30 de janeiro de 2008

Este blog não apóia - Pirataria na Blogosfera



É fato mais que conhecido que a pirataria tornou-se uma prática comum no Brasil e em outros países. Livros, CDs, filmes, séries... Hoje, tudo é pirateado. Cantores, atores, escritores, programadores, todos são prejudicados ao verem seu trabalho sendo distribuídos de graça por pessoas que não contribuíram em nada com a sua criação. Aliás, até mesmo blogs são pirateados. Enquanto você lê isso, alguém pode estar copiando um texto do seu blog e colocando em outro site sem os devidos créditos – o que não deixa de ser, também, uma forma de pirataria.

Creio que cabe aqui ressaltar o óbvio: pirataria é crime. Isso é um fato. Se algumas pessoas acham que filmes e músicas devem ser distribuídos de graça, escrevam aos seus deputados preferidos e levantem essa discussão. Até a lei ser modificada, pirataria continua sendo crime. Se você duvida disso, consulte a legislação do seu país. Ou, se preferir, ligue para o seu cantor ou ator preferido e pergunte a opinião dele sobre o assunto. Ou até mesmo escreva para o dono daquele blog que você adora e pergunte a ele se você pode distribuir um texto dele por e-mail, sem identificá-lo como o autor e veja a resposta dele.

E, obviamente, não vou dar atenção ao argumento que defende essa idéia apoiado no preço dos CDs e DVDs oficiais, ou na desculpa de que isso divulga o trabalho da banda ou do ator. E dou menos valor ainda ao estúpido discurso hipócrita-socialista sobre “a necessidade da democratização da cultura” propagado por algumas pessoas. Realmente, as empresas que fornecem conteúdo cultural – especialmente as gravadoras – precisam rever seus conceitos de distribuição frente ao que vem acontecendo nas ruas e na internet. Mas modificar a estratégia comercial é um problema delas, e não nosso.

O nosso problema é que isso vem se agravando cada vez mais pela Blogosfera.

Cada vez mais, nós, blogueiros, temos que dividir espaço com blogs que tentam ganhar espaço ao fornecerem material ilegal. Basta uma rápida passeada pela Blogosfera para começar dar de cara com filmes, temporadas inteiras de um seriado, jogos e programas de computador, álbuns completos, até mesmo ensaios da Playboy disponibilizados em inúmeros blogs.

De uns dias para cá, essa discussão se intensificou com a publicação de diversas matérias apontando os blogs como um dos novos (e mais crescentes) focos de pirataria na Internet. Denominada “pirataria alternativa”, essa nova modalidade de crime vem se agravando cada vez mais, e, com isso, o termo “blog”, que vinha sendo considerado uma das formas de comunicação mais importantes, ágeis e democráticas já criadas, passa a ser manchado. Isso por causa de algumas pessoas que, totalmente desprovidas de talento, usam do trabalho de outras pessoas para conseguirem alguns minutos de fama numa comunidade do Orkut, num fórum de discussão ou no pátio da escola.

Como blogueiro, tenho vergonha da situação ter chegado a esse ponto. Agora, o Blogger (leia-se Google) está começando a deletar todas as páginas que hospeda e que possuem material ilegal, apoiado nas políticas internacionais de proteção a direitos autorais. Uma medida mais que correta e que deveria ter acontecido há mais tempo.

O problema é que a pirataria, além de prejudicar inúmeras pessoas, agora também ameaça e ofende a sua credibilidade como dono de um blog – já que os órgãos competentes, agora, vão vasculhar seu blog em busca desse tipo de material. Ou seja, por causa dos blogs ilegais, você, blogueiro, é culpado até prova em contrário.

Aliás, eu me recuso a reconhecer um site desses como um blog. E sei que falo isso em nome de muitos blogueiros bons que existem por aí. O que faz um blog é o seu criador, e não as palavras “blogger”, “blogspot”, “wordpress” em seu endereço eletrônico. Um blog de downloads não é um blog. E o dono de um blog desses não é um blogueiro. Claro que existem blogs feitos por pessoas responsáveis que disponibilizam downloads legais, como programas shareware e demos, mas, infelizmente, hoje, estes blogs são as exceções.

Justamente por isso dou início aqui a esta campanha, deixando clara a minha opinião totalmente contrária a esse tipo de prática em blogs – ilustrada pelo selo que abre este post. Cole essa imagem no seu blog e ajude a construir uma blogosfera melhor e um pouco mais ética. Sinta-se livre para redigir um texto sobre o tema para espalhar a idéia, ou apenas explique a campanha com um link para este post.

Deixe claro que seu blog é construído com o seu esforço e o talento, e não merece sequer ser confundido com as ações de alguém que tenta se colocar no mesmo nível que você simplesmente por usar, da pior forma, possível o trabalho de outras pessoas.

Mostre a sua opinião e a sua indignação a respeito disso antes que a palavra “blog” transforme-se em num novo apelido para “pirataria”.

Quer ter um filme, um CD ou um livro? Vá até uma loja e compre.

Quer ter um blog?

Aprenda a ser talentoso e criativo.

28 de janeiro de 2008

A Lenda do Blog sem Cabeça e Outras Histórias

Após o concurso e a premiação na comunidade Blogger – Brasil, no Orkut, é hora de espanar o pó do blog e colocar rapidamente a vida em ordem, coisa que não consegui devido a um janeiro extremamente corrido.

Primeiro, gostaria de agradecer a alguns blogueiros por algumas indicações ao blog: Rera (pelos selos Este Blog Vale a Pena Conferir e Eu Tenho um Blog de Elite); Ícaro Vinícius (Este Blog Vale a Pena Conferir); DJ Willder, http://ooutroblogdaana.blogspot.com/2008/01/blog-cabea.html e Gustavo Timm (estes dois últimos, velhos leitores do Champ), todos pelo selo Blog Cabeça, que eu ainda não conhecia - o Gustavo também indicou o Chronicles. Apesar do pessoal do site Putsgrilo.com já ter encerrado a “votação” do Blog de Elite, contabilizarei o voto aqui, em consideração à homenagem. Como o selo do Blog Cabeça é novo por aqui, lhes apresento a imagem abaixo:

Se o Tim Burton tivesse um blog,
esse certamente seria o header

Como de costume, indico cinco blogs a todos os prêmios acima (menos ao Blog de Elite, pelo motivo já citado do prazo expirado): A Prateleira, Coluna do Lorida, Pequeno Inventário, Blog do Tyler e Estimulanet. Divirtam-se, garotos.

Update: Em algo que parece ser viadagem ou armação uma enorme coincidência, enquanto eu indicava o Coluna do Lorida aos prêmios acima, ele me indicava a mais um selo Este Blog Vale a Pena e ao (ao menos, aqui) inédito "É um Blog muito Bom, Sim Senhora", cujo selo segue abaixo. Ou seja, os cinco blogs acima (incluindo o Coluna) estão indicados a esses prêmios também.


Ah, sim, cabe agradecer também ao jornalista Ricardo Noblat, autor de um dos blogs mais respeitados da blogosfera, que recomendou o Champ aos seus leitores em um de seus posts. Noblat, Besta-fera manda abraços a você (e à recém-nascida Luana).

E, sem mais delongas, atualizando a lista dos posts mais vendidos. Ultimamente, diversos posts quase entraram na lista dos mais vendidos (como Ó-Ká e Nada Como um Dia Após o Outro). Mas, quem reinou soberano, escalando a tabela direto para seu topo (e chutando o texto Último Post para fora do panteão) foi minha carta-manifesto sobre os comentários do blog, Comentando os Comentários, que alcançou a impressionante marca de 50 comentários. Ah, sim, e atualizei a lista de posts Lado B, colocando alguns posts da pré-história do Champ (no tempo que eu mal sabia usar um blog e provavelmente escrevia mal pra burro) e que merecem ser (re)descobertos).

E, encerro rapidamente, antes de voltar à programação normal, aproveitando para dizer que a grande vítima da correria de janeiro foi o caçula Championship Review, que acabou ficando para segundo plano – algo que foi remediado entre ontem e hoje. Então, deixo vocês com o Top 5 novas críticas do Champ Review:

1. Prison Break – 2ª Temporada
2. Eu Sou a Lenda
3. Desperate Housewives – 3ª Temporada
4. Desejo e Reparação
5. O Gângster

25 de janeiro de 2008

Dois Neurônios

O pior momento do final de um namoro não é o término em si. É acordar no dia seguinte. Por alguns segundos, seu cérebro acha que tudo continua absolutamente normal, até que a sua consciência resolve dar um basta naquilo e acende um néon vermelho com a inscrição “ACABOU” num lugar bem alto, à vista de todos os neurônios.

Em poucos segundos, a notícia começa a se espalhar – primeiro pelo cérebro, depois pelo resto do corpo. Os primeiros a ficarem sabendo, claro, são os neurônios, que não conseguem nem trabalhar direito por causa da luz do néon e começam a discutir o assunto no trem, indo para o trabalho.

– Acabou mesmo, é?

– Parece que sim. Ou não teriam acendido aquele troço lá em cima.

– Eu ouvi alguns rumores ontem, enquanto ia para casa, mas não sabia do que se tratava.

– É. O término oficial foi ontem à noite. Parece que o pessoal da área de tristeza teve que varar a noite no escritório.

– Coitados. Eles sempre se ferram nessas ocasiões. Por isso que eu digo: quer ser feliz, vá trabalhar na seção de memória. Lá não acontece nada, nunca. Você só tem que arquivar tudo e, às vezes, mandar uma ou outra coisa para o pessoal dos sonhos. Só isso.

