27 de dezembro de 2007

199 + 1

Eu mal reparei. Ele foi chegando de mansinho, de forma quase tímida. Quando percebei, já era tarde. Ele já estava aqui. E, como um cunhado indesejado, se colocou completamente à vontade, deitando sem camisa no sofá e comendo o resto da pizza que eu tinha guardado para matar aquela fome da madrugada. E – pior – tomando o resto da minha garrafa de Coca.

E aí o tempo foi passando e comecei a perceber que ele estava aqui para ficar. Ou, que ao menos, não iria embora tão cedo. Muitas coisas mudaram, alguma boas e outras ruins, e ele continuou aqui. Acertos, erros, coisas certas feitas da forma errada e vice-versa, e ele continuou aqui. Pessoas vieram, pessoas se foram e ele continuou aqui, resistindo a todas estas mudanças e filando meu último cigarro do maço.

Em contrapartida, ele jamais me deixou sozinho. Sim, já brigamos algumas vezes, mas não posso negar que ele está sempre lá quando é necessário. E, às vezes, quando preciso conversar com alguém em silêncio – seja qual for o assunto – é a ele que recorro, pois já aprendi que ele nunca me deixa na mão. Ele é teimoso, exigente, muitas vezes arrogante. Mas ele me desafia, me faz pensar. E, pior, muitas vezes me obriga a pensar sobre mim, o que é mais difícil ainda.

Tudo bem, admito que a maior parte das nossas conversas é feita de besteiras. Mas, cá entre nós, o mundo é um lugar ridículo demais se você não tiver com quem conversar esse tipo de coisa. E, francamente, não é todo mundo que está 24 horas por dia disposto a ouvir sobre a velha estranha que encontrei no supermercado, ou a quase-briga que eu arrumei com um mendigo na rua. E, sinceramente? Todo mundo já percebeu que ele adora uma besteira. É só alguém falar uma bobagem que ele se anima todo, chegando até mesmo a levantar do sofá. Mas só se o assunto valer a pena.

De uns tempos para cá, virou celebridade, mesmo com seu jeito arrogante. Ou justamente por causa do seu jeito arrogante. E isso o tornou ainda pior. Agora, acha que tem razão em tudo, e me trata mal muitas vezes de forma gratuita. Ao contrário dos seus dois irmãos mais novos, que são mais coerentes e emotivos, ele é explosivo, folgado, egoísta e teimoso feito uma porta.

Mas, mesmo levando tudo isso em conta, ele tem seu charme.

E, mesmo se não tivesse, não faria a menor diferença. Ele continuaria aqui, sem se importar com nada. Afinal, quando percebi, ele já estava aqui. Devidamente instalado, sem camisa e não deixando ninguém mais ver TV. E perguntando se sobrou pizza de ontem.

E assim será, por muito tempo.

Parabéns, Championship Vinyl. Feliz 200º post!

8 comentários:

Thiago Neres disse...

Parabéns Rob Gordon. Você é um excelente blogueiro e desde a primeira vez que pus os olhos em seu blog, virei seu fã.

Até para comemorar o post nº 200 do blog você tem estilo.

Parabéns e que venham outros 200!

Tyler Bazz disse...

[cliche mode: on]

Que chegue a 300, 400, 500, 1000!!!

aUHAuhaUHAuhaHUAuhAUHA

o/

An@Lu disse...

Parabéns pelo 200º post. Parece um texto do Chronicles... :)

Maps disse...

Meus parachoques, Rob!

Quando o post 1000 chegar, faremos uma festa memorável lá no Morumbi (chupa Romário mode: on - aqui é mais legal).

Beijocas e feliz ano-novo!

Larissa disse...

200 posts esperadíssimos, já que todo dia de manhã já faz parte da minha rotina entrar e ver se tem post novo... congrats, man!

Beijinhos!

MaxReinert disse...

eita!!! 200????

um dia eu chego lá.... chego sim....inveja é uma merda!!!

ahhh... Parabéns!!!!

Pedro disse...

Meu Deus!!! Não é fácil escrever 200 postagens com a alta qualidade como você faz.

Parabéns, Rob!

Que o sucesso continue.

Larissa Bohnenberger disse...

Parabéns pelos 200 posts que alegraram nossoas dias e nos arrancaram muitas gargalhadas (muitas vezes em horas impróprias, como durante o trabalho mem na hora que a minha chefe está passando atrás de mim, por exemplo). E espero que este 'intruso' fique deitado no seu sofá monopolisando o controle remoto por muito tempo!
Bjs!