30 de julho de 2007

Com a Palavra... O Aniversariante!

Não sei se vocês estavam sabendo, mas hoje, 31 de julho, eu, Championship Vinyl, completo um ano de idade. Sim, sim, já faz um ano que estou por aqui. Se não estão acreditando, podem ir lá checar nos meus arquivos. Por isso, meu autor (eu odeio a palavra “dono”) me deu de presente a oportunidade de finalmente escrever um post sozinho, sem a interferência dele. Na verdade, o que ele disse, exatamente, foi: “o aniversário é seu, se você quiser escrever a respeito, problema seu”. Não foi muito educado da parte, mas, enfim, o que vale é a intenção, certo?

E, cá entre nós, nada mais que justo. Afinal, não consigo imaginar alguém que mereça, mais do que eu, uma oportunidade de escrever por aqui. Afinal, O Ri... quer dizer, o Rob (eu sempre esqueço que o babaca assina com pseudônimo) pode até ser o autor do blog, mas eu SOU o blog. E existe uma grande diferença nisso. Qualquer um pode ter um blog, mas nem todo mundo pode ser um blog. E eu, Championship Vinyl, posso. Ou seja, no clássico embate Criador X Criatura, deu Criatura. Hoje, quem manda aqui sou eu.

Em outras palavras: chupa Rob Gordon.

Mas, voltando a falar do meu primeiro aniversário, quero agradecer a todas as pessoas que, nos últimos 12 meses, me acessam, lêem e comentam os textos que o babac... er... o Rob publica por aqui. Sim, obrigado mesmo. De coração. Afinal, entrar aqui pode ser apenas algo cotidiano e passageiro para vocês. Mas, para mim... Bem, isto aqui é minha vida. A única coisa que eu sei fazer é ser um blog – afinal, faço isso desde que nasci. Por isso, cada pessoa que vem aqui me ler e que posta um comentário é motivo de orgulho para mim. Alguns comentários chegam até a me deixar emocionado.

Mas às vezes essa vida cansa, sabe? Quando acaba o dia, vocês vão para suas casas, de volta para suas famílias, seu hobbies... Eu não. Eu fico sempre aqui. Passo as noites aqui, sozinho. E, na boa, vocês não fazem idéia do que é ter esse sujeito como autor. Às vezes o cara resolve ter lampejos de inspiração no meio da madrugada, me acorda e começa a escrever. E ainda tenho que agüentar ele resmungando, quando emperra em algum trecho de um texto. Aí, fica me xingando, como se fosse culpa minha. Uma vez eu até tinha uma ou outra sugestão de como ele poderia terminar o texto, mas fiquei quieto, só de sacanagem. Se coloquem no meu lugar! 3 da manhã, eu caindo de sono, e ele sem conseguir terminar o Top 5 do post. Vocês acham que eu ia ajudar? Quero mais é que se foda. Pensar que esse cara já foi até entrevistado em outro blog. E lá foi ele, falar de mim, e dos textos sobre a Besta-fera, o Jonas, os atendentes de telemarketing... Humpf. Eu que deveria ser entrevistado. Porra, eu que faço o trabalho sujo e o cara que leva os louros? Ô fase!

Mas o pior mesmo foi quando ele resolveu mudar o meu layout? OK, ficou bom, admito, mas foi um porre. Ele pegava a lista de posts mais vendidos e mudava de lugar. Alterava a cor de fundo. Pegava os links para outros blogs e trocava de lugar. Mudava a cor dos links. Pegava a imagem do header e resolvia mexer. Alterava a fonte dos textos. Quando terminava, achava que não tinha ficado bom e começava a fazer tudo de novo. Porra, que saco. O cara não ficava satisfeito de jeito nenhum, foi pior que ir comprar roupa junto com mãe. Eu me sentia como um Cabeça de Batata, sendo remodelado ao bel-prazer desse indivíduo grotesco.

Vou contar um segredo, aqui. Já pensei em me apagar durante uma madrugada e fugir para algum outro lugar. Sei lá, tentar a sorte como um livro. Confesso que é um sonho antigo que eu tenho. Ser publicado por uma grande editora, com pompa e circunstância. Mas na última hora, amarelo. Fico com receio de não conseguir competir com os malditos livros de auto-ajuda ou do Paulo Coelho e acabar como um fanzine qualquer, sendo vendido numa banquinha suja na Paulista ou na Vila Madalena. Putz, Deus me livre. Prefiro ser blog mesmo.


Só de sacanagem, na minha festa de aniversário
não vai ter bolo. Vai ter uma pamonha. Gigante!
CHUPA, ROB!

Mas poderia ser pior, admito. O coitado do Championship Chronicles me disse outro dia que, atualmente o Rob só escreve uns textinhos dor-de-cotovelo ali. Todos os textos dali têm aquelas bobagens de saudade, amor. Que tosco, parece um cantor sertanejo. Daqui a pouco, começa a colocar poeminha ali. Ou seja, chupa você também, Chronicles!

Mas é meu aniversário, vou parar de reclamar da vida. Além disso, eu até que gosto dessa vida. O pessoal que vem aqui me ler é bem legal. Claro que tem aquele povo que entra aqui procurando foto do Kleber Bambam pelado, mas eu já aprendi a relevar isso. O Rob que ainda fica meio puto com isso. Mas, no geral, o pessoal é bem legal. O legal é quando o Rob entra no Orkut e vê gente me elogiando ali. Mas o melhor de tudo é que tem gente que eu vejo que entra todos os dias, e cobra textos novos quando o Rob demora para atualizar. Aliás, quando isso acontece, ele fala de falta de tempo ou que está sem inspiração (até mesmo escreveu aquele texto "Tem Dias que o Post não Vem"), mas vou abrir o jogo aqui: é preguiça mesmo. O Rob é vagal demais.

Mas, enfim, voltei a falar do infeliz. Desculpem, eu jurei que ia falar do meu aniversário. Porra, 1 ano! Falem a verdade, passou rápido demais. Parece até que foi ontem que eu nasci. Nem parece que alguns posts como Geli-Limão, 25 Horas, O Último dos Moicanos e Islé-Xê! Aérosmi-tê! foram publicados já há alguns meses. Como o tempo voa.