– Sim, mas nessa crise, você vai ser um dos mais prejudicados. Todas as músicas que lembram o namoro, os filmes que eles assistiram juntos... Você vai ter que ficar enviando esse material sem parar pelos próximos dias. Duvido que você consiga sair antes das 20:00.

– Putz, é mesmo! Que merda!

– Dá para vocês falarem mais baixo? Estou tentando ler o jornal aqui atrás.

– Desculpe.

Aos poucos, o resto do corpo começa a sofrer os efeitos da notícia, como se um novo pacote econômico tivesse sido oficializado no organismo. O estômago não consegue funcionar direito; os intestinos ameaçam se rebelar e pegar em armas a qualquer momento; os olhos insistem em passar o dia marejados; e os pulmões convocam jornada dupla entre os funcionários, porque sabem que o sujeito vai fumar o dobro. No fígado, é acionado o alerta amarelo e começam os procedimentos de emergência, porque o consumo de uísque deve aumentar consideravelmente – especialmente no primeiro fim-de-semana – para tentar aplacar o vazio de sua vida.

– O que eu ouvi no rádio hoje pela manhã é que os analistas temem que agora ele caia de vez na gandaia.

– Ah, ele sempre faz isso. Vou até dizer o que vai acontecer. Ele vai começar a procurar desesperadamente algo para substituir o que ele perdeu. E, eventualmente, vai encontrar e se apaixonar novamente. E isso, por sua vez, eventualmente, vai terminar também. E aí voltaremos à estaca zero.

– Tem razão! É sempre assim! Sempre!

– Eu estou tentando ler aqui atrás!

– Desculpe.

Permaneceram em silêncio por alguns minutos, chacoalhando no trem. Ambos sabiam, em seus íntimos, que as próximas horas seriam caóticas. Um deles ainda sussurrou de forma que o neurônio mal-humorado não os ouvisse.

– Mas o primeiro dia é sempre o pior. Sobreviva ao primeiro dia e as coisas começam a voltar ao normal.

– Sim, o problema é sobreviver a ele.

– Nem fale. Por isso que eu gostaria de ser neurônio de um padre. Eles jamais passam por esse tipo de coisa.

– O papa! Eu queria ser neurônio do papa!

– Porra, eu estou tentando ler!

Eles ficaram olhando enquanto o neurônio se levantava xingando e saía do trem, mudando de vagão.

– Viu só? Todo mundo já está estressado. Estou falando, o dia hoje não vai ser fácil.

Os dois continuaram sentados, esperando o trem chegar à estação em que desciam. Lá, subiram as escadas da plataforma, e, na calçada, se despediram, cada um desejando boa sorte para o outro.

“O dia hoje não vai ser nada fácil”, pensou um deles. “Como será que eu consigo um emprego no cérebro do papa?”, pensou o outro.


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Se você já está preparando um comentário me desejando sorte nesta nova fase da minha vida, esqueça. Eu não terminei namoro nenhum. Na verdade, terminei, mas não um namoro convencional.

Ontem eu assisti aos dois últimos episódios de Seinfeld em DVD, encerrando um relacionamento de quase três anos com os DVDs da série. E os dois episódios – ou quatro, porque cada um deles é duplo – são um deleite para os fãs da série, repleto de referências aos nove anos do seriado. E pegam pesado, especialmente o penúltimo, que contam com erros de gravação e cenas de bastidores. Quando o último episódio acabou, fiquei olhando os créditos tentando cair na real. “Agora sou um Rob Gordon sem Seinfeld”, fiquei pensando.

E, hoje pela manhã, acordei como se tivesse perdido algo na vida, o que inspirou essa pequena crônica – os dois neurônios conversando acima são Jerry Seinfeld e George Costanza. Ou, ao menos, eu os imaginei assim. Obviamente, Costanza é aquele que grita e termina o post desejando ser neurônio do Papa.

Obviamente, vou substituir Seinfeld por alguma outra série de comédia, mesmo que Seinfeld seja insubstituível. E que me desculpem os fãs de Friends, mas George Costanza sozinho come o elenco da série da Warner com farinha, e o episódio The Soup Nazi é melhor que qualquer temporada inteira da série de Rachel e Ross. Não é à toa que o TV Guide americano elegeu Seinfeld como a melhor série de todos os tempos.

Claro, ainda tenho metade da terceira temporada de House, a primeira temporada de Shark e inúmeros packs de Star Trek que me ajudarão a superar essa crise.

O problema é que eu não tenho mais Seinfeld.

E, para encerrar, deixo como Top 5 personagens principais de Seinfeld pela minha ordem de preferência:

1. George Costanza – já me compararam a ele de duas maneiras: física e psicologicamente. Não sei qual é pior. É, de longe, o melhor personagem: mentiroso, neurótico, desonesto e fracasso.

2. Jerry Seinfeld – apesar de normalmente funcionar como elo entre os outros personagens, seu sarcasmo chega a ser brilhante na maioria das vezes.

3. Cosmo Kramer – Usa muito o humor físico, o que, normalmente, o destoa da série, cujos pontos fortes são seus diálogos. Mas, especialmente quando está sozinho em cena, dá um show.

4. Elaine Benes – Ao contrário de Kramer, funciona melhor quando está cercada pelos outros personagens. Mas, sozinha, consegue arrancar gargalhadas também.

5. Newman – O inimigo mortal de Seinfeld, o carteiro Newman é exagerado e megalomaníaco. Cresce demais nas duas últimas temporadas, tornando-se inesquecível.

22 de janeiro de 2008

Por uma Blogosfera mais Justa

O concurso para eleição da comunidade Blogger – Brasil terminou este domingo. O Champ-Vinyl foi eleito vencedor, entre os seis finalistas, com 61% dos votos – depois de vencer a categoria Cotidiano (com 69%). Assim, o Champ conquistou uma espécie de Tríplice Coroa no Orkut, vencendo o Estadual, a Copa do Brasil e, agora, o Brasileirão. Tomara que inventem logo uma Libertadores.

Antes de continuar com o post, quero, obviamente, agradecer a todas as pessoas que votaram no blog, foram às ruas, fizeram campanha e mandaram fazer 6.000 camisetas – que infelizmente não ficaram prontas a tempo. Muitos agradecimentos especiais caberiam aqui, mas quero ressaltar alguns deles: ao Davis, meu habitual marketeiro político; ao Júlio Moraes e ao Wagner, grandes camaradas (obrigado pelo grande apoio!), e ao Gomex, torcedor-símbolo do Champ, que consegue, sozinho, fazer mais barulho que a torcida organizada de muitos times.



Agora, é hora de falar do concurso em si. Blogs excelentes participaram em todas as categorias (sobretudo Cotidiano, que me sinto mais apto a julgar) o que engrandeceu em muito o concurso. E, apesar dos esforços e da idoneidade dos organizadores, erros foram cometidos, como deixei claro neste post aqui.

Maldade? Não, longe disso. Sacanagem? Pelo contrário. Os organizadores do concurso são mais que honestos e não precisam provar isso para ninguém. O que provavelmente ocorreu foi um pouco de inexperiência – algo completamente compreensível quando se realiza (pela primeira vez) um concurso numa comunidade com mais de 6 mil membros – e que não diminui a coragem deles em arregaçar as mangas e organizar um “campeonato” desse porte.

"Champ está aí!!! Sempre fã do seu trabalho" - Cezinha

Enfim, isso me fez literalmente brochar com o concurso. Todos foram prejudicados por esse erro – ou, melhor dizendo, esse acidente –, mas senti que a maior porrada caiu sobre o blog Pensamentos Equivocados. Além de empatar na liderança da enquete final com o Champ no momento de seu cancelamento (e muita gente vota por impulso no blog que lidera a enquete), que perdeu horas preciosas, já que permaneceu com um post pedindo votos com o link para uma enquete inexistente. Em outra situação, caberia aqui um “chupa Pensamentos”, mas não é o caso.

Outro fator que chamou minha atenção foi que, a partir de certa hora, a eleição perdeu um pouco de seu propósito. Deixou-se de escolher o melhor blog para se apontar quem faz política com mais habilidade. Digo isso, porque, em certo momento, fui avisado de que alguns dos participantes estavam pedindo votos via scrap para os membros “adormecidos” da comunidade – aqueles que mal freqüentam o fórum, nem sabiam que estava rolando uma votação e, consequentemente, não estavam particularmente dispostos a conhecerem os blogs participantes.

Fui verificar e vi que era verdade. E foi aí que eu me invoquei.

Ativei o no more mr. nice guy mode: on e comecei a dançar conforme a música. Em poucas horas, me tornei um mestre do marketing viral, descobrindo todos os segredos dessa arte moderna, basicamente triplicando o número de votos que eu tinha. Ou seja, se você possuir uma empresa de remédios para aumentar o pênis, ou vende Viagra mais barato, me contrate como diretor de marketing, porque vou fazer as vendas dos seus produtos explodirem.


"Leio o Championship em casa e no trabalho. O Rob Gordon sabe contar histórias como ninguém e sabe ser engraçado na medida certa, além de um certo mau humor e sarcasmo. Desde que conheci o blog já adicionei nos favoritos e todo dia eu acesso várias vezes procurando novos posts.” -
Thiago


Claro que isso teve um ponto positivo. Muita gente que contatei realmente se interessou pelo Champ (mais até do que pela enquete em si), o que me fez receber muitos elogios nos comentários e no Orkut (alguns, reproduzidos ao longo desse post como forma sincera de agradecimento). E isso, sinceramente, vale muito mais que qualquer voto.

