31 de agosto de 2006

R.I.P.

"Quando estou na frente da câmera, tenho que fazer as coisas da mesma forma que eu faria no meu dia-a-dia. Isso faz com que o público veja uma pessoa, com quem eles podem se identificar."

Esta frase é do ator canadense e recém-falecido Glenn Ford. Apesar de trabalhar em Gilda e Os Corruptos, será mais lembrado como Jonathan Kent, o pai terrestre do Super-Homem no filme de 1978. É o mesmo problema do Alec Guiness, que é lembrado somente como Obi-Wan Kenobi mesmo tendo A Ponte do Rio Kwai no curriculum.

Enfim, Glenn Ford se vai. Mais um.

E o Dado Dollabella aí, fazendo novelas, gravando CDs...

Ô fase.

30 de agosto de 2006

I Wanna Be My Dog

– Que lindo!

– Meu Deus, como ele é fofo!

– Olha só! Que graça!

Eu não posso sair nas ruas que fico ouvindo isso de mulheres. Mulheres de todas as cores, credos, idades e classes sociais. Isso porque, quando eu saio, normalmente estou acompanhado do meu fiel escudeiro: um filhote de seis meses de West Highland White Terrier, popularmente conhecido como Westie. Se você não sabe qual raça é, mato a charada aqui: é a raça do cachorrinho do IG (os donos de maltês costumam falar que o cachorrinho do IG é um maltês, mas não dê ouvidos, é pura inveja).

Então, imagine a cena: eu vou andando pelas ruas de Pinheiros e ele, do alto dos seus seis meses, vai na frente puxando a coleira feito um insano. E, como ele é um dos 10 seres mais sociáveis do planeta, ele faz questão de cheirar e lamber todas as pessoas que cruzam o nosso caminho. Se eu vou com ele até a praça aqui do lado, preciso de uns 3 minutos para estar completamente cercado de crianças que vem ver o "au-au" de perto. As crianças ficam correndo e gritando. Ele fica correndo e latindo. E o babaca aqui fica tentando segurar o bicho. Quem conhece a raça pensa: ah, mas é uma raça pequena. Sim, eu também pensava isso e fui investigar. A ração dele contém não sei quantas vitaminas e ferro. As vitaminas ok, dá pra encarar, mas é o ferro que mata. E, enquanto isso, ele vai se tornando a sensação de Pinheiros.

Claro que se eu colocar o pé na praça sozinho, é capaz das mesmas crianças, mães e babás nem me reconhecerem. Porém, quando chego com ele, me sinto como um caminhão da Cruz Vermelha naqueles países da África onde acontece uma guerra civil por semana. Quando estou com ele, eu devo ser mais bonito, mais simpático. As pessoas querem falar comigo, saber o nome dele, que raça é, qual a idade... Com ele, eu sou o cara mais popular do bairro. Sem ele, eu me torno um anônimo ridículo.

Fica claro, então, quem é o famoso da dupla, já que eu simplesmente não funciono sozinho. Eu não tenho a mesma mágica. Ele é o Homem-Aranha e eu sou o Peter Parker. Mas o pior é na hora de ir embora, quando as crianças me perseguem como se eu fosse o Duende Verde. Tenho certeza de que um dia eu vou levar uma pedrada na cabeça. Eu tentando puxar ele pra fora da praça, as crianças correndo atrás de mim e ele me puxando de volta na direção das crianças. Me sinto um monstro. E se você perguntar isso pras crianças, elas vão concordar, tenho certeza.

Porém, em casa, o "cachorrinho fofinho", no melhor exemplo Jekyll e Hyde, se transforma totalmente e resolve mostrar quem manda ali. Eu já descobri que é ele, mas ele faz questão de mostrar todos os dias. Às vezes, ele resolve dormir na cama comigo. Claro que não pode ser na cama, tem que ser em cima das minhas costas, porque tem mais graça. Deita e dorme. E eu ali, imóvel a noite toda, equilibrando ele nas costas. Isso sem falar no feng-shui. Como as almofadas do meu sofá devem atrair maus fluídos, ele faz questão de jogar todas no chão sempre que tem oportunidade. A casa é minha, mas a decoração é toda dele. Ele tem uma relação com o apartamento mais ou menos semelhante a que Godzilla tem com Tóquio*. Toda semana, algo é destruído aqui.



Não se deixe enganar pelas aparências.
Estamos falando de um monstro. Acredite em mim.

Mas o pior mesmo é de manhã, quando vou me trocar. Todo dia, uma das minhas meias é capturada e levada como refém para debaixo da mesa que é o posto avançado dele (aliás, faz duas semanas que estou procurando pelo quartel-general, onde ele guarda uma planta da casa e esboços de planos de batalha, mas ainda não achei). Isso, sem falar na hora de comer. Ele já deixou bem claro que "o que é dele, é dele; o que é meu, é nosso". E, cada vez que eu tento esboçar um rebelião para recuperar o controle da casa, ele destrói algo em represália. Ou, pior, faz ameaças veladas, pegando qualquer revista que eu ainda não tenha lido e levando pro quarto, como quem diz: "um movimento em falso e este Spawn novinho sofrerá as conseqüências".

Mas nada é mais assustador que quando eu acordo de madrugada, e ele está em pé, com as patas da frente apoaiadas na cama, sabe-se lá há quanto tempo, me olhando. Analisando. Planejando. Ou, apenas dizendo com o olhar: "você é meu e eu posso eliminar você a hora que eu desejar. Não se esqueça disso".

Enquanto isso, na praça ao lado de casa, ele é o lindinho e eu sou o "tio chato" que deixa as crianças sem terem com o que brincar. Ou seja, ele é um monstro, frio e calculista e manipulador. Mas tem um departamento de marketing de fazer inveja a qualquer multinacional.

* Homenagem a um amigo que adora essa comparação.


5 Coisas que Meu Cachorro Precisa Aprender Urgentemente

1. Das duas camas que existem na casa, a dele é a menor.
2. Coisas como sofás, carpetes, meias, encartes de CDs custam dinheiro e não caem do céu.
3. A TV é minha. Se eu quero ficar a noite inteira vendo C.S.I., não adianta deitar na frente do meu rosto ou sair correndo pra baixo da mesa com o controle remoto na boca.
4. Um cobertor de solteiro, como o nome indica, é para ser usado por apenas um ser vivo. Normalmente, esse ser vivo é o dono do cobertor. No caso, eu.
5. Apesar de eu achar extremamente carinhoso você me acordar com lambidas no rosto, podemos muito bem deixar isso de lado as 7 horas da manhã dos domingos.

29 de agosto de 2006

Lyrics By...

Outro dia me disseram que um blog de verdade tem que ter uma letra de música em algum lugar. Não sabia disso.

Enfim, atendendo a pedidos:

Beat on the brat
Beat on the brat
Beat on the brat with a baseball bat.

(pronto. tá aí. é só repetir isso 15 vezes)

A I Lei de Ôpa

Na guerra milenar que existe entre homens e mulheres, elas levam vantagem no quesito “banheiro”. Sim, porque o banheiro feminino ainda é um dos maiores mistérios da sociedade, com inúmeras teorias de cientistas, sociólogos e namorados, divididos em temas que vão desde o “por que elas demoram tanto lá dentro” ao clássico “mas precisam sempre ir com uma amiga?” (em relação a este último, eu, particularmente, gosto da idéia que prega a existência de uma mesa de pingue-pongue lá dentro – daí a necessidade de duplas). Já o banheiro masculino não oferece nenhum mistério ou romantismo. Se o cara demora no banheiro, “é porque está aprontando algo”. Simples assim. Enquanto o banheiro feminino é um universo à parte, o banheiro masculino é apenas isso: um banheiro.

Totalmente injusto. Tudo bem que nossos banheiros não devem ter a mesma graça que os femininos e, realmente, nada de muito interessante acontece lá dentro (ao menos, naqueles em que eu freqüento). Mas eles têm algumas regras de conduta que devem ser seguidas para o bem-estar de todos os presentes. A primeira e mais importante é a I Lei de Ôpa.

Quem é homem, sabe. Você está ali, em pé, olhando a parede e obedecendo ao imperioso chamado da natureza, quando a porta atrás de você se abre. Você vira a cabeça e dá de cara com outro sujeito entrando ali. Seus olhares se cruzam e, com um leve aceno de cabeça, vocês se cumprimentam da única forma aceitável nessa situação:

– Ôpa.

– Ôpa.

Isso porque não faz parte da natureza humana entrar num banheiro e dar de cara com alguém. Ao entrar num banheiro, você inevitavelmente está invadindo o território de quem já está ali. Não é uma das situações mais confortáveis do mundo – tanto para quem entra como para quem está lá dentro. Por isso foi criada a I Lei de Ôpa. Apesar de nunca oficializada, foi o modo que os homens desenvolveram, ao longo dos séculos, de dizer: “estou aqui pelo mesmo motivo que você. E eu também preferia estar sozinho. Vamos acabar logo com isso, voltar cada um pra sua mesa e fingir que nunca nos encontramos”.

Sem o Ôpa, ninguém fica tranqüilo lá dentro. Fica a impressão que você será atacado a qualquer minuto (em qualquer sentido que essa palavra possa assumir) pelo sujeito que está lavando as mãos, ou pelo cara que acabou de entrar. O Ôpa dissipa qualquer dúvida. Ele deixa claro que vocês não são amigos, provavelmente não serão amigos nunca, mas que irão se tolerar respeitosamente por alguns instantes. E, que, “sim, você pode fazer o que precisa aqui dentro. Não vou ficar no seu caminho, desde que você não fique no meu”.

Não há uma alternativa para o Ôpa. Se você entrar num banheiro, der de cara com alguém e soltar um “oi, tudo bem?” a pessoa vai te olhar com desconfiança. Se você sorrir para ele, então, é capaz de dar pau lá dentro. Nada substitui o Ôpa. Algumas pessoas mais formais preferem o clássico “Como vai?” ao darem de cara com alguém no banheiro, mas acabam sendo vistas com desconfiança. Um “Como vai?” deixa uma certa tensão no ar, você não sabe se a pessoa vai continuar a conversa ou não. Já o Ôpa deixa claro que a única conversa que vocês terão é aquilo mesmo: Ôpa. E isso basta. Desde que seja pronunciado no tom correto, claro. O Ôpa jamais pode ser empolgado demais, ou alegre. O Ôpa correto é sempre sério, fechado. Você está num banheiro masculino, e não há espaço para alegria lá dentro.

Por isso que admiro as pessoas que vão para o banheiro ligar para a amante. Você entra ali e o cara está encostado na pia, combinando com aquela morena de 22 anos deliciosa como vai fazer para fugir do escritório e se encontrar com ela, ao mesmo tempo em que ela dá chiliques no telefone porque ele ainda não largou a esposa. Mesmo naquela situação delicada, ele olha para você e acena com a cabeça, com aquele olhar de Ôpa. É uma pessoa que, mesmo com motivos menos importantes para estar ali, teve a delicadeza de obedecer às regras sociais e tranqüilizar você com o Ôpa providencial.

Respeito também os que entram correndo no banheiro, suando frio e já abrindo as calças no caminho. Mesmo nessa situação, alguns ainda encontram tempo para soltar um Ôpa apressado no caminho, dando mostras de uma hombridade e uma consciência social ímpar. Na verdade, ele nem olhou no seu rosto, mas, mesmo assim, obedeceu às regras vigentes.

O problema são os homens que vão aos pares no banheiro. Você entra e eles estão ali, conversando sobre as pernas da loirinha da mesa. Eles são uma dupla e você ali, sozinho. Nesses casos, o seu Ôpa requer mais respeito, devido à inferioridade numérica, mas, se somente um deles já responde, a tensão se dissipa. O porta-voz da dupla aceitou sua entrada ali dentro. Quando os dois respondem, então, é sinal que você já faz parte do bando.

A exceção são os banheiros de shopping. Como estão sempre lotados, a I Lei de Ôpa não se aplica. Ali é terra de ninguém. Por isso que esses lugares contam com um guardião: o faxineiro, que mantém a ordem no lugar, observando a todos do seu posto soberano (ao lado da pia, apoiado num rodo que pode ser usado como arma em casos extremos).

Mas, em todos os outros banheiros – menos o da sua casa, a não ser que você more numa pensão – a I Lei de Ôpa é tão importante como lavar as mãos depois. Isso vale para todos os banheiros: desde aqueles dos restaurantes mais finos até o do boteco do outro lado da rua, que está sempre alagado e a porta não fecha direito. Não importa o que você foi fazer no banheiro, o Ôpa é a senha que permite que a paz continue reinando lá dentro.

A civilização ruiria sem o Ôpa.

5 Frases que Ninguém Gostaria de Ouvir num Banheiro

1. Oi, tudo bem?
2. O que você está fazendo?
3. Me responde uma coisa?
4. Posso te contar um segredo?
5. Você está sentado naquela mesa perto da janela, né?

