Eu pago uma churrascaria para o leitor deste blog que convencer o Dado Dolabella que invadir o apartamento da Luana Piovani com uma arma e mantê-la como refém durante uma semana (ao invés de ficar em casa quebrando as portas do apartamento) é a melhor maneira de provar seu amor por ela.
P.S. - A quem possa interessar, tem texto no Chronicles.
30 de outubro de 2008
28 de outubro de 2008
Coisas da Vida VI
(o post anterior desta série você encontra aqui)
Essa aconteceu agora de manhã, quando eu estava saindo de casa para o trabalho. Entrei no elevador – moro no oitavo andar – e ele começou a descer.
Parou no terceiro andar.
Uma mulher, de aparentemente cinqüenta anos, abriu a porta e colocou a cabeça para dentro do elevador, como se fosse um boneco de teatro infantil. Fiquei olhando para ela, tentando entender se ela estava nua ou mantida sob a mira de uma arma. Ela me olhou de cima a baixo, provavelmente vendo se eu era confiável – e aparentemente, decidiu que era, pois colocou um braço dentro do elevador e me deu uma sacola.
Antes que eu pudesse perguntar algo como “posso te ajudar?” ou “você está sob o efeito de medicamentos?”, ela decidiu tomar a iniciativa e perguntou:
– Você está indo para o térreo?
– É... Sim.
– Ótimo. Você pode entregar isso para o Francis?
– Oi?
– É. Esta sacola. O Francis precisa dela.
– O que é um Francis?
– Francis é o nosso porteiro.
– Ah.
– Você mora aqui?
– Bem... Sim.
– E você não sabe que o porteiro chama Francis?
– Na verdade, toda vez que eu passo pela portaria, eu o chamo de “oi, tudo bem?”. Como ele nunca reclamou, achei que esse fosse o nome dele.
– Pois não é. O nome dele é Francis.
– Ok.
– E ele precisa disso.
– Ok. Vou entregar assim que possível.
– Obrigada.
Tirou a cabeça e o elevador desceu. Abri a porta, fui até a portaria e chamei o porteiro:
– Oi, tudo bem? Uma louc... Uma senhora do terceiro andar pediu para eu te entregar isso aqui.
Ele pegou a sacola e agradeceu. Eu fui embora.
Se eu tivesse coragem de olhar a Síndica das Trevas nos olhos, iria reclamar disso tudo.
Essa aconteceu agora de manhã, quando eu estava saindo de casa para o trabalho. Entrei no elevador – moro no oitavo andar – e ele começou a descer.
Parou no terceiro andar.
Uma mulher, de aparentemente cinqüenta anos, abriu a porta e colocou a cabeça para dentro do elevador, como se fosse um boneco de teatro infantil. Fiquei olhando para ela, tentando entender se ela estava nua ou mantida sob a mira de uma arma. Ela me olhou de cima a baixo, provavelmente vendo se eu era confiável – e aparentemente, decidiu que era, pois colocou um braço dentro do elevador e me deu uma sacola.
Antes que eu pudesse perguntar algo como “posso te ajudar?” ou “você está sob o efeito de medicamentos?”, ela decidiu tomar a iniciativa e perguntou:
– Você está indo para o térreo?
– É... Sim.
– Ótimo. Você pode entregar isso para o Francis?
– Oi?
– É. Esta sacola. O Francis precisa dela.
– O que é um Francis?
– Francis é o nosso porteiro.
– Ah.
– Você mora aqui?
– Bem... Sim.
– E você não sabe que o porteiro chama Francis?
– Na verdade, toda vez que eu passo pela portaria, eu o chamo de “oi, tudo bem?”. Como ele nunca reclamou, achei que esse fosse o nome dele.
– Pois não é. O nome dele é Francis.
– Ok.
– E ele precisa disso.
– Ok. Vou entregar assim que possível.
– Obrigada.
Tirou a cabeça e o elevador desceu. Abri a porta, fui até a portaria e chamei o porteiro:
– Oi, tudo bem? Uma louc... Uma senhora do terceiro andar pediu para eu te entregar isso aqui.
Ele pegou a sacola e agradeceu. Eu fui embora.
Se eu tivesse coragem de olhar a Síndica das Trevas nos olhos, iria reclamar disso tudo.
Promessa de Campanha
Eu volto. Talvez ainda hoje. Prometo.
20 de outubro de 2008
Rob Gordon X Santander - Round Único
– Sr. Rob Gordon?
– Sim.
– Aqui é Rose, do banco Santander, tudo bem?
– Sim. Até agora.
– Que bom. O nome do senhor foi selecionado pela nossa central de cartões, então estou ligando para lhe oferecer o nosso novo cartão. Ele não tem taxa de anuidade e possui um programa de milhagem que pode gerar prêmios ao senhor.
– Não tenho interesse.
– Mas qual o motivo da falta de interesse do senhor?
– Minha falta de interesse não há motivo. Ela é exatamente o que se propõe: uma pura e simples falta de interesse. Ou, se você quiser algo mais minimalista, podemos tentar um “não quero”. O que você acha?
– Mas com este cartão, o senhor não pagará anuidade.