Por outro lado, isso fez com que o concurso acabasse se tornando uma guerra para atestar quem fazia a melhor campanha política. Com isso, as piadas do Capinaremos, a criatividade do Um País Chamado Uati, a inteligência ácida do Pensamentos Equivocados, a riqueza de informações do Netesporte, a seriedade do Blogonews, os conselhos e dicas do Códigos Blog (e qualquer coisa que vocês admirem aqui no Champ) foram deixados de lado, quando, justamente, eles deveriam pesar em cada voto dado pelos membros da comunidade.

Afinal, acredito que o objetivo do concurso é eleger os blogs que elevam o nível da Blogosfera, e não da Scraposfera. E isso todos os blogs finalistas fazem com louvor.

Justamente por esse motivo e pelo cancelamento da primeira enquete (repito: não culpo ninguém específico por isso) que, ao invés de cair no velho esquema de agradecimento do Oscar e dizer que “todos os finalistas são ótimos, não acredito que ganhei e esse prêmio também é de vocês, rapazes”, irei um pouco além.

Não. Vou dividir REALMENTE esse prêmio com vocês.

Como vencedor do prêmio, estou abrindo mão da tradicional vaidade blogueira e proponho que seja considerado um empate técnico.


“Acompanho o Champ desde seu primeiro post, e ele é deliciosamente brilhante e hilário. Virou minha rotina visitar esse blog a fim de começar bem meu dia. É isso, eu confesso: sou uma junkie e groupie literária deste blog. Como não votar nele?” -
Larissa


Faço questão que cada um de vocês cinco pegue o selo de primeiro colocado do concurso e o estampe no seu blog. Todos vocês merecem isso, mas não é esse o ponto aqui. O que interessa é que isso iria reparar todas as injustiças citadas acima.

E claro que sempre vai ter um gordinho com camiseta do Linkin’ Park sentado na primeira fila que vai perguntar:

– Ah, mas você não mandou scrap para todo mundo também?

Ao qual respondo:

– Releia o meu post de 16 de janeiro e depois releia o que escrevi aqui, animal!

E caso me acusem de estar desprestigiando o prêmio com essa atitude, aviso que estou fazendo justamente o contrário. A importância que um prêmio entregue numa comunidade desse porte tem, para qualquer blogueiro, é grande demais para ser desvirtuada como foi durante o seu andamento, mesmo sem nenhum competidor ou organizador ter essa intenção.


"O Champ tem um conteúdo que prende a atenção do leitor, isso é muito importante! Continue o bom trabalho, Rob!” - Alex


Não falo pelos organizadores da comunidade, mas como detentor do prêmio. Sugiro, sincera e humildemente, que se declare um empate, pois acredito que todos teriam as mesmas chances de ganhar se não fosse por esses fatores que citei acima. Creio que essa seria a saída mais justa e honesta dado todos os percalços do prêmio. Em última instância: “o prêmio é meu e eu o coloco onde quiser”. E eu quero colocá-lo onde ele merece estar: nas páginas de todos os blogs finalistas.

Afinal, eu não quero ser senador, governador ou presidente – logo, não quero ganhar nada devido simplesmente a uma campanha bem feita ou a um acidente cometido por inexperiência. Quero apenas que meu blog tenha o reconhecimento que lhe é devido. E, nesse ponto, acredito que falo por todo e qualquer blogueiro.

Muito me honra ter recebido esse prêmio. Mas deixaria tão honrado quanto saber que, neste momento, estou falando por estes cinco blogueiros em particular e que, com isso, estamos contribuindo para uma Blogosfera absurdamente melhor onde blogs de nível conseguem viver em parceria. Talvez essa Blogosfera que imagino seja utópica demais e nunca irá existir; por outro, lado esse meu post talvez seja um passo nessa direção.

Deixo essa resposta com vocês.



21 de janeiro de 2008

Meninos não Choram? Tá bom...

No final de 1998, eu era um jovem prestes a me formar na faculdade, procurando meu espaço no mundo. Não sabia direito qual caminho iria seguir, mas, como todo aluno de faculdade, não estava muito preocupado com isso no momento, mas sim em entregar o TCC antes que o bar na porta do campus fechasse. Foi nessa época que eu assisti a esse trailer na internet (com conexão discada).

Ok, o filme não seria grandes coisas (e, de quebra, apresentou às platéias aquela aberração conhecida como Jar Jar Binks), mas o trailer significou muito para mim. Nada de Han Solo, nada de Darth Vader – ao menos, como eu o conhecia. Mas as músicas, o sabre de luz duplo de Darth Maul e a porra da frase “Anakin Skywalker, meet Obi-Wan Kenobi” fizeram com que eu me emocionasse pela primeira vez na vida por causa de um trailer. Não era apenas uma aventura espacial, era a aventura espacial que embalou minha infância. Assisti a umas quatro vezes seguidas. Chorei nas três primeiras.

Em 2001, eu já trabalhava com jornalismo. Já havia encontrado meu caminho na vida. Começava a encarar alguns dos dilemas da vida adulta, como equilibrar as contas do mês e começava a adquirir outros hábitos – jantar fora ao invés de sair para beber, por exemplo. Socialmente falando, eu era um adulto. Foi nessa época que eu assisti a esse trailer na internet (no meio do trabalho).

Como eu já trabalhava na área, sabia o exato momento em que o trailer estaria disponível no ar, e devo ter assistido antes mesmo do Tobey Maguire. No meio do trailer, quando o Aranha começa o seu show de acrobacias, percebi que eu estava finalmente assistindo a algo que eu imaginava desde os 14 anos de idade. E, para piorar, aquilo acontecia exatamente da forma que eu havia imaginado. Assisti ao trailer umas sete vezes. Chorei em todas.

Hoje pela manhã, enquanto tomava meu café, comecei a ver as notícias pela internet antes de vir trabalhar. Já definitivamente um homem adulto (a despeito de algumas atitudes pré-adolescentes que insistem em aparecer). Moro sozinho, sou independente, pago minhas contas em dia. E, enquanto fuçava na internet, dei de cara com esse trailer aqui.


Ok, a imagem está podre porque foi filmada dentro de um cinema (update: na verdade, a imagem estava podre, porque troquei o vídeo por uma versão oficial com legendas e letreiros em português). E o filme – como qualquer longa de Jornada nas Estrelas – pode ser ótimo ou péssimo. As chances são as mesmas. Mas, começar a semana ouvindo “Space... the final frontier” com a voz do Leonard Nimoy é sacanagem. Aí a coisa é mais pesada, porque não são heróis. São amigos de infância.

Nerd é uma merda mesmo. Assisti quatro vezes, chorei em todas.

O que me preocupa é que em breve teremos o primeiro trailer de Indiana Jones.

Sinceramente, não sei se agüento duas porradas assim no mesmo ano.

Update: este post foi fechado para comentários, pois ele se tornou alvo de spams, e eu não tenho mais saco de ficar vindo aqui todos os dias para apagar os "Enlarge your Penis" que recebo.

18 de janeiro de 2008

Ó-ká

Existem mais mistérios entre o céu e a Terra do que supõe nossa vã filosofia.

Um deles é o porteiro da noite aqui do prédio onde trabalho. Ele segue uma lógica própria que é extremamente difícil de acompanhar – além de esbanjar coragem, algo que abordarei num próximo post. E, como de cada 100 dias eu trabalho até altas horas da madrugada em pelo menos 95 deles (antes que me perguntem: eu não sou travesti, sou jornalista), meu contato com ele é freqüente.

E a cada vez que eu converso com ele, descubro que tenho muito que aprender sobre a vida. Sim, sobre a vida, porque eu já desisti de entender como a mente dele funciona. Ontem ele deu mais um show de sua perspicácia no interfone. Para melhor entendimento do diálogo, tenha em mente que a empresa que trabalho ocupa dois andares do prédio, o primeiro e o quinto. Eu trabalho no primeiro.

Era cerca de meia-noite quando tocou o interfone. Eu atendi:

– Alô.

– Seu Róbi Górdu?

– Pois não, Seu Porteiro?

– Me responda uma coisa: tem alguém aí nesse escritório?

– Bom, eu estou no interfone conversando com você.

– Então, me diga. Tem alguém aí?

– Bem... Eu.

– Mas só você?

– O senhor quer falar com alguém?

– Quero saber se tem alguém nesse escritório do primeiro andar.

– O que o senhor acha?

– Bom, tem você aí.

Pensei em 319 respostas adequadas para esse último comentário, sendo que metade delas faria com que ele ficasse olhando para o interfone com aquela cara de “este programa executou uma operação ilegal e será fechado”. Mas, meia-noite e sem jantar... Resolvi terminar logo com aquilo.

– Sim, tem eu aqui.

– Tem alguém no quinto andar?

– Não sei, eu estou no primeiro. O senhor interfonou lá?

– Sim. Ninguém atendeu.

– Então a probabilidade de não ter ninguém é relativamente alta, não?

– Oi?

– Nada. Não sei se tem alguém lá. Aqui, estou sozinho.

– Ó-ká. (sim, ele é daqueles que fala “ó-ká” e não “oquei”)

– ...

– ...

– Seu Porteiro?

– Oi.

– Só isso?

– Só. É para avisar que o prédio está fechado desde as 10 da noite.

– Seu Porteiro, todo dia você fecha o prédio às 10 da noite. Nós meio que sabemos disso já.

– Tá-ó-ká.

– Só isso?

– Então, aí, só está você?

– Só eu. Só isso?

– Só.

– Ok.

– Ó-ká.

E desligou.

Eu estou até agora tentando entender o que ele queria.

A humanidade pode não ter dado certo, mas confesso que, em certos momentos, ela é fascinante.

Ei.... Você já votou no Champ-Vinyl como melhor blog da comunidade “Blogger Brasil”? Não? Bem, não se esqueça do que eu prometi dois posts atrás, e vote aqui.

