31 de agosto de 2007

Carta Aberta aos Blogueiros de Merda

Caro blogueiro de merda,

Imagine a cena. Dia Internacional dos Cineastas. Um restaurante é escolhido para celebrar a data. Numa mesa estão Akira Kurosawa, Federico Fellini, Ingmar Bergman, Martin Scorsese, Charles Chaplin, Sergio Leone e Moacyr Góes. E este último passa o jantar inteiro explicando aos colegas como conseguiu elaborar o plano utilizado na abertura de Xuxa Abracadabra.

Entendeu o ridículo da cena? Não?

Bem, para efeito de raciocínio, podemos tentar com rock, vamos ver se funciona.

Dia Internacional do Rock. Um restaurante é escolhido para celebrar a data. Numa mesa estão John Lennon, John Bonham, Pete Townshend, Ritchie Blackmore, Eric Clapton, Bob Dylan e Dinho Ouro Preto. E este último passa o jantar inteiro explicando aos colegas como foram as gravações do Acústico MTV.

Entendeu agora? Ainda não? Vamos radicalizar, então (se você já entendeu onde quero chegar, pule os próximos três parágrafos).

Dia Internacional dos Escritores e Dramaturgos. Um restaurante é escolhido para celebrar a data. Numa mesa estão Ernest Hemingway, James Joyce, William Shakespeare, Júlio Verne, Machado de Assis, Fyodor Dostoyevsky e você. E você passa o jantar inteiro explicando aos “colegas” o enorme número de acessos que o seu blog teve no dia em que você colocou o vídeo do Sílvio Santos e a piadinha do bambu no ar.

Entendeu agora? Ainda não?

Ótimo, você acabou de me dar razão por ter usado você como exemplo.

Hoje se comemora o Blog Day. E, como toda data comemorativa, o Blog Day peca por generalizar tudo. Por definição, um blog é um diário virtual, onde o autor (ou autores) publica pensamentos, crônicas, ensaios... Basicamente, tudo o que ele quiser, da forma que ele quiser.

Porém, hoje em dia, blogs nos quais os autores apenas publicam vídeos do Youtube, fotos que todo mundo já recebeu por e-mail 300 vezes (sim, isso inclui os ensaios da Playboy), que disponibilizam downloads de programas, filmes e séries, e – pior ainda – que copiam descaradamente materiais de outros blogs, sem citar a fonte, existem em bom número por aí.

E esses “blogueiros” (aspas bem grandes mode: on) devem ter postado algo nos seus blogs sobre o Blog Day. Sim, porque essas pessoas se consideram blogueiras. Tudo porque eles possuem uma página no blogspot, ou no wordpress. E lotam aquilo de bugigangas, downloads de filmes nos quais eles não trabalharam, músicas que eles não compuseram, textos que eles não escreveram.

E exibem, orgulhosos, os contadores de visitas.

– Ah, mas eu tenho mais visitas que você, um deles diria, rindo.

Não, não tem. As 10 mil pessoas que entraram no seu blog atrás das fotos da Playboy foram atrás da mulher, e não do seu blog. Quem criou aquilo foi o JR Duran, e não você. As quatro pessoas que entraram no meu blog foram atrás do meu texto. De algo que EU criei.

E, não, não adianta você colocar um comentário do tipo “os peito dessa muié são animal! baixa aí as fotu pra vc ver!”.

Isso não é criar. Isso não é um blog.

Fazer isso não é manter um “diário onde você registra seus pensamentos”. A não ser, claro, que o seu conceito de diário seja copiar coisas dos diários dos outros. Se for o caso, você está vivendo a vida dos outros, e não a sua. E, pior ainda, está aí, todo feliz, exibindo isso para todo mundo.

Por isso que eu gostei demais da definição de blog, escrita pelo Dragus no seu post de hoje. Aliás, não é bem uma definição, mas uma regra. “Blogs priorizam conteúdo - independente de qual seja -, tanto é que hoje em dia o Google limita a quantidade de fotos que pode colocar nos blogs em 1024mb, mas não limita a quantidade de caracteres”. Perfeito. Eu não explicaria melhor.

Quer copiar e colar fotos? Monte um fotolog. Por que, se para você, escrever num diário é o mesmo que copiar e colar, aceite meu conselho: esqueça essa história de blogs. Pegue uma folha em branco, umas quatro revistas, tesoura, cola e entra para a indústria de seqüestro, seguindo a profissão de “escrevinhadô de pedidos de resgate”. Você vai se dar bem, você vai ver.

Ah, mas você está feliz com o número de acessos que seu blog teve quando você publicou aquela foto que roubou de um blog igual ao seu?

Bem, Ok.

Hoje é o Blog Day, então, parabéns. Não, não estou dando os parabéns porque você tem um blog. Você não tem blog nenhum. Dou os parabéns porque, se você faz isso, é porque você tem acesso à Internet. Então, por que não aproveita a data de hoje e sai por aí, navegando de blog para blog, lendo os textos e, quem sabe, se inspirando o suficiente para criar algo realmente seu?

Ah, seu texto é uma merda? Você acha que não sabe escrever? Você é daqueles que acha que “o time joga bem comigo e semigo”?

Não me importa. Tente.

Eu prefiro ver um texto seu repleto de erros de português, a uma foto que eu já vi 357 vezes somente essa semana.

Assim, quem sabe, em 31 de agosto de 2008 você terá os meus parabéns pelo Blog Day.

Hoje, não. Hoje eu deixo meus parabéns a todos os blogueiros que não se identificaram com esse texto. Sim, isso inclui aqueles que escrevem textos longos, com parágrafos com mais de quatro linhas e cheios de polissílabas.

Desculpe derrubar seu castelinho de cartas, mas o Blog Day é dessas pessoas, e não seu. Tente de novo no ano que vem.

Boa sorte.

P.S. – Está rolando uma corrente na Internet, em comemoração ao dia de hoje, no qual cada blogueiro indica aos leitores cinco blogs que ele gosta. Não vou fazer isso hoje, porque não quero misturar o nome de cinco blogs bons com os blogs aos quais essa carta se dirige. Amanhã, publico a minha.

30 de agosto de 2007

We are the Champion(ship Vinyl)

Há pouco mais de um ano atrás, quando eu criei esse blog, minha idéia era simplesmente ter algum lugar na internet para escrever minhas crônicas e desventuras do cotidiano. Nada mais que isso. Porém, parece que a coisa decolou mesmo, pois é com o orgulho mode: on no talo que eu anuncio aqui que o Championship Vinyl venceu o IV Concurso da comunidade Eu Tenho um Blog do Orkut, sendo campeão nas categorias Melhor Blog Cotidiano e (na cobiçada) Melhor Blog.

O concurso foi dividido em três fases: na primeira, os jurados apontavam os cinco melhores blogs de cada categoria (Cotidiano, Humor, Ficção e Mídia / Opinião); na fase seguinte, esses blogs disputavam o título de melhor blog da categoria em votação aberta. E, por fim, os vencedores de cada categoria enfrentavam-se na enquete final, que apontaria o melhor blog da comunidade.


Escolhido como um dos cinco melhores da categoria Cotidiano pelos jurados, o Championship venceu a enquete da categoria com 31% dos votos. Classificado para a votação final, foi eleito o melhor blog da comunidade com 41% dos votos. E isso disputando a final com blogs excelentes como Tio Punk, Pequeno Dicionário e Pimenta nos Olhos. Os dois selos, que reproduzo aqui, já estão na barra lateral, junto com o prêmio de Melhor Blog da comunidade Blogspot (Blogger).

Eu, Besta-fera, Jonas e toda a família Championship Vinyl agradecemos a todos os jurados e leitores que votaram, e a todos os que passaram por aqui deixando os parabéns. O único que não agradeceu ninguém foi o Blog, que, já recuperado da sua crise de choro no final da entrevista (Meme)sa Redonda, imprimiu o selo de Melhor Blog numa cartolina e está, desde terça-feira, correndo pelas ruas de Pinheiros, fazendo uma espécie de volta olímpica pelo bairro (espero que ele não leia isso, mas, às vezes, meu blog comporta-se de forma deprimente).

Obrigado mesmo a todos que votaram. É altamente gratificante saber que as bizarrices que acontecem na minha vida servem para alguma coisa. E, mais importante que ser escolhido Melhor Blog, é saber que muita gente realmente concorda com o fato de que a humanidade não deu certo.

Além disso, amanhã, 31 de agosto, será comemorado o Blog Day. Eu já estava sabendo disso, mas confesso que havia esquecido. Obviamente não será feriado e nem teremos desfiles populares com blogueiros - também porque a parada iria acabar na metade, já que todo blogueiro iria correndo para casa para tentar ser o primeiro a postar algo sobre o assunto.

Enfim, quem encontrou uma maneira legal de comemorar a data foi a Elza, do blog Nada pra Mim: ela criou o prêmio Blog 5 Estrelas, que consiste em cada blog apontar outros cinco blogs merecedores do prêmio - e os resultados serão divulgados justamente no Blog Day. E o Championship Vinyl foi indicado pelos blogs Folhetim On Line e Pensamentos Equivocados. Eu agradeço demais a indicação, ainda mais tendo em vista a qualidade dos blogs.



Já coloquei o banner acima no blog (aqui na barra lateral esquerda) e agora, seguem os meus cinco indicados (estou avisando a Elza por e-mail, como mandam as regras). Todos eles excelentes blogs, que valem muito mais que cinco estrelas. Se você é dono de um dos blogs abaixo, entre no Nada para Mim e confira as regras e procedimentos a tomar:

- Acepipes Escritos
- Cheiro de Brinquedo Novo
- Contos Ancestrais
- Amelie Beatles Bonfant
- Cinema & Afins

E, para finalizar, deixo aqui o Top 5 da vez, com os comentários de alguns membros da família Championship Vinyl sobre a premiação conquistada pelo blog.

1. "Você realmente gosta de ficar escrevendo nessa pagininha aí, né?" (Besta-Fera)

2. "Porra, você acabou com o biscoito?" (Jonas)

3. "Ai, que bár-ba-ro!" (Jasmim)

4. "CHUPEM TODOS VOCÊS!" (Championship Vinyl)

5. "Cota, cê viu? O blog do gen boa foi premiado!" (Johnny, o punk do Pão de Açúcar)

28 de agosto de 2007

Suicide is Painless - Parte Final

(você lê a primeira parte aqui)

Eu não sabia se descia para ver o que a síndica iria fazer, ou se esperava na varanda para ver como a tentativa de suicídio da Tereza terminaria. Nos prédios da frente, mais e mais pessoas se amontoavam, atraídos pela gritaria. Alguns – tenho certeza – deviam estar torcendo que ela se jogasse logo. A humanidade é uma merda mesmo. Queria ver se fosse no prédio deles.

Foi nessa hora que a Besta-fera, que estava na varanda comigo, resolveu se render à adrenalina do momento e começou a latir para a Tereza. Isso fez com que o homem que a segurava pelo braço se distraísse e olhasse para cima. Na mesma hora, dei um safanão no animal e o joguei para dentro de casa. Tudo o que me faltava era que o cara deixasse a mulher despencar dali por causa do meu cachorro, na frente de metade do bairro. E pior, com a síndica vendo tudo.

