30 de junho de 2008

Diga-me o que Procuras... E Eu te Direi Quem És - Parte VI

Após um longo e tenebroso inverno - e insistentes pedidos do leitores - segue a nova parte da série Diga-me o que Procuras... E Eu te Direi Quem És. Caso você tenha sido um dos leitores que está pedindo por isso há tempos, acredito que a espera valeu a pena, já que esse é, certamente, o maior texto da série. Afinal, querem maneira mais luxuosa de celebrar o 100º post da categoria "Ô Fase"?

Agora, se você é novo por aqui, explico: tratam-se das buscas mais estranhas que as pessoas realizam no Google antes de cair aqui no Champ, devidamente comentadas. E cabem algumas instruções para ler este post. 1) eu simplesmente copio e colo os textos aqui, sem corrigir o português; 2) as fotos do kléber bam-bam pelado (e os vídeos de leões e hienas fazendo 'sexu') continuam entre os itens mais procurados e continuam sendo devidamente ignoradas nestes posts, e 3) sim, tem gente que conversa com o Google.

Bom, chega de enrolação. Vamos a eles.

Eu não sei que objetos pesados joga pela janela do condomínio
Depende de quem está andando lá embaixo. Se for apenas outro morador, uma panela cheia de óleo quente já serve. Já um funcionário do prédio, como porteiro ou faxineiro, merece algo mais elaborado. Que tal um monitor? Agora, se a síndica estiver lá embaixo, a situação é especial, precisa ser, no mínimo, uma mesa. Mas não se esqueça de escrever com pincel atômico o seu nome completo e o número do seu apartamento no objeto, para que possam devolvê-lo depois.

Posso cancelar minha conta tim em menos de um ano?
Você pode tentar. Eu, na verdade, acho que vai demorar mais de um ano só para lhe atenderem (normalmente, para você confirmar o seu CPF com o atendente dura cerca de 18 meses).

link: http://www.colunadolorida.blogspot.com/
Ah, Gomex, Gomex... Vaidade é uma merda, mesmo.

vc sabia?
Não. Mas obrigado por ter dito.

teodoro sampaio miniaturas
Se você estiver falando especificamente do horário entre 10:00 e 11:00 da manhã, não é uma miniatura. Sou eu, descendo para o meu trabalho.

sweet emotion ao contrario
Noitome Teews

Se queres que eu fique, diga-me
Ok. Se eu quiser, eu aviso.

Recorde menor penis free
Você ficou bravo porque tirou o segundo lugar na competição e quer saber quem ganhou a medalha de ouro?

Quero fazer um detonador para bombas usando um celular
É impressionante o que a falta de sexo faz com as pessoas. Entre em http://www.mcgyver.com/. Lá deve ter algo.

Porque é importante que o agente de saúde visite as casas?
Porque ele se sente muito sozinho. Ser um agente de saúde não é fácil, sabe? Imagine passar o dia todo olhando poças nas ruas, mexendo em pneus velhos e conversando com larvas e mosquitos da dengue – que, cá entre nós, não devem ser muito bons de papo. Aí, claro, a solidão aperta. Por isso, às vezes, ele passa de casa em casa, visitando as pessoas para bater papo, tomar um café, talvez comer um bolinho. Então, caso um deles passe em sua casa, seja um excelente anfitrião e ofereça comida, hospedagem, e a mão da sua filha mais velha em casamento.

O que significa sonhar que está transando com uma pessoa do mesmo sexo que eu?
Significa que sua namorada vai se decepcionar em breve.

O que significa encontrar uma faca no chão?
Significa que você está precisando desesperadamente de uma faxineira.

Nome do espantalho do fandangos
Marília Gabriela

Moby dick pornô
Talvez você tenha lido uma resenha que afirmava que Moby Dick era uma baleia branca que atravessava os oceanos devorando barcos e homens de forma insaciável. Na verdade, a história é isso mesmo, mas o “devorar”, nesse caso, é “devorar” mesmo, não tem nenhuma conotação sexual. Eu conheço várias versões para a história (a minha preferida é a com o Gregory Peck), mas não me lembro de nenhuma pornográfica. Mas seria interessante, numa versão explícita, descobrir o que os roteiristas inventariam com a perna de pau do Ahab.

Criei uma senha para meu pc, agora quero cancelar o que fazer?
A pior coisa que você poderia ter feito é criar essa senha. O computador não vai permite que você cancele isso, e, mais cedo ou mais tarde, ele vai alterar a senha sem você perceber, e você nunca mais conseguirá utilizá-lo – além disso, ele terá acesso a sua conta bancária. Caso isso aconteça, a única saída é levar o computador para um porão, amarrá-lo numa cadeira, colocar uma luz na cara dele e ficar dando porrada nele até ele entregar a senha nova. Na dúvida, saque todo o dinheiro da sua conta antes que ele dê um desfalque em você.

Comprei computador e quero devolver sem abrir a caixa das casa bahia
Eles não aceitam devolução. O que eu sugiro que você faça é o seguinte: pegue o computador e vá até a loja das Casas Bahia mais próxima da sua casa. Entre na loja carregando o caixote (se perguntarem o que é aquilo, responda que é sua carteira) e peça para ver qualquer produto (cama, armário, etc). Fique cerca de dez ou quinze conversando com a vendedora e, em determinado momento, coloque a caixa no chão, fingindo que vai anotar os preços. Assim que você fizer isso, saia correndo da loja e deixe a caixa ali.

Comprar show para ingresso de edson e hudson em londres
Sinceramente, eu acho que você foi enganado.

Eu mostro meu corpo para todo mundo
Não neste blog, por favor.

Como faço para desbloquear alguém que ignorei no orkut?
É impossível. A coisa mais honesta que você pode fazer é se desculpar com a pessoa, de preferência de forma pública. Você sabe onde a pessoa mora? Então, coloque, na frente da casa dela, uma faixa escrito: “Fulano, eu bloqueei você no Orkut, mas meu msn continua o mesmo! Beijos!” Não se esqueça de colocar o endereço do seu msn no blog, caso a pessoa tenha apagado dos contatos dela.

Como fazer meu cão dormir se ele não para quieto?
Você sabe onde fica a cabeça dele? Tem martelo em casa?

Como aumentar meu limite no cartão de credito?
Entre no site do seu banco e imprima a sua fatura atual do cartão. Com a print na mão, procure pelo limite. Achou? Agora, pegue um daqueles líquidos corretores (não adianta cuspir na borracha e apagar, fica tosco demais) e passe por cima do valor. Agora, escreva à caneta o quanto você quiser de limite. Mas tem que ser por extenso, para dar maior veracidade (exemplos: “deiz mil reals”, “vinti i sinco mil reaus”, “um milião de dólar”). Pronto. Vá até a loja com a impressão e compre o que você quiser. Se o gerente reclamar que o seu limite é insuficiente, você esfrega a fatura na cara dele.

Cigarro de palha marca biro biro
Ambição e luxo não são exatamente os seus pontos fortes, certo?

Alguém documentou a chegada da descoberta do brasil? Quem? O que escreveu?
Sim, Pero Vaz de Caminha. Entre no blog do sujeito (http://www.caminhosdocaminha.blogspot.com/) e procure pelo post de 22 de abril de 1500 na seção Arquivos. Caso você deseja saber mais sobre as navegações, o blog do Caminha disponibiliza também links para os blogs de Pedro Álvares Cabral, Cristóvão Colombo e Américo Vespúcio.

Valeria valenssa sambando pelada
Isso não é meio redundante? A expressão “valéria valenssa” sempre subentende algo pelado.

Siquinificado de sonhar falando outro idioma
Provavelmente, nem os seus sonhos mais agüentam tantos erros de português e resolveram colocar você falando outra língua, mesmo.

Publique esse post em seu blog
Ah, mas não tenha dúvida disso.

Liquido para pessoas dormir instantaneamente
Basta um copo de água na temperatura de 1,28 graus Celsius. Mas, lembre-se: se você beber a água e achar que não dormiu, é porque ela não estava na temperatura correta. Tente novamente. Caso você tenha que repetir o processo mais de cinco vezes até acertar, recomenda-se dormir com uma fralda.

Mostro o meu cu
Não era o corpo inteiro? Ah, você se especializou agora. Que ótimo! Ms não aqui, por favor. Isso é entre você e o Google.

