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10 de setembro de 2017

A Vida, o Universo e Tudo Mais

"Você sabe que está ficando velho quando as velas custam mais que o bolo."
(Bob Hope)

Algumas pessoas têm medo de envelhecer. Eu? Confesso que eu venho achando divertido. Especialmente nos dias em que consigo voltar cedo para casa.




10 de setembro de 2016

Quarenteum

Dentro de cada pessoa velha existe uma pessoa jovem se perguntando o que aconteceu.
(Pratchett, Terry)


Quando eu fiz dezoito anos, minha mãe me disse:

– Aproveite muito. Depois que você faz dezoito anos, o tempo passa rápido demais.

Eu achei que ela estava exagerando.

Hoje, me sinto como se essa conversa tivesse acontecido há duas semanas. 

10 de setembro de 2015

ENTA


So understand
Don't waste your time always searching for those wasted years,
Face up, make your stand,
And realize you're living in the golden years.


Vinte e seis anos atrás eu ouvi essa música pela primeira vez. Mas eu não me lembro de ter prestado atenção na letra. Afinal, eu tinha catorze anos, e entender melhor as letras de músicas era algo que podia esperar. Pois, quando se é jovem, você tem todo o tempo do mundo.

Parece que foi ontem. As pessoas dizem que o problema do tempo é que ele passa devagar quando devia passar rápido, e passa rápido quando devia passar devagar. Mas esse não é o problema do tempo. O problema, mesmo, é que ele voa quando a gente não está olhando.

E a gente quase nunca está olhando.

Um dia, eu tive catorze anos. Hoje, completo quarenta. E não tenho mais todo o tempo do mundo.

Mas se tem algo que eu aprendi em algum momento desses vinte e seis anos é que não adianta procurar pelos anos que se foram. O segredo é saber que estou vivendo meus anos de ouro.


Sendo assim... Que venham mais quarenta.

Estou pronto.

10 de setembro de 2014

Os 39 Degraus

Cansado de deitar sob o sol,
ficando em casa para ver a chuva
Você é jovem e a vida é longa,
E há tempo para matar hoje.

Então um dia, você descobre:
Dez anos ficaram para trás.
Ninguém te disse quando correr,
Você perdeu o tiro de partida.

10 de setembro de 2013

10 de setembro de 2012

Trintesete


“Tudo o que temos de decidir é o que fazer com o tempo que nos é dado.”

(Gandalf, o Cinzento – O Senhor dos Anéis)


Segundos que se tornam minutos que viram horas que somadas viram dias que passam em semanas que se transformam em meses e que por fim passam a ser chamados de anos.

Mais precisamente, 37 deles.

Dizem que quando você é jovem os dias são curtos demais e os anos longos demais; já quando você se torna velho, os dias passam a ser longos demais e os anos, curtos. Ao menos, é o que dizem.

Talvez seja verdade.

Por outro lado, gosto da ideia de pensar que a vida não é formada por anos, dias ou minutos. A vida é formada por momentos. Instantes únicos, cada um deles com seu sabor, seu som, seu cheiro.

Cada um deles com a sua história.

O segredo é transformar cada uma dessas histórias em uma crônica. Em uma história digna de ser narrada. O segredo é fazer com que cada um destes momentos seja inesquecível.

É saber usar, da melhor forma possível, o tempo que nos é dado. 

31 de julho de 2012

Six, Six, Six


Eu já contei que tenho um blog?

Ah, já falei sobre ele, sim. Aposto. Afinal, desde o primeiro texto que foi postado ali, em 2006, eu sou apaixonado por ele. Mas, mesmo se eu não falei dele para você, talvez você já tenha ouvido falar do meu blog. Porque nestes anos, aconteceu de um ou outro texto crescer mais que o esperado e ganhar vida própria, rodando a internet.

Agora, caso você nunca tenha nem ouvido falar do meu blog, queria mostrá-lo para você. É o blog do Besta-Fera, dos atendentes de telemarketing, do fantasma Jonas, dos loucos que vêm falar comigo nas ruas, dos demônios que se divertem estragando meu dia, de formas inimagináveis. É o blog onde meu azar é rei.

Mas, sabe... Nem só do meu azar vive o blog. Talvez este seja um dos assuntos dominantes, mas tem muito mais coisa ali. Eu falo de música, falo de cinema, falo de quadrinhos, falo de... Bom, eu falo de tanta coisa que fica até difícil listar todas elas aqui, eu com certeza iria me esquecer de alguma importante.

Não, pensando bem, talvez eu me esquecesse de uma ou outra, mas jamais de alguma importante. Porque, como eu disse lá em cima, sou apaixonado pelo meu blog. É um dos meus lares. Lá eu brinco com as letras, mas faço isso em todos os textos. Ou seja, eu também brinco com as palavras quando falo sério.

