28 de abril de 2007

Aumente as Visitas do Seu Blog em 15 Passos

1 - Tenha um computador
O primeiro passo é possuir um computador com editor de texto em casa. Sim, isso é estritamente necessário, já que a velha máquina de escrever do seu pai não servirá para atualizar seu blog com freqüência. Um caderno e caneta também não funcionarão aqui. Lembre-se disso: o computador é a ferramenta mais indicada para quem quiser produzir um blog de sucesso.

2 - Tenha conexão com internet
Outro ponto crucial é estar conectado a internet. Você pode ser o melhor escritor do planeta, mas sem acesso a Internet você poderá apenas salvar os textos que revolucionarão a história da humanidade – e o transformarão numa celebridade virtual -, na sua HD, o que fará com que as pessoas tenham certa dificuldade em localizá-los. Acredite em mim.

3 - Tenha um blog
Você se lembrou de criar seu blog, certo? Caso contrário, pare de ler agora e crie seu blog imediatamente. Só depois disso você deve voltar a esta página e continuar a leitura.

4 - Alimente seu blog com centenas de posts antigos
Ninguém ggosta de blogs novos, com dois ou três textos. Já um blog com toneladas de posts publicados passa credibilidade ao leitor. Então, mãos à obra: escreva centenas de textos e publique-os com outras datas, para dar a impressão de que seu blog existe há anos. Com isso, os leitores, que nem desconfiam que seu blog foi criado três dias atrás, terão vergonha de não ter conhecido sua página antes. Uma dica: pegue um grande filme, copie a resenha de um crítico famoso sobre a obra e publique num post datado dois dias antes da crítica dele ter sido publicada originalmente. Feito isso, acuse-o de plágio no post seguinte.

5 - Faça previsões ousadas.
Aproveitando que você acabou de escrever textos que terão datas de dois ou três atrás, mostre a todos o poder que o seu blog tem de prever o futuro. Assine um post de quatro anos atrás indicando a data que o Papa irá morrer, e afirme veementemente que Lula irá ser reeleito com folga num texto com publicado no meio do escândalo do mensalão. O mesmo vale para os resultados do Oscar e da Copa do Mundo - você sempre sabe todos com antecedência.

6 - Divulgue seu blog no Orkut
Uma das maiores ferramentas de divulgação de blogs é o Orkut. Mas não entre em comunidades de blogueiros para isso. Com seus posts falsos, você seria desmascarado em minutos. Ao invés disso, apele para o emocional das pessoas. Inscreva-se numa comunidade de neonazistas e peça, abertamente, comentários para o texto que você escreveu discorrendo sobre o orgulho da história judaica (não se esqueça de passar o link). Depois disso, é só sentar e relaxar. Os comentários vão começar a surgir no seu blog numa velocidade impressionante.

7 - Monte a comunidade do seu blog no Orkut
Já que todo blog famoso tem uma comunidade no Orkut, não poderia ser diferente com o seu. Crie um profile falso e monte a comunidade homenageando o seu blog. Após terminar isso, crie cerca de 3 mil outros profiles – todos com informações no perfil e fotos diferentes – e cadastre-os na comunidade do blog. Faça alguns profiles de celebridades e formadores de opinião para isso. Como seu blog já tem cerca de 1000 posts escritos (ver passo 4), você pode investir seu tempo na comunidade, postando comentários no fórum de discussão sobre o quanto o seu blog é genial e bem escrito. Não se esqueça de que toda comunidade do Orkut, independente do assunto, contém o tópico "Você beijaria a pessoa acima?".

8 - Use os profiles fakes do Orkut pra comentar seus posts
Aproveitando que você possui, agora, centenas de contas do gmail usadas para criar os profiles do Orkut, use todas elas para comentar cada um dos seus posts. Acesse todos os textos e vá postando comentários, dizendo sempre o quanto "esse texto é genial e mudou minha maneira de pensar".

9 - Forje entrevistas
Entre os posts que você criou, faça entrevistas polêmicas e exclusivas no seu blog. Porém, como ninguém perderia tempo sendo entrevistado por você, você terá que forjar todas elas. Mas isso não será problema algum. Sente-se no computador e invente entrevistas nas quais Lula confessa abertamente a você seu envolvimento em escândalos políticos; Romário admite que marcou cerca de 600 gols no máximo; e Bono comenta que já manteve relacionamentos homossexuais, mas nunca teve coragem de assumir. Entrevistas com personalidades já falecidas também funcionam, desde que você explique no texto que contou com a ajuda de uma médium. Nesse caso, recomenda-se criar o blog da médium, seguindo todos os passos anteriores, e linká-lo ao seu.

10 - Disponibilize o áudio das entrevistas
Em todas suas entrevistas, disponibilize um link para os leitores ouvirem o áudio original da conversa com a celebridade. Esse link levará o usuário a uma página de cadastro, onde ele terá que preencher 350 campos de informação pessoal – incluindo CPF, número e senha do cartão de crédito – para poder baixar o arquivo. Como ninguém terá saco de preencher tudo até o final, ninguém descobrirá que não existe áudio algum.

11 - Faça campanhas sociais
Como seu blog é preocupado com questões sócio-ambientais, ele sempre servirá de palco para campanhas desse tipo. Desmatamento da Amazônia? Aquecimento global? Criminalidade nas grandes cidades? Não importa, qualquer assunto serve. Invente o nome de uma ONG, crie uma campanha qualquer e coloque o número e a agência de sua conta bancária, pedindo doações de R$ 10,00. Isso não necessariamente irá aumentar o número de comentários do seu blog, mas deverá exapandir seu capital de giro – possibilitando até mesmo que você contrate alguém para criar outros 3 mil profiles no Orkut e postar comentários no seu blog e na sua comunidade do Orkut.