Posição sexo britadeira
O mais divertido não é saber que sua fantasia sexual envolve um colete da Comgas e um capacete. O legal mesmo é imaginar você explicando paras as pessoas porque sua namorada tem o apelido de “asfalto”.

Ruflles gastrite
Na verdade, não existe a Ruffles Gastrite. O meu conselho é você comprar a Ruffles Azia, que é vendida com o nome de Ruffles Parmesão.

Sinonverbenetrovato
Você pode mandar seu nome e seu mail para este blog? Porque, se um dia o Google travar, nós já sabemos de quem foi a culpa.

Suor e febre a noite qual seria o problema da doença?
Na verdade, o problema não é “da doença”. O problema é com você. Mas, vejamos... Suor e febre à noite. Isso é normal na sua idade, e aquela morena ficar lavando o carro com shortinho e camiseta branca do outro lado da rua não vai ajudar muito. A saída é relaxar um pouco. Experimente tomar um bom banho quente, bem demorado. Entre no chuveiro, pense na morena, na camiseta branca dela colada no corpo, nas gotas de água na perna dela refletindo a luz do Sol e deixe a natureza seguir seu caminho. Aposto que hoje você dorme bem.

É melhor ficar calado e deixar que as pessoas achem que você é um idiota
No seu caso, aparentemente, não faz diferença ficar calado ou não. Funciona de qualquer jeito.

Pode passar aspirador após as 18
Claro que não. Você acha que a poeira está ali 24 horas à sua disposição? Que folga a sua! Existem leis trabalhistas, sabia? A poeira está disponível para ser aspirada somente entre as 10:00 e as 18:00 (menos entre 12:00 e 13:00, que ela está almoçando). Se você encontrar poeira na sua casa durante a noite, ligue para o sindicato e avise que ela está fazendo hora extra remunerada, ou você pode ser processado caso sua residência seja fiscalizada.

No mapa do mundo onde fica a dudinka
Não fica. A Dudinka é um território inventado única e exclusivamente para o mapa do War. O motivo disso foi que a Grow não conseguiu os direitos autorais do nome Ucrânia.

Fotos dos pranetas
Apenas para refinar sua busca, lembre-se que Prutão não é mais praneta.

Eu queria conhece todos os integrantes do black moleque
Eu não. Aliás, se eu integrasse uma banda chamada Black Moleque, eu não gostaria que ninguém me conhecesse.

Sim eu falo russo
Não, não. Nós já conversamos sobre isso. Você está sonhando.

Diferença entre o box normal e o box executivo do china in box
O box executivo é mais bonito. Vem com gravata, gel no cabelo e com os rolinhos primavera dentro de uma pastinha.

Como faço para gravar as conversar de todas as pessoas que entram no meu msn
O msn não disponibiliza esse recurso, então, você terá que ser criativo. Coloque uma fita K-7 virgem num gravador e deixe o aparelho ao lado do teclado. Quando você começar a conversar com alguém no msn, simplesmente aperte o botão rec e vá lendo a conversa em voz alta. Para melhor identificar quem está falando o que, sugiro que você imite as vozes dos seus amigos.

Comi a carol
Acho que o cúmulo da solidão é você conseguir comer alguém e ter que conversar isso com o Google.

Chupa sherman
Bom, Sherman... Você sabe, a voz do povo é a voz de Deus.

Beber novalgina todo dia faz o que?
Você não encontrou nada mais emocionante para se viciar?

Download do filme praneta terror
Não eram fotos que você queria? Bem, não sei onde você pesquisou, mas Praneta Terror não é um praneta, é um firme.

Amorzinho comigo mas só quer transar
É, Carol... Esses homens são todos iguais mesmo.

Quero saber como desbloquear bate papo do computador da empresa
Não existe uma maneira. A única alternativa é você criar um bate-papo dentro da própria empresa. Pegue um computador que fique numa área comum da empresa (recepção, por exemplo), abra o Word e digite algo como “Oi, tudo bem? Tecla de onde?” e volte para sua mesa. De tempos em tempos, dê uma espiada ali para ver se alguém respondeu e pronto. Com sorte, você conseguirá um encontro na máquina do café em poucos dias.

Minha divida no cartão casas bahia sumiu
Ah, dívidas são assim mesmo. Elas só querem saber de serem pagas. Enquanto você não paga, elas estão sempre ali, fazendo companhia, querendo saber quando você recece, como está o seu saldo bancário. Aí, num determinado momento, você acaba cedendo e decide pagá-la. Pronto! A dívida some, não liga mais, não manda notícias...

Diga-me
Digo, claro.

Ponto fraco de uma padaria
Costuma ser a nuca. Mas, para defender a honra da padaria, os atendentes não costumam indicar onde ela fica. Você terá que descobrir sozinho. Entre na padaria e comece a abraçar, beijar e dar mordidinhas em todas paredes, uma por uma, sempre sussurrando coisas como “seu pãozinho é gostoso demais”, “quero beber todos os seus sucos” e “esfrega esse queijo prato em mim”. Quando você perceber que a padaria começou a ficar arrepiada e com a respiração dela alterada, você está na nuca. Aí, campeão, é só partir para o abraço.

26 de junho de 2008

Lá e De Volta Outra Vez - Um Conto Hobbit

(ou O Minotauro e o McDonald's)


Uma das lendas mais famosas da mitologia grega é a do Minotauro, criatura com corpo de homem e cabeça e cauda de touro. A sua aparência devia-se ao fato de que era fruto da união entre um touro branco e a esposa do rei de Creta, Minos, que enlouqueceu e se apaixonou pelo animal. Aliás, é impressionante como a mitologia grega e os filmes brasileiros dos anos 70 são parecidos. A história mal começou e você já sabe que aquilo vai descambar para a putaria mais cedo ou mais tarde. Acho até estranho não existir nenhuma lenda grega estrelada pelo Nuno Leal Maia ou pela Aldine Müller.

Enfim, voltando ao Minotauro. Minos mandou projetarem um Labirinto sob o seu palácio em Cnossos para servir de moradia para a criatura. Lá, o tourinho vira-lata vivia feliz da vida, devorando os atenienses que eram jogados em seu domínio. Isso, claro, até o bravo Teseu conseguir desvendar o segredo do Labirinto (usando um novelo de lã) e eliminar o bicho. Com isso, os atenienses nunca mais precisaram temer o Minotauro.

O Labirinto, por sua vez, foi transportado para São Paulo, onde foi aberto à visitação pública com o nome de Shopping Paulista.

Veja bem, por fora, o Shopping Paulista (que hoje chama Shopping Pátio Paulista ou algo assim) é uma edificação aparentemente normal. Mas basta você cruzar a porta da rua para adentrar numa estranha dimensão, que se recusa a obedecer às leis da física e da geometria.

Primeiro, o lugar tem um quê de Hogwarts: as lojas e escadas mudam constantemente de lugar. Em uma das primeiras vezes que estive lá dentro, passei duas horas correndo atrás de um banheiro que estava sempre um corredor à minha frente. Eu andava e ele andava também. Cheguei a perguntar onde ele ficava num balcão de informações e a resposta foi: “fica no próximo corredor”. No corredor seguinte, eu perguntei a mesma coisa a um segurança e a resposta foi “fica no próximo corredor”.

Quando eu havia rodado o andar inteiro – e voltado ao primeiro balcão de informações – sem conseguir alcançar o banheiro, cheguei a considerar a hipótese de parar na frente de uma loja, fingir que estava olhando a vitrine e obedecer ao imperioso chamado da natureza ali mesmo. Mas fiquei com receio dos seguranças e acabei mudando de idéia, saí do lugar e fui usar o banheiro de um boteco do outro lado da rua.

Recentemente, entrei com a Sra. Gordon ali, porque precisávamos ir a uma loja da Tim. Aliás, estou começando a perceber um padrão aqui: toda vez que eu me ferro de algum modo, a Tim está envolvida. Enfim, ficamos horas lá dentro até achar a maldita loja. E o único segurança que encontramos e que poderia indicar o caminho tinha um problema de fono e se comunicava como uma guarda gamorreano (galáxia muito distante mode: on). Ou eu e a Sra. Gordon realmente encontramos o Minotauro e tivemos sorte de escapar com vida.


– Por favor, há uma loja da Tim neste shopping?