– Sim, você já me disse isso antes. Não faz muito tempo, foi mais ou menos dez segundos atrás. Logo depois disso, eu disse que não estava interessado, lembra? Então, isso ainda não mudou. Se você repetir isso oito vezes, demonstrarei falta de interesse em todas as oito.
– Mas há algum motivo específico?
– Sim. Não adianta você repetir a mesma vantagem dezenas de vezes para eu comprar o cartão. Se o seu plano é me pegar distraído em uma delas, não vai dar certo.
– Não, senhor. Gostaria de saber o motivo da falta de interesse.
– [suspiro] Rose, não há motivos, simplesmente porque não precisa de motivos. Se você me convidar para uma festa e eu responder “não posso ir”, você certamente perguntará “por que?”. E concordo que, nesse caso, deve existir um motivo, algum elemento que me impeça de ir à sua festa, como eu estar trabalhando, eu ter outro compromisso, ou o prédio em que moro ter desmoronado e eu estar ocupado resgatando minhas coisas dos escombros. Agora, Rose, se eu responder ao seu convite dizendo que “obrigado, mas não quero ir à sua festa”, o motivo de eu não querer ir é justamente esse: eu não quero ir. O “não quero” é auto-explicativo.
– Entendo...
– É um pouco complicado, mas se você pensar nisso com calma, verá que faz sentido. Aliás, é meio óbvio, depois que você entende todo o processo.
– Então não há interesse do senhor?
– Não, não há. Nem a respeito da sua festa, nem a respeito do seu cartão. E, Rose?
– Senhor?
– Vou dar um conselho. Não pergunte novamente se há algum motivo para isso.
– Não, senhor. Obrigada, senhor.
(clic)
– Sim.
– Aqui é Rose, do banco Santander, tudo bem?
– Sim. Até agora.
– Que bom. O nome do senhor foi selecionado pela nossa central de cartões, então estou ligando para lhe oferecer o nosso novo cartão. Ele não tem taxa de anuidade e possui um programa de milhagem que pode gerar prêmios ao senhor.
– Não tenho interesse.
– Mas qual o motivo da falta de interesse do senhor?
– Minha falta de interesse não há motivo. Ela é exatamente o que se propõe: uma pura e simples falta de interesse. Ou, se você quiser algo mais minimalista, podemos tentar um “não quero”. O que você acha?
– Mas com este cartão, o senhor não pagará anuidade.
– Sim, você já me disse isso antes. Não faz muito tempo, foi mais ou menos dez segundos atrás. Logo depois disso, eu disse que não estava interessado, lembra? Então, isso ainda não mudou. Se você repetir isso oito vezes, demonstrarei falta de interesse em todas as oito.
– Mas há algum motivo específico?
– Sim. Não adianta você repetir a mesma vantagem dezenas de vezes para eu comprar o cartão. Se o seu plano é me pegar distraído em uma delas, não vai dar certo.
– Não, senhor. Gostaria de saber o motivo da falta de interesse.
– [suspiro] Rose, não há motivos, simplesmente porque não precisa de motivos. Se você me convidar para uma festa e eu responder “não posso ir”, você certamente perguntará “por que?”. E concordo que, nesse caso, deve existir um motivo, algum elemento que me impeça de ir à sua festa, como eu estar trabalhando, eu ter outro compromisso, ou o prédio em que moro ter desmoronado e eu estar ocupado resgatando minhas coisas dos escombros. Agora, Rose, se eu responder ao seu convite dizendo que “obrigado, mas não quero ir à sua festa”, o motivo de eu não querer ir é justamente esse: eu não quero ir. O “não quero” é auto-explicativo.
– Entendo...
– É um pouco complicado, mas se você pensar nisso com calma, verá que faz sentido. Aliás, é meio óbvio, depois que você entende todo o processo.
– Então não há interesse do senhor?
– Não, não há. Nem a respeito da sua festa, nem a respeito do seu cartão. E, Rose?
– Senhor?
– Vou dar um conselho. Não pergunte novamente se há algum motivo para isso.
– Não, senhor. Obrigada, senhor.
(clic)
16 de outubro de 2008
Links
Nos últimos dias, um assunto se tornou recorrente nas conversas dos blogueiros brasileiros: as mudanças no ranking do BlogBlogs. Para quem não sabe, o BlogBlogs é o maior site de indexação de blogs do Brasil (uma espécie de Technorati). Ou seja, o seu ranking de “blogs mais populares” é extremamente importante para os blogueiros do país, que podem conseguir uma boa visibilidade nisso.
Ao menos, na teoria.
Na prática, claro que a coisa não funciona bem assim, por dois motivos. O primeiro é que os “blogs mais populares” acabam sendo os mesmos blogs de qualquer outra relação de “maiores blogs do Brasil”. Entretanto, prefiro pensar que isso não é culpa de ninguém – muito menos do BlogBlogs –, mas, sim, mérito dos blogueiros em questão.
Basicamente, o que aconteceu foi o seguinte: o ranking é calculado pelo número de links de blogs diferentes que você recebe. Ou seja, três links de blogs diferentes contam como três links; três links do mesmo blog contam como um link. Mas, de uns dias para cá, parece que a equipe do BlogBlogs decidiu que o ranking só vai contabilizar os links recebidos pelo blog nos últimos seis meses.
Entendi.