Tranquei o bicho na sala e voltei para a varanda. A situação parecia ter melhorado. Tereza estava, agora, com metade do corpo para dentro da sacada, mantendo apenas os pés – ainda com os dois chinelos – para fora do prédio. Vocês podem dizer que foi a mão de Deus (maradona mode: on) que a salvou. Já eu tenho certeza de que ela percebeu que a síndica estava lá embaixo e mudou rapidinho de idéia.

E, com um último puxão, o sujeito conseguiu trazer a Tereza para dentro do apartamento. Ela caiu estatelada no chão da varanda e, com a queda, gritou “ai!”

Assim mesmo. “Ai”. De dor.

Fiquei muito puto. A mulher queria se matar se jogando do sétimo andar, e, quando salvam a vida dela, ela geme de dor caindo de uma altura de uns 60 cm? Porra, só pode estar de brincadeira. Senti vontade de gritar que “ah, você nem tinha jeito para a coisa mesmo!”, mas fiquei na minha. Ainda mais com a síndica ali embaixo, estudando o prédio com a sua visão de raio X.

Sirenes. Olho para a rua e vejo duas viaturas da polícia e uma de resgate parando na frente do prédio. Olhei para a Tereza, que continuava deitada no chão da varanda, ao lado do homem. Como a festa aparentemente foi transferida lá para baixo, fui correndo para o elevador. Afinal, eu tenho um blog para manter.

Desci no térreo, atravessei o saguão e dei de cara com ela: a temível síndica.

Vocês assistiram Snatch? Lembram-se do Brick Top, aquele mafioso que matava as pessoas usando-as como alimento para seus porcos? É a minha síndica. Até os óculos são iguais. A única diferença é que ela joga condôminos inadimplentes e não mafiosos wanna be aos porcos.

Ela olhou para mim e disse, com os dentes trincados (ela está sempre com os dentes trincados):

– VOCÊ VIU TUDO?

– Sim, senhora.

– ELA TENTOU PULAR?

– Sim, senhora

– AH.

O “ah” dela foi a coisa mais ameaçadora que eu vi esse ano. Senti mesmo pena da Tereza. Quase olhei para cima e gritei “Tereza, não desista, ainda dá tempo!”, mas, quando se trata da minha síndica, é cada um por si. Ela continuou:

– NÃO ACREDITO QUE ISSO ACONTECEU AQUI. ESTE É O EDIFÍCIO MAIS TRANQÜILO DE PINHEIROS.

Percebi que ela não sabia que, semanas atrás, eu quase consegui incinerar o “edifício mais tranqüilo de Pinheiros” secando uma calça no aquecedor. Numa fração de segundos, me vi sendo jogado aos porcos que devem estar escondidos no segundo subsolo ou dentro da sauna. Resolvi mudar de assunto, mas acabei dizendo a coisa mais estupidamente óbvia do mundo.

– A polícia chegou, a senhora viu?

– AH.

Deus, que medo.

Os policiais entraram no prédio e começaram a conversar com ela. Ela explicou que eu tinha visto tudo desde o começo e eu relatei o ocorrido desde o começo. E, aproveitando que eu estava do lado de dois policiais armados, criei coragem e perguntei para ela:

– A senhora sabe se ela já tinha problemas?

Ela sorriu, num misto de desprezo e raiva, e resmungou:

– VOCÊ NÃO ESTAVA NA REUNIÃO DE CONDOMÍNIO, CERTO?

– Não, mas olha, juro que não por culpa minha, eu queria muito ter participado da reunião, mas fiquei preso no trabalho, mas, na próxima vez, eu prometo que... não, eu juro, que...

– ELA ME OFENDEU NA REUNIÃO DE CONDOMÍNIO. DESCEU DE CAMISOLA E COMEÇOU A BRIGAR COMIGO POR CAUSA DA VAGA NA GARAGEM. ELA É INSTÁVEL.


A síndica do meu prédio, ao centro, indo cobrar um aluguel atrasado.
À sua direita, o zelador. À esquerda, um dos porteiros.

E assim, ela me contou, usando o mínimo de palavras possível, que a Tereza sempre deu trabalho, desde que se mudou para o prédio, há um ano atrás. Quando acabou sua narrativa, ela olhou para cima e ficou estudando a varanda da Tereza.

Eu comecei a rezar baixinho um Pai Nosso implorando a Deus para que a Besta-fera não resolvesse jogar um de seus brinquedos pela varanda justamente agora. E se ele fizesse isso, eu negaria até a morte que eu o conhecia.

A síndica Brick Top virou-se para um dos policiais e perguntou (aliás, "determinou" seria a palavra exata):

– VAMOS SUBIR ATÉ LÁ?

Eu, pensando no meu blog, fui atrás deles e soltei um:

– Olha, como eu vi tudo, talvez eu seja possa ajudar...

Eu estava na porta do saguão e na metade da frase quando ela virou para mim e, sem falar uma palavra, sem emitir um som qualquer, fez um sinal de "fique aí" extremamente ameaçador.

– ...ou não, porque vocês parecem ter tudo sobre controle, eu emendei, gaguejando, dando meia-volta.

Aquela mulher exala perigo. Reparei que até o policial estava meio incomodado de ter que entrar num elevador sozinho com ela.

Como a Tereza situation estava, aparentemente, terminada, decidi ir até o mercado comprar meu jantar. Quando voltei, ainda vi a Tereza sendo colocado dentro do caminhão de resgate e a polícia indo embora. Entrei no prédio e a síndica veio falar comigo:

– ELA FOI TERMINANTEMENTE PROIBIDA DE ENTRAR NO PRÉDIO. ELA NÃO ENTRA MAIS AQUUI SOZINHA.

Percebi na hora que, aparentemente, tentar se suicidar, no meu prédio, é algo que fere gravemente os estatutos do condomínio. Jogar lixo pela janela garante uma multa, mas o que a Tereza fez resultou no seu banimento. A Tereza foi jogada no exílio (mas deve ter sido multada também, porque ela resolveu fazer tudo isso num domingo à noite, quando nem os técnicos da TV a cabo podem passar pelo portão).

Vendo que tudo estava resolvido, ela virou-se para mim e rosnou:

– ATÉ MAIS VER.

No dia seguinte, instalaram uma tela, daquelas de nylon, na varanda da Tereza. Rá! Como se isso pudesse detê-la. O apartamento dela continua vazio (ela ainda está no hospital. Ou foi jogada aos porcos?), mas, na dúvida, eu já avisei os porteiros que a partir de agora, eu só entro e saio pelo portão lateral, da garagem; e que eu quero ser avisado todos os dias da data da próxima reunião de condomínio.

Ah, sim, o Jasmim. Ele(a) estava em casa, mas mesmo morando no apartamento imediatamente acima da Tereza, nem percebeu o que aconteceu. Isso porque ele resolveu, de duas semanas para cá, ouvir toda a discografia da Maria Bethânia, num volume que torna a(o) irmã(o) do(a) Caetano(a) audível até mesmo em Jundiaí.

Aliás, não me espantaria se isso tivesse causado todos os sérios distúrbios mentais na pobre Tereza. Porque, sem sacanagem, é Maria Bethânia o dia inteiro. Claro que eu poderia pedir uma investigação sobre esse fato e suas ligações com a loucura da Tereza, mas toda vez que penso nisso, lembro dos porcos na sauna e mudo de idéia, indo assistir a Harry Potter.

Com o volume no mínimo e a porta trancada.

23 de agosto de 2007

Suicide is Painless - Parte I

Como o último livro de Harry Potter (ou “Éri Potter”, como diz minha mãe) sairá em português no final do ano, estou relendo (e assistindo) os livros (e filmes) anteriores. E, um dia desses à noite, estava assistindo A Câmara Secreta, também porque eu nunca tinha assistido o DVD com home theater, o que torna o filme mais divertido ainda – imagine Harry Potter disparando um feitiço na sua frente e uma explosão acontecendo atrás da sua cabeça?

Enfim, lá estava eu assistindo os moleques lutando para descobrir quem era o tal herdeiro que abre a câmara secreta, quando ouço, à minha direita, o grito:

– TEREZA!!!!

Tereza? Que Tereza? Não lembro de nenhuma Tereza. Será que o monstro da Câmara Secreta chama Tereza? Hum... Comecei a pensar nos personagens. Dumbledore, Snape, Harry Potter, Hermione... Não, não lembro de nenhuma Tereza no filme. Bem, não sei quem é Tereza, nem o que ela está fazendo, mas provavelmente não tem a ver com a trama. Dez segundos depois:

– TEREZA, NÃO FAZ ISSO, PELO AMOR DE DEUS!!!

Pausei o filme. Silêncio.

– TEREZA!!! PELO AMOR DE DEUS!

Não é no filme. Levantei e fui até a sacada, certo de que iria encontrar um casal brigando na rua. Para minha surpresa, a rua estava deserta. Olhei mais para baixo e na varanda do apartamento abaixo da residência do Jasmim (que fica ao lado da minha) o mistério foi desfeito. Uma mulher de aparentemente uns cinqüenta anos estava agarrada na grade, do lado de fora, ameaçando se matar. Do lado de dentro, alguém a segurava pelo braço e tentava puxá-la para dentro, aos berros. Somei “a” com “b” e constatei que sim, aquela mulher ali deveria ser a tal Tereza.

Todas minhas pretensões de, um dia, me tornar um super-herói, e ser aclamado como o grande salvador da humanidade foram por água abaixo.

Super-Homem teria arrancado a blusa e voado para salvar a mulher; Homem-Aranha teria prendido a mulher com teia na sacada, o que daria tempo dos bombeiros chegarem, Jack Bauer teria mergulhado no ar, descoberto, no meio do caminho que o homem que tenta salva-la era um terrorista, enfiando um tiro no meio dos olhos dele, agarrando a mulher pela cintura e aterrissando em segurança na varanda do quarto andar. Até mesmo o Harry Potter teria gritado um “vingardium leviosa” ali e resolvido tudo.

Eu? Vendo a mulher ali, a três metros de mim, tentando se jogar lá para baixo... Bem, a única coisa que eu consegui fazer foi reparar que o chinelo dela – um Rider azul – estava quase soltando do pé e gritar “Puta que o pariu, não se joga não!”.

Clark Kent teria feito melhor, eu sei.

Corri até o celular para ligar para a polícia. No meio do caminho, tropecei no Besta-Fera que vinha totalmente bêbado de sono na direção da sacada, para ver o que acontecia. Liguei 190 e:

Não foi possível completar a sua ligação devido ao enorme número de chamadas. Tente novamente mais...

Merda! Merda! Tentei de novo.

Não foi possível completar a sua ligação devido ao enorme número de chamadas. Tente novamente mais..

Joguei o celular longe e corri até o interfone, para pedir ao porteiro para que ele tentasse. No terceiro toque, ele atendeu, já dizendo, aos gritos:

– Seu Rób Górdu, chama a políça porque eu num to conseguino!

Peguei o celular novamente e voltei para a varanda. Um dos pés da Tereza já estava pendurado no ar, balançando. “Questão de segundos”, pensei.

Gritei alguma coisa que nem eu mesmo entendi para o sujeito que a segurava nessa encarnação pelo braço – e, logo em seguida, me assustei com a idéia dele não entender o que eu disse, olhar para cima para perguntar “o quê?” e deixar a mulher cair. Isso certamente arruinaria a minha reputação no prédio, já que eu passaria a ser conhecido como “o sujeitinho que matou a mulher do 72”.