– Grrrrrrrrrrrauuuuu!

– Oi?

– Grrrrraaaaauuuuuu!

– Sim ou não?

– GRRRRRRRRRRAAAAUUUUUUU!

– Sim?

– GRRRRRRRRRRAAAAUUUUUUU!

– Ok. Eu acho. Para que lado fica?

– Grrrrraaaaauuuuuu!

– Deixe, eu mesmo acho. Obrigado.

– Grrraaau.



Saímos em busca da loja. E, em nossa jornada, encontramos o McDonald’s. Num total de 19 vezes. È impressionante como todos os caminhos lá dentro levam ao McDonald’s – independente de você caminhar na direção do McDonald’s ou não. Mesmo se você acabou de sair do McDonald’s, você vai encontrar o McDonald’s cinqüenta metros depois. Aliás, creio que se você andar o suficiente dentro do McDonald’s, você encontrará o McDonald’s do mesmo jeito. Onde você for, o McDonald’s chegou primeiro.

É mais ou menos assim: você sai do McDonalds’s e anda 50 metros em direção ao Sul. Sobe uma escada de 45 degraus e vira para Leste. Anda mais 20 metros e sobe outra escada de 30 degraus. Vira novamente para o Sul e anda mais 100 metros. Desce uma escada de cinco degraus, vira uma esquina e pronto: você voltou ao McDonald’s e aqueles desenhos do Ronald McDonald, Papa-Burguer e toda a turminha rindo da sua cara. Simplesmente não faz sentido – além de ser absurdamente humilhante.

Mas as escadas são as mais interessantes. Estudando algumas inscrições deixadas por exploradores em algumas paredes, descobrimos que a loja da Tim ficava num plano astral conhecido como “Piso Paraíso”, localizado dois andares acima de onde estávamos. Percorremos centenas de quilômetros até encontrarmos uma escada e subimos um piso. Apenas um lance de escadas, e mais nada.


A praça de alimentação do Shopping Paulista.

E para achar a porra da escada? Andamos o piso inteiro – o McDonald’s, que estava no piso de baixo, aparecia na nossa frente cada vez que virávamos uma esquina – até que voltamos a mesma escada rolante pela qual havíamos subido até ali. Mas, curiosamente, agora, ela descia. Sem muita alternativa, descemos e encontramos o McDonald’s de novo.

Começamos a andar novamente – Sra. Gordon já com lágrimas nos olhos – e encontramos um lance de escadas normais (até então, estávamos usando apenas as rolantes). O problema é que, após dias caminhando lá dentro, subir dois lances de escadas não era uma tarefa exatamente fácil. Mas, sem muitas outras opções, resolvemos arriscar a sorte e subimos. Durante a escalada, encontramos o esqueleto de um viajante (no 3º degrau), a Arca da Aliança (no 21º degrau), o McDonald’s (no 25º degrau) e uma garrafa com um bilhete de um náufrago (no 29º degrau).

Finalmente, chegamos ao almejado “Piso Paraíso”. Passamos mais algumas horas andando por ali, e tomando cuidado para não entrarmos numa escada por acidente, encontramos a loja da Tim. Mas, como a Tim sempre é a Tim, o sistema estava fora do ar e o atendente nos indicou a Fast Shop (“fica só dois pisos abaixo”). A Sra. Gordon caiu em prantos.

Começamos a caminhar novamente pelo shopping. E, obviamente, estávamos andando em círculos, mesmo depois de termos descido um lance de escadas.

– Nós já passamos por aqui.

– Será?

– Sim, eu me lembro dessa vitrine.

– Não tenho certeza.

– Olha o McDonald’s ali de novo! Finge que não viu e vamos embora!

– Estou começando a ficar com medo.

– Aperta o passo, acho que O McDonald’s está vindo atrás da gente.

– Meu Deus, a loja da Tim!

– Mas a loja da Tim estava no andar de cima!

– É a mesma loja! Olhe o vendedor ali!

– Bom, estamos no caminho certo, então. Tinha uma escada na frente da loja.

– Sim, era só virar aqui.

– A escada virou uma loja de roupas!

– Olhe o McDonald’s ali na frente! Vamos embora daqui!

Eu estava começando a me conformar com o fato de que passaríamos o resto da nossa existência ali. Mas caminhando em um dos corredores, ainda tentando encontrar a Fast Shop, demos de cara com uma luz forte e brilhante. Protegi meus olhos, imaginando que era alguma armadilha do McDonald’s, e, caso eu continuasse andando, cairia num alçapão repleto de batatas fritas e nuggets. Porém, vozes que vinham da direção da luz despertaram minha curiosidade e abaixei a mão.

A saída.

Um portal de energia havia se aberto em um dos corredores. Do outro lado, a Avenida Paulista, com suas bancas de jornal, seu Starbucks e sua Livraria Cultura.

Mas o portal estava se fechando. Só havia algo a fazer. Algo que demandaria cautela, estratégia e muito planejamento.

– Corre! A saída!

– Nós não vamos conseguir!

– É nossa única chance! Vamos!

– Mas a Uni está em perigo! (caverna do dragão mode: on)

– A Uni que se foda! Vamos!

Antes que o portal se fechasse, conseguimos nos atirar na Avenida Paulista, quase derrubando uma japonesa que fumava na calçada. Olhamos para trás e, antes que o portal se fechasse, avistei o McDonald’s correndo em nossa direção, tentando nos atrair para dentro do shopping. Atrás dele, vi de relance a loja de Tim. E a Fast Shop.

Felizmente, o portal se fechou. Para sempre, espero. Independente disso, nunca mais coloco os pés ali. Porque sei que tive sorte em escapar com vida daquele local. Porém, se algum leitor estiver em São Paulo, com o espírito de aventura afiado, e deseja explorar aquela masmorra, deixo aqui, como dica, o Top 5 Itens indispensáveis para quem deseja se aventurar no Shopping Paulista:

1. Provisões
2. Bússola
3. GPS
4. Doces
(para jogar enquanto anda e marcar o caminho)
5. Luz de Eärendil (Terra-Média mode: on)

23 de junho de 2008

A Soma de Todos os Medos

Há alguns meses atrás, quando eu escrevi esse post aqui, prometi que falaria sobre a coragem do porteiro da noite do prédio em que trabalho. Confesso que acabei deixando a idéia de lado por um tempo, com diversas outras coisas acontecendo no blog, mas, depois da semana passada, quando eu saí do trabalho de madrugada quase todos os dias – ou seja, tive demonstrações de coragem e bravura a semana inteira – o assunto voltou à minha cabeça com força total.

O problema do Seu Porteiro é que ele não encara São Paulo apenas como um local perigoso como qualquer outra cidade grande, mas, sim, como um antro de demônios, assassinos, guerreiros e criaturas das trevas que estão unidas com o único propósito de invadirem o prédio durante o turno dele.

E ele, que lembra o Cabeça de Batata com bigode branco e um óculos enormes, é a única pessoa que pode impedir o mal de alcançar seu triunfo.

O problema é que o empenho dele em impedir as invasões do edifício são tão elaboradas que fazem com que eu demore cerca de dez minutos para sair do prédio. E, para alguém que trabalhou das dez da manhã até o meio da madrugada sem almoçar, dez minutos podem fazer a diferença entre a vida e a morte. Mas ele já deixou claro que minha morte não é nada se comparada à segurança do prédio.

Enfim, não é difícil eu ir embora do trabalho às três da manhã, bêbado de sono e com meu estômago já começando a queimar uma parte do fígado para consumir energia. E sempre dou de cara com ele ali, em seu posto avançado de observação, olhando de soslaio para a rua, como se um exército de arqueiros hunos estivesse postado nos telhados do outro lado da rua e uma turba de vampiros esperasse pacientemente para atacar o edifício.

O curioso é que, se por um lado, ele mal se mexe, com medo de que seus movimentos chamem a atenção das tropas inimigas, por outro, ele está sempre escutando sertanejo no máximo. Claro que pode ser uma estratégia: afinal, se eu estivesse planejando uma invasão, jamais mandaria meus homens atacarem um lugar que toca Edson & Hudson no máximo, seria desumano demais.

Enfim, eu desço e cumprimento o valoroso general:

– Boa noite, Seu Porteiro.

– Oc ava hrxtabeando unhéora?

– Quê?

