30 de outubro de 2007

Don Juan da Claro - Ato Final

Se você não faz a menor idéia do que está acontecendo, leia este post aqui. O diálogo a seguir continua exatamente de onde o post anterior parou.


Rob Gordon/Mi: Onde você quer terminar a noite?

Adriano: No moteu vc q quis saber eu quero saber como vc esta na sua cama

(Como assim, motel? A palavra não começava com “h”?Motel, até onde eu sei, começa com “m”. E termina com “l”, mas não vou entrar nesse mérit... COMO ASSIM “COMO EU ESTOU NA CAMA”? Que baixaria é essa? Não, deve ser algum engano. Vou checar.)

Rob Gordon/Mi: O que você quer saber, afinal?

Adriano: Como vc dorme d camisola ou sem nada ou só de calçinha

(Putz, o sujeito está em ponto de bala! Ainda bem que não estamos conversando pessoalmente, ou eu teria medo até de virar as costas para ele. Adriano, por que não compra uma Playboy ou vai ver foto de putaria na internet? Ah, quer saber de uma coisa? Vou jogar lenha na fogueira mesmo.)

Rob Gordon/Mi: Por que você não vem aqui descobrir?

(Estou pagando para ver. Aposto que é um blefe.)

Adriano: Q pena q esta muito tarde si não ia até ai dormi com vc so nós dois

(Era blefe.)

Rob Gordon/Mi: Tarde nada. Vem descobrir.

Adriano: Uc não vai falar paixão não dá pra ir muito tarde

(Uc? O que é isso? Será que é alguma posição sexual que o pessoal da tal da embaixada nordestina pratica? Melhor voltar ao básico antes que ele se empolgue e comece a explicar como o pessoal usa o pescado naquele tal rancho.)

Rob Gordon/Mi: Quando vamos nos ver?

Adriano: Amanha pode se que hora vc chega do trabalho

(Chega. Cansei de brincar. Vou complicar a vida desse sujeito.)

Rob Gordon/Mi: Ah... Você só quer me comer, dri.

(Pronto. Coloquei as cartinhas na mesa. Quero ver rebater isso.)

Adriano: Não mi q isso jamais eu quero namorar vc

(Ah, claro. Você quer casar e constituir família com a Mi. Mas, antes, você precisa saber se ela dorme pelada ou de calcinha para se certificar de que ela é sua alma gêmea, certo?)

Rob Gordon/Mi: Sei.

Adriano: Q hora vc chega do trabalho mi pra eu ti ligar

(Não foge do assunto, cara!)

Rob Gordon/Mi: Você está todo mal intencionado!

Adriano: Vc não q mais sair comigo desculpa sii eu t magoei responda a msg anterior q horas vc chega

(Bom, ao menos pediu desculpas. Está bem, vou deixar isso de lado... Por enquanto. Eu perdôo, mas não esqueço)

Rob Gordon/Mi: Ok. Quando a gente vai se ver?

Adriano: Pode se amanhã minha querida eu posso liga q horas pra vc

Rob Gordon/Mi: A hora que quiser, gato

(Argh. “Gato” foi cafona demais, mas não agüentei.)

Cabe aqui dizer que ele levou o termo “a hora que quiser” ao pé da letra. Por volta das duas da manhã, meu telefone tocou e era ele. Atendi (porque não podia deixar cair na caixa postal), mas não respondi nada. A ligação era a cobrar. Esperei ele desligar. Nos 15 minutos seguintes, isso se repetiu por mais três vezes. No dia seguinte...

Adriano: Oi mi vc já chegou

(Como assim, já cheguei? O celular está sempre comigo, eu não chego ao celular. Anyway, não vou responder. Estou me sentindo uma Mi difícil, hoje.)

Rob Gordon/Mi: [silêncio]

Adriano: Oi mi e ai vai sai?

(Não, cara. Você vai ter que se esforçar mais. Não vai ser fácil assim.)

Rob Gordon/Mi: Não sei. Você estava assanhado demais ontem a noite.

Adriano: Só eu mi... q estava assanhado desculpa q t liguei a cobrar tinha acabado meus créditos

Rob Gordon/Mi: Sei, sei. Você é muito assanhado sim.

O telefone tocou. Novamente, era ele. Novamente, a cobrar. Novamente, eu não disse nada. Dois minutos depois, ele ligou novamente e eu repeti o procedimento.

Adriano: Mi Eu estou t ligando duas vezes ta chiando e ai vamos sair

(Vou mudar tudo. Não sou mais uma Mi difícil. Acabei de definir que agora eu sou uma Mi carente. Vamos ver se você está preparado para atender às minhas necessidades emocionais, Adriano.)

Rob Gordon/Mi: E se eu quiser ficar só abraçada hoje e mais nada?

Adriano: Ta bom q horas nos vai se encontra a onde

(Hunf. Nem ouviu o que eu disse. Aposto que se eu falar que tenho a fantasia de transar na rua vestida com um uniforme alemão da I Guerra Mundial com ele enrolado numa bandeira do Vasco, ele vai falar “tá bom” do mesmo jeito.)

Rob Gordon/Mi: Você escolhe.

Adriano: Me espera no posto amarelo é pra trás do bar q eu estava naquele dia as 21:30 ta bom pra vc

Rob Gordon/Mi: Qual dia?

Adriano: Hoje?

(Não, animal! Não "qual dia a gente vai se encontrar", mas "qual dia você estava atrás do bar"!)

Rob Gordon/Mi: Atrás do bar que você estava em QUAL dia?

Adriano: No dia q vc me deu numero do telefone foi na terça

Rob Gordon/Mi: Ah, sim, lembrei.

Adriano: Estou t esperando la amorzinho

(Amorzinho? Que intimidade é essa? A menina te dá o telefone e dois dias depois você está chamando de amorzinho? Amorzinho porra nenhuma! Adriano, você realmente está achando que o jogo está ganho, certo? Ok, prepare-se: No More, Mr. Nice Guy!)

Rob Gordon/Mi: Adriano, o que você gosta em mim?

Adriano: Tudo?

(Béééééé! Resposta errada! Deveria ter valorizado a inteligência e sensibilidade da Mi. esse seu erro foi fatal. Hora de começar a pegar pesado!)

Rob Gordon/Mi: Aliás, me responde uma coisa: você não acha que eu estou gorda?

(Quero ver você escapar agora! Essa pergunta é quase um enigma da natureza, ela não tem tem resposta que consiga evitar um quebra-pau homérico!)

Adriano: Gosto da sua beleza e o seu corpo vc vai ta la né

(Me ignorou totalmente! Fugiu na cara dura mesmo! Ah, chega. Vamos começar a blitzkrieg “discutir relacionamento”.)

Rob Gordon/Mi: Está vendo? Você só quer me comer! Você não dá valor para a pessoa que eu sou! Eu tenho sentimentos também, sabia?

Adriano: Não e isso não vc vai ta la ne mi

Rob Gordon/Mi: Você quer fazer o quê? Só me comer, né? E quanto ao modo que eu me sinto? Isso não conta?

Adriano: Porque vc esta falando isso estou te esperando no posto beijos

(Como assim, “por que estou falando isso”? Você tem perda de memória recente, ou foi o seu eu lírico quem queria saber como a menina dorme? Não, cara. Não vai ser fácil. Você não quer namorar? Então vamos começar a namorar. Mas vamos começar pela parte mais divertida: a briga.)

Rob Gordon/Mi: Você estava todo safado ontem! Você quer resolver todos os nossos problemas com sexo.

Adriano: Só eu? Vc uai mesmo

(Uai? Ele deve ter tentado digitar “vai”. Mas não importa. Ele me ignora, eu ignoro também.)

Rob Gordon/Mi: O que você quer hoje?

Adriano: Quero vc? Me responde vc vai espera la no posto

(Ele ainda não entendeu que a parte do sexo não está colando mais. Ou entendeu, mas a instabilidade homornal não permite que ele mude de assunto. Eu avisei, Adriano, você deveria ter comprado uma Playboy.)

Rob Gordon/Mi: Não sei se devo ir...

(Isso, Rob. Plante a dúvida no ar. Faça com que ele trabalhe um pouco. Vamos ver como ele reage. Lembre-se de todas as mulheres que deixaram você de joelhos na vida, basta fazer como elas.)

Adriano: Estou esperando não vai da mancada?

(Porra, ele não poderia se esforçar um pouco mais? Não vou responder. Quer ver você de joelhos, cara! Implore, reles mortal!)

Rob Gordon/Mi: [silêncio]

Adriano: Vou esta esperando vc la no posto

(Ele já deve estar agoniado por que eu não respondo mais. Hora de deixá-lo confuso novamente.)

Rob Gordon/Mi: Desculpe, amor. Acabou a bateria...

(“Amor”. Ele já deve ter se animado todo, novamente.)

Adriano: Decide? Sim ou não eu já estava arrumando a roupa

(Bem, é isso. Hora de usar a arma secreta e acabar com isso de uma vez por todas. Os americanos não usaram a bomba atômica para terminar a guerra? Eu vou usar algo parecido. Se prepare, amigão.)

Rob Gordon/Mi: Não sei se vou.... Se eu for, vou querer conversar com você. Acho que temos que discutir e reavaliar nosso relacionamento.

(Tá-dá!! Quero ver escapar dessa!)

Adriano: Ta bom deixa pra outro dia tchau amor boa noite

(Arregou! Vitória! Mi, você me deve um almoço!)

Ele nunca mais ligou.

29 de outubro de 2007

Don Juan da Claro - Ato II

Conforme prometido, segue a primeira parte da transcrição da conversa que meu alter-ego, Mi, teve com o tal do Adriano, como anunciado no post anterior. Sim, primeira parte, pois a conversa é relativamente grande - estamos falando de mensagens trocadas por cerca de 24 horas. Pensei em cortar algumas linhas, para encurtar o texto e deixar tudo em apenas um post, mas é virtualmente impossível. Primeiro, porque é um diálogo, e a ausência de uma frase iria derrubar tudo, como num efeito dominó. Segundo, o Adriano solta pérola atrás de pérola, todas as frase valem a pena. E, como prometido, mantive todas as frases do Adriano exatamente do jeito que as recebi digitadas. Se vocês acharem que um trecho ou outro não faz sentido, é porque não faz sentido mesmo.