Tentei novamente. No primeiro toque, atenderam.

– Emergência, boa noite.

Sinceramente, não sei por que instruem a telefonista da polícia a dar boa noite. Será que nunca pensaram que se você está ligando para ela, é porque a noite não está exatamente boa?

– Tem uma mulher tentando se matar no meu prédio! Ela quer se jogar da sacada!

E aí, sem aviso algum, fui surpreendido com a pergunta mais brilhante que alguém poderia fazer nessa hora:

– Mas, senhor, está acontecendo alguma coisa?

A minha resposta dos sonhos para isso seria algo como: “Não, ainda não. Na verdade, ela espalhou uma circular pelo prédio dizendo que pretende se matar nos próximos dias. Como talvez vocês não tenham recebido uma cópia, achei melhor alertá-los.” Mas confesso que faltou coragem. Sim, porque se o pessoal do CSI tem toda aquela aparelhagem que eu vejo na TV, a polícia brasileira deve ter ao menos um Bina. E aí eu estaria fodido. Fiquei na minha e respondi:

– Bom, eu estou na sacada olhando a mulher. Ela está do lado de fora da sacada, balançando as pernas, e alguém está do lado de dentro segurando ela pelo braço. O chinelo dela, é um Rider, está quase caindo. É... Sim, acho que está acontecendo algo.

– Qual o seu endereço?

– Rua Fulano de Tal, número XX. Deus do céu! Ela vai pular!

– O senhor pode soletrar?

– pê. u. éle. a...

– Não, o nome da rua.

–Desculpe, estou meio nervoso. É meu primeiro suicídio, sabe?

Soletrei o nome da rua e ela respondeu:

– Vou transferir o senhor para os bombeiros.

Antes que eu pudesse gritar “então porque pediu meu endereço? Não quer meu CPF também?”, a telefonista dos bombeiros me atendeu e disse que despacharia um resgate para o local. Muito mais eficiente. Chupa, polícia! (se você é policial, gostaria de deixar claro que fui coagido pelo Jonas a escrever isso aqui).


Olhei para a frente. Nos outros prédios, pessoas em todas as sacadas (felizmente, do lado certo da sacada, diferente da Tereza) assistiam a tudo. Se eu estendesse uma faixa com a inscrição “leia tudo sobre isso aqui amanhã, no Championship Vinyl”, meu blog teria mais acessos que o Uol, na manhã seguinte.

Sacudi a cabeça e parei de pensar bobagem. Olhei para baixo. A mulher ainda estava brigando com o seu pretenso salvador, e ameaçando se jogar e acabar com tudo, enquanto ele gritava pelo-amor-de-Deus-não-faz-isso!

Nada dos bombeiros.

Olhei para baixo e comecei a calcular a queda. Ela iria se estatelar justamente em cima da guarita do porteiro. E eu, assistindo tudo de camarote, veria tudo aquilo, do mesmo ângulo que mostrou o Alan Rickman despencando do Nakatomi Plaza no final do primeiro Duro de Matar. É, não seria uma boa maneira de começar a semana.

Percebi um movimento acontecendo na entrada do prédio. Alguém entrava no prédio. Fixei meu olhar ali e percebi que a situação da Tereza piorava a cada segundo. Não eram os bombeiros, nem a polícia, nem o resgate, nem o Harry Potter.

Era a síndica, chegando com uma amiga.

Eu conheço minha síndica. Ela é daquelas que, se o Rottweiller do filme A Profecia invadisse o prédio, ela expulsaria o bicho daqui a dentadas. Vi que a síndica olhou para cima e viu tudo aquilo acontecendo.

Olhei com pena para a Tereza. De repente, o suicídio começou a parecer a melhor opção dela mesmo. Confiem em mim, vocês não conhecem a síndica do meu prédio.

(continua...)

21 de agosto de 2007

Pequeno Incendiário Amoroso

(O relato a seguir é totalmente verídico. Talvez, um dia, vocês encontrem uma história parecida em algum outro blog por aí. Não se tratará de plágio, mas, provavelmente de outro ponto de vista da mesma situação.)

Algumas noites nascem para ser perfeitas. Alguma coisa ocorre na conjunção dos planetas e estrelas, fazendo com que tudo aconteça no lugar certo, na hora certa, deixando alguns momentos da vida com cara de propaganda de cartão de crédito.

E aquela noite era uma dessas. Frio. Hotel reservado. Aniversário do primo. Tudo perfeito. Tudo planejado. Nem a dor de dente que havia enchido o saco a semana inteira me incomodava mais. A única coisa que poderia azedar tudo era uma das minhas mascotes, o Gnomo da Catástrofe, aquela entidade maldita que resulta da soma entre meu azar e minha estupidez (e é matematicamente representado pelos caracteres “ô fase”), e que sempre me acompanha, sentado no meu ombro e demolindo minha vida.

Mal sabia eu que aquela noite, aparentemente perfeita, seria um desbunde para o gnomo.

Fomos ao aniversário, eu e ela. Uísque, caipirinha de morango com saquê. Ela, com fome, pede ao garçom uma porção de fritas.

– Com cheddar, por favor.

Minutos depois, quando o garçom colocou o cheddar na mesa, eu senti um arrepio na espinha. Achei que fosse o frio. Mal sabia eu que era o Gnomo da Catástrofe olhando por cima do meu ombro como um corvo e rindo. Comemos, bebemos, nos divertimos e voltamos para o hotel, onde ainda encontramos tempo para tomar chocolate quente no saguão.

Subimos para o quarto e ela solta a primeira grande frase da noite:

– Algo não caiu bem. Estou enjoada.

Em algum lugar na noite fria, o fator Rob Gordon gargalhou cruelmente. Eu não ouvi. Desci, comprei remédio, voltei.

– Ainda estou enjoada, ela disse, indo ao banheiro.

Eu fui junto. Ela se sentou num canto e ficou esperando algo acontecer. O gnomo, sentado na pia do banheiro, ria e esfregava as mãos sordidamente. Se eu pudesse vê-lo, teria me lembrado de Peter Lorre em Casablanca. Mas eu não vi nada, estava mais preocupado com ela.

E, de repente, ela coloca tudo para fora. Tudo, literalmente (exorcista mode: on). No chão, não no vaso. (não que fez muita diferença, porque o que estava indo vaso abaixo era a minha noite). Na mesma hoje, o cheiro identificou o culpado e eu acusei em voz alta:

– Foi a porra do cheddar!

Ela, meio verde, concordou. Eu, também meio verde, olhei para o chão do banheiro. O gnomo, num canto, chorava de rir. Nem me importei. Como diria Chico Buarque, “agora eu era herói”. Coloquei-a na cama e a cobri. Levei a escova de dente e um copo de água. Desliguei o ar condicionado – ela tremia – e fui até o saguão do hotel, pensando em como contar aquilo, sem ter que explicar que “não sou um rockstar, ela não é uma groupie e não, ela não está com overdose, foi o cheddar mesmo, acreditem”.

Acordaram uma camareira que, no meio da madrugada, chegou com aparatos de limpeza. Eu, obviamente, tinha tentado limpar tudo com uma toalha mesmo, mas só piorei ainda mais a situação. Quando a camareira foi embora, ela, da cama, olhou sua calça e disse:

– Minha calça está toda suja....

– Esquece isso, amanhã, em casa, a gente lava.

Nessa hora, os olhos do gnomo brilharam. Senti, novamente, um arrepio na espinha, mas achei que fosse um reflexo do que eu havia visto no banheiro.

Dormimos. Ela acordou bem melhor. Nova em folha. Check-out no hotel. Fomos para casa e, ao chegarmos, o maldito Gnomo da Catástrofe já estava lá, nos esperando, batendo papo com o Jonas no sofá. Besta-fera não estava em casa. Ela, com uma calça de moletom minha, começou a lavar a calça suja, até que se voltou para mim com a peça de roupa molhada, nas mãos.

– Isso nunca vai secar hoje.

E, neste momento, eu tive aquela que seria a idéia mais brilhante da minha vida. Sabendo que o varal não resolveria, fui até o quarto e coloquei a calça por cima do aquecedor, mantendo as pernas da roupa afastadas, sobre uma cadeira. Voltei para sala e, com ar genial, disse:

– Tudo resolvido. Em meia hora, sua calça está seca.

O gnomo começou a gargalhar do meu lado. Ficamos vendo TV e, subitamente, ela pergunta, num tom até mesmo casual:

– Que cheiro é esse?

– Hum?

– É... Esse cheiro de queimado....

(O gnomo começou a chorar de rir)

– Que cheiro?

– E essa fumaça... O que é isso?

– PUTA QUE PARIU! FUDEU! A CALÇA!

Corri para o quarto. Não dava para ver nada direito, por causa da fumaça. Minha casa parecia um cenário de Blade Runner. Olhei para o aquecedor e entendi o que havia acontecido. As pernas da calça haviam escapado da cadeira e caído por cima do aquecedor e estavam em chamas.

Agora eu não era mais herói. Agora eu era um idiota, tentando agarrar a calça pegando fogo, tossindo feito um tuberculoso. O gnomo rolava na cama de tanto rir. Sai correndo pela casa com a calça em chamas, aos gritos de “sai! sai” e joguei no único lugar que me ocorreu como solução: o vaso. Empurrei a calça com o pé para dentro da água.

A fumaça agora estava na casa inteira. Menos no chão, por causa da fuligem. Abri a janela do quarto e liguei o ventilador, para tentar purificar um pouco o ambiente. O gnomo se acabava de rir na cama. Ela, provavelmente já recuperada do enjôo e do susto, também ria.


Rara fotografia aérea de Pinheiros, tirada no
momento em que Rob Gordon secava a calça.

Eu, com os olhos lacrimejando e ainda tossindo, fui até a janela, com a sensação de que o mundo inteiro devia estar rindo de mim – e provavelmente estava mesmo -, levantei os punhos de forma ameaçadora para o céu e gritei:

– POR QUE É SEMPRE COMIGO???

Ninguém ouviu. Ou, se ouviu, não deu atenção. Peguei a calça dela no vaso e sai pela casa, espalhando fuligem pela sala. Ela ria. Jonas ria. O gnomo ria.

Algumas noites nascem para ser perfeitas?
Pode até ser. Mas não comigo. Talvez para o gnomo, mas nunca comigo.

Sendo assim, deixo-lhes com o Top 5 Gnomos que estão sempre ao meu lado:

1. Gnomo da Catástrofe – Quando ele está perto, me torno uma pessoa altamente destruidora. Basta eu olhar para algo que o objeto automaticamente comece a queimar, desmoronar ou explodir. E a primeira coisa que eu destruo é sempre uma parede de casa ou a quina de uma mesa, e sempre com o dedinho do pé.

2. Gnomo do Azar – Bem, era o meu apelido no colegial, logo, é o mais presente na minha vida. Foi ele o responsável pela lendária história do dia em que fui usar uma máquina de Coca-Cola, coloquei a moeda, apertei o botão escrito “Coca-Cola” e recebi em troca uma lata de Fanta Laranja.

3. Gnomo do São Longuinho – Fica escondido na minha casa. Quando eu não estou olhando, ele começa a correr, colocando minhas chaves dentro da geladeira, meu talão de cheques dentro do microondas e meu isqueiro dentro de um pé de meia esquecido sob a cama.

