30 de abril de 2008

A Pequena Loja dos Horrores - Parte II

(leia a parte I aqui)


A Plant sorriu e disse:

– Posso ajudá-lo?

– Eu preciso de um terno.

Ela deu as costas para mim e saiu andando para os fundos da loja. Fiquei alguns segundos sem saber o que fazer, mas quando ela me olhou de volta, entendi que eu deveria ter ido atrás. Apertei o passo e fui.

No meio do caminho, ela parou subitamente e começou a me analisar. Comecei a me sentir como um inseto preto na teia de uma aranha. Não consegui encará-la e olhei para baixo. Este foi meu erro. Vendedores de roupa são como cachorros, eles farejam o medo em você. Os olhos dela brilharam e ela perguntou:

– Que calça você usa?

Antes de continuar, cabe dizer que eu entendo tanto de roupas quanto uma girafa entende de futebol. Não é exagero. Eu demorei mais de vinte anos para decorar a diferença entre saia e vestido. Mas eu percebi que se tratava de uma pergunta importante e que a resposta seria crucial para minha sobrevivência dentro daquele lugar. Porém, a única coisa que eu consegui responder foi:

– Oi?

Ela ficou impaciente. Apertou os olhos e repetiu a pergunta. Como o “oi?” não havia dado bons resultados na primeira vez, achei melhor responder qualquer coisa.

– Hum... Jeans?

– Não. O tamanho.

– Ah, sei lá. Pequeno?

– Acho que você é 42.

– Sou?

– É.

– Bom, então eu sou.

– Você tem preferência de cor?

Minha mãe tentou dizer algo, mas fui mais rápido.

– Escuro!

Afinal, se vou morrer aqui dentro, ao menos serei enterrado com um terno que eu mesmo escolhi.

A Plant virou novamente e saiu batendo os pés. Olhei para os lados. Dei de cara com outro funcionário da loja. Ele tinha uns 80 anos, usava rabo-de-cavalo e olhava fixamente para mim, como se estivesse em transe. Comecei a desconfiar que eu estava dentro do templo de alguma seita que promovia sacrifícios humanos em rituais satânicos, e que o negócio de vender ternos era apenas uma fachada para enganar as autoridades. E a Plant, claro, deve ser o sumo-sacerdote. No mínimo, ela foi buscar a faca sagrada do ritual e eu serei sacrificado em nome de algum demônio obscuro em cima do balcão. Antes de ir atrás dela, cochichei:

– Mãe, você vai primeiro.


"Aceite seu destino e dirija-se ao provador, criança".

Em segundos, a Plant estava de volta segurando um terno cujo brilho denunciava que havia sido costurado com o velo de ouro. Provavelmente, era a vestimenta que eu teria que usar no sacrifício. Mas o problema não era nem as implicações religiosas e mortais da vestimenta, mas o fato de que eu ela deveria custar mais que meu Wii.

– Não tem nada mais... Hum... Modesto?

Os olhos dela brilharam de ódio. Sem falar nada, ela apontou para uma prateleira num canto escuro da loja, perto do esgoto. Em meio às teias de aranha e os insetos que se moviam sobre as roupas, consegui identificar algo que parecia um terno, mas com as cores da camisa da Portuguesa.

– Então, na verdade, eu queria algo entre esse (apontei o terno de ouro) e aquele (apontei a camisa da Lusa). E escuro.

– Entendi.

O “entendi” dela foi assustador. Lembrou minha síndica. Porém, o que eu disse surtiu efeito. Ela apareceu com um terno aparentemente normal. A cor era normal. Olhei de perto, parecia ser um terno mesmo. Botões, duas mangas, bolsos. Nenhuma mancha de sangue. O preço era normal também.

– Gostei, vou levar.

– Você não vai experimentar?

– Ah, é... Experimentar...

– O provador é ali.

– Eu TENHO que experimentar?

Minha mãe, obviamente, se animou com a palavra “experimentar” e entrou na conversa:

– Vai experimentar.

– Mãe, você está do lado de quem?

– Vai experimentar.

Bom, eram dois contra um. Eu fui.

Entrei no provador esperando encontrar restos humanos e um altar com caveiras e velas negras. Nada. Provavelmente, eles limpavam aquilo a cada ritual. Comecei a tirar a roupa. Tinha certeza de que minha mãe abriria a porta a qualquer minuto para perguntar se “ficou bom?” e a Plant invadiria o provador com uma foice para oferecer meu sangue como alimento aos deuses.

Mais do que depressa, coloquei a calça e o terno. Saí do provador e me olhei no espelho. Estava ótimo. Minha vontade era pagar e ir embora. Tudo bem que estava sobrando meio metro em cada perna, mas depois eu poderia enrolar isso por dentro e ninguém iria perceber. Acreditem em mim, estava ótimo.

Claro que minha mãe não concordou.

– Está um pouco apertado na cintura.

– Não, está ótimo.

– Vem cá, quero ver de perto.

– Essas pessoas são loucas, vamos logo embora daqui.

– Primeiro, temos que ver essa cintura.

– Mãe, de que lado você está? Ou você não consegue ver o risco que estamos correndo aqui dentro?

– Ou nós arrumamos a cintura desta calça, ou vamos em outra loja e começamos tudo de novo.

Não tive como rebater esse argumento.

Derrotado.


(continua...)

29 de abril de 2008

A Pequena Loja dos Horrores - Parte I

Nada se aproxima mais do inferno que sair para comprar roupa junto com a minha mãe. E, se vocês estão pensando que estou exagerando ou que não gosto da minha mãe... Bem, isso não é verdade. Minha mãe é, de longe, uma das pessoas mais carinhosas do mundo, mas, quando ela decidia que precisávamos ir comprar roupas, se transformava totalmente. Deixava de ser uma mãe amorosa e dedicada e se transformava num monstro sanguinário que se deliciava de prazer ao fazer com que eu experimente absolutamente todas as peças de todas as cores de todos tamanhos de todas as lojas.

E eu, como toda criança, detestava ficar experimentando roupas. Justamente por isso que quando ela me avisava que teríamos que ir ao shopping comprar roupas, meus pelos na nuca já se eriçavam. Eu sabia que teria que passar por todo aquele maldito ritual, que envolvia cenas constrangedoras. Duas delas – que se repetiam insistentemente, apesar dos meus protestos – eu nunca consegui esquecer.

A primeira (e mais freqüente) era quando ela abria a cortina do provador (sempre perguntando “ficou bom?”) e me deixava de cuecas na frente de inúmeras vendedoras e clientes. A segunda acontecia quando eu saía do provador com uma calça nova, obviamente ainda sem a barra na perna (leia-se: com meio metro de tecido sobrando para fora dos pés) apenas para descobrir que ela havia decidido ver a promoção de camisetas e estava do outro lado da loja. E, como minha mãe é a única pessoa adulta do planeta que é mais baixa que as araras de roupa, ela desaparecia totalmente, e eu ficava ali, andando como um pato, escorregando pelos corredores com aqueles pés de 80 centímetros de jeans.

Isso, anos atrás. Hoje em dia, como sou eu que pago as roupas, ela apenas presta consultoria. Ou, ao menos, era o que eu achava.

Outro dia precisei comprar um terno. Obviamente, chamei a minha mãe, porque eu não sei comprar roupa. Eu sei comprar coisas mais úteis, como livros, CDs, DVDs, mas não roupas. Enfim, achei que, passado tantos anos, eu nem precisava deixar claro que ela iria se e somente se aceitasse o cargo de consultora, abrindo mão da condição de líder das compras.


"Rob, hoje vamos comprar roupas para você."

Ledo engano. Na porta do shopping ela já começou:

– Você vai comprar um terno claro?

– Não, mãe. Escuro.

– Mas você já tem um escuro.

– Mãe, aquele não serve mais. Então não conta.

– Mas eu gosto de claro.

– Então a gente compra dois, mãe. Um claro e um escuro. Aí, você fica com o claro para você de presente.

Passamos na frente de uma vitrine e ela começa a olhar os ternos.

– Essa loja tem uns bonitos. Olhe aquele ali.

– Qual? Aquele lá atrás?

– Não, esse aqui da frente.

–Mãe...

– Você não gostou?

– Eu DISSE que não vou comprar um terno claro.

– Mas este é lindo.

– Mas é claro!

– Olhe o corte, que bonito. E o preço está bom, também.

– Mãe, você já assistiu a O Poderoso Chefão? A única pessoa que usa terno claro ali, que eu me lembro, é o Johnny Fontaine, e ele é meio merda no filme. O Brando só usa terno escuro. O Pacino só usa terno escuro. O James Caan usa terno claro só em uma cena, e é metralhado quando coloca o pé na rua. Eu não me lembro do Fredo, mas com certeza ele só usa terno claro. Eu vou comprar escuro.

– Mas o claro...

– Escuro! Com risca de giz! E chapéu!

Obviamente, ela tinha quatro respostas na ponta da língua, mas desistiu de usar todas quando eu comecei a andar pelo shopping assoviando o tema do Chefão e imitando o Brando.

Acabamos parando na Colombo. Eu não queria ficar muito tempo na frente da vitrine, antes que ela achasse um terno claro, então entrei direto na loja. Uma vendedora veio nos atender. Eu olhei a mulher e comecei a sentir a gargalhada nascendo nas minhas entranhas.

Ela não era parecida com o Robert Plant, ela ERA o Robert Plant. Há uma parte do meu cérebro (que eu não controlo) que insiste em achar com quem as pessoas se parecem. É uma parte da minha mente que trabalha incessantemente, e ainda vai me fazer apanhar na rua. Enquanto a vendedora vinha até a minha direção, este enorme grupo de neurônios começou a cantar Immigrant Song dentro da minha cabeça. Eu comecei a rir e ouvir minha mãe cochichar um “não começa” atrás de mim.

A Plant me cumprimentou (“we came from the land of ice and snow”, meu cérebro gritou, dançando), cumprimentou minha mãe, sorrindo (“from the midnight sun where the hot springs blow” ele continuou) e olhou para mim, de cima a baixo.

Eu congelei. Meu cérebro parou de cantar e congelou também.

Eu reconheceria aquele olhar em qualquer lugar.