17 de janeiro de 2008

Nada Como um Dia Após o Outro

Trabalho. Namorada. Família. Besta-fera. Contas a pagar. Campeonato Paulista. Prazos. Filmes. DVDs. Livros. CDs. Blog. Sonhos. Amigos. Grana. Saúde.

Nada mais faz sentido.

Porque todos os elementos da sua vida, tudo o que você fez, pensou e sonhou até hoje, deixam de ter importância a partir do momento em que você descobre que provavelmente é a única pessoa do mundo a pedir um sorvete num restaurante e encontrar, no meio de uma das bolas de chocolate, um pedaço de 5cm de fita durex.

Poderia ser (muito) pior, eu sei. Mas estou começando a aceitar a idéia de que o universo não me quer mal. Ele quer apenas se divertir comigo.

Com o pedaço de durex na mão, a única ação que me restou é olhar pela a janela, para o céu, tentando chamar a atenção de Deus ou de alguma outra força que possa reger o destino dos seres humanos e fazer duas perguntas essenciais para que eu possa compreender melhor a minha existência:

Vem cá, de onde você tira essas idéias?

Mas, porra, por que é sempre comigo?


Aliás, já votou no Champ hoje?

16 de janeiro de 2008

Top 5 - Você Sabia?

1. VOCÊ SABIA que este blog foi eleito o Melhor Blog na categoria Cotidiano na comunidade Blogger Brasil - Blog do Orkut?

2. VOCÊ SABIA que, com isso, este blog está disputando a final na enquete que irá escolher o Melhor Blog da Comunidade?

3. VOCÊ SABIA que este blog estava na liderança da enquete quando a mesma foi apagada graças a um erro de um dos organizadores do concurso?

4. VOCÊ SABIA que clicando aqui você pode votar no meu blog (desde que você seja membro da comunidade)?

5. VOCÊ SABIA que, por causa do cancelamento da primeira enquete, se eu ganhar esse concurso, vou tomar uma atitude em relação ao prêmio que muitos blogueiros considerariam loucura?

Então vote e me aguarde.

15 de janeiro de 2008

Championship - Live at Rio - Parte II

Você sabe que sua existência é um exemplo vivo do conceito de “ô fase” quando, numa viagem a trabalho, tudo – menos o trabalho – sai errado.

No meu segundo e último dia de viagem para a Cidade Maravilhosa, os problemas começaram assim que eu acordei. Levantei e fui tomar banho. Eu não sei quanto a vocês, mas eu adoro chuveiro de hotel. Chuveiros de casa nunca são como chuveiros de hotel. Aliás, existem dois tipos de chuveiro: os de hotel / propagandas da Lorenzetti e os que as pessoas comuns têm em casa.

O único problema dos chuveiros de hotel é arrumar a água na temperatura ideal, o que é mais difícil ainda naqueles hotéis que não especificam qual a torneira de água fria e qual a de água quente – aliás, ninguém nunca pensou em inventar uma terceira torneira, a de água morna? Enfim, demorei uns 10 minutos para conseguir essa empreitada, nos quais eu me senti como um dos macacos de 2001 – Uma Odisséia no Espaço. Faltava só o monolito para alavancar o meu progresso tecnológico ali no banheiro. E, a hora que eu consegui regular as torneiras, a potência da água faria as cataratas do Iguaçu morrerem de inveja e considerarem uma mudança de carreira. Ou seja, tive que começar tudo de novo, até acertar a temperatura e a potência, o que tornou a equação mais difícil ainda.

A hora que finalmente consegui, nem desconfiei que estava assinando minha sentença de morte. No momento em que eu entrei embaixo da água, reparei que o sabonete havia ficado em cima da pia. Infelizmente, quando olhei para a pia e vi o sabonete ali, não reparei que, ao lado dele, estava o Gnomo da Catástrofe sentado ali, rindo e balançando as perninhas.

Para ilustrar melhor o desenrolar dos acontecimentos a seguir, vamos inovar, colocando, pela primeira vez, o Top 5 no meio do post. Segue, então, uma descrição acurada do Top 5 segundos mais doloridos da minha viagem ao RJ (usando o fuso horário do Rio de Janeiro):

08:23:20 – Rob Gordon abre a porta do box e coloca o pé direito no piso do banheiro.

08:23:21 – Rob Gordon pensa “putz, esse piso está parecendo um sabão”

08:23:22 – Rob Gordon flutua na atmosfera do banheiro, em posição horizontal, com as pernas esticadas e os braços para trás

08:23:23 – Rob Gordon grita “caralho!”. Nenhum dos hóspedes do andar acorda com o grito, a não ser um senhor escocês, que não entende a palavra e volta a dormir

08:23:24 – Rob Gordon está deitado de costas no chão do banheiro, com as pernas para fora do box. Imóvel, descobre que o único movimento que consegue fazer é piscar – mas um olho de cada vez, caso contrário a dor é insuportável.

Foi exatamente isso. Lembro que a única coisa que consegui pensar entre meus pés saírem do chão e minhas costas chegarem ao chão foi “vou morrer”. Não morri, mas, quando voltei a mim, estava olhando o teto do banheiro, tentando entender o que tinha acontecido. Senti algo embaixo das costas – era o trilho pelo qual corria a porta do box. Ouvi uma música ao meu redor, e, com esforço sobre-humano, consegui virar os olhos para a esquerda, a tempo de ver o Gnomo da Catástrofe saindo pela porta do banheiro gargalhando. Provavelmente foi pegar a última Coca-Cola do frigobar para celebrar seu sucesso.

Fiquei ali deitado fazendo uma checagem geral dos ossos. Tentei começar por ordem de dor, mas como o corpo inteiro doía, desisti na hora. Parti para a ordem alfabética. O problema é que, como eu sempre detestei biologia, não consegui checar todos os ossos com exatidão, porque eu me lembro apenas de fêmur, omoplata, costela, crânio, tarso e metatarso – sendo que não faço a menor idéia de onde ficam esses dois últimos.

Aparentemente, nada estava quebrado, para minha sorte. E o “sorte” aqui não é por estar com os ossos inteiros, mas porque eu conseguiria me levantar sozinho. Afinal, o que acontece com a reputação de uma pessoa quando ela é encontrada nua e quebrada no chão do banheiro de um hotel em Copacabana?

Enfim, consegui me levantar – quase caí de novo no meio do processo, mas como o Gnomo aparentemente achou a Coca-Cola e estava assistindo a desenhos animados no quarto, consegui me equilibrar. Fiquei uns 10 minutos em pé, embaixo do chuveiro, gemendo a cada gota de água que batia nas costas.

Resumindo, passei o resto da manhã andando meio torto, com a agilidade de um RoboCop. E isso não é o pior. O problema é que as pessoas olham de forma muito estranha para uma pessoa que, após passar a noite em um hotel em Copacabana, geme toda vez em que se senta no dia seguinte.

Ô fase.

13 de janeiro de 2008

Championship - Live at Rio

Para quem reclama que o Champ Vinyl só fala de São Paulo – e, na maioria das vezes, de Pinheiros – estou escrevendo esse post diretamente do Rio de Janeiro, mais precisamente do business center do hotel em que estou hospedado. E já aviso aos interessados que, ao menos da varanda do meu quarto, o Rio de Janeiro continua lindo. Não que isso faça muita diferença, porque eu vim aqui a trabalho (paulista mode: on).

Aliás, minto. O Rio de Janeiro continua lindo, mas isso não necessariamente vale para a cidade inteira, especialmente quando se olha a cidade da minha varanda. Sim, porque, como de costume, assim que entrei no quarto, cumpri meu ritual que sigo em todas as viagens: larguei a mala na cama e fui até a sacada conferir a vista. Olhei para a a esquerda e vi a praia de Copacabana, tão cantada em verso e prosa, linda em todo seu esplendor e grandiosidade. Respirei fundo e senti o cheiro de maresia.

Admirei a praia alguns minutos, até que virei a cabeça. Num apartamento exatamente em frente ao meu, um homem de mais ou menos 50 anos de idade andava de cueca pela sala , mostrando que o corpo humano pode ter pelos e cabelos em lugares que nunca imaginei. Na mesma hora voltei para dentro do quarto e fechei as cortinas, entendendo que realmente o conceito de “ô fase” não tem fronteiras. A última vez que olhei, ele estava sentado no sofá, provavelmente assistindo Faustão, e coçando a barriga. Agora, foda-se a vista da praia. Eu não coloco mais os pés na varanda.

Aliás, o quarto é ótimo – com exceção do nudista que mora em frente – e o hotel também. O problema é o elevador, que é daqueles que começa a tocar alguma música sempre que alguém coloca os pés lá dentro. O problema é que toda vez que sou eu, ele insiste, só de sacanagem, em tocar Jorge Ben Jor. Basta eu estar com metade do meu corpo lá dentro que as palavras “Jacarezinho! Avião” começam a ser gritadas de todas as paredes, do chão e do teto, sacudindo o elevador. E como eu estou no nono andar, toda vez que quero sair ou voltar para o quarto tenho que enfrentar pelo menos 20 segundos disso, o que me faz considerar a hipótese de passar o resto da viagem trancado no quarto me alimentando das castanhas de caju do frigobar.

Mas de todas as minhas viagens pelo elevador, a mais bizarra foi a última – justamente a que me trouxe até aqui. Obviamente, assim que entrei, começou a rolar Jorge Ben Jor. No meio do caminho, o elevador parou e entrou um casal conversando animadamente. Pelos sotaques, ela parecia ser brasileira e ele, português. O detalhe é que ele entrou no elevador com uma taça de champagne. Cheia. Ou seja, enquanto o Jorge Ben Jor avisava que ia “chamar o síndico Tim Maia”, o gringo era só alegria, bebendo e distribuindo sorrisos para a mulher dele e para mim. Só faltou brindar comigo e me convidar para beber com ele.