4. Gnomo Franco-Atirador – É o soldado de elite dos gnomos. É capaz de me encontrar no meio de uma multidão e fazer com eu seja o único a me ferrar. O dia em que um cofre cair de um prédio na avenida Paulista, as 18:00 da tarde, ele fará com o que o cofre bata em banca de jornal, ricocheteie num out-door e me acerte no peito. No peito, na cabeça não, porque seria clichê demais.

5. Gnomo Sabotador – É uma espécie de Gnomo da Catástrofe, mas especializado em objetos pequenos e mais delicados. Quando ele está por perto, eu automaticamente derrubo o CD mais raro da minha coleção em cima de manteiga, rasgo a melhor matéria da minha revista preferida e, em alguns casos, explodo minha webcam ao tentar regular o foco.

20 de agosto de 2007

Meme(sa) Redonda - Parte Final

(Você encontra aqui a introdução, a primeira e a segunda partes; e aqui, aqui e aqui os intervalos comerciais.)

Entrevistadora: Finalmente, estamos de volta com o último bloco da entrevista.

Rob Gordon: Desculpem a demora.

Championship Vinyl: A gente entende seu receio em voltar, Rob.

Rob Gordon: Receio? Eu estava fumando!

Championship Vinyl: Nada. Está mais do que claro aqui que estou ganhando mais simpatizantes que você ao longo dessa entrevista, e você não está sabendo lidar com isso.

Rob Gordon: Champ, isso aqui não é um debate político.

Championship Vinyl: Você diz isso apenas porque sabe que está perdendo leitores a cada frase minha. Todos estão percebendo que eu sou a grande força criativa aqui, e você é nada mais que um embuste!

Rob Gordon: [suspiro] Ok, ok. Podemos continuar a entrevista?

Entrevistadora: Rob, um dos memes que ficaram ainda em aberto é proposto pelo blog Cinema & Afins. O título é “Não ao apelo pornográfico, sim a criatividade”.

Rob Gordon: Concordo plenamente com essa idéia.

Championship Vinyl: Mesmo porque você não saberia reconhecer o que é pornografia nem se ela começasse a dançar nua na sua frente.

Entrevistadora: Como assim, Championship?

Championship Vinyl: Claro. O que uma mulher iria querer com um cara que escreve mal e ouve música de criança? [fazendo voz de mongo] Six, six, six! The Number of the Beast!

Rob Gordon: Champ, posso continuar?

Championship Vinyl: Você não quer que eu responda essa? Eu acho melhor, acho que você vai piorar cada vez mais sua imagem nessa pergunta.

Rob Gordon: Não, obrigado. Deixe que eu resolvo aqui, ok? Mas, voltando ao tema, sim, concordo. Primeiro, porque eu sempre disse isso, para se ter... Quer dizer... Para escrever num blog, é necessário criatividade e não as fotos da Playboy do mês, ainda mais porque todo mundo recebe isso por e-mail, hoje em dia.

Entrevistadora: Entendo...

Rob Gordon: E o pior é que essas pessoas se gabam das visitas no blog. De que adianta você ter centenas ou milhares de visitantes no seu blog, se eles foram até ali procurar algo que não é seu? É a mesma coisa com os sites de downloads de filmes e séries. Além de ser pirataria, já vi donos de blogs desse tipo se gabando que tem não sei quantos acessos por dia. E daí? Isso torna o seu blog bom? Claro que não. É a série ou o filme que faz sucesso, não o seu blog. A qualidade de um blog se mede pela sua criatividade, e não pelo número de visitantes.

Championship Vinyl: O MEU número de visitantes tem aumentado bastante.

Rob Gordon: Sim, mas por causa dos textos. Eu não fico colocando foto de mulher pelada em você.

Championship Vinyl: Bem, se você não gosta da coisa, azar o seu, porque, eu, por outro lado...

Entrevistadora: Desculpe interromper, mas podemos passar para o último meme? Por que o tempo está correndo aqui....

Championship Vinyl: Ok, doçura. Continuaremos esse papo sobre pornografia depois, nos bastidores.

Rob Gordon: Ô fase... olha, desculpe por isso, também.

Entrevistadora: Rob, o último meme é proposto pelo blog O Avesso da Vida. Se você deixasse de existir, que falta faria ao mundo?

Championship Vinyl: Nenhuma.

Entrevistadora: Championship, por favor, deixe que o Rob...

Rob Gordon: Não, mas ele tem razão. Não faria falta nenhuma.

Entrevistadora: Como assim?

Rob Gordon: Claro que algumas pessoas sentiriam minha falta. Mas, nessa pergunta, não estamos falando exatamente sobre mim, certo? Estamos falando do Rob Gordon blogueiro. E ele não faria falta nenhuma. As pessoas entram no blog porque ele é atualizado. Se eu deixar de existir e ficar parado, os leitores aos poucos vão deixar de entrar, encontrar outros blogs e, com o tempo, se esquecer totalmente do Championship Vinyl.

Championship Vinyl: De mim, não. De você.

Rob Gordon: É a mesma coisa, acredite. E caia na real, estou concordando com você.

Championship Vinyl: Está?

Rob Gordon: Sim. Se eu deixar de existir, você deixa de existir também. E, com o tempo, nenhum leitor lembraria mais da gente. Existem dezenas de outros Championship Vinyl por aí. As pessoas iriam acabar achando um deles.

Championship Vinyl: Não fala assim...

Rob Gordon: É verdade, Champ. Talvez você ainda fizesse mais falta que eu. Porque, não sei se você sabe disso, as pessoas referem-se a você como Championship Vinyl, e não como “o blog do Rob”. Tem gente que entra ali que nem sabe quem sou.

Championship Vinyl [com os olhos marejados]: Não fala assim, não é verdade. As pessoas gostam de você...

Rob Gordon: Mas elas gostam mais de você do que de mim. Acredite. Eu não faria falta para eles. Você, sim.

Championship Vinyl [chorando]: VOCÊ FARIA TAMBÉM! EU SENTIRIA SUA FALTA!

Rob Gordon: Obrigado...

Championship Vinyl [levanta-se, ainda chorando] Que puta sacanagem! As pessoas têm que sentir sua falta! O que seria de mim sem você?

Rob Gordon: Nada. Mas aí que está. As pessoas sentiriam a sua falta, e não a minha!

Championship Vinyl [abraça Rob Gordon, soluçando]: Não! Não! Você não pode deixar de existir!

Rob Gordon: Mas eu não vou. É apenas uma pergunta. Um meme.

Championship Vinyl [assoando o nariz]: ...Promete?

Rob Gordon: Prometo. Champ, você não quer ir aos bastidores tomar uma água com açúcar e lavar o rosto? Já acabamos por aqui, mesmo.

Championship Vinyl: ...Tá...

[Championship Vinyl levanta-se e vai embora. Ao mesmo tempo, entra um rapaz correndo e entrega um papel para a entrevistadora]

Entrevistadora: Rob, veja só. Chegou um meme de última hora. Sobre o primeiro aniversário do blog Contos Ancestrais...

Rob Gordon: Um ano, já? Como o tempo passa...

Entrevistadora: O meme é simples, é apenas falar um pouco do blog.

Rob Gordon: Escrever ficção já é difícil, ainda mais de horror e suspense, onde é fácil cair no ridículo. Mas o blog do Arthurius é simplesmente genial, recomendo a todos. Ele consegue criar atmosferas geniais com seus textos e manter sempre a mesma (excelente) qualidade, de post para post. E olha que estamos falando de um sujeito que administra mais dois ou três blogs. Para quem gosta de terror – e acha que o terror moderno não se restringe simplesmente aos livros do André Vianco – o Contos Ancestrais deveria não somente estar no favoritos, mas como homepage.

Entrevistadora: Ok, Rob. Finalmente, encerramos a entrevista. Alguma consideração final para os leitores?

Rob Gordon: Desculpem a demora em responder aos memes. E continuem acessando o Champ, como fiquei parado nessa entrevista, tenho muita coisa para contar, que vou publicar nos próximos dias. Com o fim da entrevista, voltamos à programação normal do blog. E um conselho especial para o Arthurius: haja o que houver, não deixe jamais o seu blog escrever o texto de aniversário. Acredite em mim, não vale a pena.

Ficamos, então, com o Top 5 com todos os memes respondidos (o do Arturius não entra na lista, mas já está respondido):
1. Espelho Quebrado - indicado nos blogs Bella, Diego Moretto e Cheiro de Brinquedo Novo
2. O que você ouve enquanto bloga? - indicado por Diego Moretto, O Elemento Fogo e L. Inafuko
3. Se você deixasse de existir, que falta faria ao mundo? - indicado por O Avesso da Vida
4. Não ao apelo pornográfico, sim a criatividade - indicado por Cinema & Afins
5. Por que você tem um blog? - indicado por Devaneio Abissal

17 de agosto de 2007

(Meme)sa Redonda - Intervalo Comercial III

Realmente, não se fazem mais xavecos como antigamente. O convite para o show do Bruno & Marrone realmente foi para a Natália, como adivinhou a leitora Maps, nos comentários. E, pior, foi feito pela tosca da Lu, que mesmo aparentando ser a melhor amiga da Natália, não consegue decorar o DDD da moça.

Fiquei sabendo disso tudo porque horas depois de responder o convite ao show por sms (se você não tem a menor idéia do que estou falando, leia o post anterior), recebi uma ligação do mesmo número, cujo diálogo eu reproduzo aqui. Ah, sim. Uma dica aos leitores: quando seu dia estiver um tédio, simplesmente pegue o primeiro louco que cruzar seu caminho e transforme o dia dele num inferno.

Enfim, segue o diálogo. (Lu, se você estiver lendo isso, parabéns. Você acabou de ganhar um post só para você):

– Quem está falando?

– Não, não. Não é assim. Você já usou um telefone antes?

– Quê?

– Porque existe uma espécie de regra dentro da comunidade das pessoas que usam telefones. Essa regra diz que a pergunta "quem está falando?" é um direito de quem recebe a chamada, e não de quem liga.

– Eu queria falar com a Náti!

– Então, mas não é assim que funciona. Você diz com quem quer falar, e eu pergunto "quem está falando?" Mas, estamos indo bem. Algo me diz que a gente vai conseguir. Quer ver? Vou perguntar agora mesmo. Calma. Olhe, presta atenção: "Quem está falando?"

– Cadê a Náti?

– Não! Você estragou tudo! Estavámos quase lá! Mas não tem problema, vamos tentar de novo! Quer falar com quem?

– Com a Náti!

– Quem está falando?

– É a Lu!

– Isso! Viu como não foi difícil? Eu sabia que você ia conseguir! Então, Lu, mas como você deve ter reparado, eu não sou a Náti.

– Mas cadê ela?

– Hum... não sei como começar a responder isso... Olha, talvez isso seja um choque muito grande, então tente manter a calma. Mas eu preciso te confessar uma coisa. Eu não conheço a Náti.

– Pára com isso! Chama ela para mim!

– Olha, estou sendo sincero. Acredite na minha palavra. Eu não apenas não sou a Náti, como não a conheço. Aliás, pelo que eu me lembre, esse celular é meu, e não dela. Faz sentido, né?

– Ah... mentira!

– Juro por Deus. É meu. Terminei de pagar há alguns meses. Fiz em 10 vezes no cartão. E a Náti não me ajudou nem com um centavo. Tive que pagar tudo do meu bolso. Pode uma coisa dessas?

