30 de dezembro de 2007

Comentando os Comentários

Há muito tempo atrás, recebi um convite da Tatiana, do Imponderavelmente Insustentável, para participar de um meme sobre as coisas que eu não gosto em um blog. E, algumas semanas atrás, eu estava com a resposta pronta, e colocaria aqui apenas o link de um blog que me plagiou, colocando todo o texto do post Aumente as Visitas do seu Blog em 15 Passos sem os devidos créditos. Infelizmente, minutos antes da Hora H do Dia D, o Sentido de Aranha do dono daquele blog disparou e ele acabou dando os devidos créditos ao texto.

Sendo assim, voltei ao antigo dilema. O que eu não gosto num blog? Bom, na verdade eu acho que já respondi isso, nesse post aqui, feito em homenagem ao Dia do Blog. Qualquer outra coisa que eu falasse sobre o assunto, soaria repetitivo demais. Então, peço licença a Tatiana e vou dar uma mexida no meme. Ao invés de dizer novamente o que não gosto em blogs, vou fazer um Top 5 especial com os tipos de comentários que eu mais detesto receber aqui no Champ.

Quem lê esse blog sabe que eu adoro comentários. Pouco me importa o número de visitas do blog, estou muito mais interessado em como cada texto é recebido por quem lê. Prefiro que uma pessoa entre, leia e comente do que descobrir que ontem meu blog recebeu centenas de visitantes, e ninguém comentou. Mas o problema é que tem gente que não sabe comentar. Pessoas que mal passam os olhos pelo texto e colocam um comentário bem pobrezinho, bem meia-boca.

E, antes que me acusem a acabar com a liberdade de expressão dentro do blog, não estou me referindo a gente que posta comentários discordando de mim. Já fui corrigido em comentários mais de uma vez (e prontamente arrumei o texto, quando concordei com a correção). Recentemente, o Denys discordou de um monte de coisa que eu falei, o que rendeu um excelente post que, por sua vez, rendeu um novo comentário dele – um dos mais elegantes que este blog já recebeu. Não, estou me referindo a gente que não sabe comentar.

E antes que me acusem de fresco, duvido que qualquer blog linkado ao lado não sofra com isso também. Quer ver? Quando você entra no Pequeno Inventário, do Max, e decide comentar, encontra um texto que possui este trecho aqui: “Eu já sei que alguns acham o blog legal... Podemos dispensar esta parte.” Arrogância dele? Não. Ele simplesmente prefere que as pessoas LEIAM (caixa alta proposital) o post e não que soltem um comentário genérico. A Prateleira entrou em recesso durante um tempo porque a Isadora não aguentava mais o nível de alguns comentários que ela recebia. E não eram ofensivos, eram medíocres. Claro, ela tinha comentários muito bons por ali, mas, realmente, alguns eram, literalmente, broxantes.

Eu sempre digo que os comentários são a alma de um blog. Mas, enquanto todo mundo escreve sobre melhorar o nível dos blogs – coisa que, em alguns casos, acho difícil de acontecer – o nível dos comentários é deixado de lado, ficando relegados a reclamações de blogueiros em conversas informais. Hora de formalizar isso. A sorte, ou, ao menos, a minha sorte é que eles são minoria aqui no Champ. Sim, porque para cada Max, Arthurius, Larissa, Bruno, Tyler, Mau, Maps, Varotto (se o seu nome não está aqui, é porque citei apenas alguns como exemplos) existe apenas um Hóstia (se o seu nome está aqui, azar o seu).

Enfim, recado dado. Não peço elogios. Elogios se conquistam, não se pedem. Também não faço questão que todo comentário concorde com minha opinião. Peço apenas um pouco de inteligência. Ou seja: comente no meu blog como você gostaria que eu comentasse no seu. Afinal, o seu comentário aqui é, nada mais, que o cartão de visitas do seu blog. Porque, sem exceções, todo blogueiro bom sabe como comentar um texto.


E, pela primeira vez, não vou indicar cinco blogs ao meme – vou deixar a discussão em aberto para qualquer blog que quiser. Sem mais delongas, vamos, então, ao Top 5 Piores Tipos de Comentários no Blog:

1. Os Covardes – São os sujeitos que entram aqui para me xingar, mas postam de forma anônima. O Hóstia foi um cara desses. Não tenho problema nenhum em ser xingado, isso dever acontecer mais de dez vezes por dia. Meu problema é a pessoa xingar e não assinar. E aí você me pensa por que não eu desabilito a opção de comentários anônimos no blog? Bem, eu uso aquilo como arapuca. Afinal, onde mais eu arrumaria algo como o Hóstia?

2. Os Vendedores – Muita gente reclama da verificação de palavras que eu deixo nos comentários. É um saco? É. Mas é um saco maior ainda ficar recebendo spam atrás de spam nos comentários. Eu experimentei tirar uma vez e recebi quatro no mesmo dia, todos eles me oferecendo Viagra mais barato ou apresentando uma dieta revolucionária. Além disso, se começar a chover spams para aumentar o pênis aqui, minha imagem vai ficar seriamente abalada aqui no blog.

3. Os Juízes – São aqueles que entram aqui no Champ, lêem o post e, ao final, batem o martelo na mesa e determinam: “é tudo mentira”. Isso aconteceu muito no Rob Gordon X Tim. Seguinte: se está aqui, é verdade. E não vou alegar que muitas das coisas que podem parecer mentira acontecem comigo quando não estou sozinho (testemunha mode: on). Não, por que eu não vou ficar tentando provar algo aqui e pedindo para as pessoas acreditarem. Se está aqui, é verdade. Como um amigo meu diz: “Nenhuma mente, por mais doentia que ela seja, seria capaz de inventar algo assim. Logo, é verdade”.

4. Os Preguiçosos - “Não li o texto até o final, mas parece ser bem legal”. Então por que comentou? Quer dizer que de todos os começos de texto que você leu na internet, o meu é bom? Pô, que legal, me sinto honrado. Essas pessoas deveriam andar em trios: um lê o começo, o segundo lê o meio, e o último lê o final e cada um comenta sua parte. Pessoal, o texto não é apenas o começo. Sem final, O Sexto Sentido seria apenas mais um filminho de terror e A. I. – Inteligência Artificial seria o melhor filme do Spielberg.

5. Os Linkers – Não sei se essa palavra existe (e se não existe, antes que os Juízes venham me acusar de mentir aqui, o nome disso é neologismo). Mas são aquelas pessoas que entram aqui e comentam qualquer coisa, simplesmente com a desculpa de colocar o link do blog deles. Não estou falando disso sobre comentários de gente passando link de postagens sobre o tema que eu escrevi – eu adoro isso, é uma forma de ver outro ponto de vista. Estou falando de postagens como “seu blog é bem loco, visita o meu aí e comenta http://www.blogdemerda.blogspot.com/”. Ou seja, não leu nada. Aliás, mal olhou meu blog. Apenas sai por aí, de blog em blog, postando o link do blog dele. Ah, mas seu blog está no começo e você precisa divulgar? Ok. Imagine então como você se sentiria se eu fosse até seu blog e comentasse aquele texto que você demorou duas horas para escrever sem nem ler, simplesmente colocando o link do Champ. Entendeu, né?

29 de dezembro de 2007

Top 5 2007 - Séries

Esse foi o Top 5 mais difícil de fazer, mas por um excelente motivo. Enquanto o cinema cai na mesmice de sempre, a vida inteligente explode na televisão, com produções extremamente mais interessantes que as vistas nas telonas. Com isso, muitas séries boas ficaram de fora, como Prison Break, Monk, Deadwood, My Name is Earl e até mesmo Desperate Housewives que, apesar de nunca mais apresentar uma temporada do nível da primeira, continua bem acima da média.


















5 - Jornada nas estrelas – A Nova Geração
Um seriado de 1987 num Top 5 de 2007? Bem, não é culpa minha que a série foi lançada em DVD por aqui apenas agora, dando a oportunidade de rever seus episódios. E é impressionante como – especialmente a partir da terceira temporada – se mantém atual, tanto no conteúdo de seus roteiros como no aspecto visual. Ficção científica de primeira qualidade, baseada totalmente nos roteiros e não em efeitos especiais, com roteiros instigantes, repletos de críticas sociais. Apesar de emocionalmente falando a Série Clássica ser o meu xodó, a tripulação de Picard ainda é a protagonista das melhores histórias de Jornada nas Estrelas. Isso sem falar nos borgs, vilões mais geniais de todo o universo de Jornada.

















4 - The Office

Uma das séries de humor mais subestimadas da atualidade, The Office é lembrada apenas por ser uma versão americana de uma série inglesa cult e por ser estrelada por Steve Carrell. Sim, o talento do comediante é uma das forças motrizes dos episódios, mas The Office é muito mais que isso: com um elenco totalmente afiado e diálogos deliciosamente sarcásticos – que usam muito bem a linguagem de reality show do seriado – seu ponto forte acaba sendo o roteiro, que explora muito bem cada um dos personagens, em especial o deliciosamente ridículo nerd Dwight Schrute.


















3 - Supernatural
Apesar de criado por McG (que tem um toque de Midas ao contrário, normalmente estragando tudo aquilo em que encosta a mão), Supernatural é a salvação das pessoas que sentem falta de uma boa série de terror na TV. Dando muito mais valor a atmosfera sombria que a sustos e efeitos especiais gratuitos, os argumentos, que acompanham as aventuras de dois irmãos que passam os dias caçando criaturas das trevas explora (e atualiza) alguns dos maiores mitos das histórias de terror. E faz isso com classe, ao contrário da maioria das produções atuais do gênero para o cinema.























2 - House

Mantendo o que eu escrevi no Top 5 do ano passado, House permanece com o mérito de apresentar o melhor personagem da televisão atual. E a série só não está em primeiro no ranking porque ainda não terminei de assistir a terceira temporada – ou seja, a falha é minha, e não do seriado. Mas os poucos episódios que já assisti mostram que continua sendo um dos pontos altos da televisão, mesclando humor e drama com uma qualidade invejável. E, de quebra, com o maior trabalho de interpretação que a telinha viu em muitos anos, graças ao desempenho de Hugh Laurie no papel central.
