Então, de acordo com o BlogBlogs, nenhum link que eu recebi de alguém que gostou do que escrevi tem valor. Ou seja, se nenhum link que eu recebi de abril para trás tem valor – e a pessoa que me linkou o fez obrigatoriamente por que gostou de algo que escrevi até o mês de abril – podemos dizer que, aos olhos do BlogBlogs, somente o que eu escrevi nos últimos seis meses neste blog tem valor. Para a equipe do BlogBlogs, o resto deste blog é um lixo. Não vale nada. E, antes que me acusem de estar atrás de confete, quero deixar claro que o que você escreveu de abril para trás, no seu blog, também não tem valor nenhum.
Aparentemente, me enganei.
O BlogBlogs, pelo jeito, privilegia os blogs novos; eu, por exemplo, que tenho uma base de leitores construída ao longo do primeiro ano deste blog – período em que recebi o maior número de links de todos que tive até hoje – tenho poucos leitores, aos olhos da equipe deste site. Já um garoto de nove anos que criou um blog e tem um link do irmão mais velho, do vizinho, e do primo (mesmo tendo escrito uns três posts), tem um blog mais "importante" que o meu – e nós sabemos que a chance dele abandonar este blog quando descobrir um brinquedo novo é bem grande. E se você tem um blog bom – e razoavelmente antigo – e conseguiu, com isso, subir de posição, parabéns. Mesmo. Mas saiba que você é exceção.
Não quero, com isso, dizer que meu blog é o melhor do mundo. Pelo contrário. O grande problema é que existem toneladas de blogs melhores que o meu, e já vi que alguns deles foram jogados para trás de mim no novo ranking. Todos nós perdemos espaço para o menino de nove anos. E também quero deixar claro que não tenho nada contra o menino de nove anos, desde que ele não abandone o blog em três meses (em outras palavras, se ele fizer por merecer os links recebidos, serei o primeiro a aplaudir).
Mas, continuando no ranking em si: o blog do menino de nove anos terá muito mais visibilidade, agora, que diversos outros blogs melhores que o dele, tudo porque seus respectivos donos – eu incluso – não têm mais saco de ficar em comunidades sobre blogs no Orkut divulgando o blog, e sempre foram contra ficar no blog dos outros implorando por um link. Sim, porque isso vai acontecer com freqüência agora, prepare-se. Não basta ter um link, você tem que ter um link novo todo dia, toda hora. Vai existir uma guerra por links agora.
Mas o número de links que seu blog tem jamais será mais importante que a sua criatividade e o seu talento. Jamais.
E, curiosamente, os melhores blogueiros não têm saco para ficar correndo atrás de links. Quem faz isso não tem tempo para cuidar do blog. Ou seja, o BlogBlogs vai incentivar, cada vez mais, os blogueiros que fazem divulgação maciça, deixando os blogueiros que se preocupam com a qualidade com cada vez menos visibilidade na blogosfera.
Ou seja, enquanto Katinguelês e Negritudes Jr. disputam cada vez mais espaço na blogosfera, Beethoven – com raras exceções –"vende" cada vez menos. Esse é o retrato da blogosfera brasileira. Palmas para a equipe do BlogBlogs por incentivar isso ainda mais.
E você? Onde você está nisso? Mas decida rápido, pois, daqui a seis meses, este texto perderá totalmente seu valor. E, provavelmente, o que você decidir também.
Enquanto você pensa sobre isso, segue o Top 5 considerações sobre este post:
1. Este texto não foi escrito porque meu blog foi “rebaixado” no BlogBlogs. Ele teria sido publicado com a mesma forma e o mesmo conteúdo caso o contrário tivesse acontecido.
2. Este post é baseado numa idéia genial do blog Capinaremos.
3. A idéia original era colocar os links como texto comum, mas mudei de idéia ao perceber que a quantidade de links atrapalha a leitura - exatamente o assunto do texto. Os links foram colocados em palavras aleatórias - a exceção são as menções ao BlogBlogs ou a blogs específicos.
4. Todos os links acima foram retirados de blogs registrados ao BlogBlogs e ao BlogGeral. Casos de blogs escritos em aramaico, blogs que encerram suas atividades meses atrás e outros tipos de sites (como de cursos de inglês) apenas demonstram a falta de critério dos sites de indexação brasileiros.
Ao menos, na teoria.
Na prática, claro que a coisa não funciona bem assim, por dois motivos. O primeiro é que os “blogs mais populares” acabam sendo os mesmos blogs de qualquer outra relação de “maiores blogs do Brasil”. Entretanto, prefiro pensar que isso não é culpa de ninguém – muito menos do BlogBlogs –, mas, sim, mérito dos blogueiros em questão.
Já o segundo motivo é justamente a razão pela qual o Blogblogs foi tão discutido nos últimos dias. Eu e alguns outros blogueiros levamos um “tombo” no ranking. O Champ, para se ter uma idéia, caiu de 400 e pouco para a casa dos quatro dígitos. Enquanto escrevo isso, estou na posição 1001. O mesmo aconteceu com o Dragus, que veio me perguntar se eu sabia o motivo. Eu não sabia, mas consegui a resposta com o Davis e o Arthurius.