Os personagens deste pequeno conflito emocional estão devidamente identificados em cada linha, mas, em consideração aos meus leitores, inseri também meus pensamentos e motivações (em itálico), quando a situação exigia. Afinal, um drama protagonizado por um sujeito como esse Adriano merece algumas notas de rodapé. É uma oportunidade valiosa demais para ser desperdiçada. Divirtam-se e vejam mais essa prova de que a humanidade, realmente, não deu certo:

Adriano: Oi mi você quer sair comigo beijo do adriano mande uma msg tchau boa noite

(Oba, isso promete! Duvido que ele responda, mas vou tentar assim mesmo.)

Rob Gordon/Mi: Claro! Onde você quer ir?

Adriano: Você que escolhe q dia é a sua folga

(Respondeu! Hum... Melhor tomar cuidado. Eu não sou a Mi, então não sei que dia é minha folga. Melhor manter a bola no campo dele!)

Rob Gordon/Mi: Você escolhe, Dri. Onde quer me levar?

(“Dri”. Que jogada de mestre!)

Adriano: Nós decide na hora nós se encontrar sua folga é amanhã

(Ele perguntou ou afirmou? Porra, por que não usa a pontuação correta? Bom, melhor arriscar algo, aqui)

Rob Gordon/Mi: Minha folga é sexta. Mas o que vc está a fim de fazer?

Adriano: Pra mim qualquer lugar d q vc gosta

Rob Gordon/Mi: O lugar que eu mais gosto é onde você estiver. E o seu?

(Uau! Que cantada sensacional! Mi, você ficaria orgulhosa de mim!)

Adriano: Qual horário que q é pra vc

(Filho da puta! Me ignorou! Melhor cantada até agora na conversa e o cara ignora! Ah, isso não fica assim!)

Rob Gordon/Mi: Qual o SEU lugar preferido?

Adriano: Pra vc qualquer horário ta bom

(Não é possível! Será que esse infeliz não está recebendo minhas mensagens?)

Rob Gordon/Mi: Dri, responde o que perguntei?

Adriano: Embaixada nordestina hits ou rancho do pescado e o seu preferido

(Embaixada nordestina hits? Rancho do pescado? Mi, não sei quem você é, mas, esteja onde estiver, saiba que você escapou da pior noite da sua vida!)

Rob Gordon/Mi: Já disse, dri! Meu lugar preferido é do seu lado! Onde você quer ir?

Adriano: Se nós for um desses três q eu falei nos tem que sair na quinta porque se for sexta tem que voltar cedo porque vc trabalha sábado.

(Que três? Você falou apenas dois lugares, seu tapado! E ainda não respondeu o que eu perguntei!)

Rob Gordon/Mi: Você quer ir em qual?

Adriano: Eu vou na embaixada ta bom?

(Como assim, “EU VOU”? Você convida a menina para sair e, minutos depois, comunica, que vai estar em tal lugar? E a opinião da Mi? Não conta? Ah, isso não fica assim!)

Rob Gordon/Mi: E não vai me levar?

Adriano: Lógico q eu levar minha querida?

(Não, não adianta vir com “minha querida”, agora. Não vai colar.)

Rob Gordon/Mi: Se quiser ir sozinho, é só falar!

Adriano: Magina se eu convidei vc meu amorzinho vou t levar sim

(“Amorzinho”? Está amarelando, né? Ok, mas quem dita as regras aqui sou eu. Eu pergunto, você responde. Eu mando aqui!)

Rob Gordon/Mi: Quer que eu vá? Então, me fale o que vamos fazer nessa noite.

Adriano: Se divertir bastante dança beija muito vc

(O quê? “Beija” muito? Olha, a Mi pode ser fácil assim, mas eu não sou. Hum... Se bem que eu posso ser fácil assim. Vamos dar trela e ver o que acontece.)

Rob Gordon/Mi: Muito?

Adriano: Você vai querer beija muito?

(Não, eu sou fácil, mas eu não sou TÃO fácil!)

Rob Gordon/Mi: Vc acha que merece?

Adriano: Você acha que eu não mereço?

(Seja homem e diz logo se merece ou não, cacete!)

Rob Gordon/Mi: O q você acha?

Adriano: Eu acho que sim (mereço)

(Não precisava dos parênteses explicando o contexto da resposta, eu não sou idiota! Mas, vamos ver quais são suas verdadeiras intenções com a Mi.)

Rob Gordon/Mi: E vc quer só beijar?

Adriano: A começa pelo beijo né gatinha?

(Entregou tudo! Nem saiu com a menina e já está tentando tirar a roupa dela!?)

Rob Gordon/Mi: Ah é? E termina onde?

Adriano: Só os dois coração q sabe

(Cara, ou aprende a escrever, ou vai xavecar mulher em outra mídia. Vou ignorar essa sua frase - também porque não entendi absolutamente nada dela. )

Rob Gordon/Mi: Onde você quer terminar a noite?

Adriano: Começa com (h) si vc quiser

(Hotel! Ele quer me levar para um hotel! Primeiro, embaixada nordestina hits, e depois, um hotel! Que noite! Obrigado, Senhor! Eu e meu blog agradecemos por essa dádiva! Não agüento, vou fazer o jogo dele!)

Rob Gordon/Mi: Estou ficando arrepiada.

Adriano: Que pena q eu não estou do seu lado fazendo carinho em vc

(Espera aí! Cantada é uma coisa, sexo virtual é outra? E por torpedo no celular? Não, isso é o cúmulo da decadência. Não vou entrar nisso, é uma imundície grande demais até para mim. Meu blog é de família! Melhor dar um recuo estratégico.)

(continua...)

27 de outubro de 2007

Don Juan da Claro - Ato I

ou: Casanova e a Revolução (Tecnológica)

Quem é leitor deste blog sabe que um dos meus maiores prazeres é sacanear pessoas que ligam para mim por engano. E não tenho nenhum dilema moral em fazer isso, uso esse tipo de acontecimento como uma compensação pelo que sofro nas mãos dos atendentes de telemarketing.

E, se você lê esse blog, também sabe que uma das minhas maiores ambições é conseguir fazer isso com mensagens sms (os populares torpedos), que acredito, sejam a mídia ideal para esse tipo de sacanagem. Afinal, além da óbvia vantagem da pessoa não ouvir sua voz, você ainda ganha mais tempo para responder e não corre o risco de estragar tudo ao perder o controle e cair na gargalhada no meio da conversa.

Mas claro que isso é mais difícil. O volume de torpedos que chegam ao meu celular por engano, é infinitamente inferior ao número de ligações erradas que recebo. Eu tive uma chance neste post aqui, mas a pessoa resolveu me ligar depois da mensagem (no que acabou se tornando essa conversa aqui), estragando todos os meus planos de continuar com aquilo por dias, talvez até mesmo semanas.

Porém, quem espera, sempre alcança. Alguns dias atrás, fui surpreendido ao receber, no meu celular, a mensagem de um tal de Adriano, convidando uma tal de Mi para sair. Na mesma hora, coloquei a máscara de Mi e respondi, certo de que nunca mais receberia outra msg. Minutos depois, o Adriano me respondeu! Eu, claro, respondi de volta.

Assim, travamos um diálogo via celular que durou cerca de 24 horas, no qual o Adriano mostrou toda a sua vontade de perpetuar a espécie com a tal da Mi – que, eu descobri depois, ele havia conhecido essa semana e havia anotado o celular dela errado (chupa, Adriano) ou ela passou um número errado de celular só de sacanagem (chupa, Adriano).

E o Adriano deve ter enlouquecido, já que eu, como tive que interpretar um papel feminino, fui fiel à “realidade mulher-sendo-xavecada”: em alguns momentos eu incentivava, e, em outros, deixava absolutamente claro que não queria nada com ele, mudando totalmente de assunto. Sim, me mostre uma mulher que não age assim, e eu lhe mostro uma mulher que nunca foi cantada.

Aliás, o pequeno drama protagonizado pelo Adriano, o Cavaleiro que Falava Mi (monty python mode: on) me mostrou, realmente, que, se uma cantada fosse um jogo de xadrez, as mulheres sempre jogariam com as peças brancas. Elas determinam o ritmo do jogo mas a iniciativa tem que ser nossa (o que já é uma contradição absurda), e cabe a nós, babacas homens, tentar acompanhar as intempéries e mudanças de assunto e de humor que, às vezes, acontecem de uma frase para outra, sem aviso prévio. Mas eu entendo vocês mulheres, agora. Senti o gostinho do poder quando dei o primeiro esporro no Adriano e ele, no torpedo seguinte, só faltou ajoelhar e me pedir em casamento. Ai, ai. Esses homens são todos iguais.

Mas, sem mais delongas, encerro essa pequena introdução, anunciando que consumarei minha sacanagem a partir do próximo post, onde colocarei a transcrição completa do diálogo no blog (alguém realmente pensou que eu não havia guardado todas as mensagens para colocar aqui?).

E, para aguçar a curiosidade, deixo o Top 5 com alguns dos melhores momentos da conversa, que mostram toda a profundidade e emoção desse pequeno drama urbano-contemporâneo (te cuida, Tennessee Williams!). Os erros de português foram mantidos pois este blog tem uma responsabilidade com a verdade e o mesmo acontecerá na transcrição total.

1. “Oi mi você quer sair comigo beijo do adriano mande uma msg tchau boa noite” (Adriano)
2. “Se divertir bastante dança beija muito vc” (Adriano)
3. “Vc acha que merece?” (Rob Gordon/Mi)
4. “Se quer ir sozinho, fala logo!” (Rob Gordon/Mi)
5. “Como vc dorme d camisola ou sem nada ou só de calçinha” (Adriano)

23 de outubro de 2007

Mogli e as Chacretes

Independente da realização da Mostra de São Paulo (veja post anterior), andar pela Avenida Paulista, especialmente aos domingos, é um verdadeiro tratado de zoologia. A cada quarteirão, você descobre uma espécie biológica ainda não catalogada pela ciência, bem como umas quatro opções sexuais totalmente inéditas no planeta. Nada contra as opções de cada um, mas eu não me espantaria se um dia, andando por ali, eu desse de cara com uma hiena-verde-polar andando de mãos dadas com uma jaca albina.

Justamente por isso que toda vez que eu vou para a Paulista, de domingo, já vou consciente de que verei algo estranho até o final do dia.

Mas nada poderia ter me preparado para o que eu vi neste domingo.