Ah, porque eu falo sério, sim. Desde que criei o blog, muita coisa aconteceu comigo. Na vida e nas letras. Sorri e chorei, amei e odiei, perguntei e respondi. Na vida e no blog. Mas respondi bem menos que perguntei. Às vezes, falam que eu exponho algumas coisas minhas de forma até corajosa, mas não vejo desta forma. Eu apenas sou assim.

E talvez seja por eu ser assim que eu ame tanto este blog. Porque eu não sei fazer algo sem me envolver totalmente, e cada vez que eu releio um texto antigo, eu descubro duas coisas: primeiro, eu teria escrito pelo menos um trecho de forma diferente; segundo, cada texto publicado no meu blog é um pedaço meu. Cada texto ali sou eu.

E acho que com isso eu posso ficar orgulhoso. Enquanto eu falo do meu blog para você, eu posso dizer que ele tem 893 textos publicados, e 17.755 comentários. Ah, sim, as pessoas comentam bastante nos textos que publico, e é em nome delas – e também das outras que leem, mas não comentam – que eu me esforço sempre em dar o melhor de mim a cada texto.

Às vezes, eu consigo. Às vezes os leitores parecem gostar bastante. Às vezes, fico na dúvida. Algumas pessoas elogiam, mas eu não me dou por satisfeito, porque sei exatamente qual pedaço do texto é mais fraco, qual das piadas não funcionou, qual trecho não saiu como eu queria. Mas, mesmo quando eu não consigo, quero falar uma coisa: que eu gosto disso, eu gosto. E muito!

E talvez seja por isso que quanto mais eu escrevo, mais quero escrever. O meu blog deu origem a outro blog, que virou dois livros. Um dos livros me abriu caminho para escrever uma história em quadrinhos, que agora ganhou um prêmio. E meu blog me ajudou a encontrar um monte de trabalho, tanto que hoje – olhem só que ironia – eu escrevo tanto que não tenho mais tempo de escrever.

Mas se existe algo que eu sempre faço é arrumar tempo para escrever no blog. Claro que nem sempre as coisas andam como eu planejo. Faz muito tempo que quero mudar a cara do blog, especialmente atualizar o “Ano 4!” que está ali em cima precisando ser trocado há anos –e eu vou fazer isso em breve. E nem sempre consigo responder os comentários dos leitores na hora que os leio. Mas eu prometo que leio todos. Todos, sem exceção alguma.

Porque um blog não é absolutamente nada sem leitores. E um escritor não é ninguém sem leitores. Como eu sempre digo, se você escreveu o melhor texto do mundo e ninguém leu, é porque você escreveu o pior texto do mundo. Agora, se seu texto fez uma pessoa pensar, fez alguém sorrir ou chorar... Você escreveu um texto bom. Porque não há nada melhor que mudar o dia de alguém com um texto.

Acredite em mim: não há nada melhor. Pelo menos, para quem escreve.

Por isso eu queria convidar você a conhecer o meu blog. Porque eu quero ter a chance de mudar um dia que seja da sua vida. Não garanto que vou conseguir, mas pode ter certeza que eu vou tentar. E se você der uma gargalhada alta lendo meu blog ou se você deixar uma lágrima cair... Saiba que você fez com que eu ganhasse meu dia. E eu e meu texto seremos eternamente gratos a você. Como eu disse lá em cima, eu sou assim.

Eu já contei que tenho um blog?

Ah, com certeza já contei.

E eu já contei que meu blog está comemorando seis anos hoje?

Sim, hoje é aniversário do meu blog. Assim, se você não conhece meu blog, saiba que hoje é um dia especial demais para mim. Mas, se você conhece meu blog, se já leu meus textos... Eu gostaria de poder agradecer aqui tudo o que você fez por mim ao longo destes seis anos. Seis anos... Passou rápido, hein?

Se você está sempre por aqui, certamente você tem seus posts favoritos, os personagens que gosta mais, quais assuntos você mais gosta. Se você está sempre por aqui, eu vou agradecer você sempre por isso, da forma que sei fazer melhor: escrevendo. Assim, se seu dia estiver bom, eu fico bastante feliz com isso, tanto como amigo quanto como escritor.

Mas, se seu dia não estiver dos melhores – e fique tranquilo que isso acontece com todo mundo – posso (novamente como amigo e como escritor) dar um conselho?



10 de setembro de 2011

Rob 36 x 100 Beatles

"Crescer acontece em um batimento cardíaco. Um dia você usa fraldas, no outro dia você se foi. Mas as memórias da infância permanecem com você durante este longo intervalo. Eu me lembro de um lugar, de uma cidade, de uma casa igual a muitas outras casas, de um quintal igual a muitos outros quintais, de uma rua igual a muitas outras ruas. E, mesmo após todos estes anos, eu ainda olho para trás, com admiração."