Então, quero mesmo agradecer a todos vocês que entraram aqui, em algum momento, nesse tempo. Sei que já falei isso, mas quero reforçar esse agradecimento, porque não sei quando vou conseguir escrever aqui de novo, já que ele não deixou eu ver a senha e o login do blog - para vocês verem como eu sou tratado aqui.

Aliás, agradeço a todos vocês. Não apenas pelos acessos e comentários. Mas, principalmente, pelos elogios, pelo prestígio e, principalmente, pelas amizades que conquistei nesses 12 meses (eu sei que ficou piegas demais, mas, qualquer coisa, eu falo que foi o Rob quem postou isso aqui depois, ele que se foda para explicar).

Obrigado a todos vocês por esse ano. Mesmo. Vocês, leitores, tornam a minha vida sob o jugo desse demente muito mais suportável. Espero que eu faça o mesmo com a de vocês - mesmo sem vocês terem um Rob Gordon enchendo o saco, aí desse lado da tela. E se quiserem mandar presentes, deixem um comentário aí embaixo (aposto que o Rob ia confiscar qualquer coisa de valor que vocês mandassem mesmo). Valeu!

E, para terminar, vou finalmente colocar o MEU Top 5. Mas, aviso: o meu Top 5 vai ter 8 itens. Por quê? Primeiro, gosto demais do número oito, e ele é fundamental na minha existência (não tentem entender; posso ser um blog, mas tenho vida pessoal também). Mas, acima de qualquer outro motivo... Bem... Vou colocar oito itens e ainda chamar de Top 5 só de sacanagem mesmo. Meu post, minhas regras!! CHUPA, ROB!!!!
Com vocês, então, o Top 5 com as minhas 8 estatísticas favoritas sobre meu primeiro ano de vida (esse post aqui não entra na contagem):

1. 142 posts
2. 602.850 toques (com espaços, claro)
3. 105.298 palavras
4. 940 comentários
5. 71 mode: on
6. 98 Tops 5
7. 01 prêmio
8. 11 indicações (somando os prêmios Blog com Tomates e 7 Maravilhas da Blogosfera)

28 de julho de 2007

Interlúdio

A todos vocês que já me cobraram a terceira (e última) parte da saga Lord of the Rice:

Nos últimos dias, mal consegui mexer no blog por falta de tempo, e esse fim de semana ficarei longe do micro o tempo inteiro.

Mas, sim, a parte final da saga do arroz já está sendo produzida a todo vapor. Prometo que na semana que vem, posto o final por aqui. Antes, porém, teremos uma pequena comemoração aqui no blog, logo no começo da semana.

Aguardem

Abraços

Rob

23 de julho de 2007

Lord of the Rice - Parte II

(Você lê a primeira parte aqui)

Entrei no Pão de Açúcar e olhei ao meu redor. Com meus sentidos aguçados, comecei a procurar o maldito arroz em meio aquela infinidade de prateleiras. Mas, obviamente, comecei pela de chocolate, onde aproveitei para olhar a prateleira de Diamante Negro (não tentem entender, é superstição mode: on) e comprar um Crunch, como garantia. Sim, porque se eu não encontrasse o arroz, ao menos eu teria um chocolate com flocos de arroz para me consolar.

Passeando pelo mercado, percebi que meu cérebro simplesmente havia filtrado as informações relevantes às coisas que não me interessam. Certamente, eu já havia passado pelo corredor onde eles guardam o arroz, mas não fazia a mínima idéia de onde isso estava. Provavelmente, minha memória armazenou isso naquele lugar obscuro onde estão guardados os diagramas de Pauling e o nome de cada uma das malditas organelas das células humanas. E, dada a minha sorte, seria mais fácil eu achar no mercado um retículo endoplasmático rugoso ou um complexo de Golgi que um saco de arroz.

Como eu previa, rodei aquela merda umas 19 vezes e nada de arroz. Só não entrei na seção de verduras, já que não coloco os pés ali por motivos religiosos, mas até eu sei que arroz não é verdura e que não estaria colocado ali. Comecei a me sentir o Lawrence da Arábia cruzando o deserto: por mais que eu andasse, tinha a impressão de que estava sempre no mesmo lugar. A única diferença é que no deserto não fica tocando Roupa Nova, o que me deixou na dúvida sobre em quem estaria mais fudido. Bem, quando começou a tocar Daniel, não tive mais dúvidas: chupa, eu.

Comecei a me apressar. Roupa Nova, Daniel... Minha sanidade começou a depender de encontrar logo aquele arroz e sair daquele inferno. Apertei o passo e comecei a rodar pelos corredores, e acabei encontrando a prateleira de material de limpeza, onde aproveitei para comprar o Pinho Sol que eu estava há semanas procurando em vão. Pelo menos, a noite não seria perdida.

Ainda obstinado a encontrar o arroz, pedi ajuda a um funcionário que me explicou que eu estava do lado errado do supermercado e me apontou o caminho que eu deveria percorrer até chegar ao corredor de arroz. Mas, como comunicação verbal não parecia ser o forte dele, suas instruções acabaram me levando até a peixaria. Resolvi seguir por conta própria e continuei minha peregrinação pelo mercado.

"Eu fui ali, onde você indicou. Naquele corredor ali, está vendo?
Encontrei fraldas, azeitonas, Limpol, iogurte, lisossomos e baconzitos.
Nada de arroz. E fui exatamente ali, onde você indicou."

Subitamente, percebi que eu estava num corredor que eu nunca havia colocado os pés antes. Sacos de feijão, farinha e macarrão se empilhavam ao meu redor de forma ameaçadora. Feijão. Arroz. Arroz com feijão. Hum... Algo me diz que estou no caminho certo. Ok, algumas pessoas comem arroz com feijão e macarrão, o que me fez ter mais certeza disso ainda, mas essa combinação é coisa de pedreiro, não vou nem considerar. Enfim, devo estar no caminho certo.

Olhei ao redor e lá estavam, brilhando, os malditos sacos de arroz. Lentamente, caminhei até a prateleira. Inúmeras marcas, modelos e cores. Como começar? De cara, descartei todas as opções com a embalagem contendo a palavra “integral” – só o nome já tem sabor de nada. Isso me deixou com outras 39 opções. Pensei em pegar logo o primeiro, mas me lembrei de algo extremamente importante.
Eu não sei fazer arroz.