Quem já foi à Paulista sabe que há um Bob’s, ali, perto do Center 3. E quem já entrou neste Bob’s sabe que existe uma área aberta, uma espécie de pátio, atrás da lanchonete. Acredito que aquilo seja um dos campos de teste de Deus, pois eu já havia encontrado ali, em outros domingos, alguns experimentos divinos frustrados, como uma menina que dormia praticamente dentro de uma mochila enquanto sua amiga lia poesia russa aos berros.

Neste domingo, estava com a sra. Gordon e, armado de um milk shake de Ovomaltine (bem batido, sempre, e foda-se a dentista que disse que eu não posso tomar gelado) fui para o pátio, ver as novas brincadeiras de Deus. Ao colocar os pés no local, uma surpresa: cerca de 20 jovens de aparência (vagamente) humana, mantidos em cativeiro no lugar, caminhavam pelo espaço, conversando, dando risada e dançando.

Sim. Dançando.

Uma meia dúzia deles estava numa espécie de escada que tem ali, fazendo coreografias. Não estou falando de meninas de 12 anos, ou de uma equipe de aeróbica, mas de homens e mulheres com idades em torno de 18 ou 20 anos fazendo coreografias no melhor estilo chacrete de ser, ao som de uma música ruim que saía de um aparelho (provavelmente CCE) tosco colocado ali do lado. Assim, como se fosse a coisa mais normal do mundo; como se estivessem na sala da casa (com as cortinas fechadas, óbvio), todos eles faziam os mesmos passos, liderados por uma menina de cabelos presos – que, depois de uns 10 minutos, apareceu do nada com um leque e o incorporou aos seus movimentos.

Todos, menos um cabeludinho magrelo, que era a cara do Mogli (a hora que eu percebi isso não conseguia nem respirar mais direito de tanto que ria; sem sacanagem, ele era mais parecido com o Mogli que o próprio Mogli) que conseguia a proeza de errar tudo. Enquanto as pessoas levantam o braço direito, ele chutava o ar com a perna esquerda; os dançarinos pulavam para frente, ele batia palmas. Tratava-se claramente de uma pessoa que não conseguiria andar e falar ao mesmo tempo, mas tinha o sonho de vencer na vida através da dança. Pobre Mogli.

A idéia era ele dar um pulo para a direita,
bater palmas e virar a cabeça para a esquerda.
Como a imagem acima deixa claro, não deu certo.

Mas eu disse dezenas de pessoas. Sim, dezenas. Enquanto essa meia dúzia fazia a coreografia ao som de algo tosco que eu não identifiquei, e o Mogli tentava acompanhá-los, o resto da manada reuniu-se em grupos distintos ao redor de algumas mesas e começaram a jogar RPG. Inclusive, alguns deles ostentavam – orgulhosos – uma camiseta escrita “narrador”. Comecei a ver as caras e me lembrei de que já havia visto alguns deles por ali, como um japonês que tinha um cabelo que ia mais ou menos até a Ana Rosa e uma gordinha que, no mesmo domingo da poeta russa, estava ali no pedaço vestida de Robin (não, não imaginem).

Mas o melhor de todos – fora o Mogli porque este é hours concours ao posto de atração bizarra do meu domingo – caminhava aquele que provavelmente seria o líder de tudo aquilo: um sujeito com mais ou menos 8 metros de altura, 720 kg, trajando camiseta, calça social, suspensórios, e a cara do Pingüim do Batman. E ele caminhava calmamente, em meio às mesas de RPG, com aquele ar de tranqüilidade que apenas os líderes naturais têm, observando as pessoas jogarem Vampire, Lobisomem, Dungeons & Dragons ou qualquer outro RPG que estivessem jogando.

E ele certamente era o líder, pois sempre que se aproximava de uma mesa, as pessoas fingiam estar se esforçando, rolando dados e fazendo anotações em suas fichas. Cada vez que ele chegava perto de uma mesa, era visível o medo no olhar das pessoas, sejam elas o japonês cujo cabelo era maior que meu salário ou a Gordinha-Robin. A sorte do Mogli é que o sujeito estava interessado no RPG, pois, se qualidade da coreografia fosse investigada, o pobre Menino das Selvas provavelmente seria devorado pelo líder da gangue.

E eu ali, tomando meu milk shake tentando compreender o que acontecia à minha volta. Acho bonito demais a nossa juventude consciente, que não bebe, não toma drogas, não pratica sexo sem segurança – especialmente porque metade deles tinha cara de quem não praticava sexo de jeito nenhum – e que escolhe passatempos mais saudáveis, como jogar RPG e fazer coreografia na Avenida Paulista em pleno domingo.

Mas aquilo era informação demais. Já joguei muito RPG na vida, mas nunca nada parecido. Me senti num filme do Fellini. Terminei meu milk shake, e fui embora, deixando o Mogli atrapalhado ali com a coreografia. Mas antes, fiz uma promessa para mim mesmo.

Eu nunca mais vou até a Avenida Paulista sem uma máquina fotográfica.

E, para finalizar, deixo vocês com o Top 5 desenhos da Disney que mais gosto (os da Pixar não entram):

1. O Cão e a Raposa – as aventuras de Tobi e Dodó é o MEU desenho da Disney. Foi o primeiro que assisti no cinema e sim, chorei feito um idiota.
2. Robin Hood – um dos desenhos mais subestimados da história. Apesar da versão do Kevin Costner ser muito legal, a raposa da Disney é muito mais ator.
3. Fantasia – provavelmente o desenho que eu mais gosto de todos da Disney. Acho aquilo de uma genialidade absurda.
4. Aladdin – sem dúvida, o mais legal desta nova geração. E o Robin Williams arrebenta dublando o gênio.
5. Branca de Neve e os Sete Anões – é o primeiro desenho animado em longa-metragem, e só por isso, já merece entrar aqui.

22 de outubro de 2007

Mostra o Seu, que eu Mostro o Meu

Pronto.

Começou a Mostra de SP.

Com isso, os bichos grilos e indies metidos a cult que habitam as calçadas do Espaço Unibanco podem abandonar por alguns dias aquele ecossistema que dividem com os camelôs que vendem livros sobre socialismo e camisetas do Che Guevara e migrarem para outros locais da cidade. Assim, nos próximos dias, as imediações da Avenida Paulista serão tomadas por dois tipos de pessoas: alguns poucos fãs de cinema que se deliciam com a programação da Mostra de São Paulo, mas, que, como possuem empregos normais, precisam escolher a dedo qual sessão irão assistir; e hordas de jovens que estudam ciências sociais na USP ou na PUC, não trabalham porque são sustentados pelo pai, lutam pelo fim da exclusão social (mas moram num apartamento de quatro quartos no Jardins) e que são loucos para trabalhar numa Ong e passar o resto da vida fumando maconha na praia porque, além de serem intelectuais e de esquerda, são moderninhos e transgressores.

Se você se encaixa neste último tipo, e esta é a sua primeira Mostra de SP, não fique nervoso. Siga as dicas abaixo e você passará tranquilamente por cult, talvez até mesmo tornando-se mais insuportável que muitos intelectualóides que carregam muito mais Mostras de Cinema que você na bagagem.

O que assistir?
Pegue um catálogo da Mostra e selecione seus filmes, fazendo isso obrigatoriamente sentado sob o vão do Masp. O critério de seleção dos filmes é fácil: primeiro, elimine todos os filmes falados em língua inglesa. A seguir, analise as películas francesas e marque para assistir aqueles cuja sinopse de duas linhas já é terrivelmente chata. Por fim, pegue todos os filmes feitos em países latino-americanos ou em regiões da Ásia que não possuem água potável e assinale como obrigatórios. Marque com canetinha, pois, assim, qualquer pessoa que espiar o seu catálogo verá o quanto você é cult e só assiste a filmes difíceis. Não se esqueça de dizer repetidamente para todos os seus amigos que a única coisa que presta na Mostra é aquele filme afegão sobre uma noiva que cai – junto com um camelo e um garoto aleijado – numa fossa de esgoto e passa oito dias lá dentro – e que ninguém vai ver – é, de longe, o melhor filme dos últimos quatro anos.

O que vestir?
Vá de bermuda e havaianas, porque calça jeans e sapato é coisa de gente que segue modinhas fúteis como ter emprego com carteira assinada. Não se esqueça também daquela camiseta do Che Guevara (com ou sem a cara do Seu Madruga, para mostrar sua verdadeira consciência política latino-americana) que seus amigos acham que foi comprada na porta do Espaço Unibanco mas, que, na verdade, sua tia comprou no Shopping Iguatemi e lhe deu de Natal. Se estiver frio, vá com seu abrigo da Adidas daquele modelo que se usava nas aulas de educação física dos anos 70 (época na qual já eram toscos) e que foram retirados do esquecimento uns dois anos atrás por algum estilista infeliz . Se você for mulher, uma saia indiana e um chinelão de couro gasto também podem ser utilizados.

E os acessórios?
Durante a Mostra, os assessórios são quase tão importantes quanto a roupa, pois são eles que fazem a diferença entre o cult profissional e o amador. O primeiro item é o cachecol: independente de estar fazendo 42 graus à sombra, o uso do cachecol é obrigatório em todas as sessões. Lembre-se que, sem cachecol, você não é digno de assistir a nenhum filme da Mostra e deveria estar estar mesmo é num Cinemark qualquer, assistindo a Hora do Rush 3 e se empanturrando com baldes daquele líquido negro do imperialismo norte-americano. Outro item essencial são os óculos de Mostra, com armação grossa, pequenos e quadrados que só quem é cult usa. Alguns acessórios que não são obrigatórios mas muito bem vindos são a bolsa de couro meio hippie, que você vai encher de livros do Gabriel Garcia Marques que você nunca leu (e nem pretende, porque você já teve dificuldades em entender o texto da contracapa), mas que deixará à vista de todos – lembre-se que todos os livros devem ser surrados, porque cult que é cult só compra livros em sebo. Não se esqueça também de comprar a Caros Amigos e andar com ela fora da bolsa, para as pessoas acharem que é isso que você lê quando quer uma leitura leve.