(Kevin Arnold, Anos Incríveis)


Em alguns momentos, é preciso voltar a ser criança para ficar mais velho.

Ou melhor dizendo: para crescer.

**************

E, para encerrar o post, deixo um presente para os leitores: a minha lista com o meu Top 100 Beatles. Basta clicar aqui. Divirtam-se - evitando os xingamentos porque 1) a lista é extremamente pessoal e 2) não é bonito xingar alguém no dia do seu aniversário.

E saibam que outras listas virão pela frente.

10 de setembro de 2010

35

Jean-Luc Picard: Não importa quantos anos você viveu, Wil, mas sim como você os viveu. Alguém me disse certa vez que o tempo é um predador que nos persegue durante a vida inteira. Mas talvez o tempo seja também um companheiro em nossa jornada, que nos lembra que devemos celebrar cada momento de nossas vidas, porque eles não voltarão mais... Afinal de contas, somos apenas mortais.

William Riker: Fale por você mesmo, senhor. Eu planejo viver para sempre.

(Jornada nas Estrelas – Generations)


Décadas.

Milhares de dias, recheados de sorrisos e lágrimas, amores e desilusões, despedidas e abraços. De conquistas, vitórias e derrotas. De paixões fulminantes e adolescentes, explosões de ódio imaturo. De amores maduros e cuidadosos, raivas frias demais para serem perdoadas.

Dei gargalhadas altas em mesas de bar; defendi pênaltis e fiz gols de placa; tive vontade de gritar de felicidade no meio da rua. Mas também soquei paredes para aliviar a frustração, chorei escondido, escrevi poemas não publicados.

Milhares de sonhos. Alguns eu abandonei, outros me esqueceram. Outros eu adaptei, troquei, manuseei. Mas um punhado deles sempre esteve aqui, desde o primeiro dia. E sempre estará. Sempre guardado ao lado dos livros, filmes, músicas, quadrinhos, jogos e textos que me ensinaram, confortaram, e mostraram que, antes de tudo, ninguém nunca está sozinho.

Milhares de pessoas. E, com elas, sorrisos, apelidos, brigas, brincadeiras, segredos, confiança, discussões, broncas, beijos, abraços. Histórias para contar gargalhando. Histórias para lembrar sozinho e se emocionar justamente por se lembrar.

Alguns desapareceram no tempo e se tornaram apenas rostos vagos em salas de aula, em prédios do bairro, em festas, bares e casas de amigos. Outros sempre foram para sempre e sempre souberam disso.

Milhares de pessoas, milhares de sonhos, milhares de dias.

Décadas.


“E, aí, o tempo passou.
E, como todo mundo,

o menino maluquinho cresceu.”




Update: Caros Natália Maximo, Juliana Cenoura, Ana, Otávio Oliveira, Maryfarah, Daniela, Lilian, Varotto, R., Nanny, Michele, Leandro, Sil, @camicap, Cinemafranco.com, Rubens, Alexandre, Paty, Yara Balestrero, Dragus, Kika, Gabriela, Fábio Megale, Devaneador, Gilgomex, Daniela, Silvia, Manuela, Gabriel Alex, Rafael, Michelle, Anônimo, Dani, Max Reinert, Felipe Lima, *#*@le*#*, Brunín... Assis e a todos que enviaram os parabéns pelo Twitter:

Um enorme e sincero muito obrigado!

10 de setembro de 2009

30 e 4


Kirk: É uma coisa muito, muito melhor do que qualquer outra que eu tenha feito. Um lugar de descanso muito melhor que qualquer outro que eu tenha conhecido.

Carol: É um poema?

Kirk: É algo que Spock estava tentando me dizer. No dia do meu aniversário.

McCoy: Você está bem, Jim? Como está se sentindo?

Kirk: Jovem. Estou me sentindo jovem, Doutor.

(Jornada nas Estrelas II - A Ira de Khan)



Independente de como você estiver, nunca se esqueça de seus amigos. Afinal, eles estarão no seu futuro, pois ajudaram a construir seu passado.

Independente de onde você viver, nunca se esqueça do lugar que você veio. Porque é para lá que você precisará fugir algumas vezes.

Independente do que você fizer, nunca se esqueça de que você ainda pode ser um herói, todos os dias. Mesmo que nem sempre você se sinta como um.

Independente do que você viver, nunca se esqueça de quem você ama. Porque esquecer isso seria o mesmo que esquecer de si próprio.

E, independente da idade que você tiver, se recuse sempre a crescer totalmente.

Afinal, haverá tempo de sobra para isso.

31 de julho de 2009

Algumas Palavras sobre 3 Anos de Palavras

Então, é isso.