12 - Levante perguntas polêmicas
Em seus posts, deixe no ar pergunta polêmicas sobre assuntos relevantes. Escreva, por exemplo, que você pretende assassinar um importante membro do governo. Seu plano já está todo arquitetado, inclusive com uma rota de fuga segura (dê alguns detalhes, dizendo que o crime ocorrerá em Brasília, provavelmente numa terça-feira). Peça a opinião das pessoas fazendo uma espécie de enquete no blog, perguntando qual político deveria ser morto. Deixe claro que o mais votado será realmente eliminado.

13 - Seja especialista em tudo
Como as pessoas não conhecem você, isso lhe garante espaço suficiente para ser especialista em qualquer assunto: educação sexual, medicina, administração de empresas, física quântica, economia internacional. Crie uma seção de “dúvidas dos leitores” no blog e responda a todas as perguntas dos leitores, que você mesmo forjou com suas senhas falsas. Lembre-se de que as pessoas, em ocasiões assim, preferem o anonimato, então você terá que usar sua criatividade. Por exemplo: “Sou modelo e apresentadora da MTV brasileira e gostaria de apimentar um pouco meu relacionamento com meu namorado. Estou pensando em viajar com ele para alguma praia espanhola. Você acha que isso poderá melhorar meu relacionamento?”

14 - Crie um programa de Milhagem
Crie uma seção no seu blog com vídeos de famosos fazendo sexo com você. Essa link leva a uma página que informa que, por ser conteúdo de cunho muito pessoal. apenas leitores com mais de 10.000 comentários postados no blog tem acesso a esse tipo de material.

15 - Faça promoções culturais
Crie promoções em seu blog, onde você irá sortear prêmios exclusivos aos leitores. Mas não estamos falando de camisetas ou bonés com o nome do blog, e sim de TVs de plasma, aparelhos de home theater, notebooks e até mesmo carros 0 km. Deixe uma pergunta em algum post e avise que todos os comentários concorrerão ao prêmio - qualquer leitor pode comentar mais de uma vez. Obviamente, você não irá divulgar os vencedores para não se comprometer, mas você não irá entregar prêmio nenhum - o que deve aumentar ainda mais os comentários no seu blog, com as reclamações. Se a situação ficar insustentável, pegue seu primo, vá até uma concessionária e tire uma foto com ele ao lado de um carro novo. Publique no seu blog afirmando que ele é o grande vencedor do concurso. Faça outra promoção logo em seguida.

20 de abril de 2007

Direitos Iguais!

Nos Estados Unidos, o coreano Cho Seung-hui assassinou 32 pessoas na universidade da Virginia e se suicidou logo em seguida.

No Rio de Janeiro, um tiroteiro entre policiais e traficantes em plena manhã de terça-feira resultou em 13 mortos - além de três feridos.

No Iraque, mais de 200 pessoas (entre elas, civis) morreram durante um conflito ao longo da semana.

Em meio a tanta violência, deixo aqui a seguinte pergunta:

Por que ninguém faz nada com os sujeitos que ficam, toda sexta-feira, cantando pagode no boteco ao lado do meu trabalho?*

Enquanto ninguém responde, seguem 5 rimas obrigatórias em qualquer letra (eufemismo mode: on) de pagode:

1. Saudade / Vontade
2. Neném / Meu Bem
3. Mais / Atráis (sim, eles falam "atráis" mesmo)
4. Coração / Paixão
5. Amor / Dor

* por uma questão de bom gosto, esse post não será incluído na tag "música".

19 de abril de 2007

Os "The Bits"

O interessante de você comer sempre no mesmo lugar é que os garçons acham são seus amigos íntimos e que qualquer coisa que eles tiverem para falar será do seu interesse. Isso quando eles não acham que entende mais da sua vida que você. Por exemplo, na churrascaria da Rebouças que sempre vou , um dos maitres cismou que sou locutor de rádio e – apesar de eu desmentir isso toda vez que vou ali – espalhou o boato para todos os funcionários. Ou seja, toda vez vou jantar ali, preciso explicar que “não, não trabalho em rádio nenhuma” para os garçons, entre uma fraldinha e uma picanha.

Mas o melhor é no restaurante aqui ao lado do trabalho. Eles sempre querem desabafar alguma coisa comigo. Eu estou no meio do almoço, conversando com alguém e de repente um deles chega até a mesa para conversar. Veja bem, eu não disse "cumprimentar", nem "ver se quero beber algo". Eu disse "conversar". Não sei o motivo, mas eles julgam que será importante para o meu dia saber do motoqueiro que quase bateu numa Kombi na frente do restaurante, no meio da manhã; que a Marginal está parada, pelo que ele ouviu no rádio; ou que o Corinthians entrará com o lateral-direito reserva no jogo de amanhã.

E é sempre assim. Mas o melhor foi hoje. Estava almoçando e na hora que um dos garçons veio anotar o pedido das bebidas (“não, sem geli-limão, só gelada”), ele fez o seguinte comentário:

– Esse é dos Bits, né?

Fiz a minha melhor cara de interrogação. Caprichei mesmo, para ver se ele percebia que eu não dominava o idioma dele e não fazia a menor idéia do que ele estava falando.

– Oi?

– Esse aí é dos Bits, né?

– ....

– Os Bits!

– Olhe, vou ser sincero. Não entendi absolutamente nada do que você quis dizer.

– Esse aí! Dos Bits!

E apontou para a mesa, onde estava meu maço de cigarro e meu isqueiro. Aí, sim, eu consegui entender. E, claro, respondi:

– Ah sim! É dos Bits. Tem razão.

Ô fase.


Seguem, então, as 5 Melhores Músicas dos “Bits” ( mas a lista muda toda semana):

1. The Long and Winding Road – leia a tradução da letra com a cabeça de alguém apoiada no seu ombro e você vai entender porque é a primeira da lista.
2. While my Guitar Gently Weeps – Beatles tocando, Eric Clapton solando. Seja sincero: precisa mais?
3. Eleanor Rigby – O Ray Charles regravou. Você discordaria dele? É, eu também não.
4. Here Comes the Sun – Serviu até como título de post aqui. Claro que teria que entrar.
5. Penny Lane – Desde a primeira vez que ouvi, anos atrás, nunca mais saiu da minha cabeça. Até hoje me pego, às vezes, cantando o refrão.

