13 de janeiro de 2008

Championship - Live at Rio

Para quem reclama que o Champ Vinyl só fala de São Paulo – e, na maioria das vezes, de Pinheiros – estou escrevendo esse post diretamente do Rio de Janeiro, mais precisamente do business center do hotel em que estou hospedado. E já aviso aos interessados que, ao menos da varanda do meu quarto, o Rio de Janeiro continua lindo. Não que isso faça muita diferença, porque eu vim aqui a trabalho (paulista mode: on).

Aliás, minto. O Rio de Janeiro continua lindo, mas isso não necessariamente vale para a cidade inteira, especialmente quando se olha a cidade da minha varanda. Sim, porque, como de costume, assim que entrei no quarto, cumpri meu ritual que sigo em todas as viagens: larguei a mala na cama e fui até a sacada conferir a vista. Olhei para a a esquerda e vi a praia de Copacabana, tão cantada em verso e prosa, linda em todo seu esplendor e grandiosidade. Respirei fundo e senti o cheiro de maresia.

Admirei a praia alguns minutos, até que virei a cabeça. Num apartamento exatamente em frente ao meu, um homem de mais ou menos 50 anos de idade andava de cueca pela sala , mostrando que o corpo humano pode ter pelos e cabelos em lugares que nunca imaginei. Na mesma hora voltei para dentro do quarto e fechei as cortinas, entendendo que realmente o conceito de “ô fase” não tem fronteiras. A última vez que olhei, ele estava sentado no sofá, provavelmente assistindo Faustão, e coçando a barriga. Agora, foda-se a vista da praia. Eu não coloco mais os pés na varanda.

Aliás, o quarto é ótimo – com exceção do nudista que mora em frente – e o hotel também. O problema é o elevador, que é daqueles que começa a tocar alguma música sempre que alguém coloca os pés lá dentro. O problema é que toda vez que sou eu, ele insiste, só de sacanagem, em tocar Jorge Ben Jor. Basta eu estar com metade do meu corpo lá dentro que as palavras “Jacarezinho! Avião” começam a ser gritadas de todas as paredes, do chão e do teto, sacudindo o elevador. E como eu estou no nono andar, toda vez que quero sair ou voltar para o quarto tenho que enfrentar pelo menos 20 segundos disso, o que me faz considerar a hipótese de passar o resto da viagem trancado no quarto me alimentando das castanhas de caju do frigobar.

Mas de todas as minhas viagens pelo elevador, a mais bizarra foi a última – justamente a que me trouxe até aqui. Obviamente, assim que entrei, começou a rolar Jorge Ben Jor. No meio do caminho, o elevador parou e entrou um casal conversando animadamente. Pelos sotaques, ela parecia ser brasileira e ele, português. O detalhe é que ele entrou no elevador com uma taça de champagne. Cheia. Ou seja, enquanto o Jorge Ben Jor avisava que ia “chamar o síndico Tim Maia”, o gringo era só alegria, bebendo e distribuindo sorrisos para a mulher dele e para mim. Só faltou brindar comigo e me convidar para beber com ele.

Vou começar a andar com um dos saquinhos de amendoim que vi no frigobar dentro do meu bolso. Assim, se eu encontrar o português, vou dar um gole na champagne, dividir o amendoim com ele e assim podemos fazer uma pequena festinha ali, quem sabe passando de andar em andar, aumentando o número de convidados. Será um sucesso. Isso, claro, até descobrirem que basta eu sair do elevador para o Jorge Ben Jor calar a boca, o que vai resultar na minha expulsão imediata da festa. E, do jeito que eu sou, assim que eu sair do elevador vai começar a tocar Iron Maiden, lá dentro. Ô fase.

Mas, enquanto a festa não começa, deixo vocês com o Top 5 itens essenciais dentro de um frigobar de quarto de hotel:

1. Castanha de caju – tendo bastante castanha de caju, o meu quarto não precisa nem ter cama.
2. Coca-Cola – A partir do momento em que seu quarto será sua residência pelos próximos dias, Coca-Cola é fundamental. Mesmo porque eu jamais moraria num lugar com Pepsi. Eu posso até ser confinado num lugar com Pepsi, mas morar, nunca.
3. Chocolate – Castanha de caju é bom, mas, antes de dormir, o ideal é um enorme barra de chocolate. De preferência a Toblerone.
4. Toddynho – Uma manhã ideal começa com uns dois Toddynhos sendo consumidos ainda na cama mesmo.
5. Cerveja – Afinal, se você está em outra cidade, logo nunca se sabe quando você vai ligar a TV e dar de cara com um jogo de futebol. É sempre bom estar prevenido.

12 comentários:

Rafael Haviaras dos disse...

bahhh foi só se livrar por alguns dias da besta-fera que aparece um nudista cabeludo, ôô mundo cruel...

Otavio Cohen disse...

aoaoh

o problema dos frigobares é que tudo lá é de 350 a 400% mais caro do que no resto do mundo.

mas se a castanha for daquelas importadas com muito sal vale a pena.

vissaway disse...

Nada como um elevador pra ter conversas absurdas.

No meu prédio tem um velho que já me contou a mesma história mais de 10 vezes (isso não foi um exagero, até chutei um numero baixo).

Tirando que o pessoal do meu prédio vive sintonizado na previsão do tempo e pra eles tá sempre estranho, ou quente demais ou então frio de mais.

Ainda bem que pelo menos aqui não toca Jorge Ben jor. haha

li disse...

eu ja vi fiz uma festa no elevador!
so que so tinha duas pessoas
eu.. e a outra
=]

Dragus disse...

Precisamos então marcar um chope. =D

Podíamos juntar eu, vc o Arthurius e fazer um mega-evento-blogueiro em algum boteco.

Algo verdadeiramente profissional =p

Luna disse...

Provavelmente o nudista era o meu pai.

Olivia disse...

Nossa, estilo "ugly naked guy", hein?

julio de castro disse...

cerveja, castanha...

Wagner disse...

corre o risco de você sair do elevador e aí sim começar a festa!

=D

Braga disse...

Pior são aquelas músicas que tocam no modo compra do the sims. Aquelas sim merecem pena de quem está no maldito elevador.

Aproveite as castanhas de cajú aí no RJ!

CapinaremosRH@gmail.com (Zanfa) disse...

Ah, eu tbm adoro castanhas de caju.

Não há iguaria igual.

Angélica disse...

nossa, quantas centenas de dinheiros vc deixou no hotel na hr do check out? hahah!