Era a mesma expressão vidrada e maníaca que eu via nos olhos da minha mãe quando saíamos para comprar roupas. É o olhar de um daqueles sociopatas que se divertem fazendo com que as pessoas experimentem dezenas de peças de roupas em 5 minutos. Essas pessoas, invariavalmente, se tornam mães ou vendedoras de lojas de roupas. Ou ambos.

E eu ali, cercado por duas delas. Sozinho.

(continua...)

25 de abril de 2008

Marketing de Peso


GANHE UM LEITOR PARA SEU BLOG!!!!


Escreva a receita de um prato gorduroso e envie (com fotos do prato), para o e-mail shermanklump2008@gmail.com, com o texto "Sherman, venha comentar no meu blog!" no assunto da mensagem.


Os autores das receitas mais gordurosas irão receber, inteiramente grátis, um leitor divertido cujos comentários rendem posts magníficos!







Este é um concurso de caráter cultural e não visa lucros. É expressamente proibida a participação do autor do blog Championship Vinyl ou de qualquer um de seus personagens. A palavra "gordo" não foi usada em nenhum momento durante a produção deste anúncio.

24 de abril de 2008

33*

É impressionante como alguns leitores simplesmente não aprendem as regras deste blog. Comentários são bem vindos. Comentários que discordam de mim (como o do leitor Eduardo Araújo no post Carta Aberta ao Sr. Guillermo Vargas) não apenas são respeitados como bem vindos. Xingamentos? Também são bem vindos – desde que devidamente assinados. Não concordou com o que eu escrevi? Entra aqui e diga isso nos comentários. Pode me xingar a vontade. Eu, particularmente, recomendo as expressões filho da puta e escroto, acho que são as mais impactantes.

Mas, se quer gerar uma discussão dentro do blog, assine o comentário.

É impressionante. Tem gente que realmente não aprendeu nada com o Hóstia ou com a Carmilla. A não ser, claro, que seja a) alguém tirando barato, ou b) alguém que quer os quinze minutos de fama aqui no blog. E antes que falem que eu também uso pseudônimo, eu estou sempre aqui no blog. Ou seja, com pseudônimo ou não, eu tenho endereço fixo: este blog aqui. Além disso, a maioria dos leitores me conhece, ao menos de Orkut. Eu posso ser achado. Agora, um comentário postado por alguém que inventou um nome que não linka para blog nenhum e não deixa e-mail para contato... Bom, isso é um comentário anônimo. E é fácil ser homem quando se é anônimo.

É o caso do Sherman Klump, que comentou o post Shake it, Baby, Shake it. Na verdade, foram três comentários. Enquanto eu havia recebido apenas o primeiro, estava preparando um texto como resposta, mas a chegada dos outros dois comentários me fez perder a esportiva. Pela primeira vez em quase dois anos, realmente sentir o tesão que tenho por este blog sumir ralo abaixo.

Sherman, é o seguinte. Eu não sou preconceituoso. Mas também não sou politicamente correto. Para mim, não existe indíviduo obeso, existe gordo; não existe indíviduo com pouca estatura, existe baixinho; não existe indivíduo desprovido de folículos capilares, existe careca. Acho que o fato de ser politicamente correto é a maneira que o mundo encontrou de dizer, educadamente, “você é diferente e eu não te aceito”.

Eu, por outro lado, não tenho problema nenhum com gordos, gays, negros, japoneses apenas porque eles são gordos, gays, negros, japoneses. Tanto que faço piada com todo mundo, especialmente comigo, que (veja só!), sou baixinho, gordinho e careca – ou seja, de acordo com a sua linha de raciocínio, eu tenho preconceito comigo mesmo.

Na verdade, eu tenho problemas com determinadas pessoas, por causa da atitude delas, jamais pelo que elas são.

E você, Sherman, acabou de se tornar uma delas.

Você me chamou de preconceituoso, porque fiz uma piada com gordos. Desculpe, mas qualquer pessoa que lê meu blog sabe que não sou preconceituoso. Mas claro que isso não é argumento, mesmo porque não vou correr para trás dos meus leitores para me proteger. Pelo contrário, isso aqui é entre eu e você. Ao menos, por enquanto.


Eu fazer uma piada com gordos num post não me torna preconceituoso. Mas, para mim, o problema dos seus comentários não é esse. Mesmo porque, como você fez questão de permanecer “anônimo”, sua opinião sobre a minha pessoa não fará muita diferença na minha vida.


O problema é que você não leu o resto do blog. E isso não é um problema de ego. O problema é que se você não leu meu blog você não sabe como eu penso – e, pior ainda, não se interessou em descobrir. Você apenas escolheu uma piada – talvez tenha se ofendido com ela, mas depois falaremos disso – e montou toda uma teoria a meu respeito a partir dela.


Aliás, antes de continuarmos, vou provar que você não leu meu blog.


Sherman, sabia que sou louco por heavy metal? Adoro. Coleciono CDs de heavy metal, especialmente dos anos 70 e 80. Aqui no blog, eu já escrevi sobre shows de grandes nomes do heavy metal como Iron Maiden, Ozzy Osbourne, Alice Cooper, Deep Purple. Nas minhas músicas preferidas no Last FM, estão Iron Maiden, Metallica, Megadeth, Alice Cooper. Eu adoro heavy metal e isso é explícito no blog.


Agora, caso você tivesse lido meu blog para descobrir como eu penso, não teria feito a bobagem de me acusar de ser preconceituoso com pessoas que gostam de heavy metal (qualquer comentário que eu fizer citando você, já virá corrigido para esse texto (ainda) não correr o risco de cair na gozação). No momento que você diz que eu tenho esse preconceito, você prova matematicamente que você não leu meu blog. Você leu este post, e, quando muito o da Carmilla.


Acabamos de provar matematicamente que você não leu meu blog (e, claro, que você também não me conhece pessoalmente, pois absolutamente todo mundo que me conhece sabe qual meu gosto musical).


Ou seja: se você não leu meu blog, não sabe como eu penso. Na verdade, você achou mais fácil escolher uma piada em um post e resolveu me rotular de preconceituoso apenas em cima dela. Você montou toda uma teoria sobre minha personalidade, minha inteligência e minha ética em cima. Você acha que uma piada de quatro linhas me define como pessoa, moral e eticamente falando.


Em momento algum, você não se preocupou em saber se o autor dessa piada não é a mesma pessoa que foi parar na diretoria da escola porque brigou no pátio com três moleques que estavam ofendendo um garoto portador de deficiência. Você jamais tentou descobrir se o autor dessa piada é a mesma pessoa que cortou relações com um amigo porque o sujeito começou a apresentar idéias nazistas.


É verdade, Rob? Você foi mandado para a diretoria por causa disso? E você parou de falar com seu amigo?


Sinceramente, que diferença faz você saber se isso é verdade ou não? Parta do princípio que não é verdade e pronto. Vai combinar melhor com a imagem que você construiu de mim. Você já afirmou que sou preconceituoso sem me conhecer, então você não precisa de mais informações. De acordo com você, eu sou preconceituoso, egocêntrico, burro e otário. E caso encerrado, certo?


Somando o fato de você me chamar de preconceituoso, egocêntrico, burro e otário ao fato de você não ter saber nada a meu respeito (como demonstramos acima), sobra uma pergunta:


Quem é o preconceituoso aqui?


Preconceito, como a própria palavra explica, é um pré-conceito. Ou seja, é um conceito que temos sobre algo ou alguém sem conhecê-lo a fundo. Você disse que tenho preconceito com o gordinho do terceiro andar, mas, as únicas coisas que falei sobre ele são exatamente as únicas que eu sei com certeza: ele é gordinho e mora no terceiro andar. Em momento algum eu disse que ele tem preconceito com os magros. Ou que ele é uma má pessoa, egocêntrica, burra e otária.


Você, por outro lado, tendo menos conhecimento sobre mim do que eu tenho sobre o gordinho, resolveu atestar que, sou burro, otário e egocêntrico. Você é o preconceituoso aqui, não eu. Se você tivesse lido meu blog inteiro (e dado provas disso), eu levaria a sério o que você disse. Mas você não leu e mesmo assim está me rotulando, me julgando e condenando.


Você é preconceituoso, Sherman. Você é MUITO preconceituoso.


Aliás, vou lhe deixar uma escolha aqui. Lembra que eu avisei que falaríamos sobre o fato de você talvez ter se ofendido com a piada”?. Então, me responda uma coisa. Você diz que é “gordo com orgulho”, mas vou te dar uma chance aqui: você é preconceituoso ou você não é um gordinho tão bem resolvido assim, a ponto de dizer “sou gordo com orgulho” como atestou?


Sim, você pode bancar o cool e até assinar como Sherman Klump, mas se você realmente fosse bem resolvido com isso, não teria se ofendido com a piada. Quer ver o que é uma pessoa bem resolvida com o próprio peso? Leia o comentário do Dragus (Dragus, desculpe trazer você para o meio dessa imundície) no mesmo post que você comentou. Isso é uma pessoa bem resolvida, diferente da imagem que você tenta passar.


Quer mais? A prova cabal de que você não é bem resolvido com seu peso é a sua declaração: “sua mãe poderia ser gorda, sua namorada, você”. Além do fato de que você está assumindo que elas e eu somos magros (preconceito da sua parte?), você está colocando a coisa como se ser gordo fosse ruim, como se eu ser gordo, minha mãe ser gorda, minha namorada ser gorda fosse uma tragédia para mim. Se você realmente deixaria de amar sua mãe e sua namorada por elas serem gordas, você é preconceituoso. Se você deixaria de se amar por ser gordo... Bem, não desconte isso em mim.


Posto isso, sobre apenas uma escolha para você fazer: você é gordo com orgulho e preconceituoso, ou você é gordo com orgulho e mentiroso?


Preconceito da minha parte achar isso? Não. Estou apenas deduzindo depois de ler tudo o que você escreveu. Sugiro que faça o mesmo comigo quando quiser falar sobre mim. Se fizesse isso, teria visto que o meu preconceito com as pessoas “que curtem essas paradas de religião” (expressão um tanto quanto preconceituosa, não?) simplesmente não existe. Leia este post aqui (com o comentário do Denys) para ficar se animar um pouco; depois, leia este post aqui (com o comentário do Denys) para ver que falou merda. De novo. E para ver que você foi preconceituoso. De novo.


