29 de agosto de 2011

Sinais

Dizem que a vida frequentemente manda sinais e respostas para nós, às vezes até mesmo para perguntas que nem sabemos direito quais são. Eu acredito nisso. E talvez acredite até mais do que deveria, mas já volto a falar disso.

A meu ver, isso independe de religião, fé, ou qualquer outra coisa deste naipe, por dois motivos. Primeiro, porque não estou falando dos céus se abrirem para um anjo de cabelos louros surgir descendo num raio de Sol com respostas e ensinamentos ou qualquer outro clichê bíblico. Segundo – e mais importante – qualquer coisa que possa ser enxergada por este prima tem potencial para ser colocada no campo das coincidências.

Ou seja, não é fé, religião ou alinhamento dos planetas. Talvez seja apenas intepretação. Ou, melhor dizendo, talvez seja “saber interpretar”. Mas, sim, como disse acima, eu acredito nisso. A parte do “talvez até mais do que deveria” é porque quando estou naquelas fases de questionamentos, fico procurando sinais de respostas ou conselhos para minhas dúvidas, ao redor de mim, o tempo inteiro.

Muitas vezes, claro, eu apenas me fecho no problema ou na dúvida e o analiso de forma lógica. Mas, por definição, os Rob Gordons são criaturas extremamente emocionais, então nem sempre isso é possível.

Assim, se é evidente que não mergulho na loucura de procurar respostas para minhas dúvidas na forma que a velha da mesa ao lado coloca o guardanapo no colo, às vezes eu brinco comigo mesmo, com coisas como “se o sinal fechar antes daquele carro vermelho passar por mim, eu vou conseguir tal coisa”. Mas isso são mais brincadeiras que qualquer outra coisa – apesar de que um lado do meu cérebro pula de alegria caso o sinal feche antes do carro vermelho passar.

Mas, de forma geral, quando estou numa fase de questionamentos, ando pela rua de forma mais aberta – talvez receptiva – ao que acontece ao meu redor. Porque não vejo mal algum em tentar ouvir o que o mundo me diz. Ao invés de “sorria e o mundo sorrirá para você”, gosto do “pergunte e o mundo responderá para você”.

E agora vamos mudar totalmente de assunto e falar da série Pateta Faz História. As pessoas com mais de 30 certamente devem se lembrar dela: mais que histórias nas quais o Pateta assume o papel de grandes personagens históricos, é uma série que se tornou um verdadeiro marco nos estúdios Disney. Os roteiros – e a própria estrutura das páginas – fogem totalmente do convencional, construindo obra-prima atrás de obra-prima.

Eu me lembro de quando ela foi lançada no Brasil. Pelas minhas contas, foi em 1980. Eu e meu irmão virtualmente enlouquecemos com aquilo. Além da temática (afinal, eram biografias de nomes como Leonardo da Vinci e Marco Polo), e do visual ousado, quase sem regras, o fato de ser uma série fechada com cinco edições era diferente de tudo o que havíamos visto até então, dando o caráter de “especial”.

Por isso que a série se tornou um marco da minha infância. Na verdade, um dos maiores marcos, na verdade. Até hoje, mais de trinta anos depois, me lembro de piadas específicas, de que a capa do volume 5 (“Pateta faz História como Dr. Frankenstein” era branca) e de algumas imagens, como aquela página em que o macarrão que um personagem come no topo escorre para baixo, delimitando os demais quadrinhos.

Se não me engano, a série era bimestral. Quando haviamos comprado dois ou três volumes, eu e minha família fomos morar em Manaus. Minha preocupação com a série era tanta que passei os primeiros meses desesperado em busca das revistas, em vão. Ninguém sequer havia ouvido falar daquilo.


Estava quase pedindo para algum parente de São Paulo comprar para mim quando, um dia, entrei em uma banca e vi o primeiro volume sendo vendido. Foi quanto entendi que a maior parte dos quadrinhos era vendida na Região Norte somente seis meses depois do Sudeste, quase como uma pré-história da distribuição setorial.

Suspirei aliviado e, poucos meses depois, completei minha coleção.

Onde ela está hoje? Não sei. Talvez tenham se perdido em alguma mudança. Eu sempre sonhei em recuperar estes cinco volumes, que já vi à venda (por verdadeiras fortunas) no Mercado Livre. Penso nisso com frequência, mas nunca como uma obsessão de colecionador, ou uma cruzada pessoal. Na verdade, era apenas um pequeno sonho em resgatar um pedacinho doce da minha infância.

Aliás, falando em outro doce, tenho outra memória. Perto da casa em que nasci e cresci, em Moema, havia uma confeitaria famosa à época, chamada Brunella.

É outro marco da minha infância. Isso porque não era incomum meu pai voltar para o trabalho com uma bandeja repleta de doces – lembro que era embrulhada num papel amarelo claro, com o logo da confeitaria.

Assim, bastava meu pai aparecer em casa com os doces que a noite deixava de ser “uma noite” e se tornava uma “noite de festa”. Ficavámos nós quatro na cozinha, comendo doces de todos os tipos. Hoje – e me perdoem se eu me emociono um pouco ao escrever isso – eu entendo que era realmente uma festa, e estávamos apenas celebrando o fato de sermos uma família e termos um ao outro.

E foi numa destas noites que nasceu outra paixão da minha vida: uma espécie de bolo, cortado de forma triangular e recheado com mousse, coberto por cascas de chocolate endurecido. Nunca soube o nome correto do doce, e nunca precisei: era a “cabaninha”. Era assim que eu o chamava (aos meus olhos, ele se parecia com uma casinha, ou uma cabaninha), era assim que minha família passou a chamá-lo, por minha causa.

A cabaninha era sempre o primeiro doce que eu comia. Meu pai comprava sempre quatro de cada tipo, e eu abria mão de qualquer outro doce em troca de mais uma cabaninha – as trocas com meu irmão eram comuns.

Mais que meu doce preferido, a cabaninha é um símbolo da minha infância. Mais que um simples doce, a cabaninha faz parte da minha história. Ou melhor, fez parte. Em algum momento da minha adolescência, a Brunella fechou as portas – hoje existe uma Kalunga ali, logo atrás do Shopping Ibirapuera – e a cabaninha desapareceu. Sempre que entro numa doceria, passo os olhos pela vitrine em busca dela ou de um doce parecido, mas nunca encontrei nada igual.

Assim como a série Pateta Faz História, a cabaninha se perdeu no tempo, ficando presa em recordações de infância.

Ou não. Porque, poucos dias atrás, chegou às bancas a coleção Pateta Faz História, com vinte volumes reunindo todas as quarenta histórias da série, incluindo as que permaneciam inéditas no Brasil.

E as histórias daquelas cinco revistas que eram minhas.

E, novamente: “ou não”, porque outro dia descobri uma Brunella remanescente ao lado do Parque da Aclimação. Na hora, imaginei que fosse outra empresa com o mesmo nome, mas era ela mesma. Era a minha Brunella.

E, ali no canto da vitrine de doces, as minhas cabaninhas.

Comi duas. Comi duas, descobri que o nome do doce, na verdade, é bolo triângulo e, pela primeira vez na vida, paguei pelas minhas próprias cabaninhas. Mas, mais importante que isso, descobri que o sabor do doce é exatamente como me lembrava. Exatamente igual. Minha memória não distorceu nem inventou nada. As cabaninhas continuam sendo o meu doce.

Este post pode parecer uma bobagem para vocês. Afinal, para vocês, são apenas cinco revistas em quadrinhos e um bolo (que, agora descobri, chama-se bolo triângulo).

Mas, como eu disse acima, basta saber interpretar. São cinco revistas e um bolo que passei décadas procurando, e que têm um valor emocional altíssimo para mim. E, de repente, em poucos dias, eu literalmente tropeço nos dois.

A vida está me mostrando algo. Eu adoraria encerrar este texto com uma frase linda, e um ensinamento maravilhoso que concluísse tudo isso, para fechar o texto com chave de ouro. Mas não vou fazer isso. A vida está me mostrando algo, mas hoje eu não quero entender nada (na verdade, eu já entendi – preciso apenas processar).

Hoje eu quero apenas ficar comendo cabaninha e lendo Pateta Faz História.

Hoje eu quero apenas ter cinco anos.

Hoje eu quero ter a vida inteira pela frente.




(Este post é dedicado
aos meus pais.)


Update: desde que postei o texto, estava com o pressentimento de que algo estava faltando. Fumando um cigarro, percebi o que era. Faltavam imagens. Faltava um quadrinho, um doce e, principalmente, um menino. Agora está completo.

26 de agosto de 2011

Soneto do Recapeamento

Há dias e dias que eu não prego o olho,
Me deito na cama, gemo, e apenas lamento.
Pois faz dias que meu sono está de molho,
Pois na rua estão fazendo um recapeamento.

É caminhão de piche e rolo compressor
Duas da manhã decidem usar a britadeira.
Liguei para polícia, bombeiro, encanador
Pelo amor de Deus, deve ser brincadeira.

Tem noites que o prédio chega a tremer!
Hoje perguntei ao zelador se isso acaba,
Ele disse “Ninguém responde nem sabe”.

Vivo feito zumbi e, oh, quero só morrer!
No ouvido, tentei salsa e até jabuticaba.
Espero que esteja dormindo bem, Kassab.