28 de agosto de 2006

Pitacos do Fim-de-semana

– A banda (?) RBD foi à imprensa negar, enfaticamente, que as letras de suas músicas (?) contenham conteúdo satanista.

– Alexandre Frota afirma não ter AIDS e que irá encerrar a carreira de ator pornô, querendo ampliar seus horizontes.

– Paris Hilton desembolsou quase US$ 200 mil para participar de uma viagem espacial.

É. A humanidade não deu certo.

Não sei porque ainda insistem.

25 de agosto de 2006

Mirror, Mirror

Fica aqui a dica para o pessoal da Last FM:

A semelhança entre Twisted Sister (ou, pelo menos, o Dee Snider) e Bette Midler é bem maior do que a existente na dobradinha Alice Cooper X Bon Jovi, como vocês querem que eu engula.

Don't Be There For Me

Outro dia, fuçando no Blog do Moulin (link ao lado) descobri a Last FM. Curioso que sou, fui atrás. Horas depois, ja estava com esse iPod ai do lado, que mostra tudo o que eu ouço. Por isso que eu gosto de Internet: qualquer pessoa que entrar aqui vai saber o que estou ouvindo - antes, esse privilégio era restrito aos meus vizinhos, que conheciam meu gosto musical (querendo ou não).

Porém, como tudo na vida, a tal da Last tem pontos positivos e negativos. O principal dos positivos é que você pode ouvir várias bandas em seguida, sem precisar trocar de CD a cada 0,3 minutos. Sim, porque tem dias que estou assim: Quero ouvir o começo de Sunshine of My Love, o riff de N. I. B., o refrão de Powerslave e o solo de Master of Puppets. Ou seja, eu precisaria de um estagiário trocando os CDs e, como mal consigo me bancar, contratar alguém para isso está fora de questão. Além disso, você ouve as músicas sem precisa aguentar DJs destilando sua imbecilidade entre as canções, pegadinhas telefônicas idiota ou propagandas toscas.

E o melhor, você separa tudo por estilo.

Ou seja, você escolhe um gênero ou subgênero, ou um artista, e ele vai tocando tudo o que tem a ver com aquilo. Com isso, acabei descobrindo que eu gosto de algumas bandas que não dava a mínima. Def Leppard é uma delas. Acabei topando com algumas músicas da primeira fase da banda (quando suas músicas não se tornaram baladas que poderiam causar a morte de um diabético). Outra delas - que, na verdade, eu gostava mas não dava atenção faz muito tempo – é a escocesa Nazareth (sim, aquela que regravou Love Hurts, já que estamos falando em baladas).

O legal é você deixar rolando enquanto trabalha. Você faz um texto ao som de Deep Purple, responde um e-mail ao som de Black Sabbath e enrola até acabar aquela dos Beatles para sair para almoçar. É divertido também quando começa a tocar alguma coisa e você reconhece o som, mas não identifica de imediato e fica segurando a tentação de olhar logo o que está tocando, para ver se consegue lembrar o que é aquilo.

Mas o pior: você separa tudo por estilo.

Sim, a grande qualidade da tal da Last é o seu grande defeito. Eles alegam que os "artistas semelhantes" ao artista que você escolheu são determinados pelas estatísticas do site. Mas, com certeza, tem alguém ali que ganha mal, está puto com a empresa e resolveu sacanear um pouco. Outro dia eu coloquei Alice Cooper e mandei ver. E aí começa: Ozzy Osbourne, Alice Cooper, Twisted Sister, Kiss, Bon Jovi, Def Lepp... BON JOVI? BON JOVI?!?! Como assim, Bon Jovi? Eu pedi para ouvir Alice Cooper e similares, e não You Give Love a Bad Name.

Fica aqui a pergunta: o Bon Jovi está comendo alguém lá dentro para ser comparado ao Alice Cooper? Ou ele comprou o gabarito e conseguiu os pontos necessários para isso? OK, Bon Jovi tem umas três ou quatro músicas audíveis, mas, sem sacanagem... De todas as bandas-farofa da década de 80, nada bate Bon Jovi. Porque, diferente dos Motley Crue da vida, O Bon Jovi se leva a sério. Você vê nos clipes do Bon Jovi que ele acredita no que está fazendo. E fica com Never Say Goodbye para cá, I'll Be There For You para lá... Sabe, se é para falar de amor, vamos logo para Whitesnake, pelo menos. Tomara que essa Last toque logo Go to Hell, do Alice Cooper. É capaz do Bon Jovi começar a chorar de medo e se tocar que ali não é lugar dele.

Enfim, foi só um deslize do site. Ok.

Aí, fui para Def Leppard. Já que é para ouvir farofa, vamos ouvir algo da Inglaterra, porque dificilmente vem algo ruim dali. E começa: Def Leppard, Van Halen, AC/DC... Uau... Só musicão. De repente, começa uma música com uma guitarra boa... Muito boa.... Não. Não pode ser.

É.

Eric Clapton?

Uau. Eu nem esperava tanto, minha maior ambição aí era um AC/DC mesmo. Eric Clapton? Pera aí. Ao invés de comemorar o quanto sou sortudo por, literalmente, tropeçar num Eric Clapton, vamos pensar pelo outro lado. Será que ele sabe disso? Que ele é considerado pelo site como sendo do mesmo estilo do Def Leppard? Pior que ele é tão fudido que é capaz de nem se importar. Já o Def Leppard... Aposto que se alguém da banda souber disso, vai ficar extretamente sem-graça, capaz até de ligar para o site e pedir para não fazerem mais isso, que não é legal.

Por isso que o site tinha que ter um aviso. "Olha, fizemos a sua conexão procurando por músicas parecidas com Def Leppard. Talvez você ouça também Eric Clapton. Você está pronto para isso, ou quer fazer uma nova busca?"

Por isso que eu nem me arrisquei a procurar Chico Buarque na lista. Já pensou se entre Atrás de Porta e Cálice eu topo com um Emilio Santiago da vida? No way! Por isso que, caso você entre no meu blog e, olhando no iPod, achar que agora eu estou ouvindo Bjork (que saiu na minha procura de Lynyrd Skynyrd) ou Nirvana (que se infiltrou de alguma forma na minha busca por Led Zeppelin), não leve isso a sério, ok? Juro que não é culpa minha.

5 Melhores Músicas que a tal da Last FM Me Arrumou Ontem

1. Day Tripper - The Beatles
2. Run to The Hills - Iron Maiden
3. Hair of the Dog - Nazareth
4. N.I.B. - Black Sabbath
5. Dancin' Days - Led Zeppelin

Clipping

Championship Vinyl ganha destaque na comunidade Devotos do Sarcasmo no Orkut.

http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=399330

Lembre-se: você leu primeiro no Devotos do Sarcasmo.
Chupa, UOL!

Agradecendo na mesma moeda,

Valeu, porra!

24 de agosto de 2006

Plutão na Série C!

Foi definido hoje (data da Terra) que Plutão não é mais um planeta. Ninguém disse ainda o que ele é, mas não é planeta. Eu não vejo novidade nenhuma nisso, já que ele sempre esteve lá longe, na zona do rebaixamento. Aliás, deviam ter chamado o Candinho, que todo ano salva a Portuguesa.

Aliás, assim como o Fluminense, Plutão caiu como uma pedra e foi direto para a terceira divisão. A segunda divisão do Sistema Solar tem, agora, além dos favoritos CSA e Tuna Luso, os asteróides. E a terceira divisão fica com apenas dois participantes: Plutão e o Objeto UB313 (aliás, sorte do Tuna Luso, que dificilmente teria dinheiro para viajar para Plutão quando o jogo fosse lá). Ou seja, além de se fuder, Plutão ainda tem que jogar contra um time que ninguém sabe direito o que é, senão não teria esse nome ridículo.

Ou seja, a série C conta apenas com dois jogos: um jogo em Plutão e outro no Objeto, sejá lá onde for isso. E Plutão ainda entra em desvantagem, porque qualquer débil-mental consegue rimar "Plutão" com "Segunda Divisão". Quem ganhar, sobe para Segundona e disputa uma vaga no Olimpo do Sistema Solar. Quem perder, deve ser rebaixado a bairro e começar a jogar no campo da CMTC, no domingo de manhã.

Mas o detalhe é o motivo alegado para o rebaixamento: o tamanho. Como ele é menor que a Lua, não é mais planeta. Por essa lógica, Portugal poderia deixar de ser país, porque é menor que a Groelândia. De acordo com meu atlas oficial (o mapa do War) a Groelândia é importante para cacete e Portugal fica relegado a um mero Port/Espanha. Ou seja, "ou entra junto com a Espanha ou não entra". Sacanagem.

Anyway, voltando ao assunto. Oficialmente temos, agora, apenas 8 planetas no Sistema Solar. Isso é bom para a FIFA (Federação Interplanetária de Futebol), porque com oito times rola um quadrangular legal, com dois grupos de quatro e os campeões de cada chave se enfrentando na final - jogo de ida e volta, estilão Libertadores, claro. E Plutão lá embaixo, fudido. Isso, claro, até rolar uma manobra de tapetão e ele voltar para a Série A, como time convidado.

E aí, o tal do Objeto que se foda e fique sozinho lá embaixo!

Força, Plutão!

5 Técnicos que Podem Reerguer Plutão

1. Felipão - Além de ser fudido no mata-mata (que é o que vai rolar contra o Objeto) seria divertido ver ele comemorando um gol fazendo aviãozinho num planeta sem gravidade - afinal, se o Objeto nem nome tem, não dever gravidade também.
2. Abel Braga - como é a cara do William Shatner (o capitão Kirk), deve ter alguma experiência em jogos intergalácticos
3. Zagallo - "Plutão Campeão" tem 13 letras. Ou seja: tudo para dar certo, de acordo com a lógica dele.
4. Oswaldo de Oliveira - Como Plutão ainda é longe, eles ainda não descobriram que esse cara é uma mentira.
5. Luxemburgo - Talvez ele transforme Plutão numa potência do futebol, talvez não. Mas foda-se, Plutão é longe para cacete, manda ele logo pra lá.

23 de agosto de 2006

"Oi, A Natália, Por Favor?"

Sabe quando você está apaixonado e a pessoa não sai da sua cabeça? Volta e meia você lembra dela. Qualquer coisa que você olhe te faz lembrar da pessoa? É assim que estou com a Natália. Detalhe: eu não conheço a Natália. Aliás, eu nunca nem falei com a Natália. Mesmo assim, ela está presente em todos os meus dias - e em algumas noites também - da forma mais intensa possível. Platão ficaria orgulhoso desse meu relacionamento.

Tudo começou quando, em algum momento da vida, a Natália decidiu que o número do celular dela seria igual ao meu. Não sei se isso lhe foi sugerido por alguma numeróloga, ou se foi idiotice mesmo. Já ligaram umas 10 vezes nas últimas semanas - sempre de lugares diferentes, e às vezes até de outro celular - procurando pela tal da Natália. E eu sempre digo que “não, não é o celular da Natália”. Pedem desculpas e desligo.

Porém, o hábito se tornou forte demais. Viciei na Natália. Agora, passo os meus dias, ansioso, esperando o telefone tocar. E, toda vez que meu celular começa a tremer e a tocar a Marcha Imperial do Star Wars (sou nerd mesmo, me deixa em paz), meu coração dispara: "É para a Natália! Tem que ser para a Natália!"

Quero saber tudo sobre ela. Entre algumas respostas que solto, que vão do simples "não, esse celular não é da Natália" até o audacioso "sim, o número está correto, mas como você deve ter percebido, ou tenho um problema de fono ou não sou a Natália", descubro segredos que me aproximam cada vez mais dela. Ela está procurando estágio; está no terceiro ou quarto ano de faculdade; e tem uma amiga chamada Lu. Mas a Lu deve ser apenas uma conhecida, porque uma amiga de verdade saberia o celular correto. Ou ela mentiu e não é amiga! Cuidado, Natália!

Numa das ligações sobre estágios, meu coração disparou e quase perguntei qual o curso que ela fazia, mas com medo de ouvir um "não te interessa, ô babaca!", amarelei. Como assim, não me interessa? A Natália já faz parte da minha vida, invade reuniões de pauta, entra no meu fechamento, interrompe meu almoço! Ai, ai, Natália.

Nunca é tarde, nunca é demais. Onde estou, onde estás?

Fico imaginando como será a Natália. Às vezes, na minha cabeça, ela é uma loirinha tímida que estuda Farmácia e sonha em arrumar um estágio para o pai desempregado não ter que precisar mais para pagar o curso. Ou é uma morena altiva, que usa jeans apertado e botas, estuda Ciências Sociais e quer apenas juntar dinheiro para finalmente conhecer Budapeste?

Onde está você, Natália?

Será que ela é essa japonesinha na mesa ao lado? O que será que ela está fazendo agora? Será que está aguardando, ansiosa, uma ligação, que eu interceptei e tomei para mim de forma egoísta? Será que a ligação da Lu era importante e eu, idiota, respondi que "não, porra, esse não o celular da Natália!" Deus, eu sou um monstro. Natália, eu não te mereço!