Como se comportar?
Nas filas, finja que está fazendo marcações no seu catálogo da Mostra, para as pessoas acharem que você é altamente experiente no que diz respeito às mostras de cinema. Ou finja que está no celular com alguém explicando porque aquele filme afegão da noiva no esgoto é, de longe, o melhor filme dos últimos quatro anos. Durante as sessões faça cara de conteúdo o filme todo, mesmo que você não esteja entendendo nada do que está acontecendo na tela – o que é bem provável que aconteça. é fácil: fique com o rosto apoiado na mão (o ideal é manter o indicador ao lado do rosto e o polegar sobre o queixo) e, se o braço começar a doer, não demonstre isso. Além disso, se as pessoas começarem a rir em alguma cena engraçada do filme, vire-se para trás e olhe feio para todo mundo, deixando clara sua indignação. Lembre-se que você não pode rir no cinema. Os filmes da Mostra são arte em estado puro e arte não é divertida.

O que fazer depois do filme?
O único lugar que você pode ir após os filmes é um Frans Café. Faça questão de manter o seu catálogo da Mostra na mesa, bem visível a todos, para que os demais clientes saibam o quanto você é cult. Se estiver sozinho, compre uma Folha de São Paulo e faça comparações entre os horários das sessões no jornal e do catálogo da Mostra. Se estiver com seus amigos insuportáveis como você, faça questão de que as pessoas das mesas ao lado ouçam o que você fala, para que você possa mostrar o quanto manja horrores de cinema alternativo. Lembre-se: os filmes que todo mundo assistiu (e gostou) são ruins; já aquele filme afegão sobre a galera presa no esgoto – que passou em apenas uma sessão e ninguém viu porque tinha apenas legendas em alemão – é a única coisa que valeu a pena na Mostra. Faça referências a todos os diretores pelo sobrenome, como se você estivesse familiarizado com o trabalho deles – mesmo o sujeito tenha feito apenas um filme (não se esqueça de estudar a pronúncia correta dos cineastas franceses antes de sair de casa). Quando comentar os filmes, use sempre, em alto e bom som, expressões como "transgressor", "ruptura", "resgate", "releitura", "humano demais" e "bem construído" sempre que possível.

O que fazer até a próxima Mostra?
Não se esqueça que ser intelectualóide da Mostra é algo que rende frutos mesmo depois do final do festival. Quando seus amigos lhe convidarem para assistir algo, diga que você não vai porque já assistiu na Mostra. Aliás, diga que você já assistiu na Mostra e é bem meia-boca. Caso o convite seja para ver a porra do filme afegão sobre a noiva, o camelo e o menino presos no esgoto, diga que após a Mostra você assistiu ao primeiro trabalho do diretor (não se preocupe, ninguém vai saber se é verdade ou não) e que é infinitamente superior. Sendo assim, seus amigos estarão todos no cinema e você poderá ir para assistir a Heroes ou 24 Horas sem correr o risco de algum amigo seu descobrir que você gosta desses programas burgueses e comerciais.

20 de outubro de 2007

Passado, Presente e Futuro

Bem, vamos primeiro falar do passado. O post Sensações (de que algo está errado) parece ter caído no gosto dos leitores, apesar dos Sabores da Terra (que, agora eu sei, não é batata frita) e das batatas fritas de Ervas, Frangos e por aí vai. Portanto, com 36 comentários, ele entra, agora, na lista dos mais vendidos. E fazendo bonito, pois já entra em segundo lugar.

E os comentários, como sempre, foram excelentes, me apresentando nojeiras como Fandangos de Chocolate (isso é sério?) e provando, finalmente, que as Mastiguinhas existiram, não era viagem minha – minha cunhada até me mandou uma foto das Mastiguinhas, que reproduzo abaixo. Obrigado a todos vocês por me provarem que eu não estava louco. O único problema foi que nenhum dos comentários fez sequer menção à analogia da Marília Gabriela com o Espantalho do Fandangos, que, foi de longe, a parte mais divertida (para mim, ao menos), do post. Malditos todos vocês!



Porém, a entrada deste post na lista dos mais vendidos (junto com outros ajustes, como a entrada da saga Here Comes the Pain e Diga-me o que Procuras... E Eu te Direi quem És na lista dos mais vendidos conceituais, condenando ao esquecimento a briga do post O Último dos Moicanos e o suicídio frustrado da Tereza em Suicide is Painless) vai me criar problemas, com certeza.

Isso porque o post Com a Palavra... O Aniversariante!, assinado pelo próprio blog, deixou o Top 5, e, certamente, sofrerei retaliações de algum tipo aqui. Quem é leitor do blog há bastante tempo sabe que meu blog é extremamente temperamental. Não vou me surpreender se um dia eu acordar e descobrir que o blog postou em segredo, durante a madrugada, uma foto do meu rosto com o corpo da Demi Moore ou algo parecido (ele é temperamental, mas é meio babaca).

Falando de presente, gostaria de agradecer aos blogs Nada de Mais, Clickfilmes, Troféu Joinha, Pequeno Inventário e Cinema & Afins pela indicação ao prêmio Este Blog Vale a Pena Conferir, cujo selo segue abaixo (e já está colocado na barra lateral também). Aliás, o Max, do Pequeno Inventário, foi (justamente) indicado para outros 3 prêmios e fez um enorme forward com as indicações, com os prêmios Blog Escrito com Amor, Blog Solidário e Melhores Momentos Virtuais, dando mais essas três indicações ao Champ. Sendo assim, agradeço a todas elas e farei como o Max, repassando as indicações dos quatro prêmios a cinco blogs.




Quanto ao futuro... Bem, deixo vocês com o Top 5 blogs indicados aos quatro prêmios acima. Ou seja, o futuro está nas mãos desses blogueiros abaixo. Cabe agora a cada um deles colar o selo no blog, fazer um post de agradecimento dizendo porque o Championship Vinyl é o melhor blog da história com 10 mil palavras e indicar novamente o Championship Vinyl cinco blogs merecedores do prêmio.

1. Pequeno Inventário – Não é um agradecimento pelas indicações, mas o reconhecimento de que é, de fato, um dos melhores blogs que existem por aí.

2. Doces Deletérios – Essa gaúcha manda muito bem nos textos. Blog de leitura obrigatória.

3. A Prateleira – A Rob Gordon de saias merece estar em qualquer lista de premiação, ainda mais agora que criou vergonha na cara e resolveu voltar a postar.

4. Contos Ancestrais – Eu já mencionei aqui que não entendo como alguém consegue manter 3.019.987 blogs com uma qualidade absurda, certo? Bem, esse cara aqui consegue.

5. Acepipes Escritos – Outro que merece estar em qualquer lista de premiação – e nos favoritos de qualquer pessoa que goste de ler.

17 de outubro de 2007

Sensações (de que algo está errado)

Quando eu era criança, sempre fui meio outsider em relação a salgadinhos. Eu gostava mesmo é de batata frita, e esporadicamente comia um Baconzitos, para variar um pouco. Diferente de alguns amigos meus, verdadeiros estudiosos do assunto, que conheciam todas as marcas (até mesmo aquelas mais trash, tipo Ebicen ou Torcida) e estava sempre por dentro dos novos sabores que eram lançados. Alguns, inclusive sabiam qual refrigerante combinava mais com cada sabor e dedicavam-se aprimorar cada vez mais seus conhecimentos sobre o tema. A esta altura, claro, todos devem estar mortos devido à gastrite. Morreram em nome da ciência.

Eu não. Claro que, como toda criança, eu tinha meu lado trash, mas a respeito de salgadinhos eu era bem tradicional mesmo. E não gostava nem mesmo daqueles outros salgadinhos mais pops, tipo Fandangos ou Cheetos. Aliás, eu morro de nojo daquelas crianças que ficam comendo Cheetos e, na metade do pacote, já estão com um cavanhaque de farelo daquela merda.

Por isso que até hoje nunca me informei sobre os novos sabores de batatas fritas que saíram nos últimos anos. Eu passava os olhos pelas prateleiras de salgadinhos e via que deveriam ter mais uns dois sabores diferentes, mas nunca dei muita atenção a isso e a única que experimentei foi a Ruffles Churrasco (aquela que tem gosto de fumaça, sabe?), e mesmo assim, apenas por empatia com a palavra churrasco, mas aí é covardia, eu compraria até um tênis sabor churrasco.

Porém, ontem, passei no Pão de Açúcar para comprar meu jantar e decidi comprar uma batata frita para comer no caminho de casa. Porém, chegando ao corredor de salgadinhos, achei que estivesse no show room da Elma Chips. Isso porque eles lançaram uma nova linha de batatas fritas, chamada Sensações, com mais ou menos 50 sabores diferentes. Azeite. Azeite e Sal. Sal. Ervas Finas.

Por causa disso, demorei quase uns cinco minutos para encontrar um saquinho de batata frita com sabor de batata mesmo. Mas achei outro sabor com grande valor antropológico: Sabores da Terra. O que diabos é isso? Vem terra dentro do saquinho? As crianças deixaram de colecionar as figurinhas que vinham com o salgadinho e agora colecionam pedregulhos? Se bem que isso deve ser útil nas feiras de ciências. A criança joga um feijão lá dentro do saquinho de Sabores da Terra e, uma semana depois, o feijão virou um brotinho. Basta regar.

Alguém pode me explicar o que está acontecendo com o mundo? Batata frita era uma das últimas coisas que a humanidade ainda não havia desrespeitado. Agora, a Elma Chips maculou todo o conceito de batata fritas. Daqui a pouco, vão começar a lançar sabores como Uva, Bolinho de Chuva, Canja, Agrião. E, inevitavelmente, vai chegar o dia em que lançarão o sabor Picanha, com duas versões: com gordura e sem gordura. Meu medo é um dia eles fazerem um acordo com a Coca, e lançarem a Batata Frita sabor Coca-Cola, e claro que só vão lançar a merda da versão Geli-limão.

Procurado pelo blog, o Espantalho do Fandangos
ainda não se manifestou sobre o assunto.

Acha que estou exagerando? Pois bem, no caminho para o caixa, encontrei outra prateleira de salgadinhos, com o mais novo modelo (sim, modelo, porque uma batata dessas é um projeto, não é um alimento comum) não é de batata frita lançado pela Elma Chips: Frango Grelhado. Frango Grelhado! É brincadeira. Se lançarem uma versão sabor Arroz, você pode fazer uma refeição Elma Chips completa com Frango Grelhado, Arroz e um saquinho de batata sabor Batata mesmo, para acompanhar. Ô fase.

Quem não deve ter entendido nada foi a caixa, que acabou vítima da minha revolta.

– Faltou algum produto, senhor?

– Não. Pelo contrário. Tem produtos demais aqui. Tem coisa que não deveria existir.

– Como, senhor?

– Nada, nada. Quanto deu?

Ô fase.