Este soneto foi feito de madrugada com o barulho da obra ocupando a sala inteira. Eu sei que os sonetos que escrevo vão normalmente para o Chronicles. Mas este vem para o Champ, logo vem para o Champ. Infelizmente. Favor falar alto nos comentários, pois é impossível ouvir qualquer coisa aqui dentro de casa.


25 de agosto de 2011

Atualizações e Amor

Vamos colocar o papo em dia?

Primeiro vamos falar do livro. 24 Horas, 48 Crônicas está indo muito bem, obrigado. Está perto de entrar na lista dos 30 mais vendidos (entre os mais de 1400 títulos) de Ficção no Clube dos Autores.

Além disso, ele ganhou uma menção no programa Em Pauta, da Globo News, na última segunda-feira – eu não assisti pois não estava em casa, e estou tentando conseguir uma cópia do programa. Caso isso aconteça, postarei aqui no blog.

Segundo, vamos continuar falando sobre o livro: uma das crônicas pode se tornar animação. Na verdade, existem dois projetos para transformar textos meus em animações. Um encaminhado e outro ainda embrionário. Eu não tenho participação alguma nos projetos (ao menos por enquanto) mas é claro que assim que as coisas caminharem, eu também atualizarei aqui.

Terceiro: como escritor, me sinto honrado quando pegam algo que escrevi e levam adiante. É a prova de que algum personagem que criei realmente tem vida própria. A bola da vez é esta crônica aqui, que rendeu este texto aqui, assinado pelo Leo.

Contudo, mais importante que o texto em si (que eu adorei e achei que tem momentos geniais) foi a dedicatória ao final da postagem. O texto ser baseado numa crônica minha me deixou honrado, mas a dedicatória ao final me deixou “simplesmente” feliz. E hoje isso vale muito para mim. Obrigado, Leo!

Para encerrar, quarto: não postei o link semana passada por estar atrapalhado com diversas outras coisas, mas tem um novo texto meu na página da Lipton do Facebook. O tema? Amor. Adoraria que lessem, curtissem e espalhassem para os amigos.

Segue, como de hábito, uma palhinha e o link.



Se existe algo que a humanidade busca compreender, desde o princípio dos tempos, é o amor. Poetas e músicos já tentaram explicá-lo em palavras; cientistas passaram décadas analisando as reações químicas cerebrais que o definem. Tudo em vão. O amor não se define e tampouco se explica.

O amor apenas se vive.

(leia mais aqui)

22 de agosto de 2011

1001 Textos para Escrever Antes de Morrer

Em 31 de julho de 2006 eu decidi criar um blog.

Na época, já namorava a ideia há algumas semanas e, com duas ou três crônicas no bolso – e publicadas no site de uns amigos – decidi fazer logo meu cadastro no blog. Originalmente, a intenção era arquivar minhas crônicas, montando uma espécie de portfólio.

Mas aí tudo mudou e eu me apaixonei. Talvez porque eu tenha feito tudo errado desde o começo, pois abri o blog e não postei as crônicas que já tinha. Pelo contrário, comecei a escrever alucinadamente textos novos, curtos e longos, sobre tudo.

Contudo, as crônicas antigas, salvas nos PC, nunca saíram da minha cabeça. Tanto que meses depois criei outro blog somente para isso – e aí sim eu postei as tais crônicas que havia escrito antes de tudo começar. E comecei a escrever novas crônicas.

Comecei a escrever nos dois blogs.

Dois blogs. Um de realidade pintada de ficção; outro de ficção com um pezinho na realidade. Um sobre mim; outro sobre o mundo.

Cheguei a criar um terceiro blog, com resenhas de livros, filmes e discos, mas não vingou: eu não conseguia me divertir escrevendo sobre os mesmos temas que escrevia profissionalmente. E escrever é como sexo: é preciso ter tesão. Foi quando ficou claro para mim o que eu queria fazer da vida. Ou melhor, sobre a vida que eu queria ter escrevendo. Desisti e voltei a ter dois blogs.

De lá para cá, muita coisa aconteceu na minha vida, mas os dois blogs sempre estiveram aí. Nunca fiquei mais de uma semana sem postar. Nunca deixei de ler um comentário. Nunca deixei de tentar fazer com que cada texto fosse a melhor coisa que eu tivesse escrito na vida.

E nunca mais abri nenhum outro blog. Pelo que vi nestes anos, é comum as pessoas apagarem seus blogs e criarem outro do zero. Nunca fiz isso, mas não condeno, cada um faz o que quiser. Porém, me dou o direito de não concordar. Afinal, se não posso fazer isso com a minha vida, não acho justo fazer com os blogs. Além disso, apagar o que escrevi não apaga o que vivi.

“Escrever”. A palavra tem um significado totalmente diferente para mim, hoje.

Hoje eu vivo de escrever. Ou estou aprendendo a fazer isso. Mas, independente disso, escrever se tornou minha paixão e minha terapia. Na verdade, escrever é meu brinquedo preferido. E talvez o único brinquedo que eu possa usar sendo um adulto de 35 anos.

E eu gosto de brincar. E parece que eu tenho brincado bastante.

E aí chegamos onde eu queria.

Tenho brincado tanto que hoje, com este texto que você está lendo, eu completo a marca de mil textos postados nestes dois blogs. São exatamente 780 posts aqui, no Champ; e 220 no Chronicles.

Na verdade, esta marca foi superada alguns meses atrás, se contabilizarmos os posts do blog de resenhas; os textos inéditos para os meus dois livros; as colaborações para o Malvadezas e em outros blogs que me convidaram, como o Diários Roubados e alguns outros.

Mas, contando somente os meus dois blogs, são mil textos.

Mil textos. É muita coisa. Fiz as contas aqui (bem nas coxas mesmo, arredondando o número de dias), e, desde que comecei a brincar com isso aqui, escrevi mais ou menos um post a cada 1,8 dias.

Chame de produtividade. Chame de criatividade. Chame de enrolação.

Eu chamo de Amor. Assim, com maiúscula mesmo.

Acho que é bastante, mas não sinto que seja suficiente. Acho que existem outros milhares de mundos por aí – dentro de mim e na rua – somente esperando para serem descobertos e escritos.

Espero que tenham gostado. E espero que gostem mais ainda.

Porque eu estou adorando isso, cada vez mais.

Um post por dia? Um post por hora? Tanto faz. O que importa é a qualidade. Os mundos estão aí fora esperando para ser escritos. Tudo o que eu preciso é fazer o melhor que eu puder com cada um deles, entregando a vocês o melhor texto que conseguir. Daí o título deste post, com o número 1001. Afinal, eu quero sempre acreditar que o meu melhor texto sempre será o próximo.

Mas, sim, as histórias e os personagens, as piadas e as lágrimas... Todos eles estão aí fora. Não importa o estilo, o tamanho do texto, se terá somente diálogos ou se será um único parágrafo. Os mundos estão aí fora. Sempre estarão.

Tomara que sejam tão mágicos quanto os primeiros mil.

Obrigado por tudo.

Rob.



Este post é dedicado a você
que está aí do outro lado da tela.
Um pedaço desta história é seu.




21 de agosto de 2011

Star Wars: Episódio VII

Há muito tempo atrás, numa galáxia muito, muito distante...


Star Wars

Episódio VII

Caça ao Blu-ray


É um período de guerra civil. Após o anúncio do lançamento dos seis filmes de Star Wars em Blu-ray, Rob Gordon não conseguiu mais dormir. Desde que a notícia foi divulgada, ele passa as noites em claro relendo as descrições dos extras dos discos e as dezenas de pockets da saga que possui em casa, aumentando sua ansiedade.

Nas últimas semanas, a tensão se tornou insuportável. Mesmo sabendo que o lançamento será somente em 30 de setembro, decidiu percorrer a galáxia em busca de sinais do pack. Todos os dias, ele entra em livrarias e lojas especializadas em busca do produto, ignorando o fato de que os discos ainda não existem.

Assim, neste final de semana ele rendeu-se ao Lado Negro e assumiu a identidade de Darth Gordon. Confuso e malvado, mais máquina que homem, ele foi mais uma vez à Fnac, desta vez armado e com um aparelho de som portátil. Assim que colocou os pés na loja, ligou A Marcha Imperial no máximo, esperando um vendedor se aproximar...



Darth Gordon: I sense something. A presence I've not felt since...

Menina da Fnac: Boa tarde. Seja bem vindo.

Darth Gordon: You may dispense with the pleasantries.

Menina da Fnac: Oi? Desculpe, mas...

Darth Gordon: I want that BD pack, not excuses.

Menina da Fnac: O senhor está atrás dos Blu-rays de Star Wars?

Darth Gordon: So, you have accepted the truth?

Menina da Fnac: É evidente que eu aceitei a verdade. O senhor vem todos os dias aqui atrás destes filmes.

Darth Gordon: You have learned much, young one.

Menina da Fnac: Ontem mesmo o senhor veio aqui e nós combinamos que o senhor voltaria apenas no dia do lançamento.

Darth Gordon: I am altering the deal. Pray I don't alter it any further.

Menina da Fnac: Mas os filmes não estão aqui.

Darth Gordon: And now, your highness, we will discuss the location of your hidden...

Menina da Fnac: Alteza? Olhe, agradeço, mas é perda de tempo sua. Os filmes não estão escondidos aqui.

Darth Gordon: Your thoughts betray you.

Menina da Fnac: Os filmes serão lançados apenas em 30 de setembro. Deve estar havendo algum conflito de informação.