E ela, sabendo disso, some. Joga comigo. Ameaça sumir da minha vida e me deixa na expectativa, no suspense. E, quando estou quase me conformando em morar num mundo sem Natálias, toca meu telefone (como hoje na hora do almoço) e o destino dá mais uma volta:

– Por favor, a Natália?

– Uau! Que surpresa boa!

– Como?

– Não, nada, nada. Desculpe. Quem está falando?

– É a respeito de um estágio...

– Ah, ela ainda não arrumou nada?

– Senhor...

– Esquece. Esse celular não é da Natália. Desculpe.

– Mas o número é XXXX-YYYY?

– Sim, é esse mesmo. Olha, esse número é praticamente da Natália. Ligam mais para ela do que para mim. Eu sei, é difícil entender. É coisa do destino, sabe?

– Olha, senhor...

– Por favor, ache logo a Natália. Ela precisa. Ela merece esse estágio!

– Senhor... é... Até logo.

Ia pedir para ela mandar um beijo para Natália, mas gaguejei na hora e ela desligou. E assim minha vida vai continuar. Platonicamente. Eu sei tudo da vida da Natália e ela nem desconfia que eu existo.

O que é uma pena. Como ela não sabe que eu existo, as pessoas vão continuar me ligando e enchendo o saco com isso. Natália, se você estiver lendo isso:

LARGA A MÃO DE SER TAPADA E PASSA O NÚMERO CERTO PARA AS PESSOAS, OK?


5 Músicas que Melhor Definem A Natália na Minha Vida

1. The Mule (Deep Purple) – passar o fone errado para alguém é acidente. Passar para o mundo inteiro, é imbecilidade.
2. Paranoid (Black Sabbath) - toda vez que o telefone toca e eu começo a tremer e penso: “de novo não, por favor”.
3. Hey Stoopid (Alice Cooper) – sempre é bom frisar: passar o fone errado para alguém é acidente. Passar para o mundo inteiro, é imbecilidade.
4. Die Die My Darling (The Misfits) – canção auto-explicativa
5. Victim of Changes (Judas Priest) – essa retardada muda o número do celular e eu é que me fodo.

Chamando o Hugo Verbal

Comentário de uma amiga do meu irmão sobre meu blog.

"Então, eu também tenho um blog, mas nem se compara com o seu. Você escreve de verdade. Eu não, eu só consigo vomitar o que eu tô pensando na hora."

Você tem idéia de como eu te invejo, menina?

22 de agosto de 2006

A Dama na Água

Assisti hoje ao filme novo do Shyamalan, A Dama na Água. O filme narra a história de um zelador de um prédio que encontra uma ninfa na piscina do local (adolescentes & tarados de plantão: parem de pensar na peituda de 16 anos do 3º andar. Ninfa é uma criatura mitológica) e precisa ajudá-la a voltar para seu reino - o problema é que no jardim do prédio tem uma criatura monstruosa caçadora de ninfas.

A história parece boba? Sim, pois Shyamalan dessa vez arquitetou um conto de fadas. E todo conto de fadas tem a história boba por definição. Mas os filmes de Shyamalan sempre tem um diferencial: são filmes do Shyamalan. Num cinema cada vez mais uniforme e nivelado por baixo, o diretor consegue ter um estilo próprio e realizar cenas que deixam a platéia aterrorizada de medo na poltrona. Num mundo onde as cenas de suspense são pretexto para impingir emoção ao roteiro, e mais nada (já que a platéia sabe que o final sempre vai ser feliz) Shyamalan, em todos os momentos faz o espectador pensar: "será que esse louco realmente vai fazer tudo dar errado? Será que ele vai matar todo mundo?"

A crítica, obviamente, vai meter o pau, dizendo que "Shyamalan é uma mentira", "que o filme não decola" (ou "doesn't deliver", como dizem lá fora, de forma muito mais estilizada) e "que é diretor de um filme só" (sim, adivinhou: estou falando de "I See Dead Ppeople"). Ah sim, e outra coisa que adoram dizer sobre ele: seus filmes não tem final. Desculpem derrubar vossos castelinhos de carta, mas seus filmes têm finais sim. E finais dos bons. Não é culpa dele - aliás, nem sua - se os filmes dele criam uma idéia errada na platéia por causa da forma como são vendidos. Corpo Fechado não é um filme sobre um super-heróis, como foi vendido; Sinais não é um filme sobre uma invasão alienígena. Reveja os filmes e preste mais atenção na história do que no ambiente da história.

Eu, obviamente, adorei. Se Shyamalan lançar nos cinemas as filmagens da festa de aniversário da sobrinha, provavelmente eu vou gostar.

E, o dia que Shyamalan acordar e decidir... "Hum....vou escrever um roteiro e oferecer para o Keanu Reeves!"... Bem, aí vai começar um dos maiores dilemas intelectuais da minha existência.

5 Maiores Bobagens que Dizem sobre Shyamalan:

1. Por que ele não faz O Sexto Sentido 2?
2. Corpo Fechado só vai fazer sentido quando ele completar a trilogia.
3. Cara, o alien de Sinais é muito mal-feito! E só aparece no final, que saco!!
4. Ele deveria era fazer O Sexto Sentido 2...
5. Já acabou? Como assim? Que bosta de filme!

21 de agosto de 2006

Mentiras do Cinema

"Você acha que uma garota entra numa festa e que encontra um cara, com uma roupa bonita, com aquele olhar de sou-tão-bonito-que-você-não-pode-resistir. Aí, ela, supostamente, vai se jogar nos braços dele. Bem, ela não se joga. E há outro cara na festa, lá num canto. Talvez ele seja tímido, está nervoso e transpirando um pouco. Primeiro, ele escapa do seu olhar. Mas então você percebe que ele é gentil, doce e que se importa com você. Que ele será agradável e carinhoso com você.
Isso, sim, é verdadeiramente excitante."

Marilyn Monroe, em O Pecado Mora ao Lado.

Hum-hum. Então tá. História da minha vida

Menos, né, gente?

Portês para Principiantes

Talvez por ter morado em casa durante a vida inteira (moro em prédio faz só uns 4 meses) eu não falo absolutamente nada de portês. Portês, como diria um amigo, é o idioma dos porteiros - mas existem outros dialetos e regionalismos, praticado por taxistas e alguns garçons. Enfim, se houver um correspondente a "the book is on the table" em portês, eu não sei qual é. Não falo nada, mesmo. E isso tem me colocado em algumas situações, digamos, constragedoras.

Tem um ponto de táxi do lado do trabalho e a maioria dos taxistas de lá é bilíngue, falam tanto português como portês. Mas um deles, mais velho e purista, fala apenas portês. Arcaico. Ok, adivinha qual taxista eu pego em 50% das vezes?

– Oi, tudo bem? Eu preciso ir pra Paulista, perto da Brigadeiro.

– Cequerquesubaareboçasouatodoro?

– Hã?

– Atodoronumseicomotamaeuvimagorinhanareboçastatravada.

– Olha, Paulista com...

–Manatodorostiveparadagentepegaocorredodonibussaoraelivre.

– .... Brigadeiro

– Tãookvamopelareboçasnãotempobrema.

– É... Ok... Acho.


Me sinto como qualquer personagem de Snatch conversando com o Brad Pitt. E o pior é que ele insiste em conversar pelo caminho. O cara é gente boa, eu tento não ser grosso, mas é foda manter o auto-controle.

– Aicejadecidiuniquemvota?

– Hum?

– Leção.

– Leção?

– Leçãofinaldano.

– Dano? Que dano?

– Nufinaldanovaiteleção.

– Final dano? Ah, eleição!!!

– Leção.

– Não, não sei ainda.

E aí, claro, eu faço a cagada e pergunto:

– E o senhor?

– Numseindarapa. Nameiraveisvoteinopetemaisrecequenumfununciotaoto

– É...

– Sandonoauquimimastemsaloisalenaquemilaram

– Hum.... É... Que coisa, né? Tem razão.

– Queboamasrecequelaramquiulalevanomeiroturn.

– Tem razão.

– Atodorotáradaindabemquemosnareboças.

– Talvez eu vote nele também, nao sei ainda.

E por ai vai. De Pinheiros a Paulista, eu vou concordando. O cara pode estar xingando a minha mãe ou falando que vai me assaltar, fatiar meu corpo e jogar num matagal qualquer e eu ali, todo sorriso, "Sim, sim, claro". Foda.

Pelo menos, no meu prédio, os porteiros tiveram um curso básico de português, mas eles ainda se atrapalham um pouco com as classes gramaticais. E às vezes eles ainda falam trechos da frase em portês.

– Tregadotorantesaria.

– Oi?

– Entrega... do... restôrante-pissaria.

– Restaurante pizzaria?

– Isso. O rapaz do restôrante-pissaria.

– OK, tô descendo.

E assim, vamos levando... Ou "moevando", como diria o taxista aqui do lado.

O que me deixa curioso é que se você for para o interior do Maranhão e falar com qualquer pessoa que encontrar, você vai entender. OK, tem sotaque, palavras que você não conhece, mas ainda assim é português. Ou seja, não é preconceito da minha parte, antes que me acusem disso. Mas, just in case, eu queria dar uma olhada no estatuto dos porteiros, taxistas e demais profissões que exigem, por normas sindicais, o portês fluente, só para saber a justificativa disso.

5 Idiomas Falados em São Paulo (mais fáceis de aprender que o portês)
1. Adolescentês – qualquer coisa que você diga, ele responde "se pá, bem lôco!"
2. Surfistês – eles não sabem usar consoantes. De que outra forma se explica a frase: "Iiii, ó o auê aí!?
3. Standcentelês - À plimeila vista, palece ser uma coluptela de coleano. Mas, como eles aceitam cartão de "clédito", é só falar "vou levar" e dar o cartão que eles entendem.
4. Porteirodeboatês - Esse é mais complicado. Você passa na calçada e ele vem falar com você. Você entende tudo, mas, mesmo assim, 4 minutos depois, você está lá dentro, tomando o seguindo uísque e esperando as "tais das garotas novas que chegaram do Sul" aparecem.
5. Guardador de Carro - É o mais fácil de todos. A única coisa que você entende é "real". E ele não quer que você entenda outra coisa.

Degenerados!!!!

Nada me deixa mais injuriado (lembrei da palavra injuriado esse fim-de-semana, decidi que ia usá-la essa semana de alguma forma. Ponto pra mim) que os degenerados de loja de CD. E não digo degenerados no sentido de imorais (se bem que em alguns casos, o termo serve perfeitamente), mas degenerados no sentido de "não respeitar gêneros".

A primeira vez que isso aconteceu, estava numa loja (não lembro agora se era a Fnac ou a Saraiva do Shopping Ibirapuera) olhando os CDs do Iron, rezando para eu estar enganado e existir um CD deles que eu não tivesse (os singles eu nem conto, nem o Steve Harris deve ter tudo). E fui passando pelos CDs... Live After Death... Piece of Mind... Virtual XI... Powerslave (yeah!)... Rock in Rio... Slipknot... The Number of... SLIPKNOT? Como assim, Slipknot? O que é que essa merda está fazendo aqui?

"Deve ser pegadinha". Olhei ao redor procurando a câmera. Nada. Os vendedores andavam pela loja como se nada estivesse errado. Bom, deve ser um acidente. Alguém colocou isso aqui por engano. Delicadamente, segurei o CD do Slipknot com a ponta dos dedos, como se estivesse segurando um abutre morto e carcomido, e joguei junto com algum dos Linkin, Limp da vida – tomando cuidado para ele não cair no meio de Led Zeppelin, que, por uma infeliz coincidência gramatical, fica perto dessas merdas.

Depois disso, comecei a reparar que os CDs de bandas toscas (e não "novas", como escrevi por acidente no primeiro draft deste post - aliás, draft é chique demais, hein?) estão sempre no meio de bandas boas. Não é difícil achar um Linkin no meio dos CDs do Judas, ou outro Slipknot parado ali no meio de Deep Purple, entre Burn e In Rock, como se fosse a coisa mais normal do mundo. Curiosa (e feliz) mente, o contrário não acontece. Você não acha um Painkiller, um Paranoid, um Long Live Rock 'n Roll no meio de Limp Bizkit (francamente, se eu sou um Painkiller e me jogam no meio dessas merdas, eu ia morrer de vergonha. Puta humilhação). Ou seja: esse fato de CDs de bandas toscas "brotarem" no meio do cream, é algo planejado por quem gosta disso - normalmente moleques cuja idade vai dos 12 aos 16 anos e acha que aquilo é rock e que, como ele gosta daquilo, ele é o cara mais malvado do 1º colegial. Mas eu ainda fico na dúvida sobre o motivo específico. Algumas opções me ocorrem:

1 - Ele não aguenta mais ler em revistas e sites especializados que as bandas que ele gosta são ruins. Então, ele fica olhando o CD de Slipknot na frente da prateleira de Led Zeppelin. Assim, quem estiver na loja, vai achar que ele gosta de música boa.

