29 de agosto de 2011

Sinais

Dizem que a vida frequentemente manda sinais e respostas para nós, às vezes até mesmo para perguntas que nem sabemos direito quais são. Eu acredito nisso. E talvez acredite até mais do que deveria, mas já volto a falar disso.

A meu ver, isso independe de religião, fé, ou qualquer outra coisa deste naipe, por dois motivos. Primeiro, porque não estou falando dos céus se abrirem para um anjo de cabelos louros surgir descendo num raio de Sol com respostas e ensinamentos ou qualquer outro clichê bíblico. Segundo – e mais importante – qualquer coisa que possa ser enxergada por este prima tem potencial para ser colocada no campo das coincidências.

Ou seja, não é fé, religião ou alinhamento dos planetas. Talvez seja apenas intepretação. Ou, melhor dizendo, talvez seja “saber interpretar”. Mas, sim, como disse acima, eu acredito nisso. A parte do “talvez até mais do que deveria” é porque quando estou naquelas fases de questionamentos, fico procurando sinais de respostas ou conselhos para minhas dúvidas, ao redor de mim, o tempo inteiro.

Muitas vezes, claro, eu apenas me fecho no problema ou na dúvida e o analiso de forma lógica. Mas, por definição, os Rob Gordons são criaturas extremamente emocionais, então nem sempre isso é possível.

Assim, se é evidente que não mergulho na loucura de procurar respostas para minhas dúvidas na forma que a velha da mesa ao lado coloca o guardanapo no colo, às vezes eu brinco comigo mesmo, com coisas como “se o sinal fechar antes daquele carro vermelho passar por mim, eu vou conseguir tal coisa”. Mas isso são mais brincadeiras que qualquer outra coisa – apesar de que um lado do meu cérebro pula de alegria caso o sinal feche antes do carro vermelho passar.

Mas, de forma geral, quando estou numa fase de questionamentos, ando pela rua de forma mais aberta – talvez receptiva – ao que acontece ao meu redor. Porque não vejo mal algum em tentar ouvir o que o mundo me diz. Ao invés de “sorria e o mundo sorrirá para você”, gosto do “pergunte e o mundo responderá para você”.

E agora vamos mudar totalmente de assunto e falar da série Pateta Faz História. As pessoas com mais de 30 certamente devem se lembrar dela: mais que histórias nas quais o Pateta assume o papel de grandes personagens históricos, é uma série que se tornou um verdadeiro marco nos estúdios Disney. Os roteiros – e a própria estrutura das páginas – fogem totalmente do convencional, construindo obra-prima atrás de obra-prima.

Eu me lembro de quando ela foi lançada no Brasil. Pelas minhas contas, foi em 1980. Eu e meu irmão virtualmente enlouquecemos com aquilo. Além da temática (afinal, eram biografias de nomes como Leonardo da Vinci e Marco Polo), e do visual ousado, quase sem regras, o fato de ser uma série fechada com cinco edições era diferente de tudo o que havíamos visto até então, dando o caráter de “especial”.

Por isso que a série se tornou um marco da minha infância. Na verdade, um dos maiores marcos, na verdade. Até hoje, mais de trinta anos depois, me lembro de piadas específicas, de que a capa do volume 5 (“Pateta faz História como Dr. Frankenstein” era branca) e de algumas imagens, como aquela página em que o macarrão que um personagem come no topo escorre para baixo, delimitando os demais quadrinhos.

Se não me engano, a série era bimestral. Quando haviamos comprado dois ou três volumes, eu e minha família fomos morar em Manaus. Minha preocupação com a série era tanta que passei os primeiros meses desesperado em busca das revistas, em vão. Ninguém sequer havia ouvido falar daquilo.


Estava quase pedindo para algum parente de São Paulo comprar para mim quando, um dia, entrei em uma banca e vi o primeiro volume sendo vendido. Foi quanto entendi que a maior parte dos quadrinhos era vendida na Região Norte somente seis meses depois do Sudeste, quase como uma pré-história da distribuição setorial.

Suspirei aliviado e, poucos meses depois, completei minha coleção.

