15 de dezembro de 2011

Isopor

As coisas que eu deixei para trás, achando que não voltariam mais, continuam aqui, sempre comigo.
Mesmo que a gente tente disfarçar, tudo está fora de lugar, sozinho não posso seguir. Eu não consigo sem você aqui.
Mesmo que a gente tente descobrir um novo motivo para sorrir, sei que jamais será igual. Eu já sei como será no final.
Não posso mais viver te procurando em pessoas que não são, nem de longe, tudo o que você já foi para mim.
Vai, volta, um olhar, te encontrar, aceita.
No final.
LunaBlu, sempre comigo.


Eu não consigo achar nada com palavras jogado na rua que vou olhar de perto, para do que se trata. Este texto eu encontrei algumas horas atrás, próximo ao Parque da Aclimação. Escrito à caneta e com alguns erros de português.

Achei forte. Forte e, certamente, dolorido. E, apesar do nome LunaBlu estar no final, ele certamente pertence à destinatária desta carta-desabafo.

Pensei algumas horas em como usar isso no blog. Queria compartilhar com vocês, achei interessante. Até pensei em deixar vocês criarem algo e transformar em crônica, mas, agora... Não sei. Não sei mesmo. Deixo na mão de vocês. Se vocês quiserem tentar, podemos ir em frente. Vocês mandam.

Mas fico pensando... Quem escreveria algo tão forte em uma embalagem de isopor?

Sim, isso estava escrito em isopor.

Foi o que me chamou a atenção logo de cara, quando passei por perto dela.

Que tipo de amor faz isso? Porque é uma carta repleta de solidão, de saudade, escrita com o coração partido, mas conformada. Quase desesperançada. Amarga, com certeza. Mas conformada. É uma carta que entrega os pontos, que admite com os ombros caídos que não dá mais, que é impossível seguir, mesmo porque não há mais propósito em seguir.

O mundo está cheio de crônicas andando por aí, então certamente existe uma história por trás destas frases. Talvez ela seja fantástica, talvez ela seja ridiculamente banal.

Eu gosto de pensar que ela é fantástica. Mesmo porque toda história de amor é fantástica, ao menos para quem a vive.

Agora, enquanto escrevo isso, está começando a chover. Provavelmente, esta “carta” iria ser levada pelas águas e se perder dentro de um bueiro. E, o que é bastante provável, nunca seria lida. Morreria esquecida.




Mas, aqui, ela vai viver eternamente.

Ao menos aqui,

No final.

LunaBlu. Sempre com ele.


******************
Atualização:

A leitora Karina afirmou, nos comentários, que o bilhete na caixa de isopor poderia ser uma música, com indicações para acordes e solo. Talvez ela tenha razão. Fui olhar a letra novamente e vi que, sim, alguns pedaços rimam de propósito, e poderia ser divididos em estrofes. Assim, reestruturei o texto da seguinte forma:

As coisas que eu deixei para trás,
achando que não voltariam mais,
continuam aqui, sempre comigo.

Mesmo que a gente tente disfarçar,
tudo está fora de lugar,
sozinho não posso seguir.
Eu não consigo sem você aqui.

Mesmo que a gente tente descobrir
um novo motivo para sorrir,
sei que jamais será igual.
Eu já sei como será no final.

Não posso mais viver te procurando
em pessoas que não são, nem de longe,
tudo o que você já foi para mim.

Vai, volta,
um olhar, te encontrar,
aceita.
LunaBlu, sempre comigo.


Vale lembrar que a primeira e quarta estrofes estão incompletas, com a ausência de um quarto verso que rime com o primeiro. E a quinta estrofe é toda incompleta, com uma rima somente no segundo verso (um olhar, te encontrar).

Assim, tomei a liberdade de completar a música com os trechos em negrito - mantendo a ausência de rimas no último verso, que explica a letra inteira.


As coisas que eu deixei para trás,
achando que não voltariam mais,
continuam aqui, sempre comigo.
Vivendo em uma espécie de castigo.

Mesmo que a gente tente disfarçar,
tudo está fora de lugar,
sozinho não posso seguir.
Eu não consigo sem você aqui.

Mesmo que a gente tente descobrir
um novo motivo para sorrir,
sei que jamais será igual.
Eu já sei como será no final.

Não posso mais viver te procurando
em pessoas que não são, nem de longe,
tudo o que você já foi para mim.
Pois você é a única que é o “sim”.

Vai, volta, não me solta
um olhar, te encontrar,
aceita, torna a vida perfeita
LunaBlu, sempre comigo.


Não deu para brincar muito em cima do original, porque é difícil encontrar rimas (com sentido) em algo já escrito, mas isso poderia funcionar – sugestões melhores, claro, são bem vindas.

Mas um adendo: não sei se a música seria sertaneja, já que não há indicação do ritmo. Mas, ao que tudo indica, seria sim. Evidentemente, não vou começar a gostar de sertanejo por causa disso, mas já posso dizer que esta é minha música sertaneja preferida.