2 - É quase uma derivação da primeira. Ele não aguenta mais ler em revistas e sites especializados que as bandas que ele gosta são ruins – mas ele, trancafiado dentro do seu mundinho FM limitado, acha que são boas. Então, ele coloca no meio dos CDs bons, com a vã esperança de que um fã de Judas Priest procurando uma cópia de Hell Bent For Leather, dê de cara com um Linkin da vida e decida: "Olha, Linkin Park. Vou levar". E, pior, ele tem a inocência de achar que alguém que ouça Judas pode gostar daquilo, e detonar um efeito-dominó que colocará o Linkin como a maior revolução no rock desde Black Sabbath.

3 - Ele sabe que Linkin é uma bosta, mas ele não pode ouvir Led Zeppelin porque seus amigos só ouvem Linkin. Como ele aprendeu nas aulas de biologia o conceito de Osmose, ele mistura os CDs com a esperança de que, no dia seguinte, eles estejam equilibrados: Led não seja mais tão bom e Linkin tenha melhorado. Mal sabe ele que se John Bonham desafiava a física com suas baquetas, é óbvio que os CDs do Led contém uma membrana que impossibilita a entrada de impurezas como essa.

4 - Terrorismo. Cansado de serem humilhados pelas bandas que gostam, eles decidiram se vingar e estragar o humor de quem está disposto a investir seu dinheiro em boa música.

Seja qual for o motivo, só espero que a moda não pegue. Já é uma merda achar lixos no meio de coisas boas, mas a coisa vai ficar insuportável quando começarem a pipocar CDs do Calcinha Preta na prateleira de Ozzy, ou Daniel no meio dos CDs de Bruce Dickinson. O dia que isso acontecer... Bom, aí... Aí é guerra.

Enfim, já que o post trata de gêneros misturados, seguem aqui 5 CDs que dificil (e feliz) mente serão colocados à venda.

1. Reginaldo Rossi - Live at Donnington
2. João Paulo & Daniel - The João Paulo Years
3. Apocalyptica - Plays Aírton dos Teclados By Four Cellos
4. Calcinha Preta - Live at Leeds
5. Alexandre Pires - The BBC Archives

18 de agosto de 2006

Caveiras & Monstros - Sonho Adolescente

Eu sempre gostei de heavy metal. Sempre. Desde antes de gostar de heavy metal. Não, não é exagero. Eu ainda estava na fase Ultraje a Rigor quando comecei a gostar de heavy metal, mesmo sem conhecer nenhuma música. Sim, porque o disco que eu comprei do Kiss, em 83, no auge da Kissmania no Brasil (e que eu, com 8 anos, pedi na loja como "o disco do Kiss que tem aquela música do ô-ô-ô-ô-ô-ô-ô-ô" para vergonha da minha mãe) não conta. Eu não tinha idéia do que era heavy metal ou hard rock, eu achava aquele cara mascarado que cuspia sangue o máximo.

Mas, voltando: sempre fui fascinado pelas capas de discos de heavy metal. Eu entrava nas lojas (as paleozóicas Hi-Fi e Museu do Disco) e ficava horas olhando as capas dos bolachões. Especialmente as do Iron Maiden. Você tem idéia do impacto que uma caveira daquelas tem na vida de um menino de 10, 11 anos? A música? Foda-se a música, quero ver outro desenho da caveira.

Eu achava o máximo também as capas do Pink Floyd - sim, eu sei, Pink Floyd, não é metal, mas estou divagando mesmo. Perto da caveira do Iron, a capa do Atom Heart Mother era meio sem graça, mas me intrigava. Que tipo de música existiria num disco cuja capa é uma... vaca??? E a vaca não estava em chamas, ou no espaço, ou condenando alguma alma no inferno. Não... a Vaca (vou começar a usar maiúscula, quero que a Vaca seja um personagem) estava apenas olhando para você, com aquela cara de vaca, tão expressiva quanto o Keanu Reeves em Advogado do Diabo.

E o que dizer da capa de Physical Graffiti, que mostrava aquele prédio que, quando você puxava o interior da capa, fazia com quem as figuras nas janelas? E eu, sem nem desconfiar que ali dentro tinha uma Kashmir guardada no final do primeiro disco, queria mais era ficar abrindo e fechando a capa, como um boçal, para desespero do vendedor que devia estar morrendo medo daquele moleque rasgar algum pedaço.

Digo isso porque, outro dia, tive uma das minhas crises de TOC (transtorno obsessivo de colecionadores) e comecei a arrumar meus CDs. 20 minutos depois, eu estava sentado no chão da sala, ouvindo Led Zeppelin e olhando a capa do Somewhere in Time, com um gosto de saudade na boca, como se eu tivesse acabado de descobrir aquilo numa loja. Claro que hoje as coisas são diferentes. Os discos têm outro significado para mim, além de serem um desenho legal.

Especialmente Powerslave.

Sim, para mim é o melhor disco do Iron Maiden. Disparado. Aliás, um disco que tenha músicas como Aces High, Powerslave e Rime of the Ancient Mariner, podia ter, como capa, um boneco-palito desenhado com canetinha verde, que ainda assim seria um absurdo. Mas, não, só de sacanagem, ele tem a capa mais tesuda do mundo: grandiosa, elegante, agressiva. Só a capa de Powerslave é mais pesada que todos os discos do Aerosmith juntos (se bem que, dos anos 90 para cá, até Ray Coniff é mais pesado que Aerosmith). E é meu disco de cabeceira – sim, TAMBÉM por causa da capa.

E aí chegamos num dos meus primeiros discos de rock, Appetite for Destruction, do Guns. Primeiro, aquele desenho (proibido em "n" países do mundo) que mostra um pós-estupro pode parecer cafona e americano demais hoje, mas, um moleque de 14 anos como eu daria a alma para tirar a camisa na educação física e ter uma tatuagem daquelas no braço. E o encarte, com aquela foto com todos os integrantes da banca olhando com cara de mau-arrogante-drogado-perigoso-instável já fazia você gostar do disco antes mesmo de ouvir.

Outras capas fizeram a história da minha vida. The Real Thing, do Faith No More (que, para mim, era uma tampinha de garrafa pegando fogo); And Justice for All, do Metallica (eu fiquei no sofá de casa olhando a capa uns três minutos antes de abrir o disco); Love Drive, do Scorpions (por causa do "chiclé grudado no peito da mina" - nada como a poesia pré-adolescente); o próprio Creatures of the Night ("ô-ô-ô-ô-ô-ô-ô-ô"), do Kiss, com aquele tom azulado... E por aí vai.

Dizem que um livro não se julga pela capa. Um disco também não. Mas, se você teve 14 anos um dia, sabe que, num disco de rock, a capa ajuda um bocado...

(Enquanto isso, no Brasil, Roberto Carlos tem 6.029 discos - sem contar as "coletâneas-Carrefour". Todos os 6.029 chamam Roberto Carlos. A capa de todos os 6.029 é azul, com uma foto dele. O único diferente é aquele que ele tem a pena na cabeça. O nome? Roberto Carlos. Ô fase.)

Ah sim. Hoje eu já aprendi que o nome da caveira não é Caveira, é Eddie.


5 Melhores Capas de Hard Rock /Heavy Metal (Iron Maiden nem Concorre)

1. Black Sabbath (Black Sabbath) - acha que a capa com a suposta bruxa já é assustadora? Então, passe longe do riff de guitarra que abre o disco.
2. Back in Black (AC/DC) - quem conhece a história da banda, sabe que a capa tem mais significado que qualquer letra do Engenheiros do Hawai.
3. Physical Graffiti (Led Zeppelin) - cai para terceiro porque a capa do CD não tem o mesmo efeito interativo da capa do vinil.
4. Sad Wings of Destiny (Judas Priest) - Aquele anjo pegando fogo é a coisa mais deliciosamente brega da história do heavy metal.
5. And Justice For All (Metallica) – poucas vezes uma capa branca funcionou tão bem num disco de metal.

17 de agosto de 2006

Championship Vinyl também É Cultura

Hoje, uma leitora do blog – professora universitária – pediu minha autorização para usar o post anterior ("Geli-limão?") como exemplo em uma aula sobre gestão para os alunos do último ano de engenharia.

Obviamente, com orgulho, autorizei.

Hoje, uma faculdade. Amanhã, o mundo.

15 de agosto de 2006

Geli-Limão?

Fui jantar fora com um amigo. E, assim que eu sentei restaurante, o garçom veio anotar o pedido das bebidas. "Uma Coca Light, só gelada?" "Isso mesmo." Dei graças a Deus de estar num lugar onde o cara me conhece e sabe o que eu bebo. Afinal, não tem coisa mais difícil hoje em dia que pedir uma Coca em algum lugar. Quando eu tomava Coca gorda (merda de triglicéris), a coisa era mais difícil ainda.

– E para beber?

– Uma Coca.

– Light?

– Não.

– Light Lemon?

– Não. Uma Coca. Sabe, a vermelha?

– Geli-limão?

– Não. Eu quero uma Coca. Straight. Só isso. Me traz a lata e o copo que eu me viro.

– Ah, é sem gelo?

– Não, é gelada. Mas não quero pedra de gelo.

– Só limão?

– Olha, mostra pra mim onde guardam as Cocas que eu mesmo pego.


E todo o lugar que eu vou é assim. Não sei de onde tiraram a idéia de que a combinação Coca-geli-limão é o default. O problema é que isso pegou em todos os lugares. Já estive em botecos imundos que ao pedir a Coca, era obrigado a ouvir, de bate-pronto: "geli-limão?".

Por outro lado, tem situações piores. Como pedir a Coca e o garçom responder:

– Só tem Péps.

Sim, porque metade dos garçons que eu eu conheço fala "Péps". E o pior é que, quando você, totalmente conformado com a ausência de Coca-Cola nos próximos minutos da sua vida, solta um "bom, ok... dá uma Pepsi", vc ainda tem que engolir um:

– Geli-limão?

Queria saber quem foi o babaca que inventou isso. Se eu peço uma caipirinha, eu não preciso pedir geli-limão, porque o conceito caipirinha determina isso. Então, ok. Eu estou ciente de que meu copo terá geli-limão. Agora, se eu peço uma Coca, está subentendido exatamente isso: uma Coca. C - O - C - A. Não tem nada nas entrelinhas. O "geli-limão" é o diferencial da coisa, não é o padrão. Como dizem por aí, é "o plus a mais".

Gozado que se eu pedir uísque, o cara pergunta: "puro ou com gelo?" Ou seja, o uísque abre opções. A Coca não. A Coca automaticamente implica na merda do geli-limão. Se o garçom anotar o pedido, não perguntar nada e virar as costas, fudeu. Lá vem o geli-limão. Aí, você manda trocar e ele te olha com aquela cara de "burguês filho da puta, fica querendo aparecer".

Por isso que estou pensando seriamente em começar a me comunicar com o mundo através de camisetas, para evitar degraus desnecessários na conversa. E é uma via de mão-dupla, todo mundo vai ganhar tempo.

Por exemplo, toda vez que eu for jantar fora, vou com minha camiseta "Não, sem gelo nem limão. Só gelada".

No McDonald's, vou com a escrita "Não aceito sundae como sobremesa."

Para ir a Blockbuster, vou usar uma com a inscrição "Boa Tarde & Boa Noite" na frente e, atrás, em vermelho berrante: "Não, não preciso de ajuda".

Outra que demanda frente e verso é aquela que vou usar para entrar em qualquer loja de departamentos. De um lado, "Estou só olhando". No verso: "Sim, qualquer coisa eu te chamo."

Mas, tenho certeza que, no dia sair para jantar fora usando a minha camiseta "Sem gelo nem limão", vou pedir minha Coca estufando o peito e mostrando a inscrição, como se eu fosse torcedor do time que acabou de ser campeão do mundo. E ele, claro, vai responder:

– Só tem Péps.

– É...? Bom, traz uma aí. E põe geli-limão, quem sabe o gosto dessa merda melhora.

5 Frases mais Babacas Já Vistas em Camisetas

01. "Minha namorada foi para Porto Seguro e só me trouxe essa camiseta"
02. "Se o seu namorado não faz direito, eu faço"
03. "Instrutor Sexual. Primeira aula grátis"
04. "Exército de Jesus" (ou algo assim. É uma camiseta-crente toda camuflada, tosquíssima)
05. "Beije-me, sou _________" (preencha a lacuna com a nacionalidade babaca que quiser)

Back

Para aqueles que achavam que a gordinha do Greenpeace tinha finalmente me alcançado, ledo engano: ainda estou aqui.

Após um período onde minha vida se resumiu a trabalhar 3/4 do dia e tentar dormir um pouco no outro 1/4, devo voltar ao blog hoje.

Aguardem posts em breve.

11 de agosto de 2006

Atendendo a pedidos...