Onde ela está hoje? Não sei. Talvez tenham se perdido em alguma mudança. Eu sempre sonhei em recuperar estes cinco volumes, que já vi à venda (por verdadeiras fortunas) no Mercado Livre. Penso nisso com frequência, mas nunca como uma obsessão de colecionador, ou uma cruzada pessoal. Na verdade, era apenas um pequeno sonho em resgatar um pedacinho doce da minha infância.

Aliás, falando em outro doce, tenho outra memória. Perto da casa em que nasci e cresci, em Moema, havia uma confeitaria famosa à época, chamada Brunella.

É outro marco da minha infância. Isso porque não era incomum meu pai voltar para o trabalho com uma bandeja repleta de doces – lembro que era embrulhada num papel amarelo claro, com o logo da confeitaria.

Assim, bastava meu pai aparecer em casa com os doces que a noite deixava de ser “uma noite” e se tornava uma “noite de festa”. Ficavámos nós quatro na cozinha, comendo doces de todos os tipos. Hoje – e me perdoem se eu me emociono um pouco ao escrever isso – eu entendo que era realmente uma festa, e estávamos apenas celebrando o fato de sermos uma família e termos um ao outro.

E foi numa destas noites que nasceu outra paixão da minha vida: uma espécie de bolo, cortado de forma triangular e recheado com mousse, coberto por cascas de chocolate endurecido. Nunca soube o nome correto do doce, e nunca precisei: era a “cabaninha”. Era assim que eu o chamava (aos meus olhos, ele se parecia com uma casinha, ou uma cabaninha), era assim que minha família passou a chamá-lo, por minha causa.

A cabaninha era sempre o primeiro doce que eu comia. Meu pai comprava sempre quatro de cada tipo, e eu abria mão de qualquer outro doce em troca de mais uma cabaninha – as trocas com meu irmão eram comuns.

Mais que meu doce preferido, a cabaninha é um símbolo da minha infância. Mais que um simples doce, a cabaninha faz parte da minha história. Ou melhor, fez parte. Em algum momento da minha adolescência, a Brunella fechou as portas – hoje existe uma Kalunga ali, logo atrás do Shopping Ibirapuera – e a cabaninha desapareceu. Sempre que entro numa doceria, passo os olhos pela vitrine em busca dela ou de um doce parecido, mas nunca encontrei nada igual.

Assim como a série Pateta Faz História, a cabaninha se perdeu no tempo, ficando presa em recordações de infância.

Ou não. Porque, poucos dias atrás, chegou às bancas a coleção Pateta Faz História, com vinte volumes reunindo todas as quarenta histórias da série, incluindo as que permaneciam inéditas no Brasil.

E as histórias daquelas cinco revistas que eram minhas.

E, novamente: “ou não”, porque outro dia descobri uma Brunella remanescente ao lado do Parque da Aclimação. Na hora, imaginei que fosse outra empresa com o mesmo nome, mas era ela mesma. Era a minha Brunella.

E, ali no canto da vitrine de doces, as minhas cabaninhas.

Comi duas. Comi duas, descobri que o nome do doce, na verdade, é bolo triângulo e, pela primeira vez na vida, paguei pelas minhas próprias cabaninhas. Mas, mais importante que isso, descobri que o sabor do doce é exatamente como me lembrava. Exatamente igual. Minha memória não distorceu nem inventou nada. As cabaninhas continuam sendo o meu doce.

Este post pode parecer uma bobagem para vocês. Afinal, para vocês, são apenas cinco revistas em quadrinhos e um bolo (que, agora descobri, chama-se bolo triângulo).

Mas, como eu disse acima, basta saber interpretar. São cinco revistas e um bolo que passei décadas procurando, e que têm um valor emocional altíssimo para mim. E, de repente, em poucos dias, eu literalmente tropeço nos dois.

A vida está me mostrando algo. Eu adoraria encerrar este texto com uma frase linda, e um ensinamento maravilhoso que concluísse tudo isso, para fechar o texto com chave de ouro. Mas não vou fazer isso. A vida está me mostrando algo, mas hoje eu não quero entender nada (na verdade, eu já entendi – preciso apenas processar).

Hoje eu quero apenas ficar comendo cabaninha e lendo Pateta Faz História.

Hoje eu quero apenas ter cinco anos.

Hoje eu quero ter a vida inteira pela frente.




(Este post é dedicado
aos meus pais.)