Por fim, você disse que muitas pessoas não gostam de mim. E em tom de ameaça. Olhe, desculpe, mas eu realmente não trabalho com o conceito de “muitas pessoas”. Eu prefiro trabalhar com os nomes. A não ser, claro, que você ache que elas não querem ser identificadas. Ou você está (sendo preconceituoso e) declarando que elas são covardes demais para se identificarem aqui?


Ah, sim. Para terminar: você disse que todas as pessoas são diferentes. E eu acho isso ótimo.


Primeiro, porque se todas fossem iguais a mim, o mundo seria um lugar chato demais. Segundo, enquanto escrevia esse texto, percebi que eu não gostaria que todas fossem iguais a você. Aliás, sendo mais preciso, eu não gostaria da idéia de ter que ser igual a você.


E não porque você é gordo, como você quer pensar.


Mas por causa da sua atitude.


Adeus.



* 33 é o número de vezes que as palavras "Gordo" (12) e "Gorda" (21) foram publicadas neste blog (sem contar este post, por motivos óbvios).
Partindo do princípio que eu tenho 255 posts publicados, a palavra "Gordo" aparece, na média, uma vez a cada 21,25 posts; já a palavra "Gorda" surge, em média, uma vez, a cada 12,14 posts aqui no blog.
Como meus posts não costumam ser pequenos, os números comprovam que realmente isso é uma obsessão minha, eu não sei falar sobre outra coisa.

23 de abril de 2008

Shake it, Baby, Shake it!

Cara Síndica Brick Top:

Como a senhora deve ter ouvido falar, alguns estados do país sofreram um abalo sísmico no dia de ontem. Acredito que isso não tenha ocorrido no seu apartamento, já que é do conhecimento de todos que até os terremotos temem a senhora. Mas, como você já deve ter sido avisada pelos porteiros do que aconteceu e, acredito, está à procura dos responsáveis, gostaria de esclarecer alguns pontos.

No momento que o abalo foi registrado, eu não estava em casa. Logo, se em algum momento a senhora desconfiou que o tremor foi decorrente da altura que eu escuto meus CDs de heavy metal na sala, já afirmo que não tenho absolutamente nada a ver com isso. Se for necessário, conseguirei o depoimento de cinco pessoas que podem confirmar que eu estava na redação, neste momento. Mas não posso provar a inocência da Besta-fera no caso (apesar de acreditar nela), mesmo porque, em se tratando de qualquer evento que envolva a senhora, a regra é cada um por si.

Gostaria de aproveitar e afirmar que estas minhas declarações tem o intuito de municiar a senhora com informações, para otimizar seu tempo e tornar sua investigação mais dinâmica. Em momento algum fui guiado pelo medo que tenho da senhora.

Acredito que falo em nome de todos os moradores do nosso querido prédio quando afirmo que anseio por resultados positivos de sua investigação. E, assim como os outros condôminos, ficarei satisfeito ao saber que o responsável por tal afronta à paz do edifício foi jogado aos porcos selvagens que a senhora cria na sauna.

Confiante de que a senhora, como sempre, encontrará os responsáveis, coloco-me respeitosamente à sua disposição para qualquer coisa que precisar.

Sem mais para o momento,

Rob Gordon

8º Andar

P.S. – A senhora reparou que, ultimamente, o gordinho do terceiro andar está andando com roupas de ginástica? Talvez seja o caso de investigar se os exercícios dele (pulos, flexões e corridas) não estão interferindo com a acomodação do solo em nosso bairro.

22 de abril de 2008

Carta Aberta ao Sr. Guillermo Vargas

Caro Sr. Vargas,

Antes de mais nada, peço desculpas ao senhor por ter demorado tanto tempo para escrevê-lo. Porém, tomei conhecimento de seu trabalho apenas nos últimos dias, ao encontrar essa notícia na internet.

Posto isso, gostaria de dirigir algumas palavras ao senhor.

De acordo com o Wikipédia (que, admito, não é uma fonte 100% confiável), arte é “atividade humana ligada a manifestações de ordem estética, feita por artistas a partir de percepção, emoções e idéias, com o objetivo de estimular essas instâncias de consciência em um ou mais espectadores”. Infelizmente, não consigo ver onde essa definição se aplica em seu trabalho. O fato de o senhor fazer um bicho morrer lentamente de fome e sede em uma exposição não o classifica como artista.

Isso coloca o senhor no patamar de imbecil.

Enquanto a arte, de forma geral, é uma das maiores provas da evolução humana, sua obra caminha no sentido contrário, rumo à imbecilidade plena. Alguns artistas trabalham para fazer o povo pensar e refletir sobre a sociedade em geral; outros desejam apenas entreter, sem a ambição de provocar maiores reflexões. Sinceramente, eu falho em compreender se o senhor pretende apenas chamar a atenção (o que o tornaria um “oportunista estúpido”) ou apenas prima pelo mau gosto (o que o colocaria apenas como “estúpido”).

E não me importo com suas declarações afirmando que pretendia, com isso, demonstrar a hipocrisia humana, afirmando que “se o cão estivesse passando fome na rua, ninguém se importaria”. Bem, esta foto aqui mostra que as pessoas presentes a tal exposição não pareceram se importar muito com o sofrimento do bicho. Ou seja, a única pessoa que aparentemente se importou com isso foi o senhor. Logo, seu trabalho, além de pecar pelo mau gosto, é fraco, já que não atingiu o que o efeito que o senhor pretendia nos presentes.

E antes do senhor alegar que o fato de um brasileiro estar lhe escrevendo é a prova de que seu trabalho é chocante, que fique claro: em momento algum seu trabalho me fez refletir sobre a hipocrisia humana, mas, sim, sobre a estupidez humana. Mais precisamente, sobre a sua estupidez. Não estou aqui para julgar a qualidade do seu trabalho – mesmo porque não há qualidade para julgar. Estou aqui para falar sobre o senhor.

Qual foi a linha de raciocínio que o senhor seguiu, dentro da sua completa imbecilidade, para concluir que possuía o direito sobre a vida deste cão? A menos, é claro, que o bicho tenha lhe dado uma autorização por escrito lhe conferindo liberdade para levar adiante sua instalação artística. Se isso realmente aconteceu, gostaria que esse papel fosse apresentado a mim e aos meus leitores. Neste caso, e somente neste caso, eu retiro o que estou falando e pedirei desculpas publicamente.

Como acredito que isso não tenha acontecido, partirei do princípio que o senhor se auto-conferiu direitos divinos. De uma hora para outra, o senhor ganhou poderes de vida e morte e pode escolher quem vive em quem morre, começando seu reinado divino com a execução de um bicho apenas para tentar, em vão, mostrar um ponto de vista falho.

Aliás, a idéia de aprisionar um ser vivo com o intuito de deixá-lo morrer lentamente de fome e sede não é nada original, isso já foi feito diversas vezes. O primeiro exemplo – e o mais óbvio – que me vem à cabeça são os campos de concentração nazistas. Mas há muitos outros espalhados pela história, basta pesquisar. A única diferença é que o senhor acredita – e quer convencer o resto do mundo – de que isso é arte. Ou seja, pelo seu raciocínio, os nazistas não realizaram um Holocausto, mas, sim, um vernissage, certo?

Enfim, o senhor conseguiu seus 15 minutos de fama, como gostaria, mas não teve culhões para pagar do próprio bolso e entregou a conta a um bicho inocente que em momento algum compreendeu o que estava acontecendo. Cabe aqui, então, a pergunta: por que não uma pessoa? Por que não uma criança? Um idoso? Por que não sua mãe?

Ou, melhor ainda: porque não o senhor?

Sim, porque se o senhor quer demonstrar a hipocrisia humana desta forma, amarre-se num poste, sem água e sem comida e espere a morte chegar. O mundo agradece.

Mas, como duvido que o senhor pretenda fazer isso. O senhor vai continuar vivo e expondo sua pretensa “arte”, e, pior, contando com o incentivo do governo do seu país, que elegeu o senhor como representante oficial de Costa Rica em outra exposição.

Ou seja, tudo me leva a crer que o senhor irá matar outro bicho. Aliás, Repare que tomei o cuidado de sempre me referir ao cachorro usando a palavra bicho. Quero, com isso, deixar claro que, nesta história, ele é apenas um bicho. O animal, mesmo, é o senhor.

Partindo do princípio, então, que o senhor continuará emporcalhando o planeta com sua arte, eu estou publicamente lhe desafiando a vir apresentar esta merda de arte em São Paulo.

Desafio o senhor a colocar os pés aqui e tentar matar um cachorro na minha cidade.

Rob Gordon

São Paulo - Brasil

P.S. – Infelizmente, não domino o idioma espanhol. Caso algum dos leitores tenha a bondade de traduzir essa carta para mim (e o seu nível de educação atinja o nível “alfabetizado”), espero sinceramente que ela chegue às suas mãos. E espero muito que o senhor aceite meu desafio.

Update: A Larissa, grande amiga e dona deste blog aqui me enviou hoje a tradução da carta, postada abaixo. Como o Sr. Vargas dedicou a instalação artística dele a uma pessoa que morreu atacada por cães, eu dedico esse post à filha da Larissa, que tem um ano e não merecia viver no mesmo planeta que este pretenso artista.


******************************

Carta Abierta al Sr. Guillermo Vargas

Antes que nada, le pido disculpas por haber demorado tanto tiempo en escribirle. Tomé conocimiento de su trabajo apenas em los últimos días, al encontrar esta noticia em Internet.

Dicho esto, me gustaría dirigirle algunas palabras.

De acuerdo con Wikipedia (que, admito no es uma fuente 100% confiable), arte es ‘actividad humana relacionada a manifestaciones de orden estético, hecha por artistas a partir de la percepción, emociones e ideas, con el objetivo de estimular esas instancias de conciencia en uno o mas espectadores’. Infelizmente, no consigo ver donde esta definición se aplica en su trabajo. El hecho de usted, hacer morir lentamente, a un bicho de sed y hambre en uma exposición, no lo califica como artista.

Eso lo ubica en un nível de imbécil.