1 - 24 Horas
O grande trunfo de 24 Horas é não mexer em time que está ganhando. Apesar da febre 24 Horas ter passado, (e, aqui no Brasil, Jack Bauer ter dado lugar ao Capitão Nascimento), o seriado continua cumprindo exatamente a que se propõe, funcionando como o modelo a ser seguido por séries de ação, como as também muito boas The Unit e Prison Break. Mas, ao contrário delas, 24 Horas não apresenta um episódio fraco em momento algum, mantendo uma regularidade impressionante ao longo de sua temporada, aumentando cada vez mais a intensidade das intrigas políticas e da explosividade (e imprevisibilidade) do personagem central.

Top 5 2007 - Livros

Para variar, uma das minha resoluções de ano novo no reveillon foi arrumar mais tempo para ler, em 2007. Obviamente, eu não consegui cumprir isso. A solução foi apelar para livros um pouco mais “leves”, como biografias e humor – mas sem deixar de lado os romances históricos, meu vício. Tentei até mesmo ler todos os Harry Potter, aproveitando o lançamento do último livro, mas acabei parando no quinto livro. Com isso, acabei descobrindo algumas preciosidades e tornando a lista mais eclética em relação ao ano passado. Mas com uma verdadeiro achado em primeiro lugar.




















5 - Crônicas Saxônicas

Os leitores mais atentos (e antigos) devem se lembrar que o primeiro livro da série, O Último Reino, já havia entrado no Top 5 do ano passado mesmo sem eu ter lido uma linha. Bem, este ano eu consegui ler “algumas linhas” e ficou claro que Bernard Cornwell somente não melhora a cada saga porque a Trilogia de Arthur é algo difícil de ser batido. Mas a trama, girando em torno de um rapaz que é seqüestrado de sua terra natal (a Britania) após um ataque dos dinamarqueses, sendo criado pelos invasores é fenomenal, e mostra que o mestre continua em plena forma.





















4 - Kiss – Por Trás da Máscara

Apesar de parecer apenas um lançamento oportunista, resolvi arriscar e comprei. Tive uma grata surpresa ao ver que a primeira parte do livro foi escrita ainda na década de 70, quando os integrantes da banda estavam longe de ser os empresários musicais de hoje. Ou seja, a sinceridade impera nos depoimentos, com Gene Simmons e Paul Stanley confessando que nenhum ia com a cara do outro quando se conheceram, e que a banda resolveu usar maquiagem porque precisavam de um elemento que os mostrasse como uma unidade (seguindo o exemplo dos Beatles). A segunda metade do livro mantém o interesse, especialmente nas análises que Gene e Paul fazem de diversas músicas gravadas pelo grupo noavaiorquino.























3 - Discworld

Pegue o humor de O Guia do Mochileiro das Galáxias e jogue num universo fantástico, no estilo de O Senhor dos Anéis. O resultado é a série Discworld, criada pelo inglês Terry Pratchett, que tem diversos títulos lançados no Brasil. Com as histórias sem apresentarem continuidade direta, na maioria dos casos, cada livro pode ser livro separadamente sendo encarado como um conto ambientado no lugar. As únicas semelhanças entre si são – além do cenário – o bom humor e os personagens, cujos caminhos se cruzam toda hora. Os destaques ficam por conta do mago mentiroso e enrolador Rincewind (o mais perto que o universo Discworld tem de um herói) e o Morte, que cumpre seu auto-explicativo dever com um tédio hilariante.





















2 - Eric Clapton – A Autobiografia

Um dos maiores guitarristas de todos os tempos, Eric Clapton mostra, em sua autobiografia, uma personalidade muito mais complexa que se poderia imaginar. O livro é ambientado no folclórico universo roqueiro dos anos 60 e 70 (com a presença da maioria dos ícones da época), mas o guitarrista esbanja honestidade ao explorar a fundo toda a sua insegurança e a falta de amor próprio que carrega consigo desde a infância. Entretanto, os capítulos ganham ares de barra pesada mesmo quando o guitarrista discorre sobre seus vícios com drogas e álcool. Mas traz um final otimista, com sua recuperação e sua entrega total ao blues, gênero pelo qual foi apaixonado a vida inteira. E, cá entre nós, dado o nível dos músicos que temos hoje, prefiro um livro escrito por Eric Clapton a um solo de um guitarrista da atualidade.




















1 - Até o Último Homem

A I Guerra Mundial sempre foi meio indie nos conflitos históricos. Enquanto a II Guerra Mundial e a Guerra do Vietnã ganham livros e filmes, o conflito que durou de 1914 a 1918 está sempre meio esquecido. Isso é remediado com Até o Último Homem, calhamaço escrito por Jeff Shaara que, em suas mais de 900 páginas, recria (na forma de romance) os últimos meses da guerra. Usando a ótica de diversos personagens, o livro aborda os conflitos na Europa, sejam eles em terra (com táticas e armas diferentes de qualquer outro conflito anterior) ou no ar. Os destaques ficam por conta, claro, dos trechos abordando os aviadores Manfred von Richthofen (sim, o Barão Vermelho) e Raoul Lufbery, mas o forte do livro é a regularidade, mantendo a mesma qualidade também nas passagens que abordam a cadeia de comando, com suas intrigas políticas e táticas militares, como os trechos ambientados na imundície das trincheiras.

Top 5 2007 - Música

Na música, o ano foi morno. Bem morno. Nenhuma das grandes bandas que eu ouço lançaram discos novos. Iron Maiden lançou ano passado, e Metallica, Judas Priest, Alice Cooper planejam lançamentos para 2008. A exceção foi o Megadeth, mas United Abminations, apesar de ser um disco bom, está longe der inesquecível como um Rust in Peace ou Countdown to Extinction, logo, não entra no podium. A salvação foram shows e packs especiais de DVDs, que mantiveram o ano interessante.














5 - Sgt. Hetfield’s Motorbreath Pub Band

Enquanto as bandas de rock indie tentam inovar (paradoxalmente caindo numa mesmice ridícula), os americanos do Beatallica simplesmente resolveram homenagear suas duas bandas preferidas, e, estranhamente, criaram algo sensacional. Jogando Beatles e Metallica no mesmo caldeirão, o resultado é impressionante, mantendo as melodias do quarteto de Liverpool e o peso do quarteto de San Francisco (com vocais que emulam perfeitamente os de James Hetfield). Apesar do tom de brincadeira, soa melhor que muita gente que alega fazer um trabalho sério. Imperdível.























4 - Kissology – Vol. 1 e Vol. 2

Não existe banda mais marketeira que o Kiss. Sem lançar um trabalho novo de estúdio desde meados dos anos 90, a banda investe em produtos de todos os tipos, desde chicletes até lençóis, passando por camisinhas e canecas. Dois deles, porém, merecem destaque: os DVDs da série Kissology. Cada volume é um disco triplo que traz basicamente toda a história da banda desde o princípio dos anos 70, com aparições raras na TV, trechos inéditos de shows e videoclipes. Algumas das imagens, mal conservadas e filmadas porcamente, apenas aumentam o caráter histórico do raro material.























3 - Plug Me In

Seguindo o caminho do Kiss com seu Kissology, o AC/DC, outro monstro do hard rock, resolveu abrir seu baú e colocou no mercado o box triplo Plug Me In, com apresentações ao vivo de todas as fases da banda. Com o primeiro disco abordando a fase Bon Scott e o segundo girando em torno da fase Brian Johnson (o terceiro traz extras), o material traz absolutamente tudo sobre o quinteto australiano (leia-se escocês), desde shows grandiosos até primeiras aparições na TV e nos palcos. Exemplos são um concerto realizado numa escola australiana quando a banda trabalhava suas primeiras músicas e o primeiro show (lotadíssimo) na Rússia. Ainda traz cenas da banda recentemente tocando com os Rolling Stones, que mostra de forma clara que Angus Young toca mais que Keith Richards e Ron Wood juntos.














2 - Show do Aerosmith

Podia ser melhor? Podia, claro. Tanto em termos de banda, que abriu mão de muitos clássicos, como em termos de platéia, que reconhecia apenas as baladas obrigatórias. Além disso, nos palcos, o Velvet Revolver mostrou que sempre funcionará como a sombra do Guns ‘n’ Roses. Mesmo assim, os veteranos do Aerosmith assumiram o caráter de lendas do hard rock e entraram com tudo no palco, quase derrubando o Morumbi – mesmo com Steve Tyler conversando bem pouco com a platéia. Ou seja, mesmo burocráticos, ainda mandam melhor que muita gente. Uma noite que entrou para a história – ao menos, para a minha história, por motivos particulares.














1 - Show do Alice Cooper

Existem astros de rock que não perceberam que envelheceram. E existem astros de rock que sabem que envelheceram mas não dão a mínima para isso. Alice Cooper se encaixa neste grupo, como mostrou no dia 12 de junho, naquele que entra tranquilamente na Top 5 dos maiores shows da minha vida. Destilando clássico atrás de clássico, a Tia Alice mostra no palco a mesma voz e energia de 15 ou 20 anos atrás. E, na hora do medley de Welcome to my Nightmare – que culmina com seu enforcamento no palco – mostra que ainda é o rei do horror rock, e provavelmente sempre será. Fora que esbanja simpatia, bom humor e carisma na medida certa.

Top 5 2007 - Quadrinhos

Assim como aconteceu com o cinema, o ano não foi dos melhores para os quadrinhos. Especialmente no que diz respeito aos super-heróis. Sim, algumas boas sagas foram lançadas este ano, mas invariavelmente elas acabam pecando pela irregularidade devido ao enorme número de revistas e de escritores envolvidos. Restou, então, buscar uma alternativa fora do mundo dos super-heróis. Ou, em alguns casos, fora dos tempos atuais do mundo dos super-heróis, como vocês conferem na lista abaixo.






















5 - Fábulas

Sim, já haviam entrado no Top 5 do ano passado, e continuam neste ano, mesmo tendo mudado de editora no Brasil (agora saem “aos pedaços”, pela Pixel, que poderia muito bem continuar com a estratégia de álbuns encadernados). É um dos melhores trabalhos da atualidade, com personagens muito bem construídos e tramas desenhadas com perfeição, que não poupam críticas e referências a nenhum conto de fadas, seja ele conhecido ou mesmo mais obscuro. E mostra que os personagens das fábulas são mais humanos que imaginamos (ou gostaríamos) e é justamente essa a graça da história.






