Darth Gordon: There is no conflict.

Menina da Fnac: Senhor, os filmes serão lançados somente em 30 de setembro. É o que diz aqui, no meu sistema.

Darth Gordon: Don't be too proud of this technological terror you've constructed.

Menina da Fnac: Senhor, eu posso chamar o meu gerente, para ver se ele pode ajudá-lo.

Darth Gordon: He is as clumsy as he is stupid.

Menina da Fnac: Bem, vou chamá-lo. Ele ajudará o senhor.

Darth Gordon: If he could be turned, he would be a powerful ally.

Menina da Fnac: Chega. Edivaldo! Você pode atender este senhor?

Darth Gordon: There will be a substantial reward for the one who finds the Blu-ray pack. You are free to use any methods necessary, but I want it in one piece. No disintegrations.

Gerente da Fnac: Boa tarde. Em que posso ajudá-lo?

Darth Gordon: I do not want the Emperor's prize damaged.

Gerente da Fnac: O senhor veio atrás do pack de Star Wars em Blu-ray novamente? Vir aqui todos os dias não irá mudar a data de lançamento.

Darth Gordon: You underestimate the power of the Dark Side.

Gerente da Fnac: Senhor, eu não posso ajudá-lo. E gostaria que o senhor parasse de vir até aqui todos os dias, com esta capa e este penico preto na cabeça.

Darth Gordon: Impressive. Most impressive. Obi-Wan has taught you well. You have controlled your fear. Now, release your anger. Only your hatred can destroy me.

Gerente da Fnac: Não, eu não vou brigar com o senhor. Eu estou trabalhando.

Darth Gordon: If you will not fight, then you will meet your destiny.

Gerente da Fnac: Senhor, os filmes serão lançados somente em 30 de setembro. Eu não vou brigar com o senhor. Mas gostaria que o senhor se retirasse da loja.

Darth Gordon: The Force is strong on this one.

Gerente da Fnac: Mesmo porque a pré-venda dos filmes... O que o senhor está fazendo com este sabre de luz?

Darth Gordon: I have you now!

Gerente da Fnac: Por favor, o senhor pode abaixar isso? Eu não vou lutar.

Darth Gordon: You are unwise to lower your defenses!

Gerente da Fnac: Ai! Meu braço! Esta merda é quente!

Darth Gordon: You are beaten. It is useless to resist. Don't let yourself be destroyed as Obi-Wan did.

Gerente da Fnac: Chega! Chega! Vamos fazer o seguinte. Quem determina a data de lançamento é a distribuidora. Eu posso ligar para eles.

Darth Gordon: Move the ship out of the asteroid field so that we can send a clear transmission.

Gerente da Fnac: Oi?

Darth Gordon: Alert all commands. Calculate every possible destination along their last known trajectory. We'll have to destroy them ship to ship.

Gerente da Fnac: Senhor, isso aqui não é uma nave. É uma loja. Como eu disse, eu posso ligar para eles e checar a data...

Darth Gordon: No. Leave them to me. I will deal with them myself.

Gerente da Fnac: Graças a Deus. Quer dizer... Como o senhor preferir.

Darth Gordon: Bring my shuttle.


Notas:
1. Eu tentei fazer as citações em português. Mas como eu escrevia relendo os trechos com a voz do Vader (sim, eu faço terapia, caso você não saiba), me recusei a “dublar”. Seria um sacrilégio.
2. 99% das citações são absolutamente fiéis aos filmes. Mexi apenas quando era inevitável, para inserir o Blu-ray no texto.
3. Nenhuma das citações pertence aos episódios I, II e III. E se você sentiu falta disso, desculpe, mas os últimos três episódios são apenas filmes (apesar de eu gostar muito do III), enquanto os três primeiros são Mitologia.




19 de agosto de 2011

Muito Prazer, Rob Gordon

Não há muito o que falar, acho. Creio que um dia isso iria acontecer de qualquer forma, e meu rosto apareceria por aí. Alguns leitores já haviam me caçado pela internet e me localizado, mas agora, creio, é oficial. Afinal, tanta coisa mudou, por que não mudar isso também?

Fico apenas feliz por ter aparecido justamente em algo relacionado a um dos meus livros.

Como eu disse no Twitter, caso algum leitor ainda alimentasse as esperanças de que tudo era mentira, e eu era, na verdade, uma loira peituda assinando os textos com o nome Rob Gordon, sinto decepcioná-lo. Pensando aqui agora, eu poderia iniciar um trabalho tentando provar que este sujeito é um ator contratado, e que, na verdade, o Rob Gordon nunca existiu, ele é apenas um personagem fictício criado pelo Besta-Fera. Mas, convenhamos, isso daria um trabalho enorme.

Mas, enfim, a entrevista está aí abaixo. E, falando sério, gostaria de agradecer ao pessoal do Clube dos Autores pelo convite e, falando mais sério ainda, quero agradecer a todos os leitores.

Deixo um agradecimento especial a quem assistiu a entrevista e mandou as perguntas e comentários, mas também um agradecimento geral a todos os leitores que não estavam "lá" comigo, já passaram neste blog mesmo que somente uma vez, e riram ou choraram com algo escrito aqui.

Nada disso (seja esta entrevista, livro, Terapia, Malvadezas - alias, tem texto novo lá hoje) teria acontecido se não fosse por vocês.

Watch live streaming video from clubedeautores at livestream.com


Sei que o som não está 100% em alguns momentos, mas prometo ficar mais distante do microfone na próxima vez. E peço que não abordem os temas "Deus, como ele é feio", "ele é careca mesmo!" e "será que ele é deste planeta?" nos comentários, já que este blog sempre fugiu das obviedades.

Antes de encerrar, um pouco de merchan, aproveitando que é a primeira vez que mostro o rosto aqui. Aqui você compra 24 Horas, 48 Crônicas e aqui você compra Anônimos e Urbanos.

E, agora, para marcar de vez esta ocasião, vamos ao concurso cultural do dia. Como de costume, eu cometi uma gafe na entrevista ao comentar um assunto - eu tenho certeza que "Rob Gordon" significa "gafe" em algum idioma antigo.

A primeira pessoa que identificar corretamente qual foi a gafe que cometi na entrevista ganha uma cópia autografada de 24 Horas, 48 Crônicas.*

Divirtam-se!



*@rmschmitd e @anasavini estão proibidas de concorrer pois já sabem a resposta. Será considerado vencedor o primeiro comentário correto que aparecer aqui.

15 de agosto de 2011

Diga-me o que Procuras... E Eu Te Direi Quem És - Parte X

Fazia tempo, hein?

Se você é novo neste blog, uma das séries mais famosas é esta, na qual eu pesco as buscas mais bizarras que as pessoas fizeram no Google e – sabe-se lá o porquê – vieram parar aqui, comentando as selecionadas. Como perguntaram no Twitter, ainda procuram por fotos do Kléber Bambam pelado, algo que já me conformei que nunca vai deixar de acontecer.

Caso você nunca tenha lido um post desses, não estranhe os erros de digitação, ortografia e, principalmente, de raciocínio lógico. Eu apenas copio a busca e colo aqui, antes de comentá-la, sem me importar se a pessoa é daquelas que conversa com o Google ou se busca algo inexistente no universo.

Mas, sem mais delongas, deixo vocês com algumas das pérolas mais recentes (ah, sim: o post mais recente desta série está aqui).

que nomes receberiam as organelas presentes nos departamentos
Vou tentar te ajudar, apesar de ter bastante dificuldade em dar nome aos personagens. Vamos, então, imaginar a célula como uma empresa. Na gerência temos o ribossomo Paulo e o lisossomo Roberto. A secretária executiva é uma mitocôndria chamada Maria de Lurdes. Os chefes de departamento são um retículo endoplasmático liso conhecido como Guilherme Retículo e o cloroplasto Da Silva. Os vendedores externos são três vacúolos, de nomes Cícero, Lauro e Alencar. Pronto?

Faça uma relacao entre o complexo de golgi e os contorcionistas de circo
Não, chega. Se eu responder esse, é capaz de você pedir para eu escalar um time com organelas. Chega.

quantas curvaturas tem o cinto de jim Morrison
Esse é o problema do Google. Ele não entende as perguntas das pessoas e resmunga um “joga lá pro blog do carequinha, ele que se vire com isso”.

qual e o menor osso do corpo onde ele fica bocalizado
Partindo do princípio que o “b” e o “l” não estão exatamente próximos no teclado, creio que não foi um erro de digitação. Aliás, foi, mas o que está faltando aí é a cedilha. Então, sua pergunta, presumo, é: “qual é o menor osso do corpo e onde ele fica boçalizado”. É uma pegadinha. Afinal, a única parte boçalizada do seu corpo parece ser o cérebro, que, infelizmente, não é um osso.

professora e presa por trafico de rapadura
É. A cocaína é doce, mas não é mole não.