16 de abril de 2007

Walk this Way!

Novamente, grandes mudanças na lista dos posts mais vendidos. Babel, que durante bom tempo esteve no trono da lista dos textos mais comentados, não agüentou a pressão por ter perdido a liderança e, com a moral abalada, despencou na tabela igual a um time pequeno. Mas, com seus 13 comentários, ainda merece lugar entre os cinco melhores – sabe-se lá por quanto tempo. Enfim, a tabela nova segue aí ao lado direito.

A grande surpresa da tabela foi a ascensão do post Pequeno Interlúdio Canino, que aborda mais uma das facetas do relacionamento entre eu e a Besta-Fera. Talvez pela foto do animal (ressalto: não se deixem enganar pela imagem, é uma criatura totalmente vil e manipuladora!) o post gerou bom número de comentários, não assumindo a primeira posição apenas porque o punk Johnny e sua briga no Pão de Açúcar continuam rendendo comentários.

E, claro, temos o fenômeno: o review do show do Aerosmith. Com divulgação no Orkut, tornou-se o post mais visitado da história do blog: só no primeiro dia, o texto contou com 666 visitantes – nada mais roqueiro que esse número – chegando ao pico de 22 leitores online aqui no Championship Vinyl. Nada como pegar carona numa banda de sucesso. Finalmente entendi porque existem tantas bandas cover por aí.


Infelizmente, muita gente comentou no Orkut mesmo, o que impediu que o texto explodisse de comentários aqui no blog. Mas agradeço a todos os comentários (feitos aqui ou lá) em especial aos que me corrigiram sobre a data do show do Metallica: 1993 (mais precisamente, 1º de maio), e não 1994, como eu citei. Desculpem por isso. Já a pessoa que me informou que Steven Tyler possui 60 anos, insisto que ele “ainda” tem 59 (nasceu em 26 de março de 1948).

E, por fim, agradeço ao carioca Alexandre que mandou um comentário sobre o trecho “chupa Rio: mode on” do post. Graças a seu comentário, meu repertório de palavrões aumentou consideravelmente, já que você citou uns dois ou três que eu nem conhecia. Infelizmente, fui obrigado a apagar o seu recadinho do coração, pois esse ainda é um blog censura livre.

Agradeço pelos palavrões que aprendi e já aviso: no próximo show grande que rolar somente em São Paulo (caracterizando mais um “chupa Rio: mode on”), você já é meu convidado. E, se der tempo depois do show, prometo que ainda te levo para comer uma pizza de verdade (sem catchup mode: on). Acredite: sua vida vai mudar!

13 de abril de 2007

Islé-Xê! Aérosmi-Tê!

Um amigo meu sempre diz que o talento e a importância de uma banda ou cantor são medidos pelos seus CDs de best ofs. De acordo com ele, bandas boas são aquelas que conseguem lançar uma coletânea dupla, só com músicas essenciais. O resto é o resto.

Ou seja, mantendo essa nota de corte, Aerosmith passa com louvor, tal o número de clássicos que a banda compôs durante os mais de 30 anos de sua história. Ok, a banda é preguiçosa, lança uma coletânea por ano e não solta um disco de inéditas desde 2001, mas não se pode negar sua importância para a história do hard rock, já que eles influenciaram praticamente tudo que o que aconteceu no gênero, da década de 70 para cá.

Sim, a banda já deixou de ser um simples grupo de rock e foi alçada à condição de lenda, especialmente devido à química entre seus dois principais integrantes: o vocalista Steven Tyler e o guitarrista Joe Perry. Não, eles não estão no mesmo nível de Page & Plant ou de Ozzy & Iommi, mas pertencem - e com justiça - à elite do rock. E se você pensou que a combinação Joelma & Chimbinha deveria estar nesse grupo, faça um favor para mim: pare de ler meu blog e nunca mais volte aqui.

Não é a toa que o show brasileiro da turnê mundial, realizado no estádio do Morumbi (chupa Rio mode: on) atraiu os mais diversos públicos, incluindo este que vos escreve, que possui todos os discos de estúdio da banda (colecionador é uma merda mode: on). Havia de tudo ali: fãs apaixonados pela banda; um ou outro tiozão disposto a chorar ao som de Sweet Emotion; patricinhas que foram ao show do momento, para ver “a banda que toca a música do filme do asteróide”. Havia até mesmo um ou dois emos perdidos ali, que provavelmente não conhecem merda nenhuma do Aerosmith, mas, quando descobriram que um dos maiores sucessos do grupo chama Cryin’, perceberam que não podiam perder o show.

E havia até mesmo alguns fãs de Guns ‘n Roses, que foram assistir ao show de Velvet Revolver. Não, na verdade, foram assistir ao Slash. E é justamente esse o problema da banda: o Slash sempre vai ser maior que o resto da banda. O grupo se segura bem no palco, mas o que a platéia quer ver mesmo é o Slash – de preferência com cartola. Basta o guitarrista começar um solo, que o público começa a gritar, com aquela pronúncia macarrônica:

– Islé-Xê! Islé-Xê! Islé-Xê!

Aliás, quando ouvi o primeiro grito desses, fiquei imaginando porque as escolas de inglês tipo CCAA ou Fisk não patrocinam esse tipo de evento. Não estou exagerando, a pronúncia é essa mesma: “Islé-Xê”. Na verdade, pode ser “Islé-Chê”, mas acredito que não.



Eu? Eu não gritei “Islé-Xê” ou “Islé-Chê”. Na verdade, o único berro que eu dei foi um educadíssimo “puta que o pariu, que do caralho!”, quando eles começaram a tocar It’s so Easy, do Guns. Quem me conhece sabe o quanto eu gosto de rock, e quem sabe o quanto eu gosto de rock sabe a importância que Guns ‘n’ Roses teve na minha alfabetizacão no assunto, lá pelos meus 14 anos (1900 e guaraná com rolha mode: on). De quebra, ainda tocaram Mr. Brownstone. E as duas músicas foram as únicas que realmente levantaram a platéia. Tomara que o Axl Rose tenha ficado sabendo disso. Chupa, gordo!