4 - O Cavaleiro das Trevas – Ed. Def.

O trabalho que alçou Frank Miller a condição de astro internacional dos quadrinhos e revitalizou o personagem Batman ganhou, este ano, uma edição à altura de sua importância, com capa dura, material extras e a inferior seqüência O Cavaleiro das Trevas 2, também de Miller. Mas o ponto alto do material é a história original, uma minissérie em quatro partes que apresenta um Batman velho e que explora a psique doentia do personagem como ninguém havia feito até então – e como poucos fizeram deste então. Hoje, vinte anos depois de escrita, permanece como uma das melhores histórias de super-heróis de todos os tempos, ganhando importância a cada dia.



















3 - Batman Crônicas / Superman Crônicas

As primeiras histórias dos dois maiores personagens da DC Comics, publicadas originalmente na primeira metade do século 20, ganharam uma edição caprichada e imperdível para os fãs de quadrinhos, com capa dura e belíssimo acabamento. Com isso, é possível ler (com gosto) as primeiras aparições de alguns dos maiores personagens de todos os tempos (além dos dois heróis) como o Coringa, que continua sendo o maior vilão do universo DC. Indispensável em qualquer coleção.






















2 - Biblioteca Histórica Marvel

Assim como Batman Crônicas / Superman Crônicas, os heróis da Marvel (Quarteto Fantástico, X-Men, Os Vingadores e Homem-Aranha) ganharam suas primeiras histórias republicadas no Brasil em álbuns de luxo. E por que não colocar tudo isso junto no Top 5? Porque elas apresentam uma diferença crucial: Stan Lee. Os quatro álbuns da Marvel mostram toda a genialidade do pai da editora, que, num espaço de poucos anos criou um verdadeiro universo, com personagens riquíssimos e histórias com qualidade totalmente regulares – além de revolucionar o mercado com a ousadia e realismo de suas tramas.






















1 - Os Mortos-Vivos

Desde que George Romero lançou A Noite dos Mortos-Vivos, em 1968, o mundo não ganhava uma obra sobre zumbis tão contundente como esta série escrita por Robert Kirkman. Aproveitando o gancho de um ataque de mortos-vivos que dominou a maior parte do planeta, as histórias apresentam a odisséia de um pequeno grupo de sobreviventes, voltando seu foco muito mais para o relacionamento entre pessoas num mundo destruído que aos zumbis em si. Uma verdadeira obra-prima, que eleva os quadrinhos de terror a patamares nunca atingidos antes.

Top 5 2007 - Cinema

Sinceramente? Que aninho meia-boca. Ao menos, enquanto escrevo essas linhas. Mas como faltam dois dias para 2008 acabar, acho difícil a situação mudar. O problema é que o verão foi muito fraco, mesmo com as bilheterias explodindo. Shrek Terceiro foi o mais fraco da série, Piratas do Caribe comprovou que apenas o primeiro era digno de respeito e Homem-Aranha 3... Bem... Homem-Aranha 3... Ah, deixa para lá. O que salvou o Top 5 deste ano foram dois filmes de 2006 – que eu vi apenas no começo de 2007 – e, por incrível que pareça, um filme de 2008. Vamos a eles:



















5 - Eu sou a Lenda

Apesar de estrear comercialmente por aqui apenas em janeiro, eu já assisti (trabalho mode: on). E, num ano fraco como 2007, acabou conquistando seu lugar no podium devido a enorme tensão de seu roteiro que mostra um dos últimos sobreviventes de uma tragédia biológica que transformou boa parte da população em mutantes canibais, lutando para descobrir uma cura para o vírus enquanto não é devorado pela criaturas que caçam pelas ruas de uma Nova York abandonada. É a terceira versão de um excelente conto de Richard Matheson.



















4 - 30 Dias de Noite

Enquanto a qualidade das adaptações dos quadrinhos de super-heróis para o cinema caem vertiginosamente, os estúdios começam a investir em filmes baseados em graphic novels. E, para quem gosta de terror, 30 Dias de Noite é um prato cheio, mostrando os poucos sobreviventes de uma cidade no Alasca tendo que resistir a um ataque de vampiros que se aproveitam do fato de que (como o título explica) uma noite no local dura 30 dias, devido à sua localização geográfica. É tão surpreendente que até o normalmente inexpressivo Josh Harnett está bem. Fora que é sempre um prazer ver uma alternativa aos vampiros melancólicos do estilo de Anne Rice, que dominaram as telas – e a literatura – por muitos anos.



















3 - Cartas de Iwo Jima

Sim, ele é do ano passado, mas eu consegui ver apenas em 2008. E tudo o que eu não gostei no gêmeo A Conquista da Honra foi deixado de lado nesta filme, que conta a história da batalha de Iwo Jima pela ótica japonesa. Como era de se esperar, Ken Watanabe dá um show do começo ao final da produção, que mostra que o ponto de vista dos derrotados pode ser tão ou mais interessante que o dos vitoriosos. Certamente um dos melhores trabalhos de Clint Eastwood (o que não é pouca coisa). Filmaço.





















2 - Pequena Miss Sunshine

Outro da safra de 2007 que eu consegui ver apenas este ano. É, talvez, a melhor comédia feita em Hollywood desde Mera Coincidência. Humana, sensível, irônica e genial em mais de um momento, apóia-se no talento do elenco estelar e na sinceridade de seu roteiro, que acompanha a viagem de uma família altamente disfuncional pela América a bordo de uma Kombi amarela. É, com certeza, a mais italiana de todas as comédias feitas em Hollwyood até hoje.
















1 - 300

Você sabe que o ano foi fraco quando o melhor filme do verão americano não foi exibido no verão, mas no primeiro trimestre. Após refilmar um clássico de George Romero, o diretor Zack Snyder envolveu-se numa cruzada pessoal para levar a graphic novel de Frank Miller para as telas. Apesar de não ser inovador em sua narrativa ou técnica - Sin City já havia feito tudo isso – explodiu nas bilheterias, e, daqui a alguns anos, será lembrado como uma das maiores adaptações de quadrinhos de todos os tempos.

27 de dezembro de 2007

199 + 1

Eu mal reparei. Ele foi chegando de mansinho, de forma quase tímida. Quando percebei, já era tarde. Ele já estava aqui. E, como um cunhado indesejado, se colocou completamente à vontade, deitando sem camisa no sofá e comendo o resto da pizza que eu tinha guardado para matar aquela fome da madrugada. E – pior – tomando o resto da minha garrafa de Coca.

E aí o tempo foi passando e comecei a perceber que ele estava aqui para ficar. Ou, que ao menos, não iria embora tão cedo. Muitas coisas mudaram, alguma boas e outras ruins, e ele continuou aqui. Acertos, erros, coisas certas feitas da forma errada e vice-versa, e ele continuou aqui. Pessoas vieram, pessoas se foram e ele continuou aqui, resistindo a todas estas mudanças e filando meu último cigarro do maço.

Em contrapartida, ele jamais me deixou sozinho. Sim, já brigamos algumas vezes, mas não posso negar que ele está sempre lá quando é necessário. E, às vezes, quando preciso conversar com alguém em silêncio – seja qual for o assunto – é a ele que recorro, pois já aprendi que ele nunca me deixa na mão. Ele é teimoso, exigente, muitas vezes arrogante. Mas ele me desafia, me faz pensar. E, pior, muitas vezes me obriga a pensar sobre mim, o que é mais difícil ainda.

Tudo bem, admito que a maior parte das nossas conversas é feita de besteiras. Mas, cá entre nós, o mundo é um lugar ridículo demais se você não tiver com quem conversar esse tipo de coisa. E, francamente, não é todo mundo que está 24 horas por dia disposto a ouvir sobre a velha estranha que encontrei no supermercado, ou a quase-briga que eu arrumei com um mendigo na rua. E, sinceramente? Todo mundo já percebeu que ele adora uma besteira. É só alguém falar uma bobagem que ele se anima todo, chegando até mesmo a levantar do sofá. Mas só se o assunto valer a pena.

De uns tempos para cá, virou celebridade, mesmo com seu jeito arrogante. Ou justamente por causa do seu jeito arrogante. E isso o tornou ainda pior. Agora, acha que tem razão em tudo, e me trata mal muitas vezes de forma gratuita. Ao contrário dos seus dois irmãos mais novos, que são mais coerentes e emotivos, ele é explosivo, folgado, egoísta e teimoso feito uma porta.

Mas, mesmo levando tudo isso em conta, ele tem seu charme.

E, mesmo se não tivesse, não faria a menor diferença. Ele continuaria aqui, sem se importar com nada. Afinal, quando percebi, ele já estava aqui. Devidamente instalado, sem camisa e não deixando ninguém mais ver TV. E perguntando se sobrou pizza de ontem.

E assim será, por muito tempo.

Parabéns, Championship Vinyl. Feliz 200º post!

26 de dezembro de 2007

Posts e Sagas

Convenhamos, o resultado da eleição para Melhor Post foi meio previsível – apesar de ser tão disputada quanto a enquete para a escolha do Melhor Personagem do blog.

E, curiosamente, tivemos um empate na primeira colocação, com dois dos posts mais famosos daqui. Os textos Aumente as Visitas do seu Blog em 15 Passos (um dos maiores sucessos da história do Champ) e Crente que Está Abafando (que rende discussões até hoje, como visto no post anterior) acabaram empatados em primeiro lugar, com 15% dos votos. O segundo degrau do podium também não trouxe nenhuma surpresa, com o Dia do Orgulho Hétero.

E, completando o Top 5 do ano, outro empate, desta vez entre os textos Mostra o Seu que eu Mostro o Meu e Com a Palavra... O Aniversariante, o primeiro texto escrito pelo blog – que, insatisfeito com a classificação final, mandou um mail ao site que controla as enquetes, pedindo recontagem dos votos.