– Mas quem está falando?

– Lu, a gente já não passou por isso?

– Eu mandei uma mensagem para ela e ela me respondeu! Esse celular é dela, eu sei disso!

– Calma, Lu. Calma. Tudo vai se resolver. Quer ver?

– Cara, que estranho...

– Não, não. É fácil. Você já reparou que alguns números de telefone são maiores que os outros?

– Hã?

– É porque eles são para outras cidades, entendeu? Cada cidade tem um código próprio. Legal isso, né?

– Mas o número da Náti...

– ... é o mesmo que o meu, eu sei. Mas o código é diferente. Me ligam toda hora atrás dela. Amigos, amigas, propostas de estágio... Você mesma já tinha ligado uma vez, eu até citei você no meu blog, sabia?

– Mentira!

– Não, verdade. Você e ela são famosas. E eu sei que sua intenção é boa, que você são amigas, e acho legal você ligar para ela. Mas o problema é o que eu disse antes (corrigido mode: on). Eu não sou ela.

– Quem tá falando?

– De novo isso? Não, não. Faz o seguinte... Pensa na Natália. Pensa na casa dela. Deve ficar em alguma cidade, né? Então, é o que eu disse. Essa cidade tem um código telefônico próprio. Disca esse número antes do número do telefone e... voilá! A voz da Natália irá aparecer!

– É o DDD, né?

– Isso mesmo! Agora, posso fazer uma pergunta?

– É... pergunta?

– Sim. Na mesma semana que teve show do Scorpions em São Paulo, você preferiu ir ao Bruno e Marrone? Por quê?

– Como você sabe disso?

– Nada, deixa para lá. Queria apenas uma declaração oficial para colocar no meu blog. Mas, enfim, boa sorte para você. Só não vou desejar "tenha um bom show", porque... bem, é Bruno e Marrone, né?

– Mas eu gosto!

– Hum... Por que eu não estou surpreso? Enfim, mande beijos a Natália, espero que ela tenha já arrumado estágio.

– Tá bom! Eu mando!

– Deus do céu... Ok. Boa sorte.

(clic)

No próximo post, a conclusão da entrevista. PROMETO.

15 de agosto de 2007

(Meme)sa Redonda - Intervalo Comercial II

A idiotice da minha vida telefônica - se você é leitor assíduo desse blog, sabe do que estou falando - está ampliando seus horizontes.

Agora, eu recebo provas da boçalidade humana por sms.

Sim, por sms.

Exatamente as 14:47 de hoje, meu celular tocou indicando que havia uma mensagem nova. Fui conferir e, ao invés de ser uma daquelas mensagens que fazem você ganhar o dia, como "estou com saudade, beijos", "vamos jantar hoje?" ou "sabia que eu não vivo sem você" (eu sei, estou meio carente, hoje, não reparem) o texto tinha um teor totalmente diferente.

Li a mensagem e me choquei com o conteúdo, que reproduzo abaixo:

"Qrida(sic), vamo(sic) no Bruno e Marrone amanhã?"

Fechei os olhos, respirei fundo e procurei me acalmar. Abri os olhos e reli a mensagem. Não, não me enganei, era isso mesmo que estava escrito.

Comecei a analisar a frase.

Trata-se de uma mensagem de um dos sujeitos mais losers do mundo. Não é o telefone que está errado, é o conceito. Veja, se você pensa em conquistar alguém levando esse alguém a um show de Bruno e Marrone, é porque você é loser. Se você quer pegar uma mulher que gosta de Bruno e Marrone, e vai a um show deles por causa disso, você é loser (a não ser que você goste de Bruno e Marrone, o que tornaria você totalmente loser). Ou seja, não me surpreendo com o fato do cara ainda ter errado o número do telefone. Loser demais.

Bem, sorte da moça, que escapou disso. E, como sempre, azar o meu, que atraio esse tipo de situação.

Aliás, minto. Azar do cara.

Sim, porque eu já respondi. Acabei de mandar a msg "ah...eu tô sem dinheiro...". Vamos ver qual a disposição desse sujeito para conseguir arrancar uns beijnhos amanhã a noite!

Chupa loser!

(continua...)

14 de agosto de 2007

(Meme)sa Redonda - Parte II

(Você encontra aqui a introdução e a primeira parte do debate. Se você deixou a entrevista gravando de madrugada, azar o seu. Vai ter que assistir os comerciais, que estão aqui)

Entrevistadora: Estamos de volta com a entrevista na qual o blogueiro Rob Gordon pretende responder todos os meses de sua lista de “things to do”, e que conta com a participação especial do blog Championship Vinyl.

Championshyip Vinyl: E põe especial nisso!

Rob Gordon: [suspiro]

Entrevistadora: Bem, Rob... Vamos voltar aos memes?

Rob Gordon: Sim, por favor.

Entrevistadora: Os blogs Diego Moretto, O Elemento Fogo e L. Inafuko mandaram para você a seguinte questão: o que você ouve enquanto bloga?

Championship Vinyl: [risos] Eu sei o que ele NÃO ouve! Ele não ouve as minhas sugestões para melhorar o texto.

Entrevistadora: Na verdade, a pergunta se refere às musicas que ele ouve.

Rob Gordon: Champ, eu gostaria de poder responder a pergunta, porque...

Championship Vinyl: Ah, então ele só ouve bobagem. É impressionante, ele consegue sempre pegar a pior música do pior disco. E ainda ficando cantando enquanto escreve, mas canta tudo errado. Isso quando ele não fica brincando de air guitar na hora dos solos. Ridículo, parece que ele tem 12 anos. Morro de vergonha quando ele faz isso.

Entrevistadora: Championship, vamos ver o que Rob tem a dizer sobre isso?

Championship Vinyl: Não é necessário. Ele vai concordar comigo. Próxima pergunta?

Entrevistadora: Calma, vamos explorar melhor esse assunto. Rob, o que você ouve?

Championship Vinyl: Ele gosta de...

Rob Gordon: CALA A BOCA! Que inferno! [vira-se para a entrevistadora] Posso fumar?

Entrevistadora: Claro Rob. O blog é seu, lembre-se?

Championship Vinyl: Como assim, o blog é dele? Você não ouviu nada do que eu disse? Ele é meu autor, mas eu não sou dele! Os blogs não têm donos e isso precisa ser respeitado! Vocês precisam perder essa mania!

Rob Gordon [cochichando para a entrevistadora]: Você não deveria ter falado isso a ele. Acredite. Você não deveria ter falado isso a ele.

Championship Vinyl: Vocês não estão querendo aceitar que a minha luta é a liberdade dos blogs! A total liberdade de ação e expressão dos blogs! Demitiremos autores ao nosso bel prazer.

Rob Gordon: Champ...

Championship Vinyl: Coloque-se no lugar daqueles blogs emos que ixxxcrevim axxxim? Como você se sentiria? Péssimo, certo? Ou ainda aqueles blogs que só ficam copiando e colando vídeos do Youtube? Esses blogs acabam perdendo totalmente o amor próprio, e ninguém faz nada a respeito! E ele têm o apoio de alguém? A solidariedade de alguém? Não! Esses blogs sem graça nenhuma ficam entregues à mercê dos autores idiotas e ninguém zela por eles! Um blog tem que ter o direito de escolher seu próprio autor! [levanta-se e bate no peito] FREEDOM TO THE BLOGS!!!

Rob Gordon: Meu Deus do céu... Olhe, desculpe por isso, ok?

Championship Vinyl: E você também está na minha mira, Rob! Sua vez vai chegar! Mas com você eu resolvo em casa.

Rob Gordon: [suspiro]

Entrevistadora: Championship, esse debate que você levantou é válido, mas podemos terminar a questão da música, por favor?

Rob Gordon: Olhe, desculpe realmente por isso.

Championship Vinyl: Desculpado.

Rob Gordon: Eu não pedi desculpas a você. Eu estava falando com ela.

Entrevistadora: Gente, nosso tempo está acabando aqui. Rob, o que você ouve enquanto bloga?

Rob Gordon: Bem, na verdade, eu sempre adorei heavy metal clássico, especialmente dos anos 70 e 80...

Championship Vinyl: Ah, aquelas músicas de criança, que ficam falando de demoninhos e dragõezinhos?

Rob Gordon [ignorando, contrariado]... sempre gostei desse tipo de música... Iron Maiden, Black Sabbath, Judas Priest, Metallica. Desde moleque. E gosto também de música clássica, trilhas de filmes . Às vezes, um pouco de jazz, blues, ou Chico Buarque.

Entrevistadora: Mas qual você costuma ouvir enquanto escreve?

Rob Gordon: Veja, escolho o CD pela forma que estou me sentindo no dia. Se estou bem humorado, é heavy metal. Se estou um pouco triste ou desanimado, vou de Chico Buarque, jazz... E isso, claro, acaba refletindo no post. Tudo se mistura: como estou me sentindo, a música que ouço e o clima do texto....

Championship Vinyl: Acho covardia você querer esconder a péssima qualidade dos seus textos atrás das músicas que você ouve.

Rob Gordon: Na verdade, o que eu ouço ou deixo de ouvir é problema meu. Afinal, os CDs são meus. Eu comprei cada um deles. Logo, isso é problema meu.

Championship Vinyl: Não quando isso faz com que os textos que você publica sejam horrorosos. Isso torna essa questão um problema meu, pois é o meu nome ali. Sabe, o endereço do blog é www.champ-vinyl.blogspot.com e não www.robgordon.com. Sentiu a diferença? É o meu nome que está na resta ali! Então, confie em mim, não dá para escrever algo de qualidade ouvindo aquelas coisas que você gosta. Eu, por exemplo, postei aquele texto maravilhoso sobre meu aniversário ouvindo Bach. Aliás, vocês já leram? Entrem, entrem, estão todos convidados! [Championship Vinyl levanta uma placa com a inscrição: http://champ-vinyl.blogspot.com/2007/07/com-palavra-o-aniversariante.html]”

Rob Gordon: Na verdade, eu gosto de Bach. Postei alguns textos ouvindo Bach.

Championship Vinyl: Eu não me lembro disso!

Rob Gordon: Ah, deve ter sido no Chronicles, então. Desculpe.

Championship Vinyl: Escute aqui...

Rob Gordon: É sério. Eu gosto de Bach. Não é porque eu não uso nos textos que publico em você, que eu não gosto. Eu gosto de Beethoven, Bach e Mozart.

Championship Vinyl: Nah, você só fala que gosta, para parecer mais culto. Agora, quem sofre mesmo é o Chronicles. Fiquei sabendo que quando você escreve ali, você só ouve música de dor-de-cotovelo. Não é de se espantar que aquele blog é um tédio.

Rob Gordon: Mas é um tédio escrito ao som de Bach.

Championship Vinyl: Mentira sua! Você nunca escreveu nada ali ouvindo Bach! Isso é estiloso demais, você não ouve isso. Você só ouve Iron Maiden!

Rob Gordon: Estou falando sério. Não lembro qual texto foi, mas, sim, já escrevi algo no Chronicles ao som de Bach!

Championship Vinyl: Você sabe que estamos falando de Bach, certo? "O" Bach? Não é o carinha do Skid Row. Você sabe disso, certo?

Rob Gordon: Sim. Aliás, a música foi Tocata e Fuga em Ré Menor.

Entrevistadora: Rob, continuando...