Para finalizar, deixo vocês, agora, com o Top 5 Coisas Trash que eu comia quando era criança:

1. Dip Link – Era um pirulito gosmento que você mergulhava num pozinho (que, diziam que dava câncer) e chupava. Eu jogava o pirulito fora e comia só o pozinho. Ou seja, se realmente causava câncer, estou fudido.

2. Mastiguinha – Era uma espécie de vitamina do tamanho de um chiclete Adams. Na verdade, era uma bala que vendia em farmácia, mas não conheço uma pessoa que lembra disso, apenas eu. Outra lenda urbana infantil dizia que quem comesse mais de uma por dia, morria. Uma vez, eu e dois amigos comemos um pote inteiro em 4,5 segundos. E não morremos. Chupa, boato!

3. Geléia de Mocotó – Sei que não é muito apetitoso, mas sou tarado por isso até hoje. Toda vez que eu acho isso no mercado, compro potes para estocar em casa e como tudo em duas horas. E tanto faz a marca, pode ser Inbasa ou Colombo.

4. Suco de Feira - Nada é mais tosco que aqueles sucos sabor corante que vendem nas feiras, em embalagens ridículas com formas de calhambeques, aviões e tubarões. A criança tinha que abrir um furo ali e sair mamando naquela merda. Algumas décadas atrás, não era difícil me encontrar numa feira praticamente ficando com um tubarão.

5. Ice Pops - O dia em que a pobreza humana foi transformada em sorvete, ela levou o nome de Ice Pops. Eram uns saquinhos com um suco vagabundo, que você colocava no congelador e (supresa!) viraram sorvete. Na verdade, viravam gelo colorido. No verão, eu passava as tardes com meu irmão chupando gelo com cor de morango.

14 de outubro de 2007

Here Comes the Pain - Parte Final

(leia a parte II aqui)

Minutos depois, eu continuava deitado ali, com o lado direito do meu corpo paralisado. A maníaca estava debruçada em cima de mim, ainda com o chapéu de mineiro, mas parecia mais uma açougueira que uma dentista, pois seu jaleco já estava todo manchado de sangue. Meu sangue. Além disso, ela segurava um instrumento que parecia um daqueles ganchos usados em frigoríficos, o que não ajudava muito a diminuir meu medo.

O procedimento correto seria o seguinte: com aquele gancho, ela rasparia o tártaro da minha boca, gentilmente. Mas isso, claro, num mundo de sonhos. Mas, aqui, no mundo real, ela apoiava o joelho no meu peito, espetava aquele gancho na minha boca e puxava como se a vida dela dependesse daquilo. Gargalhando. E eu ali, paralisado e indefeso, assistindo a tudo aquilo, com a boca aberta. Comecei a ter dó do tártaro.

Os olhos dela brilhavam a cada enganchada. Eu chorava de dor, ela chorava de emoção. Na terceira vez que ela puxou o gancho, pensei em propor um acordo a ela. “Se você me deixar fumar um cigarro na sala de espera, prometo que volto e me comporto. E pago o dobro do valor do tratamento”. Mas claro que ela não iria aceitar. Aliás, tive vontade de acender um cigarro ali mesmo, mas mudei de idéia quando vi que ela ainda não tinha usado nem metade das ferramentas, especialmente aquela grandona, que ela comprou no Peg & Faça.

Foi a meia hora mais longa da vida. Em alguns momentos, eu achei que iria desmaiar. Tudo ficava preto e eu conseguia apenas ver o Coronel Kurtz, de Apocalypse Now, sentado num canto do consultório, na sombra, recitando “o horror... o horror...”. Mas o pior era quando ela parava para descansar o braço e me mandava cuspir. Isso, claro, poderia me proporcionar alguns momentos de alívio, mas o problema é que, para eu cuspir, eu precisava passar, antes, pelo terrível ritual do jato de água glacial na boca. Ela pegava o caninho de água e eu já me arrepiava de novo. Aí, ela espirrava aquele liquido congelado na minha boca, com os olhos trincando de prazer e realização pessoal.

IIIIIA(glub)AAAAAUU(glub)UUU!!!!!

– Pode cuspir.

– Água stá glada! Num tem água num tempratura conhecida plo hôme?, eu perguntei, com a minha boca anestesiada, modelo Dom Lázaro.

– Resistance is futile. Cospe.

Uma duas vezes pensei em cuspir na cara dela, aproveitar a confusão e sair correndo, mas como o lado direito do meu corpo não me obedecia, eu provavelmente rolaria pela escada do consultório durante a fuga e me quebraria todo. Mas, ao menos, eu aproveitava os intervalos para cuspir para recompor um pouco minha força, e criar coragem para deitar ali de novo. Umas três vezes, cheguei a ficar uns três minutos sentado, fingindo que cuspia.

– Vamos continuar?

– Eu inda tô cspindo!, mentia.

Mas, invariavelmente, eu voltava a deitar na maldita cadeira. Ela arrumava o capacete, estalava os dedos e continuava. Chegou uma hora em que eu comecei a perder a noção do que era pior: os ataques do Capitão Gancho (em um determinado momento, acho que ela chegou a ficar em pé em cima de mim puxando o maldito ferro com as duas mãos), ou os jatos de água gelada, que pareciam uma martelada na minha boca. As duas dores já se misturavam. Eram dois exércitos que se aliaram com o objetivo de me destruir, sob as ordens daquela encarnação do Stálin com diploma de ortodontia.

De repente, senti uma sensação estranha na boca. Uma sensação diferente. Acima das duas dores, uma nova dor apareceu. Enquanto as outras dores doíam apenas fisicamente, essa rompia as barreiras do tempo e do espaço. A minha vida doía. Cada momento que eu havia vivido até hoje e, cada segundo que eu viveria depois disso estavam doendo. Tudo ficou embaçado, depois escuro. Subitamente, me vi num túnel e lembro apenas de pensar repetidamente na frase “Fique longe da luz, Rob! Fique longe da luz!”. Quando voltei a mim, os olhos dela brilhavam como os de uma criança na manhã de natal.

– Enquanto eu raspava sua boca, achei uma cárie!, ela comemorou. Achei que ela fosse começar a dançar de felicidade.

– Deus du xéu...

– Doeu porque a anestesia não pegou a cárie, e eu acertei a cárie em cheio com o gancho!

– ....

Resultado, tivemos que parar tudo para ver a porra da cárie. Achei que ela fosse alugar um smoking para mexer na minha cárie (sim, eu percebi que isso era uma acontecimento especial na vida dela), mas um traje de gala não combinaria com a serra e o bate-estaca que ela usou a partir daí. Sinceramente, eu não lembro muito do que aconteceu. Provavelmente meu cérebro bloqueou essas memórias, e elas serão alcançadas apenas por hipnose. E, quando ela acabou com a cárie, começamos a raspagem de novo. Mas, aí, a raspagem já era fichinha.


Meia hora depois, ela saiu de dentro da minha boca e limpou o suor da testa. Até o meu celular estava doendo. Ela olhou para mim e disse:

– Pronto. Doeu muito?

– U ki vsse acha?, eu consegui balbuciar, com o lábio não me obedecendo.

– E olha que esse era o quadrante mais light. Doeu bastante por causa da cárie.

– Pdemus falar de ôtra cois?

– Sim, porque o arame entrou com tudo na cárie, que estava inflamada.

– Cual part de “pdemus falar de ôtra cois” vce num tendeu??

– Ok. Vamos dar uma última lavada e aí...

– Não!

Ela me ignorou e veio com aquele jato de água de novo. Acho que comecei a chorar na cadeira. Ela pegou um caderno e começou a rabiscar algo.

– Quinta-feira que vem você volta?

– Eu quero morrê... Por afor... Acaba ogo cumigu...

– Quinta-feira, mesmo horário, ta?. Ah, sim. Duas coisas. Primeiro, você não pode tomar gelado.

– Ah, jura? Eu jmais tria desconfiado.

– Sim, se você tomar gelado, vai doer. E aí você vai me ligar e dizer: [voz de criança] Doutora Ana, eu fiz o tratamento, mas minha boca está doendo?

– Eu num sou monglóide! Eu num ia falá assim!

– Vai doer porque seu dente está sensível após o tratamento.

– Num é só o denti. Eu tamém tô.

– Então, nada de gelado. Ah, e u gostaria que você não fumasse pelas próximas duas horas.

– Hum? Vsse nloqueceu!

– Sim. Sem cigarro por duas horas.

– Eu fumo cuando fico nervosu. Eu stou nervosu! O qui vsse fez acui na inha boca num foi gostoso. Eu vô fumá sim que coloca u pé na cualçada!

Percebi que estava soando como Homem-Elefante. Só faltou eu pega-la pelo colarinho e começar a gritar que “não sou um monstro, sou um ser humano!”. Mas, ela me convenceu a prometer que não fumaria pelas próximas duas horas, mostrando aquelas malditas fotos de pessoas com dente podres – todas elas exageradas, mostrando aquelas pessoas do meio da África que ficaram três encarnações sem escovar o dente. Aposto que foram os primeiros experimentos dela.

Quando eu prometi tudo aquilo – inclusive que sim, volto quinta-feira que vem – ela me deixou ir embora.

Fui para a rua e respirei fundo. Olhei no relógio e percebi que eu não estava vendo as horas, mas sim quanto tempo faltava para a próxima consulta. Ah, sinto muito. Já que eu vou começar a viver aterrorizado, vou ao menos ter um pouco de prazer, e mostrar que minha boca pode estar inutilizada, mas a minha alma ainda é de um guerreiro.

Dei a volta ao redor da casa, parei embaixo da janela do consultório e acendi um cigarro, dando uma longa tragada desafiadora. Ok, o cigarro quase caiu da minha boca por causa da anestesia, mas, ainda assim, o gesto não foi em vão. Aquilo não era uma simples tragada, era um gesto de resistência à toda e qualquer forma de tirania existente no planeta. Fiquei ali, fumando de forma desafiadora e olhando para a janela.

Quando eu ia gritar algo como “quer me pegar, eu estou aqui fora!”, ela apareceu na janela, ainda com o avental sujo de sangue. Antes que ela me visse, saí correndo – ou algo parecido com isso, porque metade do meu corpo ainda não me respondia – e me atirei dentro de um táxi.

– Me lev’embora dacui!, disse pro taxista.

– Quê?

– Vam! Vam bora!