En cuanto al arte, en un concepto general, es una de las mayores pruebas de la evolución huamana, su obra va en sentido contrario, rumbo a la imbecilidad absoluta. Algunos artistas trabajan para hacer pensar al pueblo y reflexionar sobre la sociedad en general, otros desean apenas entretener, sin ambición de provocar mayores reflexiones. Sinceramente, yo no consigo comprender si usted pretende apenas llamar la atención (lo que lo convertiría en un ‘estúpido oportunista’) o apenas se destaca por su mal gusto (lo que lo convertiría simplemente en ‘estúpido’)

No me interesan sus delcaraciones afirmando que pretendía, con eso, demostrar la hipocresía humana, afirmando que ‘si el can estuviese pasando hambre en las calles, a nadie le importaría’. Bien, esta foto muestra que las personas presentes en tal exposición, no parecían importarse mucho con el sufrimiento del bicho. O sea, la única persona a la que aparentemente le importaba era a usted. Su trabajo, aparte de pecar de mal gusto, es insignificante, ya que no consiguió el efecto que usted pretendía en los presentes.

Antes de usted alegar, de que el hecho de que un brasilero le este escribiendo es una prueba de que su trabajo es impactante, que quede claro: en ningún momento su trabajo me hizo reflexionar sobre la hipocresía humana, pero si, sobre la estupidez humana. Mas precisamente, sobre su estupidez. No estoy aqui para juzgar la calidad de su trabajo (porque no hay calidad para juzgar) Estoy aquí para hablar sobre usted.

Cuál fue la línea de razonamiento que usted siguió, dentro de su completa imbecilidad, para concluir que poseía derechos sobre la vida de este can? Al menos, claro está, que el bicho le haya dado una autorización por escrito otorgándole la libertad de llevar a cabo su representación artística. Si eso realmente aconteció, y solo así, retiro lo que estoy diciendo y le pediré disculpas publicamente.

Como creo que eso no debe haber ocurrido, partiré del principio de que usted se auto-atribuyó derechos divinos. De un momento para outro, usted adquirió poderes sobre la vida y la muerta y puede elegir quien vive y quien muere, comenzando su reinado com la ejecución de un bicho apenas para intentar, en vano, mostrar un punto de vista fallido

Además, la Idea de aprisionar un ser vivo com la intención de dejarlo morir lentamente de sed y hambre no es nada original, eso fue hecho muchas veces. El primer ejemplo (y el más obvio) que me viene a la cabeza son los campos de concentración nazistas. Pero hay muchos otros diseminados en la historia, basta invesetigar. La única diferencia es que usted cree (y quiere convencer al resto del mundo) de que eso es arte. O sea, por su razonamiento, los nazis no realizaron un Holocausto, pero si un vernissage, verdad?

En fin, usted consiguió sus 15 minutos de fama, como guste, pero no tuvo cojones para pagar de su propio bolsillo y entrego a cuenta a un animal inocente que en ningún momento comprendió lo que estaba sucediendo. Cabe entonces la pregunta: porque no una persona? Porque no un niño? Un anciano? Por que no su madre?

O mejor todavía: porque no usted mismo?

Si, porque usted quiere demostrar la hipocresía humana de esta forma, atese a un poste, sin agua y sin comida y espere la muerte llegar. El mundo le agradecerá.

Pero, como dudo que usted pretenda hacer eso. Usted va a continuar vivo y exponiendo su pretendida ‘arte’, y, peor, contando com el incentivo de el gobierno de su país, que lo eligió a usted como representante oficial de Costa Rica en otra exposición.

O sea, todo me lleva a creer que usted irá a matar otro bicho. Además, repare que tomé el cuidado de siempre referirme al can usando la palabra bicho. Quiero con esto, dejar claro que, en esta historia, él es apenas un bicho. El animal mismo, es usted.

Partiendo entonces del principio, que usted continuará enchastrando nuestro planeta con su arte, yo estoy desfiandolo públicamente a venir a presentar esta mierda de arte en São Paulo.

Lo desafio a usted a colocar sus pies aquí e intentar matar un perro en mi ciudad.

Rob Gordon

São Paulo - Brasil

15 de abril de 2008

Champ Drops

Quarto de Milha

Com a pneumonia, o show do Ozzy e a Carmilla, acabei esquecendo de avisar vocês que o Champ alcançou a marca de 250 post publicados. O post que marcou esse número foi o Ó-zê, toca An-der-Son!.


Sai Hóstia, Entra Carmilla

A lista de mais vendidos sofre duas alterações.

O post Dúvida (que nada mais é que uma crise de carência deste humilde autor) assume o primeiro lugar do blog, com 51 comentários – demonstrando o que o Rbns já disse aqui nos comentários: “post curto = sucesso de público garantido; post longo = sucesso de crítica garantido”. Quem também entra na lista é o post E na boa?, que marca a estréia da Carmilla, a nova estrela do blog, com 42 comentários.

Com isso, dois dos meus posts preferidos deixam a listagem dos mais vendidos: o primeiro dele é o Aumente as Visitas do Seu Blog em 15 Passos (o que é uma pena, pois é um dos posts mais comentados até hoje); o outro é o Crente que Está Abafando, o texto sobre o Hóstia. Ou seja, encerra-se a era Hóstia e começa o reinado da Carmilla por aqui. Resumindo: sai uma mala, entra outra.

Corrigido: o post Aumente as Visitas do Seu Blog em 15 Passos, vaidoso que só ele, pediu recontagem dos votos. Realmente, ele possui 46 comentários. Ou seja, a Carmilla é chata, mas não o suficiente para entrar na lista dos mais vendidos. Ao menos, por enquanto. Afinal, porque eu tenho a certeza de que os leitores, que desenvolveram uma relação de amor e ódio com a vampirinha, vão resolver isso em breve.
Enfim, peço desculpas. Como a própria Carmilla diria: "faz um óculos!" (sic na cabeça!)

Presente

Algumas semanas atrás (muitas, na verdade, não postei antes por falta de tempo), o Jeff McFly homenageou seus blogs preferidos criando, para cada um deles, sua versão super-herói no site Hero-O-Matic. O Champ foi um dos homenageados, ganhando uma versão metálica lindíssima, com um capacete no estilo do Magneto, o que permite fumar lá dentro! O melhor de tudo é que minha identidade secreta permanece segura, já que ninguém imaginaria que, dentro desta poderosa armadura, está um sujeito de 1.60m, gordinho e careca. Valeu, Jeff!


Atendentes de telemarketing: tremei!

Tenho ainda alguns memes para responder e selos para colocar, mas deixo isso para depois. Tem texto novo no Chronicles, vocês viram?

13 de abril de 2008

Mr. Greenstone

“Escolha uma vida. Escolha um emprego. Escolha uma carreira. Escolha uma família. Escolha uma televisão grande. Escolha máquinas de lavar, carros, CD players e abridores de lata elétricos. Escolha boa saúde, colesterol baixo, seguro dentário. Escolha prestações fixas para pagar. Escolha uma casa. Escolha seus amigos. Escolha roupas e acessórios. (...) Escolha um futuro. Escolha uma vida. Por que eu iria querer algo assim? Preferi não ter uma vida. Preferi outra coisa. E os motivos? Não há motivos. Quem precisa de motivos quando se têm heroína?”
(Mark Renton - Trainspotting)

Sei que na maioria das vezes utilizo este blog para transformar pequenos causos do cotidiano em humor. Conseguindo fazer os leitores rir ou não, sempre procuro dar aos assuntos (ou, ao menos, à maioria deles) que abordo aqui um tom leve e despreocupado. Acredito que, assim como qualquer texto, blogs (como seus primos livros ou até mesmo filmes e músicas) existem para fazer pensar, o que não os impede de serem divertidos.

Entretanto, hoje eu gostaria de fazer um desabafo aqui. De uns dias para cá, minha vida mudou radicalmente. E para pior. E, por mais que eu tenha tentando negar e mentir para mim, é hora de assumir a verdade:

Estou viciado.

Ainda não havia mencionado isso aqui no blog, pois não fazia a menor idéia de como vocês iriam reagir a isso. Na verdade, mencionei isso somente a algumas poucas pessoas, das quais eu não conseguiria esconder a verdade, como a sra. Gordon e dois ou três amigos mais próximos. Antes de continuar, quero agradecer a eles pelo apoio que têm me dado.

Não comentei isso ainda com meus pais. Tenho medo de decepcioná-los, como acredito que estou decepcionando vocês agora. Mas é preciso, acreditem. Não estou aqui desabafando para conquistar a pena de vocês, mas porque para se livrar de um vício, é preciso, antes, admitir que esse vício está me causando problemas.

E não vejo melhor lugar para admitir isso que aqui, no blog, com vocês.

Estou totalmente viciado em alface.

Antes que comecem a me chamar de traidor do movimento carne-mal-passada-com-gordura, aviso que ainda sou um animal absurdamente carnívoro. Ainda continuo entrando no Bovinus da Rebouças me arrastando no chão e implorando aos garçons por cupim, e continuo mantendo a quantidade de proteínas de cada refeição num índice superior a 90%. Além disso, tenho meus motivos para estar viciado em alface: na verdade, meu vício é vinagre. Sempre fui viciado em vinagre e, meu corpo, de uns dias para cá, tem pedido desesperadamente pela substância. E o maldito alface é a única forma que encontrei de consumi-lo, mesmo porque beber um copo de vinagre seria demais, até mesmo para mim.

O problema é que o vício está, como acontece com qualquer outra droga, começando a atrapalhar o meu dia-a-dia. Semana passada, eu fui até o Pão de Açúcar comprar alface e vinagre à 01:30 da manhã, tremendo e tendo crises de abstinência. Fui até a parte de saladas, peguei um pé de alface, corri para os temperos e peguei o primeiro vinagre que encontrei. Fui para o caixa e, para o meu azar, um sujeito estava comprando um pacote de biscoitos e não tinha troco. Eu ali, esperando. E nada do cara ir embora. Comecei a tremer e ficar nervoso. Uma parte minha queria dar um murro nele, a outra queria abrir o vinagre com os dentes e dar um gole.

Outro problema é que vou ter que mudar de mercado, antes que o pessoal de Pão de Açúcar desconfie de algo e me denuncie às autoridades. Isso porque todos os caixas ali me conhecem, e sabem que a coisa mais saudável que eu costumava consumir era lingüiça. Isso, claro, até o alface. Agora, eles me vêem com aquela porra na verde na mão, e sabem que algo está errado. Eu até tentei disfarçar umas vezes.

