31 de março de 2007

Vida (mansa) Após a Morte

Quem acompanha esse blog sabe que eu moro sozinho. Quer dizer, na verdade, moro com a Besta-fera, mas ele não conta – especialmente porque, na opinião dele, eu é que moro com ele, e não contrário. Mas, de alguns dias para cá, isso tudo mudou. Gostaria de anunciar a todos que não moro mais sozinho. Descolei um roommate: o Jonas.

O Jonas, na verdade, sempre esteve por aqui. Aparecia de vez em quando e ia embora. Ficava um tempo sem voltar, mas sempre acabava aparecendo de novo. E, nas últimas semanas, sua freqüência se tornou tão grande que, ele acabou se mudando de vez para cá. Na verdade, a relação que eu tenho com o Jonas já é tão costumeira para mim que, às vezes, dá a impressão que ele já estava aqui, antes mesmo de eu me mudar para esse apartamento.

E talvez ele realmente já estivesse. Porque Jonas é o vulto que mora na minha cozinha. Sim, estou dividindo o apartamento com um vulto. Um fantasma. Um “isprito”, como diz o porteiro do meu prédio. E, já que eu e ele vamos ter que conviver juntos, resolvi batizá-lo de Jonas, porque, convenhamos, “vulto” é algo muito impessoal. É frio demais. E eu não gostaria de saber que ele se refere a mim como “o humano” ou “o vivo” quando conversa com os seus amigos vultos.

Não, não. Eu não estou louco. Eu sei que morar sozinho pode fazer com que você comece a imaginar coisas ou até mesmo criar amigos imaginários. Mas não fui só eu quem viu o Jonas. Outras pessoas, nos últimos meses, já o viram ali no seu cantinho, na cozinha, perto do fogão. Mas quem sempre o vê ali é a Besta-fera, que, às vezes, começa a latir desesperadamente para a cozinha, mas sem colocar as patas lá dentro.

Mas, por mais que ele goste daquele canto, o Jonas não é um vulto de um lugar só. Em uma das primeiras noites aqui, eu estava lendo na cama e o vi claramente passar pelo corredor, indo na direção de um espelho. Outro dia, eu estava aqui no computador e a Besta-fera saiu correndo apavorada do banheiro. Provavelmente, o Jonas estava lá. Eu nem me atinei. Porra, o cara estava no banheiro, o cachorro não tinha nada que ir lá xeretar, puta grosseria.

As pessoas me perguntam se eu não tenho medo. Bom, tenho, um pouco. Na verdade, não é medo. É receio. Como o Jonas mora aqui, mas não coloca um tostão dentro do apartamento, fico preocupado com a hipótese de ele começar a se acostumar mal. Aliás, isso já está acontecendo. Jonas não é um fantasma assustador, é um fantasma folgado. Ele passa o dia inteiro aqui, mas não arruma nada, não contribui. Pelo contrário, só atrapalha.

Um dia, eu cheguei e a Besta-fera tinha derrotado, numa feroz batalha, o seu pior inimigo: o sofá. A sala era espuma e pedaços de tecido para todo o lado. Fui dar um esporro nele, mas claro que fui ignorado. E o Jonas ali, no computador, no chat do Uol. Na mesma hora, fui tirar satisfação:

– Porra, você viu ele destruindo o sofá! Porque você não fez nada?

– Ah, mal aí... Eu estava vagando pelo apartamento com minhas correntes.

– Olha o estado que o sofá ficou!

– Relaxa, eu deito no outro. Aliás, tem Palmeiras hoje na TV, hein?

– Jonas, você fica o dia inteiro em casa! Por que, nessas horas...

– Mentira sua! Eu saí depois do almoço, fui assustar a velhinha do segundo andar.

– Ah, ok, Jonas. Deixa para lá. Esquece.

– Vamos pedir pizza, hoje? Eu quero calabresa.

Folgado demais. Deve ser por isso que ele não assombra o apartamento, aqui ele vive na boa. Tem dias que vou trabalhar e deixo uma caixa de bombom na mesa. Quando eu volto, não tem mais nenhum Sonho de Valsa, só sobraram aqueles bombons recheados de maioneses de atum, que ninguém come. Isso quando eu não chego em casa e descubro que o Jonas acabou com a Coca, comeu a lazanha de calabresa congelada ou misturou todos meus CDs na estante, só de sacanagem. Se poltergeist quer dizer “espírito brincalhão”, Jonas deve significar “espírito babaca”.

E, assim como acontece com a Besta-fera, eu não consigo ter voz ativa com o Jonas. Ele sempre fica me olhando com aquela cara de “não fui eu, eu estava quieto aqui”. Então, eu tenho duas crianças em casa. Uma que se diverte destruindo tudo o que tenho, e outra que se diverte mexendo nas coisas que a primeira não alcança. E, ai de mim, se resolvo comer algo que o Jonas goste. Nessas horas ele se lembra de que é um fantasma e resolve usar isso a seu favor. Aí, eu me cago de medo. E espero que ele não leia isso aqui, porque aí sim é que ele vai deitar e rolar aqui dentro.


"QUEM DEIXOU VOCÊ TOMAR O ÚLTIMO TODDYNHO?"


