18 de agosto de 2006

Caveiras & Monstros - Sonho Adolescente

Eu sempre gostei de heavy metal. Sempre. Desde antes de gostar de heavy metal. Não, não é exagero. Eu ainda estava na fase Ultraje a Rigor quando comecei a gostar de heavy metal, mesmo sem conhecer nenhuma música. Sim, porque o disco que eu comprei do Kiss, em 83, no auge da Kissmania no Brasil (e que eu, com 8 anos, pedi na loja como "o disco do Kiss que tem aquela música do ô-ô-ô-ô-ô-ô-ô-ô" para vergonha da minha mãe) não conta. Eu não tinha idéia do que era heavy metal ou hard rock, eu achava aquele cara mascarado que cuspia sangue o máximo.

Mas, voltando: sempre fui fascinado pelas capas de discos de heavy metal. Eu entrava nas lojas (as paleozóicas Hi-Fi e Museu do Disco) e ficava horas olhando as capas dos bolachões. Especialmente as do Iron Maiden. Você tem idéia do impacto que uma caveira daquelas tem na vida de um menino de 10, 11 anos? A música? Foda-se a música, quero ver outro desenho da caveira.

Eu achava o máximo também as capas do Pink Floyd - sim, eu sei, Pink Floyd, não é metal, mas estou divagando mesmo. Perto da caveira do Iron, a capa do Atom Heart Mother era meio sem graça, mas me intrigava. Que tipo de música existiria num disco cuja capa é uma... vaca??? E a vaca não estava em chamas, ou no espaço, ou condenando alguma alma no inferno. Não... a Vaca (vou começar a usar maiúscula, quero que a Vaca seja um personagem) estava apenas olhando para você, com aquela cara de vaca, tão expressiva quanto o Keanu Reeves em Advogado do Diabo.

E o que dizer da capa de Physical Graffiti, que mostrava aquele prédio que, quando você puxava o interior da capa, fazia com quem as figuras nas janelas? E eu, sem nem desconfiar que ali dentro tinha uma Kashmir guardada no final do primeiro disco, queria mais era ficar abrindo e fechando a capa, como um boçal, para desespero do vendedor que devia estar morrendo medo daquele moleque rasgar algum pedaço.

Digo isso porque, outro dia, tive uma das minhas crises de TOC (transtorno obsessivo de colecionadores) e comecei a arrumar meus CDs. 20 minutos depois, eu estava sentado no chão da sala, ouvindo Led Zeppelin e olhando a capa do Somewhere in Time, com um gosto de saudade na boca, como se eu tivesse acabado de descobrir aquilo numa loja. Claro que hoje as coisas são diferentes. Os discos têm outro significado para mim, além de serem um desenho legal.

Especialmente Powerslave.

Sim, para mim é o melhor disco do Iron Maiden. Disparado. Aliás, um disco que tenha músicas como Aces High, Powerslave e Rime of the Ancient Mariner, podia ter, como capa, um boneco-palito desenhado com canetinha verde, que ainda assim seria um absurdo. Mas, não, só de sacanagem, ele tem a capa mais tesuda do mundo: grandiosa, elegante, agressiva. Só a capa de Powerslave é mais pesada que todos os discos do Aerosmith juntos (se bem que, dos anos 90 para cá, até Ray Coniff é mais pesado que Aerosmith). E é meu disco de cabeceira – sim, TAMBÉM por causa da capa.

E aí chegamos num dos meus primeiros discos de rock, Appetite for Destruction, do Guns. Primeiro, aquele desenho (proibido em "n" países do mundo) que mostra um pós-estupro pode parecer cafona e americano demais hoje, mas, um moleque de 14 anos como eu daria a alma para tirar a camisa na educação física e ter uma tatuagem daquelas no braço. E o encarte, com aquela foto com todos os integrantes da banca olhando com cara de mau-arrogante-drogado-perigoso-instável já fazia você gostar do disco antes mesmo de ouvir.

Outras capas fizeram a história da minha vida. The Real Thing, do Faith No More (que, para mim, era uma tampinha de garrafa pegando fogo); And Justice for All, do Metallica (eu fiquei no sofá de casa olhando a capa uns três minutos antes de abrir o disco); Love Drive, do Scorpions (por causa do "chiclé grudado no peito da mina" - nada como a poesia pré-adolescente); o próprio Creatures of the Night ("ô-ô-ô-ô-ô-ô-ô-ô"), do Kiss, com aquele tom azulado... E por aí vai.

Dizem que um livro não se julga pela capa. Um disco também não. Mas, se você teve 14 anos um dia, sabe que, num disco de rock, a capa ajuda um bocado...

(Enquanto isso, no Brasil, Roberto Carlos tem 6.029 discos - sem contar as "coletâneas-Carrefour". Todos os 6.029 chamam Roberto Carlos. A capa de todos os 6.029 é azul, com uma foto dele. O único diferente é aquele que ele tem a pena na cabeça. O nome? Roberto Carlos. Ô fase.)

Ah sim. Hoje eu já aprendi que o nome da caveira não é Caveira, é Eddie.


5 Melhores Capas de Hard Rock /Heavy Metal (Iron Maiden nem Concorre)

1. Black Sabbath (Black Sabbath) - acha que a capa com a suposta bruxa já é assustadora? Então, passe longe do riff de guitarra que abre o disco.
2. Back in Black (AC/DC) - quem conhece a história da banda, sabe que a capa tem mais significado que qualquer letra do Engenheiros do Hawai.
3. Physical Graffiti (Led Zeppelin) - cai para terceiro porque a capa do CD não tem o mesmo efeito interativo da capa do vinil.
4. Sad Wings of Destiny (Judas Priest) - Aquele anjo pegando fogo é a coisa mais deliciosamente brega da história do heavy metal.
5. And Justice For All (Metallica) – poucas vezes uma capa branca funcionou tão bem num disco de metal.

2 comentários:

Anônimo disse...

Falar mal de engenheiros do hawaii é chutar cachorro morto. Não vale.

Powerslave disse...

Apesar de tudo, Powerslave ainda é o melhor CD do Iron... bem melhor que o The Number, clichezinho. Powerslave, só quem é fã conhece, de cor e salteado. E você tem PHD nisso, né não !? Bom, a Vaca tá olhando pra mim agora, acho que ela quer que eu a ouça. Nada mais justo, right?