Basicamente, o que aconteceu foi o seguinte: o ranking é calculado pelo número de links de blogs diferentes que você recebe. Ou seja, três links de blogs diferentes contam como três links; três links do mesmo blog contam como um link. Mas, de uns dias para cá, parece que a equipe do BlogBlogs decidiu que o ranking só vai contabilizar os links recebidos pelo blog nos últimos seis meses.
Entendi.
Então, de acordo com o BlogBlogs, nenhum link que eu recebi de alguém que gostou do que escrevi tem valor. Ou seja, se nenhum link que eu recebi de abril para trás tem valor – e a pessoa que me linkou o fez obrigatoriamente por que gostou de algo que escrevi até o mês de abril – podemos dizer que, aos olhos do BlogBlogs, somente o que eu escrevi nos últimos seis meses neste blog tem valor. Para a equipe do BlogBlogs, o resto deste blog é um lixo. Não vale nada. E, antes que me acusem de estar atrás de confete, quero deixar claro que o que você escreveu de abril para trás, no seu blog, também não tem valor nenhum.
É engraçado isso. Eu sempre acreditei que uma ferramenta de indexação de blogs devesse dar certa prioridade a blogs com um pouco mais de um punhado de meses de história, pois a maioria dos blogs criados no país não dura mais do que três meses. Sempre encarei o BlogBlogs – e outros sites de indexação – como uma forma de separar o joio (pessoas que têm um blog) do trigo (blogueiros).
Aparentemente, me enganei.
O BlogBlogs, pelo jeito, privilegia os blogs novos; eu, por exemplo, que tenho uma base de leitores construída ao longo do primeiro ano deste blog – período em que recebi o maior número de links de todos que tive até hoje – tenho poucos leitores, aos olhos da equipe deste site. Já um garoto de nove anos que criou um blog e tem um link do irmão mais velho, do vizinho, e do primo (mesmo tendo escrito uns três posts), tem um blog mais "importante" que o meu – e nós sabemos que a chance dele abandonar este blog quando descobrir um brinquedo novo é bem grande. E se você tem um blog bom – e razoavelmente antigo – e conseguiu, com isso, subir de posição, parabéns. Mesmo. Mas saiba que você é exceção.
Não quero, com isso, dizer que meu blog é o melhor do mundo. Pelo contrário. O grande problema é que existem toneladas de blogs melhores que o meu, e já vi que alguns deles foram jogados para trás de mim no novo ranking. Todos nós perdemos espaço para o menino de nove anos. E também quero deixar claro que não tenho nada contra o menino de nove anos, desde que ele não abandone o blog em três meses (em outras palavras, se ele fizer por merecer os links recebidos, serei o primeiro a aplaudir).
Mas, continuando no ranking em si: o blog do menino de nove anos terá muito mais visibilidade, agora, que diversos outros blogs melhores que o dele, tudo porque seus respectivos donos – eu incluso – não têm mais saco de ficar em comunidades sobre blogs no Orkut divulgando o blog, e sempre foram contra ficar no blog dos outros implorando por um link. Sim, porque isso vai acontecer com freqüência agora, prepare-se. Não basta ter um link, você tem que ter um link novo todo dia, toda hora. Vai existir uma guerra por links agora.
Mas o número de links que seu blog tem jamais será mais importante que a sua criatividade e o seu talento. Jamais.
E, curiosamente, os melhores blogueiros não têm saco para ficar correndo atrás de links. Quem faz isso não tem tempo para cuidar do blog. Ou seja, o BlogBlogs vai incentivar, cada vez mais, os blogueiros que fazem divulgação maciça, deixando os blogueiros que se preocupam com a qualidade com cada vez menos visibilidade na blogosfera.
Ou seja, enquanto Katinguelês e Negritudes Jr. disputam cada vez mais espaço na blogosfera, Beethoven – com raras exceções –"vende" cada vez menos. Esse é o retrato da blogosfera brasileira. Palmas para a equipe do BlogBlogs por incentivar isso ainda mais.
E você? Onde você está nisso? Mas decida rápido, pois, daqui a seis meses, este texto perderá totalmente seu valor. E, provavelmente, o que você decidir também.
Enquanto você pensa sobre isso, segue o Top 5 considerações sobre este post:
1. Este texto não foi escrito porque meu blog foi “rebaixado” no BlogBlogs. Ele teria sido publicado com a mesma forma e o mesmo conteúdo caso o contrário tivesse acontecido.
2. Este post é baseado numa idéia genial do blog Capinaremos.
3. A idéia original era colocar os links como texto comum, mas mudei de idéia ao perceber que a quantidade de links atrapalha a leitura - exatamente o assunto do texto. Os links foram colocados em palavras aleatórias - a exceção são as menções ao BlogBlogs ou a blogs específicos.
4. Todos os links acima foram retirados de blogs registrados ao BlogBlogs e ao BlogGeral. Casos de blogs escritos em aramaico, blogs que encerram suas atividades meses atrás e outros tipos de sites (como de cursos de inglês) apenas demonstram a falta de critério dos sites de indexação brasileiros.
5. Os links acima referem-se a blogs excelentes e a blogs horrorosos. Afinal, se nem o BlogBlogs faz esta distinção, porque nós deveríamos fazer?
12 de outubro de 2008
7 de outubro de 2008
Blogs ou Livros? Livros ou Blogs?
