Sinceramente, eu nunca entendi direito esse negócio de ano bissexto. Desde pequeno a gente aprende que o ano tem 365 dias, mas, a cada quatro anos, a gente vê que as coisas não são exatamente assim – o que faz você questionar o que mais te ensinaram errado na escola.
Foi mais ou menos como a maldita raiz quadrada. Eu passei boa parte da adolescência achando que não existia raiz quadrada de números negativos. De repente, aos 43 minutos do segundo tempo (ou seja, na última aula do terceiro colegial), o professor de matemática diz que a raiz quadrada de um número negativo é um Número Irreal. Irreal. Ou seja, o próprio nome diz que não existe, mas, na verdade, existe, tanto que tem nome. E, quando você começa a pensar sobre o assunto – lembrando que falta uma semana para o vestibular – você percebe que está sozinho na sala de aula, porque o professor falou isso e saiu correndo para o carro dele. Até hoje eu culpo os tais Números Irreais por não ter entrado na USP.
Agora, o lance do ano bissexto é mais ridículo ainda, porque a gente aprende desde criança que o ano tem 365 dias. O problema é que num determinado momento descobriram que o dia não tem 24 horas, mas apenas 23 horas e 56 minutos (ou algo assim). Ou seja, a cagada havia sido feita lá atrás e alguém precisava corrigir. Devem ter pensado em acertar isso da maneira correta, tirando quatro minutos de cada dia, mas provavelmente a Globo não autorizou, porque uma medida dessas iria destruir a grade de programação.
Mas uma solução era necessária. Afinal, não corrigir isso faria que, em determinado momento, as pessoas passassem anos almoçando às 03:00 da manhã (o que eu já faço normalmente, devido aos meus horários malucos de puta jornalista) e que a “novela das
Mas, realmente, era importante que se fizesse algo. Afinal, imagine a vergonha que passaríamos quando o planeta fosse analisado por alienígenas que procuram por vida inteligente no universo.
– Eu não estou entendendo. Os habitantes daquela cidade estão dormindo, mas são quatro da tarde.
– Eu também estranhei isso e fui pesquisar no banco de dados. Parece que eles erraram na contagem de horas do dia séculos atrás.
– Tem certeza? Isso é um erro primário demais.
– É o que diz no computador.
– Eu falei para você. Esses bípedes de carbono não podem ser a espécie dominante do planeta. Ninguém no comando de um planeta faria uma cagada dessas. Deve haver vida realmente inteligente lá embaixo e nós ainda não localizamos.
– Tem razão. Eu sou a favor de darmos uma chance aos tatus. Gosto do estilo deles.
– Concordo. Peça para o estagiário abduzir um tatu e vamos estudá-lo aqui na nave.
Para evitar constrangimentos como esses (e para sorte dos tatus) a humanidade brilhantemente chegou a uma saída: tiraram um dia da cartola e pronto. Mas, convenhamos, não é uma idéia muito brilhante, já que chama mais a atenção que o problema. Eles acharam que como fevereiro é um mês mais curto e tem carnaval, ninguém iria reparar que o calendário estava com um dia a mais? E quem faz aniversário neste dia? Imagine como se sentem uma garota que nasceu em 29 de fevereiro e que precisa esperar 60 anos para debutar, ou o garoto que mesmo tendo celebrado apenas oito aniversários, já é casado e tem dois filhos.
Fora a cafonice do ano bissexto e o seu conceito de “dia a mais”, que soa como uma espécie de promoção barata ou campanha de milhagem. “A cada quatro anos vivo, você ganha como bônus um dia inteiro totalmente grátis”. Fora que o lance de acontecer a cada quatro anos, como Copa do Mundo e Olimpíadas, não é exatamente original.
Enfim, isso, para mim, é uma amostra perfeita da humanidade, uma espécie biológica que não consegue se desenvolver porque está ocupada demais remendando os próprios erros. Daqui a pouco, vão descobrir que os meses têm 15 dias e, pior, cada semana tem, na verdade, três segundas-feiras. E, para acertar isso, com certeza vão resolver tirar 20 horas do domingo, deixando somente as quatro horas (ou melhor, três horas e 56 minutos) restantes bem no meio do programa do Faustão.
Ô fase. Mas, aproveito o dia a mais para colocar, aqui, o Top 5 coisas mais imbecis que me lembro da escola:
1. O macho da drosófila não pratica crossing-over (eu já usei isso no blog antes, mas permaneço com a opinião de que essa é a frase mais estúpida que eu vi). Toda vez que eu penso nisso, imagino o macho da drosófila saindo de um restaurante, envergonhado e cercado por seguranças, enquanto um monte de paparazzi na calçada tenta conseguir uma foto dele.
2. Genética – sei que é util, mas não consigo me conformar com o fato de que qualquer livro de biologia apresenta como exemplo de gene recessivo o albinismo (azinho / azinho, lembra?). Cadê a criatividade, gente? Não existe outra anomalia? Por que não usar uma pessoa com três olhos como exemplo? Ia fazer muito mais sucesso.
3. Conjuntos – Não importa a série em que você esteja, o primeiro capítulo do livro de matemática é sempre conjuntos. Sempre. No terceiro colegial, lá está você, com barba na cara, aprendendo pela enésima vez a porra do conjunto intersecção e tendo que desenhar aquilo como se fosse um débil-mental.
4. Bandeja – Por que todo o professor de educação física é obcecado em ensinar as crianças a fazerem cesta de bandeja?
5. Citologia – Eu tenho certeza de que metade daquelas malditas organelas como retículo endoplasmático liso e complexo de Golgi (que, para mim, sempre teve nome de distúrbio psicológico) não existe.




