Passei um bom tempo
sem ar.
Meus pensamentos flutuavam
para algum lugar fora do meu alcance.
Eu não ouvia mais
nem podia abrir a boca para falar mas o pior de tudo era a falta de ar
impossibilitado de respirar meus pulmões começaram a arder pela falta de
oxigênio o que tornava tudo ainda mais difícil e como consequência eu não
conseguia mais pensar direito ou com clareza e as ideias rodavam dentro da
minha cabeça e passei um bom tempo assim totalmente sem ar mais do que eu
gostaria certamente bem mais do que eu imaginei que aguentaria e com meus
pulmões queimando mesmo sabendo estar no fundo de tudo venci a ideia de que
seria mais cômodo apenas deitar e esperar tudo passar e tomei impulso com os
pés voltando à tona para finalmente respirar.
E, ao abrir os
olhos, percebi que não estava mais em casa, mas sim no meio do mar. Em Florianópolis.
Ao meu lado, crianças
brincando, casais namorando, pessoas nadando. Gritos, música, risadas. E o mar
docemente salgado em volta de mim, com a água escorrendo pelo meu rosto. Paz. Acenei
para a namorada e deixei meu corpo cair na água, boiando, sem rumo, sem pressa,
sem hora marcada, sem prazos, sem culpa, sem dúvidas.
Mas com a certeza
de jamais ter imaginado que o ano de 2011 terminaria deste modo.
Porque foi um ano
difícil.
Não vou dizer
aqui que foi o pior da minha vida, pois coisas boas também aconteceram durante
2011. Mas, como dizem por aí, a vida não é feita de anos, mas sim de momentos.
E eu tive momentos bem difíceis ao longo de todo o ano de 2011 – desde o começo
ao seu final. Todo o terceiro parágrafo deste texto serve para descrever eu,
embaixo d’água até não aguentar mais, como alguns meses da minha vida ao longo
deste ano.
Foi um ano de
muitas mudanças. Algumas são extremamente óbvias, como as minhas tatuagens. Mas
as mudanças foram muito além – e, em alguns casos, imperceptíveis para quem não
convive comigo. Em 2011, “muita coisa mudou muito”.
Porque este foi o
ano em que descobri meus limites. E não estou falando de limites físicos, mas
sim emocionais. Infelizmente, paguei um preço alto demais para isso. Mas, na
maioria dos casos, não adianta reclamar da conta quando ela chega, porque ela normalmente
está correta.
É mais importante
descobrir um modo de pagá-la. Ou, ao menos, de pagar a sua parte.
Enfim, o final de
2011 foi muito melhor e mais doce que seu início. E esta não é a grande vitória
do ano. Minha grande conquista não envolve enxergar os últimos dias de 2011 como
coloridos – isso seria fácil, já que todas as férias em uma cidade linda são
ótimas. Minha vitória é enxergar tudo isso como o início de uma estrada que leva
para um 2012 muito melhor.
E isso não seria
possível sem algumas pessoas, que lutaram o ano inteiro por mim, mesmo sem eu
pedir.
São pessoas que,
ao longo do tempo, fizeram com que eu percebesse – de uma forma que passa longe
do racional e que namora com o meu lado emocional – algo que pode ser resumido
nos versos de uma música do The Who.
I don’t have to fight
To prove I’m right
I don’t need to be forgiven
To prove I’m right
I don’t need to be forgiven
Não preciso
lutar. E não preciso ser perdoado.
E, sabe... No momento
em que você percebe isso, você não precisa mais lutar porque a luta está ganha.
No momento em que você percebe isso, você não precisa ser perdoado, pois
simplesmente não há pelo que ser perdoado.
Remédios e
terapia? Sim. Mas o elemento básico aqui é amor.
Amor de uma família que se importa, que se preocupa, que quer saber. Amor de uma família que convida, que visita, que telefona. Amor de uma família que pergunta se estou bem, se estou precisando de algo. Amor de uma família que deixa claro que está ali, ao meu lado.
Amor de amigos que, do meu lado ou em
outras cidades, cuidaram de mim como eu cuidaria deles. Amor de amigos que deram broncas, foram sinceros, aconselharam. Amor de amigos que gastaram horas em dezenas de conversas. Amor de amigos que mostraram verdades que eu demoraria a enxergar sem eles.
Amor de leitores que estiveram aqui durante o anor inteiro. Amor de leitores que apoiaram, comentaram, torceram. Amor de leitores que mostraram que tudo o que eu escrevo –
minha grande paixão – ainda faz diferença na vida das pessoas - e isso não tem preço.
Amor da Namorada que me guiou pela mão quando eu não conseguia mais enxergar. Amor da Namorada que me apoiou no ombro quando eu não conseguia mais andar. Amor da Namorada que surgiu no meio de uma tempestade, mostrando caminhos e fazendo com que eu jamais esquecesse a pessoa que sou.
Amor da Namorada que não apenas explica e multiplica todos os outros amores que carrego, mas dá sentido a todos eles. Pela coragem e sinceridade, pela doçura e carinho, pela transparência e alegria, ele se torna o amor a ser seguido e o amor a ser amado. O Amor de Todos os Amores.
Sem o amor dela, eu não conseguiria compreender novamente o amor. E, sem isso, eu seria incapaz de enxergar os meus outros amores.
Assim, é graças ao amor dela que eu estou de pé aqui, hoje, agradecendo ao amor de vocês.
Obrigado.
Foi graças a vocês
que eu, totalmente submerso, voltei à tona e respirei. Foi graças a vocês que uma
enorme névoa se dissipou e uma pedra enorme – que não era e nunca foi minha – caiu
dos meus ombros. As costas ainda doem um pouco, mas já é possível andar com as
duas pernas. Foi graças a vocês que voltei a enxergar com clareza o maior
mandamento da minha vida:
O segredo não
está no passado, está no futuro.
E é graças a vocês todos que eu me sinto amando também o meu futuro.
Assim, eu começo 2012 andando de mãos dadas com a Namorada pelas ruas de
Florianópolis e fazendo planos. Planos de vida, planos de futuro. Um sonho
aqui, uma vontade ali. E sempre tomando cuidado para não dar o
passo maior que a perna, mas se permitindo ousar um pouquinho – e olhando para
o céu e sorrindo aquele sorriso de “eu mereço”.
Obrigado a todos vocês que me mostraram justamente isso: o “eu
mereço”. Um "eu mereço" sincero e transparente.
Obrigado a todos
que permitiram que eu olhasse para o abismo e aguentasse o abismo olhando
de volta para mim.
Dizem que o amor, quando é verdadeiro, resiste a tudo – até mesmo
ao tempo. Eu tenho a sorte de ter o amor de muitas pessoas que, mais que
resistir ao tempo, tem o poder de alterá-lo.
Sim, alterar o tempo. Vocês tem este poder, e talvez nem saibam disso.
Foram vocês que fizeram com que meu ano de 2011, um dos mais
difíceis da minha vida, tivesse apenas 360 dias. Pois ele acabou no momento em que eu coloquei os pés em Florianópolis. De lá para cá, já é 2012 na minha vida – a queima de fogos
será uma mera formalidade.
E isso graças a vocês. Porque a luz mais importante e mais bonita de todas, foram vocês que me mostraram, há bastante tempo.
Muito obrigado por isso. Eu jamais me esquecerei.
Feliz ano novo.
Feliz ano novo para todos nós.
(As fotos são da Namorada,
que fotografa muito melhor que escrevo.)