– Oc ava hrxtabeando unhéssaora?

– O senhor pode abaixar esse radio?

– Ó-ká.

– Agora eu estou ouvindo o senhor. Diga.

– Você estava trabalhando até a essa hora?

Toda noite, sem exceção, ele pergunta isso. E, toda noite, sem exceção, eu tenho que apelar para técnicas orientais de meditação para não dar uma resposta imbecil para ele. Porque ele sabe que eu estava trabalhando. Vocês podem me achar grosso, pensando “ah, ele tentou ser simpático”, mas o tom de voz dele nunca é de “nossa, como você é esforçado, o país precisa de mais gente como você”, mas sim de “por sua causa vou ter que abrir o portão! É a chance que eles precisam!”. Enfim, em nome da diplomacia, eu acabo sendo sincero:

– Sim, estava.

– Você sabe que horas são?

– Sei.

– E você está indo embora agora?

– Bem, eu tenho que descer para ir embora. E se eu desci, deve ser porque estou indo.

– Porque agora é perigoso.

– Obrigado pela preocupação, mas eu moro aqui do lad...

– Não, é perigoso abrir o portão.

– Ah. O portão.

– Só tem marginal aí fora.

– Seu Porteiro, é tão tarde que até os marginais estão dormindo. Eles já roubaram, já mataram, já jantaram e já foram dormir. E eu ainda não almocei. Eu preciso ir embora.

– E daqui você vai direto para casa?

Eu sei. Novamente, à primeira vista ele pode parecer simpático. Mas não é. Tudo o que ele quer saber é qual será o meu trajeto exato, apenas para estudar a possibilidade de eu cair em mãos inimigas – o que provavelmente me faria revelar a planta do prédio num interrogatório.

– Olhe, talvez eu vá para casa. Não sei ainda. Talvez eu vá direto para um hospital, porque se eu conseguir colocar as mãos num tubo de soro, posso comer ao mesmo tempo em que durmo. Porque eu também preciso dormir, já que daqui a cinco horas, eu tenho que voltar para cá. Eu realmente preciso ir embora.

Enquanto eu falo, ele fica me olhando atentamente, tentando identificar algum traço de mentira no que falo. Sim, ele está certo de que me vendi aos inimigos e tudo não passa de um esquema para eu fazer com que ele abra o portão. Nada como ser jornalista para inspirar confiança nas pessoas.

– Ó-ká, ele diz.

E fica olhando para mim, sem sair da cadeira.

– Não, não adianta falar “ó-ká” e ficar aí sentado! Você tem que dizer “ó-ká, eu vou abrir o portão!”. Eu preciso ir embora!

– Ó-ká.

Vendo que eu não vou parar de encher o saco até ir embora, decide arriscar a sorte e abrir o portão. Mas guerreiro experiente que é, sabe que ir desarmado até a beira da calçada seria demonstrar fraqueza aos olhos do inimigo, algo que poderia ser fatal. Sendo assim, ele agarra sua fiel vassoura piaçaba e sai da guarita, valorosamente liderando o caminho. Eu, já tonto de fome e sono, sigo seus passos.

Ele abre a porta do hall e, antes de colocar os pés na parte de fora do prédio, pára por alguns segundos. Seus sentidos aguçados atentos ao menor ruído ou odor que poderia identificar uma emboscada. Cautelosamente, ele avança alguns passos na área que separa a portaria do portão principal e sempre – sempre! – pára, dá meia-volta e olha para cima, observando o prédio. Provavelmente, certo de que um grupo de ninjas assassinos está descendo pela parte exterior do edifício.

– Seu Porteiro, eu já mencionei que preciso ir embora?

– É que essa hora é perigoso, ele diz, ainda olhando para cima.

Tentando me controlar para não sentar no chão e começar a chorar de fome e sono, eu olho para cima.

– Olhe, não sei se ajuda, mas eu só estou vendo uma nuvem.

– É.... Parece que sim.

– Então posso ir embora?

De vassoura em punho, ele caminha até o portão – que possui um cadeado do tamanho da minha mesa – e abre a tranca. Ainda com cuidado, ele puxa o portão, deixando uma abertura de oito centímetros.

– Eu não passo por aí.

– Vira de lado.

– Não, eu não passo por aí. Não dá para o senhor abrir um pouco mais?

Resignado, ele puxa mais alguns centímetros e olha para mim com aquela expressão de “se quiser ir embora, é por aí”. Eu encolho a barriga e passo correndo. Sim, correndo, porque uma vez eu mal estava na calçada e ele bateu o portão quase arrancando meu braço no processo.

– Obrigado, seu porteiro.

– Não fique aí na calçada, é perigoso! Eles vão ver você!

– Eles quem?

– Vai embora! É perigoso ficar aí!

– Ah, ok. Até amanhã.

Mas ele não me ouve, pois já entrou correndo na portaria, fechou as dez trancas do prédio, e está lá dentro de vassoura em punho, ouvindo sertanejo. E, claro, sempre atento a qualquer movimento ou ruído que aconteça na rua.

E eu, tonto de fome e sono, vou para casa, tranqüilo, sabendo que o mundo é um lugar mais seguro, graças ao nosso herói que, corajosamente, protege o sono dos justos. Mas, antes de dormir, deixo vocês com o Top 5 respostas que eu penso em dar sempre que ele pergunta: “estava trabalhando até agora?”:

1. “Não, eu instalei uma câmera secreta aqui na portaria e fiquei até agora lá em cima, admirando a graciosidade dos seus movimentos”.

2. “Não, eu me inscrevi no campeonato pan-americano de Campo Minado e estava treinando no computador”.

3. “Como assim, até agora? Eu cheguei faz 10 minutos. Eu entrei aqui pela portaria, o senhor não lembra?”

4. “Eu não sei o que aconteceu. Estava num bar conversando com a minha namorada e de repente acordei ao lado da minha mesa, dentro de uma banheira cheia de gelo e sem um rim. Eu tentei telefonar para ela, mas diz que o telefone não existe”.

5. “Não, eu ingressei numa seita satânica e estava sacrificando uma virgem em cima de um dos computadores. Mas acabou demorando mais do que eu imaginava porque foi difícil achar uma virgem aqui em Pinheiros”.

19 de junho de 2008

Adeus

De uns tempos para cá, este blog cresceu demais. Ao menos, mais do que eu imaginava que ele cresceria um dia. Às vésperas do Champ fazer dois anos, é estranho pensar que alguns meses atrás eu conhecia praticamente todos os leitores, mesmo que apenas pelo nome, já que todos eles estavam sempre comentando por aqui. Parecia uma espécie de pátio de colégio: uma criança fazia palhaçadas e as outras crianças ao redor riam – não vou citar os nomes das crianças que riam porque eu certamente esqueceria alguns e seria injusto.

Mas, algumas semanas atrás, a escola ganhou (muitos) alunos novos, que passaram a se sentar junto com as outras.

O número de leitores do blog cresceu muito – mais do que em qualquer outra época, desde sua criação, em julho de 2006 – e rapidamente. Já havia acontecido um pequeno boom de leitores no começo do ano passado, mas isso porque eu passei um tempo freqüentando comunidades sobre blogs no Orkut. Ou seja, havia uma causa para isso. Hoje, não. Cada vez mais pessoas estão entrando aqui, e muitas delas voltam uma segunda, terceira, quarta vez.

Antes que eu continue, permitam-me dizer: vocês, novos leitores, sempre foram extremamente bem-vindos por aqui.

E, sim, vocês podem me perguntar se esse não é o sonho de qualquer blogueiro. Teoricamente, sim. Afinal, todo mundo escreve para ser lido – caso contrário, apenas salvaria o texto no computador e o esqueceria ali. E isso acontece comigo, também. Eu escrevo para vocês, não para mim.

O problema é que, de umas semanas, para cá, eu não sei quem são vocês. Antes eu sabia quem era cada um de vocês. Ao menos, a maioria, e não estou falando de família, amigos, namorada. Estou falando dos leitores assíduos, gente que eu não conheço pessoalmente. Hoje, não. Hoje tem gente demais lendo isso.

E, não, não estou reclamando. Pelo contrário, fico feliz com isso. O meu problema não é que antigamente vocês eram vinte e hoje vocês são centenas. Como eu disse, acho isso maravilhoso.