Por isso que agora eu tenho que ir ao mercado, quase todas às noites, pensando no Jonas. Pizza? Bombom? Coca? Tenho que comprar sempre o dobro, por causa da porra do vulto. Virei refém dessa situação. Então, acredite: o problema não é você morar com uma criatura do outro mundo. O problema é você morar com uma criatura do outro mundo que acha que é a dona do mundo.

E, enquanto escrevo isso, o Jonas deve estar lá na cozinha, acabando com a Coca. Melhor eu sair e ir comprar mais. Mas podia ser pior: deixo vocês com as 5 criaturas de terror que eu gostaria que nunca se mudassem para cá.


1. Morto-Vivo – Você pede para ele buscar o almoço, no sábado e ele volta só na quarta-feira à tarde, trazendo um cérebro meio mastigado.
2. Vampiro – Mal cabe uma cama no apartamento, como eu vou conseguir encaixar um caixão no quarto? E, além disso, precisaria cortar alho da dieta.
3. A Criatura de Frankenstein – Além do problema do cheiro, eu teria que tirar todos os espelhos da casa. É um dos maiores casos de baixa-estima da literatura.
4. Lobisomem – Não, pelo amor de Deus. Já chega a Besta-fera.
5. Bruxa – Eu já cozinho mal, mas isso não quer dizer que eu esteja disposto a tomar sopa de asa de morcego temperada com unha de codorna virgem. Especialmente porque, em Pinheiros, nem as codornas devem ser virgens.

22 de março de 2007

Futuro do Pretérito (in box)

(ou: Como enlouquecer alguém usando apenas um tempo verbal)


Aos poucos, vamos voltando.

Começando pelo diálogo sensacional que eu tive, semana passada, com o atendente do China in Box.

Dizem que algumas pessoas vivem num mundo de sonhos, onde nada acontece, nada é real. Uma espécie de outra dimensão, onde as fronteiras entre real e imaginário se confundem.

Se essas pessoas realmente existem, o sujeito que me atende no China in Box é uma delas, com certeza. Ou, como ele mesmo diria: "ele seria uma delas, com certeza".

– China in Box, boa noite. Qual o telefone do senhor?

– XXXX - XXXX

– O endereço do senhor, seria, então rua tal número tal? Apartamento tal?

– Seria? Não, meu endereço não seria esse, meu endereço é esse. Tanto que eu estou aqui.

– E qual seria o seu pedido?

– Será. Meu pedido SERÁ um box de carne com cebola e arroz yakimeshi.

– Seria, então, um box de carne com cebola e arroz yakimeshi?

– Não, olha, o meu pedido não SERIA, o meu pedido... Deixa pra lá. Seria. Seria isso mesmo.

– O senhor gostaria de algo para beber?

– Sim. Uma Coca de 1,5l. Light.

– Seria, então, uma Coca Light de 1,5l?

– É, amigo. "Seria" isso. "Seria" uma Coca Light de 1,5l. Mas, como eu gosto de beber enquanto janto, será uma Coca Light de 1,5.

– Algo mais?

– Não.

– Confirmando: o prato do senhor seria um box de carne com cebola e arroz yakimeshi. Seria júnior ou executivo?

– .... Seria executivo, não. Será executivo. Ou melhor, é executivo.

– Então, o pedido do senhor seria um box de carne com cebola e arroz yakimeshi executivo e uma Coca Light de 1,5l?

– Deus do céu... É. "Seria". Aliás, eu adoraria que fosse. De fato, tomara que meu pedido seja esse, viu?

– Como, senhor?

– Nada. Esquece.

– Então, confirmando: o endereço do senhor seria rua tal, número tal. Apartamento tal. E o pedido do senhor seria uma uma porção de carne com cebola e arroz yakimeshi executivo e uma Coca Light de 1,5l. Certo?

– Sim. Seria. E seria. Estaria cert... quer dizer, está certo.

– Então, estou fechando seu pedido.

– Olha, na verdade, meu pedido não seria esse. Meu pedido é esse. Acho que eu precisava te falar isso.

– Senhor?

– Nada. Nada. Esquece. Quanto vai sair... Alias, quanto "ficaria" tudo?

– Tudo sairia por R$ 25,00.

– OK. Eu pagaria em cheque. Então, o rapaz não precisaria trazer troco. Você precisaria de alguma informação aqui por telefone, para que eu poderia efetuar o pagamento daquele que seria meu pedido em cheque?

– Não senhor. Seu endereço já basta.

– Ótimo. Eu imaginei que assim seria.

– Agradecemos sua ligação, senhor. Boa Noite.

Mais dois minutos e eu mandaria ele à merda. Aproveitando, seguem 5 Tops 5 que eu colocaria aqui nesse post:

1. 5 Vícios de linguagem de telemarketing que mais enchem o saco.
2. 5 Melhores pratos do China in Box
3. 5 Tempos verbais que eu usarei na minha próxima ligação para esse sujeito
4. 5 Verbos mais difíceis de serem conjugados no futuro do pretérito.
5. 5 Tempos verbais que, ao meu ver, são totalmente inúteis.

21 de março de 2007

Eu volto. Câmbio.

Segue, com exclusividade, trechos de comunicação de rádio captados em pontos diversos do eixo Rio - São Paulo, nos últimos dias.