Vou começar a andar com um dos saquinhos de amendoim que vi no frigobar dentro do meu bolso. Assim, se eu encontrar o português, vou dar um gole na champagne, dividir o amendoim com ele e assim podemos fazer uma pequena festinha ali, quem sabe passando de andar em andar, aumentando o número de convidados. Será um sucesso. Isso, claro, até descobrirem que basta eu sair do elevador para o Jorge Ben Jor calar a boca, o que vai resultar na minha expulsão imediata da festa. E, do jeito que eu sou, assim que eu sair do elevador vai começar a tocar Iron Maiden, lá dentro. Ô fase.

Mas, enquanto a festa não começa, deixo vocês com o Top 5 itens essenciais dentro de um frigobar de quarto de hotel:

1. Castanha de caju – tendo bastante castanha de caju, o meu quarto não precisa nem ter cama.
2. Coca-Cola – A partir do momento em que seu quarto será sua residência pelos próximos dias, Coca-Cola é fundamental. Mesmo porque eu jamais moraria num lugar com Pepsi. Eu posso até ser confinado num lugar com Pepsi, mas morar, nunca.
3. Chocolate – Castanha de caju é bom, mas, antes de dormir, o ideal é um enorme barra de chocolate. De preferência a Toblerone.
4. Toddynho – Uma manhã ideal começa com uns dois Toddynhos sendo consumidos ainda na cama mesmo.
5. Cerveja – Afinal, se você está em outra cidade, logo nunca se sabe quando você vai ligar a TV e dar de cara com um jogo de futebol. É sempre bom estar prevenido.

11 de janeiro de 2008

(Little) Lucy in the Sky with Diamonds

Hoje à tarde dei um pulo na Fnac para escapar um pouco do trabalho. Levei apenas o dinheiro para um café e deixei a carteira no escritório, porque eu tinha planos de entrar na parte de CDs. Sim, porque toda vez que coloco os pés lá dentro, a probabilidade da minha conta bancária sofrer danos é altíssima – uma vez cheguei a voltar correndo para o trabalho buscar meu cartão de crédito.

Enquanto descia a escada rolante, dei graças a Deus pela loja estar vazia. Nada me incomoda mais que a Fnac cheia de gente, especialmente na seção de música. De cada dez pessoas que entram lá, uma delas é um daqueles débeis-mentais que ficam ouvindo o CD com fone de ouvido e cantando junto, num volume que a loja inteira consegue ouvir. Normalmente cantam tudo errado e alguns ainda se dão ao luxo de dançar ou tocar uma bateria imaginária. Ô fase.

Cheguei à seção de rock internacional e, como eu me sentia seguro – a carteira ficou no trabalho, lembram? – me enfiei na prateleira de hard rock e heavy metal. No meio do caminho vi uma garota com cerca de doze anos passeando por ali com a mãe. Nem dei muita atenção, imaginando que seria mais uma daquelas mimadas atrás de Britney Spears ou Christina Aguilera, ou outra daquelas adolescentes metidas a rebeldes, procurando qualquer coisa do Green Day (e aí vale qualquer coisa, porque todos os CDs deles são iguais).

Comecei a vasculhar os CDs do Iron Maiden, algo que faço toda vez, rezando para que eu encontrasse algo que eu ainda não tinha. Quem sabe um CD de estúdio da década de 80 que eu simplesmente esqueci de comprar? Ou um disco ao vivo que eu não conheço? Até parece. Enquanto eu ia passando pelos CDs, seguindo o ritual do “Tenho... Tenho... Tenho... Tenho... Tenho...”, a menina passou pelo meu lado e eu pude ver algo escrito na camiseta dela.

Congelei. Não pode ser.

Não... Eu devo ter visto errado.

E continuei fuçando ali. “Tenho... Tenho... Tenho... Tenho...” Obviamente, eu tinha tudo. Andei alguns metros e comecei a fazer a mesma com AD/DC. “Tenho... Tenho... Tenho... Tenho... Merda, por que eles não lançam um CD por dia?” Comecei a rodar as outras prateleiras, e enquanto me decidia entre vasculhar Alice Cooper ou Black Label Society, a menina passou novamente por mim, com uns dois CDs na mão, seguida de perto pela mãe.

Desta vez, eu tive certeza do que estava escrito na camiseta dela.

LED ZEPPELIN.

Não pode ser verdade. Eu li errado. Ela tem 12 anos! Deve estar escrito “LED ZEPPELIN é uma bosta e Green Day é bem loco” e eu só consegui ler um trecho. Só pode ser isso. Desisti de ver os CDs e fui atrás dela. Eu precisava checar isso de perto. Ela começou a vasculhar uns CDs numa prateleira de promoções e eu parei ao lado dela, fazendo a minha tradicional cara de paisagem. Quando ela se distraiu, arrisquei uma olhada e vi claramente. Led Zeppelin e o famoso desenho do anjo.

Não. Não pode ser verdade. No mínimo essa camiseta é do irmão mais velho dela, ou ela ganhou numa rifa em alguma quermesse. Ela nem conhece a banda. Aliás, ela nem sabe que isso é uma banda. Ela achou legal por causa da imagem do anjo pegando fogo. Só isso. Ela está aqui atrás de Green Day. Ou coisa pior.

De repente, numa daquelas coincidências inexplicáveis, eu ouço aquele som totalmente inumano que o Robert Plant emite (aquilo não é um grito normal, eu não conheço um verbo que poderia descrever com precisão o ato de proferir aquele som) no começo de Immigrant Song. Algum dos vendedores da Fnac aproveitou o lançamento da nova coletânea da banda e colocou o DVD bônus para tocar numa das TVs de plasma.

Ótimo, eu pensei. Isso vai desmascarar essa menina. Olhei para o lado e lá estava ela, olhando a televisão hipnotizada. Ficamos os dois ali: ela em transe olhando a televisão, e eu em transe olhando para ela. Ainda bem que a mãe dela não estava olhando, ou seria capaz de chamar a polícia achando que eu era pedófilo – seria irônico, já que qualquer pessoa de 12 anos é mais alta que eu (1.60m mode: on). Enfim, a garota, hipnotizada, começou, discretamente, a cantar, a música, bem baixinho, para ela mesma, acompanhando o Robert Plant. Os olhos dela brilhavam. Os meus também.

Eis que chega a mãe dela e coloca a mão no seu ombro, dizendo:

– Aqui tem aquele que você queria.

Ela se vira para a mãe, perguntando algo como “sério?” e saiu correndo na direção de uma prateleira, para onde a mãe apontava. Eu, claro, fui naquela direção, tentando ver o que ela “queria”. Ela fuçou no meio de alguns CDs e, subitamente, pegou um, que parecia ser duplo, com a caixinha branca. Tentei ver o que era, mas não consegui. E, nem precisei, porque ela anunciou em alto e bom som para a mãe:

– O volume 2 do Anthology dos Beatles! O único que não tenho!

Foi demais para mim. Quase comecei a chorar. Fui embora na mesma hora, antes que eu passasse vergonha ali no meio. Ainda emocionado, subi as escadas olhando o mundo de outra forma. O mundo ainda tem salvação. A humanidade realmente não deu certo, mas essa menina, ao contrário, tem tudo para ser a exceção à regra.

Deus: eu sei que Você é um Cara ocupado e não deve ter muito tempo para ficar lendo blogs na internet. Mas, caso você leia esse post, por favor, prometa que a minha filha será exatamente igual a essa menina?

Ah, e Deus, sabe aqueles quatro adolescentes sujos que estavam entrando na Fnac no momento em que eu estava saindo? Aqueles que usavam as calças no meio das coxas e andavam cheios de correntes? Então, você pode relevar o encontrão proposital que eu dei naquele mais magrelo, que fez questão de não desviar o caminho quando me viu na frente dele? Além disso, eles deveriam estar entrando na loja para olhar os CDs do Green Day (e sem comprar nada, porque eles já devem ter baixado tudo da internet) e iriam atrapalhar a menininha lá embaixo, que já estava ocupada demais com o Led Zeppelin e os Beatles. Você entende, né?

Bem, enquanto deixo Deus pensando sobre isso, segue o Top 5 CDs que meu (minha) filho (a) vai ganhar antes mesmo de aprender a ler (Welcome to my Nightmare é assustador demais, só ganha quando entrar no ginásio):

1. Powerslave – Iron Maiden

2. Machine Head – Deep Purple

3. Back in Black – AC/DC

4. IV – Led Zeppelin

5. Master of Puppets – Metallica

6 de janeiro de 2008

Until it Sleeps

Apesar de adorar dormir, eu detesto dormir. Sim, eu sei, é contraditório, mas eu tenho o péssimo hábito de ser contraditório na maioria das vezes. Mas explico: eu adoro dormir não para descansar, mas pelo ato de dormir mesmo. Sempre achei fascinante a idéia de você ficar deitado por horas, sem saber o que acontece ao seu redor, enquanto seu cérebro (o órgão que mais sofre de insônia em todo o organismo) aproveita para revisar todos os roteiros que ele escreve enquanto sonha com uma carreira em Hollywood – naquilo que, na falta de um nome melhor, resolvemos batizar de sonhos.

Por outro lado, eu detesto dormir, por que acho um tremendo desperdício de tempo. Se eu parar de comprar livros e DVDs a partir de agora, eu tenho o que assistir e ler por mais uns dois anos. E como eu continuo comprando, a fila está aumentando cada vez mais. Ou seja, eu não posso me dar ao luxo de passar horas deixando o cérebro revisar os seus roteiros, enquanto meus seriados, filmes e livros estão parados ali, na estante da sala, esperando para ser consumidos.