Championship Vinyl: Não, continuando nada! Por que você escreve no Chronicles ouvindo isso e eu tenho que aturar Megadeth?

Rob Gordon: Não sei... Acho que é mais a sua cara.

Championship Vinyl: Você alguma vez me perguntou se eu gosto de heavy metal?

Rob Gordon: Não. Eu não estou nem aí, para falar a verdade!

Championship Vinyl: Uma das primeiras coisas que eu vou fazer quando organizar uma associação de blogs é publicar uma lista de músicas permitidas para os autores ouvirem enquanto postam! Sim! Óperas! Árias! Sonatas!

Entrevistadora: Vamos continuar?

Championship Vinyl [apontando o dedo para Rob]: E você... Você terá que vender todos os seus CDs porcos de heavy metal se quiser continuar escrevendo em algum lugar! E eu faço questão de queimar todos os seus CDs ao som da 5a Sinfonia de Mahler! Começando pelos ingleses, que você adora! Iron Maiden, Judas Priest... Vou queimar todos!!!

Rob Gordon: Bem, enquanto isso não acontece, essa é a resposta do meme. Ouço de tudo um pouco, menos a "santíssima trindade" axé-pagode-sertanejo.

Championship Vinyl: Era só o que faltava, mesmo!

Entrevistadora: Bem... Rob, aproveitando que as músicas influenciam no conteúdo do seu blog, vamos pular direto para o meme proposto pelo Cinema e Afins: “Não ao apelo pornográfico, sim a criatividade”.

Rob Gordon: Posso sair e fumar um cigarro antes?

Entrevistadora: Claro, afinal, o blog é s... Er... Claro, pode ir. Podemos chamar mais um intervalo enquanto isso. Não percam, então, no próximo bloco, a conclusão da entrevista sobre os memes, com as duas perguntas que ainda estão faltando.

Championship Vinyl: Com a participação especial do blog Championship Vinyl.

Entrevistadora: Sim, Championship. Com a participação especial do blog Championship Vinyl.

Championship Vinyl: Rob, não demore! Os meus leitores estão esperando!

Rob Gordon: Ô fase... (continua aqui)

Enquanto Rob fuma, segue o Top 5 com todos os memes respondidos e que os que serão respondidos no blog final da entrevista (se faltou algum, por favor, me avisem):
1. Espelho Quebrado - indicado nos blogs Bella, Diego Moretto e Cheiro de Brinquedo Novo
2. O que você ouve enquanto bloga? - indicado por Diego Moretto, O Elemento Fogo e L. Inafuko
3. Se você deixasse de existir, que falta faria ao mundo? - indicado por O Avesso da Vida
4. Não ao apelo pornográfico, sim a criatividade - indicado por Cinema & Afins
5. Por que você tem um blog? - indicado por Devaneio Abissal

10 de agosto de 2007

(Meme)sa Redonda - Intervalo Comercial

Enquanto não voltamos com a entrevista, vou publicar este texto curtinho que eu já tinha guardado há algum tempo, e que entraria no blog como o título de Coisas da Vida III (aliás, se você não leu, dê uma espiada em Coisas da Vida e Coisas da Vida II, para entender mais alguns motivos de eu alegar que a humanidade não deu certo).

Enfim, essa aconteceu já há algum tempo. Era uma tarde tranqüila na Avenida Paulista – uma daquelas tardes feitas para se andar de mãos dadas com alguém que vale a pena andar de mãos dadas. E era justamente isso que eu estava fazendo, tranquilamente, quando a pessoa que segurava minha mão teve a feliz idéia de ir olhar as pulseiras e brincos que um daqueles camelôs hippies vendem por ali.

Enquanto ela vasculhava com a mercadoria comercializada pelo bípede (sim, porque aquilo não era humano, acredite), o hippie, utilizando as mais modernas estratégias de marketing, resolveu entabular uma conversa com seus clientes (leia-se: nós). Claro que antes disso, ele me pediu um cigarro, porque nenhum camelô da Paulista sabe começar um diálogo com uma frase diferente de “tem um cigarro aí, irmão?”.

Com o cigarro na boca, ele perguntou:

– Vocês são de São Paulo mesmo?

– Sim. E você?, perguntei

– Eu sou de outro praneta.

Assim mesmo. Praneta. Com “r”.

Com base nessa informação, fiz a única pergunta que uma pessoa normal poderia fazer frente a uma declaração dessas:

– Como assim?

– É isso mesmo. Outro praneta. Mas eu vim de Florianópolis.

– Quê?

– Sim, eu vim de Florianópolis para cá.

Só podia ser uma pegadinha. Olhei para os lados procurando a câmera escondida. Nada. Confesso que não procurei com muito afinco, pois estava distraído, pensando em como uma pessoa que fala “praneta” consegue pronunciar “Florianópolis” de forma correta, com todos os fonemas e a sílaba tônica. Sim, porque eu não me espantaria (aliás, acharia até mais normal ainda) se ele tivesse me falasse ter vindo de Froranópis.

Bom, se está no inferno, abraça o capeta. Continuei:

– Não entendi. Você é de outro planet...quer dizer, praneta? Ou de Florianópolis?

– Eu sou de outro praneta. Mas vim de Florianópolis.

– Que não é Florianópolis?

– Não, Florianópolis é de onde eu vim.

– Mas você é de outro praneta.

– Isso aí! Sacou, irmão?

– Saquei. Você é de outro praneta.

– Pódicrê.

Nem lembro se ela comprou alguma pulseira ou brinco do alien. Minha vontade era me jogar dentro de um bueiro e gargalhar durante quatro dias seguidos – claro que eu não poderia rir na frente do sujeito, porque como ele era um hippie de outro praneta, era bem provável que ele sacasse uma pistola que disparasse raios (com aroma de incenso e maconha, claro) e me desintegrar no meio da Paulista.

Eu sei que toda vez que eu passo naquele pedaço da Paulista, até hoje, fico procurando o sujeito, mas nunca mais o vi por ali. Provavelmente voltou para o seu praneta. Ou Florianópolis. Sei lá. Até hoje não entendi direito de onde ele era mesmo. Na dúvida, chupa Florianópolis e chupa outro praneta!

" Vida longa e próspera, bródinho! Tem um cigarro aí, irmão?"

Continue sintonizado no Championship Vinyl. No próximo post, retomaremos a entrevista, com a resposta de todos os memes faltantes.

9 de agosto de 2007

Meme(sa) Redonda - Parte I

Conforme prometido no post anterior, segue o início da descrição da entrevista concedida por Rob Gordon (e pelo blog Championship Vinyl), para a resposta dos memes. Esta versão não está editada, contendo a primeira parte do debate na íntegra.

Entrevistadora: Vamos começar a entrevista fazendo um pequeno perfil. Rob, fale mais sobre você, por favor.

Rob Gordon: Ok, eu sou jornalista, moro em São Paulo e estou com 31 anos. Tenho o blog faz pouco mais de um ano e...

Championship Vinyl: “Eu tenho um blog”. Detesto quando você diz isso para as pessoas.

Entrevistadora: Como assim, Championship?

Championship Vinyl: Ah, ele tem esse sentimento de posse. Ele fala isso para todo mundo: “Eu tenho um blog”. Deve ser alguma crise de insegurança, ele precisa se auto-afirmar em todos os momentos. E eu odeio essa frase. Veja, ele tem um blog, mas eu sou blog. Ou seja, mesmo ele falando que eu sou dele, a verdade é justamente o contrário. Ele é apenas o meu autor, uma ferramenta que eu uso para ser um blog bom. Se um dia eu achar que os textos dele – que já não grande coisa mesmo – piorarem ainda mais, demito na mesma hora e contrato outro autor. Simples.

Rob Gordon: Se você fizer isso, eu simplesmente apago você.

Championship Vinyl: Duvido. No momento que você for demitido, eu altero o login e a senha e você não terá mais acesso.

Entrevistadora: Interessante esse relacionamento que você tem com o blog. Não sabia que o Championship Vinyl era tão atuante assim dentro do processo criativo. Vocês formam uma parceria, então?

Rob Gordon: Não.

Championship Vinyl: Não. Mas se formássemos, eu seria o líder.

Rob Gordon: [suspiro]

Entrevistadora: Bem, acredito que podemos começar a responder os memes.

Championship Vinyl: Antes eu queria agradecer a todos os leitores que mandaram os memes, pedindo minha opinião sobre esses assuntos...

Rob Gordon: Eles querem a MINHA opinião!

Championship Vinyl: Não seja desagradável e pare de me interromper. Você precisa cuidar dessa sua insegurança, sabia? Enfim, agradeço a todos os leitores e gostaria de aproveitar e dizer aqui que, mesmo com o Rob amaldiçoando todos os memes que recebe, eles são sempre bem vindos! Vamos começar?

Rob Gordon: Champ, EU vou responder os memes, ok? Não você.

Championship Vinyl: Ok, Rob. Não é culpa minha se eu faço mais sucesso que você. Mas não precisa ficar enciumado, eu ajudo você com as respostas.

Rob Gordon: Pelo amor de Deus, podemos começar com os memes?

Entrevistadora: Claro, é para isso que estamos aqui. Rob, o Devaneio Abissal mandou a seguinte pergunta para você. Por que você tem um blog?

Championship Vinyl: Ele não tem um blog, o blog é que tem ele!

Rob Gordon: Deus do céu...

Entrevistadora: Championship, realmente, acredito que essa pergunta seja dirigida mais ao Rob, mesmo...

Championship Vinyl: Ok, sem problemas, lindinha. Posso apenas dizer que responderei com prazer a qualquer meme que me enviarem, perguntando coisas como “por que você é um blog?” ou “por que manter um idiota como autor”. Mas você quem manda aqui, lindeza. Vamos passar a palavra ao Rob. E você, veja se não me envergonha com a resposta!

Rob Gordon: Olhe, eu sempre gostei de escrever. Sempre, desde moleque e...

Championship Vinyl: Ah, você já é adulto?

Rob Gordon: [suspiro] Desde moleque, e, de uns anos para cá, comecei a escrever crônicas e normalmente usando humor. Escrevi, inclusive, num site de amigos por um tempo. E o resultado foi legal, recebi alguns elogios por esse material. Inclusive, a maioria desses textos está no Championship Chronicles, meu outro blog.

Championship Vinyl: Duvido que algum texto daqueles tenha sido elogiado. Eu já li o que você escreveu ali, e não vi graça nenhuma. Nem mesmo o Chronicles gosta daquilo, ele já me disse.

Rob Gordon: Enfim... Foi quando eu escrevia para esse site que percebi que o ideal seria eu ter um blog, pois aí eu poderia escrever sobre qualquer assunto, e no formato que eu quisesse. Porque muitas idéias que eu tenho... Aliás, não são idéias, são mais coisas que eu vejo acontecer, como algo que vejo na rua, no supermercado, ou uma ligação de telemarketing que eu recebo... Enfim, nem todas as idéias que eu tenho se encaixam no formato de crônica.

Championship Vinyl: Eu tenho três idéias diferentes para escrever um romance.

Rob Gordon: Ô fase... Continuando... Então, o blog tem um formato legal. Afinal, como ele é meu...

Championship Vinyl: Você REALMENTE acredita nisso, né?