O meu problema é que eu não sei quem são as centenas. Eu comecei a pensar bastante sobre esse assunto quando um amigo meu, dias atrás, veio comentar comigo que eu havia me tornado uma “celebridade virtual”, com comunidade sobre o blog no Orkut, com “fãs e tudo mais”. Segundo ele, era questão de tempo até que alguém lhe indicasse o Champ, sem saber que ele já conhecia o blog porque é meu amigo.

E foi aí que me bateu o receio: será que as pessoas estão realmente lendo isso aqui?

Ou será que eu virei um blog da moda? Virei um “nome”, e deixei de ser “os textos”?

Será que tem gente que recebeu uma recomendação do blog, entra aqui e comenta o post dizendo que meu texto é ótimo ou genial, mesmo sem ter lido? Não sei por que alguém faria isso – afinal, ninguém é obrigado a comentar num blog – mas sei que isso acontece. Talvez apenas para pegar carona aqui e divulgar o próprio blog.

O fato é que eu gosto bastante deste blog. Sempre gostei. A Sra. Gordon* não entende (e eu compreendo ela) quando eu falo que tem dias que eu descanso do meu trabalho (para quem não sabe, sou jornalista, ou seja, trabalho escrevendo), justamente escrevendo no blog. Eu não entendia isso até pouco tempo atrás, quando percebi que, quando estou aqui, eu não estou escrevendo. Eu estou batendo papo com vocês. E com ela.

Piegas? Pode ser. Provavelmente é. Mas é por isso que eu valorizo tanto os comentários. Porque os comentários nada mais são que vocês me respondendo de volta. E justamente por isso que gosto de comentários que falem a respeito do que escrevi. Esse é o propósito do blog. E nunca escondi isso. Prefiro uma critica a algo que escrevi do que alguém que me chamou de genial sem ler meu texto, pelo motivo que for.

E eu sempre soube que o dia que percebesse que é isso que está acontecendo, eu acabaria com o blog.

E pensar tudo isso me assustou um pouco. Afinal, se estou “batendo papo”, quero saber com quem estou falando. Isso me assustou. Talvez seja exagero da minha parte. Talvez seja um pouco de insegurança – que, normalmente, é o primeiro sintoma que demonstro quando estou estressado. Por outro lado, talvez não seja exagero. Afinal, eu sabia exatamente quem estava aí do outro lado. Escrevia um texto e, ao redigir determinado trecho, pensava: o Gomex vai citar isso aqui no comentário.

Sim, eu conheço vocês.

O Dragus tem uma queda por posts que falam de quadrinhos, RPG, essas coisas; a Luna gosta dos meus textos paranóicos; a Maps adora quando eu avacalho alguém que entra aqui querendo aparecer; o Otavio Cohen adora cinema; a Perci é ansiosa e reclama toda vez que eu divido um post em capítulos; a Deisinha gosta dos blogs sobre os lunáticos que eu encontro na rua ou na vida. A Larissa não tem preferência, ela entra de vez em quando no blog e fica horas aqui, lendo todos os posts que não conhecia até o mais atual. O Teodoro...

Hum, eu ainda não sei do que o Teodoro gosta.

E é justamente aqui que eu quero chegar. Eu quero aprender sobre vocês, leitores novos, como aprendi com os antigos: conversando com vocês, aqui. E vou fazer isso. Mas, para isso, preciso experimentar algumas coisas, ver novos caminhos e estilos de textos – e, claro, montar uma armadilha para identificar os pára-quedistas, que são os leitores que não gostam de ler.

Com isso, os leitores antigos devem ter reparado que a produção de textos nas últimas semanas cresceu consideravelmente.

E não são textos ao acaso, são textos de praticamente todos os estilos que eu gosto: Basta ir olhar para conferir: há um texto sobre algo que aconteceu comigo; outro sobre algo ou alguém que prova que a humanidade não deu certo; tem um texto sobre a Besta-Fera; outro com muito mais cara de Champ Chronicles; e até mesmo um texto daqueles de metalinguagem que eu gosto de colocar aqui às vezes.

E que essa fornada de textos das últimas duas semanas fique de presente de boas vindas para os novos leitores.

A armadilha? Ah sim, depois de dias e dias postando continuamente posts com textos longos e variados – algo ideal para afugentar os pára-quedistas - era hora de ver quantos deles ainda estavam aqui.

E pára-quedistas, por definição, não se interessaram por textos longos ou elaborados. Ou seja: hora de postar um texto curto (duas linhas) e preguiçoso (ele é quase uma cópia de outro post publicado meses atrás). Um chamariz ideal para eles. É um risco que corri: se esse post explodir de comentários, mesmo depois de uma longa série de textos novos, é porque tem algo muito errado com o blog.

Felizmente, não há nada de errado com o blog. Tive comentários de pára-quedistas? Sim. Mas o post recebeu poucos comentários – a maioria deles de leitores antigos me xingando (e com razão) pela falta de qualidade.

E, melhor ainda, o post anterior (sobre os leitores débil-mentais de mangá) continuou recebendo comentários, mesmo dois dias depois do “post vagabundo” ir ao ar. Ou seja, os leitores entravam no blog e criticavam aquele post ou simplesmente o ignoravam.

Não podia ser melhor. Com isso, tive certeza de que os Leitores (com letra maiúscula mesmo) não entram no blog e comentam aqui por hábito, mas, sim, porque querem ler. Voltando ao que eu disse lá em cima: tive a certeza, com isso, que o Champ não é um “nome”. Ele continua sendo “textos”.

E isso graças a vocês. Leitores antigos e novos que estranharam esse “post vagabundo”: peço desculpas, mas isso era algo que eu precisava fazer. Ele foi escrito há cerca de duas semanas, no mesmo dia que eu rascunhei esse texto que vocês estão lendo agora e eu estava apenas esperando o momento certo de publicá-lo (ou seja, depois da recente maratona de textos). E consegui o que queria com ele.

Ok, admito que o título deste post talvez tenha assustado alguns leitores. Mas, convenhamos, o clima do texto praticamente implorava por uma pequena sacanagem como essa. Desculpem, não consegui me segurar.

Posto tudo isso, que mais que um texto, foi um desabafo e uma declaração de amor aos leitores de verdade (e eu sei quem são vocês) a vida continua.

E, provavelmente, mais ô fase do que nunca.

Muito obrigado por sempre estarem aqui.

Rob.


* Este post é dedicado a você, que sempre esteve aqui.

16 de junho de 2008

15 de junho de 2008

Rob Gordon X Pokémon, Naruto e Cia.

Hoje em dia, só se fala no centenário da imigração japonesa no Brasil. Não importa onde você estiver, qual revista ou jornal você estiver lendo, é apenas uma questão de tempo até dar de cara com imagens de imigrantes orientais do começo do século ao lado de uma foto da Daniela Suzuki ou da Sabrina Sato – esta última vestindo seu tradicional nada.

Deixo, então, os cumprimentos à toda nação nipo-brasileira – algum leitor habitual daqui é japonês? –, mas com ressalvas. Sim, ressalvas. Afinal, os japoneses trouxeram muita coisa boa, como os filmes do Akira Kurosawa, os livros sobre o Musashi e centenas de jogos de videogames. Mas, por outro lado, eles trouxeram os mangás. E, com isso, surgiu um dos grupos sociais mais detestados por este blog: os leitores débil-mentais de mangá.

Antes que você pegue sua coleção de Cavaleiros do Zodíaco e comece a jogar em mim, deixe-me ressaltar uma coisa: não tenho problema nenhum com os leitores de mangás; meus problemas são com os leitores débil-mentais de mangá. Da mesma forma que existem leitores de mangás que são pessoas normais, tenho certeza de que o Homem-Aranha, a Mônica e o Tio Patinhas também devem possuir leitores que apresentam deficiência de fosfato no cérebro.

Além disso, existem, sim, mangás que eu gosto. Inclusive, para não parecer tendencioso, vou explicar o que é um leitor débil-mental usando como exemplo um leitor débil-mental de quadrinhos em geral.

Duas pessoas (um leitor normal e um leitor débil-mental) entram numa banca e vêem que um X-Men novo foi lançado.