Bem, de uns dias para cá, eu deixei de adorar dormir e de detestar dormir. Não, minha opinião não mudou. Eu apenas não consigo mais dormir. Insônia? Stress? Pesadelos? Não. Besta-fera. Uma das resoluções de ano novo do meu cachorro é expandir a sua área de atuação na casa para dentro do meu quarto, o único aposento em que eu ainda dou as cartas. Ou reinava, porque, pelo jeito, ele pretende cumprir essa resolução ainda antes do carnaval.

E apesar do que minha mãe falava, eu nunca tive problema em dormir com um bicho na cama. Aliás, quando eu morava com ela, um dos maiores prazeres era quando eu deitava numa noite fria, e, segundos depois, eu sentia o gato da casa andando pela cama e se acomodando ao meu lado ou se enrolando no meio das minhas pernas.

Hoje as coisas são diferentes. Eu apago a luz, deito e, logo em seguida, começo a ouvir os passos no quarto. É ele, estudando o ambiente ou procurando algo para destruir. Anda para cá, anda para lá. Começa a cheirar algo. Anda para lá, anda para cá. De repente, ouço os passos se afastando.

Foi embora?

Nada. Ele foi até o meio da sala para tomar impulso e pular na cama. De repente, eu ouço aquela correria desenfreada pela casa que, invariavelmente, culmina com ele subindo na cama com aquela delicadeza que lhe é peculiar, que lembra um Panzer rompendo as linhas inimigas no Norte da África. E, a partir do momento em que ele está na cama, sei que meu sono vai ser, no mínimo, agitado.

Isso porque ele faz sempre as mesmas coisas e todas elas me impedem de dormir. O primeiro passo é explorar a cama, para verificar se não tem nada de diferente em relação à noite anterior. E, como bom explorador, ele sabe que, quanto mais alto o terreno, melhor a visão, logo, ele faz isso de cima das minhas costas. Sobe ali e fica olhando ao redor. Uma noite dessas, chegou ao cúmulo de sentar ali para descansar enquanto observava.

Após a vigília, é hora de estabelecer contato com os nativos, ou seja, eu. Ele desce das costas e vem andando pela cama na direção do travesseiro. Ao chegar perto, começa a me lamber no rosto e na cabeça, num ritual que pode durar de intermináveis dois a cinco minutos. Depois disso, ele deita do meu lado (normalmente me empurrando, senão não teria a mesma graça) e dorme. Ou finge que dorme. E, inevitavelmente, nesses poucos minutos de sossego, eu apago. E é tudo o que ele precisa.

Porque a partir do momento em que eu durmo, ele percebe que é o dono da casa. Finalmente, assumiu o controle do quarto. Ou seja, estou ali a mercê dele. Pelo que eu consegui deduzir ao longo dos meses, a primeira providência é transportar todos os brinquedos dele para a cama. Não é raro eu acordar no meio da madrugada sentindo uma dor violenta em algum lugar do corpo, e, quando coloco a mão, encontrar um osso ou bichinho de borracha debaixo de mim.

Curioso é que sempre que faço isso, procuro por ele, e ele está dormindo. Ou fingindo. Poucas vezes eu o consegui surpreendê-lo acordado no quarto. Uma das vezes foi semana passada. Eu estava quase apagando quando ele entrou com um dos brinquedos na boca. E ele só sabe brincar no delicado estilo “morde & sacode”, o que às vezes faz com que o brinquedo escape e saia voando pela casa, me acertando em 98,7% das vezes que isso acontece. Obviamente, aquela merda babada escapou e alçou vôo no quarto, aterrissando na minha cabeça. Eu abri os olhos e lá estava ele ao lado da cama, esperando eu devolver o brinquedo.

– Porra, são quase duas da manhã. Você não dorme?

A resposta dele foi subir na cama, pegar o brinquedo e sair do quarto ofendido. Segundos depois, ele voltou.

Tem dias que eu acordo e encontro literalmente todos os brinquedos dele no quarto. Metade no quarto, metade na cama. Ou seja, enquanto eu durmo, ele literalmente instala uma base de operações no quarto. E eu, provavelmente, sou encarado não como o “dono que dorme”, mas como um prisioneiro de guerra que será interrogado e executado até o amanhecer.

Outra estratégia que ele desenvolveu ultimamente foi aguardar eu levantar durante a noite para conseguir meu lugar na cama. E é só eu levantar para beber água ou ir ao banheiro que, quando eu volto, ele está no meio da cama, dormindo. E se eu não levanto, ele providência isso. Semana passada, estavam colocando uma daquelas lixeiras de metal para entulho ao lado do prédio lá pelas três da manhã. Ele aproveitou-se disso e foi para a varanda começar a latir, provavelmente mostrando sua indignação aos operários por não ter sido consultado sobre o projeto.

Acordei com ele latindo e fui bêbado de sono, tropeçando e esbarrando e tudo, até a varanda. Quando ele viu que eu estava fora da cama, correu para o quarto e deitou no meu lugar. Voltei para o quarto e ele estava com aquele maldito olhar de “cheguei aqui primeiro” que ele sempre faz. Aí eu me deito, ocupando aproximadamente 1/6 da cama e usando um fiapo de coberta, que é o que ele permite que eu use. E, pior, acabo dormindo. A capacidade de adaptação do ser humano, infelizmente, é alta.

Mas nada é pior do que a hora que eu acordo. Algumas pessoas dizem que o segredo de um bom casamento é não olhar para o cônjuge na hora em que ele acorda. Bem, essas pessoas nunca experimentaram a sensação de acordar ao lado de um cachorro que dorme ao seu lado de barriga para cima e deixa suas... Como dizer isso? Suas... Suas partes íntimas ali, viradas para cima e apontadas para seu rosto. E se eu começo a fazer barulho ao me vestir, ele ainda acha falta de respeito e fica me olhando feio da cama.

Acreditem, não é uma boa maneira de se começar o dia, não. E o pior é que aí eu saio para trabalhar e ele fica em casa, dormindo. Dormindo e planejando. Com isso, eu não tenho mais pesadelos. Dormir se tornou meu pesadelo. E antes que perguntem por que eu não fecho a porta do quarto... Bem, aí ele vai começar a jogar sujo mesmo. E todas as minhas coisas de valor estão na sala. E ele sabe disso.

Antes que eu descubra o que me aguarda na noite de hoje, deixo vocês com o Top 5 características que tornam a Besta-fera a máquina de guerra perfeita:

1. Equilíbrio – Ele anda por cima do encosto do sofá. Tudo bem que ele usa isso para lamber minha cabeça enquanto vejo TV, mas ele pode usar isso também para emboscadas.
2. Agilidade – Às vezes, ele começa a correr feito um desesperado pela casa desviando dos móveis. O assustador é que ele não bate em nada, mesmo sem diminuir a velocidade ao fazer curvas.
3. Força – Nunca duvide da força física de uma criatura capaz de subir numa cama carregando (na boca) uma almofada com duas vezes seu tamanho.
4. Capacidade de adaptação – Quando suas batalhas apresentam momentos de sossego, ele consegue descansar em qualquer tipo de terreno (normalmente usando meu pé como travesseiro).
5. Destreza – Quando ele faz seus brinquedos voarem pela sala, consegue fazer com que eles atinjam exatamente o lugar que deseja. Normalmente é o meu rosto.

3 de janeiro de 2008

Diga-me o que Procuras... E Eu te Direi Quem És - Parte V

Bem, como previsto, a saga que mais encanta os leitores do Champ é aquela em que publico aqui os absurdos que as pessoas procuram no Google e acabam caindo no blog. Na enquete sobre as melhores sagas, a série conquistou o primeiro lugar com quase 15% dos votos. No resto do top 5, nenhuma surpresa: Lord of the Rice e O Último dos Moicanos completam o podium, enquanto (o já altamente pop) Rob Gordon X Tim empatou com o clássico Carolina.

E a voz do povo é a voz de Deus. Já estão me pedindo há tempos um novo post da saga, e creio que não existe maneira melhor de homenagear a série com um texto fresquinho, com as melhores buscas do Google, devidamente comentadas. Sim, porque aqui, quem manda é o leitor (claro, desde que o leitor queira exatamente aquilo que eu quero).

Ah, vale dizer que o número de pessoas procurando por fotos do Kleber Bam Bam pelado, por vídeos de leões atacando & transando com pessoas & hienas ou querendo como fazer um RG falso e que caem no blog por causa disso continua maior que a população de muito país da América Central.

Enfim, deixo com vocês as melhores buscas no Google dos últimos dois meses (vale lembrar que deixo os textos originais das buscas, sem arrumar o português – o que só piora tudo). Divirtam-se.


Vou arrancar um dente o medico vai aplicar qual anestésico
Eu acho que você precisa rever suas prioridades. Você nunca tirou um dente, certo? Vai por mim, o anestésico será o menor dos seus problemas. Além disso, é mais fácil você perguntar ao seu dentista (esse é o nome do médico que arranca os dentes, sabia?) porque o Google pode saber um monte de coisa, mas ele (ainda) não tem diploma de ortodontia.

Vídeos pequenos de sexo que caibam no celular
Deixe eu adivinhar... Você não gosta de ler e não tem dinheiro para comprar um mp3, mas não sabe como espantar o tédio quando precisa pegar um ônibus, certo? Além disso, cansou daqueles joguinhos ridículos de celular e quer algo... Digamos.... Mais emocionante. É isso? Bem, azar de quem sentar do seu lado (tomara que o vídeo tenha som e você não tenha fone de ouvido). Mas aconselho você a não baixar nenhum filme do John Holmes, porque horizontalmente, ele não cabe num celular.