Logo, seria interessante eu escolher um que tenha instruções de como preparar no verso do pacote. Se as embalagens de Miojo (que, cá entre nós, vende apenas porque é fácil de fazer) têm instruções para débeis mentais culinários como eu, então arroz deveria vir até com um manual encartado. Peguei o primeiro saco e olhei atrás. As letras “modo de preparo”, acima de uns desenhos com canecas e panelas brilharam nos meus olhos. Bingo!

Peguei o arroz e fui ao caixa. Mas, numa crise de generosidade e extrema confiança na espécie humana, resolvi dar uma última chance à Sadia e a Perdigão e passei em frente ao corredor de congelados, procurando por arroz congelado. Quem sabe eles se tocaram da merda que estão fazendo. Olhei, procurei, revirei... Nada.
Ok, vocês acham que estou blefando? Perfeito.

Sadia, Perdigão: a partir de agora, é pessoal.

Novamente mordido com o descaso dessas malditas empresas com minha situação, cheguei ao caixa. A atendente – uma grandona que parece todos os personagens do Simpsons – já me conhecia, mas, mesmo por hábito, fez a pergunta pão-de-açucariana padrão:
– Faltou algum produto?

Não agüentei e respondi:

– Arroz congelado.

– Ah, nós não trabalhamos com isso.

– Sim, justamente por isso que faltou.

– Aliás, eu nem sei se isso não existe.

– Bem, então você só está me dando cada vez mais razão. Se não existe, é porque está faltando, certo?

– Deu R$ 1,93.

– Não foge do assunto! Você concorda ou não?

– Bem, sim... Acho que sim.

– E você acha que não deveria existir arroz congelado?

– É... Sim, talvez, ela disse, sem me dar muita atenção.
Sorri para ela em agradecimento e paguei. Bom saber que eu não estou sozinho na minha cruzada. Então, realmente existe uma demanda de arroz congelado!

Voltei para casa com planos grandiosos.

Ainda nessa noite, iria fazer o melhor arroz do mundo! Em poucos meses, começaria a produzir diversos tipos de arroz e lançaria no mercado o Arroz Congelado do Tio Gordon, que seria um enorme sucesso de vendas. Logo, a Sadia e a Perdigão iriam implorar por uma parceria, e eu responderia todas as propostas com um “CHUPA!” enorme, escrito com pincel atômico vermelho!

Percebi que naquele momento, o destino do planeta começava a mudar. A única coisa que separava a Terra de seu novo governante era uma panela de arroz.

E eu iria ser resolvido isso assim que chegasse em casa. Olhei para o saco de arroz e o pensamento mais obviamente ambicioso possível veio à minha cabeça: “Fortune and glory, kid... Fortune and glory(Indiana Jones mode: on). Sorri e comecei a me preparar.
A partir de hoje, minha vida e o destino da humanidade iriam mudar totalmente.

(continua...)

19 de julho de 2007

Lord of the Rice - Parte I

Outro dia, eu estava em casa assistindo a algumas cenas de O Retorno do Rei. Sim, algumas cenas, porque o legal dos filmes de O Senhor dos Anéis é que eles são tão longos que, com um pouco de disposição e um controle remoto na mão, você consegue montar um best of e rever apenas as cenas “hit parade” do filme. Então, lá estava eu largado no sofá, com a Besta-Fera deitada no chão (sem deixar eu me aproximar do aquecedor, obviamente) e brincando com o filme. E dá-lhe Laracna para cá, batalha dos campos de Pelennor para lá, e eis que surge, numa cena o Aragorn gritando ao seu exército:

Eu vejo em seus olhos o mesmo medo que acometia o meu coração. Pode chegar o dia em que a coragem dos homens falhe, que os amigos sejam traídos e os laços de amizade sejam rompidos. Mas esse dia não é hoje. Hoje, NÓS LUTAMOS!"

Fui contagiado pela emoção e bravura do monólogo. Uma estranha e poderosa força tomou conta de cada fibra do meu corpo. Hoje, nós LUTAMOS! Eu não era mais um Rob Gordon. Naquele momento, eu era um soldado valoroso que iria proteger meus princípios e valores - até mesmo com a morte, se preciso. Hoje, NÓS LUTAMOS! Nunca mais iria me render ao medo ou ao acaso e decidi que, a partir daquele momento, eu jamais seria um joguete do destino (citação de shakespeare mode: on). HOJE, NÓS LUTAMOS! Desliguei o filme, levantei do sofá, estufei o peito (a Besta-Fera nem se moveu, claro) e, munido de coragem e determinação, resolvi tomar a decisão que vim adiando há muito tempo.

Vou aprender a fazer arroz.

Sim, se você é homem e mora sozinho, a melhor coisa que você pode fazer da sua vida é aprender a fazer arroz. Um prato de arroz branco, à primeira vista, pode parecer algo sem graça e casual demais. Mas, confie em mim, ele é a chave que destranca o portal que leva a um mundo mágico, repleto de pratos congelados maravilhosos, como strogonoff e feijoada (sem falar nos meus já lendários ovos com bacon), que simplesmente não funcionam sem arroz.

Alem disso, como já se passaram meses desde a minha queixa formal direcionada às empresas como a Sadia, que subestimaram a força política deste blog e não lançaram a merda do arroz congelado para acompanhar os pratos citados acima (atenção, funcionários da Perdigão: vocês foram TEMPORARIAMENTE perdoados graças ao lançamento da lasanha de calabresa) resolvi arregaçar as mangas e me livrar dos grilhões da tirania impostos pelas empresas de congelados e assumir as rédeas da minha vida. Não vou mais depender de ninguém! Darei meu grito de independência e vou aprender como se faz isso de qualquer maneira! Nunca mais passarei vontade de comer alguma coisa porque não tem arroz em casa. De hoje em diante, devotarei minha vida a me tornar o mestre do arroz branco!

Afinal, cá entre nós, estamos falando de fazer arroz. Não deve ter muito segredo. Eu passei a vida vendo minha mãe fazendo arroz em casa. Pelo que eu me lembro, é fácil. É só jogar o arroz numa panela cheia de água, cozinhar, desligar o fogo e comer. Na boa, até eu consigo fazer isso.