... brrrrzzzz .... fechando 3 revistas .... sssshhhuuuiiii.... tudo ao mesmo tempo agora ..... crac ..... crac ..... brrrrzzzzzz .... dois dias no rio de janeiro ...... brrrzzz ..... trabalhando ...... faz 2 dias que não almoço .... crac ..... ssssshhhhhuuuiiiiii ... devendo texto para o el cid ..... brrrrzzzzz ....... totalmente fudido .........sshhhhuuuuiiiiii ....... mas CRAC volto ..... brrrrrzzzzzz ..... avisa no blog que eu volto ....

Transmissão perdida.

15 de março de 2007

Eu, Robô


– Nossa, que montagem legal! Quem fez? Você? Está perfeita!

– Não. Ninguém fez. Ao menos ninguém que eu conheça.

– Como assim?

– Deixa, vamos mudar de assunto.

Eu tenho essa conversa por msn pelo menos uma vez por semana, e ela quase sempre é exatamente como eu reproduzi aqui, com pequenas variações. Enfim, hora de expor a verdade: essa foto, nada mais é que a representação iconográfica do conceito de "ô, fase" que se aplica a minha vida. Essa foto significa que o universo definitivamente conspira contra mim. E, insisto: nenhum amigo meu - e eu conheço bastante gente que trabalha com imagens - fez essa montagem, a história é um pouco mais complicada. Aliás, bizarra é um termo melhor.

Alguns meses atrás, eu estava procurando no Google uma imagem de um disco de DVD, para colocar numa matéria. Digitei "dvd" e mandei ele buscar imagens. Logo na primeira página dos resultados, dei de cara com isso aí que vocês viram acima: uma versão robotizada da minha pessoa.

Se você não me conhece pessoalmente, você vai achar que estou exagerando. Acredite, eu não estou. O nariz arrebitado, o formato dos olhos, a boca e aqueles malditos riscos emulando meu cavanhaque estão aí. E, numa piada de mau gosto, deixaram minha cabeça aberta, para dizer que ou eu não tem porra nenhuma nela, ou para sacanear meus estágios avançados de calvície (merda de herança genética mode: on). Tudo bem, eu não tenho olhos azuis como o robô, mas aposto que isso é por causa de algum sensor ou algo do tipo. Enfim, se você me conhece, sabe que não é exagero. Sou eu ali na foto.

E desde o momento em que eu vi essa foto - e, sim eu precisei salvar a foto, porque ninguém acreditaria se eu contasse -, me sinto como se minha vida inteira fosse um episódio de Além da Imaginação. Até onde me lembro, não sou nenhuma celebridade para ficar achando fotos minhas na internet. Ainda mais fotos robóticas. Será que era um site de outra dimensão, onde Rob(ôs) Gordon são a espécie dominante? Será que alguma empresa de robótica fez um avançado estudo de marketing e resolveu produzir seu novo modelo baseado na minha imagem - e os cheques dos royalties chegam até o final da semana? Será que alguma seita me cultua como o messias de um futuro cibernético, e esperam, em silêncio, o momento em que eu anunciarei minha chegada ao mundo?

Duvido. Afinal, sou eu e as coisas comigo não funcionam assim. No mínimo, foi algum gordinho solitário da Dinamarca que resolveu fazer um site pornô e colocou a minha foto na seção "mecatronics bizarre sex". O primeiro site pornô com uma sessão de robôfilia do mundo, e a minha foto, com minha suposta intimidade cibernética exposta ali. Ok, não é bem a MINHA foto, mas robô ou não, tenho que zelar pela minha imagem.

A única solução era entrar no site. E, já esperando pelo pior, cliquei no link. Trata-se de um fórum de discussão russo e, como eu não falo russo, não tenho a menor idéia do que as pessoas discutem ali. Agora, o mais estranho: a minha foto robótica não foi postada por algum usuário, mas está na abertura do site (Não, não estou brincando. Clique no link e veja). O que me leva a concluir que o tema do site sou eu. Ou melhor, meu eu-robô.

Então, é isso. Rapazes e moças russos espantam o frio das madrugadas do leste europeu discutindo sobre a minha suposta versão cibernética - que eu não conheço – na internet. Agora, o que será que as pessoas discutem sobre o Rob(ô) Gordon, que, pelo jeito, deve fazer um baita sucesso na Rússia?

A minha preocupação não é mais descobrir onde arrumaram aquela foto, e, sim, saber do que se trata o fórum. O que será que as pessoas discutem ali? Se a coisa ficar no nível de tópicos como "Onde vocês compraram o seu?", "O de vocês já deu pau?", "O que vocês mais gostam no Rob(ô) Gordon?", ok.

O problema é que não deve ser nada disso.

No mínimo, os tópicos são postados por nerds que ficam ensinando como crackear a programação do meu Eu-Robô, para obrigá-lo a fazer tarefas inglórias, como fazer drinks e strip-tease numa boate underground de Moscou, prestar serviços sexuais aos proprietários lascivos e me colocarem de faxineiro num boteco qualquer em Kiev. Meu alter-ego tenta sobreviver numa terra que deve ser um misto de Inteligência Artificial e Blade Runner, não sabendo o que esperar a cada minuto, mas, com a certeza de que vai se fuder de um jeito ou de outro. E, pior, deve sobrar para mim, pois aposto minhas fichas que alguém deve ter postado, naquele fórum, um tópico "já ouvi falar que ele é baseado num carinha lá do Brasil". Ô fase.