pq quando ligo para um celular nunca chama e uma voz diz para eu deixar um recado?
Eu já li sobre isso uma vez. Isto é um fenômeno que acontece em alguns aparelhos de celular, que aprisionam pessoas dentro deles. Algum amigo seu se distraiu quando estava perto do seu aparelho e foi engolido por ele. Agora, ele está preso naquele mundo escuro e úmido, e somente você pode ajudá-lo. Não acredita? Tente discar mais uma vez e preste atenção na mensagem que você ouve. Por trás daquela voz demoníaca que insiste na ideia de gravar um recado, você poderá ouvir a voz do seu amigo clamando por socorro. É bastante difícil de ouvir, então disque repetidamente e preste atenção até conseguir ouvir. Aí, tudo o que você precisa fazer é desmontar o celular e salvar seu amigo. Mas faça isso no meio da rua, sob a luz do Sol, e fique gritando com seu amigo para ele não entrar em pânico e seguir a luz até a saída (isso irá orientá-lo, já que é muito escuro lá dentro). E se as pessoas na rua rirem de você, ignore: elas não sabem o que é perder um amigo.

numa carta o remetente sou que estou mandando
Sim. A não ser, claro, que você esteja mandando uma carta para uma pessoa chamada Remetente. Aí, você coloca o Remetente no campo do Destinatário. Se você chamar Destinário, então, a coisa vai ficar melhor ainda. Você consegue me enviar uma foto do funcionário dos correios no momento em que ele ler o envelope?

nome do espantalho do fandangos da elma chips
Eu já disse isso antes no blog: Marília Gabriela.

eu quero ser um gorgonboi
Estou aqui pensando em diversas respostas, e todas elas envolvem você, completamente nu, esfregando gorgonzola no seu corpo. Eu não tenho mais idade para brincar disso, então vou direto para a próxima resposta.

crônicas 24 horas rob gordon
Viraram livro. Ele está á venda aqui (aceita cartão e pode ser parcelado), tem uma resenha aqui e uma entrevista aqui!

como e o siquini ficado hino eta namia casa
Se você digitasse sua busca em Wing Dings, ela faria mais sentido.

bruxa domar
É uma velha feiosa que trabalha no circo, cuidando dos animais. “Mande a bruxa domar os leões”. Trocadalho do carilho, entendeu?

artistasqueusamformasgeometricas
Temváriosespecialmentenaescolacubista. Masmesmoelestambémusavamespaçosnostextosqueescreviam. Osquadrosdelespodiamnãofazermuitosentidomasescreversemespaçojáéabusodasuaparte.

como ser um filho do demonio
Você foi a algum dos shows do AC/DC no Brasil? Caso tenha ido, você deverá se lembrar daquelas tiaras com chifrinhos que eram vendidas ali. Espere sua mãe dormir e entre no quarto dela escondido. Coloque a tiara na cabeça dela, com cuidado para não acordá-la (a transformação de uma pessoa em demônio é sempre dolorida, por isso ela acontece sempre que as pessoas estão dormindo). Após a aplicação da tiara, pinte o rosto dela de vermelho e pronto. Agora você é um filho do demônio. Se, ao acordar, sua mãe-demônio ficar brava e ameaçar deixar você de castigo, grite que “The power of Christ compels you” e ameace chamar um padre se ela não se comportar. Vai funcionar.

eu calço numero 37 e tenis tem que ser a mesma numeracao
Olhe, normalmente, é o mais indicado, caso você seja uma pessoa normal – o que, diga-se de passagem, me parece ser improvável. Claro que se você for um palhaço, o ideal seria usar um tênis tamanho 50. Ajudaria na construção do personagem. Mas, caso você seja uma pessoa normal o recomendado é sempre usar o tênis do mesmo número do pé. Agora, caso você seja supersticioso, você pode usar um tênis do seu número de sorte. Por exemplo, se seu número de sorte for “7” você pode usar um daqueles tênis-chaveiro tranquilamente, já que nada de errado irá acontecer com você. Esse negócio de numerologia funciona mesmo.

quanto e um equis boquis
Não faço ideia, mas é muito mais caro que um dicionário Inglês – Português. Pense nisso.

pequenos dialogos sobre gostar de animais
- Eu gosto de animais. E você?
- Eu gosto também.

pequeno dialogo no passado
- Eu gostava de animais. E você?
- Eu gostava também.

pequeno dialogo em trio
- Eu gosto de animais. E você?
- Eu gosto também. E ele?
- Ele gosta também.

pequeno dialogo com 10 linha
- Eu gosto de animais. E você?
- Eu gosto também.
- Qual seu animal preferido?
- Cachorro. E o seu?
- Gato.
- E agora?
- Não sei. Ainda estamos na sétima linha.
- O diálogo tem que ter dez linhas, né?
- Isso. Quem será que procurou isso no Google?
- Algum animal, provavelmente.

"salame tem leite?"
Você é o gorgonboy, né? Cara, neste ritmo, em 15 minutos você terá se transformado numa tábua de frios.

eu quero concorrer ao dvd dos roristone
É fácil. Basta apenas assinalar abaixo nos comentários qual das músicas a seguir não é dos Roristones:
( ) Satisfécxion
( ) Gimi Xélter
( ) Bróun Xugar
( ) Peint it Bléqui
( ) Máders Litou Rélper
( ) Sandra Rosa Madalena

churrascaria rebouças sp puteiro
Bom, faz sentido. Ao menos, para mim. Toda vez que vou no Bovinu’s, passo duas horas lá dentro, tenho um orgasmo atrás do outro (especialmente quando consigo cupim) e gasto os tubos antes de ir embora. Boa analogia, essa sua.

eu falar vc sua
Ah, concordância verbal, essa incompreendida.

desculpe por eu não ser o melhor pra vc blog
Tudo bem. Tenho certeza de que você tentou o melhor que pode. Próximo?

blog do ricardo rigotti
Olhe, esse cara é um jornalista que eu citei uma vez aqui porque ele havia plagiado uma frase minha sobre cinema, e eu ameacei processá-lo. Não sei se ele possui um blog, e não me interessa (caso você esteja realmente interessado, já ouvi falar na internet que parece que ele é bicha, então, esteja avisado).

excelente texto!! lavou a cara de muito babaca, aqui
É? Juro que nem achei tão bom assim, mas... Bom, obrigado.

porque prutão sumio do univeso
Então, não sei ao certo. Mas, depois de ler isso, eu apostaria minhas fichas em “vergonha”.

vou fazer uma lasanha para 140 pessoas quanto me custaria?
Olhe, eu acho que a questão mais importante aqui não é o preço. Mesmo porque isso é difícil de calcular, você teria que saber quanto cada pessoa come, pensar no tamanho da lasanha, nos ingredientes etc. Por exemplo: se as 140 pessoas forem modelos, uma lasanha de 600g da Sadia resolve. Se sofrerem de obesidade mórbida, certamente seria preciso uma lasanha do tamanho da Índia. Sabe, acho que você deveria desistir desta lasanha e mudar suas prioridades. Por exemplo, que tal perguntar no Google algo como “pensei, um dia, em fazer uma lasanha para 140 pessoas. Sou estranho?”

Eu tenho 16 anos. Sou fã de black sabbath desde os 14. Conheci as músicas do ozzy um pouco antes do black sabbath. Um dia resolvi pesquisar e descobri que o ozzy era, antes de mais nada, vocalista do bs. Resolvi escutar o album master of reality todo.
Então, você é totalmente sem amigos, ou a sua história tem uma moral que eu não captei?

O dia em que ele me fez dormir na casinha do cachorro amarrada numa colaira
Olhe, se você tiver fotos disso, eu compro. Estou falando sério, eu pago. Caso tenha interesse, favor avisar nos comentários.

tenho 20 anos e meu pe é tamanho 32
Partindo do princípio que existe uma lenda que reza que o tamanho do pé é diretamente proporcional ao tamanho do órgão sexual, presumo que você não seja uma das pessoas mais populares em sua escola. Ou vai me dizer que seu pé é tamanho 32 apenas porque você está com frio?

significado velhinha com sacola atravessa entrevista de emprego
Olhe, sinceramente? Eu acho que você está preso dentro de um sketch do Monty Pyhton.

meu presente pra voce sou eu
Obrigado. Espero somente que você tenha um selo de troca.

vida e morte sao 2 abstraçoes nao quantificáveis
Olhe, eu não sei se são abstrações ou não. Mas elas são quantificáveis, sim. Todo mundo tem apenas uma vida e uma morte. Daí a expressão “só se vive uma vez”. E caso você argumente comigo que “não, eu sou um gato”, elas ainda são quantificáveis, porque gatos têm sete vidas.

quanto e pleitreis
O dicionário, cara, o dicionário. Lembra?

sinfonias de beethoven tata dadam
Tata Dadam é a Quinta Sinfonia. Mas ela é mais forte, tipo um trovão. Tente usar caixa alta e escrever tudo com “t”. Assim: TATA TATAM! Viu? Depois que você aprender, tem outra bem famosa que é a Nona Sinfonia. Essa é bem mais complicada, olha: TÁTÁTÁTÁTÁTÁTÁTÁTÁTÁTÁTÁ TÁTÁÁÁÁ TÁTÁ! Vai treinando aí. No próximo post desta série, vamos falar de Chopin.

onde eu assisto a final da copa de 2002
Você tem diversas opções. Na televisão, mas dificilmente ela será reprisada. Em DVD, mas ela nunca foi lançada na íntegra. No estádio, mas aí você precisaria de um ingresso e uma máquina do tempo. E, claro, você pode procurar na internet de forma mais eficiente, sem fazer perguntas ao Google. Não sei se você sabe, o Google é um site e não um oráculo. Tente assim: “Final Copa 2002 Íntegra”. Spoiler – não leia a partir daqui se você não quer estragar a surpresa. Foi Brasil 2 x 0 Alemanha.