Agora, é hora da enquete mais difícil: a da melhor saga. Sim, mais difícil, porque foram as sagas que fizeram o sucesso do Champ em 2007. Há 12 meses, a maioria dos leitores era de pessoas que eu conhecia; hoje, o blog é lido com freqüência por muita gente que eu nunca encontrei pessoalmente. Ou seja, este endereço aqui deixou de ser o “meu blog” e passou a ser o Championship Vinyl. E isso se deve, em grande parte, às sagas do blog.

Mas chega de sentimentalismo barato de final de ano e vamos aos votos.

A enquete já está aqui ao lado, com as principais sagas do ano. Algumas os leitores mais assíduos devem lembrar de cabeça como Carolina, Rob Gordon X Tim e Here Comes the Pain. Outras, renderam personagens que se tornaram sucesso, como Don Juan da Claro e O Último dos Moicanos. E duas delas, Diga-me o que Procuras... E eu te Direi Quem És e Coisas da Vida (que nasceu em 2006, mas teve diversos posts em 2007) entram com a força de serem sagas ad infinitum. Ou seja, vai ser equilibrado. E, assim como aconteceu nas últimas duas votação, a opção que eu votar vai perder de longe, claro. Sim, porque nem na minha enquete eu consigo ganhar. Ô fase.

Mas, sem mais delongas, seguem os links dos participantes, para aqueles que desejam conhecê-las ou lembrá-las. E, lembrem-se: votem com consciência.

(Meme)sa Redonda
Diga-me o que Procuras... E eu te Direi Quem és
Carolina
Lord of the Rice
Don Juan da Claro
Suicide is Painless
25 Horas
Coisas da Vida
O Último dos Moicanos
Here Comes the Pain
A Guerra da Vila Mariana
Rob Gordon X Tim

24 de dezembro de 2007

Carta do Leitor

Denys,

Por partes.

Antes de mais nada, obrigado pelos elogios ao blog e por ser leitor assíduo aqui do Champ, expressados no seu comentário sobre o post Crente que Está Abafando. Posto isso, vamos desfazer alguns mal-entendidos. Na verdade, você citou apenas um fato que revela minha "completa ignorância sobre os evangélicos" (ou melhor, minha “COMPLETA ignorância”, em caixa alta mesmo, como você descreveu). E segue meu comentário sobre isso abaixo:

1. O leitor foi batizado de Hóstia simplesmente por ser uma palavra de cunho religioso. Se ele fosse budista, eu o chamaria de Incenso? Provavelmente eu o chamaria de Hóstia do mesmo jeito. Como você verá no item 2, meu problema não é com uma religião em si, mas sim com o fanatismo aplicado a qualquer religião. O nome "Hóstia" não o define como evangélico, crente, ou católico, mas o define como um fanático, como alguém cuja própria identidade é definida pela religião. Infelizmente, todas as crenças possuem pessoas como essas – como você mesmo ressaltou.

Todas as suas outras opiniões, porém, são de cunho opinativo, e não factual. Mas geram discussões interessantes. Vamos a elas (não necessariamente na ordem citada por você):

2. Sou totalmente a favor de qualquer manifestação religiosa, independente do que ela pregue. Porém, sou contra qualquer tipo de fanatismo religioso, independente do que ele pregue. Você sabe discutir o assunto, o Hóstia não. Logo, estou discutindo com você, e não com ele. Volto a dizer: eu respeito toda e qualquer religião, mas não respeito NENHUM fanatismo religioso. E, nesse ponto, eu generalizo mesmo: para mim, todo fanático (como ele) é um idiota em potencial e merece ser tratado como tal.

3. Crente é uma forma "vulgar" de se referir aos evangélicos? Concordo. Justamente por isso, em momento algum, me referi ao evangélicos como "crentes". Todas as vezes nas quais usei esta palavra, a associei diretamente ao Hóstia e não aos evangélicos ou à religião evangélica. Vale dizer mais uma vez que se ele fosse budista, católico, espírita, satanista, eu teria agido do mesmo jeito, porque a minha intenção sempre foi ridicularizar a pessoa, e não a religião. Isso porque o comentário dele no meu blog foi absurdamente infeliz e agressivo – algo que você parece concordar – independente da fé que ele manifeste.

4. A discussão sobre o livre-arbítrio seria longa demais. E, sim, eu concordo com você, Deus não obriga ninguém a segui-lo. Mas também não impede ninguém de se aproveitar erroneamente de Sua palavra para tirar vantagem de alguém, que, em momento de necessidade, vê isso como um alento. E isso, como você disse, vale para qualquer religião. Aliás, conheço mais padres corruptos que pastores corruptos. O que leva você a pensar que eu não falaria sobre isso no blog se um católico me atacasse no blog como o crente Hóstia fez? E, caso você esteja se referindo à piada que eu fiz, na atualização do post, sobre hóstias não serem “vendidas” nas igrejas evangélicas (mais precisamente na Igreja Renascer), saiba que sou radicalmente contra o pagamento de qualquer tipo de dízimo, em qualquer templo, de qualquer religião – seja ele espontâneo ou não.

5. Eu não tenho o menor interesse em barrar o crescimento da fé evangélica no Brasil, ou fingir que ele não acontece em escala cada vez maior no país, desde os anos 80. Se a sua fé o torna uma pessoa mais feliz, realizada e o motiva a fazer sempre o melhor dentro daquilo que você acredita (partindo do princípio que aquilo que você acredita não fere os direitos ou a individualidade de outras pessoas), fico feliz por você. Logo, se eu achasse você "sem cultura e manipulado", não me daria ao trabalho de lhe responder. Se estou respondendo, porém, é porque lhe garanto o direito a expressividade no meu blog. Tanto que criei um post para lhe responder, lhe garantindo o mesmo espaço que ele teve aqui no Champ. A diferença é que você é tratado com respeito, e ele não. E garanto o seu direito à expressividade por causa de sua religião, mas porque você o conquistou ao expressar suas opiniões no meu blog sem desrespeitar as minhas - como espero sinceramente ter retribuído aqui.

Abraços


P.S. – Pensei, sinceramente, em encerrar oficialmente a discussão sobre este assunto no blog com a publicação deste texto, não deixando a opção para receber comentários neste post. Por outro lado, se garanto o seu direito à liberdade de expressão aqui, me vejo na obrigação de garantir este mesmo direito a todos meus outros leitores. Portanto, a opção de comentários estará aberta, como sempre.

22 de dezembro de 2007

Querido Papai Noel

Sim, eu sei que faz tempo que não escrevo para você, mas estou me sentindo particularmente com cinco anos de idade hoje.

Como eu moro sozinho, seria perda de tempo colocar essa carta sob o travesseiro. Na melhor das hipóteses, quando eu acordasse, ela ainda estaria ali. Na pior, a Besta-fera teria destruído o papel durante a noite. Sendo assim, achei que a melhor saída seria publicar esta carta aqui no blog – mesmo se você não entrar aqui (porque é dezembro e você está ocupado), um dos seus duendes pode imprimir e levar até você. Mas, mesmo se você acessar o blog, basta apenas atender meus pedidos, não precisa comentar aqui (mas, se comentar, eu agradeço).

Enfim, antes de mais nada, quero que você saiba que sim, eu me comportei muito bem durante este ano. E olhe que, apesar do que você pode estar pensando, quando você tem 32 anos, é muito mais difícil se comportar do que quando se tem cinco. Com cinco anos eu poderia, no máximo, ter brigado com meu irmão ou sido malcriado com meus pais (não, aquela vez em que eu quase taquei fogo no meu quarto foi um acidente, aquilo não conta). Hoje, com 32... Bem, sem parar para pensar, eu consigo imaginar umas 10 ou 12 coisas piores que essas, e que eu não fiz.

Aliás, você viu que o AC/DC lançou um pack com 3 DVDs? Não, eu sei que não tem nada a ver com o que estamos falando, apenas me lembrei disso agora.

Mas, voltando ao que eu estava falando. Resumindo: eu me comportei. Fui um excelente menino em 2007.

Sim, você pode alegar que eu fui um bom menino porque simplesmente não tive tempo para me comportar mal. OK, eu admito que é verdade. Mas, por outro lado, pense comigo: os fins justificam os meios. Duvido que você pegue a ficha de todas os crianças aí, em dezembro, e cheque não apenas se ela se comportou ou não, mas analise também porque ela teria (ou não) se comportado. Duvido que seus duendes tenham capacidade de fazer isso e fabricar brinquedos ao mesmo tempo e, com todo o respeito, duvido que, com tantos ajudantes, você analise, pessoalmente, ficha por ficha aí em cima

Mas o ponto não é esse. O que interessa você saber é que eu me comportei esse ano. Ponto final. E está mais que bom. Eu não dava mais satisfação sobre esse assunto com cinco anos de idade, não vou dar agora, também. Mas, se você faz questão, tudo bem: almocei com meus pais sempre que possível, paguei todas as minhas contas em dia, fui simpático com as pessoas do meu prédio (com as pessoas da rua não, mas elas não são simpáticas comigo também), cuidei da senhora Gordon e da Besta-fera, não briguei (ao menos de porrada) com meu irmão. E isso só para começar.

Ah, o pack do AC/DC tem, em um DVD, músicas só da fase Bon Scott, e no outro, só músicas da fase Brian Johnson, você viu? E ainda tem um disco só de extras, com mais não sei quantas músicas e um show completo, de 1982. Deve ser o máximo. O senhor gosta de AC/DC, certo, Papai Noel? Ah, desculpe, estava apenas pensando alto.

Mas, enfim, o meu ponto é: ao contrário do que você deve imaginar, é muito mais difícil se comportar quando você tem 32 anos, do que quando você tem cinco. Sim, porque com cinco anos, as possibilidade de você fazer algo errado normalmente se resumem ao pacote de biscoitos sobre a geladeira, à tesoura que está na gaveta ou à caixa de fósforos em cima da pia. Bem, eu tenho tudo isso aqui em casa e não me comporto mal com elas, porque, cá entre nós, não vejo muita graça em ficar acendendo fósforos e jogando pela varanda.