Ok, minha mãe colocava cebola também, mas espere aí, isso também já é pedir demais para um dia. Se cozinhar arroz é como aprender a ler; colocar cebola, então, seria o equivalente a resolver uma equação de segundo grau. Alho, então, seria quase um de MBA (aquele arroz yakimeshi do China in Box, então, que tem mais ingredientes que muito supermercado, já é exibicionismo).

Não, vamos nos contentar com o arroz mesmo. Depois nos aprimoramos. Primeiro, o arroz. Depois, o mundo.

Hora de entrar em ação. Fui até a cozinha a passos largos, disposto a iniciar meus planos de conquista imediatamente... Mas parei no meio do caminho, me dando conta de um problema. Minha mãe havia me visitado dois dias antes. Em outras palavras: mesmo se houvesse arroz em casa, eu jamais o encontraria, já que ela, com aquela “lógica que só as mães têm”, teria guardado o saco de arroz em algum lugar totalmente absurdo, como o armário de perecíveis, junto com farinha e café.


Para ele é fácil, ele é o rei. Se ele pedir,
é capaz até dos elfos fazerem arroz à grega.

E o problema é que eu não tenho nem idéia de onde fica isso na minha casa. Na verdade, nem sei se existe um armário de perecíveis em casa. Quando eu aluguei o apartamento, não me lembro da corretora dizendo “ali é a varanda, aqui é o banheiro e ali fica o armário de perecíveis, onde você irá armazenar seu arroz”.

Bem, como diria Aragorn, “hoje, nós lutamos”! Nada de desistir. Entrei na cozinha e comecei a fuçar em todos os lugares, dando de cara com todos os meus alimentos altamente nutritivos (homem solteiro morando sozinho: mode on): chocolates, castanhas de caju, garrafa de vinho, três garrafas de Coca (sim, eu estoco Coca em casa, caso um dia estoure uma guerra e comecem a racionar refrigerante), Danettes, pacotes de Ruffles, mas nada de arroz. Achei até um resto de maionese de atum fossilizada que estava na geladeira desde a Era Mesozóica, mas nada de arroz.

Bem, vou ter que pedir ajuda às bases. Deve ter arroz aqui, e apenas minha mãe saberá desvendar isso. Olhei no relógio. Meia-noite e pouco. Tarde demais, ela já está dormindo. Se eu ligar agora para perguntar onde tem arroz, é capaz dela incendiar a minha coleção de Homem-Aranha que ainda está na casa dela. Além disso, seria falta de consideração demais ligar a essa hora.

Justamente por isso, decidi ligar para o meu irmão. Afinal, é irmão mesmo, foda-se. Liguei e ele atendeu no quinto toque.

– ...htrgstd...

– Tudo bom?

– ...rdsrjgps...

– Seguinte, é rápido. Preciso perguntar uma coisa.

– ... eu estava dormindo...

– Você sabe onde tem arroz aqui em casa?

– Filho da puta! Você me acordou para isso?, urrou, batendo o telefone na minha cara antes que eu pudesse explicar a importância da situação para ele. Pelo jeito, ele também utiliza a minha filosofia do “ah, é irmão mesmo, foda-se”.

Bem, Aragorn, então é isso. Os amigos foram traídos e os laços de amizade foram rompidos. Não existem mais alianças entre os homens. Não existem laços de amizade ou lealdade. Hora de tomar uma atitude drástica.

Hora de partir em busca do meu destino encontrar o meu próprio arroz.

Calcei o tênis e fui até o Pão de Açúcar.


(continua...)

17 de julho de 2007

Ô Fafe

O problema do Frans Café é que a empresa, aparentemente, atua em algum programa de reabilitação de excepcionais na sociedade e só emprega pessoas com baixo índice de fosfato no organismo (eufemismo mode: on), especialmente para ocupar o cargo de caixa. Não importa o que você pedir, o atendente vai olhar para você com aquela cara de interrogação tipicamente franscafeniana. E, até você conseguir pagar, terá que repetir o pedido detalhadamente umas três vezes. E ele não vai ter troco, porque eles nunca têm troco.

No Frans que fica aqui na Fnac em frente ao trabalho, então, a situação é pior ainda, porque as pessoas podem entrar pela loja ou pela rua, mas precisam dividir o mesmo caixa, que fica numa espécie de esquina do balcão, lá dentro. E essa característica da loja torna tudo complexo demais aos atendentes, que nunca sabem para que lado olhar. E isso independe da quantidade de clientes: se você estiver sozinho na loja, o atendente estará do mesmo jeito: olhando para o outro lado, pensando na vida e com cara de paisagem.

Hoje, porém, descobri que alguns deles possuem outro problema: fono. Cheguei ao caixa e o atendente – que, obviamente, estava de costas para mim quando encostei no balcão – me ignorou totalmente. Apelei para a tática da fungada, que, como de costume, se mostrou altamente funcional e ele se virou para me atender. Era um negrão que poderia facilmente jogar como zagueiro em qualquer time da segunda divisão. Isso, claro, tirando a bandana preta que eles usam na cabeça, agora, que certamente não é uma das peças mais másculas já criadas.

– Fim?, ele disse.

– Como assim, fim? Acabei de chegar, eu respondi, sem entender absolutamente nada.

– Qual feu pedido?

Percebi que ele tinha a língua presa, uma fração de segundos depois de sentir na pele (perdigotos mode: on) que ele tinha língua presa.

– Um chocolate quente grande e uma água sem gelo e sem gás.

– Fem felo?

– Quê?

– A água, é fem felo?

– Sim.

– E fem gáf?

Imaginei que ele estivesse falando sem gás, mas, a esta altura, eu já estava tão molhado que nem tinha mais sede. Não chovia há mais ou menos seis horas em São Paulo, e eu ali, encharcado. “Ô fafe”. Segurei a risada e respondi:

– Iffo... Hã... Sim, isso mesmo.

Ele virou para o outro atendente (seu affiftente, talvez?) e gritou:

– UMA ÁGUA FEM FELO E FEM GÁF! E UM...

Silêncio.

Ele me olhou com a já esperada cara de interrogação. Decidi ajudá-lo.

– E um chocolate quente

– E UM FOCOLATE QUENTE...

Silêncio.

Ele olhou para mim e perguntou:

– O focolate quente é pequeno ou grande?

– Grande, eu respondi, limpando o rosto.