– Boa noite. O senhor vai usar o Cartão Mais?

– Não. Vocês embrulham para presente?

– Como assim?

– Vocês embrulham para presente? Porque esse alface não é para mim. Nem o alface, nem o vinagre. Não, esquece. O vinagre pode ser para mim. Mas o alface não é. É para... Hum... É... Para... A minha mãe! Isso, não é para mim, é para ela.

– Não, senhor.

– Ah, que pena. Porque esse alface não é para mim, viu?

– Mais alguma coisa?

E a coisa está começando a atrapalhar meu trabalho. Outro dia, eu não podia almoçar, porque estava cheio de coisas para fazer. Por volta das 13:00, eu comecei a pensar no que pedir. Comida chinesa? Sanduíche? Às 13:20 eu já estava no restaurante ao lado da redação, sentado num canto escuro e com um prato com mais mato que a América do Sul inteira, borrifando vinagre. Obviamente que os garçons estranharam.

– Vai de salada, hoje?

– É. Tem mais vinagre?, eu disse, sem tirar os olhos dos temperos à minha frente.

– Mas esse vidro está cheio.

– Não importa. Não dá para borrifar direito! Esse negócio de borrifar não funciona! Isso é coisa de criança! Não tem outra coisa para usar?

– Não tem.

– Um Vaporetto? Um esguicho?

– Não tem. Você vai beber a Coca Zero de sempre?

– É. Com vinagre.

– Quê?

– É, é a Coca Zero.

Ou seja, todos os sintomas estão aí. Agressividade, intolerância, mentiras. Sou um caso perdido. Enquanto escrevo isso, agora, sinto um desejo incontrolável de ir até a cozinha e dar um gole no maldito vinagre. Não tenho vontade de mais nada. Fico pensando apenas em passar o dia jogado no sofá, ouvindo heavy metal e consumindo vinagre.

E, como não pode ser na veia – porque eu tenho medo de injeção – estou gastando todo meu dinheiro com alface. Outro dia, quase entrei num mercadinho aqui ao lado para roubar vinagre. Eu tinha tudo pronto: a minha máscara do V de Vingança e um plano de fuga. Só não tive coragem. E é isso que me assusta. Quando o vinagre acabar, a falta de coragem não será problema.

Pelo menos, ainda estou conseguindo manter a coisa dentro do controle, consumindo vinagre apenas em alface crespa, porque eu detesto alface lisa. Então, ainda consigo raciocinar um pouco, consigo me controlar. Mas sei que isso não vai durar. Em breve, estarei estocando vinagre em casa, mandando importar sabores novos e – meu Deus! –traficando vinagre em Pinheiros para manter o vício. Se você achou que eu iria dizer que posso me prostituir, esquece: com esse corpinho definido aqui (leia-se: já defini que é uma bosta mesmo e não tem muito o que fazer), eu teria que pagar para cada um dos clientes, e, como o salário de jornalista não é alto, eu quebraria em umas duas semanas. E, sem dinheiro, sem vinagre.

Sei que decepcionei muitos leitores com isso, mas que isso sirva de alerta. Conversem com seus filhos sobre vinagre. Expliquem a eles o mal que isso faz, para que eles não caiam na mesma armadilha que eu, que comecei a usar vinagre por curiosidade, depois para parecer cool e hoje estou aqui, entregue a esse destino sem esperança nenhuma.

Conto com a compreensão de vocês. E, caso me encontrem um dia na rua chupando um limão, não reparem. Vocês não saberiam do que alguém sofrendo de abstinência é capaz.

Hoje não tem Top 5. Preciso de vinagre, não estou mais conseguindo pensar.

10 de abril de 2008

E na boa?

Cara Carmilla

E na boa? Fiquei emocionado ao receber seu comentário carinhoso sobre a minha postagem abordando o show do Ozzy. Mas, o que me chamou a atenção mesmo foi a forma que você conseguiu expor sua opinião, de forma sucinta e bem-embasada, com argumentos sólidos e consistentes. Para quem não leu o comentário, tomo a liberdade de reproduzi-lo aqui:

“Nunca li tanta merda em toda a minha vida!!!!
Vai estudar antes de falar as coisas
e na boa ??
Faz um óculos, porque você não tá enxergando bem não!!!”

E na boa? Não posso negar que fiquei curioso a seu respeito. Desculpe se o conceito de curiosidade parece ser raso demais, é que uma pessoa que comenta um texto dessa maneira não consegue despertar meu interesse. Quando muito, é curiosidade – a nível antropológico – mesmo.

E na boa? Carmillinha, você quebrou as duas regras básicas para ter seu comentário respeitado aqui. A primeira regra diz respeito a comentários anônimos. Se for postar uma crítica ao que eu escrevo, assine. Como o seu perfil no blogger está indisponível, você é uma anônima – apesar do seu nome peculiar. A segunda regra é que você apenas me xingou. Veja, eu não tenho problema nenhum em ser xingado – isso acontece pelo menos três vezes por dia, tenho certeza – mas gosto de saber porque estou sendo xingado.

E na boa? Eu não sei quem você é e muito menos com o que você se ofendeu no blog. Mas acredito que essas duas informações estão ligadas, o que torna você uma pessoa mais divertida ainda.

E na boa? Vamos brincar de detetive e tentar descobrir quem é você.

E na boa? Fui procurar “Carmilla” no Orkut. Não encontrei. Agora, duvido que você não contava com o fato de que eu SEI que Carmilla não é uma versão caipira para Camilla, e sim o nome de uma vampira, certo? Ou seja, já temos algo: a Carmilla gosta de histórias “classe B” de vampiros. E é tudo o que sabemos sobre ela por enquanto.

E na boa? Vamos analisar, agora, seu comentário. Começar uma frase escrita com “e na boa?” denota que sua idade (cronológica ou mental, whatever), não pode ser superior a 14 anos (repare que adaptei o texto inteiro para a sua realidade literária, visando seu maior conforto). Já a fúria adolescente (impressionante como as coisas vão se encaixando) me fez pensar sobre o que você não gostou do post, já que você não deixa claro.

E na boa? Eu falo do pessoal do Korn e do careca bêbado que tentou dormir no show. Como acho difícil você ser o careca (especialmente porque ele parecia o Nosferatu, e não a Carmilla), só me resta pensar, por exclusão, que você se ofendeu com o que eu disse sobre Korn, especialmente sobre o vocalista que usa canga. Claro que eu também falei do modo que as pessoas gritavam “Ó-zê!” e “An-der-son!”, mas algo me diz que você não se ofenderia com isso, porque associar essa piada ao fato de que você era uma das 38 mil pessoas que gritavam no estádio naquela noite está além da sua capacidade. Eu sei, sujeito indeterminado é algo difícil mesmo de se compreender, paciência. Então, vamos de Korn.

E na boa? Temos aqui uma menina que gosta de vampiros (a ponto disso influenciar seu nome na internet) e de Korn. Pronto. É impressionante a velocidade que o desenho está se formando na minha cabeça. Já estou imaginando você usando coturno, saia preta, blusinha preta, tão bronzeada como um finlandês albino, cabelos pretos (ou vermelhos) soltos. E, claro, toneladas de maquiagem, além do cinto e pulseiras com tachinhas. Carmilla, a vampira do blog, tem 14 anos, deve estar na oitava série ou no primeiro colegial, e se acha a criatura das trevas. Aposto que você adora vodka, apesar de passar mal sempre que bebe mais de dois copos. Aliás, uma dica: eu já escrevi sobre os vampiros no Orkut (foi um dos primeiros posts desse blog). Dá uma lida no texto e me xinga lá também, meus leitores gostam de gente assim.

E na boa? Que medo de você, Carmilla. Você é, realmente, a essência da maldade humana. Estou apavorado. Ui.

Carmilla durante o reveillon,
enfurecida porque a mãe a obrigou a usar branco.


E na boa? Isso sem falar no seu gosto musical. Além de ser vampira – mesmo com o fato dos seus pais não deixarem você sair de casa depois das 10 da noite – você é também a metaleira do pedaço, certo?

E na boa? Você anda pelas ruas se sentindo a from hell, acha que as músicas do Korn são “bem lôcas”, e fala para todo mundo que Evanescene é mais importante (e melhor) que Beatles. Aposto até que você tem umas três ou quatro frases da Amy Lee escritas na sua agenda, e que você quer socar aquela menina da sua sala que ouve Maria Rita só porque você é fodona e ela não, certo? E você fica sentada lá no fundo da sala durante as aulas, arrancando pedaços da cadeira e olhando feio para a menina.

E na boa? É justamente o que você quer fazer comigo. Você quer me socar (e, como não consegue, me xinga) simplesmente porque o cara do Korn usa saia. E se eu acho isso ridículo, é porque eu sou “preibói” e só falo merda.

E na boa? Como você é simples.

E na boa? O engraçado é que alguns leitores do meu blog têm a sua idade. Mas eles são normais. São pessoas absolutamente normais. Ou seja, o problema não é a idade, o problema é você. Enquanto alguns dos meus leitores falam “eu acho Korn legal” e “Eu gosto de Korn” (e são respeitados por isso), você consegue apenas me xingar porque eu falei mal da banda. A coisa é tão vazia que eu mal falei sobre as músicas do Korn e você já se irritou.

E na boa? Fique olhando, eu vou dar um nó em você agora.

E na boa? Como você se irritou com o fato de eu falar mal da banda sendo que eu nem citei a qualidade musical deles, é sinal de que o “Korn” importa mais para você que as “músicas do Korn”. E, como o grupo vive de produzir músicas e você não está nem aí para as músicas (ou para a mensagem que elas querem passar), você não é uma fã verdadeira da banda. Ou seja, na verdade, você não gosta de Korn. Logo, eu tenho razão.

E na boa? Tem uma segunda alternativa. Talvez a banda queira ser reconhecida pela sua qualidade musical, mas precisa enfrentar “fãs” que os defendem mesmo sem se importar com as músicas que eles compõem e que acabam prejudicando a imagem deles como músicos. Ou seja, você gosta (ou finge gostar) do Korn, mas o Korn não gosta de você. E uma banda que não gosta dos fãs é uma banda ruim. Logo, eu tenho razão.