E assim, parti para uma mais etapa da minha vida. A merda de etapa da Coca Zero sem Gelo. E, pior, quinta-feira que vem tem mais. Ô fase!

11 de outubro de 2007

Here Comes the Pain - Parte II

(se você não tem idéia do que está acontecendo, leia aqui)
Senti uma pontada em algum lugar da boca que eu não soube precisar e fechei os olhos novamente. O tempo se arrastava. Cerca de dez segundos depois (para mim, pareceu horas) eu ainda sentia a picada e achei isso estranho. Porra, é uma injeção, não tem segredo. Espeta, aperta e tira. Só isso. Não tem porque demorar tanto. Abri os olhos.

Foi a visão mais aterradora da minha vida. A dentista ainda estava aplicando a anestesia, mas, pelo meu ângulo de visão, a seringa parecia ter, mais ou menos, uns três kilômetros de extensão. E, lá no horizonte, atrás da seringa, eu conseguia ver a dentista com um olhar perdido, vago, provavelmente pensando no que iria almoçar. O descaso dela com meu sofrimento começou a me incomodar mais que a dor. Porém, ela olhou para mim e vendo que eu não devia estar muito à vontade – acredito que eu estava com os olhos arregalados e sacudindo as pernas, mas não lembro exatamente – perguntou:

– Você não sabia que anestesia na boca é mais demorada para aplicar?

Ela realmente esperava que eu respondesse à pergunta? Será que ela não considerou a hipótese de que é difícil falar claramente quando se tem uma seringa do tamanho da Transamazônica na boca? Olhei para ela com ódio e ela continuou, como se nada tivesse acontecido:

– Vamos torcer para que anestesia pegue na primeira vez. Senão, vou ter que aplicar novamente.

Eu não sentia mais os dedos do pé, de tanto que eles estavam encolhidos. Como se não bastasse o talento em causar dor física, a desequilibrada ainda domina a arte da tortura psicológica. Não é possível que ela ainda consiga caminhar livremente nas ruas, enquanto o resto do planeta fala apenas em combater os terroristas. Ela tirou a maldita seringa da minha boca e, olhando com cuidado a bandeja de instrumentos, apanhou alguma coisa metálica de espessura muito, muito fina.

– Vamos ver se anestesia pegou?

– Ver como?

– Começando a raspagem, claro.

– E se a anestesia não tiver pegado?

– Aplicamos outra. Sem anestesia, você não vai agüentar.

– Não tem outro jeito de ver se pegou? Um raio-x?

– Não, temos que tentar.

– Olhe, vamos fazer o seguinte: eu vou embora, trabalhar. Se eu não estiver sentindo nada na boca, é porque ela pegou. E aí eu juro que volto.

– Abra a boca.

– Você ao menos ouviu o que eu disse?

– Com a anestesia, você não irá sentir nada

– Você não sabe se eu estou anestesiado! Você vai usar o método da tentativa-erro. E o erro vai doer em mim, não em você!

– Eu acho que a anestesia pegou, vamos apenas nos certificar.

– Você está blefando!

– Quanto mais tempo você demorar para abrir a boca, mais tempo vou demorar para começar a mexer na sua boca. E se a anestesia tiver pegado, quanto mais tempo você demorar para abrir a boca, menor será o efeito dela.


Um retrato da anestesia utilizada pela minha dentista.
Eu sou a pedra.


Não tive como rebater essa última e abri a boca na mesma hora. Mas olhei para cima e pedi, mentalmente, por uma morte rápida e indolor. Talvez, se eu desejar com força, um satélite caia em cima do prédio e todos nós podemos morrer em paz e acabar logo com isso. Fechei os olhos e implorei por isso com determinação. Não aconteceu nada. Deus, por que me abandonaste?

– Abra a boca.

Respirei fundo e abri. Melhor acabar logo com isso. Com o canto do olho, pude ver que ela segurava um instrumento que faria o Wolverine se encolher de inveja e começou a mexer na minha gengiva. Se você já fez raspagem, sabe do que estou falando: ela estava, provavelmente com um capacete de mineiro, com metade do corpo dentro da minha boca, fuçando na minha gengiva com algo que parecia um ancinho.

E, curiosamente, eu não sentia nada. E não porque a anestesia deu certo. Foi justamente o contrário. Como a anestesia não fez efeito algum, acredito que meu sistema nervoso desligou automaticamente, graças ao instinto de auto-preservação, o que me impediu de sentir algo. Aliás, minto. Eu senti uma lágrima descendo pelo meu rosto. Mas provavelmente eu gritei – mesmo sem perceber –, porque ela tirou a cabeça de dentro da minha boca e perguntou:

– Está doendo?

– Claro que não. Está delicioso. Eu gritei porque não contive o prazer. Está um tesão tudo isso.

– Então, vamos contin...

– É claro que está doendo!!!

– Ah, a anestesia não pegou, então. Vamos tentar de novo.

Olhei no relógio e vi que a consulta não estava nem na metade. Suspirei, conformado, enquanto ela preparava uma nova anestesia. E não foi mais uma anestesia, foram três. Ficamos uns 15 minutos ali, com a mulher furando minha boca com aquele pedaço de metal.

Comecei a desconfiar que ela não era nazista, mas sim uma funcionária renegada da Paulipetro tentando desesperadamente encontrar petróleo na minha boca, mas mudei de idéia quando a recepcionista entrou na sala para perguntar algo. Não prestei muita atenção, mas tenho certeza de que a menina se dirigiu a ela como “mein Führer”. Ela respondeu qualquer coisa em tom ríspido e voltou sua atenção a mim.

Finalmente, a anestesia pegou. Aliás, pegou tanto que todo o lado direito do meu corpo ficou paralisado. Fiquei totalmente indefeso ali, entregue ao Deus-dará – e eu já havia percebido que Deus não iria se envolver com aquilo. Com esforço (porque eu parecia um mongolóide, sem conseguir controlar minha própria boca), abri o maxilar e me entreguei ao meu destino.

Sim, porque se a anestesia pegou, a insana saberia que era a hora dela me pegar.

Para o meu azar, a anestesia pegou.

Agora sim que ia começar a farra.

(continua)

8 de outubro de 2007

Here Comes the Pain! - Parte I

Em 1975, Hollywood criou aquele que talvez seja o maior monstro de sua história, com o filme Tubarão, de Steven Spielberg. Apesar de ser um daqueles filmes que todo mundo conhece – até mesmo quem nunca assistiu – nunca é demais relembrar. E, para isso, deixo você com a narração em off que abre o (maravilhoso) trailer do filme, que descreve o bicho de forma magistral.

“Há uma criatura que vive nos dias de hoje após sobreviver a milhões de anos de evolução. Sem mudanças. Sem paixão. E sem lógica. Ela vive para matar. Uma máquina comedora, sem cérebro. Ela irá atacar e devorar qualquer coisa. Seria como se Deus tivesse criado o demônio e dado a ele presas.”

Isso foi em 1975.

Hoje, 32 anos depois, essa história se repete, frase por frase, toda quinta-feira, quando vou ao dentista. Sim, porque minha simpática dentista, Dr. Ana (nome fictício, claro, pois tenho medo de represálias caso ela leia este blog) é muito simpática, conversa bastante, está sempre animada, mas certamente cursou a Escola Joseph Mengele de Ortodontia. Porque, sem sacanagem, aquilo não é tratamento, é um experimento para calcular até onde o ser humano pode suportar a dor.

Antes de continuar, devo avisar aqui que enquanto meus dentes são maravilhosos, minha gengiva sempre teve a mesma resistência de papel de seda. Basta alguém olhar feio para mim na rua e minha boca começa a sangrar. Sem exagero, a coisa é feia. E, logo na primeira consulta, ela já me diagnosticou como portador de periodontite-asmática-ultra-vox-power-venusiana-colorida-avançada.

Quando ela me disse esse nome, eu vi claramente que ela deu uma grande (e empolgada) entonação à palavra “avançada”. Por coincidência, foi ao pronunciar essa palavra que os olhos dela brilharam. E, não por coincidência, foi nessa hora que me encolhi o máximo naquela maldita cadeira, tendo a única reação que é permitida a uma pessoa naquela situação: encolher os dedos dos pés e começar a rezar. Não teve jeito. Segundos depois, ela (e tenho certeza de que ela estava sorrindo) anunciou:

– Teremos que fazer uma raspagem. E vai ser pesada. Bem dolorida.

Como assim, “pesada”? Todo dentista que eu conheço sempre fala que “não vai doer nada”, mesmo que ele tenha que colocar uma britadeira na sua boca. Acho que é altamente anti-ético uma profissional desse ramo avisar assim, casualmente, que vai doer. É contra o princípio dos dentistas. Comecei a pensar sobre isso (ainda com os dedos dos pés apertados) e cheguei a conclusão que ou eu estava no consultório de uma dentista que revolucionaria a profissão, usando psicologia reversa, ou a coisa ia realmente doer.

O brilho nos olhos dela me mostrou que ela não estava interessada em revolucionar nada, ia doer mesmo. Ia doer muito.

Sentou-se ao meu lado com uma bandeja cheia de instrumentos de metal de fazer inveja aos cirurgiões de Nip/Tuck. Eram mais ou menos 20. Todos eles altamente afiados. Enquanto ela mexia na bandeja, provavelmente lambendo os beiços e escolhendo qual usar primeiro, consegui levantar a cabeça rapidamente e olhar os instrumentos com o canto do olho. Tive quase certeza que uns 2 deles tinham o logo da Black & Decker estampados ao lado. Ela se virou para mim e eu rapidamente deitei a cabeça, olhando o teto, tentando parece o mais casual possível. Comecei a sentir câimbras nos dedos dos pés.

– Por qual quadrante você quer começar?

– Quê?

– Qual quadrante?

– Hum... Que tal por aquele aqui?, perguntei, apontando para a porta.

– Oi?

– Sim, aquela porta não é bem um quadrante, é mais um retângulo, mas ainda assim é um quadrilátero...

– Não, não. Fique calmo. Por qual quadrante da sua boca...

– Como assim calmo? Você já disse que vai doer!

– Sim, mas esse procedimento é necessário...

– Claro que é necessário! Você acha que vim até aqui porque não tinha nada legal na TV?

– Você vai querer anestesia?

– Geral? Vou.

– Não, local. Só no quadrante. Aliás, você precisa escolher qual quadrante você quer começar o tratamento.

– Qual você indica?

– Olha, o superior direito parece ser o pior deles, então...