Enquanto o leitor normal dá uma rápida folheada, provavelmente decidindo se compra agora ou depois, o leitor débil-mental pega a revista e fica em pé, lendo quadrinho por quadrinho. E ele faz isso no meio da banca (o que atrapalha quem quiser quer andar por ali) ou com o corpo colado na seção de quadrinhos (o que atrapalha quem quiser dar uma olhada das revistas daquela prateleira), babando, inerte e totalmente alheio ao mundo ao seu redor.

Você olha na cara dele e é óbvio que ele está numa espécie de transe. Ainda no exemplo dos X-Men, cada vez que a Vampira aparece, o leitor débil-mental dá uma discreta olhada ao redor para ver se ninguém está olhando e fica admirando os peitos dela no desenho e pensando como ela deve ser na cama. Looser demais. Mas o pior é quando ele está com os amigos, ocasião em que ele se sente na obrigação de, a cada 10 segundos, gritar uma frase (totalmente mal-elaborada, às vezes até mesmo sem um verbo) envolvendo as palavras “bem lôco” e “wolverine”.

Mas os leitores débil-mentais de mangá são os piores. Aliás, perto deles, os outros leitores débil-mentais são inofensivos. E isso se deve a alguns motivos, listados abaixo:

Os leitores débil-mentais de mangás só andam em grupo; e nunca é um grupo com menos de seis pessoas. Aliás, acredito que o número de integrantes de cada grupo varia de acordo com o universo preferido. Ou seja, se a turminha gosta de Cavaleiros do Zodíaco, eles andam em 12; se gostam de Battle Royale, andam em 45; e se gostam de Pokémon, andam em mais ou menos 650.

Agora, o pior é que eles incorporam os personagens. Primeiro, estão sempre fantasiados. Não é difícil você estar num shopping e dar de cara com uma manada de adolescentes usando capas, cartolas cheias de lantejoulas e botas azuis de vinil até o joelho – em grupos grandes, é normal até você avistar um deles portando um enorme machado feito de cartolina. E eles se chamam usando nomes dos personagens. Uma vez eu estava no McDonald’s e um grupo de guerreiros medievais de alguma dimensão paralela estava na fila ao lado. Um deles queria comprar uma casquinha, mas não tinha troco, então ele gritou ao amigo:

– Hiroshito-san, você tem 2 reais trocado? Depois eu pago!

Olhei para trás esperando ver um japonesinho e dei de cara com um loiro de olhos azuis mexendo na carteira. Ou seja, totalmente Hiroshito. Mais Hiroshito impossível. O nome dele deveria ser, provavelmente, Hans Hiroshito, Fritz Hiroshito, algo assim. E, quando o nipo-germânico emprestou o dinheiro, o amigo respondeu com uma piadinha do tipo:

– Depois eu uso minha magia azul para conjurar umas moedas da sorte!

E todos riram. Gargalharam. Se eu tivesse um virgem-detector na mão, ele teria sofrido uma sobrecarga e explodido.

Mas nada, nada, me incomoda mais que o comportamento deles dentro de uma banca ou de uma livraria. Toda vez que eu entro na Fnac para ver quadrinhos, eles estão ali. E aí o problema não são as capas, os machados e as botas. Nem os gritos. O problema é tudo.

Claro, começando pelo comportamento deles. Porque eles romperam as barreiras já conhecidas da inconveniência. Enquanto os leitores débil-mentais de qualquer coisa simplesmente encostam na prateleira de quadrinhos, tapando toda a visão – algo que eu resolvo com facilidade colocando o nariz atrás da orelha dele e fungando o mais alto que eu consigo – os leitores débil-mentais de mangás sentam no chão da livraria.

Veja bem, existe uma regra social não formalizada que implica no fato de que você só pode se sentar no chão de uma livraria se for criança. É quase um sistema de compensação: “como você não sabe ler, você está em desvantagem a respeito das outras pessoas que estão aqui dentro, então você pode se sentar no chão; mas, a partir do momento em que você aprende o alfabeto, você entende o que é uma livraria e aprende que só pode se sentar no sofá”.

Os leitores débil-mentais de mangás não sabem isso. Eles se sentam no chão, normalmente numa curva e ficam lendo aquelas merdas. Ou seja, toda vez que você anda pela livraria, você corre o risco de pisar em um deles a qualquer momento – o que não seria má idéia, a não ser pelo fato de que a turma dele pode estar perto e começar a lançar raios em você. A única coisa que sobra é você tratar o sujeito como se ele fosse uma bosta de cachorro: você olha com desprezo e desvia o caminho, torcendo para o segurança da livraria limpar aquilo logo.

Sexta-feira foi pior. Entrei na Fnac e fui ver os quadrinhos. Quem já entrou na Fnac de Pinheiros sabe que as edições especiais ficam na parte de baixo da seção de quadrinhos, numa espécie de degrau. Eu virei o corredor e dei de cara com um débil-mental lendo Naruto e, claro, sentado. Mas não no chão, e sim em cima das edições especiais. Os amigos dele estavam em outro corredor, vendo revista de mulher pelada e gritando que iriam “usar a magia da estrela no peito dela” ou algo assim.

Eu parei na frente do moleque e funguei. Bem alto. A livraria inteira olhou para mim, menos ele, que continuou babando em cima da porra do Naruto. Respirei fundo. Parei em pé na frente e esperei um pouco, para ver se ele se tocava. Nada.

Chutei (com menos força do que eu gostaria) o pé dele e ele olhou para mim, com aquele olhar tipicamente boçalizado. Eu disse a ele:

– Olhe, eu não tenho nada a ver com a sua vida, mas você está sentado sobre as revistas que eu quero ver.

Tudo que ele conseguiu arquitetar como resposta foi:

– Ahn?

Deus do céu.

– Eu quero ver as revistas que estão sob sua bunda.

– Ah.

E ficou me olhando.

– Não adianta falar “ah”. Tem que falar “ah” e levantar. Aliás, se levantar, não precisaria nem ter falado o “ah”.

– Ah, calma aí.

E começou a levantar. Sim, começou, porque se coordenação motora fosse modalidade olímpica, ele estaria longe de ser convocado. Manja aqueles moleques que crescem 25 centímetros em uma noite e não sabem mais como controlar o corpo? Então você sabe do que estou falando. Depois de uns 20 minutos, ele se levantou – processo com o qual exibiu seu cofrinho para a Fnac inteira – e saiu com suas pernas fora de controle, e segurando o maldito Naruto, para junto dos amigos.

Mais do que depressa, peguei meu Homem de Ferro especial e fui pagar, antes que um martelo de cartolina voasse na minha cabeça. E, na dúvida, agora, eu só vou na Fnac de chuteiras e entro ali parecendo um punk em show dos Ramones, dando chute para tudo o que é lado.

Não dizem que pisar na merda dá sorte? Os débil-mentais que lêem mangás no chão da Fnac que me aguardem.

E, antes que eu chute o primeiro deles, deixo vocês com o Top 5 Mangás Essenciais para qualquer ser humano (normal):

1. Gen

2. Akira

3. Gen

4. Akira

5. Gen

11 de junho de 2008

Não Leia este Post!

Para se começar a escrever um post é necessário, antes de mais nada, saber sobre o que o texto irá falar. Qual o assunto do texto? E é interessante já dizer isso logo no começo. Por exemplo, se eu estiver escrevendo, aqui, sobre como escolher o assunto de um post, já deixei claro que esse era o assunto deste texto, lá na primeira linha.

Agora, existem pessoas que preferem dar uma brincada antes, para, só então, apresentar o tema verdadeiro do texto. Mas o que eu queria falar mesmo era que elas podem fazer isso de forma simples, escrevendo um “mas o que eu queria falar mesmo era....” depois da introdução; ou com um pouco mais de estilo, causando um pouco de surpresa no leitor, normalmente colocando uma frase curta, de no máximo uma linha, após os dois primeiros parágrafos, para marcar bem o tema do post.

Mais ou menos assim.

E, a partir daí, você começa a desenvolver o texto. E muita gente empaca nesse pedaço. Às vezes, a pessoa sabe o que quer dizer, mas não encontra um formato, e começa a enrolar. Você percebe que isso está acontecendo quando começa a ler o texto e acha que um determinado trecho ficou arrastado demais, normalmente porque o autor está se repetindo. E muitos autores caem nessa armadilha, eles se repetem quando não sabem para onde levar o texto, e começam a se repetir indefinidamente. Tudo o que ele faz é repetir a frase anterior com outras palavras. Nada mais. A única coisa que ele faz é emular o que ele já disse usando outros termos.