Update: desde que postei o texto, estava com o pressentimento de que algo estava faltando. Fumando um cigarro, percebi o que era. Faltavam imagens. Faltava um quadrinho, um doce e, principalmente, um menino. Agora está completo.

47 comentários:

Pri disse...

É tão bom ter coisas boas em que se apegar, acho que é o que nos deixa mais fortes!

Rob Gordon disse...

Pri

Eu não poderia ter colocado de forma mais correta e bonita.

Obrigado!

Rob

Kika® disse...

É como a ciranda que pra mim tem "cheiro" de pão de queijo, o primeiro álbum de figurinhas que completei, a coberta de infância (totalmente rasgada), mas que ainda me esquenta em noites frias. Lindo texto, Rob. Me senti no lugar certo com os meus apegos também. ;)

R. disse...

recomeço.

Rob Gordon disse...

Kika

Se você está com seus apegos, você está no lugar certo.

Obrigado pelo comentário.

Rob

Rob Gordon disse...

R.

Você é uma pessoa que faço questão de levar para comer uma cabaninha - eu pago - no dia que você colocar os pés em São Paulo.

E obrigado por ser, muitas vezes, o telhado de outra cabaninha.

Beijos.

Rob

R. disse...

como boa gordinha que sou, vou querer duas. :)

Rob Gordon disse...

R.

Feito. :)

Rob

Turista Acidental disse...

Na semana passad eu recebi um email dizendo que a colecao Pateta faz historia estava a venda de novo, e a primeira coisa que pensei foi que tinha que comprar para o meu filho, de tao legal que era. Ler o post me fez ter cereteza que vai ser um dinheiro bem gasto, que nao era so minha memoria.

Leo B. disse...

Apesar dos meus curtos 25 anos, consegui me enxergar em cada pedaço do teu relato. No meu caso, não seriam Pateta Faz História, mas os colecionáveis de Dinossauros ou dos Minimonstros da Editora Globo, a alegria que sempre sinto quando vejo a venda um picolé de Tablito (que quando criança, chamava de Cabrito) e tem aquele sabor de infância, traz todas aquelas coisas boas em mente.

Acho que tudo que tu disse é o que costumo chamar de "Essência das Coisas", aquilo que faz nós sermos o que somos e assim chegamos ao nosso lugar, o lugar certo.

Obrigado pelo texto, Rob. Estava precisado de ler algo inspirador assim. Inspirador para a vida. Obrigado mesmo!

Abração!

Claudia Iarossi disse...

Os doces sabores da infância nunca são esquecidos.
Também tinha uma Brunella perto de casa, mas não me lembro de ter comido a cabaninha.
Preciso urgente ir no Parque da Aclimação...rs.

Michele disse...

E eu, que achava que Brunella só tinha em Santos?

mas te entendo demaaais...
acho que td criança grande tem isso. eu guardo com muito carinho minhas Sailor Moon(aliás, hoje, sou colecionadora de td q envolva a marinheira da lua e suas companheiras).

e quanto a comida... Dip 'n Lik e Froot Loops... ah, a infância!

Gabi Romeiro disse...

Ce é danado né? Me arrepiei inteira ao ler esse texto.
Engraçado como a gente vê metáfora em tudo quando precisa, né?
Mas penso que talvez existam um conjunto de leis flexíveis a todos os fatos, um certo andamento padrão de funcionamento do universo e que é só saber ler.
Aprender a ler o mundo é pra sempre, mas escrever... poxa. Quando crescer quero ser você, viu.
E sem piadinhas de tamanho.

Rob Gordon disse...

Turista Acidental:

Este é o tipo de coisa - junto com Asterix e Hanna Barbera - que eu também penso em guardar para mostrar aos herdeiros. Tenho certeza que o seu vai adorar!

Abraços

Rob

Rob Gordon disse...

Leo B:

É exatamente isso que você disse: "sabor de infância". Quanto ao "texto inspirador", obrigado. De verdade. Mesmo porque este texto foi quase um desabafo para mim, e você ter sentido isso ao ler me deixa muito, muito feliz.

Abração, cara.

Rob

Rob Gordon disse...

Claudia Iarossi

Quando for ao Parque da Aclimação comer a cabaninha, favor voltar aqui e dizer que é o melhor doce do mundo. Minha infância agradece. :)

Rob

Rob Gordon disse...