Três anos de blog. É muito tempo. Existem casamentos que não duram isso, existem pessoas que não vivem por três anos.

Foram três anos de Besta-Fera, de brigas com atendentes de telemarketing, de desabafos, reclamações. Três anos atravessando situações ridículas, na rua, em casa, no prédio, no trabalho. Foram três anos tentando mostrar que a humanidade não deu certo – às vezes falando sério, mas normalmente tentando arrancar uma gargalhada sua nos momentos em que você lê o blog escondido no trabalho.

É muito tempo. Mas, sejamos sinceros, passou muito rápido.

Parece que foi semana passada que eu comecei a brincar com a idéia de criar um blog, pensando em qual nome ele teria. Lembro de rodar o site do blogger umas quatro vezes – e visitando outros blogs – até ganhar coragem e criar o meu. E me lembro de quando nasceu, numa manhã de terça-feira.

Naquele momento, eu me apaixonei por ele, mesmo sem saber disso na hora.

Não sei quando a paixão virou amor (qual blogueiro de verdade não ama seu blog?), mas, quando o blog começou a receber elogios de gente que nunca vi na vida, ganhou concursos e homenagens de leitores (leitores que viraram amigos; amigos que viraram leitores), eu já amava isso aqui. Aliás, me arrisco a dizer que se eu não amasse, nada disso teria acontecido. Este blog estaria encostado, desatualizado. Esquecido.

Ontem, véspera do aniversário do blog, eu passei um tempo olhando nos arquivos, fuçando nos posts antigos. Fiquei impressionado com o fato de que eu me lembro do momento em que escrevi quase todos eles – consigo dizer quais foram escritos no trabalho, quais foram feitos em casa. E, principalmente, lembro de trechos que gargalhei enquanto escrevia (não, não pergunte: isso é entre eu e o blog).

Mas o mais surpreendente foi que não me reconheci em alguns textos. Olhando estes textos hoje, percebo que teria escrito passagens inteiras de outra forma, mudado o tom de um diálogo ou feito um final diferente.

Sinal de que eu mudei, nestes três anos. Ou, ao menos, meu texto mudou.

E mudou por causa de vocês, que estão aí, do outro lado da tela, passando os olhos por essas linhas. Ou seja, vocês podem ter rido muito ao longo de todos os meses, mas eu aprendi demais com vocês.

Para finalizar, queria compartilhar uma coisa com vocês. Um leitor (não vou identificá-lo, se ele quisesse isso, teria escrito no blog) me mandou uma mensagem me agradecendo por tudo o que escrevi aqui, e dizendo a seguinte frase: “o Champ mudou minha vida”.

Acho que o que estou tentando dizer aqui é que mudou a minha também. Para melhor. Graças a vocês.

Obrigado pelos três anos.

Enfim, como hoje o Champ faz três anos, nada mais justo que ele ganhe um presente. Mas isso será entregue somente à noite – não ainda não sei a hora exata, já que o presente não ficou pronto a tempo. Assim, convido a todos a darem uma passada aqui à noite para conferir a surpresa que o blog irá receber.

Antes disso, porém,vamos seguir a tradição de aniversário e listar, abaixo, as estatísticas da história do blog (sem contar esse post):

1. 415 posts

2. 1.998.378 caracteres (com espaços)

3. 348.284 palavras

4. 7.378 comentários

5. 119 mode: on

6. 176 Tops 5

7. 3 prêmios (ou 5, contando as duas classificações para as finais do Best Blogs Brasil deste ano)

8. 57 selos e indicações (sem contar as que foram recebidas nos últimos meses, mas ainda não entraram aqui)


Update: Pessoal, infelizmente, o Champ foi dormir hoje (é uma criança de três anos, vocês entendem, certo?), e o presente acabou não sendo entregue. Mas prometo que o presente chega junto com a próxima postagem.

10 de setembro de 2008

– Respire Fundo e Diga: Trinta e Três


"There are places I'll remember
All my life though some have changed
Some forever not for better

Some have gone and some remain

All these places have their moments

With lovers and friends I still can recall

Some are dead and some are living

In my life, I've loved them all"



Quando você não sabe como se expressar num determinado momento, recorra a Shakespeare ou aos Beatles. Nunca falha.

Essa foi uma das coisas mais importantes que aprendi nestes 33 anos.

31 de julho de 2008

Bodas de Papel

Às vezes eu fico pensando e acho que deve ser o máximo ter filhos. Claro que deve ser difícil para burro, mas deve ser gostoso também. Mesmo porque eu gostaria de ser meu filho. Afinal, imagine ser filho de um pai que gosta de Iron Maiden, Nintendo Wii, Homem-Aranha e Star Wars e detesta física e química? Ah, sim, não podemos esquecer que eu serei um pai que sabe bater na bola de trivela – cortesia do meu pai, que me ensinou isso em tardes de sábado e cujo conhecimento terá que ser transmitido para o meu filho.