E na boa? Tem até uma terceira alternativa. Eles gostam tanto da fama que não se importam em que ela seja mais valorizada que as músicas propriamente ditas por fãs como você. Ou seja, eles não estão preocupados com a qualidade musical do que produzem, porque “ninguém vai ouvir isso aqui mesmo, é ruim demais”, o que torna a banda assumidamente ruim. Logo, eu tenho razão.

E na boa? Se qualquer uma dessas alternativas (ou todas elas) for verdadeira, eu consegui provar que Korn é uma banda ruim graças a você. Ou seja, podemos concluir algo a respeito disso:

E na boa? O maior defeito do Korn é você.

E na boa? Pense um pouco a respeito disso. Pensar faz bem, você deveria experimentar de vez em quando, Carmillinha.

E na boa? Enquanto você fica pensando sobre isso, e meus leitores torcem por você responder este post e se tornar o novo Hóstia do blog, encerro com o Top 5 comunidades do Orkut que eu tenho certeza que a Carmilla participa:

1. Eu Leio André Vianco
2. Entrevista com o Vampiro
3. Amy Lee
4. Black Sabbath
(mas essa ela nunca postou nada, só entrou por causa do show do Ozzy)
5. Eu Odeio a Escola

8 de abril de 2008

Ó-zê, toca An-der-son!

Sábado, 15 horas. Chego ao Parque Antarctica para o show do Ozzy já emocionado. Afinal, meu lado roqueiro se relaciona muito bem com o estádio, onde já assisti Iron Maiden (1992), Metallica (1994) e Iron Maiden (um mês atrás). Em todos esses shows, me lembro de ficar na fila, ansioso, me perguntando se “será que o show será tão bom quanto eu imagino?”. Desta vez, minha dúvida, era diferente. Desta vez eu me perguntava: “será que ele agüenta?”

Isso porque, convenhamos, Ozzy já está mais para lá do que cá. Afinal, se ninguém é eterno, que dirá de uma pessoa que passou a vida brincando de executar na prática todas as combinações possíveis entre os verbos “cheirando”, “comendo” e “bebendo” e os substantivos “cocaína”, “uísque” e “morcegos”? Mas, até aí, não importa. É o Ozzy. Se ele entrar no palco, sentar num banquinho e ficar conversando com a platéia por duas horas e contando histórias do Black Sabbath, já vai ser um baita show.

Mal sabia eu que o show já estava ganho para o Ozzy desde antes que os portões se abrissem. Aliás, cá entre nós, a competição (leia-se: outras bandas da noite) não era muito forte – o que não tira o mérito do Papa-Morcegos – mas eu já falo sobre isso. Aliás, falando sobre a fila, desta vez não topei com nenhuma daquelas criaturas que mostram que a humanidade realmente está respirando por aparelhos. Talvez porque, quando você vai assistir a um show do Ozzy, seja difícil encontrar alguém, no meio do público, que seja mais estranho que ele.

Dentro do estádio, a única coisa que me chamou a atenção foi um careca que era a cara do Rob Halford (ou seja, igualzinho ao Nosferatu, ao Cecil Thiré etc) e que estava completamente de fogo na pista. E, como qualquer bêbado, ele queria mesmo era dormir para fazer o porre passar. Mas o chão do Parque Antarctica deve ser desconfortável demais, porque ele não conseguia se acomodar de jeito nenhum. Deitava num canto, de bruços; minutos depois, levantava e ia tropeçando para outro lugar e deitava de lado; virava para cá, virava para lá, nada de pegar no sono. Levantava e ia cambaleando até outro canto, deitando de barriga para cima. Eu estava quase levando um Valium para ele, quando fui surpreendido por uma parte da platéia fazendo um coro que, assim como no show do Aérosmi-tê, mostrou toda a intimidade que o público brasileiro tem com a língua inglesa:

– Olê, olê, olê, olê! Ó-zê, Ó-zê!

Ó-zê. Feio demais. Felizmente, não gritaram mais nada. Como será que essas pessoas pronunciam Osbourne? Osbórne? Osbórn? Aliás, por que não “Olê, olê, olê, olê! Ó-zê! Osbórnê!”.

Enfim, a noite começa de verdade com a entrada do Black Label Society no palco. Eu gosto da banda, mas, ao vivo, nota-se que o grupo tem o mesmo problema que o Velvet Revolver: o guitarrista é maior que a banda. Ou seja, o show é somente de Zakk Wylde (que é guitarrista do Ozzy, então fez jornada dupla na noite). E é ele, com suas feições que ficam entre um guerreiro viking e um white trash do sul dos Estados Unidos (daqueles que moram em trailers e têm, como objeto de estimação, uma espingarda) que o público quer ver. E mais nada. O resto da banda tenta apenas acompanhá-lo, em vão. Mas o show (do Zakk Wylde e não da banda) foi bem recebido pelo público.

Pouco tempo depois, o estádio se apaga e começa a parte mais temível da noite. O show do Korn. Não há como falar da banda sem falar do vocalista. Pegue o Gary Oldman, transforme-o num klingon e coloque uma peruca de predador. Aí, pegue o que resultou desta mistura e coloque em cima de um palco, de saia. Sim, de saia. Olhei com calma, achando que estava vendo demais, mas era saia mesmo. Saia e coturnos. Era um misto de lavadeira com uma sadomasoquista. Não tinha como ser mais estranho. Será que como as bandas com vocais femininos fazem sucesso hoje, ele resolveu usar saia? Isso é estratégia de mercado? Imposição da gravadora? Ou imbecilidade mesmo?

Aliás, que me desculpem os fãs, mas a banda consegue ser ainda mais estranha que o vocalista. Cada vez que eu olhava para o palco, descobria um novo integrante. Não sei se era geração espontânea ou se eles estavam recrutando novos músicos durante o show, mas a impressão que eu tenho é que o show começou com uns cinco músicos no palco e terminou com uns vinte. Parecia show do Olodum. Um deles, particularmente, era o mais bizarro de todos: um alemão que parecia o Dentes-de-Sabre e que não tocava nada. Ele apareceu umas três vezes no telão, mas sempre longe de qualquer instrumento e balançando a cabeça. Não fazia mais nada. Não tocava nada. Não cantava. E, como ele não é o vocalista, só pude concluir que ele é uma espécie de dançarino. Nós temos a loira do Tchan, os americanos têm o loiro do Korn.

O Korn sai do palco e as luzes se acendem. A platéia, ansiosa, começa a chamar a atenção principal:

– Olê, olê, olê, oléê! Ó-zê, Ó-zê!

Ó-zê. Eles não desistem. Eis que as luzes se apagam e todos nós começamos a urrar. Eu e a platéia de ansiedade, e minha pneumonia de dor. Mas nem dei atenção ao que ela gritava quando os telões começaram a exibir diversos trechos de filmes e séries de sucesso, como Lost, Piratas do Caribe, The Office, A Rainha, sempre com Ozzy fazendo pontas e esculhambando tudo. O telão se apaga e o sistema de som começa a tocar Carmina Burana. Após alguns segundos, a voz que todos queriam ouvir surge do nada:

– Let me fuckin’ hear you!

O estádio veio abaixo. Literalmente. E, sem grandes frescuras ou pirotecnias, ele entra no palco e vem caminhando daquele jeito corcundadenotredamiano dele. Curioso que o sujeito do Korn se apresenta de saia e coturno e o Ozzy entra no palco com tênis, calça de moletom e camiseta preta, e com jeito de quem tinha passado o dia com aquelas roupas. A única coisa de diferente era uma bandana na cabeça e um óculos escuros. Enquanto o cara do Korn chama a atenção pelas roupas, o Ozzy chama a atenção por ser quem é. Se o dicionário fosse ilustrado, teria uma foto dele ao lado do verbete carisma. Mas, também, não dá para comparar, é injusto demais. O que o pessoal do Korn tem de vida, o Ozzy tem de palco.

As músicas? Ele abre com a excelente I Don’t Wanna Stop, do disco novo, e logo em seguida, começa a mandar clássico atrás de clássico, com Bark at The Moon, Suicide Solution, Mr. Crowley e por aí vai. Claro que sempre conversando muito com a platéia entre uma canção e outra, claramente com o intuito de descansar a garganta. Mas é só isso que precisa de descanso. Quem está acostumado a vê-lo capengando no reality show não faz idéia da energia e da garra que ele tem em cima de um palco. Parece um menino de 20 anos. Ele pula o tempo inteiro e não se cansa de arremessar baldes e mais baldes de água na platéia, o que é sua marca registrada.

E, o show seguiu assim, excelente, até o momento em que ele anunciou que iria tocar algo do Black Sabbath: War Pigs. Aí a coisa ficou feia. Neste momento, a coisa deixou de ser um show para virar religião. War Pigs é uma daquelas músicas que você não pula, você fica quieto, assistindo e agradecendo a Deus pela oportunidade de ver ELE cantando ELA. Inclusive, sou da teoria de que War Pigs deveria ter entrado naquela eleição recente para a escolha das novas sete maravilhas do mundo.

Pausa para o solo de Zakk Wylde, que tocou (com a mão sangrando) durante uns dez minutos – provavelmente, o tempo necessário para o Ozzy ir até o hospital mais próximo e respirar uns dois tubos de oxigênio. E, na volta, ele ataca de Iron Man. Assim, sem mais nem menos, como se fosse uma música qualquer, sem se preocupar com a saúde da platéia. Mas claro que a platéia queria ver uma música especifica, e começou a pedi-la em voz alta, no costumeiro inglês macarrônico de shows de rock:

– No Mór Tirs! No Mór Tirs!

E o Ozzy? Ele atendeu. Claro que a música estava prevista no setlist para ser tocada, e exatamente naquele momento, mas ele fingiu que tocou apenas porque a platéia pediu. Demagogia (e esperteza) pura. Nem o Maluf faria isso. Durante o segundo refrão, a voz dele claramente falhou, umas duas vezes. E ele não se importou. Eu não me importei. Ninguém se importou. Ozzy, sua voz pode falhar à vontade, você tem créditos de sobra com a gente.

E dá-lhe balde d’água. E dá-lhe “go crazy for me! C’mon! I can’t fuckin’ hear you!” E eis que ele anuncia a última música, mas faz um acordo com a platéia, afirmando que se a platéia “goes crazy” o suficiente, ele tocará mais uma, duas, três, músicas. Claro que ele voltaria para o bis de qualquer jeito, mas, vendo que a estratégia Maluf funcionou em No More Tears, ele foi em frente com a idéia. E colou, porque quando ele pediu para o público puxar o coro de “One more song! One more song!”, ele foi prontamente atendido pela platéia formada por aluninhos do CCAA, que respondeu em coro:

– An-der-Son! An-der-Son!