Cerca de meia hora depois, o Aerosmith entra no palco detonando Love in an Elevator e o estádio ameaçou cair. O público começou a pular alucinado, dava até para ouvir as rachaduras se formando. Sim, dava mesmo, porque o som estava num volume que dava a impressão de que a banda estava tocando no Pacaembu para a platéia no Morumbi. Até que alguém deve ter dado um toque para o técnico de som -que deveria estar se engraçando com alguma menininha – e ele aumentou o volume.



E aí, sim, que o Aerosmith decolou e mostrou às 62 mil pessoas (e aos 7 emos presentes) a sua importância. Clássico atrás de clássico, hit atrás de hit. E dá-lhe Toys in the Attic, Sweet Emotion, Dream On, Janie’s Gotta a Gun, Rag Doll, Walk this Way, Draw the Line e por aí vai. E, claro, baladas como Cryin’ e I Don’t Want to Miss a Thing também embalaram a noite, assim como os covers de blues Baby, Please don’t Go e Stop Messing Around, do disco Honkin’ On Bobo (essa última, cantada por Joe Perry). E, entre uma música e outra, o público demonstrava mais um pouco sua intimidade com o idioma britânico:

– Aérosmi-Tê! Aérosmi-Tê! Aérosmi-Tê!

Mas, independente das músicas tocadas, o show fica mesmo por conta da dupla Tyler & Perry. Se houvesse uma faculdade de “presença de palco”, o primeiro seria nome de centro acadêmico. Desde o primeiro minuto, ele dança, corre, pula, canta, grita, toca gaita, provoca a platéia e não se cansa. Vejam, estamos falando de um sujeito de 59 anos, que já consumiu mais heroína que todos os personagens de Pulp Fiction juntos.



Do outro lado, Joe Perry. Não tem muito o que falar, é o típico guitarrista de hard rock americano. Afinal, foi ele quem definiu o conceito “guitarrista de hard rock americano”. Anda pelo palco com cara de mau e sola como se estivesse copulando (eufemismo mode: on) com a guitarra. Em determinado momento do show, jogou a guitarra no chão, arrancou a camisa e começou a tocar chicoteando as cordas com a roupa. Impressionante. Detalhe que ele fez isso com uma naturalidade absurda, como se fosse a coisa mais comum do mundo. Vou ter que me repetir aqui: impressionante.

Sozinho, eles funcionam muito bem. Juntos, eles formam uma entidade sobre o palco. Isso é rock, não aquela merda que as bandinhas de merda cujo nome começa sempre com a merda do “The” (The Strokes, The Killers, The Niros, The Wathevers) fazem hoje. Cada segundo do show justificou todos os “Aérosmi-Tê!” gritados pela platéia.

Foi um show perfeito? Não. Faltaram coisas como Mama Kin, Back in the Saddle e tantas outras. Imaginou se eles fecham o show com Mama Kin, e ainda chamam o Islé-Xê para dar uma canja? Aí seria um absurdo, o Morumbi iria desmoronar. Islé-Xê! Aérosmi-Tê!



Mas o mais ridículo mesmo foram as últimas três músicas, Draw the Line, Sweet Emotion e Walk this Way. Três dos maiores clássicos da história e o público ali, olhando o palco com cara de paisagem. Ninguém sabe a letra? Ninguém conhece? Não é possível. A banda tocando, o público na frente do palco assistindo, em silêncio e eu ali, morrendo de vergonha por tudo aquilo. Porra, Sweet Emotion? Vocês não conhecem? Então, me digam o que vocês estão fazendo aí na frente do palco? Ah, entendi... É só para dizer para os amigos que “pegou grade”, né? Ok, a próxima vez faça a sua lição de casa e aprenda um pouco sobre a banda, ou deixe um fã de verdade ficar no seu lugar. Babaca.

Vou, inclusive, entrar no site oficial da banda agora mesmo e mandar um pedido de desculpas antes que isso acabe virando um incidente internacional. Os outros países ficariam sabendo que quase ninguém aqui sabe cantar Sweet Emotion, e seria vergonhoso demais. Já basta essa história dos 1000 gols do Romário que está começando a repercutir lá fora.

Ah, sim. Junto com o pedido de desculpas, vou mandar também um agradecimento. Afinal, com esse show de ontem eu finalmente entendi o que a música I Don’t Want to Miss a Thing quer dizer. E entendi perfeitamente. Acreditem.

Aérosmi-Tê! Aérosmi-Tê!

Mas, enquanto rabisco o mail de desculpas para a banda, seguem os cinco maiores shows de rock da minha vida (o de ontem não conta, ainda está sendo digerido):

1. Judas Priest (2005) – A única coisa que separa esse show da perfeição absoluta é a ausência de The Reaper. Mais nada.
2. Iron Maiden (1992) – Meu primeiro show e, justamente, da “minha” banda? Não tinha como dar errado. Na terceira música, eu estava sem voz, e fui recuperá-la totalmente só em 1996.
3. Dio (2006) – Só Heaven & Hell já teria valido a noite inteira. Logo, fazendo as contas, a noite toda acabou valendo por uma vida. Acreditem quando digo.
4. Metallica (1994) – Eles ainda eram homens, cabeludos e selvagens. Algumas pessoas da Bolívia juram ter ouvido os gritos da platéia do Parque Antarctica quando eles começaram a tocar One.
5. Deep Purple (2006) – Segundo show deles que fui e o melhor. E é impressionante o que eles fazem em cima do palco. Mas, também, estamos falando de cinco sujeitos que tem mais tempo de música que eu de vida. E tem gente que paga para ver Skank. Deus do céu.

11 de abril de 2007

O Último dos Moicanos - Final Alternativo

No dia seguinte à peleja entre Johnny e a gangue dos suspensórios, precisei pegar um táxi, na hora do almoço, e calhou de eu encontrar um carro somente na frente do (já lendário) Pão de Açúcar. Entrei no carro, e, assim que o motorista começou a subir a Teodoro, puxei papo com ele.