“Meus pensamentos foram interrompidos
devido a uma gordinha do Greenpeace,
que, quando me viu fumando ali,
olhou nos meus olhos como se eu estivesse
andando pela Floresta Amazônica com uma
serra elétrica e com um colar enfeitado
com a cabeça de um mico-leão.”
(julho de 2006)


Claro que não foi sempre que pensei isso. Quando eu tinha uns doze anos, minha maior ambição era fazer gols driblando (ou encobrindo) o goleiro. Já com uns dezesseis anos, meus pensamentos começaram a se voltar para a idéia de formar uma família, mas ainda era num estágio embrionário (leia-se: se eu conseguir beijar alguém hoje à noite, ganharei a semana). Aí, entrei na faculdade e meus pensamentos sobre família se intensificaram, mas pelo caminho errado, com aquele punhado de decotes e minissaias andando para lá e para cá. Ou seja, meus pensamentos sobre família, durante a faculdade, não eram exatamente familiares.


“– Uma Coca.
– Light?

– Não.

– Light Lemon?

– Não. Uma Coca. Sabe, a vermelha?

– Geli-limão?”

(agosto de 2006)


Mas de repente há um momento que você acorda e percebe que está com trinta anos – mesma idade em que seu pai já tinha dois filhos. OK, a situação econômica do país era outra, mas isso não serve como desculpa. Mas você começa a pensar e percebe que não teve um filho, não escreveu um livro e não plantou a maldita árvore. E como eu não curto botânica e já tenho um blog (alguém se habilita a publicá-lo?), o próximo passo, creio eu, será um filho. Não sei se da mesma forma que eu e a Sra. Gordon pensamos, com shows de rock no domingo de manhã com vassouras na sala, futebol jogado com travesseiros, campeonatos de videogame no sábado, mas acredito que seja o próximo passo.


“Com isso, minhas opções se resumem a duas:
ir até a varanda e começar a atirar na rua garrafas
com bilhetes como “Sou um jornalista preso
no oitavo andar. Por favor, mandem comida!”
ou me arrastar até o Pão de Açúcar
que tem ao lado de casa.”
(janeiro de 2007)


Mas, como eu disse, deve ser difícil para burro e eu tenho consciência disso. E nem só pelo aspecto financeiro, mas pela dificuldade de pegar uma pessoa que não sabe assinar o próprio nome e fazê-la compreender (sem enfiar a mão na cara dele) que cuspir nas outras pessoas no supermercado é errado. Sim, porque criança e juiz de futebol fazem muita merda. A diferença é que o juiz é vaiado por milhares de pessoas; já quanto à criança... Bem, cabe a você limpar a merda dela.


“De repente, o saco de pancadas se levanta,
e finalmente revela-se ao mundo em todo seu esplendor:
um punk gordinho, de 20 e poucos anos, trajando
seus tradicionais jeans, jaqueta de couro e
um cabelo moicano (roxo) que devia ter
a altura de um prédio de três andares.”
(abril de 2007)


Não sei, algo me diz que vou passar o resto da minha vida – desde que essa criança nascer – andando com o moleque na tênue linha entre o que é divertido e o que é errado. E, por mais que a Sra. Gordon reclame disso, tenho certeza de que ela vai estar na mesma linha. Mas, como eu disse, se eu conseguir dar metade da educação (e um décimo da felicidade) que meus pais me deram, sairei daqui com a missão cumprida.


“Além disso, a coisa já tinha
virado questão de honra.
Eu não queria
mais carolinas, eu queria
AQUELAS carolinas.”

(junho de 2007)


Ou seja, tenho certeza de que aprenderei alguma coisa, cada vez que eu tiver que ensinar algo ao meu filho – desde a ordem de todos os filmes do 007 ou todos os campeões e países-sede da Copa do Mundo (sim, eu falo essas duas coisas sem apelar para o Google), até escolher entre uma carreira ou como se desculpar com a namorada pela cagada que fez (porque aos olhos dele eu serei bom nessas coisas).


“A mulher queria se matar se jogando
do sétimo andar, e, quando salvam a
vida dela, ela geme de dor caindo
de uma altura de uns 60 cm? Porra, só pode
estar de brincadeira.”
(agosto de 2007)


Enfim, estou falando tudo isso porque meu filho, hoje, completa dois anos. Ou, ao menos, o mais próximo de filho que tenho (Besta-fera não conta, ele é melhor amigo): este blog. Sim, porque na equação posteridade = árvore + filho + livro, este blog é que chega mais perto de ser árvore, filho e livro. Ao menos, por enquanto. Afinal, eu cuido dele, dou textos novos, penso em mudanças, acompanho o crescimento diário dele, tento, todos os dias, fazer dele algo melhor que ele era ontem.


