anônimos anderlaine e anderlaine urbanos.

– Dois tracinhos, e depois só anderlaine, né?

– Isso.

– Mais nada?

– Mais nada.

– Ok. Vou comprar. Se eu gostar, volto aqui e você autografa. Fechado?

– Fechado! Valeu cara! Espero que goste! Aliás, você vai gostar sim! Tenho certeza! E divulgue para os seus amigos, vai ser bastante importante!

– Se eu gostar do seu texto, divulgo sim.

– Oba! Mas, olha... Aquilo que eu disse do outro livro é segredo, hein?

– Pode deixar.

– Legal! Aliás, para eu já ir pensando no autógrafo, qual seu nome?

Você responde seu nome e se despede. Caminha poucos metros, antes de ouvir a voz dele, desta vez falando com outra pessoa:

– Oi! Você gosta de crônicas?

Você não olha para trás, e segue seu caminho. À noite, em casa, olhará o site com calma e comprará o livro. E ao recebê-lo em casa, dias depois, descobre que gostou. Mais até do que imaginava. Agora, só precisa voltar até o Masp para o baixinho autografar o seu, torcendo para que ele esteja ali.

Mas, se ele não estiver, tudo bem. Quem sabe ele está escrevendo o outro livro.

************************

E você? Conseguiu decorar o site? Não?

Mas você, que está lendo este post, em casa ou no trabalho, não precisa decorar nada. Você precisa apenas clicar aqui.

E, claro... Boa leitura!


7 de outubro de 2010

Dedicatória

Minha letra é horrorosa. Sempre foi.

Mas eu juro que vou me esforçar (até mesmo comprando cadernos de caligrafia se for preciso), para caprichar bastante na dedicatória do exemplar autografado de Anônimos e Urbanos que será sorteado hoje, no final do dia.

Para concorrer, basta me seguir no Twitter (@robgordon_sp) e dar RT nesta mensagem (tomando cuidado para não esquecer o link):

Dê RT e siga o @robgordon_sp para ganhar um exemplar autografado de Anônimos e Urbanos! http://kingo.to/itT

O sorteio será hoje as 19h00min.

Boa sorte!



Update: Promoção encerrada.

O vencedor foi o @Descharth.

Mas cabem aqui alguns esclarecimentos. Primeiro: como eu sou eu, o link usado na promoção (e fornecido pelo sorteie.me) era semelhante ao de uma outra promoção, envolvendo o sorteio de ingressos para o show de uma dupla sertaneja.

É, eu sei.

Sim, podem rir (eu riria). Não, não vou ficar bravo.

Pronto?

OK, vamos continuar. Com a melhor das boas vontades, resmunguei um "podia ser pior, podia ser segunda-feira" e continuei com a promoção. Na hora de sortear, tudo se resolveria.

Ou não. Afinal, como eu sou eu e não canso disso, o sorteie.me teve algum bug na hora do sorteio, e me deu a seguinte mensagem:

– Sinto muito, nós podemos fornecer apenas um ganhador.

– Sim, mas é isso que eu quero. Um vencedor, respondi.

– Sinto muito, nós podemos fornecer apenas um ganhador.

– Eu sei disso! Me dê o nome da pessoa!

– Sinto muito, nós podemos fornecer apenas um ganhador.

– Ok, desisto. Você ganhou, só um ganhador, certo? E qual o nome dele?

– Sinto muito, nós podemos fornecer apenas um ganhador.

– Filho da puta! Me dá o nome!

– Sinto muito, nós podemos fornecer apenas um ganhador.

Desisti e deixei o site falando sozinho.

Fui no Twitter, vi quantos RTs a promoção recebeu e mandei o random.org sortear o número de um destes RT. Deu 59 (o @descharth).

Ou seja, se o sorteie.me resolver bancar o bobo e esperar eu virar as costas para correr para o Twitter e gritar o nome de alguém ali... Bem, se você for esgte alguém eu lhe mandarei um livro também (e eu me entendo com o sorteie.me depois).