Agora, com 32 anos, as possibilidade de você fazer algo errado são bem maiores. E infinitamente mais divertidas. Ou seja, a tentação é maior. Mesmo assim, tentei andar na linha e, por mais que eu tenha errado vez ou outra, ao longo do ano, foi por acidente, e não caracteriza “me comportar mal”. Pode averiguar, se você quiser. Ah, eu falei mal de algumas pessoas no meu blog? Bom... Pense comigo... Se eu falei mal de UMA pessoa, e DUAS pessoas riram enquanto liam, logo, eu fiz mais bem que mal. Ou seja, isso me torna uma pessoa melhor ainda. Chupa, Noel! Desculpe, não quis dizer isso.

Eu sei que você está bastante ocupado essa época, mas você chegou a entrar no Amazon.com e ver a caixa do AC/DC? É esse link aqui, dá uma olhada. Vem com réplicas de credenciais de todas as turnês e mais um monte de brindes. Mas isso só na versão com três discos. Saiu também uma caixa com apenas dois discos, mas não é a mesma coisa. Além disso, essa eu vi vendendo na Fnac, nem precisaria de você para conseguir isso.

Aliás, duvido que você não tenha errado uma ou outra vez na vida. Aliás, quando eu tinha uns cinco anos, pedi um presente e você me mandou outro. E ainda não teve coragem de vir se explicar, obrigou minha mãe a fazer o seu trabalho sujo. E eu não te julguei por isso. Posso até ter ficado chateado, mas não te julguei por isso. Então, você pode muito bem relevar um ou outro erro meu, certo? Assim, ficamos quites, o que você acha?

Para finalizar, gostaria de desejar um Feliz Natal para você, algo que eu nunca fiz em nenhuma das cartas que escrevi para você. E que o senhor tenha um 2008 repleto de saúde e realizações, junto com o povo aí do Pólo Norte.

Quanto aos presentes, peço apenas duas coisas. Uma delas você já me deu e eu quero aproveitar essa carta e agradecê-lo: Obrigado por fazer eu me sentir com cinco anos de idade em todo mês de dezembro, independente da idade que eu tenha. Sim, eu sei que todo dezembro eu reclamo do trânsito, dos shoppings lotados e dos malditos jantares de final de ano no mesmo restaurante que estou, mas, quando penso em natal, ainda me sinto com cinco anos de idade. Acredito que esse seja o presente mais valioso que você me deu até hoje.

Quanto ao outro presente... Bem, com 32 anos, não me importo muito com isso, qualquer lembrancinha serve. Mas, afinal, você ainda não me respondeu. Você gosta de AC/DC, certo?

Rob Gordon

21 de dezembro de 2007

Elementar, Meu Caro Champ.

Já que, na economia, política ou organização social não conseguimos nos equiparar aos países de primeiro mundo, resolvemos finalmente abrir os olhos e investir naquilo que temos de melhor: o crime. Finalmente tivemos um roubo civilizado, daqueles de cinema mesmo, com o furto de um quadro do Picasso e outro do Portinari, no Masp, em plena Avenida Paulista. Os ladrões entraram e saíram do local em três minutos, e, ao que tudo indica, já sabiam exatamente o que pegar, pois roubaram apenas essas duas telas, que estavam bem distantes uma da outra.

Ponto para eles. E sorte nossa, que demos o primeiro passo para nos livrarmos dos assaltantes que entram no banco, ficam passeando na frente das câmeras de segurança, batem o carro de fuga e são presos duas horas depois, bêbados num boteco qualquer. Aliás, eu queria que o filho da puta que roubou meu celular tivesse cavado um túnel até o meu apartamento (não estou nem aí que moro no oitavo andar, ele que dê um jeito) e furtado o aparelho enquanto eu dormia. Podia até deixar uma assinatura, como uma luva branca (pantera cor-de-rosa mode: on), para dar mais estilo ainda. Mas não, a única coisa em comum entre os dois foi o lugar do crime: a Avenida Paulista. Enquanto os ladrões do Masp esbanjam classe, ele passou de "bicicreta" deu um tapa em mim e pegou o "tefelone celulá". Pé que nasce para chinelo não chega a sapato nunca.

Agora, os veículos de comunicação – especialmente os sites da internet – estão aproveitando o roubo do Masp para colocar no ar as reportagens mais boçais do mundo, mostrando que não somos um país digno de criminosos desse estilo. O Terra chegou ao cúmulo de colocar no ar uma enquete, perguntando se “você acha que os quadros serão vendidos?” As opções, claro, era apenas “sim” e “não”, o que podava muito a criatividade dos leitores. Sinceramente, senti falta de opções mais elaboradas como “Sim, eu já vi as duas telas sendo vendidas no Mercado Livre”, e “Não, eles roubaram para poderem fazer cópias falsas e venderem em feirinhas de artesanato por R$ 5,00”.

Não entrei no Ig, mas tenho certeza de que deve ter uma notícia como “Saiba o que Ivete Sangalo estava fazendo na hora do roubo”, com um link para “veja fotos de famosos visitando o Masp”. Ô fase.

E, enquanto todo mundo discute o roubo e a audácia dos vilões, eu já desvendei o crime. Sim, sim. Tenho uma teoria oficial sobre o cérebro por trás desse plano ousado. Eu, Rob Gordon, formalmente, acuso a senhora Rob Gordon de planejar todo o golpe. Duvidam? Apresento-lhes o Top 5 motivos para encarcerarem esta pessoa aqui, por ter roubado o Masp:

1. O escorregão - Estávamos na Paulista hoje, e sugeri passarmos em frente ao Masp para ver se víamos algo de diferente. Ela responde que “você acha que vai ter uma foto dos dois ladrões, o alemão e o francês que roubaram os quadros, com a palavra "procura-se"?”. Como ela sabe que são duas pessoas? Como ela sabe que os ladrões são um alemão e um francês?

2. A venda - Qualquer pessoa que lê seu Twitter (cheque o blog dela) sabe que ela está de viagem marcada para Buenos Aires, com embarque no dia do Natal. Provavelmente, venderá as telas ali.

3. A Fuga - Ela encerrou o blog. E, num ato de cinismo, ainda deixou registrado (ou como um sinal para o resto da quadrilha?) seu destino, batizando o último post de “adieu”.

4. O Álibi – Ela fez compras na Saraiva.com, hoje, com o meu cartão de crédito. Está evitando gastar dinheiro no nome dela, para não levantar suspeitas.

5. O Plano B – Usando as compras da Saraiva.com como desculpa, ela ainda solta: “Talvez entreguem um pacote na sua casa esses dias. Não abra, por favor, até eu voltar de viagem”

As peças se encaixam? Também acho. Se eu deixar de dar notícias aqui muito tempo, acionem a polícia federal, por favor. E juro (antes mesmo do tal pacote chegar aqui) que eu não tenho nada a ver com isso. Especialmente porque eu jamais roubaria o Masp, estando ali na Paulista, tão perto da Comix.

P.S. – O Championship Vinyl foi indicado como Melhor Blog do Ano no site Judão. Agradeço a lembrança – e tenho 99,99% de certeza de qual redator do site o colocou ali – e, em nome do blog, que está passando as férias na praia e me deixou aqui com as atualizações, que entrem e votem. Não tenho a menor pretensão de ganhar, pois sei que o perfil de leitores do Judão é totalmente diferente dos leitores do Champ, mas, num país regido pela democracia, votos sempre são bons.

20 de dezembro de 2007

Curta Aí

Fui convidado pelo Raphael, que foi convidado pelo Dragus, que foi chamado pelo Arthurius, logo após este ter sido convocado pela Tatiana, que atendeu ao apelo do Carlos (criador de tudo isso, para participar do Projeto Curta Aí - um conto de horror escrito em parceria por blogueiros, de forma simples: cada um pega onde o outro parou e continua a história, indicando outro blogueiro para seguir adiante. Mais informações? Só ver o blog do Carlos.

A idéia é muito boa e, até agora, só blogueiros de primeira foram convocados - sem desmerecer os outros, mas chamar o Arthurius para escrever contos de terror é a mesma coisa que pegar jogar uma bola para o Garrincha e dizer: "vai lá para a ponta direita e mostra o que você sabe". Enfim, depois de alguma demora - os outros autores já estavam me xingando aqui - postei o capítulo robgordiano. Quanto à demora, peço desculpas, já que os últimos dias foram corridos no trabalho e aproveitei meu dois primeiros dias de férias para tocar um outro projeto - depois falo mais disso, ainda é cedo.

Ah, o capítulo, né? Não, não. Ele não está aqui no Championship Vinyl, mas no Championship Chronicles, nossa filial literária. Basta clicar aqui.

Espero não ter feito muito feio frente aos outros blogueiros. Leia e divirta-se. Menos você, Max. Você não tem que se divertir coisa nenhuma, pois, no seu caso, isso aqui é trabalho. Ou seja, se você quiser saber a continuação da história, saiba que em breve ela estará no excelente Pequeno Inventário de Impropriedades. Max, make me proud!

15 de dezembro de 2007

Ice Cube

Você sabe que o final do ano está chegando quando as sacadas dos prédios começam a ser decoradas com milhões de luzinhas de todas as cores e (ao menos em São Paulo), o trânsito começa a ficar caótico – nas ruas e nos shoppings. Espírito de natal? Época de paz e Harmonia? Nada. Você sabe que o final do ano está chegando quando todos os cantores e bandas de rock começam a lançar coletâneas especiais e definitivas (ainda não vi o best of definitivo deste ano do Aerosmith, mas tenho certeza de que ele deve estar para chegar às lojas. O dos Rolling Stones já chegou).

E, claro, você sabe que o final do ano está chegando quando começam os insuportáveis amigos secretos em restaurantes da cidade (que já foram assunto aqui no blog). E, pior, quando eles começam a acontecer no meu restaurante (leia-se: Bovinus, da Rebouças). Sim, é o meu restaurante, já que vou lá pelo menos duas vezes por semana. Todos os maitres e garçons sabem quem sou eu, qual mesa eu gosto, o que bebo, e como gosto da minha carne.

Ontem foi assim. Fui jantar com três amigos, e, ao entrar na churrascaria, vi que quase todas as mesas estavam arrumadas como num refeitório de uma prisão, com mais ou menos 30 lugares cada. Olhei para um dos maitres e perguntei:

– Hoje é uma daquelas noites?

– É, ele respondeu, com olhar desanimado.