queria transformar duas camas de solteiro em sof[a queria algumas dicas
Nada é mais fácil que isso. Geometria pura. Arraste uma das camas para perto da parede. Esta será o assento. Pegue a outra cama e a coloque de pé, entre a primeira cama e a parede, no papel de encosto. Voila! Um sofá novinho para você. Mas, por que parar agora? Que tal colocar os travesseiros nas laterais, como braços do sofá? Ou, melhor ainda: pegue o microondas, enfie qualquer coisa lá dentro e finja que ele é uma televisão. Pronto! Sua sala de visitas está pronta! No próximo capítulo, vou ensinar você a transformar seu cesto de roupa suja em uma cama de casal.

o macumbeiro usa alpiste para fazer macumba?
Olhe, eu acho que você confundiu as coisas. O macumbeiro usa velas, galinhas pretas e coisas assim. Alpiste é outra coisa. Primeiro, eu sei que a pomba-gira tem “pomba” no nome, mas ela não é um pássaro. Segundo, lembra-se daquele cara que você viu, na televisão, colocando alpiste num cruzamento de uma estrada? Aquilo é um desenho animado, e o nome do sujeito é Coiote. E aquilo não chama “macumba” (sim, eu sei que está num cruzamento, mas deixe isso de lado), e sim “armadilha”. Tudo o que ele quer é pegar o Papa Léguas, e não fazer um despacho. Confie em mim: sem alpiste.

vc vai me procurar e eu te direi sim
Ok. Estou terminando o post então, e saindo de casa para te procurar. Não se esqueça de dizer “sim” quando eu aparecer, ok?

13 de agosto de 2011

Apenas um Texto de Sábado

Exatamente de onde estou sentado com o notebook no meu colo, posso ver o velhinho que mora do outro lado da rua. Na verdade, agora não posso vê-lo mais, pois me afundei em um sofá. Mas, se eu levantar e olhar para a esquerda, ele estará lá.

Ele mora em um sobrado com portões altos e um pequeno jardim na frente. Mas não estou prestando atenção na parte térrea da casa. Toda vez que olho, eu consigo apenas me concentrar nele, sentado ao lado da janela do segundo andar.

A cena é curiosa. Ele está sentado ali – posso vê-lo apenas do peito para cima – apenas observando o mundo pela janela.

Hoje é sábado, o dia está lindo (é o que eu chamo de sábados-laranja porque, quando eu era criança, esta era “a cor” do sábado para mim) e o mundo parece ter outra velocidade. As pessoas e até mesmo os carros parecem mais vagarosos, como se andassem de forma preguiçosa pelas ruas.

Já passa do meio dia, então imagino que a maior parte das pessoas na rua resolveu aproveitar o dia bonito para almoçar fora, ou buscar comida em algum lugar. Depois, uma volta de mãos dadas ou passar se esticar no sofá com um livro, um filme, um jogo de futebol na televisão.

Mas o velhinho continua lá, na janela, do outro lado da rua. Eu poderia gastar parágrafos e mais parágrafos descrevendo a cena. Sua camisa branca desabotoada, mesma cor dos seus cabelos ralos. O aparelho de ginástica esquecido atrás dele.

Poderia até mesmo descrever sua casa nos mínimos detalhes, escrevendo sobre a parede de pedras e as enormes janelas que parecem vitrines.

Mas não iria funcionar. Algo estaria faltando.

Uma fotografia também não resolveria. Que me desculpem Daguerre, Niépce e todos os outros pais da fotografia, mas um retrato aqui não faria justiça à cena. Nada me impede de simplesmente tirar uma foto e postá-la aqui abaixo. Aliás, isso me pouparia o trabalho de descrever o Velhinho – e estou colocando em maiúscula porque acabei de elegê-lo como personagem mesmo - ou sua casa. Uma imagem vale mais que mil palavras? Talvez.

Mas nem mesmo uma imagem, por mais bela que ela fosse, conseguiria mostrar a cena com meus olhos. Pois o Velhinho não está apenas ali, na janela, observando o mundo. Na verdade, o mundo é quase um detalhe.

Porque ele está sentado ao lado da janela ouvindo música.

Posso ouvir daqui. O volume é alto. Todas as músicas são românticas. Já passamos por Vinícius de Moraes reclamando “a eterna desventura de viver” e agora temos um homem com voz grossa, semelhante a um tenor, lamentando um amor antigo e provavelmente desaparecido. Esta música eu não conheço, mas achei bonita. E ela parece fazer bem ao Velhinho.

Estou com vontade de fumar, então é provável que eu me levante e observe o Velhinho mais um pouco. E claro que talvez vocês nem fiquem sabendo disso, basta apenas eu apagar este parágrafo depois que me sentar aqui novamente. O homem com voz de tenor continua lamentando o amor perdido, junto com o Velhinho que continua lhe fazendo companhia.

Mas eu não vou mentir para vocês, também porque este é um daqueles textos que me proponho a escrever sem apagar nada do que digitei. Gosto de fazer isso às vezes: sentar e apenas escrever, sem me preocupar com o texto em si. Enfim, fumei um cigarro – entre o último parágrafo e esta frase, fiquei uns cinco minutos longe do PC e vocês nem perceberam – e olhei o Velhinho mais um pouco.

Ele não estava mais na janela ouvindo a música, mas não quero falar sobre isso agora, porque eu ainda estou “preso” a esta cena.

Então, vamos fazer de conta que ele continua ali. Não é uma mentira tão grande assim, ele estava do jeito que eu estou descrevendo minutos atrás.

Não consigo ver o mundo com os olhos dele, não consigo entender a música da forma que ele entende. Mas estou certo de que isso não faz diferença. E eu poderia gastar mais e mais parágrafos aqui, tentando adivinhar no que ele pensa.

Ou, melhor, eu poderia inventar. Inventar o seu próprio amor perdido, ou inventar que ele se apaixonou ontem à noite, ou qualquer outra coisa. Mas, de repente, não quero. De repente, não quero inventar nada, não quero transformá-lo mais em um personagem. Ele é perfeito ali, na janela e ouvindo música.

Vocês também não precisariam saber disso, mas depois que acabei o parágrafo acima, eu fiquei em silêncio por uns instantes, relendo trechos do texto e pensando no que escrever agora.

E a conclusão que cheguei é que ele não está ouvindo música e observando o mundo. Ali, no alto dos seus, não sei, setenta anos, próximo à janela e ouvindo música num sábado laranja e preguiçoso, eu percebi que o Velhinho não está olhando o mundo. E é bem provável que o mundo também não esteja olhando o Velhinho.

Acabei de perceber que ele está ali observando a si mesmo.

E totalmente em paz.

E isso, neste momento, o torna um personagem tão perfeito que vou até mesmo abrir mão da letra maiúscula. Ele não é mais o Velhinho, ele voltou a ser apenas o velhinho. O velhinho do outro lado da rua. O velhinho que ouve música no sábado de manhã.

O velhinho que olha para si próprio.

Algumas pessoas dizem que eu escrevo bem. Obrigado. Mas eu não sei se teria conseguido criar sozinho um personagem tão bom assim, escrevendo despretensiosamente num sábado de manhã. O mínimo que eu poderia fazer é deixar de lado o nome “Velhinho” e dar-lhe um nome digno. Mas, de repente, isso não parece ser necessário.

Pois, sentado ali na janela e olhando para si mesmo, ele parece tão perfeito e completo que nem precisa mais de um nome. Nem de nome, nem de nada. Ele pode ter muitas coisas e querer outras tantas.

Mas tudo o que ele precisa de verdade é olhar para si mesmo ouvindo música num sábado de manhã.

Isso basta.


Em tempo: conforme eu disse, o velhinho não estava mais sentado ao lado da janela quando fui fumar. A música continuava tocando, mas ele estava usando o aparelho de ginástica – uma bicicleta ergométrica – fazendo exercícios. Vocês nem precisavam ter ficado sabendo disso também. Mas, cá entre nós, eu não disse que a música fazia bem a ele?


(Este texto não será revisado, pois não quero correr o risco de mudar uma vírgula do que foi escrito. Algo me diz que quebraria a magia.)

12 de agosto de 2011

Era uma Vez na China (in Box)

Às vezes eu reclamo das ligações de telemarketing que recebo aqui em casa. Muitas delas já viraram posts no blog – se você é leitor novo, dê uma olhada na tag Telemarketing para ter uma ideia.

Mas gostaria de assumir publicamente aqui que a culpa por algumas das ligações mais estranhas da minha vida é totalmente minha. Afinal, algumas das conversas telefônicas mais estranhas da minha vida poderiam ter sido evitadas se eu não tivesse pegado o telefone e discado por conta própria.

O problema é que normalmente eu não consigo escapar delas, porque, em algumas ocasiões eu tenho um problema que não consigo evitar: fome. E, como todo homem solteiro, eu não tenho livros de receitas, eu tenho livros e mais livros com telefones e cardápios de delivery.

Dia desses, por exemplo, decidi ligar para um restaurante de comida chinesa. Fui atendido por uma mulher que, após trocar três palavras comigo, pediu que eu voltasse a ligar em cinco minutos, pois o sistema havia caído. Obedeci. Cinco minutos depois, liguei. Ninguém atendeu. Aguardei mais alguns instantes e liguei. Ninguém atendeu.