E dica: já deixem o Word aberto. Semana que vem, após o feriado, vou fazer algo diferente, com mais exemplares.

Rob.

Update 2: Se você quiser ingressos para o show da dupla sertaneja em questão, vou lhe ajudar como posso. O nome da dupla é Júnior & Marcel, e o convite está aqui. Favor não me avisar como foi o show. Divirta-se.

4 de outubro de 2010

Nasceu!




O blog Champ Chronicles virou livro!

Deu muito trabalho. Foram meses tentando encontrar a melhor forma de levar a idéia adiante, selecionando e revisando textos, conciliando isso com a minha rotina normal – ou seja, encaixando a produção do livro com minha vida profissional e sem deixar as postagens (nos dois blogs) de lado. No meio do caminho, surgiram, claro, mudanças de planos, pequenas reviravoltas e imprevistos.

Mas, agora, finalmente deu certo.

Assim, um dos meus grandes sonhos, que é ver o que eu escrevo, aqui na internet, ganhar o mundo do papel, se tornou realidade.

O caminho escolhido foi totalmente independente: a melhor alternativa que encontrei foi o Clube dos Autores, que trabalha com um sistema de book on demand – ou seja, o consumidor compra o livro e eles imprimem uma cópia para esta pessoa. Não é nada grande, pelo contrário.

Mas isso é justamente o que eu queria agora: algo que pudesse me ensinar como funciona a mecânica desse processo inteiro, ao mesmo tempo em que eu tivesse a liberdade criativa sobre o produto final. E, claro, liberdade criativa é importante, mas é trabalhoso: posso dizer aqui, sem medo de errar, que eu fiz quase o livro todo inteiro (o que inclui editoração, textos das orelhas e da contracapa).

Mas chega de falar do processo, e vamos falar do livro.

Porque o Chronicles? Porque não o Champ?

Por dois motivos.

Primeiro, sejamos sinceros: o Champ é algo muito maior. Eu preciso primeiro aprender a fazer isso antes de pensar num livro dele (e vou abrir o jogo aqui, o livro já está muito pensado). E, segundo, os textos do Chronicles, por natureza, têm mais vocação para o papel. E isso foi bastante importante na hora de decidir qual blog ganharia o mundo “real” primeiro.

Assim, o livro, batizado de Anônimos e Urbanos, contém mais de cinqüenta crônicas, selecionadas entre as minhas preferidas (e aquelas que acredito serem as prediletas da maioria dos leitores). E, claro, um pequeno punhado de textos inéditos, que foram feito com exclusividade para o livro – e que jamais chegarão ao blog.

Agora, eu tenho um agradecimento e um pedido. Primeiro, quero agradecer a todos os leitores que sempre insistiram nesta idéia comigo. Muito obrigado mesmo, pois eu jamais teria conseguido isso sem vocês.

O pedido? Todo o trabalho de divulgação do livro é feito por conta do autor. O site Clube dos Autores cuida “apenas” da comercialização e impressão. Então, meu pedido, a todos os leitores, é: me ajude. E não porque assim será mais fácil para mim (sim, será), mas eu quero que vocês participem disso.

Se você gosta dos meus textos, compre. Para você, para dar de presente. E não estou tentando ficar rico (mesmo porque como jornalista e blogueiro, eu já me conformei em ser pobre para sempre). Basta clicar na imagem, aí na side bar, para comprar (ou clicando aqui).

Eu quero a sua ajuda conseguir para alavancar novos livros, novos projetos. E, quem sabe, projetos ainda maiores que esse.

E tão importante quanto comprar: me ajude a divulgar. Mostre os textos (e, claro, o livro) aos seus amigos, namorados, parentes. Espalhe no Twitter, na faculdade, na escola.

Vai fazer (muita) diferença, acredite.

E uma convocação especial aos blogueiros amigos. O boca a boca que vocês fazem é extremamente importante e será essencial para isso. Quer falar do livro no blog? Estou aqui à disposição. Tem alguma ideia maior ainda? Estou aqui à disposição também, vamos conversar.

Afinal, se você está lendo este texto, acredite: este livro também é seu.