Eu sei que havia prometido aos leitores que não responderia mais aos comentários de sujeitos que entram aqui falando bobagens somente para ganhar seus 15 minutos de fama. Mas alguns deles fazem realmente por merecer essa “fama”, e seria injusto deixá-los sem resposta. É o caso, por exemplo, do nosso novo leitor anônimo, que postou o seguinte comentário no texto Carta Aberta aos Blogueiros de Merda:
“Blog?
Quem tem o que escrever, escreve livro. Tenho 38 anos, já escrevi cinco. O mais "fino" tem 420 páginas.
O "recíproco" também é válido. Quer ler? Leia livros.
Ah, não concorda? Bem, fique com seu blog. Livros não são feitos para você. E vice versa.”
Não é genial? Sinceramente, precisei ler o comentário umas três vezes somente para começar a compreender o potencial de estupidez dessa pequena obra-prima. Sim, obra-prima, porque não importa de qual lado você leia este texto, ele é maravilhosamente burro.
Antes de começar qualquer comentário, gostaria de me dirigir ao autor dessa pequena pérola (você não assinou seu nome, então posso chamá-lo de... Hum... Best Seller?) e dizer que me sinto honrado em receber, aqui no blog, a visita de um escritor renomado como você, autor de cinco livros. Realmente, este foi um dos pontos altos na história do Championship Vinyl. Entretanto, caro Best Seller, uma pergunta está me incomodando desde que li seu comentário:
Algum desses cinco livros foi publicado?
Sabe, existe uma diferença razoavelmente grande entre “escrever” e “publicar”. Para escrever um livro, basta ter um editor de texto (sugiro um com corretor ortográfico), o mínimo de conhecimento verbal (diferenciar sujeito de predicado, saber em que lugar da frase encaixar o verbo) e uma idéia razoavelmente interessante. Agora, publicar o livro é outra história. Para ser publicada, a obra precisa ser boa.
Ou cinco vezes boa, no seu caso.
E, me desculpe pela ousadia, mas eu, sinceramente, não acredito que sua obra seja tão boa assim. Isso, por dois motivos. Primeiro, qualquer escritor é, antes de mais nada, um leitor apaixonado. E leitores apaixonados não lêem apenas livros, ou apenas jornais, ou apenas revistas, ou apenas blogs. Leitores apaixonados lêem aquilo que os interessa, independente de estar impresso ou na tela. Além disso, é sabido que muitos escritores de livros, hoje em dia, mantêm blogs na internet. Curioso, será que eles não têm nada a dizer, então?
Ou será que é você quem não tem muito o que dizer?
Sim, porque você está julgando o conteúdo pela mídia. E, desculpe, mas, nesse caso, o meio não é a mensagem. Parece-me que você “está julgando um livro pela capa” e acredito que você detestaria que fizessem isso com qualquer um dos seus cinco “livros” (aspas bem grandes no “livros”).
Se você diz que nenhum blog é bom, é porque sou obrigado a acreditar que você leu todos eles. E, sinceramente, duvido que isso seja verdade, porque você não me parece o tipo de pessoa propensa a gostar de algo que você não conhece – pelo contrário, você me parece ser alguém com cultura de almanaque: decorou o nome de meia dúzia de escritores consagrados e sai por ai, cagando regra, especialmente quando encontra alguém que escreve melhor que você (no caso, eu) ou que tem coisas mais interessantes a dizer que você (no caso, qualquer pessoa).
Mas, mais interessante que o seu raciocínio é a forma que você apresenta sua “obra”, e que, para mim, é o trecho que coloca seu comentário num patamar acima dos imbecis normais: “O meu livro mais “fino” tem 420 páginas”.
Ah tá. Então não basta ser livro, tem que ser grande.
Que interessante. Conteúdo não é exatamente seu forte, certo? Porque, pelo jeito, você não tem muito mais a dizer sobre seus livros. A única vantagem da sua obra é que o mais “fino” tem 420 páginas. Essa é a grande qualidade literária da sua obra. Dá até para colocar esse seu discurso na boca do Machado de Assis, fica mais fácil para a gente entender a obra dele.
– Eu escrevi diversos romances, e nenhum deles tem menos de 100 páginas. Podem ler que é coisa fina.
– Pô, Machado, mas e Missa do Galo?
– Não, Missa do Galo é conto, tem que ser curto mesmo. Mal aí, gente, não tive como fugir disso. Mas o resto vocês podem ler tranqüilo, é tudo grande.
Claro que podemos aplicar isso em outras artes. Ou seja, de acordo com a sua teoria do tamanho, Pearl Harbor é melhor que Casablanca, e Festa no Apê é musicalmente mais rico que Sonata ao Luar – ou talvez seja porque Latino tenha mais a dizer que Beethoven, quem sabe?
Aliás, você tem razão, Best Seller. Livros não foram feitos para mim. Quer dizer, ao menos os seus. E eu sinto orgulho de provavelmente não ter sido feito para eles também. Na verdade, dou graças a Deus pelo fato de seus livros não terem sido feitos para mim.
Afinal, se as duas grandes qualidades dos seus livros é que são cinco e nenhum deles tem menos de 420 páginas (aliás, eles tratam de algum assunto?), eu prefiro ficar aqui lendo outros autores, como Doyle, Tyler, Mary, Hornby, Rey, Arthurius, Cornwell, Dragus, Puzo.