Michelle

Eu lembro do Dip 'n Lik, e do boato que ele dava câncer. Eu provavelmente vou morrer disso, porque só comia o pózinho, o pirulito melado perdia a graça em dois minutos.

Beijão

Rob

Rob Gordon disse...

Gabi Romeiro:

Obrigado de verdade pelo comentário. Este texto foi um dos mais importantes que escrevi nos últimos tempos e confesso que me arrepiei escrevendo alguns trechos também - mas estes eu vou guardar para mim. Quanto às piadinhas com tamanho... Ah, seriam fáceis demais!

Beijão

Rob

Felipe Lima disse...

Rob,

Foi um texto belo e tocante. É sempre muito bom conhecer mais um bocadinho do ser humano que nos presenteia com tantos textos excepcionais. Os seus leitores jamais achariam um post como esse uma bobagem. Pelo contrário, é uma bela homenagem a criança que permanece em cada um de nós apesar da carcaça adulta.

Nota: Você era um menino tão bonitinho...pena que o tempo acaba com a gente. rs

Caru disse...

Essa coisa de fé/sinais é muito engraçada...
Pelo menos pra mim. Sou agnóstica e pego-me inúmeras vezes falando "se eu acreditasse em Deus, diria que foi ele que me ajudou com bla bla bla..."
Ainda bem que eu tenho consciência de que a vida é feita de boas e más coincidências... assim não dou todo o crédito sobre as coisas boas a algo no qual não acredito...

Rob Gordon disse...

Felipe Lima:

Obrigado pelos elogios, e por rebater o post como "bobagem". Mas cheguei a achar isso, realmente, por ele ser muito pessoal, quase uma piada interna na minha vida. Mas fico feliz por vocês terem gostado!

Quanto ao estrago do tempo, tenho uma foto aqui com menos de um ano e até hoje fico olhando para ela e para mim, no espelho, e pensando "quando será que eu me estraguei assim?"

Abraços

Rob

Rob Gordon disse...

Caru

Creio que realmente vai de cada um. Mas a questão não é ter fé em algo específico, mas sim "ter fé" que, por um lado, pode ser visto apenas como "estar em paz com você mesmo'.

Beijos

Rob

Miss Sbaile disse...

Rob, eu ia falar que você tem uma sensibilidade que poucos têm, mas acho que não é certo isso. Acho que você tem um talento incrível pra traduzir a sensibilidade coletiva em textos. Acho que é por isso que as pessoas gostam. Todo mundo teve uma "cabaninha" e um "pateta fazendo história". E às vezes as pessoas se esquecem das cabaninhas delas, aí vem você e fala "não esquece da cabaninhaaaa!".

Isso tá muito metafórico. Parei. Ótimo post.

Michelle disse...

Sabe aqueles momentos qdo o mau humor se instala sem motivos aparentes? Foi só ler este texto que ele não só sumiu, assim como me alegrei só relembrando de minha infância, substituindo as revistinhas do pateta com a da Turma da Mônica promocionais da Coca-Cola e o doce com aquela gelatina rosa e amarela, q não tinha gosto de nada, mas fazia a alegria da criançada. O q seria de nós sem essas revisitas ao passado? Nada como sentir aquela doce nostalgia e lembrar de dias e coisas tão simples q nos enchiam (e enchem) de vida.

Varotto disse...

Cara até que, estragos à parte, você até se parece com a foto. É só arrancar o cabelo na cabeça e passar para o queixo.

P.S.: Parece brincadeira. Ontem no Degas, falamos sobre os seus clones espalhados por aí e hoje vi um clone quase perfeito seu. Consegui fotografar o cara e mandei para seu telefone. Você viu?

Rob Gordon disse...

Miss Sbaile:

Obrigado, de verdade! mas, independente de eu ter a sensibilidade de traduzir o "coletivo" em textos, estarei sempre aqui falando "não esquece da cabaninha". E eu espero que vocês sempre façam isso comigo, também!

Beijos

Rob

Rob Gordon disse...

Michelle:

Eu também não estava 100% quando comecei a escrever este texto, mas ele me ajudou bastante. Fico feliz de verdade que tenha feito o mesmo com você.

Beijos

Rob

Rob Gordon disse...

Varotto:

Não recebi nada, cara! Manda de novo?
(Pena dessa pessoa que se parece comigo)

Abração, cara!