Segue, então, o Top 5 referente ao tópico anterior (não fiz sobre música porque é humanamente impossível colocar apenas 5 bandas que causam hipertensão).

5 Criaturas que Habitam a Paulista e Causam Hipertensão

01. Os "Incas Venusianos" - São aqueles chilenos / peruanos / bolivianos / whatever que montam barraquinhas e ficam vendendo aquela porra do CD com músicas famosas gravadas com flauta de Pan. Não importa a hora que você passe, está sempre tocando (num volume insuportável) Let It Be ou Imagine. Sempre.

02. Os "Spam-makers" - Infestam toda a avenida praticamente obrigando você a receber panfletos que vão desde "Compro Ouro" e "Raio X na Hora" até "Mãe Estela - Curamos Dor de Amor, Olho Gordo e Má Digestão"

03. Os "Você Gosta?" - Concentram-se abaixo do MASP. Se você colocar o pé naquele quarteirão, um deles se materializa do seu lado e pergunta: "Você gosta de poesia?" ou "Você gosta de teatro?"

04. Os "Concha do Pacífico" - Se concentram entre a Brigadeiro e o Trianon, mas o cheiro deles se alastra desde o Paraíso até a Consolação. A pessoa que perguntar para ele quanto custa qualquer coisa que ele venda, ele sempre responde "5 reais. É feito com conchas do Pacífico".

05. - Os "Gigolôs de Táxi" - Já é difícil andar na calçada do Stand Center devido ao enorme número de pessoas que ficam ali. Mas não ajuda em nada as pessoas que seguram você pelo braço, gritando: "Táxi, senhor?" "Táxi, senhora?"

Coisas da Vida

Outro dia estava na Paulista, degustando um milk shake de Ovomaltine e olhando o CD do Black Sabbath que eu tinha acabado de comprar. Fazia um calor de rachar. Como eu estava fumando, me encostei num ponto de ônibus e pensei: "quando eu acabar o cigarro, entro no metrô".

Eis que surge um senhora obesa (eufemismo mode: on) caminhando na direção do ponto de ônibus - eu estava sozinho ali. Ela simplesmente desaba num bos banquinhos do ponto de ônibus, totalmente esbaforida e grita comigo. Sim, grita.

AMEAÇOU, AMEAÇOU, AMEAÇOU E NÃO CHOVEU NADA!

Eu, armado apenas com um milk shake e um CD do Sabbath, achei melhor não reagir. O tom de voz dela deixava claro que eu era um dos principais responsáveis por não ter chovido naquele dia. Me enchi de coragem, estufei o peito e falei, desafiador:

– Olha, desculpa...

Não satisfeita, ela continuou:

ESSE CALOR ACABA COMIGO! EU NÃO AGUENTO ESSE CALOR!, disse, se abanando desesperadamente com uma Contigo.

– É, o calor realmente...

O SENHOR TAMBÉM NÃO GOSTA DE CALOR?

– Olha, eu, na verd...

O SENHOR É HIPERTENSO?

– Hã... não. Acho que não. Não.

EU SOU HIPERTENSA!!

– Gozado, se a senhora não dissesse, eu jamais teria adivinhado.

SOU HIPERTENSA E O CALOR ACABA COMIGO!

– Olha, eu preciso...

E MEU ÔNIBUS NÃO PASSA!

– Olha, minha senhora...

OLHA QUEM ESTÁ AQUI! HO! HO! HO!, ela riu como um Papai Noel (inclusive com as mãos na barriga), apontando para um homem que trajava uma roupa típica de zelador (aquela roupa social com o nome do prédio no bolso da camisa), que a reconheceu – quem não reconheceria uma pessoa dessas? – e caminhou para cumprimentá-la.

Na mesma hora, saí dali e praticamente mergulhei dentro do metrô. Lá, o Sol não bate, então os hipertensos sabem se comportar.

Leia o próximo post dessa série aqui.

9 de agosto de 2006

Eu Confesso... E Você, Dirceu?

Ok, eu entro no IG, pelo menos uma vez por dia. Acho que é o portal mais imbecil da internet, com pérolas como "descubra quem é você na novela das 8?" com o mesmo destaque de "Ataques do PCC continuam em São Paulo". Além disso, é o portal deveria abrir uma seção "Ivete Sangalo", com notícias sobre a "musa" ou a "bela" (é assim que eles se referem a ela nas legendas das fotos), porque todo dia acontece algo novo. Tem dias que ela compra um chinelo, tem dias que ela janta fora, e tem dias que ela não faz nada e a notícia sai como "Ivete Sangalo aproveita a quinta-feira para descansar". Mas eu acesso. Sempre entro nos três portais (UOL, Terra e Ig) pelo menos três vezes por dia, para ver as notícias.

Mas, hoje... Bem, não tem como atenuar a notícia, então, vamos à queima-roupa mesmo. Sabe quem escreve um blog ali no IG? Zé Dirceu.

Sim, aquele Zé Dirceu.

"O objetivo deste blog é ser um espaço democrático de discussão do projeto nacional em desenvolvimento, de reflexão sobre o futuro do país, de disputa política e de expressão da luta social." É assim que começa o blog dele.

E, nesse "espaço democrático" ele posta notícias e comentários, sempre malhando o PSDB, a Heloísa Helena e enaltecendo Lula e... Fidel. Fidel! "Na verdade, assistimos, com a doença de Fidel, a cenas hilárias, como as dos cubanos que vivem em Miami comemorando pela enésima vez sua suposta morte, agora por causas naturais, já que não conseguiram assassiná-lo". Fica claro agora: Zé Dirceu é o nosso Oliver Stone.

Mas o melhor de tudo é: "Mas vimos também nossa América Latina profunda, rebelde e popular chorar apreensiva e triste. Nós, que conhecemos Fidel e acompanhamos a sua luta e a nossa luta, ficamos calados, já que sabemos que o inimigo usa a informação para tentar nos destruir." Ou seja, ele já se colocou ao lado do Barba, inclusive usando a primeira pessoa do plural.

Mas o genial mesmo é a trajetória dele, com toda aquela baboseira de "esteve sempre ligado à lutas políticas, e tal, terminando com um último paragráfo que começa assim: "José Dirceu vem sendo, desde 2002, vítima de acusações infundadas". Ou seja, num país como o nosso, ser investigado (por acusações infundadas ou não, foda-se) é curriculum. É o diferencial. "Entre no meu blog. Eu sou foda, estou sendo investigado por corrupção, tráfico de influência e dou dicas de teatro e cinema" (sim, ele recomenda uma peça da Marília Pêra e o filme Zuzu Angel). Ô Fase. Ô país.

Bom, metade das pessoas que criam um blog esperam comer alguém com isso (antes que comecem com as piadas, aviso que não é o meu caso, porque aplico aqui a teoria grouchomarxiana: "me recuso a comer uma mulher que queira dar para alguém por causa de um blog). Se esse for o caso do nosso excelentíssimo ex-Ministro da Casa Civil, crítico de teatro e "vítima de acusações infundadas", proponho a criação de um imposto-blog. O país faz uma vaquinha, paga uma puta para esse cara e, em troca, ele deixa o IG em paz com as notícias da Ivete Sangalo.

Aliás, blog por blog, sou mais o meu. O dia que eu conseguir roubar o livro do Billy Wilder editado pela Taschen lá na Fnac (você viu o post anterior, certo?), vocês vão ser os primeiros a saber.

Eu confesso. E você, Dirceu?

(anyway, prometo que esse post sobre política foi apenas um lapso. já já voltamos à programação normal, com cinema, música, quadrinhos, vida e coisas que realmente importam, como a assadeira que eu lavei segunda-feira.)


Mas, para terminar com chave de ouro, 5 Posts que Mostram que o Blog do Zé Dirceu É, Sim, Democrático e Compromissado com a Verdade

01. - "Heloísa Helena não respondeu a nenhuma pergunta sobre programa de governo, reforma agrária, violência ou socialismo. Mostrou ser uma candidata sem programa e nem idéias" (9 de agosto)
02. - "O Brasil não tinha um projeto, mas, com Lula, agora tem, apesar da herança maldita deixada pelos tucanos" (8 de agosto)
03. - "Lula tem o que mostrar para os eleitores, a começar pela melhora na economia, com crescimento do PIB, mais empregos e distribuição de renda. E a oposição dirá o quê? A julgar por hoje, nada." (5 de agosto)
04. - "Virou moda no Brasil publicar qualquer coisa que se diga contra o PT ou seus candidatos e dirigentes, mesmo por pessoas que não merecem credibilidade. Não há pudor jornalístico quando o alvo é o PT." (4 de agosto)
05. - "Fazendo as contas, então, podemos dizer que Lula, em quatro anos, poderá recuperar os empregos que FHC destruiu em oito anos. Este já é um bom motivo para votar em Lula, porque em um novo mandato a recuperação do emprego vai continuar." (2 de agosto)

Billy Wilder e Paul Verhoeven

Ontem saí para comprar livros sobre cinema. Fazia tempo que eu não lia algo sobre o assunto, e, apesar de ter uns 4 ou 5 livros na fila para terminar, me deu sede de ler algo assim. Podia ser um livro de críticas ou alguma biografia (de preferência, do nível da biografia deliciosa do John Huston que eu li uns 2 anos atrás). Atravessei a rua, entrei no templo do consumo e corri para a prateleira de arte.

E aí me lembrei do problema. Não saem livros sobre cinema bons por aqui. Saem, quando muito, uns 3 ou 4 por ano, mas a maioria deles fica restrita ao maldito idioma anglo-saxão do primeiro mundo. E, ok, eu consigo ler inglês (às vezes, como um Fiat 147 numa ladeira, que engasga, derrapa, reclama, mas acaba subindo) mas o que eu não consigo é pagar 70, 90 paus num livro, só porque ninguém quer lançá-lo aqui. A única exceção que eu abri até hoje foi do maravilhoso Down and Dirty Pictures - The Rise of Independent Film (e todo dia eu prometo pra mim mesmo que ainda essa semana eu compro no Amazon o Easy Riders and Raging Bulls - How the Sex-Drugs-Rock'n'Roll Generation Saved Hollywood, do mesmo autor)

Isso sem falar nos livros sobre cinema brasileiro que são lançados. Tem coisas boas (e a maioria delas, atualmente, sai pela Coleção Aplauso), mas, na maioria, é um pior que o outro. Coisas como A Evolução da Fotografia no Cinema de Roraima do século 20 ou A Trajetória do Mulato no Cinema Apolítico Mineiro. Porra, quem vai ler uma coisa dessas? Nem se eu fosse mulato, apolítico, mineiro e adorasse cinema, eu não leria uma bobagem dessas. E todos eles tem cheiro de serem Trabalho de Conclusão de Curso de alguma faculdade de ciências sociais, escritos por algum aluno socialista que ainda assiste a filmes em VHS.

Já os livros gringos, não. Que me desculpem os policarpos-quaresmas da vida, mas, quero ler sobre Ford, Wilder, Huston, Kubrick, Scorsese, Hawks. Ok, não gosta de cinema americano? Me dê Fellini, Bergman, Kurosawa, Leone, Scolla. E... Putz... Cada livro que dá água na boca. Ontem tinha uma biografia do John Ford que me deixou babando e, claro, os malditos livros da Taschen, que saem aqui a preço de ouro. Para quem não sabe, são edições luxuosíssimas que escolhem um ator ou um diretor e, através de 200 e poucas páginas, vai narrando a carreira do sujeito através de fotos raras, normalmente de página dupla, com pequenos textos. Eu nem olho muito para não passar mal... Eles estão sempre um ao lado do outro, expostos e começam a rir do meu holerite toda vez que eu passo, então não dou muita trela, olho sempre de canto para eles e finjo que não é comigo.

Ontem, pelo que eu me lembro, tinha Billy Wilder e... Paul Verhoeven?

Cabe aqui a pergunta: Paul Verhoeven fez RoboCop (não vou explicitar aqui que é o primeiro RoboCop, porque eu nem conto os outros), que fez minha infância; e O Vingador do Futuro, que é um filmaço de ficção científica. Mas colocar Paul Verhoeven e Billy Wilder na MESMA prateleira, ali, lado a lado, como se fosse a coisa mais normal do mundo?

Não é possível, o Verhoeven comprou o gabarito ou deu grana pro porteiro pra entrar nessa coleção. Porra, estamos colocando Showgirls e Crepúsculo dos Deuses na balança e não pende para nenhum dos lados! Sabe, ele não é de todo o mal... mas ele é SÓ o Paul Verhoeven. E o outro é "SÓ" o Billy Wilder. Não tinham que estar nem na mesma livraria, quanto mais lado a lado. É como escalar o Kahn no gol e colocar, na zaga, Henrique e Célio Silva; é como entrar num restaurante abraçado com a Jennifer Connely e a Zezé Macedo.

Enfim, se eu não gasto 100 reais com Billy Wilder, não gasto isso também com Paul Verhoeven. Deixeis os livros da Taschen rindo de mim, atravessei a rua, entrei num sebo e comprei uma biografia do Chaplin. 20 reais.