Provavelmente, você vai ficar igual um imbecil tentando identificar alguns nomes na lista aí de cima. Não perca seu tempo, eu lhe ajudo: nesta listinha, estão nomes de escritores de livros que eu gosto, e escritores de blogs que eu gosto. Mas eu não linkei os blogs, porque eu tenho certeza de que somente isso faria você identificar quem escreve livro e quem escreve o blog sem ter que pesquisar no Google. Olhe, vou até dar uma dica: o Doyle é escritor. Agora, se vira para descobrir o resto. Mas, enfim, notou o termo que eu usei, certo?
AUTORES.
Não me importo se o que eles escrevem é publicado em papel, tem tiragem de 120 mil exemplares e um mínimo de 420 páginas, ou se é publicado na internet, num endereço que apenas eu conheço. O que me importa é que eles escrevem muito bem.
Diferente de você, Best Seller, que, mesmo tendo escrito cinco livros (e o mais “fino” deles com 420 páginas) ainda não conseguiu aprender que o correto é “vice-versa”, e não “vice versa”.
Passar bem.
“Blog?
Quem tem o que escrever, escreve livro. Tenho 38 anos, já escrevi cinco. O mais "fino" tem 420 páginas.
O "recíproco" também é válido. Quer ler? Leia livros.
Ah, não concorda? Bem, fique com seu blog. Livros não são feitos para você. E vice versa.”
Não é genial? Sinceramente, precisei ler o comentário umas três vezes somente para começar a compreender o potencial de estupidez dessa pequena obra-prima. Sim, obra-prima, porque não importa de qual lado você leia este texto, ele é maravilhosamente burro.
Antes de começar qualquer comentário, gostaria de me dirigir ao autor dessa pequena pérola (você não assinou seu nome, então posso chamá-lo de... Hum... Best Seller?) e dizer que me sinto honrado em receber, aqui no blog, a visita de um escritor renomado como você, autor de cinco livros. Realmente, este foi um dos pontos altos na história do Championship Vinyl. Entretanto, caro Best Seller, uma pergunta está me incomodando desde que li seu comentário:
Algum desses cinco livros foi publicado?
Sabe, existe uma diferença razoavelmente grande entre “escrever” e “publicar”. Para escrever um livro, basta ter um editor de texto (sugiro um com corretor ortográfico), o mínimo de conhecimento verbal (diferenciar sujeito de predicado, saber em que lugar da frase encaixar o verbo) e uma idéia razoavelmente interessante. Agora, publicar o livro é outra história. Para ser publicada, a obra precisa ser boa.
Ou cinco vezes boa, no seu caso.
E, me desculpe pela ousadia, mas eu, sinceramente, não acredito que sua obra seja tão boa assim. Isso, por dois motivos. Primeiro, qualquer escritor é, antes de mais nada, um leitor apaixonado. E leitores apaixonados não lêem apenas livros, ou apenas jornais, ou apenas revistas, ou apenas blogs. Leitores apaixonados lêem aquilo que os interessa, independente de estar impresso ou na tela. Além disso, é sabido que muitos escritores de livros, hoje em dia, mantêm blogs na internet. Curioso, será que eles não têm nada a dizer, então?
Ou será que é você quem não tem muito o que dizer?
Sim, porque você está julgando o conteúdo pela mídia. E, desculpe, mas, nesse caso, o meio não é a mensagem. Parece-me que você “está julgando um livro pela capa” e acredito que você detestaria que fizessem isso com qualquer um dos seus cinco “livros” (aspas bem grandes no “livros”).
Se você diz que nenhum blog é bom, é porque sou obrigado a acreditar que você leu todos eles. E, sinceramente, duvido que isso seja verdade, porque você não me parece o tipo de pessoa propensa a gostar de algo que você não conhece – pelo contrário, você me parece ser alguém com cultura de almanaque: decorou o nome de meia dúzia de escritores consagrados e sai por ai, cagando regra, especialmente quando encontra alguém que escreve melhor que você (no caso, eu) ou que tem coisas mais interessantes a dizer que você (no caso, qualquer pessoa).
Mas, mais interessante que o seu raciocínio é a forma que você apresenta sua “obra”, e que, para mim, é o trecho que coloca seu comentário num patamar acima dos imbecis normais: “O meu livro mais “fino” tem 420 páginas”.
Ah tá. Então não basta ser livro, tem que ser grande.
Que interessante. Conteúdo não é exatamente seu forte, certo? Porque, pelo jeito, você não tem muito mais a dizer sobre seus livros. A única vantagem da sua obra é que o mais “fino” tem 420 páginas. Essa é a grande qualidade literária da sua obra. Dá até para colocar esse seu discurso na boca do Machado de Assis, fica mais fácil para a gente entender a obra dele.
– Eu escrevi diversos romances, e nenhum deles tem menos de 100 páginas. Podem ler que é coisa fina.
– Pô, Machado, mas e Missa do Galo?
– Não, Missa do Galo é conto, tem que ser curto mesmo. Mal aí, gente, não tive como fugir disso. Mas o resto vocês podem ler tranqüilo, é tudo grande.