O pior é quando o texto muda de parágrafo e continua enrolando. Você achou que aquela idéia que o autor não estava conseguindo desenvolver havia acabado e ele iria falar de outra coisa, mas não. Continua tudo igual. Ele continua se repetindo. Ele permanece dizendo o que já disse, mas apenas com outros termos. Nada do que ele está falando é novidade, ele já falou tudo aquilo antes. Para escapar disso, alguns escritores novamente apelam para parágrafos curtos, de uma frase. É uma forma de quebrar a idéia radicalmente e praticamente recomeçar o texto, causando impacto e atraindo novamente a atenção de quem lê.

Se ele consegue ou não, é outra história.

Outra ferramenta usada por quem não sabe para onde ir com o texto é simplesmente encerrar a dissertação e começar uma crônica que serve para ilustrar o assunto, sem aviso prévio. E uma das melhores maneiras de fazer isso é enfiar logo um diálogo lá dentro. O problema é como fazer isso, pensando no formato. “Será que fica melhor colocar os diálogos entre aspas?”.

– Ou usar travessão fica mais elegante?

– Sim, com travessão fica melhor.

– Mas tenho que tomar cuidado com isso, pois, quando tem muitos travessões, o leitor acaba se perdendo, e não sabe mais quem está falando com quem.

– Por isso que às vezes, é melhor colocar uma explicação depois do diálogo, informando quem falou, disse o escritor para si mesmo.

– Tem razão, agora, por exemplo, eu soube que fui eu mesmo quem falou, ele respondeu.

– Mas é bom não abusar desse recurso, pois torna o texto cansativo.

Depois do diálogo que ilustrou o tema do post, o escritor pode voltar a dissertar sobre o assunto, aproveitando que o leitor deu uma respirada. Talvez mais uma ou outra informação sobre o tema escolhido. Isso, claro, se você tiver algo para falar sobre o texto. Senão, a repetição vai recomeçar e o leitor se cansará de novo. Porque, novamente, você está apenas repetindo o que já disse, cansando quem está lendo. E nem adianta mais tentar quebrar o parágrafo curta e de impacto, porque o leitor está começando a descobrir a verdade.

Que você usa esses parágrafos curtinhos quando não sabe o que dizer.

Quando isso acontece, talvez seja melhor encerrar o texto. Entretanto, como o leitor está vindo de um diálogo com frases curtas, não é aconselhável colocar um bloco muito grande de texto imediatamente após essa conversa. Basta uma conclusão. E pronto. Se você acha que não vai conseguir manter um finalzinho curto, encontre uma solução.

Talvez quebrando a conclusão em dois parágrafos, mas somente se for o caso. E sem parágrafos curtinhos. Iria ficar óbvio demais. Mas, caso você insista num último parágrafo curtinho, neste último momento, é sempre legal fazer uma brincadeira com o leitor. Algo que o deixe mais pessoal e próximo do autor.

Sim, este post foi pura perda de tempo – mas eu tentei avisar vocês no título!

9 de junho de 2008

Investigação Sobre um Casal Acima de Qualquer Suspeita

Outro dia estava andando em Pinheiros quando comecei a ouvir vozes atrás de mim. Eram três amigos (de mais ou menos vinte anos cada) conversando, e seria impossível não prestar atenção a eles, já que eles falavam num tom que tornaria impossível não ouvir o papo.

Aliás, antes de continuar, cabe dizer aqui que um dos meus hobbies é capturar trechos de conversas de pessoas que cruzam meu caminho. Eu vou andando pela rua e pegando frases como “...me ligou ontem e disse que quer me ver...”, “....não foi o que tínhamos combinado...” e “...eu já estou com o negócio pronto, vou te mandar hoje a tarde”, e ficar tentando adivinhar qual o contexto daquilo. Claro que eu não consigo, então acabo sempre inventando algo, fazendo com que as pessoas acabem se tornando personagens de crônicas, sem ao menos desconfiarem disso.

Justamente por isso, a conversa dos três amigos foi um prato cheio para mim, pois não foi uma ou outra frase, mas uma conversa, e sobre um tema altamente interessante: o namoro da Dani e do Luca – quer dizer, eu presumo que Dani seja uma mulher, mas, hoje em dia, nunca se sabe. Enfim, eu estava andando quando ouvi atrás de mim:

– Eu aposto o que você quiser. Em no máximo três meses, a Dani vai dar um pé na bunda do Luca.

Apertei o passo para ficar meio metro na frente deles. A frase era promissora demais para terminar em uma frase.

Na mesma hora, a imagem dos dois me veio à cabeça: Luca e Dani, que se conheceram no cursinho e começaram a namorar – apesar de ela nem ter achado ele tão bonito assim ao encontrá-lo pela primeira vez – depois de saírem umas duas vezes. Ele queria engenharia, e ela estava em dúvida entre arquitetura ou direito.

Mas, por mais que a Dani sabia que o Luca era absurdamente apaixonado por ela, a garota ainda não havia esquecido o ex-namorado dos tempos do colegial. Com isso, ela estava sempre em dúvida sobre o que sentia e, em poucos meses, as brigas começaram a aumentar de freqüência, a despeito do seu pai, que também era engenheiro, achar o Luca um “menino correto”.

No final do ano, cada um entrou na sua faculdade e, com isso, se viam menos. E brigavam mais. E a coisa chegou num estágio insustentável, a ponto dos próprios amigos perceberem que, em dois ou três meses, o namoro acabaria, para desespero do Luca, que demoraria anos para se recuperar do rompimento – até eventualmente se apaixonar por uma professora de inglês e ir morar em Curitiba.

E a Dani? Voltaria com o ex-namorado? Estava começando a pensar nisso quando um deles respondeu:

– Eu já avisei o Luca. Ele que não venha reclamar depois.

Hum... Isso muda tudo de figura. “Ele que não venha reclamar” atesta que a culpa do final do namoro é dele, não da Dani.

O Luca era um cafajeste. Tratava mal a menina, e ainda colocava um par de chifres na Dani com a prima de uma vizinha, uma ruivinha com cara de safada que estava sempre lá no seu prédio. A Dani, coitada, sabia de tudo isso, mas fazia vista grossa, porque tinha medo de ficar sozinha, ainda mais porque todas suas amigas estavam namorando.

E bastou uns dois meses de namoro para o Luca perceber que a Dani agia desse jeito para, cada vez mais, testar a paciência da menina. Mentia compulsivamente. Dizia que ia passar na casa dela no final da tarde e não aparecia, nem ligava para dar satisfação. E, para piorar, ainda cismou de andar com uma turminha barra-pesada do bairro, que estavam sempre procurando confusão ou maconha, o que surgisse primeiro.

E a Dani, coitada, acreditava no namoro. Dizia para as amigas que “era apenas uma fase, que ele estava perdido, mas era um bom menino”. E, com isso, a Dani ia levando o relacionamento, relevando o comportamento do Luca, as mentiras e traições do Luca, o bafo de pinga e o cheiro de maconha nas roupas do Luca. Mas a situação estava se tornando insustentável. A Dani estava cada vez mais infeliz, e o cúmulo foi aquela vez em que ela apareceu na faculdade com hematomas no braço. Ela desconversou quando as amigas perguntaram o que tinha acontecido, mas os amigos mais próximos dos dois sabiam que era apenas uma questão de tempo. A Dani iria deixar o Luca, mais cedo ou mais tarde, em no máximo dois ou três meses. E aí, só aí, o Luca perceberia o que ele havia perdido. E aí não adiantava reclamar depois.

– Porque a Dani já me disse que, para ela, aquilo é só sexo.

Pronto. Mudou tudo de novo. Em uma frase, o Luca virou um rapaz tímido e perdidamente apaixonado, enquanto a Dani foi rebaixada à posição de safada. Conheceram-se numa festa e a Dani, que, apesar de três meses mais nova que o Luca era muito mais experiente – corria na rua dela um boato de que ela havia perdido a virgindade com 13 anos, com um cara mais velho – deu um baile no garoto. Em poucos minutos, ele estava comendo na mão dela.