Os olhos dela brilharam de novo.

– Então deixe esse para o final. Eu perguntei qual você indica e não qual vai ser mais divertido.

– Vamos começa pelo direito inferior, então.

– Hum... Tá. O que eu faço?

– Abre a boca.

Era tudo o que eu não queria ouvir. Fechei os olhos e assisti a minha vida inteira passando na minha frente. Então, é isso: com a frase “abre a boca”, eu morro. Simples assim. Vazio assim. Uma morte inútil. Sempre sonhei em morrer por uma causa nobre, resgatando alguém em um prédio em chamas ou fazendo um gol em cima da Argentina numa final de Copa do Mundo. Mas não assim, na cadeira do dentista, por causa da merda do tártaro na gengiva. Que morte inglória e sem propósito.

Comecei a me lembrar do final de Coração Valente, com o William Wallace sendo torturado em praça pública. Aposto que essa mulher iria fazer o mesmo comigo. Tive certeza de que se eu olhasse para o lado, veria uma multidão de camponeses miseráveis e imundos assistindo a tudo e se divertindo.

Sentindo a indignação pelo meu destino percorrendo cada fibra do meu ser, resolvi lutar contra o meu destino.

Vou enfrentar isso como homem, de olhos abertos. Klingons sempre morrem com os olhos abertos! (nerd mode: on). Abri os olhos e a encarei firmemente. Estava determinado a acabar com tudo aquilo o mais rápido possível. Uma vez, eu li em algum lugar que se você ignorar a dor, ela some. Ou era o frio? Bom, não importa. Não tenho tempo para pensar nisso agora, vai ter que ser a dor mesmo. William Wallace conseguiu, eu consigo também. Os camponeses querem um show? Bem, eles terão um show!
Ela olhou para mim e perguntou:

– Você vai querer anestesia?

FREEEEEDOOOOOOOOOOOM!!!!

– Pára com isso e responde, você vai querer anestesia?

– Claro, né? Vai doer para cacete!

A última coisa que eu me lembro é a imagem dela se aproximando da minha boca com uma agulha do tamanho da Torre Eiffel na direção da minha boca. Os olhos dela, claro, brilhavam. Tenho certeza que começou a tocar Wagner no consultório. A Cavalgada das Valquírias.

Apertei os dedos dos pés mais ainda e pensei: “Estou fudido”.

7 de outubro de 2007

Top 5 - Invenções

Para terminar de colocar as tarefas do blog em dia, respondo aqui o meme que me foi enviado semanas atrás, pelo D Bituca, pedindo para eu listar as cinco maiores invenções da humanidade.

De cara, pensei no pão de forma (vocês não acham sensacional um pão que já vem cortado?) ou no meu aquecedor, mas esse certamente perdeu algumas posições na lista (saindo do Top 5) depois que eu quase transformei meu apartamento no remake de Inferno na Torre tentando secar uma calça nele (veja mais aqui).

Veja, o problema é que eu sou adepto da filosofia de que a humanidade não deu certo. Logo, acredito que toda invenção humana, por melhor que seja, vai ser usada de forma tosca. Ou vocês realmente acham que os irmãos Lumiere realmente tinham em mente os filmes do Lorenzo Lamas quando inventaram o cinema? Ou que o criador do power point imaginava que as pessoas iriam usar o programa para mandar aqueles malditos e-mails com imagens de anjinhos? Vocês realmente acreditam que o neanderthal que bateu uma pedra num coco e descobriu que aquilo fazia um barulho legal imaginou que, séculos depois, sua invenção seria deturpada na forma de uma aberração intitulada banda Calypso?

Justamente por isso, na minha opinião, as cinco maiores invenções da humanidade ainda não foram inventadas. Aliás, é exatamente por isso que são as melhores: como elas ainda não foram criadas, ainda não conseguimos estragá-las. Claro que, depois que elas surgirem, é só uma questão de tempo até elas serem totalmente deturpadas. Mas, até isso acontecer, elas ainda são as maiores.

Deixo-lhes, então, as cinco maiores invenções da humanidade (já aviso que isso foi escrito com o nerd mode: on). E, como minha fé na humanidade é nula, já explico também como essas invenções serão estragadas logo após serem criadas.

1. Teleporte: Imagine como seria sensacional você subir numa plataforma, se desmaterializar e, instantaneamente, ser transportado para qualquer outro lugar do mundo? Claro que isso vai deixar muita gente desempregada, mas não importa. O progresso é mais importante. Além disso, quem gosta de pegar ônibus em dia de chuva com a avenida Rebouças toda parada?

Como será estragada: No Brasil, claro, o negócio não vai funcionar nunca. Você quer ir para a Avenida Paulista e acaba parando numa favela no Vietnã. Você tem uma reunião em Copacabana, e acaba parando no Alasca. E, ao ligar para o SAC da operadora, a imbecil da atendente vai pedir para você confirmar seu CPF, sua data de nascimento e nome do seu pai, antes de dizer que não pode lhe ajudar, pois o sistema está fora do ar.


2. Sabre de Luz: "Uma arma elegante, para dias mais civilizados", disse Obi-Wan Kenobi. Realmente. Num mundo melhor, a polícia e os exércitos usariam apenas sabres-de-luz como armas. Já que as guerras nunca vão acabar mesmo (porque a humanidade não deu certo, entre outros motivos), essas invenções tornariam os combates, ao menos, esteticamente mais bonitos. Além disso, seria quase uma justiça poética, já que o ditador mais perigoso do mundo, Kim Jong-Il, tem nome de cavaleiro Jedi (toque dado pelo Moulin).

Como será estragada: Logo de cara, assim que os sabres de luz entrassem no mercado, versões "alternativas" iam começar a ser vendidas em camelôs no Stand Center, que seriam de marcas duvidosas, como “Gedi” e “Forssa”. Além disso, as pessoas usariam a arma mais elegante de todos os tempos em shows de rock, mantendo ele aceso em cima da cabeça e balançando de um lado para o outro na hora que a banda tocasse qualquer baladinha melosa.

3. Chapéu Pensador: Como eu não achei uma foto, vou ter que descrever isso aqui. É aquele chapéu usado pelo Professor Pardal quando ele precisa resolver algum problema. Parece uma casa, com alguns corvos voando ao redor da chaminé, e basta ele colocar aquilo na cabeça que ele tem uma idéia absolutamente genial. Seria útil em qualquer situação do dia a dia que envolvesse tanto raciocínio lógico como criatividade.

Como será estragada: Outra invenção que seria deturpada pelos coreanos do Stand Center, que passariam a vender uma versão meia-boca que não sabe resolver nem tabuada direito. Além disso, ninguém usaria isso para resolver problemas como a fome ou as desigualdades sociais, mas sim para problemas ridículos como “o que vou almoçar hoje?” e “vou de branco ou de azul na festa da Fé?”. Isso sem falar nos emos, que usariam o chapéu apenas para descobrir como tirar um auto-retrato com a câmera do celular de um ângulo ainda não usado por nenhum outro emo.

4. Fluido de Teia: Como diz meu irmão, se Peter Parker fosse um personagem real, ele teria vendido a patente do fluido de teia para a 3M, ficaria milionário e iria morar no Havaí, longe da tia pentelha e dos colegas de escola que o espancavam todo dia. Independente disso, é a maior invenção do universo Marvel. É a substância mais aderente conhecida pelo homem, podendo assumir qualquer forma (fio, escudo, bola) e depois de uma hora após sua utilização, o fluido de dissolve, impedindo que a cidade fique toda emporcalhada. Com o disparador de teias adequado, seria bastante útil nas mãos dos bombeiros ou da polícia.

Como seria estragada: Na verdade, ela não seria propriamente estragada, mas sim mal-utilizada. Ah, como eu seria feliz tendo um negócio desses na minha mão na época dos trotes da faculdade... O saco seria no carnaval, quando as pessoas passariam a andar pela rua disparando essa merda de teia nos outros.

5. R2-D2: Não estou falando de robótica em geral, estou falando especificamente do R2-D2. Afinal, ele é mais que um robô, ele também funciona como co-piloto, guarda-volumes e barman (como visto nos filmes de Star Wars) além de poder ser adaptado para lixeira ou caixa de correio – até mesmo como projetor. E, se for adequadamente treinado, também poderia ser usado como animalzinho de estimação – e, aposto, causando bem menos que a Besta-fera.

Como seria estragado: Eu não me surpreenderia em começar e-mails com vídeos mostrando um pobre R2-D2 vestido de empregadinha francesa e sendo sodomizado por três ou quatro sujeitos ao mesmo tempo. Em outras palavras, chupa R2. Literalmente.

2 de outubro de 2007

Diga-me o que Procuras.... E Eu te Direi Quem És - Parte III

Continuando umas das grandes tradições do blog, que já contou com duas partes anteriores (aqui e aqui), hora de analisar as últimas buscas que as pessoas fizeram no Google e, como resultado, acabaram caindo no Championshiop Vinyl - sabe-se lá porquê. Na verdade, vamos analisar somente as últimas mesmo, já que por cagada minha algum mistério da natureza, eu fiquei meses sem receber as estatísticas do blog.

Mas, se serve de consolo aos fãs desse tipo de post, a boçalidade humana parece aumentar a cada post desta série. Agora, além dos fanáticos por fotos do Kleber Bam Bam pelado, que sempre emporcalharam este blog, a corrente das pessoas que procuram vídeos de leões (sejam atacando pessoas, copulando, copulando com pessoas, devorando hienas, copulando com hienas, jogando batalha naval, copulando com hienas e jogando batalha naval) aumentou consideravelmente. Curioso.