Um lado do meu cérebro começou a decidir o sabor da pizza que eu iria pedir, mas resolvi dar uma última chance e liguei.

Atenderam. Mas não era a mulher. Agora era uma voz de homem.

- Restaurante que Vende Comida Chinesa Dentro de Caixinhas, boa noite.

- Oi. Eu queria fazer um ped...

- O seu telefone, por acaso, é 1234...?

E ficou em silêncio, esperando. E nada do resto do telefone. Tive certeza de que era minha vez de mexer as peças.

- Isso. Mas falta uma parte do número.

- Só um minuto. 1234... 1234... 1234-5678?

- Isso.

- O senhor não tem cadastro conosco?

- Tenho.

- Mas este telefone não está cadastrado.

- Eu estou ligando do celular e o cadastrado é o fixo. Eu não sabia que precisava ligar do fixo.

- O senhor pode me passar o número? Assim eu localizo seu cadastro e acesso seu endereço.

- Não seria mais fácil eu apenas falar o endereço?

- É que desta forma eu consigo acessar o cadastro, senhor.

Engraçado isso. Eu preciso esperar ele acessar o meu cadastro para conseguir o meu endereço. O tempo de espera para isso é de quase três minutos. Partindo do princípio que eu sei meu endereço de cor, eu demoraria menos de dez segundos para falar meu endereço. Pensei em sugerir isso novamente, mas o tom da última frase deixou claro que, para ele, acessar o cadastro era algo pessoal. Quase uma cruzada. Achei melhor passar o número do fixo.

- Ok. O número é 8765-4321.

- 8765?

- Isso. 8765-4321. Conseguiu?

- 7... 6...

Meu Deus.

- 5... 4...

321! 321!

- 3... 2...

A próxima vez, eu vou sugerir que eles entreguem minha comida antes de acessar meu cadastro. Assim, eu posso jantar enquanto ele digita meu telefone. Talvez dê para assistir a um filme também. Algo pequeno, tipo Ben-Hur.

- 1.

- Amém.

- Estou com seu cadastro aqui!

Eu quase pude ver ele se virar para os outros funcionários, sussurrando empolgado que “eu disse que ia funcionar! Eu disse que não estávamos jogando dinheiro fora! Agora nós já sabemos onde ele mora! Aposto que ele está super satisfeito com isso!”

- O endereço do senhor é Rua Tal, Número X?

- Isso. Apartamento Y.

- É... Apartamento?

Pelo tom de voz, a dúvida dele não era a respeito de eu morar em um apartamento ou não. Parecia ser algo mais amplo, envolvendo todo o conceito de apartamento.

- Isso. Sabe quando tem uma casinha em cima da outra? Aqui é assim. A minha casa fica em cima de outras, e têm outras acima da minha. Pode parecer difícil de imaginar, sem fotos, mas funciona, confie em mim. E o número da casinha é Y.

- Aqui não diz nada sobre apartamentos.

Será que eu vou ter que ligar para outra unidade que atenda apartamentos? Ou conseguir uma autorização especial para que eles me atendam?

- Confie em mim. É apartamento Y.

- Ok.

- Posso fazer meu pedido?

- ...tamento.... É? Y?

Qual o problema com o teclado dele?

- Isso. Y.

- Então o endereço do senhor é Rua Tal, Número Tal, Apartamento Y?

- Sim.

- Qual seu pedido?

- Uma porção de rolinho primavera. Um yakisoba júnior e uma carne com batata imperial júnior executivo.

Um pequeno adendo: A carne com batata imperial não é meu prato preferido. Mas eu peço sempre por causa do nome. Imperial. Eu me sinto muito importante toda vez que como batatas imperiais. Mas foi só um desabafo. Vamos de volta à conversa, já que o atendente estava repetindo meu pedido.

- Um yakisoba júnior e uma carne com batata imperial júnior executivo.

- Isso.

- O executivo é o que vai arroz, certo?

Gozado. Nas duas ou três primeiras vezes que liguei para o restaurante, eu que perguntei isso. Engraçado como os papéis se inverteram. Será que eu estava dentro de um episódio de Além da Imaginação e havia trocado de corpos com o atendente? Olhei ao redor e aparentemente eu estava em casa. E aparentemente eu ainda era eu mesmo. Com fome, e pensando em pedir uma pizza, mas eu mesmo. Decidi jogar limpo com o sujeito.

- Então, eu não trabalho aí. Teoricamente, eu quem deveria perguntar isso para você, e não o contrário.

- Sim, senhor.

- Mas sim, é o que tem arroz.

- Sim, senhor. E para beber?

Juro que se ele tivesse perguntado “e para tomar?” eu teria respondido que “nada, obrigado, já estou tomando no cu desde a hora que você atendeu o telefone”. A piada era boa demais para ser perdida assim, e eu poderia manipular a conversa até ele ser obrigado a perguntar o “e para tomar?”. Mas mudei de ideia, quando o verso “e a saudade começou a apertar”, da música Faroeste Caboclo, começou a tocar repetidamente no meu cérebro, apenas trocando a a palavra “saudade” por “fome”.

- Uma Coca Zero.

- Sobremesa?

- Quantas bananas têm na porção de banana caramelada?

- Quatro.

- Vocês tem meia porção?

- Temos a porção inteira, a meia porção e por unidade.

- Ok. Eu quero meia porção.

- Meia porção com duas bananas?

Na mesma hora, me lembrei dos macacos do 2001 – Uma Odisséia no Espaço. Todos eles estavam ao redor do monolito (sim, eu sei que o certo é monólito, mas não consigo usar este acento) caminhando em direção à evolução. Menos um deles, que estava segurando um telefone e olhando para quatro bananas carameladas, tentando dividir a porção em duas partes iguais. Resolvi ajudá-lo mais uma vez.

- A porção inteira tem quatro, certo? Olhe, eu não quero interferir com a rotina de vocês, mas acredito que sim, a meia porção teria duas bananas. Quer dizer, eu não sei a política de vocês sobre aritmética, mas presumo que o correto seria ter duas bananas. Porção inteira, quatro. Meia porção, duas. Pegou?

- Sim, senhor. Meia porção com duas bananas carameladas. E meia porção com dois abacaxis caramelados?

Não é possível. Eu devo ter ligado por engano para alguma rádio, e eu estou ao vivo participando de uma pegadinha.

- Oi?

- Meia porção com duas bananas carameladas. E meia porção com dois abacaxis caramelados.

Tentei repassar a conversa inteira na minha mente em busca de algum sinal de abacaxis. Mas mudei de ideia quando, na minha imaginação, o atendente ficou dois minutos digitando meu telefone em busca do meu cadastro. Não tive saco de passar por aquilo de novo. Decidi tentar resolver o problema com ela e fiz a pergunta da forma mais honesta que consegui.

- De onde você tirou esses abacaxis?

- Nós temos aqui de sobremesa.

- Tudo bem, mas eu e você estamos conversando há quase cinco minutos e em momento algum discutimos abacaxi. A nossa conversa foi totalmente abacaxi-free.

Na verdade, não foi. Porque a conversa inteira já havia se transformado no maior abacaxi do meu dia. Mas eu não ia entrar neste assunto com ele. Ele já havia tido problemas em dividir quatro por dois, acho que era muito cedo para falar sobre metáforas.

- Sim, senhor.

- Então os abacaxis foram algum pop-up que abriu aí.

- Sim, senhor.

- A gente estava quase terminando, podemos manter o foco na banana? Eu juro que assim que a gente resolver isso, eu desapareço e deixo você em paz.

E eu fui sincero quanto a isso.

- Sim, senhor.

- Obrigado.

- Sem abacaxis, então?

Não respondi. Tudo o que consegui fazer foi me sentar na cadeira mais próxima e começar a chorar baixinho.

- Senhor?

- Sem abacaxis, então.

- Vamos repassar o pedido, então?

- É... Acho que é melhor.

Mas, ao menor sinal da palavra abacaxis, eu vou desligar na sua cara. E, um sujeito com a descrição parecida comigo aparecerá nas manchetes amanhã, após ter entrado num restaurante chinês em Pinheiros armado e promovido uma chacina lá dentro. Mas claro que isso seria coincidência, não seria eu. Juro. De verdade.

- Porção de rolinhos primavera. Yakisoba júnior. Carne com batata imperial júnior executivo.

Não pergunte se esse tem arroz, por favor. Não pergunte se esse tem arroz, por favor.

- Uma Coca Zero. Meia porção de bananas carameladas. Confere?

- Sem abacaxis, certo?

Silêncio. O tempo congelou. Ele sabia que qualquer movimento brusco, neste momento, poderia causar uma tragédia. Do outro lado, ele respirava com cuidado, tentando manter a calma. Se eu fosse rico, apostaria minha fortuna que os neurônios dele estavam relendo toda a conversa, nervosos e suados, e pensando se cortavam o fio azul ou o vermelho.

- Sem abacaxis.

Cortaram o fio certo. Respirei aliviado.

- Confere.

- O valor é Tantos Reais. O prazo de entrega é 30 minutos.

Para minha surpresa, chegou tudo certo - eu desliguei o telefone certo de que receberia um saco de cimento em casa. A culpa deve ter sido minha. Tenho certeza de que fiz algo errado, para ter chegado tudo certo.

Agora, se vocês me dão licença, vou passar o resto do dia relendo este post e tentando descobrir em qual parte ele realmente entendeu onde eu morava e o que eu queria.