“– Senhor, eu estou olhando a senha aqui
na minha frente. O senhor precisa me
confirmar essa informação.
– Como você está olhando se ela não foi criada?

– Ela está aqui na minha frente.

– Ok. Foda-se. Você precisa de uma senha?
Ótimo. Minha senha é 1 2 3 4.
– Um minuto, senhor. Vou checar.

– Não, animal, não precisa checar nada.
Eu acabei de inventar essa senha.”
(novembro de 2007)


Exagero? Pode ser. Este blog nasceu como um hobby (há outro motivo, mas ele interessa somente a Sra. Gordon – e ela sabe qual é), mas acabou ganhando um grande espaço na minha vida. Como eu disse, pode ser exagero. Mas me mostre um blogueiro (blogueiro não é aquela pessoa que cria um blog, posta meia dúzia de vídeos nas férias e o abandona) que diz não amar seu blog, e eu te mostro um mentiroso. Ou seja, dadas as devidas proporções, este blog é meu filho.


“Era a mesma expressão vidrada e maníaca
que eu via nos olhos da minha mãe quando
saíamos para comprar roupas. É o olhar de
um daqueles sociopatas que se divertem
fazendo com que as pessoas experimentem
dezenas de peças de roupas em 5 minutos”.
(abril de 2008)


E se ter filhos for assim, será extremamente divertido. Afinal, foram dois anos maravilhosos. Cagadas? Claro que teve, sempre tem. Minhas (textos fracos – e, por mais que vocês neguem, eu sei que tem textos fracos aqui) e dele (quando ele resolve aprontar com os malditos códigos). Mas, no custo X benefício, foi muito bom. Faria tudo igual, do mesmo jeito. E quando recebo um comentário dizendo “acordei meus pais com minhas risadas lendo seu texto” ou “não consigo mais ler seu blog no trabalho, serei demitido”, sei que ele é, antes de tudo, um blog feliz.


“– Quem está falando?
– BRICK TOP. SUA SÍNDICA.

Deus do céu.

– Como vai a senhora, tudo bem?

– NÃO. SE ESTOU LIGANDO PARA
VOCÊ, É PORQUE NADA ESTÁ BEM.”
(julho de 2008)


E é feliz por causa de vocês. Sim, vocês. Todos os amigos que ele tem e que, assim como ele, me ensinam algo novo a cada dia, a cada visita, a cada comentário. Sendo assim, vou para o meu quarto assistir TV com a Sra. Gordon e deixar vocês, crianças, por aqui. Hoje, a festa é dele e de vocês.

Obrigado a todos pelos últimos dois anos.

Antes da festa, porém, deixo vocês (como fiz ano passado) com uma relação de estatísticas do Champ em sua história (sem contar este post):

1. 290 posts

2. 1.380.370 toques (com espaços, claro)

3. 242.197 palavras

4. 4166 comentários

5. 99 mode: on

6. 140 Top 5

7. 03 prêmios (melhor blog desta, desta e desta comunidades do Orkut)

8. 57 indicações (somando todas elas aí ao lado, incluindo as recebidas nos últimos meses, que ainda não estavam contabilizadas)

27 de dezembro de 2007

199 + 1

Eu mal reparei. Ele foi chegando de mansinho, de forma quase tímida. Quando percebei, já era tarde. Ele já estava aqui. E, como um cunhado indesejado, se colocou completamente à vontade, deitando sem camisa no sofá e comendo o resto da pizza que eu tinha guardado para matar aquela fome da madrugada. E – pior – tomando o resto da minha garrafa de Coca.

E aí o tempo foi passando e comecei a perceber que ele estava aqui para ficar. Ou, que ao menos, não iria embora tão cedo. Muitas coisas mudaram, alguma boas e outras ruins, e ele continuou aqui. Acertos, erros, coisas certas feitas da forma errada e vice-versa, e ele continuou aqui. Pessoas vieram, pessoas se foram e ele continuou aqui, resistindo a todas estas mudanças e filando meu último cigarro do maço.

Em contrapartida, ele jamais me deixou sozinho. Sim, já brigamos algumas vezes, mas não posso negar que ele está sempre lá quando é necessário. E, às vezes, quando preciso conversar com alguém em silêncio – seja qual for o assunto – é a ele que recorro, pois já aprendi que ele nunca me deixa na mão. Ele é teimoso, exigente, muitas vezes arrogante. Mas ele me desafia, me faz pensar. E, pior, muitas vezes me obriga a pensar sobre mim, o que é mais difícil ainda.