– O senhor viu o pau que deu aqui no mercado ontem?

– Vi, eu estava aqui na porta. Que coisa, hein, rapaz?

– É, foi feio.

– Mas aquele menino dos cabelos espetados é valente! Como é o nome daquilo, mesmo? Funk?

– Não. Punk.

– Ah é, tem razão. Funk.

– Não, não. Punk. Com “P”.

– Ah, sim. Verdade. Eu já vi isso na TV, a Globo sempre mostra esses funks aí. Esses caras são um perigo. Lá no Rio que tem muito disso, né? Parece que lá tem até baile disso.

Fui em silêncio o resto do caminho. Ou seja: o cara, além de apanhar e virar astro do meu blog, ainda passou a ser chamado de funkeiro entre os taxistas de Pinheiros.

Chupa, Johnny! Definitivamente, chupa.

Pequeno Interlúdio Canino

Você consegue acreditar que ainda existe bondade em você quando percebe que ficou assistindo a um episódio inteiro de Nip/Tuck no chão da sala, dando ração na boca do seu cachorro. Tudo porque ele não havia comido nada durante o dia.

Por outro lado, você se lembra de que o mundo é uma merda quando percebe que tudo isso aconteceu porque o cachorro deu uma de fresco e não gostou da ração nova, fazendo doce para comer.

Ou, pior ainda: fingiu que não gostou, só para o babaca aqui ficar dando comida na boca dele.


A lendária Besta-fera. Uma das criaturas mais cruéis
e manipuladoras que já assombrou essas paragens.
Duvida? Pergunte às minhas meias.

Segue, então, como desabafo, 5 Coisas que meu cachorro poderia NÃO gostar de fazer:

1. Latir, da varanda, para os carros da Teodoro Sampaio, às 4:30 da manhã.
2. Ir para a minha cama me acordar 3 minutos antes do despertador tocar.
3. Deitar no meio do sofá imediatamente após eu ter estendido um cobertor ali.
4. Brincar de Conan com minhas meias, abandonando o corpo de uma sob a cama e a outra embaixo da mesa da sala.
5. Passear como um débil-mental canino que insiste em manter a velocidade média de 45 km/h.

10 de abril de 2007

Johnny Bravo

Babel caiu.

Não, não estou falando da torre, nem do filme. Mas do lendário tópico que liderou a lista dos mais vendidos aqui ao lado desde sua publicação, em 20 de janeiro. Com 13 comentários, o texto foi considerado imbatível dentro do blog – o que sempre atrapalhou sua popularidade entre os outros posts, que faziam comentários maldosos sobre ele, inclusive espalhando calúnias sobre sua opção sexual. Agora, tudo mudou. A surra que o Pobre Johnny tomou no Pão de Açúcar reverteu-se em votos para a segunda parte da saga O Último dos Moicanos (simpatizantes do movimento punk, talvez?), fazendo o texto receber 14 comentários.

E, aproveitando que a lista foi alterada, mudarei também os princípios dela: as (até agora) três sagas publicadas no blog funcionarão como um post só na contagem de comentários. Nada mais justo, já que cada uma delas trata da mesma história. Afinal, se você pode comprar um pack com os três filmes O Senhor dos Anéis, agora você pode ter seu pack aqui no blog com os três posts de, por exemplo, A Batalha da Vila Mariana. Então, na lista ao lado, você encontrará o link para a primeira parte de cada saga - adicionei ao final de cada parte um link para a seguinte.

Com isso, vocês, inúmeros posts que teimam em permanecer com 9 comentários, somente para atrapalhar minha contagem dos 5 Posts mais vendidos, agora terão que fazer melhor para galgarem a escada da fama. E não adianta reclamar, dizendo que alguns leitores comentaram em todas as partes da mesma história. Quando vocês deixarem de ser meros posts e passarem a administrar seus próprios blogs, aí sim, vocês farão do jeito que quiserem. Enquanto isso, quem dá as cartas aqui sou eu.

E, aproveitando que o mês virou, estou trocando a lista dos 5 Posts Lado B. Se você é novo aqui, explico: são aqueles posts que eu adorei escrever, mas que quase ninguém adorou ler, simplesmente porque quase ninguém leu. Agora, num gesto de piedade da minha parte, dou a eles uma nova chance.

Em homenagem, então, à peleja Johnny X Gangue de Suspensórios no Pão de Açúcar, segue o Top 5 da vez: os posts do lado B e a batalha que eles narram (lembrando que nem todos apresentam a dose de violência vista em O Último dos Moicanos). Sim, a maioria deles apresenta Rob Gordon como um dos combatentes. É, eu sei. Ô fase.

1. Vai ser uma longa semana... – Rob Gordon X Gordinha do Greenpeace
2. Portês para Principiantes – Rob Gordon X Pessoasquefaladessjeituaqui
3. Coisas da Vida – Rob Gordon X Gorda da Paulista
4. As Mulheres de Chico – Rob Gordon X Fãs de Chico Buarque
5. Here Comes the Sun... – Mundo X Aquecimento Global

8 de abril de 2007

O Último dos Moicanos - Parte Final

(leia a parte I aqui)

O punk desvencilhou-se da velhinha justiceira e tentou partir em direção à rua, mas foi contido por três seguranças que o agarraram e tentaram levá-lo para dentro do mercado, passando justamente entre eu e o velho – que se afastou, óbvio, para deixar claro para todo mundo que realmente não o conhecia. Foi aí que eu reparei que a jaqueta de couro do punk tinha umas frases escritas com liquid paper (anos 80 mode: on). Consegui ler somente uma delas: “Lixomania”. Quase comecei a gargalhar de novo, mas achei que não seria uma boa idéia. Afinal, se eu começasse a rir ali do lado dele, não iria fazer a menor diferença eu estar de suspensório ou não.