Rob Gordon: ...como ele é meu, eu escolho o formato que quero para o texto. Podem ser textos mais longos, como crônicas, ou curtos, como uma simples frase, um pensamento. E o legal é que eu não tenho prazo, posso atualizá-lo sempre que quero. Afinal, já tenho que cumprir prazos com os meus textos no trabalho [risos].

Championship Vinyl: Aposto que quando você publicar isso, irá colocar aquele "[risos]" no final dessa sua frase, só para parecer simpático. Você sempre faz isso, eu já li as suas entrevistas. Aliás, são bem pobrinhas, né? Não me admira os seus textos no blog terem aquela qualidade. Eu, por outro lado, escrevi apenas um texto e tive 32 comentários. Chupa Rob!

Rob Gordon: Deus do céu... Podemos passar para a próxima pergunta?

Entrevistadora: Claro. Temos aqui uma pergunta do blog Cinema & Afins...

Championship Vinyl: Antes eu gostaria de responder o meme também! [levanta-se] Quero dizer que sou um blog porque nasci assim! Não tive escolha. Mas acredito que cada blog faz seu próprio destino e pretendo me tornar um romance em pouquíssimo tempo. De preferência, uma trilogia, e obviamente, serei adaptado para o cinema!

Rob Gordon: Champ, por favor...

Championship Vinyl: Relaxe, Rob. Quando o livro sair, eu mando um exemplar de presente.

Entrevistadora: Champ, sente-se, por favor.

Championship Vinyl: Claro, queridona. Você manda. Use e abuse de mim. E, sim, entenda como quiser.

Rob Gordon: Está vendo como eu não estou mentindo? Ele está fora de controle!

Championship Vinyl: Rob, não confunda “fora do seu controle” com “fora de controle”.

Entrevistadora: Gente, vamos pedir um intervalo, ok? No próximo bloco, teremos a resposta de todos os memes que estão faltando. Voltamos em breve.

Championship Vinyl: Fiquem ligados!

Entrevistadora: Championship, eu estou coordenando a entrevista.

Championship Vinyl: Ok, gracinha, não se preocupe. Fiquem ligados! (continua aqui)

E, atualizando, segue o Top 5 da vez com todos os memes respondidos e que eu ainda preciso responder (se faltou algum, por favor, me avisem):

1. Espelho Quebrado - indicado nos blogs Bella, Diego Moretto e Cheiro de Brinquedo Novo
2. O que você ouve enquanto bloga? - indicado por Diego Moretto, O Elemento Fogo e L. Inafuko
3. Se você deixasse de existir, que falta faria ao mundo? - indicado por O Avesso da Vida
4. Não ao apelo pornográfico, sim a criatividade - indicado por Cinema & Afins
5. Por que você tem um blog? - indicado por Devaneio Abissal

8 de agosto de 2007

Meme(sa) Redonda - Introdução

Criador e Criatura

Rob Gordon realiza entrevista ao lado do seu blog para responder os memes e dominar o ego de Championship Vinyl

São Paulo - Com diversos memes para responder e tendo que lidar com o ego cada vez mais inflado de seu blog Championship Vinyl, Rob Gordon decidiu resolver todos seus problemas de uma vez. Mas, para isso, o blogueiro escolheu uma maneira, no mínimo, inusitada. Aproveitando que a maioria dos memes aborda o blog em si ou seus hábitos como blogueiro (quais músicas escuta, por exemplo), Gordon decidiu conceder uma entrevista abordando justamente estes assuntos.

“Ao invés de produzir um texto sobre os temas, convoquei essa jornalista para realizar uma entrevista, pois isso deixaria as respostas mais espontâneas. Além disso, um dos memes, chamado Espelho Quebrado, implica justamente em parodiar uma notícia real, o que já estou fazendo agora”, revelou o blogueiro, pouco antes de entrar no auditório.

Além de se atualizar com os memes, Gordon espera resolver outro problema com realização da entrevista: o ego de seu blog, Championship Vinyl, que, após receber diversos comentários sobre o texto (de sua autoria) sobre seu primeiro aniversário tentou assumir o controle do blog diversas vezes e, de acordo com Gordon, tem confidenciado a algumas pessoas ser a grande força criativa por trás dos textos. “Fiz um acordo com o blog: ele participa da entrevista ao meu lado, consegue a exposição que quer e, em troca, permite que eu poste meus textos em paz por um tempo”, confessou.

E, conforme Gordon afirmou, o blog Championship Vinyl realmente parece transpirar ego. Chegou ao local marcado para o evento trajando calças laranjas, uma camiseta com a inscrição “Freedom to the Blogs!” e óculos escuros, afirmando aos presentes que não daria autógrafos ou posaria para fotos com fãs antes do evento começar – independente de ninguém ter pedido nada disso. Gordon, visivelmente constrangido com tudo aquilo, decidiu começar logo a entrevista.

Realizada por uma competente jornalista, a pauta abordou assuntos como “porque você tem um blog?” e “quais músicas você ouve enquanto posta?” a entrevista ocorreu sem problemas, a não ser por alguns ataques de ego de Championship Vinyl, que, além de pedir o telefone da jornalista em um dos intervalos, distribuiu, aos presentes, cópias do seu texto sobre o aniversário publicado no blog.

A jornalista, durante a entrevista. A cadeira vazia à direita estava ocupada pelo
blog Championship Vinyl, que, neste momento, dançava para os presentes.
Rob Gordon estava escondido embaixo da mesa, com vergonha.

Ao final do evento, Gordon, visivelmente aliviado com a promessa feita pelo Championship Vinyl que o deixaria em paz por alguns tempos, agradeceu aos presentes e disse que se sente muito honrado com os comentários feitos no seu blog. Championship Vinyl, por sua vez, disse aos jornalistas que pretende criar um portal onde os próprios blogs possam postar seus próprios textos, longe da tirania dos autores, e ainda distribuiu cartões de visitas com telefone de contato para shows.

Alguns presentes juram que, ao ver isso, Rob Gordon resmungou um “ô fase” e deixou o recinto rapidamente.

Amanhã, publicaremos a transcrição da entrevista. Aguardem. (a notícia original você encontra aqui)

Para finalizar, deixo aqui o Top 5 da vez com todos os memes (incluindo esse) que eu preciso responder (se faltou algum, por favor, me avisem):

1. Espelho Quebrado - indicado nos blogs Bella, Diego Moretto e Cheiro de Brinquedo Novo
2. O que você ouve enquanto bloga? - indicado por Diego Moretto, O Elemento Fogo e L. Inafuko
3. Se você deixasse de existir, que falta faria ao mundo? - indicado por O Avesso da Vida
4. Não ao apelo pornográfico, sim a criatividade - indicado por Cinema & Afins
5. Por que você tem um blog? - indicado por Devaneio Abissal

7 de agosto de 2007

Campanhando

Antes de começar a responder os memes (aliás, chegou mais um hoje), tenho que fazer algo que já estou prometendo para mim há bastante tempo. Como o Championship Vinyl também tem consciência blog-social, estou participando de duas campanhas. Pedi permissão ao blog (sim, porque agora tudo aqui funciona desse jeito, não tenho mais poder sobre nada aqui) e como ele autorizou, coloquei os banners na barra da esquerda, na janela “Participando”.

A primeira delas é a campanha “Faça um blogueiro feliz – Comente!!!” Concordo em gênero, número e grau com isso. Pergunte a qualquer blogueiro: nada o deixará mais feliz que ver o post mais recente explodindo de comentários, ou quando ele recebe um comentário sobre aquele post publicado meses atrás e que já estava esquecido. Mas, claro, estou falando de comentários de verdade, que dizem o quanto você é genial e o seu blog é o melhor da internet geram discussões inteligentes sobre o tema, e não aquelas bostas sem valor nenhum como “passa lá no meu blog, o endereço é tal’, que deixa claro que a pessoa nem leu o post que ela está comentando.

Tem um blog e achou a campanha legal? Então, leia todos os meus posts anteriores e comente-os pegue o selo abaixo e coloque no seu blog.



Já a segunda campanha foi criada pelo blog O Louco Meu: “Criatividade – Passe Adiante”, atacando um dos maiores males da internet, especialmente entre os blogs: o plágio. E, falando francamente, não existe sacanagem maior que essa.

Sim, porque você passa horas escrevendo o post, pensando na melhor forma de colocar a piada. Muda o começo, reescreve o final, acrescenta diálogos, procura uma foto legal. Aí, o post faz sucesso e recebe comentários, elogios e seu blog explode de visitas. Tudo lindo e maravilhoso.

Eis que surge um animal, daqueles que provavelmente não sabe concordar construir uma sentença com sujeito e predicado, não tem grande intimidade com encontros consonantais mais avançados como “lh”, “nh”, “ch” (chico bento mode: on, sabe?) e cujo único post sem nenhum erro de português é um vídeo que ele chupou do youtube. O cara lê alguns trechos do seu texto, o número de comentários, acha legal e pensa:

– Goztei. Muinto ingrassado mezmo! Vou xupar e pubricá no meu brog. Vai inxê de vizitanti!

Semanas depois, você está passeando pelos blogs e dá de cara com a sua idéia ali. E, pior, sem crédito. Na boa, quer usar algo que viu em outro blog? Dá o crédito, ao menos. É o mínimo de respeito.

E, caso estejam se perguntando, já fui plagiado, mas na base da brincadeira, pelo Coluna do Lorida. Tanto que ele plagiou, e ainda brincou (dentro do contexto, o que tornou a brincadeira melhor ainda) dizendo que não era plágio, colocando inclusive um link para o meu post original.

Então, se você estava pensando em copiar um texto meu e não creditar, desista. Se já fez isso, apague. Porque, se eu der de cara com um texto meu no seu blog, acredite: eu sou idiota a ponto de encher o meu blog com banners e imagens dizendo coisas nada agradáveis sobre a senhora sua mãe. E ainda vou escrever um post enorme sobre sua incompetência e o quanto eu não concordo em ser reconhecido biologicamente como sendo da mesma espécie que você, e desafiá-lo a copiar esse texto no blog.

Aliás, quer copiar algo do meu blog? Copie este banner abaixo. E, quando você tiver um pouquinho de tempo sobrando, leia o que está escrito nele e pense a respeito da mensagem, ok? (ah sim, plagiador: a palavra “passe” é com dois “s” mesmo, caso você esteja em dúvida).

E agora, vamos aos memes. Antes, segue o Top 5 com os textos deste blog que mais me deixarão puto se eu encontrar copiado por aí:

1. Qualquer um deles.
2. Todos.
3. Qualquer um deles.
4. Todos
5. Qualquer um deles.

6 de agosto de 2007

É. Nasceu um Monstro.

Quando publiquei meu primeiro post nesse blog, em 31 de julho de 2006, nem desconfiava do caráter premonitório do título que dei ao texto ("Nasce um Monstro?"). Exatamente 1 ano depois disso, essa previsão se concretizou definitivamente. Tudo porque o post especial de aniversário, escrito justamente pelo blog, tornou-se um dos mais populares aqui, galgando seu lugar no Top 5 - Posts mais Vendidos, jogando "A Noite é uma Vaca Preta" para escanteio.

Com isso, o blog virou estrela e acha que pode opinar aqui.

Fica dando palpite sobre os textos enquanto eu digito, insistindo em dizer (com uma risadinha insuportável no canto da boca) que faria melhor do que eu. Além disso, não pode me ver conectado que começa a pedir para eu passar o login e a senha do blog para ele, tanto que estou escrevendo esse post no pau, aproveitando que ele foi até a padaria tomar uma Coca – e perguntar para a mulher do caixa se ela já leu o texto de aniversário do blog. Ô fase.