Tudo bem, admito que a maior parte das nossas conversas é feita de besteiras. Mas, cá entre nós, o mundo é um lugar ridículo demais se você não tiver com quem conversar esse tipo de coisa. E, francamente, não é todo mundo que está 24 horas por dia disposto a ouvir sobre a velha estranha que encontrei no supermercado, ou a quase-briga que eu arrumei com um mendigo na rua. E, sinceramente? Todo mundo já percebeu que ele adora uma besteira. É só alguém falar uma bobagem que ele se anima todo, chegando até mesmo a levantar do sofá. Mas só se o assunto valer a pena.

De uns tempos para cá, virou celebridade, mesmo com seu jeito arrogante. Ou justamente por causa do seu jeito arrogante. E isso o tornou ainda pior. Agora, acha que tem razão em tudo, e me trata mal muitas vezes de forma gratuita. Ao contrário dos seus dois irmãos mais novos, que são mais coerentes e emotivos, ele é explosivo, folgado, egoísta e teimoso feito uma porta.

Mas, mesmo levando tudo isso em conta, ele tem seu charme.

E, mesmo se não tivesse, não faria a menor diferença. Ele continuaria aqui, sem se importar com nada. Afinal, quando percebi, ele já estava aqui. Devidamente instalado, sem camisa e não deixando ninguém mais ver TV. E perguntando se sobrou pizza de ontem.

E assim será, por muito tempo.

Parabéns, Championship Vinyl. Feliz 200º post!

10 de setembro de 2007

(32) Anos Incríveis


Crescer nunca é fácil. Você se segura naquilo que existia. Você tem esperança por aquilo que virá. Mas, naquela noite, acho que percebi que era hora de largar o que havia sido e olhar para o que poderia ser. Outros dias. Dias que virão. Na verdade, nós não temos que odiar uns aos outros por envelhecermos.
Nós temos apenas que nos perdoarmos por crescermos.”

(Kevin Arnold - Anos Incríveis)

13 de março de 2007

100 posts

“Já faz algum tempo que as pessoas estão me pentelhando para criar um blog.”

Foi com essa frase, publicada no dia 31 de julho do ano passado, que nasceu esse blog. E, naquele momento, eu confesso que imaginava que meu relacionamento com o blog seria totalmente fogo-de-palha. Se eu tivesse que apostar, colocaria todas as minhas fichas na idéia de que eu postaria uns 10 ou 12 posts em poucos dias, e depois me cansaria do blog, deixando-o abandonado em algum canto da internet.

Felizmente, eu teria errado. Pouco mais de 8 meses depois que aquela frase foi postada, no tópico Nasce um Monstro?, o Championship Vinyl chega ao seu 100º post. É, nem eu acreditei quando percebi isso.

Nesse meio tempo, muita coisa aconteceu.

Fiz novos amigos justamente por causa do blog – a frase é fofinha demais para o que vocês estão acostumados a ver aqui, mas é verdade. Descobri que as pessoas são obcecadas por imagens do Kleber Bambam pelado. Acabei me tornando um dos maiores arquiinimigos dos alunos de um curso de Projeto de Produto. Declarei abertamente guerra a garçons imbecis e operadores de telemarketing. Corajosamente, expus publicamente a humilhação que sofro nas “mãos” do meu cachorro manipulador. Descobri que uma pessoa pode viver – e muito bem – alimentando-se de banana com açúcar, especialmente enquanto escreve. E, como anunciado num dos primeiros posts publicados, não, não tentei comer ninguém por causa do blog.

E, claro, postei aqui diversos textos sobre minhas grandes paixões: cinema, música, quadrinhos, séries de TV e a imbecilidade geral do mundo – não, não necessariamente nessa ordem, admito.

Porém, foi com emoção que recebi a notícia que meus leitores, que acompanham o blog a cada postagem, reuniram-se nas ruas de São Paulo para celebrar a publicação do 100º post do Championship Vinyl. E, mais emocionante ainda foi receber uma das fotos da festa, que, orgulhosamente, publico aqui, abaixo.

Todos os leitores do blog reuniram-se em São Paulo para a festa pelo 100º post.
Eles estavam em quatro, mas acabaram não se encontrando por causa
dessa merda de manifestação ocorrida no mesmo lugar.


Obrigado a todos, e vamos em frente, rumo ao post de número 101.

Apenas para encerrar a festa, seguem alguns dos meus Top 5 preferidos de todos já publicados no blog.
2 -5 Técnicos que Podem Reerguer Plutão - após a fatídica queda para a Série C
3 - 5 CDs que dificil (e feliz) mente serão colocados à venda - somente pelo prazer de usar a piada do Reginaldo Rossi - Live at Donnington
5 - 5 assuntos que não evoluíram a ponto de virar post no Championship Vinyl - quem sabe um deles ainda não decola, um dia?