Enfim, em nome da dignidade da minha versão robótica, peço humildemente a todos que lerem isso aqui: se você fala russo, por favor, não venha me dizer o que se discute ali, tenho um pressentimento de que é melhor não saber. E, em hipótese alguma, entre lá no fórum e diga que me conhece. Aliás, se um dia você visitar a Rússia e, encontrar em algum beco sujo um andróide parecido comigo, mas largado na sarjeta, com os olhos cansados e marcados pelas terríveis humilhações e degradações físicas e morais que vêm sofrendo ao longo dos anos, finja que não viu nada e continue seu caminho.

E quanto a você, Rob(ô) Gordon: simpatizo com sua situação e acho injusto demais isso que fazem com você, mas, por favor, não me procure. A não ser que você traga o cheque dos royalties pela uso da minha imagem. Aí, dependendo do valor, podemos conversar.

Deixo vocês, agora, com os 5 Melhores Robôs da História (não, o Rob(ô) Gordon não conta)
1. Marvin, de O Guia do Mochileiro das Galáxias - Lidera a lista fácil, fácil. É depressivo, paranóico e e absurdamente pessimista e é, tranquilamente, a melhor coisa dos livros de Douglas Adams e, especialmente, do filme (com a voz de Alan Rickman).
2. Bender, de Futurama - Ok, eu vou ser apedrejado aqui, mas foda-se. Eu gosto mais de Futurama que de Simpsons. E o robô cleptomaníaco e alcóolatra é um dos grandes motivos disso, já que ele é, disparado, o melhor personagem da série.
3. Roy Batty, de Blade Runner - Imagine um robô com a força e a agilidade do Batman e que mostra, em cada frase que fala, ter a profundidade do Chico Buarque?
4. R2-D2, de Star Wars - Ninguém entende o que ele fala, mas é sempre ele que tem que salvar a pátria - e, por tabela, o babaca do C-3PO. Mas, por favor, esqueça a cafona versão voadora da nova trilogia.
5. Maria, de Metrópolis - Se não fosse pela Maria do filme de Fritz Lang, talvez nenhum dos robôs acima existiria. Ou seja, tem que estar na lista de qualquer jeito, até mesmo por educação.

13 de março de 2007

100 posts

“Já faz algum tempo que as pessoas estão me pentelhando para criar um blog.”

Foi com essa frase, publicada no dia 31 de julho do ano passado, que nasceu esse blog. E, naquele momento, eu confesso que imaginava que meu relacionamento com o blog seria totalmente fogo-de-palha. Se eu tivesse que apostar, colocaria todas as minhas fichas na idéia de que eu postaria uns 10 ou 12 posts em poucos dias, e depois me cansaria do blog, deixando-o abandonado em algum canto da internet.

Felizmente, eu teria errado. Pouco mais de 8 meses depois que aquela frase foi postada, no tópico Nasce um Monstro?, o Championship Vinyl chega ao seu 100º post. É, nem eu acreditei quando percebi isso.

Nesse meio tempo, muita coisa aconteceu.

Fiz novos amigos justamente por causa do blog – a frase é fofinha demais para o que vocês estão acostumados a ver aqui, mas é verdade. Descobri que as pessoas são obcecadas por imagens do Kleber Bambam pelado. Acabei me tornando um dos maiores arquiinimigos dos alunos de um curso de Projeto de Produto. Declarei abertamente guerra a garçons imbecis e operadores de telemarketing. Corajosamente, expus publicamente a humilhação que sofro nas “mãos” do meu cachorro manipulador. Descobri que uma pessoa pode viver – e muito bem – alimentando-se de banana com açúcar, especialmente enquanto escreve. E, como anunciado num dos primeiros posts publicados, não, não tentei comer ninguém por causa do blog.

E, claro, postei aqui diversos textos sobre minhas grandes paixões: cinema, música, quadrinhos, séries de TV e a imbecilidade geral do mundo – não, não necessariamente nessa ordem, admito.

Porém, foi com emoção que recebi a notícia que meus leitores, que acompanham o blog a cada postagem, reuniram-se nas ruas de São Paulo para celebrar a publicação do 100º post do Championship Vinyl. E, mais emocionante ainda foi receber uma das fotos da festa, que, orgulhosamente, publico aqui, abaixo.

Todos os leitores do blog reuniram-se em São Paulo para a festa pelo 100º post.
Eles estavam em quatro, mas acabaram não se encontrando por causa
dessa merda de manifestação ocorrida no mesmo lugar.


Obrigado a todos, e vamos em frente, rumo ao post de número 101.

Apenas para encerrar a festa, seguem alguns dos meus Top 5 preferidos de todos já publicados no blog.
2 -5 Técnicos que Podem Reerguer Plutão - após a fatídica queda para a Série C
3 - 5 CDs que dificil (e feliz) mente serão colocados à venda - somente pelo prazer de usar a piada do Reginaldo Rossi - Live at Donnington
5 - 5 assuntos que não evoluíram a ponto de virar post no Championship Vinyl - quem sabe um deles ainda não decola, um dia?

8 de março de 2007

Sugestão (obrigatória) para Donos de Restaurantes

Vocês, donos de restaurante: atenção!