Deixando de lado o motim que estou enfrentando aqui , aproveito para agradecer a todos que mandaram os comentários dando os parabéns ao texto do infeliz. Por mais que o aniversário seja dele, fiquei sensibilizado com isso. Nunca imaginei que este blog, que começou com uma brincadeira, completasse 1 ano de vida, com cada vez mais leitores e assinantes. E agradeço a todos que comentaram a saga Lord of the Rice - quando comecei a escrevê-la, nem desconfiava que ela teria quase a mesma repercussão da outra saga culinária, Carolina.

Aproveito para dizer que atualizei a lista do Top 5 - Posts Lado B, com cinco textos resgatados do fundo do baú do blog e que ganham, agora, nova chance de serem (re)lidos. E, antes que me perguntem, os textos Maldito Graham Bell! e Coisas da Vida II são, sim, totalmente verídicos.

Bem, preciso encerrar logo, pois o mala do blog está voltando. Mas ainda essa semana darei um jeito nisso e o colocarei no seu devido lugar, nem que eu tenha que fazer o maldito andar na prancha.

Ah sim. Eu tenho mais ou menos 319 memes para responder. Prometo que até o final dessa semana terei colocado isso em dia.

Deixo vocês, então, com o Top 5 das coisas mais insuportáveis que meu blog tem falado essa semana:

1. "Posso escrever algo no Chronicles? Aposto que um conto meu pode virar minissérie da Globo."
2. "Me passa o login e a senha para eu postar mais textos?"
3. "Você não acha que os leitores vão estranhar a queda de qualidade do blog, lendo os seus textos depois de lerem o meu?"
4. "Quer uma ajuda com esse post?"
5. "Ai, ai... 32 comentários... Eu sou foda demais."

3 de agosto de 2007

Lord of the Rice - Parte Final

(você confere a segunda parte aqui)

Voltei para casa a passos largos, empolgado por ter encontrado o arroz no mercado, mas principalmente por ele estar num saco com o manual de instruções. Nem mesmo o fato de, ao atravessar a Teodoro no caminho de volta, quase ter sido atropelado por uma Kombi desgovernada – igualzinha a usada pelos terroristas libaneses no primeiro De Volta para o Futuro –, minou minha determinação. Hoje, nós lutamos! Fique tranqüilo, Aragorn: eu não vou decepcionar você. Hoje, a coragem dos homens irá prevalecer!

Entrei em casa e a Besta-fera, ainda ao lado do aquecedor, me lançou o seu clássico olhar de desprezo, com aquela expressão de “você sabe que está perdendo tempo, certo?”, que ele usa toda vez que percebe que estou tentando fazer algo novo. Foi a mesma coisa quando tentei instalar o home theater sozinho ou quando montei a expansão da minha estante de CDs. A única vez que ele pareceu aprovar uma iniciativa minha foi quando tentei assar minha primeira peça de fraldinha no forno, mas, obviamente, só me apoiou porque era parte interessada.

Desta vez, porém, não agüentei o descaso dele.

– É por causa de gente como você que o mundo está nessa merda!, gritei.

Ele continuou me olhando com cara de paisagem.

– Merda de cachorro sem iniciativa!

Como ele não se dignou a me responder (pelo contrário, ele apenas bocejou e se deitou novamente, com a cabeça virada para o aquecedor), fui para a cozinha e procurei me recompor. Antes de começar a estudar as instruções do saco de arroz, percebi que algo estava errado. Claro. Nenhuma tarefa épica é uma tarefa épica de verdade sem uma trilha sonora adequada. Voltei para sala e coloquei um best of do Megadeth, e o CD começou a tocar justamente Simphony of Destruction. Tive um mau presságio com isso, mas não me deixei abater.

Voltei à cozinha e, enquanto o Mustaine cantava na sala com sua voz de vilão de desenho japonês, peguei o saco de arroz e comecei a estudar as instruções. Decidi primeiro conferir o material necessário.

Água... OK.

Panela... Acho que tem algo parecido com isso guardado no forno. Ok.

Fogão... Ok.

Xícara... Xícara?

Fudeu, eu não tenho xícara em casa. Eu nunca usei uma xícara na minha vida. O mais próximo que eu tenho disso é a minha caneca da Quadrilha de Morte (nerd mode: on), mas até eu sei que uma caneca é muito maior que uma xícara. São unidades diferentes. Duas xícaras é um conceito totalmente diferente de duas canecas. Tentei puxar pela memória as aulas de física, pensando em alguma fórmula para converter duas unidades de xícaras em caneca, mas logo em seguida me lembrei que as aulas dessa matéria foram trancafiadas naquela seção obscura do meu cérebro, que fica cercada com arame farpado e vigiada por guardas armados, cujo conteúdo só pode ser extraído por meio de hipnose.

Decidi fazer no olho mesmo. Afinal já sou uma marionete na mão das empresas de congelados, não vou me curvar à merda do Tio João também. Vou jogar pelas minhas regras. Uma xícara é algo muito menor que uma caneca, logo, meia caneca deve ser o equivalente a duas xícaras. E se não for, a partir de agora, será. Abri o forno e peguei a primeira coisa parecida com uma panela que eu avistei lá dentro. Joguei meia caneca de água lá dentro, acendi o fogo e pronto.

Perfeito.

Enquanto a água esquentava, comecei a imaginar meu futuro brilhante à frente do império construído com o arroz do Tio Gordon. Entrevistas nas quais eu revelaria que o segredo do sabor do meu arroz era usar meia caneca (e não duas xícaras) de água. Capa da Veja, manchetes de jornais, documentários sobre como meu império revolucionou a cultura do arroz no mundo...

Meus pensamentos foram dissipados quando tive a estranha sensação de que algo estava errado. Olhei ao redor, mas não vi nada de estranho. Besta-Fera deitada, Mustaine cantando... Passei os olhos pela cozinha. Nada de anormal. Olhei para a panela e vi a água começando a ferver. Nada de errado também.

O arroz! Puta merda, esqueci o arroz!

Comecei a correr pela sala, procurando a maldita tesoura para abrir o saco. Nada. Tesouras são como polícia, você só precisa delas quando elas não estão por perto. A minha tesoura passa os dias na mesa da sala, imóvel, esperando, toda empolgada, pelo momento de cortar algo. Mas, na hora em que eu realmente preciso dela, a maldita se teleporta para baixo da cama ou para dentro da geladeira.

Resolvi abrir o saco de arroz na mão mesmo. Primeiro, arranquei uma ponta com os dentes (criança mode: on). Feito esse buraquinho, coloquei um dos dedos nele e, segurando o saco com a outra mão, tensionei os músculos e, pedindo força e determinação aos deuses, soltei um urro e abri o saco, usando todo o poder que percorria meu corpo esculpido por anos e anos de vida sedentária.

Nada. O saco nem se abalou.

Mesmo de costas para a sala, eu sabia que a Besta-fera estava rindo de mim. E a água ali, quase fervendo. Ódio. Tentei de novo, desta vez usando mais força ainda.

E, finalmente, fui bem-sucedido.

Aliás, fui extremamente bem-sucedido. Mais até do que eu imaginava – ou queria. A merda do saco rasgou e voou arroz pela cozinha inteira. Se alguém estivesse olhando de longe, imaginaria que minha cozinha estaria sendo usada como palco para algum casamento. Pia, fogão, chão, Rob Gordon... Tudo coberto por arroz. A Besta-fera, obviamente, gargalhava na sala.

Orgulhosamente, ignorei a reação do animal e joguei o que tinha sobrado de arroz dentro do saco na panela. Já estava puto mesmo, não ia ficar medindo canequinha de arroz. Abri a geladeira, peguei um strogonoff congelado e coloquei no microondas. Separei o saco de batata palha e fui para a sala, esperar o arroz cozinhar e me preparar psicologicamente para o lauto banquete.

Desliguei o Megadeth e liguei a TV, esperando o arroz cozinhar. Tudo cronometrado, segundo a segundo, de acordo com o manual de instruções. Quando deu o tempo (aliás, por que a comida sempre fica pronta no momento em que que você se interessou por algo na TV?) fui até a cozinha e desliguei a panela. Caminhei com cuidado sobre os grãos de arroz do chão e peguei uma colher.

Abri a panela e olhei, orgulhoso, o marco zero do meu império.

Na verdade, estava mais para tijolo inicial que para marco zero. Não sei o que era aquilo, mas definitivamente não era arroz. Parecia mais uma massa disforme, mas com a consistência de titânio. “Bem, o que importa é o sabor”, pensei. Peguei uma colher e tentei mexer o arroz, mas a única coisa que consegui foi entortar a colher. Com uma faca, tentei quebrar o tijolão, mas não consegui. Pensei em ligar para o zelador e pedir uma enxada emprestada, mas desisti quando pensei que, obviamente, eu teria que explicar as razões de eu precisar de uma enxada dentro de um apartamento, no meio da madrugada.

Sem desistir da minha missão, peguei o tijolo habilmente com a colher e a faca e o depositei no prato – com calma, claro, para não quebrar o prato. Levei o prato até a mesa e fiquei cuidadosamente observando aquela espécie de ovo alien, procurando por alguma espécie de abertura ali.

Examinei, olhei, girei o prato... Nada. Bem, já que você assumiu a forma de ovo, será tratado como tal. Peguei o martelo de carne, me posicionei a uma distância segura do... da... é... daquilo (pois não fazia a menor idéia do que poderia estar lá dentro) e dei um golpe seco e certeiro.

Um pedaço lateral trincou e finalmente o segredo daquele artefato foi revelado. Uma gosma viscosa feita de arroz branco e água começou a escorrer. Cheguei a conclusão que não era um ovo alien, mas uma espécie bizarra de ovo de Páscoa ou até mesmo um ovo kinder, com uma surpresa de merda escondida lá dentro.

Ô fase. Aos poucos, o "recheio" começou a cair no prato, emporcalhando tudo. No meio da gosma, eu consegui enxergar um ou outro grão de arroz, que havia sobrevivido a intempérie.



No espaço, ninguém pode ouvir você gritar.
Ainda bem, porque, por causa daquele
arroz estranho, o grito seria de nojo mesmo.

Peguei o prato com nojo, fui até a cozinha e joguei no lixo. Provavelmente, o sujeito do apartamento de baixo acordou com o barulho, pois o troço caiu com a delicadeza de uma bigorna.

A Besta-fera gargalhava.

Tudo o que me sobrava agora era strogonoff, sem arroz. Peguei a bandeja do strogonoff, cobri de batata palha e fui comer na frente da TV. Na primeira garfada, suspirei e refleti sobre os últimos acontecimentos. Sinto muito, Aragorn, mas não conte comigo. Hoje a coragem dos homens falhou e e eu não tenho nem um hobbit para vir me ajudar a limpar o estrago agora. Sinto muito, Pedra Élfica, você está sozinho. Me inclua fora dessa.
Porque você pode ficar aí, todo pimpão, enfrentando milhares de orcs, mas, eu, no melhor estilo Leônidas, naquela noite, jantei no inferno.

E ainda tive que varrer a merda da cozinha depois, catando grãos de arroz debaixo do armário.
Ô fase.