De repente, um dos membros do exército de suspensórios materializou-se do nada atrás do sujeito e, mesmo com todos os seguranças ali, deu-lhe um pé de ouvido que certamente arrebentou seu tímpano – mas nem abalou seu penteado. Antes que o punk pudesse reagir, o cara ainda passou-lhe uma gravata que deixaria qualquer um imobilizado. Mas, convenhamos: uma pessoa que tem a inscrição “Lixomania” na sua jaqueta merece respeito. Andar com isso escrito na roupa (e com liquid paper!) deve conferir algum superpoder. Ele conseguiu virar-se e deu um murro na boca do sujeito, que o deixou totalmente baqueado e fora de combate, indo procurar refúgio na direção da seção de congelados. E tudo isso do meu lado! Eu vibrava como se fosse Copa do Mundo!

Porém, o cara de suspensórios que tomou o murro deveria ser alguém grande na sua gangue, tipo um tenente ou algo parecido. Isso porque seus amigos ficaram meio assustados ao verem que o sujeito estava fora de ação e fugindo na direção das lazanhas. Eles ficaram ali na rua, olhando para dentro do mercado meio perdidos. Aliás, uns dois deles já nem deviam mais estar sabendo o que faziam ali, e já estavam há alguns minutos olhando para o Pão de Açúcar com aquela cara de quem nasceu burro, não aprendeu nada e esqueceu metade.

Por fim, resolveram ir embora, xingando não apenas o punk, como todos os outros clientes e funcionários do mercado. Não vi o "tenente", mas deve ter conseguido sair por outra porta.

E o punk também tinha sumido.

Desanimei e comecei a me preparar para voltar a pular atrás dos ovos de Páscoa. Foi quando olhei para os caixas e vi o punk ali, andando com a boca ensangüentada, perguntando (aos berros) para todo mundo (caixas, clientes, empacotadores), sempre comendo uma sílaba:

– Cê tem lular? Cê tem lular?

E claro que todo mundo falava que não. Na mesma hora, percebi o que estava acontecendo. Eu estava sendo abençoado. O santo padroeiro dos blogueiros sem inspiração é quem havia colocado aquilo tudo na minha frente. E, obviamente, eu não podia perder isso. Saquei meu celular e fui na direção dele. A tal da Bete ainda veio tentar me segurar, falando:

– Não vai lá, não!

– Você está louca? Isso vai render pelo menos uns dois posts no meu blog!

Claro que ela não entendeu nada e me deixou ir. Empurrei meu carrrinho na direção dele, torcendo para ninguém emprestasse o telefone para ele até eu chegar ali. E, claro, torcendo para que ele não invocasse comigo – afinal, um ovo Sonho de Valsa não é exatamente o melhor cartão de visitas que você pode apresentar como referência ao puxar conversa com um punk que acabou de sair no tapa com 20 pessoas.

– Você está precisando de um celular?

– Pô cara! Pós-ligar? Pós-ligar?

– Claro, liga aí.

Ele discou um número e começou a andar de um lado para o outro no mercado. O velho apareceu do nada e veio falar comigo:

– Eu sabia que você estava com ele!

Nem respondi, especialmente porque o punk interrompeu o seu ritual de andar em círculos no Pão de Açúcar e e veio reclamar comigo:

– Deu xá postal! Pós-ligar outro?

– Claro, manda ver.

– Valeu! Cê é gen boa para caralho!

E começou a andar de novo de um lado para o outro, esperando atender. Não atenderam.

– Não pletou a ligação!

– Deixa eu ver, eu disse.

Peguei o celular. Vi que ele estava tentando fazer ligações a cobrar, mas claro que ele estava fazendo algo errado ali. Mas eu não ia perder aquela conversa por duas ou três ligações no “lular”.

– Cara, relaxa. Não precisa ligar a cobrar. Liga aí para quem você precisa, eu pago a ligação.

– Cê é gen boa demais!, gritou, e começou a andar discando. Alguém, obviamente, atendeu do outro lado, porque ele começou a berrar:

– Cota? Cota?... É o Johnny!.... Cota, briguei com street! Briguei com street!.... Isso.... Tô aqui no Pão-Cúcar! No Pão-Cúçar!.... To usando o lular dum cara aqui!... É, os street! Não, o cara não! O Cara é gen boa!... Fechado, então!

Ele desligou e me devolveu o “lular”, agradeceu e saiu andando.

Voltei para minha tarefa inglória e medíocre: tentar alcançar outro ovo. Consegue e fui pagar. Quando cheguei no caixa, outra benção! Lá estava o Johnny, na fila, com uma long neck na mão! E não tinha ninguém atrás dele! Fui correndo na sua direção (quase trombei meu carrinho com o da amiga da Bete no caminho) para continuar o papo. Parei atrás dele (com cuidado para ficar na frente do carrinho, escondendo o ovo Sonho de Valsa da vista dele) e disse, com a maior naturalidade do mundo:

– Cara, você vai ficar bem?

– Só! Esses street punk é foda! Vou gá um por um!

– Vai na boa, campeão, eu disse.

– Vem cá, meu ros tá zoado?, ele perguntou, chegando perto de mim.

Olhei para ele. Um filete de sangue escorria pelo nariz (que parecia estar quebrado). A boca parecia a de um vampiro entre que havia acabado de jantar, mas ainda não tinha escovado os dentes. Já o cabelo, roxo, com mais ou menos 7 metros de altura, estava impecável. Concluí que ele devia não apenas pintar, como envernizar aquela coisa.

Aliás, pensei em perguntar porque ele não havia aproveitado esse cabelo e golpeado as pessoas no meio da briga, como um rinoceronte. Tenho certeza de que no momento que ele conseguisse empalar qualquer um com aquele penteado, os outros caras da gangue de suspensórios iriam fugir na mesma hora. Ele nem precisaria ter chamado o Cota - a não ser, talvez, para ajudá-lo a se livrar do corpo sem ter que raspar o cabelo.

Mas, claro que eu não perguntei nada disso. Olhei para ele e disse:

– Sua cara não está legal não. Seu nariz está estourado. Você tem que cuidar disso aí.

– VÔ GÁ UM POR UM!