Já perdi horas da minha vida explicando aos garçons que trabalham em seus estabelecimentos que, quando eu quero apenas uma Coca Light só gelada, ela não tem geli-limão; que, quando peço para fechar a minha conta significa apenas isso: que eu quero que fechem minha conta; e que quando eu peço para trocar o prato, espero que me tragam um prato limpo em substituição ao primeiro. Por isso, decidi prestar um serviço para todo o setor especializado em servir refeições.

Após meses de pesquisa intensiva, organizei uma prova que deverá ser aplicada a todos os candidatos ao cargo de garçom. O exame abaixo deverá ser aplicado literalmente, nessas mesmas questões e servirá para testar as aptidões dos candidatos. Afinal, não basta saber carregar uma bandeja: é necessário o mínimo de massa cefálica para se relacionar (e, principalmente, servir) outros seres humanos que desejam apenas comer em paz.

Dúvidas e sugestões? Podem me escrever no espaço de comentários abaixo. Dispenso agradecimentos, fiz isso em nome da comunidade e não em busca de reconhecimento pessoal.

Para melhores resultados, peço que apliquem os testes respeitando os seguintes prazos para a elaboração das respostas por parte dos candidatos, de acordo com o estabelecimento que você possui: 5 minutos (restaurante); 15 minutos (botequim); 10 dias (o boteco aqui da frente):

Sem mais delongas, vamos ao teste, com valor total de 10 pontos.

Parte I – Interpretação de Texto

Leia com atenção o texto abaixo.

Um cliente sentado na mesa que você atende lhe diz: “Eu quero, por favor, duas bolas de sorvete de morango sem nenhuma cobertura e uma água mineral sem gás e sem gelo”.

Com base no texto acima, responda as questões abaixo:

1 – Qual o sabor de sorvete desejado pelo cliente? (valor 1,0)
_________________________________________________________

2 – Quantas e quais coberturas o cliente deseja em seu sorvete? (valor 1,0)
_________________________________________________________

3 - Ainda com base no texto acima, assinale verdadeiro (V) ou falso (F) para cada sentença: (valor: 0,25 cada)
( ) O cliente deseja uma garrafa de dois litros de Soda.
( ) O cliente deseja sorvete de morango.
( ) O cliente não deseja ser incomodado.
( ) O cliente deseja água gelada com suco de limão.
( ) O cliente está satisfeito e não deseja nada.
( ) O cliente não sabe o que quer e deseja uma sugestão.
( ) O cliente deseja que você apenas feche a conta.
( ) O cliente está se sentindo só e desejava conversar.

Parte II – Perguntas de Múltipla Escolha

Assinale a alternativa correta para cada questão (valor 1,0 cada)

4 – O cliente olha para você, gesticulando para que vá até a mesa dele. Você:
( ) Vira a cara e finge que não é com você.
( ) Gesticula dizendo que já vai e espera ele esquecer.
( ) Vai até a mesa e pergunta o que ele quer.
( ) Sorri para ele, pois ele está apenas cumprimentando.
( ) Leva uma garrafa de dois litros de Soda para ele.

5 – O cliente pede para você trocar o prato dele. Você:
( ) Troca o prato de lugar na mesa, colocando sob a cesta de pães.
( ) Pega o prato sujo e não retorna para a mesa.
( ) Finge que não é com você.
( ) Retira o prato do cliente e leva outro limpo, logo em seguida.
( ) Fecha a conta do cliente e leva até a mesa dele.

6 – O cliente pergunta qual o prato do dia. Você:
( ) responde identificando o prato do dia e seus ingredientes
( ) responde afirmando que isso depende do dia.
( ) diz que como o cliente está jantando, não é mais dia
( ) vai checar e volta com uma garrafa de dois litros de Soda
( ) inventa qualquer coisa na hora

7 – Você leva um prato até a mesa do cliente e ele diz que não pediu aquilo. Você:
( ) responde “foda-se, é o que temos”.
( ) pergunta se ele sabe qual mesa pediu o prato em questão.
( ) pede desculpas, volta para a cozinha e joga o prato fora.
( ) pede desculpas e vai checar novamente os pedidos.
( ) deixa o prato em qualquer lugar. Quem quiser, pegue.

Parte III – Perguntas Abertas

8 – Cite qual animal é a fonte das principais carnes da feijoada e cite três exemplos de acompanhamentos para o prato. (valor 1,0)
_________________________________________________________ _________________________________________________________
9 – Você vê um cliente acidentalmente deixar cair um garfo no chão. Como você procede nesse caso? (considere g = 10 m/s²) (valor 1,0)
_________________________________________________________ _________________________________________________________


E, para não perder o hábito, enquanto os alunos respondem, seguem os 5 restaurantes onde você provavelmente vai me encontrar na cidade.

1. Bovinus Grill – sim, é churrascaria
2. Galinheiro Grill – sim, tem carne
3. Grill da Vila – sim, tem carne
4. Rigoletto – sim, é o mais perto do trabalho
5. Bovinus Grill – sim, de novo.

6 de março de 2007

A Guerra da Vila Mariana - 2º Tempo

Caso não tenha lido os posts anteriores, aqui estão a introdução e o primeiro tempo do jogo.