E com o cardápio de uma pizzaria à mão.

11 de agosto de 2011

Atropelamento e Fuga

Voltei.

E, sinceramente, adoraria explicar meu sumiço com algo retumbante como “fui atropelado”. Imagine? Eu, num hospital, entre e a vida e a morte. Marchas na Paulista querendo construir uma passarela com meu nome. As pessoas descobririam que sou escritor e meu livro começaria a vender horrores. Pessoas andariam pelas ruas comentando que “comprei o livro do carequinha atropelado e, olha, ele levava jeito para a coisa, viu?” (porque, como eu estaria lutando pela própria vida, os leitores enxergariam um talento absurdo que nem eu mesmo vejo nas minhas crônicas).

Mas, não. Na verdade eu sumi porque precisei resolver uma série de pendências, com o mundo e comigo mesmo. Resolvidas? Algumas sim, outras não. Na verdade, tudo o que eu quero dizer a respeito disso, no momento, são duas coisas. A primeira é para mim mesmo e deixarei aqui como um lembrete para mim: “Um dia de cada vez, Rob. Um dia de cada vez”.

A segunda coisa é agradecer o apoio de amigos que ficaram ao meu lado durante este tempo, e de leitores que, preocupados com meu sumiço, mandaram mensagens questionando se estava tudo bem comigo. Com o tempo, responderei individualmente cada um de vocês – e vocês sabem quem são –, mas, antes disso: muito obrigado. E que fique claro que quem está agradecendo não é o escritor, mas sim a pessoa (sim, eu sei que eu escritor e eu pessoa somos iguais, mas, desta vez, eu quis ressaltar isso).

Agora, hora de colocar o papo em dia. Meu livro novo vai bem, obrigado. Uma resenha que me deixou absurdamente orgulhoso do meu trabalho saiu no blog Lá no Cafofo – e logo teremos uma entrevista minha ali. Adoraria que vocês prestigiassem o texto, e, claro, que espalhassem entre os amigos.

Outra coisa: alguns leitores têm me procurado para saber como conseguir cópias autografadas do livro. Honestamente, um aviso a todos vocês: minha letra é feia que doi. Se, mesmo assim, você ainda quiser uma cópia dessas, basta comprar diretamente comigo. Entre em contato no champ.vinyl.blog@gmail.com e conversamos sobre isso.

Por fim, é quase certo de que eu darei uma entrevista sobre o livro ainda este mês. Em vídeo. E ao vivo. Ou seja, se você duvida de que eu realmente seja baixinho e careca, e que tudo isso não passa de um personagem criado para entretê-los, reze para que eu não encontre uma máscara legal até o dia da entrevista. Mas eu vou avisando vocês sobre isso.

Será que falta algo? Acho que não.

Ah, sim. Estava me esquecendo.

Fui atropelado.

Foi domingo à tarde, na Vila Madalena. Uma velha que aparenta ter tirado sua habilitação antes dos espanhóis colocarem os pés na América foi estacionar o carro e decidiu que minha coxa direita, aparentemente, era uma boa vaga. Resultado: estou com um roxo enorme na perna e passei dois dias mancando, com um andar que me transformou numa espécie de pequeno “ponto e vírgula” caminhando pelas ruas de Pinheiros.

Mas estou aqui, firme e forte. Parafraseando Jake La Motta (você já viu Touro Indomável, certo?), deixo aqui meu recado para a velhinha, proprietária do ÔFasemobile:

You didn’t get me down, Ray”.

E, mesmo se ela tivesse me derrubado, algo que aprendi – e continuo aprendendo a cada dia – é que você sempre pode se levantar. Sempre. Especialmente quando você tem a Mulher Mais Legal do Mundo (com maiúscula mesmo) esfregando pomada na sua perna. E quando você tem os Amigos Mais Legais do Mundo (com maiúscula mesmo) esfregando pomada na sua vida. Arde? Arde. Mas cura.

Isto posto, vamos em frente?

5 de agosto de 2011

Na Estante

Vamos falar rapidamente de livros?

Hoje, tem um texto inédito do 24 Horas, 48 Crônicas, publicado no Malvadezas: O Zelador do Edifício Escher. Adoraria que fossem lá conferir. E, claro, adoraria que de lá fossem direto ao Clube dos Autores comprar o livro.

Agora, vamos falar do Anônimos e Urbanos. Logo depois de lançar o livro, um leitor, Nelson, me mandou diversas revisões que faltavam no texto. Provavelmente, ainda escaparam outros erros, mas a ajuda do Nelson foi inestimável para aprimorar ainda mais o livro.

Assim, esperei um tempo passar antes de mexer no original, o que fiz agora. Acabei de lançar uma segunda edição do livro, com versão também em Ebook. Mas a capa teve que ser alterada, já que o Clube dos Autores não possui mais os direitos de uso da foto original. Assim, o livro continua disponível, mas somente com a capa nova.

Ou seja, se você possui a 1ª edição do livro, guarde-a com carinho para vendê-la daqui a uns 30 anos no E-Bay. Dá que vira item de colecionador?

Enfim, dois livros. Missão cumprida?

3 de agosto de 2011

DDD - Discagem Direta do Demente (do meu Porteiro)

Eu me lembro de quando ganhei meu primeiro celular. Foi na redação da primeira revista que eu trabalhei, e me deram para que eu pudesse ser encontrado quando estava na rua. Era um aparelho do tamanho de um tijolo baiano que, com a antena adequada, poderia certamente fazer ligações via satélite para qualquer lugar da galáxia.

Aliás, me lembro de ter questionado justamente o tamanho do telefone.

- Eu vou ter que carregar isso comigo?

- Sim. Assim nós podemos falar o dia inteiro com você.

- Mas eu vou ter que carregar isso sozinho?

- É evidente. É um telefone celular.

- Na verdade, ele parece ter mais de uma célula. Deve ter umas quatro, pelo tamanho. Eu não posso levar apenas uma delas?

- Não. Você vai levar isso com você.

- Nós não podemos contratar algum estagiário para levar o telefone para mim?

- Evidente que não!

- E um para atender? Porque, olha, vai ser difícil atender isso. Eu vou ter que carregar o telefone com as duas mãos... Onde atende? Neste botão aqui?

- Sim.

- Então, eu preciso das duas mãos para carregá-lo. Eu não tenho mão sobrando para atender. Logo, vocês vão ligar e eu não vou atender e vocês não vão conseguir falar comigo. Não vai mudar nada.

- Rob?

- Oi.

- Você vai levar o telefone.

- Mas precisa ser esse?

- Como assim?

- Aquele da minha mesa é menor que o celular. E se eu levar o da mesa e deixar o celular aqui.

Não colou. A partir daquele dia, eu tive que adaptar toda a minha organização de bolsos para conseguir andar com o celular. Mas o que sempre me lembro a respeito não era o tamanho, e sim o fato de ele ser pré-pago. E, como nunca tinha créditos, eu não podia ligar para a redação; somente a redação tinha esse poder. Era quase um matrimônio. Eu era o jornalista marido que precisava ficar à disposição da redação-esposa, mas não tinha voz ativa. O diálogo só acontecia quando a redação-esposa escolhia e era sempre a respeito dos assuntos que a redação-esposa queria conversar.

De lá para cá, todos os meus telefones celulares foram pós-pagos. E a maior parte das pessoas que eu conheço também usa pós-pago. Há um amigo meu, inclusive, que inventou uma terceira opção: ele tem um celular não-pago, que está desligado faz dois anos e já me acostumei a ligar somente no telefone fixo dele.

Mas eu sei que um celular pré-pago é algo bastante útil, especialmente por ter poucos gastos com ligações. Não sei se conseguiria – eu uso muito o celular – mas entendo quem tenha e acho que deve ser bastante eficaz para economia, no final do mês.

Entretanto, o que eu não entendo, realmente, é porque os porteiros aqui do meu prédio acham que o interfone é pré-pago.

Sim, sabe aquelas pessoas que ligam para você e desligam, esperando que você ligue de volta porque ela não tem créditos? Aqui é a mesma coisa, com a diferença de que se trata do interfone, e não de um aparelho celular.

Ou seja, eu peço pizza e, meia hora depois, o interfone toca.

Cabe aqui um interlúdio. Toda vez que meu interfone toca, Besta-Fera resolve justificar seu nome e tem uma síncope em casa.

Eu imagino que a associação que ele faça é que toda vez que aquele som ecoa em casa, a porta logo irá se abrir e algo (comida) ou alguém (brinquedo) irá entrar em minutos. Imediatamente, ele tem uma explosão de adrenalina e se transforma numa espécie de “Escolhido da Matrix”, começando a correr pelas paredes, a pular em câmera lenta e chutar meu queixo, além de derrubar o PlayStation, correr até a varanda e xingar as pessoas na rua, e arremessar facas na minha direção.

A última vez que isso aconteceu, ele praticamente arrancou meu olho com uma das patas. No dia seguinte, fui ao Pet Shop e parei na seção de roupinhas para cães, em busca de uma camisa-de-força. Como eles não tinham, fiquei duas semanas sem pedir comida, até meu olho melhorar.

Enfim, de volta à pizza. O interfone toca e o cachorro se torna uma espécie de cosplay da Linda Blair em O Exorcista. Senta no sofá, dá um giro de 360 graus com a cabeça e fica disparando jatos de vômito na minha direção. Eu pulo, me abaixo, desvio e chego ao interfone.