(o post saiu maior do que eu imaginava, mas é por causa da revolta. Nem tanto pelo Paul Verhoeven e mais pela biografia do John Ford que eu não comprei)


5 Melhores Filmes de Billy Wilder (e que Paul Verhoeven deveria assistir)

01. Crepúsculo dos Deuses - o filme quintessencial sobre Hollywood. Cruel, sórdido, humano, trágico. Ah sim, William Holden... Conhece?
02. Quanto Mais Quente Melhor - a melhor comédia de todos os tempos. Só a cena do tango com o Jack Lemmon é melhor que tudo o que Keanu Reeves fez na vida
03. Testemunha de Acusação - o único filme baseado em Agatha Christie que a escritora gostou. E, como o mundo é uma merda, não foi lançado em DVD.
04. Se Meu Apartamento Falasse - Jack Lemmon, como sempre iluminado. Dá vontade de sair e se apaixonar por alguém dentro de um elevador. É... também não tem em DVD.
05. A Montanha dos Sete Abutres - o filme mais ácido da história a retratar a imprensa. Ah, e ainda tem um tal de Kirk Douglas no elenco. Em DVD? Claaaaro...

8 de agosto de 2006

Ô Fase!

Pronto. Acabei de descobrir que Huff foi cancelado. Simples assim. Ou seja, a série é um tesão, e só porque eu descobri, é cancelada. Deve ser algo pessoal.

O que me deixa mais puto é que se eu postar aqui algo elogiando o Fantástico ou o Domingo Legal para eles também serem cancelados, não vai dar certo. E eu ainda vou ficar com imagem de boçal, porque quem ler isso vai achar que eu gosto dessas coisas.

5 Programas / Séries que não Deveriam ser Cancelados Pois não Deveriam Existir

01. Fantástico - Glória Maria, Zeca Camargo e pitacos do Cid Moreira. E no domingo à noite.
02. Chaves - sempre foi (reconhecidamente) o programa mais tosco da história. De repente, virou cult e tratam o tal do Sr. Madruga como se ele fosse um Laurence Olivier, e o Bolaños como se fosse Woody Allen.
03. Domingo Legal - poderia enumerar 37.029 motivos. Mas só o concurso Rambo Brasileiro já bate a meta.
04. Fantástico - não, não me enganei. Sim, entra duas vezes na lista.
05. Gilberto Barros - Não é um programa, eu sei. Mas não deveria existir, você sabe.

7 de agosto de 2006

Assadeira - Um Poema Épico

Toda vez que eu chego em casa, me sinto como um arqueólogo andando pelas ruínas de uma civilização perdida: a lendária civilização do homem-de-30-anos-que-morava-sozinho. Arqueólogos chegariam a conclusão que os habitantes dessa civilização gostam dos cadernos de esporte e cultura dos jornais; que os DVDs e CDs eram algo cultuado na sociedade, já que foram encontrados exemplares em todos as partes das ruínas; que alguns membros dessa sociedade comiam biscoito na cama; e que a principal bebida dessa cidadela era Coca-Cola. Light, por causa da porra do triglicéris.

Anyway, nada é pior que a segunda-feira à noite, quando chego em casa do trabalho: vestígios do fim-de-semana estão presentes em toda a parte: CDs do Saxon soltos pela casa, cinzeiros entupidos, pacotes de chocolates vagando pelo apartamento e a seminal embalagem de pizza. Mas o problema está sempre a minha esquerda, quando entro no apartamento. A cozinha. E, obviamente, a louça.

Aliás, sempre me falaram, na escola, que o coletivo de louça é baixela. Talvez seja nos outros lugares, mas aqui em casa é pilha mesmo. A palavra baixela passa a idéia de organização, conjunto, limpeza. Aqui, não. Aqui elas ficam em cativeiro na cozinha, se reproduzindo sem o menor controle demográfico. Cada vez que eu entro na cozinha, tem um copo novo ou um filhote de garfo que eu nunca tinha visto.

E ela. A temível assadeira.

Às vezes, eu entro e finjo que não vejo. Sei que a pilha está ali, mas ignoro e decido que, se alguém me perguntar, vou dizer que isso já estava assim quando eu aluguei o apartamento e que não posso mexer naquilo enquanto a imobiliária não se manifestar. Mas, em outros momentos, eu começo a pensar se uma das coisas que separa a civilização da selvageria total não seria a limpeza da pia e da própria louça, e decido lavar aquilo – se bem que os neanderthais deviam ter mais facilidade: bastava lavar um tacape e pronto.

Enfim, tem dias que arregaço as mangas, ligo um Alice Cooper e mando ver. Como não tenho muita prática com isso, faço do mesmo jeito que me aconselharam a fazer no vestibular, fazendo primeiro os mais fáceis. Por isso que colher é um bom começo; não tem ponta; é pequena; e se cair, não quebra. De lá, passo para os garfos e as facas, sempre armado com minha fiel Scotch Brite, que, por respeito pela minha situação, não fica fazendo comentários sobre minha habilidade.

Aí a coisa começa a ficar mais difícil, com copos e pratos. Mas até que me saio bem, tirando o momento em que a esponja cai e é quase engolida pelo cachorro, da mesma forma que aconteceu com Robert Shaw em Tubarão. E eu, claro, parto em socorro dela, como um Roy Scheider procurando por um tubo de gás na boca do pseudo-tubarão (como não acho, proponho uma troca com ele: "te dou esse pano velho e você me dá a esponja". Ele aceita).

Eis que chega a hora da assadeira, que estava ali, sob o fogão, com ar desafiador. No ato de lavar louças, a assadeira é como um chefe de fase. Tenho certeza de que se fizessem um videogame sobre isso, teria um save-point logo antes da assadeira. As pessoas comprariam revistas para ver dicas e macetes de como limpar a porra da assadeira. Mas eu não tenho nada. Estou na última vida, minha esponja já está pedindo arrego. Guardo toda a outra louça, porque sei que vou precisar da cozinha inteira e de metade da sala para encarar o bicho. Começo a enchê-la de água, sob a supervisão do cachorro, que, apesar de não saber quem vai ganhar, tem certeza de que vai se divertir com a cena.

Alice Cooper começa a cantar Welcome to My Nightmare.

Parece até um ato sexual forçado. O problema é que não fica claro quem está violando quem. Esfrega daqui, empurra daqui, arranha aquele pedaço, morde outro, espirra água no rosto. Uma hora que ela se distrai, dou uma chave-de-braço nela e termino o serviço. Gastei meio tubo de detergente, dei PT na porra da esponja, mas derrotei o general inimigo com minhas próprias mãos. Eu sou foda!

E você, esponja heróica, será lembrada por isso.

Fumo um cigarro e vou dormir com a sensação do dever cumprido. E, por via das dúvidas, Mc Donald's o resto da semana, porque não vou sujar nada mais aqui. Conheço meu eleitorado: basta um copo e, em 2 dias, terei uma nova rebelião na cozinha. Como diria Darth Vader (na versão censurada de Star Wars): "Fuckin' rebels".

5 Caras que Sabem Como Lidar a Louça

01. James Bond - com certeza ele tem um relógio que emite um raio e vai polindo os pratos.
02. Luca Brasci - dá uma rajada de metralhadora nos pratos e enforca com um garrote o único sobrevivente.
03. Norman Bates - esse é esperto. Só suja uma faca.
04. Indiana Jones - deixa a louça ali porque sabe que, um dia, aquilo terá valor histórico. Quando chega esse dia, doa tudo pra um museu e foda-se.
05. Sr. Myagi - "Daniel Sam, primeiro louça. Depois, karatê".

Crise de Meia Idade (com som original e extras)

Esse fim de semana descobri outro seriado na minha vida, Huff. Nem penso em fazer uma crítica, pois sei que estou ultrapassado: a série já está, se não me engano, na 2ª temporada. O problema é que eu só assisto a seriados em DVD, por dois motivos: primeiro, detesto a idéia de esperar uma semana para ver o que vai acontecer; segundo, eu não consigo nem organizar minhas contas, quando mais um cronograma com dia/hora/canal dos seriados que eu curto. Eu precisaria ter, em casa, um estagiário com conhecimentos em excel pra me assessorar. Então, para preservar minha sanidade, eu espero sair em DVD mesmo.

Huff foi lançado pela Sony e segue uma tendência forte nos seriados de hoje em dia: Beleza Americana. O filme de Sam Mendes detonou uma onda de vida inteligente na televisão de onde saíram pérolas como A Sete Palmos (criado, inclusive, por Alan Ball, roteirista de Beleza Americana); Família Soprano, que coloca a crise de meia-idade no mundo da máfia, de uma forma que faria os roteiristas de Máfia no Divã morrerem de vergonha; Desperate Housewives, que brinca com as mulheres da faixa entre 30-40 anos; e Huff, que gira em torno de um psquiatra cuja vida degringola totalmente após um de seus pacientes, um adolescente gay, se matar dentro de seu consultório, no meio de uma consulta.

A partir daí - e ao mesmo tempo em que começa a ser investigado, já que os pais do rapaz o acusam de negligência - a vida de Huff (Hank Azaria, que já fez alguns papéis no cinema e dubla um monte de personagens de Os Simpsons) começa a implodir em todos os aspectos. Seu filho está crescendo e ele não sabe lidar com isso; sua mulher e sua mãe (que mora numa casa conjugada à sua) só falta se pegarem de tapas antes do café da manhã; e ele vê seu melhor amigo (interpretado magistralmente pelo subestimado Oliver Platt), mergulhar cada vez mais numa vida regada à orgias e consumo de drogas.

Esse fim-de-semana assisti a 5 episódios e achei um melhor que o outro. Claro, também tenho meus momentos Jack Bauer ou Sidney Bristow, ou até mesmo minhas fases Simpsons e Seinfeld* – não, mentira: toda vez que tenho uma caixa nova de Seinfeld na mão, eu não faço mais nada até assistir todos episódios. E quando o saudosismo aperta, nada melhor que Kirk ou Picard. Mas seriados como A Sete Palmos, Huff, Família Soprano me deixam confortável: afinal, é extremamente importante para uma pessoa que cresceu assistindo a Os Flintstones, Os Jetsons, Corrida Maluca e Scooby-Doo saber exatamente o que assistir quando chegar à crise de meia-idade.

* Não, eu não gosto de Friends. Sim, eu sei, eu sou a única pessoa do mundo.


De forma nostálgica, seguem os Cinco Melhores Desenhos da Hanna-Barbera

01 . Corrida Maluca - quem nunca torceu para o Dick Vigarista, que atire a primeira pedra (ou, de preferência, uma rocha, em cima do carro do Peter Perfeito)
02. Máquinas Voadoras - dobradinha Dick Vigarista no pódium? Não é mera coincidência.
03. A Arca do Zé Colméia - nem era lá essas coisas, mas todos estava ali: Zé Colméia, Maguila, Elefantástico, Peter Perfeito... era uma espécie de best of.
04. A Família Addams - O charme mesmo eram os "personagens lado-B", que apareciam: Mãozinha, Oito (o polvo que morava no porão) e o genial Primo It.
05. Johnny Quest - esqueça a nova versão e fique com a original: só a abertura (com monstros que davam medo a qualquer criança de 4 anos) já era o máximo.

6 de agosto de 2006

Desculpe, Mas Seus Dentes Estão no Meu Orkut

Se realmente a internet é o lugar onde a boçalidade humana se revela totalmente, o Orkut é o uma espécie de "show do intervalo", com os melhores momentos da cretinice da nossa espécie, análises e estatísticas. Falta só o Casagrande comentando.

Outro dia, estava passeando pelas comunidades sobre vampiros, porque queria conferir alguma coisa sobre os livros da Anne Rice e não estava achando em site nenhum. "Bom, é só procurar alguma comunidade no Orkut e pronto", pensei com meus botões. De fato, em 3 ou 4 cliques achei o que precisava. Mas continuei navegando por esse assunto, atrás de nomes de outros livros. E aí, fuçando em comunidades como "Adoro Vampiros", "Vampiros São o Máximo" comecei a me enveredar por umas comunidades que levavam o assunto um pouco mais a sério, discutindo o mito dos vampiros e com tópicos mais sérios do que "Quem é Mais Gostoso? Louis ou Lestat?" ou "Você Morderia a Pessoa Acima?"

Justamente nessas comunidades sérias – onde achei muita coisa legal postada por gente que parece manjar do assunto – comecei a encontrar algumas pessoas que acreditam em vampiros e, pior ainda, um ou outro figura que REALMENTE acredita que É um vampiro, e coloca tópicos contando sua história, que vive percorrendo as ruas pelas noites, tentando controlar sua sede de sangue e sendo afligido pela solidão...

Parênteses: como uma pessoa com 350 amigos no orkut pode ser solitária? Vai dizer que, dessas 350 pessoas no orkut, ninguém está dando uma festinha na sexta a noite, ou topa rachar uma pizza? Bom, se bem que um sujeito que acredita que é um vampiro não deve ser muito popular mesmo...