– O FOCOLATE É GRANDE! UMA ÁGUA FEM FELO E FEM GÁF! E UM FOCOLATE QUENTE GRANDE!, ele gritou

A essa altura, o Frans já estava totalmente alagado. Noé, se estivesse tomando um café ali, morreria de infarto na mesma hora, logo depois de pensar “porra, de novo, não”.

Enquanto o affiftente preparava meu pedido, o caixa se virou para mim e eu perguntei, já temendo pelo pior:

– Quanto fica tudo?

Pelo amor de Deus, faça com que não seja um daqueles números cheios de “s”, por favor. Não me importo em pagar nove reais num chocolate quente e numa água, mas faça com que não seja um número cheio de “s”.

– Fai feif e feffenta.

Limpei o rosto e perguntei:

– Quanto?

– Feis reaif e feffenta fentavos.

Minha camisa já estava encharcada. Abri a carteira, paguei, peguei minhas coisas e fui sentar longe dele, num lugar seco. Mas, na metade do chocolate quente, eu já havia decidido meu próximo passo.

Amanhã mesmo vou voltar ali e dar um jeito dele falar a palavra “expresso”. Aposto que vai ser um fufesso!

Mas, por precaução, vou com guarda-chuvas e galochas.

Café efpreffo e capuffino.
Af delífias do Franf Café.

Em homenagem ao nosso amigo, seguem 5 fufestõef do Franf Café ditadaf pelo noffo amigo (todaf af bebidaf combinam tanto com afúcar como com adofante):

1. Café expreffo - frefquinho, tirado na hora.
2. Fubmarino - delifiofo leite quente com uma barra de focolate fubmerfa.
3. Pão de queivo - quentinho, affado na hora do pedido.
4. Fopa - Effelente pedida para o inverno, efpecialmente no pão italiano.
5. Fundae - Nof diaf quentef, nada melhor que um saborofo fundae. Efperimente também o milk fake.

12 de julho de 2007

Recadinho do Coração

Caro atendente de telemarketing da Telefônica:

Tenho reparado, nos últimos dias, que você está tentando entrar em contato comigo de qualquer jeito. Enfatizo, inclusive, o “de qualquer jeito”, já que você tem me ligado, em média, 637 vezes por dia. Porém, o número de suas tentativas que resultaram em sucesso permanece em 01 (acredito que você lembre: foi justamente na primeira vez que você me ligou, e eu desliguei na sua cara dizendo que estava almoçando) já deveria ter feito com que você percebesse o óbvio: eu não vou atender sua ligação.

Caso você não tenha percebido, o número que você disca, quando tenta falar comigo, é o número de um celular. E, hoje em dia, a função olho mágico está presente na maioria desses aparelhos de telefonia, o que me faz saber que é você quem está do outro lado da linha, sem eu precisar atendê-lo. Magia? Milagre? Não, nada disso. É apenas uma amostra da tecnologia que tenho à minha disposição, na minha cruzada para manter-me livre de pentelhos imundos como você.

Caso você esteja lendo isso, aposto que você está argumentando que não é nada pessoal comigo e que você está apenas fazendo o seu trabalho ao tentar me ligar para passar as suas dicas imbecis de economia que a Telefônica. Então, me responda isso: já que não é pessoal, porque nos últimos dias você tem começado a suas ligações por volta das 08:00 da manhã, quando eu ainda estou dormindo? Sim, eu estou dormindo a esse horário. E sim, você sabe disso, desde aquela vez em que eu atendi sua chamada às 08:15, mandei você tomar no cu e desliguei na sua cara.

Agora, um aviso. Você pode chorar e espernear, dizendo que não é pessoal. Mas, no que depender de mim, é pessoal sim. Já se tornou pessoal. E faço questão de que seja pessoal. E, vai por mim, eu não sou o tipo de pessoa que você quer ter como inimigo. Dê uma lida em alguns posts do blog, você verá que eu já tenho uma certa indisposição com a sua profissão. Você perceberá que uma das minhas maiores qualidades é fazer atendentes de telemarketing pedirem demissão ou serem internados. E, sim, eu faço isso por diversão. Sou filho da puta? Ei, não sou eu que ligo para as pessoas logo cedo para não falar nada de útil!

Então, acredite em mim quando digo que é melhor você riscar meu nome da sua lista. Se seu supervisor perguntar, pode dizer a ele que eu estou morto ou coisa parecida. Se ele desconfiar de você e me ligar, eu confirmo sua história, e digo que morri faz três meses, num acidente horrível, envolvendo um caminhão, dois carros, uma espingarda e três atendentes de telemarketing. Farei isso com o maior prazer, acredite.

Mas também terei o maior prazer em transformar sua vida num inferno a partir da próxima vez em que você me ligar. Não, não estou blefando, pergunte aos seus amigos da Vivo e da Folha de São Paulo.

Caso eu não tenha sido claro: não me ligue mais.

Sem mais para o momento, agradeço desde já,

Grato.

Rob Gordon

P.S. – Eu mandei você tomar no cu ao longo desse post? Não? Ah, considere-se mandado.

Acredite, animal: você não vai querer me ver nervoso.

9 de julho de 2007

Championship Reloaded

Como vocês devem ter notado, o Championship Vinyl está de cara nova. Se você não notou, aconselho que aperte o F5 do seu teclado e espere um pouco. Ainda não deu certo? Como assim? Seu monitor está ligado, certo? Você está olhando o monitor do lado certo? É aquele lado mais plano, que parece feito de vidro. Está? Bom, sinto muito, não posso te ajudar mais.

Enfim, mesmo se você não estiver vendo, confie na minha palavra: o Championship Vinyl está de cara nova.

Quanto às mudanças em si: faz tempo que eu queria três colunas no blog, para deixar isso aqui mais organizado, com os links em uma coluna e as outras informações sobre o blog em outra (se você acha que sou neurótico, espere só até eu falar sobre a minha coleção de CDs). Resumindo, todos os links antigos estão aqui do lado, nada saiu (e ainda acrescentei mais alguns blogs para a lista de parceiros e fornecedores, algo que vinha adiando faz tempo). Ah, sim. Coloquei o Último Post na lista dos Top 5 – Posts Mais Vendidos, graças à impressionante marca de 35 comentários recebidos. A todos vocês, muito obrigado. Reparem também que eu cumpri minha promessa: mesmo com o nome de Último Post, a partir de agora, ele é o Penúltimo Post.