46’ – Começa o segundo tempo. Rob Gordon continua deitado na arquibancada, suando e se comunicando com as pessoas por meio de gemidos.

50’ – Após duas cervejas e três cigarros, Gordon volta para o segundo tempo, mancando e sentindo pontadas no baço toda vez que respira. É um herói - pelo menos, aos seus olhos. Entra na quadra e tira a camisa, o que faz com que o time adversário o respeite menos ainda.

52’ – Lançamento em profundidade para Gordon. Ele corre na direção da bola, com chances de marcar, mas subitamente, pára no meio do caminho e se curva em campo. “Falta perna. Falta ar”, ele diz.

57’ – GOOOOOL do time dos adultos! Gordon rouba a bola no meio de campo e pára na frente do marcador. Faz-que-vai, faz-que-não-vai, faz-que-vai, faz-que-não-vai e, percebendo que não ia ter forças para ir mesmo, passa a bola para um companheiro de equipe que cumprimenta para dentro do gol. 2 x 3.

58’ – O time das crianças prepara-se para dar a saída. Gordon bate palmas e, usando suas últimas forças, grita para motivar o time. “Vamos empatar essa merda!” De novo, os pais olham feio para ele.

62’ – Após avisar os companheiros de time que iria cavar uma falta, Gordon recebe a bola na lateral e fica fazendo graça. Dribla um, dribla outro. Quando se vê cercado por 6 crianças, joga as pernas para o ar, grita como se estivesse vendo sua família ser assassinada e cai no chão, rolando de dor (time argentino mode: on). As crianças se afastam, preocupadas. Gordon sai mancando e fazendo força para não rir. O gordinho olha com uma cara de quem sabe que é tudo fingimento, mas o olhar de Gordon desencoraja qualquer tipo de comentário de sua parte.

63’ - GOOOOOL do time dos adultos! Na cobrança de falta, a bola passa rasteira no meio da barreira e engana o goleiro, um menininho de cinco anos que estava mais preocupado em se balançar na rede do que em defender a própria meta. 3 x 3.

68’ – Substituição no time dos adultos. Gordon, alegando que suas coxas não respondem mais às ordens do cérebro, entra no gol. É o primeiro goleiro da história a defender com apenas uma das mãos – com a outra, segura o cigarro.

Já próximo do final do jogo, Gordon, enlouquecido
de sede, certifica-se de que não há cerveja dentro da bola

71’ – Contra ataque do time das crianças. A bola sobra para o gordinho, que avança na direção da área, seguido por outros quatro moleques. Gordon sai do gol e atira-se corajosamente nos pés do menino, agarrando a bola. Resultado: impede o gol adversário, mas tira o ombro do lugar, com um estalo ouvido por qualquer pessoa num raio de dois metros ao seu redor. Antes que consiga levantar-se e arrumar o ombro, ainda é chutado por três garotos, que tentam fazê-lo largar a bola.

78’ – GOOOOOL do time das crianças! – A bola é lançada para um dos adultos, mas este nem tenta correr atrás dela. As crianças recuperam a bola e atacam em massa, com todo o time – alguns, inclusive, tentando tomar a bola do próprio companheiro. Oito deles invadem a área e algum deles (sabe-se lá qual) chuta. Rob Gordon flexiona os joelhos, toma impulso e pula. A bola viaja em direção ao gol. O arqueiro flutua no ar e prepara-se para a defesa mais espetacular de sua recém iniciada carreira de goleiro. Aproxima-se da bola e estica o braço. Mas o ombro machucado range como uma porta velha e o braço trava na metade do caminho. Cai de cara no chão e ouve apenas as crianças correndo ao seu redor e gritando “gooool!” feito alucinadas. 3 x 4.

81’ – O time dos adultos dá a saída e tenta um ataque fulminante. Porém, a loirinha atravessa a quadra correndo e girando, justamente entre o atacante e o gol. O “atleta” (aspas bem grandes) abdica da chance do empate para poupar a vida da infante.

83’– GOOOOOL do time das crianças! Numa rápida jogada de ataque, as crianças envolvem o goleiro numa série de passes curtos e um deles – a essa altura, nem faz diferença mais quem – dá uma bomba no gol. Rog Gordon, deitado num canto da quadra e gemendo ao lado de outro adulto, ouve apenas o goleiro do seu time reclamando com os adversários: “Vocês disseram que não valia bomba” Pelo jeito, agora vale. 3 x 5

88’ – Rob Gordon manda um foda-se e sai da quadra. Deita na arquibancada e fica fazendo movimentos lentos, verificando quais ossos do seu corpo estão inteiros. Não são muitos.

90' – Fim de jogo. Gordon fica deitado na arquibancanda, tomando cerveja e usando toda a sua capacidade física para respirar. Olha para a quadra. As crianças já escolheram dois outros times e preparam-se para começar outra partida. “Meu Deus, eles não são humanos”, pensa, antes de fechar os olhos e desejar uma morte rápida e indolor. De quebra, o gordinho impiedoso ainda vem até a grade, perto da arquibancada e grita: “Tá morrendo, né? Se fudeu, babaca!” e volta correndo para jogar. Gordon apenas geme, antes de desmaiar.

A Guerra da Vila Mariana - 1º Tempo

Segue, como prometido, um resumo dos principais lances do primeiro tempo da derradeira partida da carreira de Rob Gordon, que acabou quase lhe custando a vida.