– Relaxa, pega sua cerveja aí e relaxa.

– Cara, pós usar o lular de novo?

– Pega aí.

Ele discou e ninguém atendeu. Deve ter dado “xá postal” de novo, porque ele me devolveu o telefone com cara de puto. Aproveitei que ele não estava falando com ninguém e perguntei:

– Me responde uma coisa. Você é punk, certo? Mas você disse no telefone que eles também são punks?

– Street punks! Os forgado!

– Ok, mas qual a diferença? O que são eles e o que você... Não, e quem você é?

– Eu sou punk. Assim, punk punk! Tendeu?, ele respondeu, fazendo um gesto com o punho como se fosse o Billy Idol.

Tive que fazer força para não rir. E aquele "Lixomania" escrito na jaqueta dele não ajudava. Respirei fundo, tentando manter o auto-controle e continuei:

– Ok. E eles são o quê?

– Eles é street punk.

– O que é street punk?

– São uns punk moleque que acha que são o rei do daço. Tudo forgado. Eles fica andando com os caré do ABC. Tudo forgado! Vô gá um por um!

– Porra, no meu tempo, punk não andava com careca do ABC, não.

– TUDO FORGADO!

A mulher do caixa deu um pulo com o berro dele. Ignorei e concordei com o Johnny:

– Tem razão, tudo folgado. Estou contigo.

– POR ISSO QUE VOCÊ É GEN-BOA!, ele gritou e saiu bebendo a long neck.

Eu paguei meus ovos de Páscoa e fui para a saída. Quando estava quase na rua, ele ainda gritou da outra porta do mercado, levantando a cerveja na minha direção:

– VOCÊ AÍ! VOCÊ É GEN-BOA PRA CARALHO!

Eu agradeci com um aceno e saí do mercado, para delírio do velho, que passou do meu lado carregando duas sacolas e me lançou um olhar de superioridade, como quem diz: “a mim você não engana, babaca”.

Ainda sofrendo lapsos criativos, não conseguia batizar esses dois posts de jeito nenhum. Segue, aqui, o Top 5 de títulos descartados:

1. "Go ahead, punk! Make My Post!" - Na dúvida, cite Clint. Sempre funciona
2. "Punk's not Dead (mas foi por pouco)" - Chegou a ir ao ar, mas mudei logo em seguida. Parecia grande demais, desajeitado demais.
3. "Streets of Rage" - Você jogou isso no Mega Drive? Você se lembra dos punks que apareciam logo na primeira fase? O Johnny era igualzinho a eles (fora a barriga, claro).
4. Anarchy in the Pão de Acúcar - Já que é sobre punks, um pouco de Sex Pistols não vai fazer mal a ninguém.
5. Beat on the Bratt - Já que é sobre punks, um pouco de Ramones é obrigatório.

E leia o final alternativo dessa saga aqui.

7 de abril de 2007

O Último dos Moicanos - Parte I

Como algumas pessoas estão sabendo, eu e meu blog estamos passando pela nossa primeira grande crise. Estou sofrendo de bloqueio criativo crônico. Posts fresquinhos podem estar acontecendo ao meu redor, mas nenhum deles me motiva a sentar e escrever. Cheguei até a pensar em convidar o Jonas para escrever aqui, mas não confio nele a esse ponto. Ou seja, estou numa fase “tem dias que o post não vem”. Mas, em compensação, tem dias que o post cai do céu, na sua frente, prontinho para ser publicado. Como hoje.

Como faço todo ano, deixei para comprar os ovos de Páscoa no último minuto possível. Fui até o Pão de Açúcar e comecei a me aventurar no corredor dos ovos de Páscoa. Aliás, uma nota: eu odeio a Páscoa, e só vou gostar dela quando os supermercados colocarem os ovos de chocolate numa altura que eu alcance, e que não me obrigue a ficar pulando feito um imbecil na frente de todo mundo para tentar desenganchar o ovo daquela armação idiota que eles colocam (1.60m mode: on). E o primeiro que pensar em fazer um paralelo com meus pulos e o Coelhinho da Páscoa, aviso que já pensei nisso e, convenhamos, a piada é fácil demais. Nem percam tempo.

Posto isso, continuemos. Estava eu ali, pulando de um lado para o outro, tentando alcançar um ovo Sonho de Valsa, quando começo a ouvir uma gritaria na porta do mercado. Obviamente, chamou minha atenção, especialmente porque parecia ser mais agressivo que uma dona-de-casa reclamando do preço do óleo (cá entre nós, eu não consigo imaginar uma dona-de-casa gritando “Você vai morrer, filho da puta!” com o gerente do mercado). Na mesma hora fui até ali perto ver o que acontecia.

Estava começando a rolar uma briga. Uns 20 sujeitos vestidos com calça jeans, suspensórios e camiseta branca estavam espancando algo (ou alguém) no chão, dentro do mercado. Na verdade, só uns quatro estavam chutando e/ou socando. Os outros ficavam apenas por perto, tentando entender o que estava acontecendo (nenhum deles parecia muito brilhante).

De repente, o saco de pancadas se levanta, e finalmente revela-se ao mundo em todo seu esplendor: um punk gordinho, de 20 e poucos anos, trajando seus tradicionais jeans, jaqueta de couro e um cabelo moicano (roxo) que devia ter a altura de um prédio de três andares.

Já em pé, ele começou a distribuir porrada para todos os lados. A turminha de suspensórios tentou cercá-lo numa parede, mas o guerreiro solitário conseguiu escapar para dentro do mercado, derrubando uns ferros que separam a parte de revistas do resto da loja, sendo seguido por uns oito soldados do exército inimigo.

Claro que todos os clientes e caixas começaram a gritar apavorados, como se alguém tivesse soltado um tigre dentro do Pão de Açúcar. Menos eu, claro, que estava me divertindo com aquilo tudo, ao lado de um velho que observava a briga em silêncio. Subitamente, o velho vira para mim e pergunta:

– Você está com ele?

“Deus... por que é SEMPRE comigo?”, pensei

– O que faz você pensar isso?, respondi.