E ele atendeu e tocou An-der-son. Na verdade, tocou Two-der-son, fechando o show com Paranoid, que está para a história do rock como o sexo está para a vida das pessoas (mesmo quem nunca fez já ouviu falar que é bom). Acabada a música, agradeceu com a banda e deixou o palco, para desespero das pessoas, que alternavam gritos de “An-der-Son!” com – Olê, olê, olê, oléê! Ó-zê, Ó-zê!. E assim ele vai embora, depois de uma apresentação irretocável, como se ele não tivesse feito nada de especial e isso fosse a coisa mais natural do mundo. Aí que está: para ele, isso é a coisa mais natural do mundo.

Entretanto, eu ainda tive um pequeno bis extra do show. Na saída do estádio, voltando para casa no carro de um amigo, ainda tivemos a oportunidade de escoltar a van do Ozzy durante toda a avenida Sumaré ao lado de uma motocicleta da polícia que abria caminho. Pensei em gritar na janela “An-der-Son! An-der-Son”, mas desisti. Dá que ele resolve me atender e canta Black Sabbath (a música, não a banda)? Certamente teríamos batido o carro.

Mas a sensação que fica ao final do show é que a diferença entre as inúmeras bandas de metal é gritante quando se coloca o Ozzy na equação. Existem bandas boas e bandas ruins. E existe o Ozzy, que é, na verdade, um dos pais de tudo o que se toca hoje dentro do estilo. Seria mais ou menos como você colocar o Pelé para disputar uma partida de futebol com jogadores de hoje. Ele não corre como os moleques, mas porque não precisa. Ele conhece os atalhos do campo da mesma forma que Ozzy conhece os atalhos do palco. E o pessoal de bandas como Korn precisa fazer muita coisa para deixar a platéia do jeito que o Ozzy deixa com uma frase, ou um gesto.

Enquanto ele transpira carisma, o cara do Korn usa saia. E isso explica muita coisa.

Obrigado, Ozzy Osbourne, por um show irretocável. E obrigado por mostrar para essa molecada como se faz.

Para completar, deixo vocês com o Top 5 shows da minha vida (totalmente reformulado após os últimos eventos musicais - Aerosmith (2007) não concorre por motivos pessoais):

1. Iron Maiden (2008) – Rime of the Ancient Mariner, sozinha, é melhor que um show inteiro do André Mattos.

2. Judas Priest (2005) – Um show que beirou a perfeição, com um set list de fazer inveja.

3. Ozzy Osbourne (2008) – Do mesmo nível que o show do Alice Cooper, mas, como foi em estádio, ganha pontos por isso.

4. Alice Cooper (2007) – Qualquer coisa que ela toca é clássica. E estamos falando de um setlist de quase 20 músicas, com direito a enforcamento.

5. Metallica (1994) – Bons tempos que a banda era boa. Espero que voltem a ser. Se o próximo disco for ruim, vou tirar eles da lista e colocar o Dio ou qualquer um do Deep Purple só para provocar.

6 de abril de 2008

We Can Be Heroes?

Acordei hoje pela manhã disposto a escrever aqui sobre o show do Ozzy Osbourne. E farei isso, mas não nesse post. Isso porque, ainda pela manhã, dei de cara, na internet, com a notícia sobre a morte de Charlton Heston. Claro que a maioria dos portais que publicou a notícia identifica o ator simplesmente como o intérprete de Ben-Hur, mas isso seria o mesmo que dizer que Steven Spielberg é “o cara de Tubarão”. Charlton Heston era muito mais que o intérprete de Ben-Hur.

Claro que o filme dirigido William Wyler acabou sendo seu trabalho mais famoso, mas o ator trabalhou em outras dezenas de produções importantes, de todos os gêneros possíveis, como westerns (Da Terra Nascem os Homens), dramas de época (Agonia e Êxtase), ficções científicas (O Planeta dos Macacos e A Última Esperança da Terra, baseado no mesmo livro que inspirou Eu sou a Lenda) drama (O Maior Espetáculo de Todos os Tempos), outros épicos (Os Dez Mandamentos) e muitos outros.

Mas não quero falar aqui sobre a importância de Heston para o cinema. Nem quero abordar, também, seu comportamento duvidoso na vida pessoal, com opiniões de extrema direita e totalmente a favor do “direito de cada americano de portar armas”. Não quero discutir aqui o ator Charlton Heston, muito menos o homem Charlton Heston. Na verdade, o que está me incomodando – e foi tema de conversa com um amigo – é que, ao menos no que diz respeito ao cinema, toda uma geração de grandes talentos está morrendo rapidamente. Isso é normal, já que estão em idade avançada. O problema é que não surgem substitutos à altura. Pelo menos, não na mesma quantidade.

Apesar de ter sido criança nos anos 80, sempre fui fã de cinema clássico, graças ao meu pai. Cresci assistindo a todo tipo de filmes, independente da época. Então, assim acontecia como meus amigos, meus primeiros heróis eram ser “atuais” (o Superman de Christopher Reeve, o Indiana Jones de Harrison Ford, o Luke Skywalker de Mar Hammill e o Jack Colton de Michael Douglas são alguns exemplos). Mas, diferente deles, eu também tinha heróis “antigos”, que eram desconhecidos da maioria dos meus amigos, que fugiam de filmes antigos. Nessa lista, entrariam o James Bond de Sean Connery, o Capitão Hilts de Steve McQueen, o pistoleiro Chris de Yul Brynner e o Spartacus de Kirk Douglas. Isso falando apenas de filmes de ação. Mas há também os heróis de outros gêneros, como Atticus Finch de Gregory Peck, o Tony Kirby de James Stewart e (porque não?), o Rick de Humphey Bogart.

Sinceramente, a lista dos meus heróis no cinema seria enorme. E, infelizmente, a lista de todos os atores que os interpretaram e estão mortos também seria enorme.

Meus heróis não estão morrendo de overdose. Estão morrendo de velhice.

Isso deixa um gosto amargo na minha boca. Não porque eu confunda os atores com seus personagens – não faço isso até mesmo por força da minha profissão – mas porque meu lado criança continua insistindo em olhar estes atores como os heróis que enriqueceram a minha infância – e, ao menos como eu gosto de pensar, moldaram um pouco do meu caráter.

E todos eles estão morrendo. Todos os meus antigos heróis estão morrendo. Claro que os heróis dos anos 80, aqueles que eu compartilhava com meus amigos ainda estão por aí. Mas, cada vez que um destes velhos atores morre – e foram tantos nos últimos anos – a porrada é forte demais. E, pior, sinto que o momento em que os heróis da minha geração (aqueles mesmos, dos anos 80) nos deixarão está cada vez mais próximo. E eu não sei se ainda estou pronto para isso. Aliás, duvido que um dia eu esteja.

O tempo está passando. Os heróis estão morrendo. E, com pouquíssimas exceções, não surgem novos heróis para ocuparem as vagas. Ou, talvez, por causa da minha idade, eu simplesmente seja arrogante a ponto de acreditar que não preciso mais de heróis para me inspirar, que sou auto-suficiente.

Na verdade, depois de passar alguns segundos olhando para a tela, acho que o grande problema é perceber que se o tempo passa para eles, os meus heróis, o tempo certamente passa para mim. E, mesmo com tudo o que eu aprendi com eles, eu não sou o herói de ninguém, como o mundo faz questão de deixar claro em alguns momentos, especialmente num domingo chuvoso, silencioso e meio triste.

(texto que estava engasgado desde fevereiro, com a morte de Roy Scheider, o Martin Brody de Tubarão, um dos homens que eu passei boa parte dos anos 80 querendo ser quando crescesse)

5 de abril de 2008

Plantão Médico

Voltei.

Ou, ao menos, o que sobrou de mim.

Minha garganta continua parecendo um cenário de guerra civil – resultado de uma semana falando com uma voz que faria o Darth Vader se sentir o Edson Cordeiro – e ainda dou uns espirros que acordam o prédio inteiro (e que vem acompanhados da sensação de que minha garganta está rasgando), mas a febre passou totalmente há dois dias, graças a ao antibiótico.

Resumindo, vou sobreviver.

Mas a semana não foi fácil. Longe disso. E isso desde o final-de-semana passado quando a gripe começou a atacar. A namorada me entupiu com um remédio (que eu não lembro o nome) que era meio Ladyhawke, com uma versão para dia e outra para a noite. Nada da febre baixar, nada da gripe ir embora. Domingo à noite, fui a um pronto-socorro pensando simplesmente em tomar uma injeção e resolver logo aquilo, mas as coisas começaram a se complicar quando o médico pediu para tirar uma chapa do pulmão. 10 minutos depois, estava deixando o hospital oficialmente diagnosticado com pneumonia e a receita de um antibiótico na mão.

O remédio, um tal de Claritromicina 500mg (que abateu mais de R$ 100,00 da minha conta bancária) certamente deve ser usado no zoológico para o tratamento de animais de grande porte. Ou para tratar vítimas de testes atômicos. Mas ele deve ser extremamente eficaz no tratamento, porque os vírus devem morrer de rir com os efeitos colaterais que acontecem com o paciente.

O engraçado é que a cada vez que eu tomava, ele provocava uma reação diferente: enjôo, dor de cabeça, gastrite. Cada pílula, uma surpresa. A única constante era o suor. Nem o Lawrence daArábia suou tanto quanto eu suei essa semana por causa da porra do remédio. Em uma das noites, cheguei a precisar trocar de camiseta três vezes durante a madrugada, o que deve ser um novo recorde mundial.

E, com o suor, vinham os pesadelos – sempre relacionados com algo que eu estava assistindo ou (re)lendo. Algumas noites eu sonhava com o House, em outras com O Poderoso Chefão. E nunca eram sonhos bons. Eu nunca era o Michael Corleone, eu era sempre um capanga qualquer que morria fuzilado num depósito escuro, pouco antes de acordar encharcado de suor. Bom, ao menos eu não era o Fredo, o que já era alguma coisa. Na dúvida, só comprei a quarta temporada de Oz ontem (depois que os pesadelos já haviam parado) com medo de sonhar com o Adebisi.