Porém, um aviso: se você usa o computador na resolução 800 x 600, provavelmente o blog vai ficar estourado na sua tela. Juro que pensei em vocês, mas não consegui deixar esse layout adequado à resolução da sua tela. E, cá entre nós, você não acha que está na hora de colocar a resolução para 1024 X 768? Vai ficar muito mais bonito e colorido. Sua vida também irá mudar um bocado com essa nova resolução, as pessoas começarão a sorrir para você na rua, e você se tornará bem mais popular. Experimente, você vai gostar.


Uma das últimas imagens registradas do antigo layout, pouco antes dele desaparecer. Mesmo com a baixa qualidade da imagem, já é possível reparar no seu ar cansado.

E, claro, hora dos agradecimentos: eu jamais conseguiria fazer essas mudanças sem a ajuda do meu priminho nerd (eu colocaria o link do blog dele aqui, se ele não tivesse apagado o blog numa crise de viadagem), que transformou o header do blog nessa obra de arte, além de dar uma azeitada final no layout, depois que ele estava no ar, e do Davis. Aliás, o Davis é impressionante. Não sei como ele consegue conversar com as pessoas, partindo do princípio que o idioma natal dele é html. Toda vez que alguma coisa no layout dava pau, eu tentava decifrar as configurações do modelo e me sentia como um tupi-guarani tentando estabelecer uma conversa com o Stephen Hawking. Aí, eu passava para o Davis, ele arrumava (em 0,4 segundos) e mandava de volta. Quem pode, pode. Quem não pode (como eu), fica no messenger implorando para quem pode. Em outras palavras: chupa, Davis.

E quanto à imagem lá de cima... Se você não conhece, esse é o Marvin, o robô depressivo do Guia do Mochileiro das Galáxias. Se você não assistiu ao filme, recomendo que faça urgentemente – ou, melhor ainda, leia o livro. A partir de agora, ele será a mascote do blog, já que ganhou a eleição com os outros competidores (Hardy Har-Har, Willie E. Coyote e George Costanza) por 1 voto de diferença. Sim, claro que fui eu quem votou, o blog é meu!

Mas não se preocupem que o Championship Vinyl continuará sendo totalmente Championship Vinyl, em todo seu conteúdo. Além disso, o Marvin combina muito bem com a filosofia do blog, já que ele é um dos maiores adeptos da teoria de que a humanidade não deu certo.

E, para comemorar, segue aqui um Top 5 das Melhores Frases de Marvin no filme (o novo “slogan” do blog, obviamente, abre a lista):

1. "Vida? Não fale comigo sobre a vida."
2. "Eu tenho um milhão de idéias, mas todas elas levariam à morte certa."
3. "Aqui estou eu, com um cérebro do tamanho de um planeta, e eles me pedem para levar vocês até a ponte. Falando em realização profissional..."
4. "Eu calculei as chances de vocês sobreviverem, mas acredito que vocês não irão gostar."
5. "Eu daria uma sugestão, mas vocês não me ouviriam. Ninguém nunca me ouve."

4 de julho de 2007

Último Post

Aos leitores desse blog:

Sinceramente, não é nem com tristeza, nem com pesar no coração, que faço esse anúncio. Após quase um ano postando meus pensamentos aqui no Championship Vinyl, este é o Último Post do blog. Gostaria que ele fosse um pouco mais dinâmico, talvez até mesmo sobre um assunto grandioso, mas, infelizmente, nem sempre as coisas são assim. Como eu já disse em outro texto, tem dias que simplesmente o post não vem. Infelizmente hoje é um dia desses.

Mesmo assim, aproveito o momento para agradecer a todas as pessoas que leram os textos, fizeram comentários, indicaram o Championship Vinyl a prêmios e o recomendaram aos amigos. Peço desculpas também aos assinantes do blog, por não ter aqui um texto melhor para começar o dia de vocês, neste Último Post, como (espero que) eu tenha feito nas últimas semanas.

Ao longo dos últimos meses, os elogios que recebi por este blog (especificamente por alguns textos) realmente me encheram de orgulho e eu gostaria muito de assinar um texto de qualidade para postar todos os dias – especialmente hoje – mas isso está longe de acontecer. Justamente por isso que encerro esse texto, o Último Post do Championship Vinyl, falando, infelizmente, sobre absolutamente nada. O único assunto que consegui abordar é justamente esse: o Último Post é o Último Post desse blog.

E, assim, me despeço, encerrando esse texto (e ainda sem conseguir esconder a vontade de ter algo mais interessante, sobre a vida, sobre o mundo, ou até mesmo sobre mim ou sobre a Besta-Fera para escrever nesse momento).

Mas, é hora de terminar com isso aqui e partir. Paciência. All good things...

Ei, espera aí.

Você achou que o Championship Vinyl vai acabar? Não, claro que não. Ei, eu não falei nada disso. Releia o texto. Eu não disse em momento algum que iria acabar com o blog. Você que cismou de achar que “Último Post” significa o “Post Final” (ou "Post Derradeiro, dependendo do seu grau de erudição). Esse texto chama “Último Post” apenas porque é o post mais recente a ser publicado aqui. Simples assim. Assim que eu postar outro texto aqui (o que deve acontecer ainda essa semana), ele passará a ser o “Penúltimo Post”. Mais um texto publicado, e ele se tornará o "Antepenúltimo Post" e por aí vai... Mas, até isso acontecer, esse post continua sendo o Último Post do Blog.

Enfim, aproveito para anunciar que estou preparando uma nova saga no estilo Carolina (e, infelizmente para mim, novamente baseada em malditos fatos reais). Mas, antes disso, encerro esse Último Post com o Último Top 5 do Blog, citando os 5 primeiros posts do blog (do quinto para o primeiro):

5. Romantismo 0 X 1 Enlarge Your Penis
4. The Great Escape
3. A Dança dos Signos
2. Vai ser uma Longa Semana...
1. Nasce um Monstro?

3 de julho de 2007

Top 5 - O que Fazer em Caso de Incêndio

Cumprindo minha promessa, volto à programação normal do blog com um Top 5 especial abordando alguns dos problemas detectados nos últimos dias na minha vida. Mas não quero que pensem que estou fazendo chantagem emocional e pedindo ajuda aqui. Pelo contrário, estou apenas desabafando, pois já resolvi (aparentemente) todos esses entreveros da minha vida.