Se você não sabe do que estou falando, é porque não tem acompanhado os principais noticiários esportivos. Mas você pode saber toda a história aqui.

E os lances dessa guerra você só vê aqui. Chupa Terra! Chupa Uol!


Assim como Rocky Balboa, o veterano Rob Gordon
disputou uma última batalha, para libertar a sua fera interior

1’ – Os dois times se postam em campo. De um lado, o time das crianças. Do outro, o time dos adultos e mais quatro meninos e uma loirinha de uns 6 anos que, apesar de jogarem no outro time, não cabiam no lado certo da quadra. A loirinha, alheia ao que acontece ao seu redor, está brincando de rodar na quadra. Começa o jogo.

6’ – Ataque do time dos adultos. Rob Gordon recebe a bola na linha de fundo, mas é cercado por 18 crianças, que começam a chutá-lo, gritando, e desaparece no meio da multidão junto com a bola. Obviamente o juiz não dá falta, porque não há juiz, aquilo é uma terra sem lei.

10’ – GOOOOOL do time das crianças! A bola é cruzada na área e os nove moleques que aguardavam por ali resolvem usar a tática do aríete: esperam o goleiro pegar a bola e o cercam, empurrando o coitado para dentro do gol com bola e tudo. Falta no goleiro? “Não, não vimos nada”. 0 x 1.

14’ – Tabela entre Rob Gordon e outro adulto envolve totalmente a defesa adversária e deixa Gordon na cara do gol. Ele tira o zagueiro do lance com categoria e chuta colocado, por cima. O goleiro pula e não alcança nada. A bola resvala na trave e sai pela linha de fundo. Gordon grita um “filho da puta!” a plenos pulmões, o que faz todos os pais ao redor da quadra olharem feio para ele. Um gordinho de óculos passa por Gordon e solta um “se fudeu”, baixinho.

21’ – GOOOOOL do time dos adultos! Na cobrança de escanteio, a bola é rolada para Gordon, que, de fora da área, bate de três dedos, por cobertura. Indefensável. Golaço! (modéstia a parte mode: on) Ao comemorar, Gordon passa pelo gordinho do lance anterior e, demonstrando sua toda sua maturidade e superioridade emocional, solta um “Se fudeu você, babaca! Chupa!”. 1 x 1.

25’ – Após dar um pique para tentar (em vão) alcançar um lançamento em profundidade, Gordon cai na quadra. Fica deitado, inerte e sem ar, implorando para que alguém pegue um cigarro e uma cerveja para ele. É sumariamente ignorado.

29’ – Gordon abandona o campo no meio de um ataque do time das crianças, e vai para o canto da quadra, onde se apóia num muro, tentando respirar. As crianças do outro time continuam o ataque – sempre com a tática de manter 17 jogadores ao redor da bola – e entram na área. Por sorte, a bola resvala na trave e sai.

31’ – GOOOOOL do time das crianças! Numa cobrança de escanteio, começa um bate-rebate na área. A bola sobra para um moreninho de uns 9 anos, que simplesmente se materializou na ponta esquerda (ele não estava em campo até o momento. Aliás, ele nem estava na festa.) e, depois de bater em mais três crianças (pinball mode: on) entra. 1 x 2.

32’ – O time dos adultos prepara-se para dar a saída e um deles pensa em bater direto para o gol. Desiste da idéia quando o goleiro adversário grita que “não vale bomba, tio”.

35’ – Gordon rouba a bola de um moleque e parte em disparada, na direção do gol. No meio da arrancada, dribla o último zagueiro com uma classe invejável, mas descobre que a loirinha (aquela mesma, que gosta de girar na quadra) está sentada na sua frente, brincando com uma plantinha. Tentando evitar uma tragédia, Gordon pula a menina, alçando vôo na quadra e aterrissando numa das grades. A bola sobra na mão do goleiro. Gordon, no chão, começa a analisar se realmente vale a pena levantar.

39’ – GOOOOOL do time das crianças! A bola é alçada na área do time dos adultos, e um japonesinho de no máximo sete anos domina com categoria e empurra com calma para dentro do gol. Tudo porque o goleiro do time dos adultos havia saído para buscar uma cerveja e não avisou ninguém. Pior, só trouxe cerveja para ele. 1 x 3.

40’ – Rob Gordon sai de campo, avisando que volta apenas no segundo tempo. Senta na arquibancada, totalmente sem ar. Abre uma cerveja e acende um cigarro para recuperar as energias. As pessoas ao seu redor perguntam se ele está bem, mas ele não consegue responder nada inteligível.

45’ – Final do primeiro tempo. O time das crianças vence por 3 x 1 e Gordon está deitado numa das arquibancadas, mal conseguindo segurar a cerveja e sem conseguir falar.

("assista" ao 2º tempo do jogo aqui)

5 de março de 2007

A Guerra da Vila Mariana - Introdução

Esse fim-de-semana, este que vos escreve foi convidado para uma festa de aniversário de criança, lá na Vila Mariana. E festa de criança é aquela maravilha: para onde você olha, tem comida. Espetinhos de montão, centenas de doces de todos os tipos e cores, e cerveja à vontade. O problema é que a criança em questão é fanática por futebol e, obviamente, ele e todos os seus amiguinhos ficam a festa inteira na quadra, jogando bola.