Claro que podemos aplicar isso em outras artes. Ou seja, de acordo com a sua teoria do tamanho, Pearl Harbor é melhor que Casablanca, e Festa no Apê é musicalmente mais rico que Sonata ao Luar – ou talvez seja porque Latino tenha mais a dizer que Beethoven, quem sabe?
Aliás, você tem razão, Best Seller. Livros não foram feitos para mim. Quer dizer, ao menos os seus. E eu sinto orgulho de provavelmente não ter sido feito para eles também. Na verdade, dou graças a Deus pelo fato de seus livros não terem sido feitos para mim.
Afinal, se as duas grandes qualidades dos seus livros é que são cinco e nenhum deles tem menos de 420 páginas (aliás, eles tratam de algum assunto?), eu prefiro ficar aqui lendo outros autores, como Doyle, Tyler, Mary, Hornby, Rey, Arthurius, Cornwell, Dragus, Puzo.
Provavelmente, você vai ficar igual um imbecil tentando identificar alguns nomes na lista aí de cima. Não perca seu tempo, eu lhe ajudo: nesta listinha, estão nomes de escritores de livros que eu gosto, e escritores de blogs que eu gosto. Mas eu não linkei os blogs, porque eu tenho certeza de que somente isso faria você identificar quem escreve livro e quem escreve o blog sem ter que pesquisar no Google. Olhe, vou até dar uma dica: o Doyle é escritor. Agora, se vira para descobrir o resto. Mas, enfim, notou o termo que eu usei, certo?
AUTORES.
Não me importo se o que eles escrevem é publicado em papel, tem tiragem de 120 mil exemplares e um mínimo de 420 páginas, ou se é publicado na internet, num endereço que apenas eu conheço. O que me importa é que eles escrevem muito bem.
Diferente de você, Best Seller, que, mesmo tendo escrito cinco livros (e o mais “fino” deles com 420 páginas) ainda não conseguiu aprender que o correto é “vice-versa”, e não “vice versa”.
Passar bem.
2 de outubro de 2008
Post Diarinho
Voltei.
Antes que comecem a pensar que abandonei o blog, fiquem tranqüilos.
Na verdade, esses últimos dias eu realmente abandonei o blog. Mas não foi nada pessoal, porque nestes últimos dias eu simplesmente abandonei qualquer contato com o computador, e boa parte do meu contato com o mundo exterior.
Explico: consegui dois dias de folga no trabalho (acho que foram os meus primeiros dois dias de folga desde a 7ª série). Ou seja, tudo o que eu não queria era chegar perto do computador. Nem olhei e-mail. Só de chegar perto da mesa do computador, dava enxaqueca. Aliás, mal assisti televisão nesses dias (a exceção honrosa foi a última temporada de Oz, cujos três discos foram devorados em um único dia). Resumindo, passei quatro dias no mesmo nível tecnológico do Urtigão.
Quatro dias ouvindo blues (especialmente Sonny Terry & Brownie McGhee) e deitado no sofá. Acho que foram os quatro dias mais felizes do meu ano. Acho que não existe sensação melhor do que acordar na hora do almoço e ter aquela sensação de total controle do seu dia, saber que as próximas horas serão preenchidas do jeito que você quiser. Se você quiser passear com a Besta-Fera, dormir, ler, arrumar os CDs, se enfiar dentro de um cinema, basta fazer. Não há prazos, não há horário para nada, não há deadline. Nada no mundo paga essa liberdade.
Mas, tudo que é bom acaba logo, e estou de volta. Sai o blues melodioso, volta o trash metal do trabalho. E volta já em ritmo de Slayer, já que algumas coisas, claro, nunca mudam – especialmente comigo. Novamente, estou recebendo 20 mil spams (20.259, para ser mais exato) no e-mail do trabalho, o que me deixa apenas com vontade de voltar para casa, ligar o som e dormir por mais quatro dias. Ou seja, mal voltei a trabalhar e todo o conceito do “ô fase” já veio para cima de mim com os dois pés no meu peito.
Se isso tivesse acontecido durante minha folga, eu teria achado o máximo. Deixaria os mails baixando e usaria isso como desculpa para não chegar MESMO perto do computador. Porém, infelizmente, agora minhas opções são limitadas, e se restringem a ligar para o técnico que cuida das máquinas da redação a cada meia hora e ameaçá-lo de morte e decidir que vou trocar meu endereço de mail do trabalho (e minha vontade é colocar algo como vaitomarnocu@xxx.com.br e alegar motivos religiosos).
Porém, o melhor de você ficar alguns dias fora do ar – mesmo que sejam apenas quatro – é descobrir que o mundo caminha sem você. Como eu já disse algumas vezes, o ponto forte deste blog são seus leitores.
Na terça-feira, quando baixei os e-mails pela primeira vez, gargalhei por mais de hora com os comentários postados no último texto, que respondiam à dúvida do nosso querido boçal que entrou no Google procurando por: "se eu deitar no sofá a noite em menos de 10 minutos eu durmo por que isso acontece? Que providencias devo tomar?".
Vocês são geniais – e sem demagogia, estão entre os melhores leitores que um blog poderia querer.