Ah, e eu manteria o “no final” na letra (apesar da Karina ter apontado que isto indica o solo, pois gosto. Acho forte.

Espero que nunca gravem, porque gosto dela assim, no meu imaginário.

35 comentários:

Lilian disse...

É porque o isopor vai e volta, boia, é levado. É quase que uma versão urbana da mensagem na garrafa. Talvez quem escreveu soubesse que a primeira chuva levaria a mensagem por aí, na enxurrada.

Sorte que ela encontrou você primeiro.

E você tem razão. Toda história de amor é fantástica. Ao menos pra quem viveu.

(Me emocionei agora...)

Rob Gordon disse...

Lilian:

Se eu tirei ela das ruas, talvez eu interrompi o curso correto, então. É algo a se pensar, não?

Beijos

Rob

Lilian disse...

Quem é que vai saber se não deveria chegar até você? E se numa dessas a Luna acaba caindo no teu blog e vendo a mensagem?

O destino age por caminhos misteriosos.

(Devolvi a bola, agora vc pensa. rs)

Michele disse...

Gente, que lindo! E que atitude linda a sua também, de compartilhar o que jamais seria visto por ninguém(posto que estava em um isopor abandonado).

Minha fábrica de sonhos... disse...

Simplesmente ma-ra-vi-lho-so.

Com certeza, esse desabafo de amor jamais seria visto por ninguém, caso vc não tomasse a atitude de compartilhá-lo conosco.

Talvez seja o destino, talvez seja para algumas de nós blogueiros e blogueiras, a gente não sabe formas em que Deus aje. mas que nada acontece por acaso, isso é verdade!!!!!!!!!!

Toda história de amor é algo fantástico e fico pensando... imagina vc viver uma vida inteirinha e não viver uma grande história de amor? Deve ser muito triste, como tristes são as verdadeiras histórias de amor, pois essas, são as que não dão certo, por isso ficaram no... será que poderia ter dado certo? Será????

Minha fábrica de sonhos... disse...

Ô LUNABLU...

dá uma chance aí...

coitado do rapaz, procurar uma pessoa em pessoas que não são... dói...

Varotto disse...

Não dá para pensar nisso agora.

São duas da manhã e acabei de assistir (aos mais de 200 minutos de) Apocalipse Now Redux.

Minha fé na humanidade está um pouco abalada.

O horror... O horror...

Camila disse...

Talvez era pra ser esse o destino do isopor. Era para você encontrá-lo e fazer com que a mensagem não fosse esquecida.

Karina disse...

Acho que ele(a) estava querendo fazer uma letra de música (sertaneja?).
"Sempre comigo" é o título.

Aquele rabisco antes de "no final" é o arranjo solo do violão. "No final" não faz parte da letra, apenas indica que no final da música tem um solo.

Natalia Máximo disse...

É um tipo de amor que deve doer tanto que tinha que ser colocado pra fora, pra dar um alívio no peito, sabe?

Rob Gordon disse...

Lilian:

Acho que nunca saberemos o destino da carta - "destino" no sentido de "onde e como ela deveria chegar". Mas, sim, fiz a minha parte, imortalizando ela aqui. Acho que era o mais certo mesmo, ao invés de deixar a garrafa com a mensagem boiando em alto-mar.

Beijos

Rob

Rob Gordon disse...

Michele:

Bonito, né? Dolorido, mas muito bonito.

Beijos

Rob

Rob Gordon disse...

Minha fábrica de sonhos:

Uma vez eu vi uma frase, não me lembro onde, que era algo como "prefiro amar e me machucar mais uma vez do que nunca mais amar." Como você disse, deve ser difícil demais viver uma vida inteira e não ter uma história de amor.

E, concordo com o que você disse: as grandes histórias de amor (ao menos na ficção) são as que "não dão certo", já que é mais fácil do público se identificar... Casablanca, As Pontes de Madison, Desencanto, Fim de Caso.

Mas, por outro lado, gosto das histórias de amor que dão certo. Acho que todos nós gostamos e passamos a vida atrás disso, atrás daquele momento em que cai a ficha (no meio da tarde, antes de dormir, tanto faz) de que "deu certo". Passamos a vida inteira atrás disso e dói quando não conseguimos. Mas, quando a pessoa vale a pena, "we will always have Paris".

A prova de que dói é esse texto na caixinha de isopor.

Muito obrigado pelo comentário!

Rob

Rob Gordon disse...

Varotto:

É a edição nacional da Universal, ou gringa? Já peguei a nacional, com as duas versões, mas não vi ainda.

Abraços!

Rob

Rob Gordon disse...

Camila:

Será? Acho que nunca saberemos de verdade...

Beijão!

Rob

Rob Gordon disse...

Karina:

Será? Faz sentido, porque algumas partes parecem rimar. Vou atualizar o post com isso assim que conseguir uma brechinha aqui!