Problema? Sim, porque, no auge da minha genialidade (sarcasmo mode: on) resolvi ir para a quadra e participar (junto com outros dois ou três adultos), de uma partida de futebol, tendo como adversários uma horda de crianças de ambos os sexos, com idade variando entre 8 e 12 anos. Até aí, Ok. Eu sempre joguei bola, desde moleque, e nunca passei vergonha dentro de um campo ou de uma quadra. O problema é que já faz tempo que eu deixei de ser reconhecido pela juventude e nunca primei pelo excelente preparo físico. Eu fumo, eu bebo, eu como em churrascaria pelo menos duas vezes por semana e única coisa verde que costumo ingerir é bala Kids.

Não, o problema não é você jogar contra um time que tem 14 vezes mais jogadores que o seu. Não, o problema não é você jogar contra um time que tem 14 vezes mais jogadores que o seu e que ainda têm o péssimo hábito de não se cansarem nunca. Não... O problema é quando você escapa com a bola pela ponta direita e o goleiro do time adversário (um monstro, que deve estar na 4ª série), grita, orientando a zaga: “segura o Tio Careca!”. Ô fase.

Resultado. Hoje eu mal estou andando, já que nenhuma das minhas coxas veio trabalhar, alegando insalubridade. Meu ombro ainda dói, e minha mão também – apesar de eu não conseguir identificar na memória em qual momento eu a arrebentei. Estou gemendo umas duas vezes por parágrafo e mal consigo andar direito.

Rob Gordon, avançado na meia-direita (e na idade),
arrisca um chute pouco antes de distender a perna.

Postarei, então, aqui os melhores momentos de Rob Gordon no jogo. O Terra e o Uol não acompanharam o duelo, então, você encontrará isso com exclusividade no Champ Vinyl, curtindo todos os principais lances dessa verdadeira batalha campal, repleta de catimba, momentos desleais e extremamente violentos. Um daqueles jogos que serão lembrados por gerações. E, como vou dividir isso em três posts, cumpro aqui a promessa feita no post anterior e publico o top 5 da vez (que serve, inclusive, para situar as pessoas nesse universo podre e desleal que narrarei no post a seguir):

5 principais regras do futebol de rua:
1. Vira 5, acaba 10 – Não há empate em futebol de rua. O jogo só vai para pênaltis quando começa a chover ou as mães aparecem na calçada, chamando os filhos para jantar.
2. Prensada é da defesa – toda vez que tem um bate-rebate na área, e a bola sai pela linha de fundo depois de uma dividida, é bola da defesa. E não se discute.
3. Não vale gol de tabela – qualquer gol cuja bola entra após bater num muro, numa kombi ou naquela velhinha que estava passando com três sacolas de compra é sumariamente anulado (sim, no caso da velhinha é divertido, mas, mesmo assim, não vale ).
4. Quem chutou, busca - não importa se a bola caiu num terreno, num telhado ou na casa daquele militar reformado. Quem chutou, busca.
5. Não foi falta, até prova em contrário - Se a pessoa caiu, é porque ela escorregou. Casos que envolvem sangue ou fratura são sujeitos à analise - mas, a priori, não foi nada.

("assista" ao 1º tempo do jogo aqui)

2 de março de 2007

Ah, sim...

Um adendo.

A verdadeira definição de felicidade é ficar até altas horas de madrugada jogando City of Heroes e ouvindo Credence Clearwater Revival. E comendo banana-com-açúcar. Assim mesmo, com hífen, porque banana-com-açúcar não é um prato. É um conceito.

Pronto, agora sim, voltamos a programação normal.

Um Dia (infernal) para Relembrar

Nada como uma franquia de sucesso, especialmente uma trilogia, para atingir a fama e a fortuna e cativar milhões (devaneio mode: on) mundo afora. Que o diga Peter Jackson, George Lucas e, agora, Rob Gordon.

Acabo de colocar a terceira parte da série 25 Horas na lista de posts mais vendidos. O seriado foi um enorme sucesso de audiência graças à sua intricada trama de suspense, com cenas de ação alucinantes, repletas de efeitos especiais. Isso sem falar nas edições de som e no trabalho do elenco. Além disso, as pessoas não precisavam ficar uma semana que nem idiotas esperando para ver o que aconteceria no capítulo seguinte. Em outras palavras: chupa, Jack Bauer!

Agradeço a todos que comentaram o post aqui no blog. Já o post Babel (que continua líder) agradece a todos que mandaram comentários via Orkut ou msn, o que permitiu que a odisséia linguística do japonês gringo continuasse intocável na liderança.

Já você, estimado post A Era (sem graça) do Gelo... Você perdeu seu lugar na relação dos mais vendidos, mas não reclame. Você teve seus momentos de glória, chegando até a virar tema na faculdade. E a vida é assim mesmo, uma hora a fila anda. Paciência. Você já é um post bem grandinho, não venha com choradeira.

Prometo que, com o término da temporada de 25 horas, voltaremos ao esquema normal do site, com as listas de Top 5 (o formato dos últimos posts não permitia isso).

Ah, e um aviso:

Lost e Heroes... se cuidem. Você são os próximos.