14 de setembro de 2006

Back from the Dead

Eu sei, eu sei. Estou há uma semana sem postar aqui, mas juro que é por falta de tempo. É que minha vida tem um ritmo parecido com o de uma mulher: uma semana por mês, eu fico completamente intratável, não durmo, como mal e brigo com todo mundo ao meu redor. Elas têm o motivo delas, e o meu é o fechamento da revista (sim, para quem não sabe, sou jornalista).

Eu sei que nada é mais decadente do que você entrar num blog abandonado, daqueles que o último post é do tempo que o Brasil era tetra. O cheiro de pó e os insetos andando pelas ruínas de um blog perdido no tempo é uma imagem que não desejo para o Championship Vinyl, e, por isso, aviso: se eu não estiver postando, é falta de tempo, não de preguiça. Ou de assunto.

Mas, para dar uma atualizada rápida nos útimos dias, antes de voltarmos à programação normal, vamos as fatos.

– O CD novo do Iron Maiden é, disparado, um dos melhores da banda. A primeira vez que você ouve é apenas mais um CD do Iron Maiden. Na terceira ou quarta vez, ele começa a ganhar novas cores. Na décima, se tornou uma obra-prima, rica em detalhes. Arrisco a dizer que é o melhor disco desde The X Factor (os xiitas que não ouvem esse álbum porque ele não pertence à fase Bruce Dickinson que me desculpem, mas é um puta álbum), sombrio e elaborado. Meu cachorro também aprovou: toda hora que eu escuto a faixa The Legacy em casa, ele começa a correr pela sala no momento que aquela guitarra tesudíssima entra rasgando depois da introdução da música. Claro que o pulo que eu dou nessa hora deve contribuir para a adrenalina dele, mas isso não diminui meu orgulho.

– Nesse tempo de vacas magras de posts, completei a "módica quantia" de 31 anos. E, meu amigo, 31 anos é foda. Todo o charme e a maturidade que você tem com 30 simplesmente desaparecem. Eu sei que isso contraria todas as regras de aritmética, mas, em termos de idade, o 31 está mais perto dos 40 que dos 30. Ou seja, estou andando com a velocidade de um foguete em direção aos 40. Ninguém mais se lembra que eu tinha 30 na semana passada. Pelo menos, o único presente "vestível" que eu ganhei foi sapato. Se eu tivesse ganhado um lenço ou uma meia, aí sim a coisa estaria feia. Nada é mais presente de velho que lenço (porque o velho está sempre gripado e espirrando) ou meia (porque o velho está sempre gripado e com frio no pé). Mas, como ganhei sapato... Hum, como diria um amigo meu: "Ainda dá!"

– O ponto alto do meu aniversário foi ir jantar com a respectiva (quebra-pau mode: off) na cantina mais tesuda da cidade, o Roperto, na 13 de Maio. Detalhe que lá tem dois velhos italianos que ficam andando pelas mesas e tocando músicas típicas (um com um violão e outro com um acordeão). Eles pararam na minha mesa e perguntaram "que música você quer?" E eu respondi "você escolhe". O do violão virou para o do acordeão e pediu um si menor. E começaram a tocar... A MÚSICA DO CHEFÃO! PRA MIM!* Me senti o cara mais fudido do lugar. As pessoas nas mesas ao lado me olhavam com um misto de respeito e inveja, pelo poder que eu emanava. Claro que quando a conta chegou e eu (após, obviamente, ter derrubado molho na porra da camiseta branca) não conseguia nem assinar o cheque de tanto que eu tinha comido, lembrei que sou bosta demais pra pertencer a família Corleone. Eu poderia ser, quando muito, um soldado dos Tattaglia, daqueles que morrem na rua, anônimos no meio de um tiroteiro qualquer.

* Você pode não acreditar, mas é a segunda vez (na vida adulta) que vou nessa cantina, e é a segunda vez que eles tocam essa música para mim. Na primeira vez, quase comecei a chorar e pensei em fazer todos os garçons formarem uma fila na minha mesa para beijar minha mão. Eu sei, sou tosco mesmo, me deixa em paz.

– E, para finalizar, séries de TV. Estou cada vez mais viciado em CSI. Em outro momento de tosquice aguda, sonhei que era o Grissom cochilando no sofá. Agora, eu ando pelas ruas procurando pistas que mostrem que o camelô do meu lado ou o carteiro que está vindo na minhda direção tem alguma coisa a ver com algum assassinato. Como eu já estava com impulsos de sair recolhendo digitais de todo mundo na rua, resolvi dar um tempo no relacionamento e me dei de aniversário a segunda temporada de Lost (ou "Derraparecidos", como dizem na dublagem em espanhol). Porém, no segundo episódio, eu já tinha certeza de que se o Grissom estivesse na ilha, ele já saberia explicar tudo o que acontece ali.

Bem, após essa breve recapitulação dos últimos dias, estou de volta.