Como prometido, segue o Top 5 com as melhores respostas (na ordem de postagem):
1. Que tal se você sentar? Sabe, sofás são para isso. (Pâmela)
2. Tome logo seu copo de vinagre de maçã e acelere – pelo bem da humanidade – seu processo de extinção. (Rubens)
3. Que sofá? Você acha que existe mesmo um sofá? Você pensa que estamos tendo essa conversa? Tudo é a Matrix. Ela está em todo lugar. Está em volta de nós, mesmo neste blog. Você pode ve-la quando olha pela janela ou quando liga sua TV. Você pode senti-la quando vai para o trabalho, quando paga seus impostos. A Matrix é o mundo que colocaram diante de seus olhos para cegá-lo sobre a verdade. (Varotto)
4. Jogue fora o sofá e compre uma banqueta (essa não falha). (So)
5. Acho que é o caso da pessoa que é maníaca por dormir em locais errados. Ela tenta, mas o impulso é maior. A literatura Freudiana fala muito disso. Um dos tratamentos possíveis é colocar o sofá no quarto e a cama na sala. Aí sim, o sono vai ocorrer no lugar certo, de qualquer maneira. (O Lerdo)
Antes que comecem a pensar que abandonei o blog, fiquem tranqüilos.
Na verdade, esses últimos dias eu realmente abandonei o blog. Mas não foi nada pessoal, porque nestes últimos dias eu simplesmente abandonei qualquer contato com o computador, e boa parte do meu contato com o mundo exterior.
Explico: consegui dois dias de folga no trabalho (acho que foram os meus primeiros dois dias de folga desde a 7ª série). Ou seja, tudo o que eu não queria era chegar perto do computador. Nem olhei e-mail. Só de chegar perto da mesa do computador, dava enxaqueca. Aliás, mal assisti televisão nesses dias (a exceção honrosa foi a última temporada de Oz, cujos três discos foram devorados em um único dia). Resumindo, passei quatro dias no mesmo nível tecnológico do Urtigão.
Quatro dias ouvindo blues (especialmente Sonny Terry & Brownie McGhee) e deitado no sofá. Acho que foram os quatro dias mais felizes do meu ano. Acho que não existe sensação melhor do que acordar na hora do almoço e ter aquela sensação de total controle do seu dia, saber que as próximas horas serão preenchidas do jeito que você quiser. Se você quiser passear com a Besta-Fera, dormir, ler, arrumar os CDs, se enfiar dentro de um cinema, basta fazer. Não há prazos, não há horário para nada, não há deadline. Nada no mundo paga essa liberdade.
Mas, tudo que é bom acaba logo, e estou de volta. Sai o blues melodioso, volta o trash metal do trabalho. E volta já em ritmo de Slayer, já que algumas coisas, claro, nunca mudam – especialmente comigo. Novamente, estou recebendo 20 mil spams (20.259, para ser mais exato) no e-mail do trabalho, o que me deixa apenas com vontade de voltar para casa, ligar o som e dormir por mais quatro dias. Ou seja, mal voltei a trabalhar e todo o conceito do “ô fase” já veio para cima de mim com os dois pés no meu peito.
Se isso tivesse acontecido durante minha folga, eu teria achado o máximo. Deixaria os mails baixando e usaria isso como desculpa para não chegar MESMO perto do computador. Porém, infelizmente, agora minhas opções são limitadas, e se restringem a ligar para o técnico que cuida das máquinas da redação a cada meia hora e ameaçá-lo de morte e decidir que vou trocar meu endereço de mail do trabalho (e minha vontade é colocar algo como vaitomarnocu@xxx.com.br e alegar motivos religiosos).
Porém, o melhor de você ficar alguns dias fora do ar – mesmo que sejam apenas quatro – é descobrir que o mundo caminha sem você. Como eu já disse algumas vezes, o ponto forte deste blog são seus leitores.
Na terça-feira, quando baixei os e-mails pela primeira vez, gargalhei por mais de hora com os comentários postados no último texto, que respondiam à dúvida do nosso querido boçal que entrou no Google procurando por: "se eu deitar no sofá a noite em menos de 10 minutos eu durmo por que isso acontece? Que providencias devo tomar?".
Vocês são geniais – e sem demagogia, estão entre os melhores leitores que um blog poderia querer.
Como prometido, segue o Top 5 com as melhores respostas (na ordem de postagem):
1. Que tal se você sentar? Sabe, sofás são para isso. (Pâmela)
2. Tome logo seu copo de vinagre de maçã e acelere – pelo bem da humanidade – seu processo de extinção. (Rubens)
3. Que sofá? Você acha que existe mesmo um sofá? Você pensa que estamos tendo essa conversa? Tudo é a Matrix. Ela está em todo lugar. Está em volta de nós, mesmo neste blog. Você pode ve-la quando olha pela janela ou quando liga sua TV. Você pode senti-la quando vai para o trabalho, quando paga seus impostos. A Matrix é o mundo que colocaram diante de seus olhos para cegá-lo sobre a verdade. (Varotto)
4. Jogue fora o sofá e compre uma banqueta (essa não falha). (So)
5. Acho que é o caso da pessoa que é maníaca por dormir em locais errados. Ela tenta, mas o impulso é maior. A literatura Freudiana fala muito disso. Um dos tratamentos possíveis é colocar o sofá no quarto e a cama na sala. Aí sim, o sono vai ocorrer no lugar certo, de qualquer maneira. (O Lerdo)
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