Rob

Michele disse...

pô Varotto, já não basta meu noivo ter visto um clote do Rob no meio do trem pra calmon viana?

Hally disse...

Não lembro da minha "cabaninha"... Mas se tem uma coisa que traz aquele gosto de infância é Cavaleiros do Zodíaco. Bons tempos...

Marcus Corrêa disse...

Rob, a minha "cabaninha" era um pão de mel da Kopenhagen que vinha embrulhado num papel com uma carinha, e eu chamava de "baianinha"... Na época eu devia ter 6 / 7 anos e até hoje em dia (tenho 42) eu gosto muito de pão de mel, mas nenhum deles se compara ao sabor das "baianinhas" que guardo na memória. Engraçado é que certa vez fui procurar o tal doce na Kopenhagen para meu filho e para minha decepção não são mais vendidos embrulhados como eram e o sabor é completamente diferente.
Parabéns pelo texto - isso é uma constante - me trouxe muitas lembranças boas.
P.S - Quando eu for a São Paulo, com certeza experimentarei uma cabaninha!
Grande Abraço

Rob Gordon disse...

Hally

Troque os Cavaleiros do Zodíaco pelos desenhos da Hanna Barbera e você terá os "MEUS" desenhos animados!

Beijos

Rob

Rob Gordon disse...

Marcus

Antes de mais nada, obrigado por dividir suas baianinhas no comentário. E sinto muito por terem destruído essa sua memória, em embalagem e (principalmente) sabor. Mas, quando vier a São Paulo, experimente a cabaninha na Brunella, sim. Afinal, se você dividiu as baianinhas comigo e com meus leitores, o mínimo que posso fazer é dividir as cabaninhas com você!

Abraços

Rob

Mira disse...

Para seu conhecimento. tem uma Brunella no Brooklin, na Padre Antonio José dos Santos. Pode deixar que quando passar ali na frente compro uma "cabaninha" e deixo na casa da sua mãe. Mas vou dizer pra ela entregar pro seu sobrinho, assim a cabaninha já chegará a nova geração da familia. :-)

Gustavo Bastos disse...

Nunca comento aqui (em blog nenhum na verdade), pois não consigo superar a sensação de estar escrevendo para a seção de cartas do leitor, mas esse post merece. Emocionante.
Metalinguisticamente Os Sinais também foi um sinal pra mim. Há algum tempo conversava com uma amiga sobre se essas lembranças da infância são tão douradas por nossa nostalgia glorificada ou se realmente eram isso tudo. Algum tempo depois, em um momento muito difícil da vida, achei um site com várias revistas do Asterix e da Disney. Essas histórias, em especial as que envolvem História como essa coleção do Pateta e as do Tio Patinhas (as de Don Rosa como Os Dez Avatares, A Coroa de Genghis Khan, Os Mapas de Colombo, A Coroa dos Reis Cruzados etc.) foram muito importantes pra mim. E agora seu texto, no momento certo. Sem palavras.
Quanto a esse doce, lembro que vendia aqui em Salvador também, na Perini, quando eu era pequeno. Não faço ideia de qual era o nome ou se ainda fazem. Mas vou relembrar da próxima vez que passar por uma.

Rob Gordon disse...

Gustavo Bastos:

Mais emocionante que o post foi seu comentário. Poucas coisas são mais recompensadoras para alguém que escreve ver que um texto fez diferença na vida de alguém. Graças ao gosto da cabaninha, descobri que as memórias de infância podem até ser douradas, mas são baseadas na verdade, já que o gosto é exatamente como me lembro.

Quanto às suas memórias de infância, me identifiquei também com Asterix, que, junto com Fantasma (do Lee Falk) foram os grandes responsáveis por eu querer aprender a ler. Já até escrevi sobre isso aqui: http://champ-vinyl.blogspot.com/2009/10/as-aventuras-de-robgordix-o-gaules.html

Quanto ao fato de você ter comentado aqui de forma tão sincera, mesmo sem nunca comentar em blog nenhum, me deixa mais honrado ainda.

Obrigado. Obrigado de verdade.

Rob

Rob Gordon disse...

Mira:

Favor comprar uma a mais e deixar instruções claras aos meus pais para que guardem para mim. :)

Beijos

Natalia Máximo disse...