Dito e feito. Menos de uma hora depois, todas as mesas estavam ocupadas por pessoas que provavelmente mal se toleram durante o ano todo no escritório, mas que decidiram beber e trocar presentes como se fossem amigos de infância. Até aí, tudo bem. Eles estão pagando, e têm todo o direito de ficarem trocando presentes ali dentro e tirando fotos com o chefe.

O que eles não têm direito é ficar gritando como um bando de idiotas a cada presente aberto, a cada foto batida e a cada copo derrubado, impedindo o resto das pessoas no restaurante de comer em paz. E, ontem, todas as cerca de 20 pessoas de uma mesa, aparentemente, tinham apenas um objetivo: o de mostrar para todos o quanto estavam felizes, nem que para isso tivessem que impedir as outras pessoas do local de conversar.

Um presente? Gritos. Uma piada? Gritos. Uma bêbada que quis tirar foto com três caras? Gritos? Um garçom que trouxe a cerveja errada? Gritos. E eu ali, no meio daquela batalha sonora campal, tentando conseguir a atenção de um dos garçons, porque eu queria apenas um pedaço de fraldinha e tendo que gritar com as pessoas na minha mesa, porque ninguém ouvia nada do que era dito.

Implicante? Não, não sou. Quer dizer, sou sim. Mas não nesse caso, porque as outras mesas cheias de pessoas de outras empresas fazendo amigo secreto não incomodavam ninguém. E também havia troca de presentes, fotos, risadas. Ou seja, é possível você comemorar o final de ano com as pessoas que trabalham com você sem incomodar alguém que não tem nada a ver com isso.

Aos poucos, a coisa começou a ficar pessoal, especialmente quando um dos animais da mesa começou a bater com o talher num prato, ininterruptamente, por quase 10 minutos. A cada batida, eu sentia meu fígado se contraindo de ódio. Cada molécula do meu corpo clamava por vingança. Pensei em ir até lá e pedir para ele parar de bater aquela colher no prato, mas ele não iria me atender. Aliás, ele não iria nem me ouvir. Pensei em ir ate lá e dizer que “ou pára com isso, ou quebro o prato na sua cabeça e enfio essa colher num orifício específico e, teoricamente, bastante íntimo do seu corpo”, mas desisti. Eles estavam em 30, e nós em quatro. Chamei um dos garçons e perguntei se ele poderia fazer nada. Ele me respondeu que já havia feito, e o cara não havia parado.

Não havia saída. Argumentar não resolveria. Brigar não ajudaria.

Foi aí que eu decidi ter 16 anos de novo. É para ser imaturo e bancar o babaca? OK, vamos todos ser babacas. E comecei a bolar meu plano de ataque. Meu objetivo não era mais fazer com que eles parassem de gritar. Meu objetivo agora era o de estragar a noite de pelo menos um deles, como estragaram a minha.

Comecei a estudar o ambiente. Todos sentados na mesa, e, em uma das cabeceiras, uma cadeira com sacolas de presentes. Totalmente desprotegida. Não deixaram um sentinela tomando conta daquilo. E, no meio delas, uma sacola de papel, daqueles usadas por lojas de roupas.

Idéia.

Virei para um dos meus amigos e disse, apontando para o copo dele:

– Me arruma um gelo.

– Quê?

– Me arruma um gelo. O maior deles.

Ele não entendeu nada, mas pegou o gelo e colocou na mesa. Eu peguei o cubo na mão e levantei, indo na direção do banheiro. Parei na porta do banheiro e comecei a observar as pessoas na mesa, com o gelo na boca. Preciso de apenas uma brecha. Alguns segundos, apenas isso. De repente, um dos animais, na outra ponta, levantou e começou a falar alguma coisa. Todos olharam para ele. Perfeito.

Saí andando, apressado, com o enorme gelo na boca e, ao passar pela cadeira com as sacolas, vi uma peça de roupa feita de algo parecido com seda. Rapidamente tirei o gelo da boca, todo babado mesmo, e o deixei cair dentro da sacola, bem no meio do casaco. Rob Gordon, cesta! Um dos maitres viu. Mas fiquei tranqüilo quando ele foi para o caixa começar a rir.

Voltei à minha mesa e deixei o gelo ali, com a natureza fazendo seu trabalho. Missão cumprida. Mais tranqüilo e mais relaxado, pensei em pedir sobremesa. Eis que um deles, no meio da mesa, levanta para fazer um outro discurso e empurra a cadeira para trás. Todos olharam para ele, que, em pé ali, impedia os colegas de olharem para seu assento. Uma descarga elétrica passou pelo meu corpo. O cheiro de oportunidade no ar. Comecei a avaliar o perigo da situação: uma sacola de presentes não reage, mas uma pessoa sim. E eles estão em maior número e são maiores do que eu – todo mundo no planeta é maior que eu. Não, é arriscado demais. Pode dar merda.

Quer saber? Foda-se, só se vive uma vez.

– Me dá mais um gelo.

– Outro? O que você vai fazer agora?

– Dá essa merda aqui, eu disse, enfiando a mão no copo dele e pegando o maior cubo que tinha ali.

Levantei e fui em direção ao buffet de sobremesas, tomando o cuidado de passar discretamente por trás do sujeito. Quando me aproximei dele, sem diminuir a velocidade, larguei discretamente o gelo entre ele e a cadeira, com receio de usar muita força, o que faria o gelo cair no chão – o que tornaria tudo em vão – ou bater na perna dele – o que causaria briga. Olhei discretamente para trás e vi o gelo no meio do assento da cadeira. Rob Gordon, de três! Dei a volta na churrascaria e voltei para a minha mesa.

Olhei na direção dele. O cara ainda estava de pé, com a cadeira atrás dele, e o cubo de gelo ali, no meio do assento, esperando para molhar aquela bunda gorda. E ele falando, em pé, todos rindo, e eu ali, com o cigarro na boca, vendo o gelo derreter. E esperando pacientemente. Senta logo, cara. E ele ali falando. Todos na minha mesa em silêncio, observando o sujeito, que fazia um pronunciamento da duração dos discursos do Fidel Castro e não sentava nunca.

De repente, todos começaram a aplaudir. E ele sorriu. É agora. Ele vai sentar. Ele tem que sentar. Não é vingança, é justiça. Ah, está bem é vingança mesmo.

Eis que a pentelha da namorada dele olha para a cadeira e vê o gelo. Sem entender direito como aquele gelo chegou ali, ela simplesmente pega o cubo e joga no chão. E destrói minha obra-prima da noite. E ele sentou em seguida, sem nem desconfiar que, por pouco, não passou o resto da noite com bunda molhada. Gritando, cantando, incomodando os outros, mas com a bunda molhada.

Fiquei tão brochado que pedi a conta logo em seguida. Ao sair da churrascaria, fui dominado por um sentimento de remorso, pensando que, talvez, a dona do presente da sacola de papel não tinha nada a ver com aquilo. Comecei a considerar a hipótese de, um dia, crescer, e parar de fazer essas coisas com as pessoas. Afinal, estou com 32 anos, é hora de me comportar como um adulto.

Senti o celular vibrando no bolso. Olhei e vi que era uma mensagem da Sra. Gordon, que está viajando, reclamando que não havia recebido nenhuma mensagem minha ao longo do dia – sendo que eu mandei duas. Olhei o celular e vi que a mensagem havia sido enviada há mais de uma hora, mas eu não ouvi o celular tocando por causa do barulho que os energúmenos faziam na churrascaria. Obviamente, ela vai achar que ou fui atropelado e morri, ou esqueci dela.

Fiquei puto, mas confesso que, com isso, aprendi uma lição.

Jogar gelo nos outros não adianta nada. E não resolve nada. na próxima vez, vou escolher a sacola mais cara e jogar uma polenta cheia de queijo ralado ou um pedaço de cupim.

Antes disso acontecer, deixo vocês com o Top 5 frases que eu mais disse ontem, na mesa:
1. Por que as pessoas não morrem logo e me deixam em paz no planeta?
2. O mundo precisa de outra peste negra. Tem gente demais aqui.
3. Me dá um gelo!
4. Senta logo, cara, senta logo!
5. Será que eles realmente acham que estão agradando e sendo engraçados?

13 de dezembro de 2007

Abocanhando Votos

E não é que deu Besta-fera na cabeça? Com quase 20% dos cerca de 200 votos na enquete para a escolha melhor personagem do Championship Vinyl, o pequeno destruidor de tênis, mobília, revistas e qualquer outra coisa que eu possua destruiu também os outros concorrentes, literalmente abocanhando o primeiro lugar na preferência dos leitores. Como um agradecimento especial aos (muitos) leitores que votaram nele, segue, então, uma foto do campeão do blog, com a sua tradicional expressão de “oi?”.


Acredite se quiser, esse é o personagem
preferido dos leitores do blog.

Em segundo e terceiro lugar, vieram, respectivamente, Adriano, o torpedeiro sedutor e o Hóstia, o evangélico que uma vez me condenou ao fogo do inferno, mas depois nunca mais deu as caras por aqui. E, já fora do podium, mas ainda completando o panteão do blog (sim, por aqui no Champ tudo é feito na base 5) seguem Jonas, o fantasma que divide apartamento comigo e com a Besta-fera e uma surpresa: Johnny, o punk que apanhou mais que bife de pensão dentro de Pão de Açúcar. Surpresa porque ele não é um personagem recorrente e seu post foi publicado meses atrás. Realmente, punk is not dead. Ao menos, aqui no blog.

O divertido é que o blog – que, no auge sua arrogância, provavelmente achou que ganharia com cerca de 120% dos votos – não entrou no Top 5 por apenas um voto. Chupa Champ! E um aviso ao nosso mais novo personagem, o Noinha (copyright para a Maps): você não entrou na competição porque surgiu depois da criação da enquete. Qualquer outro motivo que você pensar para isso ter acontecido é paranóia sua.

Porém, o sucesso da enquete (ela teve quase 200 votos, quando eu não esperava nem meia dúzia) e a proximidade do final do ano me deram a idéia de fazer com que vocês, leitores, escolham os melhores posts do ano aqui no Champ. Isso porque 2007 foi a primeira vez que o blog esteve na ativa durante um ano inteiro, já que ele nasceu em 31 de julho de 2006. Então selecionei os 10 posts mais comentados no ano e deixo vocês à vontade para escolherem o melhor. Ah, mas e a briga do punk no Pão de Açúcar? E o seu entrevero com a Tim? Calma. Ainda esse ano, teremos também a eleição da melhor saga aqui no Champ.