Beijos

Rob

Rob Gordon disse...

Natalia:

Aquele que precisa ser colocado para fora para abrir espaço para respirar, né?

Beijos

Rob

Rob Gordon disse...

Caros:

Post atualizado. Todos os comentários a partir deste já se referem à nova versão.

Rob

@frank_london disse...

Me deu uma puta vontade de musicar isso. Daria uma boa baladinha praquela hora do show onde todo mundo acende o esqueiro/celular e fica balançando.

Rob Gordon disse...

@frank_london:

Fique à vontade! Se conseguir um video - ou um arquivo de áudio - depois, eu publico aqui no blog. Que tal?

Abração!

Rob

Varotto disse...

R. eu comprei a edição americana, que vem com três BDs (incluíndo um disco com o doc. Heart of Darkness). Quanto ao filme, você já conhece e não preciso falar, mas tecnicamente, imagem e som estão espetaculares.

Nada de horror...

gilgomex disse...

Naum sei se eu estou sendo burraldo, mas aparentemente vcs naum conhecem a banda Lunablu que canta essa musica junto com o Lucas da bqnda Fresno. Naum eh sertaneja, eh mais um tipo de pop rock, estilo eminho e tals. Naum que sertanejo e emo sejam assim taum diferentes

Varotto disse...

Caray! O Gomex está certo!

Isso é mesmo a letra de uma música. Acabei de checar:

http://letras.terra.com.br/luna-blu/1868085/

Rob, você sabia disso desde o começo?

gilgomex disse...

Porra Varotto, ce naum dorme? rs. Cara, era sério que vcs naum sabiam? Caramba, depois na hora que eu disse que jah sabia ateh o segredovda gordinha mentirosa ninguem acreditou em mim (gordinho mentiroso, rs).

Gilgomex™ disse...

Escrever no tablet eh phoda, muitos erros de digitaçao. Tenho que tomar mais cuidado.

Rob Gordon disse...

Varotto e Gomex:

Vocês são geniais! Sério!

Cara, agora fica a dúvida: será que outras letras destas bandas também funcionariam sem o ritmo e como crônica?

Porque, assim, eu não conheço a banda ou a música, mas achei a letra muito forte - e aqui estou falando como escritor - se pensarmos nela como crônica.

Mas agora que fui olhar a letra inteira, achei que ela perdeu a força. Por exemplo, o verso:

Talvez seja um sinal
De que a nossa história
Não está no final
Você está aqui
Sempre comigo

que peguei no link do Varotto já é bem mais fraquinho, quase adolescente. Os trechos que estavam no isopor parecem ser os melhores da música - os mais fortes, ao menos.

E agora acabei de reler as duas versões: definitivamente sou mais a do isopor. Funciona como crônica, sim. Eu ainda vou escrever isso um dia.

E ainda gosto de imaginar que o que encontrei foi uma carta escrita por alguém muito machucado (se o Gomex disse que é uma espécie de pop rock, vai contra o que imagino, mas paciência...). Vou ficar com minha imaginação.

Abraços!

Rob

Yole disse...

Ia te postar o link da musica, mas ainda bem q li até a ultima linha!
Realmente, tem coisas q ficam mto melhores na nossa imaginção.

Yole disse...

Ah... não é sertanejo (respire aliviado... rs)
Não lembro exatamente como é o ritmo, lembro de ter ouvido na radio...

@frank_london disse...

Fui ouvir a tal da música e... era melhor ter continuado imaginando que era só uma carta num isopor mesmo...

Karina disse...

No fim era uma música, mesmo. Rob, a sua versão está melhor que a original. Inclusive o seu "no final" ficaria realmente impactante. Na música original não rolou.

Obs 1. Estou morrendo de orgulho de ter sido citada num post seu.

Obs 2. Lunablu aqui em Curitiba é nome de Motel.

Rob Gordon disse...

Yole:

"Realmente, tem coisas que ficam melhores na nossa imaginação". Ótima frase. E não serve apenas para música.

Valeu!

Rob

Rob Gordon disse...

@frank_london:

Aqui, para mim, ela será sempre uma carta - ou um poema musicado - num isopor. Se a lenda é mais interessante que a verdade, imprima-se a lenda.

Abração!

Rob

Rob Gordon disse...

Karina:

Não abriria mão desse "no final" de jeito nenhum. E sabe que deve ter mais coisas chamadas Lunablu? O engraçado é que em momento algum eu dei um Google para descobrir o que mais existe com este nome. Qualquer hora eu faço isso.

E, quanto ao seu nome aparecer no blog, nada mais merecido. Afinal, seu comentário mudou totalmente esta postagem, fazendo-a crescer ainda mais. Muito obrigado!

Beijão!

Rob

Viviane disse...

Já passei por situação semelhante...huahuahuha

Rob Gordon disse...

Viviane:

Espero que tenha lidado de forma boa com ela. :)

Beijos

Rob