Verdade, o post está completo agora (: E essa cabaninha parece muito gostosa!

Rob Gordon disse...

Natalia:

Agora ficou completo, né? E a cabaninha é uma delícia!

Beijos

Rob

Thiago Neres disse...

Quero comer uma cabaninha, agora!

IsabelVeronica disse...

Eu fiquei uns dias enrolando pra ler este seu post, porque SABIA que ia me emocionar. E não deu outra!

Deus, quantas lembranças de infância! Quantos cheiros, sabores, cores, e até algumas dores, mas que me marcaram tanto que, hoje, as vezes sento com meu filho para falar sobre elas.

O bom é que algumas delas ainda existem fisicamente e posso passá-las para ele.

E o melhor de tudo é que as minhas lembranças de infância passam a fazer parte da vida dele, mesmo que agora ele tenha 18 anos.

Obrigada Rob!

Rob Gordon disse...

Thiago Neres:

Bem vindo de volta.

Abraços

Rob

Rob Gordon disse...

Isabel

Existiram alguns posts aqui no Champ que eu enrolei alguns dias para escrever. Mas este não foi um deles. Este foi quase um desabafo (tanto que a primeira vez que tuitei o link, coloquei algo como "posso conversar com vocês?").

Mas este texto em especial me emocionou muito, não apenas escrevendo como depois, conversando sobre ele pessoalmente com algumas pessoas. E fico muito feliz que você e muitos outros leitores tenham sentido o mesmo ao lê-lo. É o tipo de recompensa que, para quem escreve, chega a ser um sonho.

Assim, a única mensagem que eu posso deixar para você, além de agradecer pelo comentário, é que compartilhe cada vez mais seus cheiros, sabores e cores de infância com seu filho, independente da idade que ele tenha. Aposto que isso vai fazer você e ele se sentirem um pouco crianças e, se existe algo que venho descobrindo (ou melhor, venho relembrando) nos últimos meses é que esta sensação não tem preço.

Beijos e, mais uma vez, obrigado.

Rob

Elise disse...

Eu li esse texto logo depois que ele foi postado, mas eu tinha tanta coisa pra pensar que nem consegui prestar muita atenção nele.
Hoje cheguei aqui pra ler com mais calma e ele se encaixou numa coisa na qual eu pensava ontem. É meio bobo, mas quando eu tinha uns 18 anos eu não tinha computador nem acesso à internet, mas isso não me impedia de fazer as coisas que eu gostava, como escrever ou aprender outra língua. E me lembro de chegar em casa, depois do trabalho, e escrever páginas e mais páginas numa máquina de escrever que peguei do meu tio, ouvindo The Smiths e tomando leite com chocolate. Com o tempo isso foi rareando até que eu devolvi a máquina de escrever e troquei de emprego.
Daí ontem me peguei fazendo nada na frente do notebook o dia todo, e fiquei irritada, cheguei até a amaldiçoar o pobre do notebook. Então parei, peguei umas folhas de papel, minhas canetas, coloquei música pra tocar - mas dessa vez eu escolhi Beatles, hehe - enchi um copo de leite com chocolate... e me senti feliz. A sensação de escrever ouvindo música e tomando leite era exatamente como eu me lembrava.
Então, Rob, continue nos dizendo pra não nos esquecermos das "nossas cabaninhas", porque às vezes esse ofício de ser adulto faz com que nos esqueçamos do que gostamos... e às vezes precisamos de uns empurrõezinhos pra nos lembrarmos.

=)

Rob Gordon disse...

Elise

Antes de mais nada, obrigado por ter "voltado" ao texto para lê-lo com mais calma. Obrigado de verdade.

Quanto à sua sensação de escrever, fico feliz que você tenha redescoberto isso, e mais feliz ainda que a sensação é a mesma que você se lembra. É o tipo de coisa que vale a pena ser guardado com carinho no cérebro ou no coração, pois serve de refúgio. Afinal, poucas coisas são mais confortáveis que saber que, num momento de aperto, você pode fugir para o "passado" desta forma.

Beijos

Rob

Mariana disse...

Tudo acontece por algo e também faz que a gente aprenda de tudo.
Uma vez pedi um delivery em moema e como não chegava pedi em outro, e depois os dos resultaram de graça não sei por que.

Anônimo disse...

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