E, se você é marinheiro de primeira viagem, ou quer apenas reler os posts antes de escolher seus preferidos (afinal, é dever de todo cidadão votar com consciência), coloco aqui os links de cada um dos concorrentes. Com vocês, a nata de 2007 no Champ Vinyl, apontada por vocês, leitores:

Dia do Orgulho Hétero
Sensações (de que algo está errado)
Aumente as Visitas do seu Blog em 15 Passos
Último Post
Crente que está Abafando
Com a Palavra... O Aniversariante!
Islé-Xê! Aérosmi-Tê!
Championship Reloaded
Mostra o Seu que Eu Mostro o Meu
(32) Anos Incríveis

Como podem ver, há posts para todos os gostos, desde os já consagrados Dia do Orgulho Hétero e Aumente as Visitas do seu Blog em 15 Passos, até os posts-brincadeira, como Com a Palavra... O Aniversariante e Último Post, passando pelo discreto e pessoal (32) Anos Incríveis. Cabe a vocês escolherem agora, o melhor de 2007.

Ah, sim. E antes de encerrar, gostaria de agradecer aos blogueiros Deisinha Rocha, Gilgomex e Amelie Bonfant por mais três indicações ao prêmio "Eu Tenho um Blog de Elite", idealizado pelo site PutsGrilo!com. Com essas, agora, o Champ já possui sete indicações. E, fazendo a bola rolar, indico os blogs O Elemento Fogo, Blá-Bláismo, Blog do Tyler, Receituário Pop e O Antagonista. Divirtam-se, meninos e meninas.

9 de dezembro de 2007

Jimmy Page ataca Publicamente Champ Vinyl

O lendário guitarrista inglês Jimmy Page, um dos cérebros por trás da banda de hard rock Led Zeppelin, parece ter declarado guerra ao blog Championship Vinyl. Fontes próximas ao músico indicam que Page teria ficado totalmente insatisfeito com o fato de que o Champ Vinyl havia participado de duas homenagens que envolviam seleções musicais (na Delas Web Radio, no qual foi eleito o blog do mês e terá o programa em sua homenagem reprisado nesta quinta-feira, dia 13; e no blog Blá-bláismo), e o blogueiro Rob Gordon havia simplesmente ignorado o Led Zeppelin na hora de escolher as canções para serem executas em ambos o programas.

"Esse babaca tem todos os nossos discos e, numa hora dessas, renega o Led Zeppelin, que é uma banda muito maior que aquele blog de merda", teria confidenciado Page aos amigos. Também teria incomodado extremamente Page o fato de que o Championship Vinyl não teria escrito uma linha sequer sobre a apresentação da banda que será realizada agora no final de ano. Ao pesquisar a ausência do Led Zeppelin no blog, Page teria soltado um "Babaca!", antes de cuspir no monitor do seu notebook.

O guitarrista, porém, parece não ter deixado barato e criou um site para atacar o blog brasileiro, que pode ser conferido aqui. Apesar de não expor seus argumentos ou os motivos da discórdia, o guitarrista inglês fez questão de que o site expressasse toda a sua ira de forma convincente.

Perguntado sobre o assunto, o blogueiro Rob Gordon disse que não iria comentar a questão, mas o blog Championship Vinyl parece não estar satisfeito com o acontecido. Usando uma camiseta com a inscrição "Os anos 70 foram do Sabbath", o blog colocou mais lenha na fogueira ao declarar que "essa bandinha acabou em 1980 e eu ainda estou aqui. Em menos de dois anos, já tenho quase 200 posts, enquanto eles lançaram apenas 8 álbuns de estúdio".

Champ Vinyl, porém, parece encontrar uma maneira de encerrar o problema: "Eles não vão tocar no final do ano? Então, que entrem naquele avião e venham tocar no Brasil. Aí, terão a minha atenção. Desde que o show seja bom, claro", declarou o blog, antes de ser retirado (gritando aos jornalistas presentes: "Iron Maiden em São Paulo em março! Vejo todos vocês lá!") da sala de imprensa por Rob Gordon, que, como de costume, aparentava estar constrangido com as declarações do blog.

Updated: com o Top 5 motivos para a publicação desse post (assim não me acusam de sofrer de falta de modéstia – justamente porque, mesmo com uma brincadeira dessas, acredito que qualquer pessoa deveria sentir modéstia quando se fala de Led Zeppelin):

1. O site que proporciona o ataque ledzeppeliniano a outros sites é genial; mas, em consideração a meus leitores e ao que eles esperam de mim, eu jamais colocaria o link dizendo "entre aí, é bem legal". Isso não é falta de modéstia, é ter leitores exigentes.

2. Eu precisava dizer para alguém que vou ver o Iron Maiden pela terceira vez. Isso não é falta de modéstia, é felicidade.

3. Eu precisava dizer para alguém que gostaria muito que o Led Zeppelin tocasse no Brasil. Isso não é falta de modéstia, é frustração.

4. Eu precisava comunicar que meu blog foi eleito o Blog do mês pelas meninas da Delas Web Radio. Isso não é falta de modéstia, é um fato.

5. Eu precisava colocar Led Zeppelin "para fora", porque passei a semana inteira ouvindo Kashmir e estou com eles na cabeça. Isso não é falta de modéstia, é bom gosto.

5 de dezembro de 2007

Coisas da Vida V

Uma das séries que eu considero mais interessantes aqui no Champ é a Coisas da Vida. Isso porque é público e conhecido e divulgado que a humanidade não deu certo e essa série mostra isso, explorando os loucos que agem como free-lancers, andando pela rua e escolhendo suas vítimas (invariavelmente, eu), a esmo, na rua.

São espécies de ronins, ou seja, não obedecem a nenhum mestre (ao contrário dos atendentes de telemarketing, por exemplo) e vagam pelas ruas dando provas que a idiotice humana é capaz de ultrapassar qualquer limite. Para quem se interessar em ler os outros posts da série, basta checar, aqui, o post original, a parte II, a parte III (que nasceu bastarda, coitadinha, caindo dentro da série (Meme)sa Redonda) e a recente parte IV.

Essa aconteceu uns dias atrás, quando peguei um táxi. Já comecei a desconfiar da sanidade do taxista quando eu perguntei – antes de entrar no carro, com um cigarro na mão – se eu poderia fumar. Ele disse que sim. Assim que entrei no carro, ele virou para mim e disse:

– Posso pedir uma coisa?

– Claro.

– Posso pedir para você não fumar?

Fiquei olhando para ele sem saber o que dizer. Ele era uma versão mais baixa e sem barba do House, o que tornava tudo mais assustador ainda. A única coisa que eu consegui responder foi:

– Mas... Eu perguntei antes de entrar no carro se...

– Sim, mas eu tenho umas coisas aqui que não podem fumar.

– Como assim?

– É, umas coisas aqui.

– Mas sou eu que vou fumar, não elas.

– Tenho que pedir para você não fumar.

– Ah, ok, eu disse, e joguei o cigarro fora.

Começamos mal. Ou, pensando no blog, começamos bem. Disse a ele aonde eu ia e ele deu partida. No caminho, começou a conversar comigo, soltando absurdos sobre o como o trânsito da cidade está muito melhor do que era algumas décadas atrás (isso porque no mesmo dia eu havia demorado mais de uma hora para fazer um percurso de 15 minutos). Enquanto ele ia soltando esses disparates, eu comecei a procurar uma câmera escondida no carro, porque tive certeza de que estava numa pegadinha.

Como não achei nada, decidi prestar mais atenção no que o taxista dizia, tentando compreender como funcionaria a mente de uma pessoa como ele. Desisti quando a conversa caiu no assunto cinema e ele me solta:

– O problema são aqueles filmes que fazem as pessoas se matar.

– Oi?

– É. Os filmes que as pessoas se matam.

– Você está falando dos personagens do filme?

– Não, estou falando de quem assiste. Tem uns filmes que despertam algo no inconsciente das pessoas e elas se matam, depois.

– Se matam?

– Às vezes se matam. Às vezes, se enforcam.

– Mas não é a mesma coisa?

Ele me ignorou. Na verdade, ele mal olhava para mim enquanto discorria sobre os filmes homicidas. Comecei a ficar com medo. Ele continuou:

– O cara vai, aluga o filme e assiste. Acaba o filme, ele está tão perturbado que se mata.

– Ou se enforca.

– Isso. Tem filme aí que já destruiu famílias inteiras. O cara assiste e se mata. Aí, o filme fica lá. Dois dias depois outra pessoa da casa assiste e se mata. E assim vai. Morre a família inteira.

– É complicado, né?, foi a única coisa que eu consegui dizer. Pensei em dizer que isso estava parecendo mais com peste negra do que com um DVD, mas achei melhor ficar quieto. Aliás, eu nem teria oportunidade de falar, porque ele me ignorou novamente e continuou.

– Às vezes, morre a família inteira e, depois, começam a morrer as pessoas de uma casa próxima, ali, da região.

Ou seja, é peste negra mesmo, pensei. Ou isso, ou ele assistiu a O Chamado e achou que era um documentário. Mas continuei a dar corda, claro.

– Mas todo mundo morre porque assistiu ao filme?

– É. Antes de morrer, as pessoas da primeira casa deixaram o filme para outra família.

– Mas que filme é esse?

– Eu não sei, mas sei que tem. E é mais de um filme. Tinha que ir à locadora e perguntar quais filmes não foram devolvidos. São esses aí. São os filmes que fazem as pessoas se matar.

– Mas será que às vezes os filmes não foram devolvidos porque foram roubados?

– Não, as pessoas se mataram. Você não faz idéia das coisas que eles colocam nesses filmes.

– É... Acho que não faço.

– É a família inteira que se mata. É uma pena. Isso destrói a vida de muita gente.

– Mas onde você viu isso?

– Ah, tem muita gente que comenta isso por aí. Olhe, chegamos onde você queria.

– Não, mas onde você ouviu falar disso? Que filmes são esses?