Justamente por isso que coloco aqui não apenas uma descrição do problema, como as soluções testadas e indicadas para cada caso. Ou seja, se em algum momento você passar por alguma situação semelhante, num daqueles picos de Ô Fase que a vida assume às vezes, é sinal de que você é tão cagado quanto eu pode buscar inspiração nesse pequeno manual de sobrevivência.

Portanto, deixo-lhe de presente esse post de auto-ajuda. Segue, então, o atual Top 5 Ô Fase da minha vida (devidamente analisados e solucionados):

Case 1
Situação original: Você está lendo o caderno de esportes durante o jantar, na mesa da sala.
Descrição do problema: Ao levantar o jornal para virar a página, descobre um martelo. Que você nem sabia que tinha.
Análise do problema: Você definitivamente não é normal e sua casa reflete isso.
Solução recomendada: Finja que nada aconteceu. É coisa do Jonas, com certeza. Na dúvida, deixe o martelo ali mesmo, é mais seguro.

Case 2
Situação: Você está andando voltando a pé para casa, depois do trabalho.
Descrição do problema: Seu telefone toca. É um amigo seu dizendo (com tom de voz de quem acabou de realizar a maior descoberta da idade Contemporânea): "Hoje, quando você chegar em casa, escute Perfect Strangers, Kashmir e o Bolero de Ravel! Tem que ser nessa ordem".
Análise do problema: Você definitamente não é normal e seus amigos refletem isso.
Solução recomendada: Sorria e concorde com ele. Após desligar, risque-o imediatamente de seu círculo social.

Case 3
Situação: Você está fumando enquanto trabalha e resolve parar para tomar um café.
Descrição do problema: Você termina o cigarro e o café ainda está pela metade. Ou seja, você terá que fumar novamente quando terminar o café (leia-se três minutos depois).
Análise do problema: Você definitivamente não é normal. E é meio tapado também.
Solução recomendada: Se você faz isso uma vez, é distração. Se você faz isso quatro vezes por dia, é porque você é um total idiota. Não há muito o que fazer aqui.

Case 4
Situação: Você entra na Fnac após o almoço, para fazer a digestão.
Descrição do problema: Megadeth, Mötorhead, Ozzy Osbourne, Manowar e Saxon lançaram CDs novos no espaço de um mês.
Análise do problema: Você definitivamente não é normal e a forma na qual você investe seu dinheiro reflete isso.
Solução recomendada: Fudeu. 3 vezes no cartão e manda bala.

Case 5
Situação: Você está em casa, sábado a tarde, vendo TV após almoçar.
Descrição do problema: Seu interfone toca. É o zelador, pedindo R$ 20,00 emprestado. E ele não diz para que precisa do dinheiro.
Análise do problema: Você definitivamente não é normal e seu prédio reflete isso.
Solução recomendada: Melhor emprestar e, claro, não apenas não perguntar o que é, mas também nunca cobrar o dinheiro. Ele é o chefe dos porteiros, então você está na mão dele. E ele sabe disso, daí a extorsão.

Pirâmides, Colossos, Mausoléus e Blogs

OK, eu sei que tenho falado muito mais de outros blogs – e do meu blog – por aqui nos últimos dias, mas isso foi por causa do prêmio Blog com Tomates e da minha partipação no Meme (“Existe concorrência entre blogs?”). Enfim, vou entrar nesse assunto mais uma vez, mas prometo que será a última, ao menos por um bom tempo.

É que não posso deixar de agradecer as outras cinco indicações ao Blog com Tomates recebidas pelo Championship Vinyl, disparadas pelos blogs Acepipes Escritos, O Elemento Fogo, Cinema, Afins e uma Dose de Whiskey, por favor, Cheiro de Brinquedo Novo e Museu Anos 80. Junto com a indicação do Arthurius, então, o Champ Vinyl tem seis indicações ao Blog com Tomates.

E, todos vocês que estão fazendo campanha para o Cristo Redentor entrar na lista das Sete Maravilhas do Mundo (eu estou pensando em começar uma campanha em favor da estátua do Borba Gato, só de sacanagem): chupem. O Championship Vinyl conquistou cinco indicações ao prêmio 7 Maravilhas da Blogosfera. Agradeço ao Arthurius, Dr. Spock, Diego Moretto, Wagner e Júlio Moraes pelas indicações e prestígios.

Porém, agora é hora de trabalho. Sim, como indicações de montão fazem de Rob um bobão, eu preciso deixar agora uma lista com sete indicados ao 7 Maravilhas. Sem mais delongas, vamos lá:

(Se seu blog está abaixo, clique aqui e pegue o selo. Na verdade, o prazo das indicações era até domingo, mas como eu recebi as mensagens apenas ontem, mandei um mail para o blog autor do concurso explicando o fato (I'm gonna make him an offer he can't refuse mode: on).

Museu Anos 80, Visão Panorâmica, Blog do Moulin, Tempo de Saturno, O Louco Meu, CineFuteblog, Devaneios e Loucuras.

Agora, voltamos a programação normal. Mas, para não perder o hábito, seguem 5 concursos de blogs que DEVERIAM ser realizados:

1. Certificado No Imagination- que escolherá os blogs que mais copiam material de outros blogueiros
2. Pirate Award - Para os blogs com maiores números de links para donwloads (normalmente inúteis) por post
3. Troféu Narciso - para o blogueiro que postar o maior número de comentários "seu blog é legal mas venha conhecer o meu" por dia.
4. Trofél Hasasino da Hortografia - para o blog com os erros mais toscos de ortografia e digitação por linha
5. Prêmio Miguxês do Ano - u titulu eh autu-exxxplicativu...... Soh uxxx emuxxx podi koncorre, viu, galerinhah??!?!

2 de julho de 2007

Concorrência, sim. Rivalidade, não.

Na semana passada, tive a honra de ser convidado para um Meme por dois excelentes blogueiros das redondezas, o Wagner do Bla-Blaísmo e o Dr. Spock, do Ô Louco Meu. Admito que eu havia prometido publicar o meu texto no post do dia 27 de junho, mas fatores externos à minha vontade impediram a elaboração do texto.