Tipos ecstasy medusa batman star trek
Você já considerou a hipótese de fazer UMA pesquisa por vez?

Tum tum pa
Putz, não sei. Pa tum tum? Tum pa tum? Desculpe, não entendi onde você queria chegar. Bom, provavelmente o Google também não.

Tive meu chip bomba roubado eu posso cancelar o que acontece com o aparelho?
Ele se torna inutilizado. Faleceu. O chip é alma do celular, e, agora, seu aparelho é apenas isso: uma casca vazia. Você precisa, agora, ir até um cemitério de celulares enterrar o corpinho do aparelho, para que alma dele possa repousar em paz. Para encontrar um cemitério de celulares basta ligar para a sua operadora e eles informam qual o cemitério mais próximo de você (normalmente, fica numa caverna ou no meio de uma floresta). Se o seu celular for Tim, porém, talvez você precise de uma senha para conseguir realizar o funeral.

É proibido usar caveira crente
Hóstia, você resolve?

Quero namorar vc falando em japonês
Vamos deixar a questão do idioma de lado. É impressão minha ou você acabou de pedir o Google em namoro?

Que tipo de palavras usar na hora que esta fazendo sexo
Olha, apesar da intimidade, é sempre bom denotar respeito nesta hora, ou a mulher pode se sentir jogada para segundo plano. Formalidade é tudo nessa hora. Ou você acha que Dom Juan e Casanova se davam bem usando expressões como “vem cá, brota?”. Experimente frases como “gostaria de introduzir meu órgão aqui, você permite?” ou “as minhas papilas gustativas apreciam admiravelmente o sabor de sua cútis”. Se você for um pouco menos ortodoxo e apreciador de acessórios, a frase “quero banhar teu corpo com refrigerante de cola gaseificado e depois me lambuzar nos corantes e conservantes artificiais” costuma deixar as mulheres malucas. Experimente (e volte aqui depois dizendo o resultado, por favor).

Filme de lorde ofe
Não me diga que você queria assistir a “lorde ofe de ringuis” e esqueceu o resto do título? Fala para mim que não era isso, por favor.

Quando garfo cai no chão que vem?
Olhe, eu já vi pessoas perguntando “Quando o Natal cai no ano que vem?” ou “Quando o Carnaval cai no ano que vem?”, mas essa é nova. Pelo que entendi, garfo é uma data comemorativa para você, e chão é uma unidade de tempo. É isso? Rapaz, você definitivamente é estranho.

Quando eu era criança eu comia isopor
Eu sou totalmente a favor de ser obrigatório preencher uma ficha com nome completo, endereço e foto para realizar algumas pesquisas no Google. Enfim, essa eu vou dar de presente de Natal atrasado para os leitores. Quem quiser responder, sinta-se à vontade.

Significados de sonhar que está conversando com a dentista por celular
Você realmente está preocupado com esse negócio do anestésico, certo?

Qual as 5 drogas mais vendidas na eu
Na verdade, é apenas uma: High School Musical. A Lindsay Lohan acabou com o estoque das outras quatro.

Preciso de senha banda larga
Ah, é fácil. Basta ligar para o Virtua, Net ou Ajato que eles passam uma para você. Você só precisa dar seu nome completo e o número do seu CPF. Uns dias depois, eles mandam um técnico para sua casa, para instalar aquela caixinha cheia de luzes ao lado do computador. A senha fica lá dentro.

Poucas opções, até semana passada estavam publicadas fotos de 3gps, hoje só uma
Isso aí! Sempre que você encontrar poucas fotos de garotas de programa no Google, faça isso mesmo: reclame e exija mais fotos. Esse Google é folgado mesmo, fica escondendo as fotos das meninas só para ele. Cara chato. Se não der certo, mande um mail para a administração do Google, eles podem obrigar o site a publicar as fotos, sob ameaça de reduzir o salário dele.

Passar limão na tatuagem funciona?
Depende. Se sua tatuagem for o desenho de um copo com um pouco de pinga, gelo, e açúcar, vai funcionar que é uma beleza. Mas não esqueça de, após passar o esfregar o limão, ficar socando o braço para aproveitar melhor o suco da fruta. Faça isso até o braço ficar roxo ou você parar de sentir os nervos naquele lugar – o que acontecer primeiro. Aí, pegue uma faca, abra um talho na tatuagem e espete um canudinho ali dentro. Pronto. Vá até a sala, onde sua mãe esta recebendo visitas, e ofereça um gole a eles.

Pa para pa para pa tim bum
Putz, de novo? Está ficando cada vez mais difícil. Deixe-me tentar... Hum... Ok, acho que já sei. Pa para pa bum bum! Acertei? Era isso?

O que fazer em caso de bêbados?
Saia correndo pelo bar gritando “Bêbados! Bêbados! O bar está sendo invadido! Fujam todos!” Se as saídas estiverem obstruídas, abra caminho a machadadas.

O assassinato de jesse e james pokemon
Na verdade, mentiram para você. Jesse e James não eram uma dupla sertaneja, mas uma pessoa só. Olhe a diferença: Teodoro E Sampaio, Edson E Hudson, Bruno E Marrone, Jesse James. Viu como não tem o “e”? E ele foi assassinado mesmo, mas não há provas de que tenha sido por um pokemon. Jesse James viveu no Velho Oeste, e os registros dessa época são meio imprecisos. Algumas pessoas realmente acreditam que ele foi morto por um pokemon, mas alguns historiadores afirmam que ele foi assassinado por um gremlin. Já a turma do Scooby-Doo, ao investigar o caso, chegou a conclusão que o culpado era o Ruivo Hering. Provavelmente, nem Jesse James saberia indicar o verdadeiro culpado, já que ele foi morto com um tiro nas costas.

Minha dentista pelada video free
Você é o cara do anestésico? Rapaz, é melhor sua dentista usar uma anestesia de derrubar elefante, porque o nervosismo não fez bem a você.

Musicas de bam bam faroeste tiroteio
Com “bam bam” você quis dizer “bang bang”, certo? Porque eu acho difícil imaginar o Kleber Bam Bam em alguma cena de Era uma Vez no Oeste ou em Três Homens em Conflito. Como se não bastasse neguinho ficar caindo no blog atrás de fotos desse sujeito pelado, agora querem começar a colocar ele nos meus filmes preferidos. Ô fase.

Axl já tomou bomba na escola
Olha, não sei se tomou, mas é bem provável. Afinal, se o cara demora mais de 10 anos para entregar um disco novo, você realmente acha que ele conseguiria fazer um trabalho de geografia em dois dias? Mas, de acordo com a biografia oficial da banda, ele não apenas tomou bomba na escola, como tomou também heroína, ácido, chá de cogumelo e o resto de um frasco de Ajax que roubou de um faxineiro. E isso só no primário.

Figurante para film pornô em portugal
O mercado de trabalho está tão ruim assim aí, gajo?

Meu endereço do orkut esta errado
Isso já aconteceu algumas vezes. Apesar do que muita gente pensa, o problema não é com o Orkut, mas com você. Vá até o espelho e dê uma boa olhada. Seu cabelo mudou de cor e de tamanho? Sua barba cresceu? Você está usando cavanhaque? Vestido de bolinhas? É, o problema não é com o Orkut, é com você. Parece que, de cada 10 pessoas, ao menos uma se transforma numa pessoa totalmente diferente do dia para a noite. Você já reparou que alguns de seus amigos mudam as fotos do perfil no Orkut? Na verdade, não foi a foto que mudou, foi a pessoa. Olhe as imagens com mais atenção. Ah, e sinto muito informar, o processo é irreversível. Tomara que ao menos você goste da sua nova personalidade.

Imagens e figuras sobre a lenda besta fera
Aqui, aqui e aqui. Vídeos, aqui.

Fotos de pessoas fazendo sexo literalmente
O que me leva a pensar... Como será que é fazer sexo metaforicamente?

Qual o significado de sonhar que esta fazendo sexo com uma mulher?
Significa que seu corpo está passando por mudanças. Mas isso é normal na sua idade, está acontecendo o mesmo com todos os seus amiguinhos. Não precisa se envergonhar. Quer dizer... Você é homem, certo?

Lord miojo
Lord Miojo foi o regente do Reino de Nissin Lamen durante o século XVI, assumindo o trono enquanto o herdeiro real, Caldo de Carne, não atingia a maioridade. Durante seu governo, o nobre foi responsável por algumas das leis mais opressoras do período, obrigando os habitantes a trabalharem 20 horas por dia (o que fazia com que a plebe tinha apenas três minutinhos para preparar o almoço). Tirano e agressivo, Miojo foi assassinado pela própria filha, Galinha Caipira, que se apaixonou por Caldo de Carne e assumiu o trono. Porém, poucos meses depois, o Reino de Nissin Lamen foi invadido pelo Império Maggi, que, aproveitando-se das disputas internas na família Miojo, anexou o reino ao seu território, batizando-o de Principado Canjão com Legumes. Ajudei?

Cuando o homem só quer sodomizar a mulher
Bem, você e esse seu “cuando” estão sodomizando a língua portuguesa, e ninguém foi tirar satisfações com você. Então, deixe os outros em paz.

Foda-se o ano velho
É isso aí! E pau na bunda do ano novo! Esse negócio de reveillon é coisa de veado!

Eu quero aprender xavecar
Antes de mais nada, é preciso aprender a beijar. De nada adianta um bom xaveco se você beija mal. Faz o seguinte: enche uma tina de água e coloca uma maçã lá dentro. Sem usar as mãos, fique tentando apanhar a maçã usando apenas a boca. No começo é difícil, mas logo, logo você domina a técnica. Quando você ficar craque nisso, volte aqui e, aí sim, aprenda a xavecar.