Em frente aos escombros da garganta de Rob Gordon,
três anticorpos derrotados analisam a situação

Agora, o interessante de você ter pneumonia é o respeito que isso acarreta. Se você espirra, é porque está gripado e só. Mas, quando você fala que está com pneumonia, as pessoas te olham como se você fosse um herói de guerra ou algo parecido. E a doença é meio cult. Procurei pneumonia no Orkut e achei só umas duas ou três comunidades relacionadas a doença, nenhuma com mais de 100 pessoas. Não sei o que as pessoas discutem nessas comunidades (e nem me preocupei em ir fuçar), mas ficou claro que pneumonia não para qualquer um. A gripe é pop, a pneumonia é roots. É uma doença que as pessoas respeitam. Com óbvia a exceção do meu irmão, que, com sua delicadeza paquidérmica, conseguiu apenas comentar que “pneumonia é doença de velho pobre que morre na fila do hospital”. Nada como um pouco de amor fraternal para dar um pouco de alento.

Mas o mais desesperador mesmo era ficar preso em casa. Nas duas vezes em que consegui colocar o pé na rua, amparado pela namorada, ficava sem fôlego a cada 8 ou 10 passos. E, na primeira vez que saí sozinho, já um pouco melhor, ainda fui abordado por um daqueles funcionários idiotas do Taií, que ficam tentando vender cartão de qualquer coisa na frente do Itaú. Aliás, eles já podem ser considerados a nova praga da cidade, porque todo dia eu passo em frente a um Itaú, e todo o dia um deles vem me oferecer aquilo. Desta vez foi mais divertido: eu simplesmente tossi na cara do sujeito e fui embora. Chupa, Taií!

Mas, enfim, estou de volta. O próprio blog se atualizou durante essa semana, como vocês viram nos posts anteriores, e desculpem por qualquer constrangimento que ele tenha causado (e ele sempre causa). E, aos poucos, vou colocando o blog em dia – não que tenha acontecido muita coisa interessante na minha vida nessa semana – e voltando à velha forma, porque escrever ainda não está fácil. Mas, ao menos, hoje ainda tem o show do Ozzy, a despeito dos protestos da minha mãe, que acha que eu deveria ficar em casa até outubro. Mas, como eu expliquei para ela:

– O Ozzy está muito pior que eu e vai cantar duas horas. Se ele pode fazer isso, eu posso ficar quieto assistindo.

Mas, para comemorar meu retorno, deixo vocês com o Top 5 tópicos que devem existir em qualquer comunidade sobre pneumonias no Orkut:

1. Onde você pegou a sua pneumonia?
2. Pessoa acima – beijava ou espirrava?
3. Será que estou com pneumonia? Me ajudem!
4. Qual doença você daria para a pessoa acima?
5. Créditos ilimitados para o seu celular!!!!!!!

3 de abril de 2008

O Rob NÃO está com Frescura!

Depois do post de ontem, o Rob disse que eu poderia continuar atualizando o blog, desde que ele vistoriasse todo o processo - e que eu me retratasse em relação ao título do texto (coisa que já fiz). Logo, estou aqui, sentado, como um imbecil, enquanto ele está numa cadeira aqui atrás, lendo tudo que eu digito enquanto brinca com uma faca na mão. Abuso de poder é uma merda mesmo.

Hoje ele resolveu que vai responder ao meme passado pelo Barreto, do SOS Hollywood, que consiste em apontar cinco filmes subestimados. Claro que ele se animou todo, porque ele acha realmente que entende de cinem... Ok, ok, parei. Guarda a faca!

Enfim, ele está ditando os filmes aqui atrás de mim. Deixa eu escrever isso rápido porque ele foi tomar remédio. Para se exibir, ele ainda colocou uma frase de cada filme. E o cara é tão autista que sabe quase todas as frases de cor, chega a ser digno de pena. Rain Man mesmo. Aliás, dica: não assistam a O Poderoso Chefão com ele, ele acha que imita o Marlon Brando e o Al Pacino. Ridículo. Fudeu, ele voltou.

Ah, sim. Ele indica os seguintes blogs para esse post: Blog do Moulin, CineFuteBlog, Cinema, Afins e uma Dose de Whisky, Memória Cinematográfica e Amarelo-Banana.

Bem, vamos aos filmes que o cara quer colocar aqui:


Mera Coincidência

Conrad Brean (Robert De Niro): O que as pessoas se lembram da Guerra do Golfo? Uma bomba caindo em um prédio. Deixe eu dizer uma coisa: eu estava no estúdio quando filmaram isso com um modelo de 10 polegadas feito de Legos.

Stanley Motts (Dustin Hoffman): Isso é verdade?

Conrad Brean: Quem sabe?

Subestimado por: Todo Mundo

Está aqui por que... Fez certo sucesso na época do seu lançamento, mas acabou sendo esquecido – por público e crítica. É, com certeza, uma das poucas comédias inteligentes americanas que não são assinadas pelo Billy Wilder. A ironia do seu roteiro, que começa já nos letreiros de abertura que explicam o título original (“Wag the Dog”, podendo ser traduzido literalmente como “abana o cachorro”) é genial. De Niro, que ainda não fazia comédias sessão da tarde, dá um show; e Dustin Hoffman joga de igual para igual. E o filme consegue a proeza de melhorar a cada vez que se assiste. Aliás, hoje, em tempos de guerra no Oriente Médio, está mais atual que nunca.


Era uma Vez na América

Max Bercovicz (James Woods): Esse país ainda está crescendo. Certas doenças é melhor você ter enquanto é jovem.

Subestimado por: Público

Está aqui por que... Como eu disse num post recente, só não é o maior filme de máfia de todos os tempos porque O Poderoso Chefão tem a vantagem numérica de três contra um. Mas dificilmente é lembrado, a não ser por iniciados em filmes de máfia ou iniciados em Sergio Leone. A elegância de sua narrativa é absurda, com suas idas e vindas no tempo; a trilha sonora de Ennio Morricone (leia-se Deus) é de ouvir de joelhos. É a obra-prima da década de 80, com a vantagem de ser atemporal, e não visualmente datado, como outros concorrentes ao título, como Fome de Viver e Blade Runner. Infelizmente, fica relegado a circuitos cult, quando deveria ser “leitura obrigatória” em todos os colégios.


O Sucesso a Qualquer Preço

Rick Roma (Al Pacino): A sua função aqui é ajudar a gente! Você consegue ver isso? AJUDAR! E não FODER! Ajudar aqueles que estão na rua tentando ganhar a vida! Sua bicha! Seu executivinho!



Subestimado por: Público

Está aqui por que... É um verdadeiro tesouro. Baseado numa peça de David Mamet (o que já diminui para próximo de zero as chances de ser ruim), o elenco é um verdadeiro dream team, com Al Pacino, Jack Lemmon, Ed Harris, Kevin Spacey e Alan Arkin. Tem também o Alec Badwin, mas ninguém é perfeito (fora Era uma Vez na América). Ok, foi indicado para três Oscar, mas acabou sendo totalmente esquecido. Aqui no Brasil, não foi lançado em DVD e chegou ao cúmulo de ser um dos títulos daquelas coleções de VHS mal gravados da Folha de São Paulo.


O Primeiro Assalto de Trem

Juiz (André Morell): Agora, falemos dos seus motivos. O que levou você a conceber, planejar e executar esse golpe infame e escandaloso?

Edward Pierce (Sean Connery): Eu queria o dinheiro.

Subestimado por: Todo Mundo

Está aqui por que... É um verdadeiro tesouro escondido em algumas poucas locadoras (bem poucas mesmo, porque não foi lançado em DVD). Não trata do “primeiro assalto de trem”, mas do “primeiro assalto a um trem em movimento”, no final do século 19. Sean Connery e Donald Sutherland (que, me desculpem os fãs de Jack Bauer, coloca o filho no chinelo) esbanjam ironia – e o roteiro segue o mesmo caminho. Toda a trama, desde a preparação do golpe a sua execução beira o brilhante. Curiosamente, foi dirigido por Michael Crichton (sim, o mesmo de Jurassic Park), autor do livro que inspirou o filme.


Vanilla Sky

David Aames (Tom Cruise): Eu quero acordar! Suporte técnico! Suporte técnico! É um pesadelo! Suporte técnico! Suporte técnico!


Subestimado por: Rob Gordon

Está aqui por que... É um filme pretensioso ao extremo, com diálogos existencialistas metidos a besta e sem lógica (no melhor estilo Humberto Gessinger de ser) e um final sugerido, provavelmente, por uma criança de 9 anos que não sabia como terminar a história e recorreu ao “aí eu acordei e vi que era tudo um sonho”. E ainda tem o Tom Cruise. Não tinha como dar certo. Serve mesmo como alívio cômico para um post, e só.

Para finalizar, o Rob ditou também o Top 5 Filmes que Poderiam Tranquilamente Ter Entrado nessa Lista:

1. Ed Wood – Mesmo sem nunca ter feito sucesso quanto alguns outros filmes de Tim Burton, é, de longe, o melhor filme do diretor. Aliás, o que é aquela interpretação do Martin Landau como Bela Lugosi?

2. Irma La Douce – Quando se pensa em Billy Wilder e Jack Lemon, todo mundo sempre lembra de Quanto mais Quente Melhor e Se Meu Apartamento Falasse. Irma La Douce, que é ignorado, é melhor que tudo o que Ben Stiller fez até hoje.

3. Assassinato por Morte – comédia policial com Peter Sellers, David Niven, Truman Capote e Alec Guiness interpretando um maravilhoso mordomo cego. Deveria passar TODO dia na televisão.

4. Gangues de Nova York – todo mundo detesta o filme, diz que é fraco. Pára tudo. É um Martin Scorsese de primeira linha – aliás, o melhor desde Os Bons Companheiros. E o personagem do Daniel Day-Lewis está, tranquilamente, entre os melhores já criados pelo diretor.

5. Star Wars: Episódio I – Ele foi considerado fraco. Mas Episódio II é um filme tão ruim que consegue melhorar o primeiro, e ele acaba sendo elevado ao posto de subestimado. Em outras palavras, ele deixa de ser péssimo para virar fraco.