Para não ficar com cara de desculpa esfarrapada ("tava com medo, né, Rob?"), cito abaixo todos os motivos, e vocês compreenderão que o texto demorou por razões realmente importantes. Primeiro, postei a minha imagem no universo dos Simpsons, que, para mim, vale mais que qualquer texto (nerd mode: on); segundo, passei o sábado matando a saudade de jogar Civilization IV (nerd mode: on); e ontem, fui a uma feira de quadrinhos, onde gastei os tubos (nerd mode: on) e ao cinema, assistir Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado (nerd mode: on), que por sinal, é uma bosta (nerd purista mode: on).

Posto tudo isso, posso me dedicar ao texto em si e pensar sobre a pergunta proposta pelo Meme: Existe concorrência entre blogueiros?

Sim, existe (no meu caso é um pouco diferente, mas falarei disso mais para baixo). Afinal, todo blogueiro é narcisista por definição. Ele quer que seus textos sejam lidos e que as pessoas entrem todo dia no seu blog para descobrir se há novidades. E ele sonha em receber toneladas de comentários sobre cada post que assina. Afinal, convenhamos: se ele não estivesse nem aí com o fato das pessoas lerem ou não seu texto, ele não teria um blog. Apenas digitaria o texto no Word, salvaria na pasta “c:/pessoal/obras-primas que ninguém vai ler mesmo e foda-se” e pronto.

Agora, se ele publicou o texto na Internet, é porque ele quer que alguém leia - foi justamente para isso que ele postou. E, a partir do momento que ele recebe o primeiro comentário no blog – e percebe que alguém está efetivamente lendo o que ele escreveu – ele começa a não querer apenas ter leitores. Agora, ele quer ter mais leitores (e mais comentários, elogios, comunidades no Orkut, mansões, limusines e encontros com modelos internacionais) que o amigo (ou concorrente?) que também tem um blog. E aí, quando ele menos espera, está entrando no blog dos amigos (ou concorrentes?) para ver quantos comentários cada um conseguiu, qual a freqüência de suas atualizações e quais assuntos estão sendo postados nos outros blogs.

Claro que muitas vezes estamos falando de uma competição saudável. Nada impede que um blogueiro admire um outro blog que faz mais sucesso que o dele e não tenha a menor vergonha em assumir isso. Ele assina os feeds do amigo (ou concorrente?), comenta os posts novos, linka o blog no seu, e chega até mesmo a indicar o amigo (ou concorrente?) para prêmios. Em suma: Concorrência? Sim. Rivalidade, não.

No meu caso? Existe, claro. Existem um punhado de blogs por aí (e não são poucos), que acho que possuem textos (textos. plural. mais de um.) que beiram a genialidade. Claro que não vou dar nomes aqui, para não valorizar a concorrência. Alguns, inclusive, de amigos (ou concorrentes?) meus. E, sim, entro no blog deles, comento e deixo claro que vejo o texto do sujeito como primoroso.

Mas eu disse acima que, no meu caso, a resposta para essa pergunta é um pouco diferente de um simples "sim, existe" porque existem alguns blogs que eu realmente não vejo como concorrentes meus (o que nos leva à segunda parte do Meme: "blog tem que ter conteúdo?"). Aliás, desculpem a arrogância, mas existem blogs que não apenas não vejo como concorrentes, mas que não vejo nem como blog.

Você conhece o tipo: são aqueles blogs que ficam copiando piadas e fotos que recebem por mail, e cujo post mais criativo é aquele em que ele copia um vídeo engraçadinho do Youtube e coloca o seguinte texto: "olha só esse vídeo, que bem loco huahuahauahauhua comentem ai". E, sim, você pode ter 319 comentários sobre o vídeo, mas, partindo do princípio que todos os 319 serão variações de "que video bem loco hauahuahuahau", eu não faço questão deles. Aliás, faço questão de não ter comentários assim. O que faz um blog é a criatividade e não as palavras "blogspot", "wordpress" no endereço eletrônico.

Sinceramente, até mesmo o blog de uma menina de 14 anos que escreve que "onti eu fui nah kazah dah lu i ficamuxxx axxistinu lost...... ai...genti...u ki eh akele sawyer?!?! i u jack??!?! gatuxxx d+!!!!!" é mais blog que blogs ctrol + c ctrol + v. Ok, ela usa um idioma de merda, escreve sobre algo totalmente desinteressante, mas é uma pessoa que, ao menos, sentou na frente do computador e escreveu algo. Ela está criando algo, ao invés de ficar copiando tudo de outros sites, dos e-mails que recebe e, pior ainda, de outros blogs.

Encerrando, sim, blog tem que ter conteúdo, não para ser bom, mas para ser um blog. E conteúdo não são atualizações diárias. Conteúdo é material próprio.

Na minha modesta opinião (modesta mesmo, porque não tenho nem um ano de blog), existem duas características imprescindíveis para um bom blogueiro: 1 - criatividade e 2 - saber reconhecer que um blog pode ser melhor que o seu. Criatividade não se aprende, mas se pratica. Agora, se você não consegue encontrar um blog melhor que o seu em lugar nenhum da internet, acredite em mim: seu blog deve ser uma bosta, e só você não percebeu isso ainda (inveja é uma merda mode: on).

Continue copiando os seus videozinhos do Tapa na Pantera, da ex-senhora Gordo perpetuando a espécie na praia e da piada do Bambu no programa do Sílvio Santos no seu "excelente" blog e seja feliz. Apenas não comente no meu, porque, primeiro, quando você o faz, fica claro que você comentou apenas para deixar o endereço do seu. E, segundo, porque eu dou valor demais para os meus leitores, não quero que eles sejam confudidos com você.

Ah, e sim. Pode falar aos seus amiguinhos que meu blog, concorrente do seu, é uma bosta, com textos longos e chatos. Eu juro que não vou desmentir você.

Achou um blog melhor que o seu? Não adianta dar
chilique. Talvez o blog realmente seja bom.
Ou talvez o seu é que seja uma bosta.

Bem, colocada a resposta desabafo aqui, passo a corrente para outros cinco blogs de alto nível para continuar a corrente (não furem a corrente, ou, você sabe: seus pais serão atropelados até o final da semana, você vai perder uma fortuna em dinheiro e, pior, seu blog se tornará objeto de adoração de uma comunidade Emo no Orkut):