Voltando aos...hum....vampiros, uma rápida passada pelos tópicos mostra que boa parte deles está ali, postando essas bobagens, na "sede" de comer alguém mesmo. Coloca ali umas bobagens do tipo "nasci em 1632, me transformei em vampiros aos 17 anos e vago solitário através dos séculos" pra ver se cola e se alguma mortalzinha de 16 anos se oferece para ser mordida. Aí, você entra no profile do cara e tá cheio de fotos dele na praia, com a família no natal, etc. É claro que é alguém que está de sacanagem ou teve um surto momentâneo, postou aquilo e esqueceu de apagar.

E tem aqueles que apenas cultuam o mito e vão em festas temáticas, como se fosse uma espécie de especialização em halloween. Ainda é saudável, desde que você não vá fantasiado de lobisomem num lugar desses, porque senão você já toma um pau logo na entrada. E, também, cláro, o povo que joga RPG, mas que também sabe o limite entre realidade e ficção – o máximo de loucura da vida deles é passar a noite em claro, em volta de uma mesa, jogando dados de 20 lados pra cá e pra lá, mas comendo pizza e tomando Coca. Ou seja, nada assustadoramente louco.

Mas, sim, existem aqueles que realmente estão convencidos de que são vampiros. Vampyrs. Nosferatu. Gozado, ninguém fala que é zumbi ou sonha ser um monstro da lagoa negra. Todo mundo quer ser vampiro. E ficam horas e horas (obviamente, nao o DIA inteiro, por motivos óbvios) discutindo nas comunidades qual a melhor forma de beber sangue, como se transformaram em vampiros, etc.

Fiquei pensando: como será a vida de um idiota desses?

Pelo jeitão dos profiles, todos estão no colegial. Todos gostam das bandinhas de rock tipo Good Charlotte, Evanescence e Nightwish. Todos adoram o André Vianco e a Anne Rice (sendo que metade parece ter apenas assistido Entrevista com o Vampiro e nunca ter terminado um livro desde a quarta série).

A única diferença entre eles é a linguagem: alguns escrevem de forma clássica e floreada, como "quem invade seus pensamentos e faz seu corpo estremecer quanto és possuído pela doce sede imortal?"; outros escrevem daquela maneira internética que chega às raias do insuportável: "AlGuEm Xabi Xi Eo PoXxo TomaH MeU XaNgui ô Xi IxXo iAh Mi DxAh TiXtI?". E, claro sempre tem os que dizem que são "vanpiros" (sic), que gostam de beber "çangue"(sic), falam que moram na "Tranvilsânia" (sic) e que odeiam "eztaca, crussifixo, álio e lus" (sic, sic, sic & sic). ÁLIO?!?! LUS!?!? Porra, você não possui a tal da dádiva da vida eterna? Tira umas noites sem morder ninguém e vai ler uma gramática!

Enfim, se você realmente acha que é um vampiro, como você será que vive? Será que rolam coisas como "Eu não posso me reunir na casa da Sandra no sábado a tarde para fazer o trabalho de Biologia, porque sou um vampiro e o Sol pode me erradicar", "Eu não vou no barzinho com vocês, lá vende apenas cerveja e vodka. Vou a outro lugar" e "não vou me transformar em névoa para fugir da prova de literatura para não despertar suspeitas sobre o que sou"?

Agora, o pior deve ser conseguir "sair da cripta" e contar aos pais, especialmente porque já estava ficando difícil inventar desculpas para explicar quem mordeu (de novo!) o gato do irmã.

– Mãe, pai, sou um vampiro. Tenho 237 anos e me alimento de sangue.

– Rogério, você nasceu em 1988 e todo mundo sabe que você adora peixe a milanesa.

– É, mas sou um vampiro. Passei minha infância nas estepes russas, mas hoje cultuo as trevas e sou uma criança da noite.

– Rogério, você está usando drogas?

– NINGUÉM ME ENTENDE! BOSTA DE VIDA!!

Pronto. Sobe batendo o pé na escada, bate a porta do quarto e liga a porra do Good Charlotte no máximo. Entra no orkut e pergunta, em alguma comunidade, se alguém já mordeu o próprio pai. Ô fase.

Imagina conviver na mesma casa com um sujeito que será adolescente por toda a eternidade? Isso sim é estar nas trevas.


Apropriadamente, seguem os 5 Melhores Filmes de Vampiros*:

01. Drácula - o de 1931, com o Bela Lugosi. Ok, é meio tosco e o filme termina de uma hora para outra. Mas ninguém ainda bateu o "I neverrr drrrink....wine" do húngaro.

02. Nosferatu - o original, do Murnau. Max Schrek parece um rato e é o único filme que mostra que ser vampiro é maldição, e não uma carreira, como os vampiros do Orkut acham.

03. Entrevista com o Vampiro - Tom Cruise não funciona como Lestat, mas foi o primeiro filme a tratar o tema de forma séria em muitos anos. Indicado para quem gosta de vampiros, para quem acha que é vampiro e para veados, que devem chorar de emoção ao ver Tom Cruise e Brad Pitt se chupando enquanto Antonio Banderas passa os dedos na chama de uma vela e Christian Slater fica na espera, de "time de fora".

4. Drácula de Bram Stoker - como diz um amigo meu, é Rococó para cacete. Mas é sempre divertido ver o Keanu Reeves ser engolido por todo mundo do elenco - nesse caso, temos Anthony Hopkins e Gary Oldman. Aliás, nem a Winona Ryder perdoa.

5. O Vampiro da Noite - Apesar do título nacional medonho (alguém já viu um "Vampiro do Dia"?) uma lista de filmes de vampiros sem o Christopher Lee beira a falta de educação.

* A Dança dos Vampiros, do Roman Polanski, é como o Pelé. Nem concorre.

5 de agosto de 2006

Interlúdio

As pessoas que afirmam, em livros de auto-ajuda, que a felicidade está ligada diretamente à conquistas espirituais ou ao equilíbrio e realização emocionais já experimentaram passar uma noite de sábado jogando Civilization IV, comendo azeitonas recheadas com anchova (minha grande descoberta da semana) direto do vidro, enquanto espera uma peça de fraldinha assar no forno?

Inclusive, estou voltando pro jogo. Depois (da fraldinha) dou um pulo aqui.

4 de agosto de 2006

Mirror, Mirror

Aproveitando que Beatles está na boca do povo que tem acessado esse blog, deixo aqui a seguinte pergunta:

Seriam Ringo Starr e Yasser Arafat a mesma pessoa?


3 de agosto de 2006

Whole Lotta Love Me Do

Um amigo meu está engatando um namoro. Claro que isso não interessa para ninguém que acessa esse blog - a não ser para ele, mas, a não ser que ele sofra de perda de memória recente, o que eu disse acima não vai ser novidade nenhuma na vida dele. Enfim, outro dia, eu estava conversando sobre música com ele, quando ele disse:

– Na opinião dela, Led Zeppelin é mais importante que Beatles.

– Caralho.

– É.

– Assim, taxativa? Com ponto final e tudo? Não teve um "às vezes eu acho que..." abrindo a frase?

– Led Zeppelin é mais importante que Beatles. Palavras dela. Textuais.

Calma.

Esse é o tipo de declaração que você tem que pensar antes de responder. Olhar com calma, palavra por palavra, fonema por fonema, procurando a pegadinha. Porque não é o tipo de coisa que se fala levianamente. Ok, Led Zeppelin mudou tudo. Tinha um gênio na guitarra e - na minha opinião - o maior baterista do sistema solar. Mas, olha o outro lado: John, Paul, George e Ringo (Parreira, se você estiver lendo esse blog, ISSO é quadrado mágico). Os caras são tão fudidos que não precisam nem de sobrenome. Fiquei pensando nisso: Lucy in the Sky with Diamonds ou Whole Lotta Love? Physical Graffiti ou Sgt Pepper's?

Isso é diferente de Beatles X Rolling Stones. Beatles X Rolling Stones é fácil. Independente de qual você prefere (e todas as pessoas do mundo são Beatles OU Rolling Stones), o mundo inteiro compara os dois grupos desde os anos 60. É carne de vaca. Conheco pessoas que acham que a "atitude" dos Stones destrói os Beatles, e outro amigo meu já fala que "um best of dos Rolling Stones cabe tranquilamente num CD duplo, enquanto um dos Beatles precisa de um CD duplo, no mínimo, e mais o Revolver na íntegra". E há quem diga que "foda-se, se você somar os dois não chega aos pés de The Who". Beatles X Stones é a coisa mais Brasil X Argentina da história do rock. Todo mundo já pensou sobre isso. Todo mundo já discutiu sobre isso em algum boteco – talvez até mesmo ao som de Led Zeppelin.

Agora, jogar Beatles e Led Zeppelin na mesma balança e ver qual lado pende... Uau. Ousado. E fodíssimo de responder. Curiosamente, outro dia mesmo estava assistindo aos extras do DVD How the West Was Won, do Led (que todo vertebrado tem que ter em casa), e, numa das primeiras coletivas de imprensa da banda, algum jornalista, louco para arranjar uma declaração polêmica, pergunta se eles se comparavam aos Beatles. Não lembro se foi o Robert Plant ou o Jimmy Page quem respondeu, mas a resposta foi mais ou menos isso: "o que os Beatles fizeram, a quantidade de pessoas que eles atingiram e emocionaram com suas músicas é algo que nunca mais vai se repetir. Eles falavam com todas as pessoas do mundo. Mas o que nós fazemos soa completamente diferente do som deles".

Anyway, simplificando:

De um lado, Led Zeppelin. Starway to Heaven, a música mais tocada da história. O álbum mais corajoso da história, em termos comerciais, (aquele conhecido como Led Zeppelin IV), que não tem título nem nome de banda impresso na capa. Dois dois maiores gênios musicais de todos os tempos. Um vocalista que é (mal) imitado até hoje. Um dos grupos precursorses do hard rock, do heavy metal e que influencia todas as bandas de garagem que que sonham, um dia, em fazer algo ao menos próximo do rock pesado.

Do outro lado, Beatles. Se Elvis Presley, Chuck Berry e companhia bela inventaram o alfabeto do rock, os quatro moleques de Liverpool escreveram a gramática da coisa. Uma banda que se reinventava a cada disco - e consequentemente, reinventava o rock a cada disco. Dois dos maiores gênios musicais de todos os tempos – sendo que um deles foi alçado ao status de um dos maiores pensadores do século 20. Além disso, é o o grupo mais regravado da história*. Só o Ray Charles regravou duas: Yesterday e Eleanor Rigby – e se o Ray Charles gostava, é por que É (muito) bom.

Bottom Line: Pegando Kashmir, Let It Be, Moby Dick, With a Little Help from My Friends, The Song Remains the Same, Get it Back, Communication Breakdown, The Long and Winding Road, Dazed and Confused e A Hard Day's Night entre tantas outras, temos duas bandas que mudaram o mundo. Cada uma ao seu modo.

Qual a melhor? A mais importante?

Não tenho nenhuma resposta para isso - se você colocar uma arma na minha cabeça e mandar eu responder, eu fico com Beatles porque não é muito sábio ousar quanto se tem uma arma na cabeça.

Mas a única conclusão sensata e certeira que tenho é que viver messa época, nos poucos anos onde Beatles, Led Zeppelin, Deep Purple, Pink Floyd, Cream, The Who e Black Sabbath co-existiram no mesmo ecossistema seria infinitamente melhor que viver hoje, onde garotas de 12 anos andam com camiseta do "cara do Nirvana que se matou e era bem lôco", onde "o disco novo do Green Day é bem lôco" e onde toda semana surge uma banda inglesa "bem lôca" que irá salvar o rock, independente de mal conseguir chegar ao segundo disco.

Ou seja, olhando apenas duas bandas do passado fica claro que, hoje em dia, o rock pasteurizado e Mtvvizado padece (em estado terminal, infelizmente) da falta de carisma, da falta de talento, da falta de culhão.

Isso falando do rock, claro. Já a namorada do meu amigo, que joga uma declaração dessas na mesa, tem culhão de sobra. Essa menina devia é montar uma banda.

*Eu sei que Kiko Zambianchi assassinou Hey Jude, mas aposto que isso foi escolha dele. Duvido que o McCartney tenha ligado para ele um dia e falado "Kiko? Paul, tudo bem? Estava pensando aqui... Você tem idéia de como eu gostaria de ouvir Hey Jude com a sua voz?"