Em uma loja de cds qual a melhor forma de arrumar os cds na prateleira?
Pegue todos os CDs do seu estoque e separe por gênero. Terminado isso, alugue um depósito bem distante da loja e exponha os CDs de pagode, axé e sertanejo lá dentro, de preferência trancados em caixotes de madeira cheios de terra. Coloque um aviso de “Perigo – Lixo Hospitalar” na porta do depósito e passe uma corrente em volta. Volte para a loja, pegue os CDs que sobraram e exponha do jeito que quiser – sua loja já tem o melhor acervo da cidade.

Agente juntos está errado?
A sua frase está tão errada que nem pode ser mais caracterizado como um erro. Já é outro idioma, com regras gramaticais próprias.

Como estocar geléia?
Geléia é uma substância absurdamente instável e inflamável, logo, deve ser guardada com cuidado. Normalmente, quando você vê aquelas notícias sobre lojas de fogos de artifício que explodiram, é porque o dono fez a besteira de deixar cair um pote de geléia lá dentro. As mais perigosas são as vermelhas, como morango e cereja, que devem ser guardadas separadamente. Se você tiver dois frascos de geléia vermelha, é altamente recomendável que você guarde um na sua casa e outro na casa de algum conhecido – sempre longe do alcance de crianças. Um modo que algumas pessoas vem usando é abrir o vidro de geléia e aplicá-la (COM CUIDADO) no teto da sala e dos quartos, pois minimiza o risco de colisão ou de contato com chamas. Quando se desejar consumir um pouco da geléia, basta subir numa escada e esfregar (COM CUIDADO) um pão no teto. Nota: jamais mastigue um pão com geléia, ou você poderá explodir. O ideal é esperar cada pedaço do pão dissolver na boca. Não demora mais que dois ou três dias.

Churrascaria rebouças puteiro
A churrascaria na Rebouças é a Bovinus. Mas o puteiro, graças a Deus, já acabou, é só durante o mês de dezembro, quando fazem aqueles malditos jantares de fim-de-ano lá dentro.

Eu no sou ne um dom juan
Calma, eu havia dito que o lance da maçã era difícil. Mas não desanime, volte lá e continue a treinar.

15 passos para saber se seu parceiro te trai
Ah, pára com isso, que bobagem. Agora você vai estragar seu relacionamento por causa de uma coisinha à toa, como ele voltar para casa sem camisa e meio bêbado, ou coberto de marcas de batom e com a calça do avesso? Isso é bobagem sua, você que é insegura demais. Mas, se você está desconfiada disso, é porque seu relacionamento não deve estar uma maravilha. Que tal dar um tapa no visual? Muitos homens acham mulheres de chapéu extremamente atraentes, sabia? E acho que esse aqui cairia muito bem em você, dá uma olhada. Algo me diz que seu marido vai enlouquecer ao ver você assim em casa, especialmente com um sorriso lindo como esse da foto.

Eu sei o que você está pensando
Bem, eu estou pensando que você é retardado em escrever isso no Google. E não sou só eu, não. Todos os meus leitores estão pensando isso também.

2 de janeiro de 2008

Mussarela & Salame, Péps & Água

Tudo o que eu não gosto durante o mês de dezembro – todos os shoppings e a Fnac com uma densidade demográfica superior a do centro de Pequim, trânsito caótico, filas onde quer que você vá – se acaba entre o Natal e o Reveillon. De acordo com um amigo meu, no dia 26 de dezembro ocorre uma espécie de êxodo, com todos os habitantes de São Paulo migrando para a Praia Grande, deixando a cidade maravilhosamente às moscas.

É nesta semana a cidade se torna um paraíso, com todas as vantagens de cidade grande e de cidade pequena ao mesmo tempo. Você vai ao cinema e ele está vazio; vai jantar fora e é bem atendido; vai ao shopping e encontra espaço para andar sem ser atropelado por casais com sete crianças (uma de colo e todas chorando) que saem caçando presentes de última hora. Nessa época, você consegue fazer tudo em São Paulo.

Menos ser atendido de forma decente naquela padaria 24 horas de Pinheiros, ao lado de casa.

Sinceramente, não vejo o que tanto falam sobre essa padaria. Muita gente sempre me convida para ir até lá como se o lugar fosse meio cult. Para mim, não passa de um boteco com algumas mesas na calçada e com enormes dificuldades de relacionamento com a Eletropaulo, já que é uma penumbra desgraçada lá dentro. Toda vez que eu entro lá á noite me sinto como um hobbit em Moria. Um dia, tentei até almoçar ali, mas o sabor da comida me fez esquecer a comparação com Moria, já que nem um orc comeria aquela comida.

Ou seja, a única vantagem dela é que ela funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, oferecendo comida ruim.

Enfim, 1º de janeiro, 20:00. Após voltar do tradicional almoço em família, hora de sair e batalhar o jantar. Padaria tradicional (a das carolinas), fechada. Pão de Açúcar, fechado. A única coisa aberta que encontrei era um boteco, mas a substância mais nutritiva que estavam vendendo era uma dose de Dreher. Rodei o bairro atrás de um plano B, mas em vão. Tive que ir naquela merda de padaria, mesmo.

Cheguei até lá e estava aberto. O ambiente estava um pouco mais escuro, acredito que desde a última vez que entrei ali, em julho ou agosto, mais umas duas lâmpadas devem ter queimado. Encostei no balcão e pedi para a atendente:

– Quero quatro pãezinhos, 250g de mussarela e 250g de presunto, por favor.

Ela virou de costas e começou a fatiar o presunto. Já fiquei meio cabreiro, porque ela colocava cada fatia na embalagem com o capricho de um funcionário público limpando os papéis velhos da sua mesa. Só faltava amassar cada fatia antes de jogar na caixinha de isopor. Resultado: recebi, junto com os pãezinhos, uma embalagem com 250g de fatias de presunto amarrotadas que formavam uma pilha desconjuntada de mais ou menos 10cm de altura.

Mal sabia eu que o show nem tinha começado ainda. Ela me olha e pergunta:

– O que mais você queria? Queijo prato?

– Não. Mussarela.

– Ah, sim.

Ela sai andando e volta com dois salames, um em cada mão.

– Perdigão ou Ceratti?

– Nenhum.

– Eu só tenho esses.

– Não tem problema. Os dois são muito bons, tenho certeza. Mas, na verdade, eu queria mussarela.

– Ah, não sei por que eles têm essa mania de fazer as coisas com nomes parecidos.

– Parecidos?

– É. Sempre acaba dando confusão.

– Salame, mussarela. Mussarela, salame. Não é muito parecido, não.

– Dá uma baita confusão.

– Ah, ok. Olhe, me dê 250 gramas, por favor.

– De mussarela?

– É!

Novamente, a delicadeza e o carinho ao fatiar o queijo. Após ela me entregar outra Torre de Pisa, perguntou:

– Algo mais?

– Eu queria uma garrafa de Coca Zero.

– Só tem Péps.

– Como assim?

– Só trabalhamos com Péps.

Sabe, eu entendo que um restaurante só trabalhe com um refrigerante, mas uma padaria? E escolher Pepsi, a pior marca da história do universo, que ainda faz uma campanha onde os participantes têm que falar em “arrotês”? Não, sem condições.

– Só tem Pepsi? Então não quero.

– Não é Péps Zero. Mas é Light. Não tem açúcar também.

– Meu problema não é com o algarismo. Meu problema é com a marca. Esquece. Vou levar uma garrafa de água, sem gelo.

Ela saiu do balcão e decidida do meu lado, indo para o meio da padaria. Eu fui atrás. Ela desviou de umas mesas e eu a segui até a frente de uma geladeira, onde ela abaixou e começou a procurar algo lá dentro.

– Olhe, eu queria sem gelo..., eu disse, tentando ganhar tempo.

Ela me ignorou e continuou olhando a geladeira, repleta de garrafas de Pepsi de todos os tipos e cores. Segundos depois, ela apresenta a conclusão de sua análise:

– Não tem.

– Eu pedi sem gelo e você olhou dentro da geladeira. É óbvio que não iria ter!

– É que só tem água na geladeira.

Pensei em discutir, então, porque ela perdeu tempo procurando dentro da geladeira, mas vi que era inútil. Olhei ao redor. Próximo ao balcão onde eu havia pedido os pães e os frios, três ou quatros pacotes da Minalba, com seis garrafas de 1,5 litro cada.

Suspirei.

– E aquilo?

– Ah, ali é água. Mas está sem gelo, acabou de chegar.

– Ah é? Não tem problema, eu vou levar assim mesmo.

– Você quem sabe, mas está sem gelo.

Ela me entregou a garrafa, fui até o caixa, paguei e saí.

2008 promete.

Celebrando esse pequeno trailer de como será o ano, deixo aqui o primeiro Top 5 de 2008, com os 5 estabelecimentos comerciais que eu mais gosto – e a condição básica para que cada um conquiste um Rob Gordon satisfeito.

1. Bancas de jornal: quanto maiores, melhores. Mas eu preciso localizar os quadrinhos imediatamente, antes mesmo de colocar os pés lá dentro.
2. Botequim: É necessário vender Marlboro e Coca-Cola. Na ausência de qualquer um dos dois, pode fechar as portas e mudar de ramo.
3. Loja de CDs: A parte de rock internacional precisa necessariamente ser enorme. Lojas com uma seção dedicada apenas para heavy metal e hard rock têm preferência absoluta.
4. Livrarias: A seção de livros de auto-ajuda deve ocupar no máximo 5% do espaço físico da livraria, de preferência embaixo de uma goteira.
5. Locadoras: Uma seção de clássicos gigantesca e uma prateleira enorme com DVDs usados à venda.