- Alô?

Sem resposta.

- Alô?

Sem resposta.

- Caralho! Alô?

Sem resposta.

- Alô?

Sem resposta.

Suspiro e desligo o interfone. Quando estou voltando para a sala, a merda do interfone toca.

Imediatamente, o cachorro pula de cima do armário com uma espada na minha direção, uivando xingamentos e maldições (a última vez foi algo parecido com “morra, porco estígio!!”) e mirando no meu ombro. Como já estou acostumado, consigo escapar do golpe desviando da espada e, aproveitando que ele vai direto ao chão, o imobilizo com o pé. A cena é assustadora: normalmente ele fica tentando me morder ou fazendo coisas obscenas com a língua e com os olhos injetados de sangue.

Eu espero ele se acalmar e atendo.

- Alô?

Sem resposta.

- Ô, puta que pariu, alô?

Sem resposta.

- Então, eu estou aqui!

Sem resposta.

- Merda! Merda de vida! Merda de prédio!

Sem resposta.

Desligo, conto até três e ligo. Aí atendem.

- Boa noite.

- Oi.

- Seu Róbi Górdon?

- Isso.

- Posso ajudar?

- Olha, não sei. Mas é provável.

- como assim?

- Meu interfone tocou duas vezes aqui. Eu atendo, e ninguém fala nada. Ou estão passando trote para mim, ou você quer falar comigo. Presumo que você queira falar comigo.

- Ah, sim.

- Diga.

- Sua pítissa chegou.

Sim, eles falam assim mesmo. Qualquer dia eu tento gravar. A única exceção é um dos porteiros que, por ser um pouco mais formal, se refere a tudo como “é entrega do restaurante X”. Ou seja, quando eu peço pizza, ele anuncia que “chegou a entrega do restaurante-pitissaria”.

- Ok. Estou descendo.

E toda vez é assim. Sempre que eles precisam falar comigo, eu sou obrigado a atender o interfone, falar sozinho durante vinte segundos e ligar de volta. Sempre. Toda vez que o interfone toca, eu consigo imaginar todos os porteiros ao lado do aparelho, ouvindo minha voz gritando um “alguém pode me responder, porra?” e segurando a gargalhada dentro da portaria.

Mas o pior foi dois dias atrás, quando pedi comida chinesa.

Foi exatamente igual. O interfone tocou e eu atendi. Não, minto. O interfone tocou, meu cachorro arrombou a porta do quarto e começou a pular sobre a cama, fazendo uma espécie de oração numa língua morta. Acho que era aramaico arcaico. Corri atrás dele e fechei a porta, deixando-o preso lá dentro e voltei para o interfone, que ainda tocava.

- Alô?

Sem resposta.

- Alô?

Sem resposta.

- Então, isso é bem engraçado, mas eu estou com fome. É a minha comida?

Sem resposta.

Desliguei e liguei de volta.

- Portaria, boa noite.

Aliás, qual o motivo dele falar “portaria, boa noite”? É evidente que ali é a portaria, já que o meu interfone só liga para a portaria.

- Você me ligou.

- Seu Róbi Górdon?

- Isso.

- E a entrega do restaurante-chaina-in-bóquis.

- Ok. Estou descendo.

Desci, peguei a comida e voltei para o apartamento. Entrei em casa, a porta do quarto continuava fechada e o silêncio imperava lá dentro. Estava quase soltando o animal quando o interfone tocou novamente, mas somente uma vez.

Aparentemente, este toque mais curto foi extremamente prejudicial à saúde mental do cachorro. Imediatamente, ouvi um estrondo vindo lá de dentro, como o guarda-roupa tivesse sido derrubado. Eu podia ouvir barulhos de motor vindo do quarto. Parecia um trator ou uma escavadeira.

Quando finalmente consegui falar com meu porteiro, ele explicou que “ah, desculpe, liguei errado”. Normalmente, eu teria mandado ele à merda, mas disse que tudo bem e fui comer. Faz dois dias que eu durmo na sala. Toda vez que passo perto da porta do quarto, ouço coisas estranhas lá dentro. A última vez que olhei pela fechadura, vi o Besta-Fera dançando freneticamente pelo quarto ao redor de uma cruz de madeira pegando fogo. E seus olhos estavam brancos, como se ele estivesse em transe.

Já chamei a veterinária para dar uma olhada nele, porque, aparentemente, a coisa agora é irreversível. Mas o meu medo é que quando ele chegar aqui, vai tocar o interfone. Aí eu quero ver.

E, para aqueles que estavam com saudades – sim, eu estava também – deixo vocês com o Top 5 Respostas que Eu Ainda Vou Dar Quando o Porteiro Atender com “Portaria, Boa Noite”:

1. “Oi, a Wanda está?” (esta é para os maiores de 30)
2. “Oi... Está me ouvindo bem? Lembra de mim? Sou eu. O Louco por Lee.” (esta também é para os maiores de 30).
3. “Você já dançou com o diabo sob a luz do luar?” (porque eu vi esta cena do primeiro Batman outro dia, fiquei com ela na cabeça).
4. “Por quem você está carregando estes tijolos? Deus? É isso? Deus? Bom, deixe-me dar algumas informações de bastidores sobre Deus!” (mas esta tem um truque: é preciso gritar tudo isso, e com a voz do Pacino).
5. “Oi, é da Portaria? Você é o Porteiro? Eu sou o Guardião!” (vocês assistiram Os Caça-Fantasmas, certo?)


2 de agosto de 2011

Inspirações




Atendendo ao pedido de diversos leitores, estou relacionando aqui os nomes das 48 crônicas publicadas no livro 24 Horas, 48 Crônicas com seus temas originais. A todos os leitores que sugeriram os temas – e cujas arrobas constam na seção de agradecimentos do livro – meus sinceros obrigados, mais uma vez, por me darem idéias tão geniais para escrever.

Vae lembrar que se você quiser manter a surpresa de cada crônica inédita, sem saber do que ela se trata, meu conselho é que investigue este post (ou a relação no final do livro) somente após ler cada texto.

Formatura – Amigos que se conhecem na faculdade e só no final do curso descobrem que se amam.

Postados – O que dois postes de luz conversariam na madrugada.

Subterrâneo – Aplausos no metrô.

A Lagosta e o Tamanduá – Na fila para reencarnar.

Banda de Garagem – E se os Beatles não deslanchassem?

O Mundo e o Amor – Cortinas fechadas.

Amor de Sábado – Torcedor do time de várzea.

Amores – Amor de Inverno x Amor de Verão.

Aposentadoria – Um super-herói que já passou por seus dias de glória e agora está decadente.

Era uma Vez – Era uma vez...

Faca ao Sol – Um personagem que se revolta contra a vontade do autor e quer outro final para si.

Lágrimas de Bailarina – Uma bailarina de caixa de bijuteria.

O Longo Adeus – O escritor que não sabia contar historias.

Amizade – O mendigo e seu cachorro.

Sol e Lua – Distância.

O Amor de Volta – Trago o amor em sete dias.

Luzes e Sombras – Primeira vez em um cinema.

Sem Som – Silêncio confortável.

Kelly loirinha mignon faz tudo – kelly loirinha mignon faz tudo.

Pet Wars – Filhotes na vitrine de um pet shop.

Anônimos Anônimos – Associações de anônimos.

Enquanto o Ônibus não Vem – Enquanto o ônibus não vem.

O Bom, o Mau e o Pênalti – O goleiro segundos antes de um pênalti decisivo.

The End – Um dia logo após o final do mundo.

Girafas no Canadá – Um minuto antes da criação do mundo.

Enxurrada – Tíquetes rasgados.

Helicóptero – O barulho do helicóptero enquanto...

Aquarela em Preto e Branco – Coração partido.

Eternidade – As horas que não passam.

Os Amores de Pattie – Homenagem a Pattie Boyd, a mulher que inspirou dois clássicos do rock: Something e Layla.

Azul e Vermelho – No meio da estrada, sem gasolina.

A Cantada – Você vem sempre aqui?

Conto Policial sem Acentuação – Diálogo do trema se despedindo da letra U.

Estando Sendo Entrevistado – Telemarketing.

O Quarto Branco – O homem no leito de morte que recebe a visita da mulher da sua vida.

O Zelador do Edifício Escher – Vizinhos problemáticos e carentes.

O Marketing e o Maestro – Beethoven nos dias atuais.

Paisagens Noturnas – Insônia.

O Sorriso no Espelho – O espelho que consola a moça triste.

Nove Romances e Duas Peças de Teatro – Uma criança que descobre a dor e a saudade.

Porta-Saudade – Os pensamentos de um porta-retratos quando mudam sua foto após anos.

Por Amor – Viagem no tempo.

Litigioso – O divórcio do Godzilla.

Ao Vivo – As emoções de um integrante de banda durante um show.

Nunca, Nunquinha – Casal de namorados que fala como criança.

Ar – Os últimos pensamentos de uma pessoa se afogando.

Oração ao Penúltimo Amor – Um penúltimo texto sobre o penúltimo amor.

Dedos de Escritor – Um bate-papo entre as partes do corpo extenuadas pela maratona de textos.

Além disso, o livro ainda conta com uma introdução belíssima, que ganhei de presente da Carolina Mendes, minha editora no Malvadezas.

Para comprar o livro, tanto na versão impressa como em ebook, clique aqui.