– Ah, não sei. Eu não te conheço, né?

– Bom, tem razão. Mas, por outro lado, se você não me conhece, você já parou para pensar que provavelmente eu também não te conheça?

– É, mas eu não estou com ele!, defendeu-se o velho.

Nem me dei ao trabalho de responder. Especialmente porque a briga estava chegando perto da prateleira de biscoitos e isso poderia colocar meu suprimento particular de Chocooky em risco, e aí, eu definitivamente teria que fazer alguma coisa. Ninguém mexe com meus Chocookys e sai impune!

Felizmente, os guerreiros de suspensórios resolveram se solidarizar com as pessoas que deixaram para comprar ovos de Páscoa de última hora (e também porque viram que começou a chover segurança de tudo que é lado) e resolveram montar acampamento na rua, onde ficaram esperando a hora do punk sair. Mas isso não ia acontecer tão cedo, já que ele foi agarrado pelo colarinho por uma velha, que começou a gritar com ele:

– Pensa na sua mãe! Pensa na sua mãe, menino!

– Me solta! Cês vai tu morrer, seus lha da puta!, gritou o punk para a rua, mostrando que ele estava pensando não na própria mãe, mas nas mães dos caras de suspensório. Não sei se era o sangue na boca dele ou algum costume punk, mas ele comia pelo menos uma sílaba de cada frase.

– Menino, me ouve, pensa na sua mãe!

– Beth, não se mete, deixa eles resolverem!, berrou a amiga da velha, com medo que o senso de justiça da companheira acabasse com a Páscoa das duas.

– Merda! Me solta, velha!, berrou o punk.

Não aguentei e comecei a gargalhar. O punk não me ouviu, mas a amiga da tal da Bete me fulminou com os olhos.

(continua aqui)

2 de abril de 2007

Maldito Graham Bell! (*)

Tem um amigo que diz que minha vida telefônica renderia um livro. E renderia mesmo. Eu já me conformei com o fato de que qualquer pessoa do planeta que não domine a nobre arte da comunicação irá, mais cedo ou mais tarde, me ligar e desenvolver a conversa mais estranha do mundo. Isso quando não ligam procurando a tal da Natália, que, após um tempinho sumida, voltou a aparecer na minha vida, numa média de três ligações por dia.

Mas, quando não é a Natália, é outro bípede que liga (sim, porque os seres que me ligam, nessas ocasiões, estão longe de poderem ser classificadas como humanas). E, curiosamente, eles sempre começam a conversa na metade, como se eu, além de saber quem eles são, soubesse do que eles estão falando. Estou, inclusive, pensando em abrir uma categoria só para isso no blog.

Ontem eu estava almoçando (churrascaria mode: on) quando tocou meu telefone, entre um cupim e uma fraldinha. Como era um número que eu não conhecia, não atendi. Já me acostumei com os loucos me ligando durante a semana, mas que respeitem meu domingo. Mas fiquei com a consciência pesada. Podia não ser um louco. Podia ser alguém importante. Podia ser uma questão de vida ou morte. Podia ser o PCC avisando que meu irmão foi sequestrado - e eu falaria, claro, para me ligarem depois do almoço. Talvez não seja um dos loucos. Quer saber? Vou ligar de volta.

– Alô?

– TÁ QUEIMANDO A BUNDA NA AREIA, NÉ, CRIOULA?

Deus do céu, é um dos loucos.

– Hã?

– Tá queimando a bunda na areia, né?

– Hum... Não. Não exatamente.

– Tá sim que eu sei!

– Olha, eu acho que está havendo um engano.

– Quem tá falando?

– Não, não. Não é assim que funciona. Você ligou para mim e eu retornei a ligação. Então, vamos fazer do modo certo. Eu pergunto com quem você queria falar, e você responde. Olha só, vamos tentar: com quem vc queria falar?

– Com a Jussara ou com o (a) Sbrebbles (Sbrebblesa).

Eu realmente não entendi o segundo nome, mas definitivamente não era o meu.

– Olha, acho legal você procurar logo duas pessoas num mesmo telefonema. Isso dobra as chances de você acertar. Mas eu não sou nenhum dos dois.

– E quem é você?

– Nenhum dos dois.

– Então foi engano?

– Sim. Essa sua dedução foi brilhante.

– Sbrebbles, sbrebbles, sbrebbles. Sbrebbles, sbrebbels?

Dada a tensão do momento, a pessoa deve ter perdido o controle emocional e acabou respondendo no seu idioma natal. Como meu celular não dispõe de tradutor universal (star trek mode: on), eu repliquei da única forma possível.

– Hã... Ok.

– Tchau, hein?

– Hum... É. Acho que é isso que nos resta. Tchau.

Enfim, o próximo louco que me ligar eu vou ser sincero. Assim que eu perceber que trata-se de alguém despreparado para usar um telefone, eu vou abrir o jogo. "As chances de você entrar no meu blog são grandes. Então, capricha, ok? Vamos lá. Quer falar com quem?"

E, depois disso, começarei a usar uma das 5 Melhores Respostas para um engano (tomando como exemplo a pergunta: "Oi, Alberto?")
1 - "Sim, sou eu. Quem está falando?"
2 - "PORRA, EU JÁ NÃO FALEI PARA VOCÊ NÃO ME LIGAR MAIS?"
3 - "Alberto? Ih... você não ficou sabendo, né? Você era muito amigo dele?"
4 - "Olha, o Alberto não pode atender agora. Mas eu trabalho aqui no puteiro, e posso anotar o recado."
5 - "Olha, esse telefone é um orelhão. Quer que eu vá aqui na banca de jornal ao lado, ver se eles conhecem o Alberto?"

(*) Na verdade, em 2002 foi reconhecido que o verdadeiro inventor do telefone foi o italiano Antonio Meucci, e não Alexander Graham Bell (para a felicidade (póstuma) do personagem de Joe Mantegna em O Poderoso Chefão III). Mas, cá entre nós, ninguém entenderia um post chamado "Maldito Antonio Meucci!".