Mas os melhores mesmos são os free-lancers, os desgarrados que não pertecem à nenhuma dessas duas correntes e acabam procurando sempre as coisas mais estranhas imagináveis, normalmente da forma mais esdrúxula do mundo. Sendo assim, apresento a vocês os novos emblemas da filosofia "a humanidade não deu certo".

um site que eu possa assistir piratas do calibre o baú da morte
Calibre? Tudo bem que você tem preguiça de ir até a locadora alugar o filme, preferindo ver na internet, mas você poderia ao menos ter o trabalho de checar o nome do filme, né?

tom cruise esta extremamente gato em top gun
Eu adoro isso, as pessoas que conversam com o Google. Será que você é tão carente assim a ponto de ter que entrar no Google para conversar sobre isso com alguém?

toda vez que eu chego em casa
se a barata da vizinha estiver na sua cama, problema seu e dela. Não precisa vir aqui no blog contar isso, certo?

temos que lamber seus pés
Temos? Temos porra nenhuma! Que história é essa, cara? Sabe, eu tenho um blog, só isso. Isso não é razão para eu ser alvo das taras das pessoas.

uma frase bem bonita sobre um relacionamento que ainda não comeu
Sei, sei. Por mais que você tente, não rola nada, né? Olha, uma dica. Mande flores, leve para jantar, cineminha... Talvez dê certo. Se bem que se você é o tipo de cara que entra no Google para aprender a xavecar alguém, mulher nenhuma daria mesmo para você. É perda de tempo. Você é mané demais.

tatuagem dragão prehistorico
Olha, desculpe derrubar seu castelinho de cartas, mas não existe um dragão pré-histórico. Quer dizer, na verdade, existe, mas tem outro nome. Chama dinossauro, talvez você já tenha ouvido falar.

Site:http//champ-vinyl.blogspot.com/kleber bambam pelado
É você, né? Você quem fica procurando essa porra TODO dia aqui no blog!

Site que mostre fotos de todos os integrantes que a banda iron maiden já teve quero ver isso agora caralho
Olha, já que você realmente acredita que o Google conversa com as pessoas, deixa eu te dar uma dica. Não é força, é jeito. Não adianta ameaçar o Google, ai ele não procura nada mesmo. Tem que fazer um carinho, surrurrar uma gracinha ao pé do ouvido, levar para um barzinho legal. Mas o importante é pegar na mão. Depois que você pegou na mão do Google, é só administrar. Tenta de novo, de forma mais romântica.

Sinais extraterrestres atrás do poste
Olhe, pode até ser que a verdade esteja lá fora, como você está louco para acreditar. Mas, se está atrás do poste, a probabilidade de ser macumba ou mijo de cachorro são bem maiores, vai por mim.

Rx da cabeça do roman simpson
Homer! Homer Simpson! Duh!

Quero sabe a seia do meu orkut
Presumo que você queira saber a SENHA do seu orkut. Olha, é fácil, precisamos apenas identificar você. Deixe um comentário aqui no blog, com o seu nome do orkut (mais o nome completo, CPF, senha do banco e número do seu cartão de crédito), que localizaremos a senha para você.

Quero ouvir de graça as musicas de joão paulo e daniel
Existe gente que paga para ouvir isso? É sério?

Quantos km pode alcançar um ventilador arno?
Sabe que ninguém tentou isso até hoje? Olha só, você pode entrar para a história da ciência! Faz o seguinte: liga um ventilador na sua casa e corre até uma cidade distante mais ou menos 300km da sua casa. Aí, vem vindo a pé bem devagar pela estrada. A hora que voce sentir o vento, anote a kilometragem e venha aqui contar para a gente.

Quando toca o telefone e a primeira coisa que eu ouço é estou apaixonado
Eu desligaria na mesma hora. Ou é trote, ou é uma nova abordagem do pessoal de telemarketing. Mas claro que pode ser o rapaz da quinta pergunta, num ato de claro desesperero. Minha filha, dá logo para ele, quem sabe ele para de encher o saco.

Qual a técnica vocal usada pelo musico axl rose
Heroína.

Porque é que os bebés entorntam os olhos?
Sério? O seu bebê entorta os olhos? Bebês normais não fazem isso! Olha, você tem certeza de quem é o pai? Porque, bem... Hum... Deixa eu te dar uma dica. Existem alguns documentários sobre bebês que podem ajudar você nesse caso. Comece assistindo O Bebê de Rosemary e, se você não solucionar o problema, tente A Profecia.

Porque isadora so fala merda
Olha, eu aconselho você a não comprar essa briga. Vai por mim, você vai perder. Eu perco sempre. E de goleada. Enfim, se você estiver disposto a arriscar, pergunta lá na Prateleira. Isadora, eu não falei nada, ok? Vamos deixar bem claro que eu só trabalho aqui, não tenho nada com isso!

Para onde vamos após a morte?
Depende. Se você foi um bom menino, você vai para o céu, passar a eternidade sentado numa nuvem, tocando harpa e vestindo aqueles longos brancos que os anjinhos usam. Agora, se você não se comportar, seu destino será o inferno, onde todo mundo passa o resto da existência pelado, tomando vodka e ouvindo Judas Priest. Viva o livre arbítrio!

Ou me dá as autopisia ou cancelo minha...
Cancela o quê? A sua assinatura? Cara, você realmente acha que o Google vai acreditar nisso? Esse foi o pior blefe da história!

Onde colocar a cama no quarto de adolescentes no feng shui
O feng shui não vai resolver nada aqui. Pode colocar a cama em qualquer lugar do quarto, que assim que você sair de casa, ela vai contrabandear o namorado para dentro do quarto. E aí, amigão, não há feng shui que segure. Talvez um banho de água gelada, mas não é certeza.

A marca da besta vai surgir durante o aquecimento global
Verdade. Durante o aquecimento global, bestas como você entram no Google e deixam sua marca ali.

O que quer dizer futuro do pretérito?
Sinceramente? Eu também nunca entendi. Teoricamente, é o presente, já que estamos falando do futuro do passado, ou seja, o futuro de algo que aconteceu. E o futuro de algo que aconteceu é agora. Vai por mim, isso é pegadinha. No vestibular, pode conjugar todos os verbos no presente usando a terminação "iria", que você vai se dar bem. Vai tranquilo que eu garantiria aqui.

Entra com mais freqüência no meu orkut?
Não.

O mundo não acabou e agora fotos do pássaro dodô
Amigão, qual a relação entre uma coisa e outra? Não seria melhor fazer uma busca por vez?

O cliente faz pique no restaurante o que devo fazer?
Fácil. Espere ele gritar pela terceira vez. Logo após isso, você levanta na sua mesa e grita: "É hora! É hora! É hora, é hora, é hora! Rá-tim-bum!"

No google não tem mais putaria ao vivo não?
Não. Próximo?

Igreja renascer fudida
Hóstia, você quer resolver essa aqui?

Horário de funcionamento do restaurante bovinus da avenida rebouças
(Acho que) das 18:00 até o último cliente. Isso porque normalmente duas ou três vezes por semana o último cliente sou eu. Se quiser jantar comigo, normalmente estou na segunda ou terceira mesa abaixo da janela, no lado esquerdo. Você paga.

Garrafa pet de dois litros agüenta quantas pessoas
Porque você e o cara do ventilador Arno não fundam um Clubinho da Ciência juntos? Olha, faz assim: coloca uma garrafa dessas deitada no chão, com a tampinha virada para o vaso preferido da sua mãe. Peça a três ou quatro amigos subirem na garrafa e começarem a pular. A hora que ela explodir, você já sabe a resposta. Vá correndo para contar para sua mãe, ela vai ficar orgulhosa. Não esqueça de levar os cacos do vaso como prova da sua genialidade.

Eu, meu amigo e o armário dvd
Hum... Isso não soa como o começo de uma piada, mas, sim como algo que você viveu e parece ter sido tão bom que você não consegue esquecer. Quer compartilhar com a gente o que aconteceu?

Eu quero que minha foto sai na moeda
Existem dois caminhos para isso. O primeiro implica em tornar-se presidente do país. O segundo implica em comprar Photoshop. Caso você opte pelo segundo, não se esqueça de voltar aqui dizendo como você conseguiu escanear a moeda sem destruir seu scanner.

A escola é obrigada a me mudar de horário caso eu esteja correndo risco de apanhar?
Infelizmente, é. Meu conselho é o seguinte: pinte seus cabelos de verde, compre uma daquelas máscaras com a cara do Groucho Marx e vá a escola com uma almofada dentro do casaco, simulando uma corcunda. Ninguém vai lhe reconhecer e a surra será cancelada.

Charada cavaleiro pede ajuda pode negar
Ah, posso negar? Perfeito. Não. Próximo?

Meus amigos e comunidades do orkut congelaram
Congelaram ou ninguém entra no seu orkut? Hora de rever seus indíces de popularidade, não acha?

Frases de patricinha para definir quem sou eu
Hum, vai ser difícil, mas vou tentar: "Ah, você é linda d+!!! Olha essa fotinhu, eu e vc na baladeeeeeenha! as mais gatas, sempre causando!". Ajudou?

Estou com meu texto salvo no computador o monitor queimou o que fazer
Cuidado! Não faça movimentos bruscos! Não é bom assustar o computador nessas horas, eles são sensíveis e se ofendem com facilidade. Porém, seu monitor pode estar fingindo. Com cuidado, gentilmente, saia da sua cadeira e (arrastando-se pelo chão, para não ser visto), saia do aposento e procure uma marreta. Sem fazer barulho, porque o monitor já pode estar desconfiando, ok? Ao achar a marreta, espere até a madrugada, quando o monitor estiver dormindo e entre correndo no quarto, gritando HERE COMES THE PAIN! e dê uma marretada no monitor. Se ele não ligar, é porque estava quebrado mesmo, chame a assistência técnica.

Aumente teus pés
Pés? É você de novo, o cara da lambida? Amigão, vai na frente de um pedicuro e fica espiando as pessoas ali, alimentando sua tara, e me deixe em paz, ok?

Raspar tatuagem grande pode comprometer o movimento do braço?
Não. Mas vai arder para caralho, você sabe, né?

Axl nirvana guns roses camiseta slash cobain
Pela quantidade de bandas e músicos que você colocou aqui, seria melhor um lençol e não uma camiseta.

Minha timidez e somente com mulheres
Calma, calma. Não precisa se justificar. A vida é sua, você faz as opções que quiser, sem precisar dar satisfação aos outros. Se você quer realmente começar a sair com pessoas que não deixam você tímido, sinta-se a vontade para isso. Afinal já estamos no século 21. Só, por favor, nos poupe dos detalhes sórdidos, depois, ok?

A civilização é louca
Parabéns. Você é a primeira pessoa sensata que aparece aqui. Seja bem vindo.

Sim, sim, eu sei que o post saiu longo demais. Não é culpa minha, acreditem. Eu ainda deixei muitas pérolas de fora. Mas prometo começar a fazer isso mensalmente, o que deve reduzir bastante o tamanho dos próximos textos sobre o tema.

Ou não, já que as buscas na parceria Google X Championship Vinyl pioram a cada dia. Duvida? Então, veja o próximo post da série aqui.