– Eu ouvi dizer. Mas não sei quais filmes são. Mas que tem, tem. Sua corrida deu R$ 17,00.

Como ele não me deixou muita alternativa, paguei e saí do carro. Ele foi embora e eu fiquei na calçada, olhando o carro partir, praticamente em choque. Fazia anos que eu não via tanta insanidade condensada em apenas uma pessoa. Como disse um amigo meu, logo após ouvir essa história: “essas coisas só acontecem com você”.

Independente disso, deixo vocês com o Top 5 Filmes que devem fazer as pessoas se matarem (O Chamado não entra, é óbvio demais):

1. Todo Mundo em Pânico – isso inclui qualquer filme da série. E não precisa nem esperar o filme acabar, de tão ruim que é aquilo. Aliás, já dá para pensar em suicídio só vendo o trailer.

2. O Poderoso Chefão – Parte III – em qualquer cena na qual a Coppolinha aparece (e macula a trilogia).

3. Star Wars: Episódio I – Assista ao filme com uma pistola apontada para a cabeça, esperando o Jar Jar Binks entrar em cena.

4. Pokémon – Qualquer um dos 319 filmes. Já foram acusados de causar epilepsia mesmo, logo, provocar um suicídio seria uma evolução natural.

5. O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford – Esse não causa suicídio, mas morte natural. O filme é tão entediante que seu cérebro, aos poucos, vai desligando como auto-defesa.

3 de dezembro de 2007

Lost

Antes de mais nada, gostaria de agradecer à mais três indicações ao prêmio Eu Tenho um Blog de Elite recebidas pelo Champ, pelos blogueiros Max Reinert (aliás, esta quinta-feira é a vez dele ser abordado no programa Blog Tracks da Delas Web Radio - não percam), Analu e Arthurius Maximus - agora já são quatro indicações ao prêmio. Uma indicação vinda destes blogs vale mais que o prêmio em si, sem querer desmerecer a iniciativa do prêmio do pessoal do Putzgrilo!com.

Agora, minha vez de indicar outros cinco blogs: e vamos de Acepipes Escritos, Diego Moretto, CineFuteBlog, Coluna do Lorida e A Prateleira. Os motivos, como sempre, servem para todos: são divertidos, inteligentes e com uma criatividade de fazer inveja, seja nos posts, seja na forma que aproveita o formato blog.

Posto isso, um agradecimento especial ao Wagner, do Blá-Bláismo, que publicou um texto sobre o Champ (que você lê aqui), com direito a elogios rasgados e a trilha sonora (um dos Top 5 mais difíceis da minha vida).

E, conforme prometido dois posts atrás, hora de responder o meme do Arthurius - um dos mais difíceis (e divertidos) que recebi. Eu deveria ter postado a resposta, já, mas as tenebrosas imagens filmadas da Besta-fera que chegaram ao meu conhecimento eram mais urgentes. Até quando uma criatura sórdida e sanguinária como essa ficará impune? Aliás, o pequeno ser homicida está liderando a pesquisa sobre o melhor personagem do blog, seguida pelo Hóstia e pelo Adriano (vai deixar barato, Jamil?)

Enfim, seguem as intruções e as respostas do meme, que já deixo indicado para os mesmos cinco blogs acima que receberam a indicação ao prêmio (Arthurius, durante os próximos 10 minutos faço questão de achar todos os seus blogs uma merda, porque você roubou a minha idéia de usar uma imagem do John Castaway para abrir esse post. Maldito!)

Enfim, segue o meme:

Você vai passar exatamente um ano em uma ilha deserta, onde existe uma certa infra-estrutura, mas ela é limitada. Além de você não haverá mais ninguém na ilha, mas você terá acesso a alguns privilégios limitados. Com isso em mente, seguem as perguntas:

1. Na ilha você terá água à vontade e frutas nativas. Se souber pescar, com sorte vai poder comer um peixe de vez em quando. Fora isso, você terá que escolher apenas um tipo de comida salgada e um tipo de comida doce para comer todos os dias, o ano inteiro (podem ser cruas ou cozidas). Quais você escolhe?
Já me fodi de cara, porque não gosto de peixe. Enfim... Comida salgada, nem tem muito o que pensar: picanha. Mal passada e sem gordura. Quanto à comida doce, fico com mousse de chocolate, porque dificilmente deixariam eu levar mais picanha (mal passada e sem gordura) como comida doce. Se bem que atualmente aquele sorvete Diamante Negro da Kibon é um excelente candidato, também.

2. Além da água (e, também com sorte, água de côco se você estiver disposto(a) a subir no coqueiro) não há nenhuma outra bebida na ilha, mas você pode também escolher um único tipo de bebida, fria ou quente, alcoólica ou não, para ter à sua disposição ao longo do ano. Qual você escolhe?
Existem outras bebidas no mundo além de Coca-Cola? Juro que não sabia.

3. Para manter a tradição, você pode também levar um único livro. Que livro você leva?
O Senhor dos Anéis. Mas a versão com os três livros encardenados. Ou seja, teoricamente é um livro, mas são três. Achei uma brecha na lei! Chupa, meme!

4. Igualmente, você poderá levar um único filme para assistir. Que filme você leva?
O Poderoso Chefão. Mas eu só tenho o pack, logo tenho que levar a trilogia toda. Outra brecha na lei! Chupa meme de novo! Ah, e já aviso aqui que o pack tem também o disco de extras (que, por sinal, é melhor que toda a filmografia do Ben Affleck).

5. Você terá um notebook à sua disposição, mas com um único programa instalado. Mas você não pode usar um programa de comunicação (como email ou mensagens instantâneas). Qual programa teria mais utilidade para você e por que?
O Word. Imagine os posts que essa ilha não iria render?

6. Você poderá acessar a internet, mas este acesso é limitado a um único site, o ano todo. (Se você escolher o Google, por exemplo, não poderá navegar para os links dos resultados da sua busca, que estão fora do Google). Também não pode ser seu webmail, Meebo e afins ou sites de notícias (o que elimina os portais). Fora isso, não há restrição nenhuma ao tipo de site, inclusive os que permitem comunicação de outros tipos. A qual site você quer ter acesso por um ano e por que?
O blogger. Afinal, se eu estou escrevendo, estou conversando com meus leitores e isso me basta (gostaram?). E, como os comentários ficam dentro do blogger, posso checá-los tranquilamente sem quebrar as regras.

7. Você também poderá ouvir música. Mas, claro, você terá que ouvir a mesma música o ano todo, pois só pode escolher uma. Qual você leva? E se fosse um CD?
A música, fico com a 9a Sinfonia de Beethoven. Um CD? Powerslave, do Iron Maiden. Afinal, tanto um como outro foram feitos para serem ouvidos no máximo, e, como a ilha é deserta, ninguém me encheria o saco com o volume.

8. Você poderá escolher um dia do ano para fazer uma única ligação para uma única pessoa, com quem poderá falar por 10 minutos. Para quem você vai ligar, quando e por que?
Quer apostar que se eu ligasse para a sra. Gordon, ela diria, sussurrando: "estou em aula", e desligaria na minha cara? Mas, caso eu enjoasse de carne (o que é difícil) e decide começar a comer peixe, para variar (o que é praticamente impossível), eu teria que gastar a ligação com a minha mãe, dizendo: "você tem 10 minutos para me explicar como limpo e preparo essa merda!"

9. Você poderá escolher um programa de TV para assistir ao longo deste ano na ilha - limitado à freqüência de uma vez por semana. Você só não poderá assistir nenhum tipo de noticiário, fora isso não há restrições. Que programa você quer assistir?
Faço questão de assistir a 10 minutos do Fantástico. Depois disso, eu passaria outros sete dias adorando o fato de que só vou poder assistir televisão uma semana depois.

10. Quando for seu aniversário, você terá direito a receber uma carta de um(a) amigo(a) ou familiar que tenha uma novidade para contar (sobre si próprio ou não). De quem você gostaria de receber a carta e com qual notícia?
Não importa. Do jeito que a minha vida é, a única carta que eu receberia seria de uma merda de um atendente de telemarketing tentando me vender um cartão de crédito.

11. Como não queremos que você transforme uma bola de vôlei no seu melhor amigo imaginário e a única pessoa na ilha será você, você terá direito a levar um animal de estimação para lhe fazer companhia (veja como estou facilitando sua vida!). Que tipo de animal você escolhe e por que? É um animal que você já tenha? Um Rob Gordon sem sua Besta-fera jamais será um Rob Gordon completo.

12. Do que você acha que sentirá mais falta? (Contato com as pessoas? Tecnologia? Não saber o que está acontecendo no mundo? Etc…)
Essa é difícil. Muito. Sentiria falta de algumas pessoas, com certeza - elas sabem quem são, então, não preciso fazer um Top 5 desses aqui. Fora isso, qualquer CD / DVD / livro que for lançado, posso comprar quando retornar (mas já aviso que só posso ir para essa ilha depois do show do Iron Maiden, em março).

Quanto à tecnologia... Bem, acho que não é grande sacrífico passar um ano sem receber toneladas de spams discorrendo sobre o tamanho do meu órgão sexual, sem as manchetes do Ig mostrando (com exclusividade) uma foto da Ivete Sangalo comprando um chinelo ou sem abrir os scraps do Orkut me convidando para balada imperdível ao som do DJ Whatever.

13. Por outro lado, o que você acha que será positivo, proveitoso ou benéfico na experiência? Ou divertido?
O que será divertido? Bem, pense num post (dividido em três partes) narrando a minha luta para subir naquele coqueiro imbecil – com direito a um Top 5 com as melhores maneiras de abrir a porra do coco sem arrebentar a mão.

14. Por fim, você tem direito a levar 3 outros itens à sua escolha que:
a) não entrem em contradição com nenhuma das perguntas anteriores
b) não seja algo que você vá usar para sair da ilha, como um barco, por exemplo.
O que você vai levar e por que?
Cigarros - mas um suprimento que desse para o ano inteiro (a ilha é grande, né?). Um PlayStation ia bem, também (a ilha já tem TV, prometo que não ia atrapalhar ninguém jogando); seria legal também uma máquina fotográfica, pois leitores como o Tadinho não acreditariam em nada do que escrevesse, a não ser se eu colocasse uma foto daquele coqueiro.