5 Discos de Rock Essenciais (sem contar Beatles ou Led Zeppelin) para Qualquer Pessoa que não Queira Passar Vergonha numa Conversa sobre Rock.
1. Black Sabbath - Black Sabbath
2. Machine Head - Deep Purple
3. The Dark Side of the Moon - Pink Floyd
4. Back in Black - AC/DC
5. Who's Next - The Who

2 de agosto de 2006

Chico Buarque e os Dias-Suíça

Quem me conhece, sabe que sou consumista por vocação. Sempre fui, desde criança. Eu não podia entrar numa banca de jornais com a minha mãe que eu precisava sair com algo embaixo do braço, desde um Cebolinha ou um Almanaque Disney – naquele tempo, Marvel e DC, para mim, eram apenas revistas com capas muito legais, mas que não me interassavam além disso – ou 10 pacotinhos de figurinha de qualquer coisa. Se eu não achasse na banca, para não perder a viagem, eu literalmente descobria algo para comprar, como aquelas coleções vendidas em facículos semanais caríssimas e completamente inúteis, tipo "Cavalos Marinhos" ou "Guerreiros da Idade Média". Ou seja, se existisse uma faculdade de "consumismo desenfreado", eu seria ou tema de TCC ou nome de Centro Acadêmico.

Enfim, o tempo foi passando e, para felicidade da minha mãe, comecei a investir o meu próprio dinheiro nesse tipo de bobagem. E, se, por um lado eu aprendi a controlar (um pouco) a minha grana, já que palavras como aluguel e condomínio fazem parte da minha rotina, aprendi também a focar meu consumismo somente naquilo que gosto.

O problema, descobri, é que gosto de tudo.

E é aí que entram as minhas fases. Eu consigo focar em algo por apenas alguns dias, e depois foco em outra coisa. Passam-se mais uns dias, e descubro ou lembro de uma terceira coisa. E por aí vai, sucessivamente. E dá-lhe "3 vezes no cartão".

Quer um exemplo? Mês passado, eu acordei um dia e, enquanto escovava os dentes antes de ir para o trabalho, surgiu, na minha mente, em neon verde, o nome ALICE COOPER. Pronto, o estrago estava feito. Já saí de casa cantando e dançando Billion Dollar Babies, tendo como platéia meu cachorro que, apesar de não me entender completamente, já se acostumou com esse tipo de coisa. Até chegar ao trabalho, cantei trechos de School's Out, Poison, Only Women Bleed e I'm Eighteen. Saí para almoçar e dei de cara com a Fnac. Ela brilhava. Eu podia sentir o cheiro de Alice Cooper na rua. E, como sempre, menti para mim mesmo, dizendo que "vou até ali só para fazer a digestão do almoço". Obviamente saí de lá com uma sacola Alice-Cooperiana. E, fiquei, por umas 2 semanas, só com isso na minha vida. Escutava o dia inteiro, cantava o dia inteiro, ficava buscando lendo sites e matérias sobre ele.

2 semanas depois, estava vendo TV a tarde, em casa, e senti um arrepio no corpo: "Faz tempo que não leio nada sobre II Guerra Mundial". Pronto. Alice Cooper continua presente na minha vida, mas numa intensidade bem menor. Agora, a moda é II Guerra Mundial. Saio, compro 2 ou 3 livros, e me esqueçam: vou passar os próximos dias em alguma trincheira na Normandia, num campo de concentração nazista ou em alguma ilhota do Pacífico. E, antes da guerra acabar, no meio de algum tiroteio, eu vou ter um estalo: Quadrinhos! Jogo pra PC! ou West Wing!

E assim vou vivendo, à base de parcelamento sem juros no cartão de crédito.

Por isso que hoje eu achei que poderia entrar e sair impune da Fnac. Porque não estou em nenhuma fase dessas. Hoje, literalmente, eu estou no que eu chamo de 'dias-Suíça". Neutralidade total. Não quero nada e não tenho nada em mente para comprar. Não fico olhando para a minha coleção de CDs do Judas Priest para ver quais CDs faltam, ou colocando minha coleção de quadrinhos separada por título para ver o que preciso comprar. Chego a me sentir, por uns momentos, como uma pessoa normal.

Bom, é pior. Entrar sem foco numa loja dessas não significa que você vai partir impune. Pelo contrário, você é atacado por todos os lados. Ou seja, entrar numa loja atrás de Led Zeppelin, por exemplo, funciona como um escudo . "Não, não me importa que saiu um Homem-Aranha novo. Estou aqui atrás de Led Zeppelin". E hoje, eu estava ali. Sozinho, com meu cartão, entregue ao Deus dará.

E, para piorar tudo, eu não me ajudo. Você acha que vou olhar preços de televisão e home theater, que é algo que definitivamente não iria comprar assim, com displicência, depois de um almoço? Comprar uma TV de 29'' tela plana é como jogar contra o Boca Juniors, pela Libertadores, lá na Argentina: tem que ter planejamento e respeito, não pode ser tratado com descaso. Não rola de acabar de almoçar e falar: "vou comprar uma TV". Ou seja, é seguro ir lá em olhar TVs e mais TVs. Tela plana. Olha essa de plasma. Uau, olha aquela!

Mas, não, eu desço na parte de CDs e DVDs e começo a procurar encrenca. E, o que é pior, vou dizendo para mim mesmo: "vou só olhar". Em 3 minutos, eu pareço aqueles pioneiros de filmes antigos, andando no deserto com uma forquilha na mão, atrás de água. Uma força invisível vai me guiando pelas prateleiras. E hoje foi assim. Passei na parte de DVDs e ouvi uma voz dentro de mim "CDs Nacionais. Fui para a parte de Hard Rock / Heavy Metal e, dentro de mim, aquele ímpeto: "CDs Nacionais". Enlouquecido, tentei subir para o outro andar, onde ficam as revistas e ouvi, desta vez, um grito dentro de mim "CDS NACIONAIS, Ô BABACA!"

Temendo pelo pior, me virei para a maldita parte de música brasileira e lá estava, em destaque: "Chico Buarque – Os Primeiros Anos". Merda. Parece ser um pack. Merda. Os 3 primeiros CDs? Merda. Resmaterizados? Merda. Eu deveria ter entrado aqui atrás de Iron Maiden, eu tenho tudo sobre Iron Maiden, não iria correr risco nenhum. Mas, nãããão... Eu tinha que entrar aqui, exposto e indefeso.

Agora, são os 3 primeiros discos do Chico Buarque. Você acha que eu NÃO comprei?

E, agora estou aqui, ouvindo os discos. E enquanto Pedro Pedreiro está esperando o trem, o babaca aqui está esperando pela próxima fase. Ansiosamente. Odeio os malditos dias-Suíça.

5 Fases de Consumo mais Recorrentes na Minha Vida

1. Iron Maiden - uma das poucas bandas do mundo que fico puto por ter todos os discos. Por mim, eles lançavam um CD por dia. Aliás, esquece, é melhor continuar desse jeito, assim gasto menos.
2. Séries de TV - Você nunca acordou e, ao abrir os olhos, percebeu que jamais poderia ser feliz na sua vida sem a 4ª temporada de Família Soprano em casa?
3. Romances Históricos - Vira e mexe estou no Japão feudal, em alguma batalha na Idade Média ou no meio do Império Asteca.
4. Chico Buarque - Não é raro eu comprar uns 3 CDs dele de uma só vez - nem que seja só para ficar lendo as letras e tentando entender como ele consegue fazer aquilo.
5. Quadrinhos - Esse é o mais simples de todos. Acordo, vou na Comix e 2 horas depois, declaro falência.

1 de agosto de 2006

Romantismo 0 X 1 Enlarge Your Penis

Estava conversando com uma amiga hoje de manhã, por msn, e contei do blog. A resposta dela: "Ai, eu acho isso tão romântico! Uma pessoa escrevendo para o mundo. Eu sempre quis montar um blog, mas tenho medo de não saber o que colocar ali. Mas é romântico demais!".

Romântico?!

Olha, é divertido, é relaxante... Mas passa bem longe do meu conceito de romantismo. Nada na internet é romântico. Nada. Estou escrevendo isso em um editor de texto e não num papel amarelado, usando uma pena de ganso. Meu Windows está em crise de identidade, porque descobriu que é pirata (e, pelo jeito que ele está reagindo, isso deve ser o equivalente a uma pessoa descobrir que é adotada). Tudo isso pega qualquer romantismo que isso aqui pudesse ter e manda excluir sem nem colocar na lixeira do Windows.

Ah sim, não podemos esquecer que estou assistindo a um show do Judas Priest na TV (nesse exato momento, estão tocando The Ripper). Ou seja, se houvesse uma Escala de Romantismo Universal, eu e esse post estaríamos em algum lugar entre "Gafanhotos Acasalando" e "Hiena Almoçando na Chuva". E essa, definitivamente, não deve ser uma posição digna de orgulho.

Aliás, romantismo mesmo seria começar um post assim:

"São 3 e 20 da manhã. Estou escrevendo isso no meu quarto, em Veneza, depois de meia garrafa de vinho. Uma brisa quente entra pela janela. Deixo os barulhos da rua me atingirem, afasto os olhos da tela e, olhando para as estrelas e sentindo o cheiro da cidade invadindo meu quarto, penso em me emocionar aqui, com você, nesse blog."

Ok, é bonito (partindo do princípio que o post fosse verídico, e não foi escrito por um vendedor de seguros divorciado numa lan house na Mooca). Mas é irreal. Quem me conhece sabe que eu estaria mais para:

"Sao 9 da noite. Estou numa churrascaria na Reboucas – que, para variar, esta completamente parada, porque um onibus quebrou perto do cruzamento com a Brasil. Faz 5 minutos que estou tentando sinalizar para o garçom que quero mais uma Coca, mas o babaca nem olha para mim. Alem disso, nao consigo configurar o teclado para escrever em portugues, entao nao faco a menor ideia de onde estao os acentos ou a porra da cedilha dessa merda, como voces devem ter reparado.
Mas o cupim esta um tesao."

Não adianta. Para mim, qualquer coisa que envolva termos como "conexão banda larga", "endereço de IP" e "anti-spam" perde o romantismo. Não consigo ver romantismo associado a isso aqui. Quer um exemplo? Pegue um livro que contenha diários.... O Diário de Anne Frank não, é trágico demais. Drácula. Pronto. O livro inteiro é narrado em diários e cartas. Agora, imagine se fosse hoje, com a internet.

Diário de Mina Murray
8 de setembro
Não recebi nenhuma e-mail do meu amado Jonathan, e, para passar o tempo, escolhi um novo template para o meu blog e coloquei o papo em dia com Lucy no msn. Ah, leitores, minha amiga exala vida! E ela tem cada emoticon que me faz corar de vergonha!

Não, não iria funcionar. Fora que, se a história se passasse hoje mesmo, Mina acabaria com a trama com uma simples busca no Google, com as palavras "Dracul" e "Romênia".

Diário de Mina Murray
12 de setembro
Descobri hoje que meu príncipe tem séculos de idade, renunciou à Igreja e bebe sangue. Entrei no Orkut dele e ele está nas seguintes comunidades: Romenos no Orkut. Bebo Sangue. Toda Elizabeta é Gata. Sou Imortal. Odeio a Igreja. Família Dracul. Quem eu Amo se Matou. Empaladores. Freak demais. Já bloqueei o msn dele e o Dr. Van Helsing me aconselhou a formatar meu HD, graças aos arquivos que esse louco me mandava."

Anyway, a piada está boa, mas vamos voltar para o assunto. Não há romantismo nisso aqui.

Pronto. A prova cabal disso acabou de chegar no meu e-mail. "Enlarge your penis and increase your sexual performance". Veio de um tal de Randolph T. Todd.

Agora, me diz: você consegue imaginar Edmond Dantes (monte.cristo@aol.com.fr), Heathcliff (heathcliff32@hotmail.com), Rick Blane (rick@rickamericancoffe.com) ou Vito Corleone (vito@gencooil.com) recebendo um e-mail como "free xxx pics" ou "viagra's best prices"?

Nem eu.

Talvez só o Humbert Humbert (hhumbert@hotmail.com), do Lolita, receba e-mails desse tipo. Mas, também, imagina os sites que esse cara deve acessar...


Anyway, Os 5 Autores dos Melhores Blogs que não Existem (e a primeira frase de um post qualquer).

1. Michael Corleone - "Não sei mais o que fazer com meu irmão. Eu já cansei de avisar, mas ele só faz cagada. Passei as últimas semanas em Cuba (por isso não postei aqui esses dias) e, para variar, ele pisou na bola."
2. Norman Bates - "Será que algum dia eu e minha mãe vamos nos entender? Mas não quero falar disso hoje. Vocês precisam ver a loirinha que se hospedou aqui!"
3. Moby Dick - "Caralho! Por que que esse porra desse manco desse Ahab não me esquece? Porra, a fila andou, cara! Se toca!"
4. Frodo Baggins - "Chegamos em Mordor. Esse anel pesa uma tonelada. Mas, não adianta, é o meu destino. É a minha missão e de mais ninguém. Gandalf, se você estiver lendo isso, memorize minhas palavras: vá a merda!"
5. Randolph T. Todd - Bati meu recorde. 6000 spams em 40 minutos. Amanhã, vou mandar um pouco de "Quit Smoking Now". Tão fudidos.