Transaram dois dias depois, na casa dela mesmo, aproveitando que a mãe tinha ido ao shopping. Foi a primeira vez do Luca e o suficiente para ele se apaixonar totalmente. Ia dormir todas as noites sonhando com o futuro, com uma casinha e dois filhos e a Dani ali, esperando ele voltar do trabalho. Ele escrevia poemas e cartas de amor, sem saber – ou fingindo não saber – que ela ia para a farra todas as noites, e que, às vezes, dava umas voltas com o vizinho do primo, um publicitário casado e com filho pequeno – aliás, falava-se por aí que o cara tinha casado justamente porque a namorada havia engravidado.

De tanto o Luca insistir, porém, começaram a namorar. Ele, no mesmo dia, encheu o Orkut com fotos dela, mas ela manteve as únicas três fotos que tinha em seu álbum, duas de biquíni na praia e outra com o Hugh Jackman sem camisa, e a legenda “gostoso demais” embaixo. Aliás, ela só colocou o “namorando” no Orkut porque ele pediu.

Claro que o Luca sabia desse jeito dela, mas achava que ela iria melhorar. “Ela é impulsiva”, dizia para os amigos. Já os amigos diziam para ele que “não, ela é safada mesmo. Ela não presta”, e o Luca ficava puto. Começou a se afastar dos amigos. Passou a viver em função da Dani, enquanto a Dani vivia em função de qualquer homem que estivesse num raio de dois metros. E ela mesma já havia pedido aos amigos dele para darem um toque ao Luca de que “era só sexo”, mas ele não deu atenção.

E a Dani começou a ficar cheia daquilo. Começou a ficar de saco cheio de receber depoimentos no Orkut, de receber cartõezinhos do Garfield e de ter que explicar para todo mundo aquele namorando no Orkut. E disse a um dos amigos dele que “não dava mais, que iria terminar aquilo”.

E o Luca, que estava completamente cego, fazia questão de não ver o que iria acontecer, mais cedo ou mais tarde. Mesmo com os amigos avisando. Até a hora que os amigos lavaram as mãos, e soltaram o fatídico “ele que não venha reclamar depois”.

Eu sei que é injusto demais terminar a conversar com a Dani pintada de vagabunda, mas não foi escolha minha. Os três moleques viraram numa esquina, que não era meu caminho e levaram a conversa com eles. Eu fiquei olhando os cinco (os três amigos, a Dani e o Luca) irem embora, pensando se ia atrás ou não. Olhei no relógio e vi que estava atrasado, e deixei o casal ir embora.

Fica aqui a singela homenagem a um amor que não deu certo. Ao menos aqui, vocês existirão para sempre.



P.S. - Eu sei que este texto tem cara do Chronicles. Mas, não sei, algo me dizia, enquanto escrevia, que o lugar dele era aqui mesmo.

6 de junho de 2008

5 de junho de 2008

Al Pacino e a Jaqueta de Couro

É simplesmente impossível, hoje em dia, morar numa cidade grande como São Paulo. Os índices de violência urbana atingiram níveis assustadores, e a tendência é que cresçam cada dia mais. E não há muito que fazer. Simplesmente não é seguro andar nas ruas, pois, a partir do momento que você coloca os pés para fora de casa, está sujeito a todo o tipo de violência. Na verdade, eu estou sendo até gentil com o assunto. Você está arriscado a ser agredido – fisicamente ou moralmente – até mesmo dentro da sua casa.

Outro dia mesmo, eu estava na minha sala, sossegado, assistindo TV quando a senhora Gordon se aproximou sorrateiramente e colocou uma arma na minha cabeça, dizendo:

– Tem uma feira de malhas na Avenida Paulista. Você vai comigo.

Meu coração disparou e minha barriga congelou. Olhei ao redor procurando ajuda, mas estava sozinho com ela na sala. Besta-fera dormia tranquilamente o sono dos justos, alheio a tudo. Procurei por algo pesado para golpeá-la na cabeça e tentar correr para a rua, mas não encontrei nada. Suspirei e, visivelmente amedrontado, respondi:

– Ok, eu vou onde você quiser. Só não me machuque, por favor.

Satisfeita, ela guardou sua arma e eu aproveitei para negociar.

– Vamos chamar meu irmão e a mulher dele. Assim você fica com ela, vendo aquelas merd... Vendo as malhas, e eu fico com ele.

Para minha surpresa – e felicidade –, ela concordou. Com isso, domingo, estávamos nós quatro entrando no colégio São Luiz, no lugar da tal feira de malhas. Elas, com os olhos brilhando; eu e meu irmão, com os olhos nos relógios, torcendo para aquilo acabar logo.

Mas claro que aquilo demorou horas.

Primeiro, porque era impossível andar pelos corredores. O local tinha uma densidade demográfica semelhante a de Pequim, o que resultava em duas conseqüências diretas: a) a temperatura ambiente era de 60 graus, o que pode ser um truque dos fabricantes – afinal, qualquer malha que você experimentasse lá dentro daria a impressão de ser absurdamente quente, mesmo se fosse feita de cartolina; e b) a velocidade média nos corredores era de aproximadamente 2 metros / hora, algo que se devia não apenas ao número de visitantes, mas ao fato de a idade média dos transeuntes ser de aproximadamente 70 anos.

Some a isso o fato de que a Sra. Gordon e cunhada experimentavam uma média de 3,68 malhas por stand, além conversarem com todos os vendedores sobre as propriedades fabris de cada peça, soltando perguntas como “não tem uma parecida com essa, mas com uma gola igual a dessa aqui?” ou “você realmente não consegue mesmo uma dessas, mas azul-marinho?” e a inevitável “se eu levar essa e aquela outra, você dá desconto?”.

Para piorar, a cada malha que experimentavam, vinham perguntar a mim e ao meu irmão se “ficou bom?”. Mulheres,uma dica: não façam isso com os namorados. Até a segunda vez, nós seremos sinceros na resposta. Já a partir da terceira, nós vamos responder que “sim, ficou”, sem disfarçar o tom de “podemos ir embora logo?”.


Entretanto, um stand me chamou a atenção: jaquetas de couro. Eu sempre fui frustrado porque nunca tive uma jaqueta de couro. Porém, meu sonho não é apenas uma “jaqueta de couro”. Jaqueta de couro qualquer um pode ter. Não, meu sonho sempre foi algo muito mais elaborado: eu sempre quis um casaco de couro igual ao que o Al Pacino usa em O Pagamento Final. Lembro que, quando eu e eu irmão assistimos ao filme, em 1993, chegamos a conclusão que “basta usar um casaco desses, com uma camisa preta por baixo, para as pessoas respeitarem você na rua”.

Fiquei olhando para o stand e todos os meus sonhos nerds de ser mafioso voltaram com força total. Meu cartão de crédito começou a gemer no bolso, mas não dei atenção – mesmo porque, ultimamente ele geme por qualquer coisa. Virei para a senhora Gordon e, já me sentindo um mafioso, simplesmente ordenei, com cada poro meu exalando poder:

– Podemos ver esse negócio de jaqueta de couro? Deixa? Vai ser rápido, prometo.

– Primeiro vamos até o final do corredor. Lá tem cacharrel e é barato.

– Lá tem o quê?

– Cacharrel. Vamos, vem logo! Deixa a velhinha aí atrás passar!

– Qual delas? Tem sete velhinhas andando na minha volta.

– Vem logo!

Fui e fiquei, obviamente, meia hora, no mundo encantado dos cacharréis. Mas nem me incomodei. Fiquei ali me imaginando com a jaqueta de couro, andando em becos e dando tiros em todos os porto-riquenhos que tentassem atrapalhar minhas operações criminosas. Quando eu já estava quase construído um império criminoso que se estendia de Pinheiros até Santo Amaro, ela me chamou:

– Pronto, vamos ver sua jaqueta de couro.

Fomos até lá. Chamei o vendedor:

– Eu queria ver uma jaqueta preta, eu disse, achando melhor não abrir o jogo sobre impérios criminosos e ligação com jogo, drogas e prostituição.

– O nosso couro é ecológico.

Argh. Que vergonha. Até parece que eu vou entrar na lista dos mais procurados do FBI usando uma jaqueta de couro ecológico. Duvido que se o Pacino fosse perseguido pela polícia e encurralado num parque, ele se deixaria ser preso para não pisar nas plantinhas. Merda de ecologia.

– E o que é couro ecológico?

Ele começou a dar uma explicação. Fiquei olhando para ele e lembrando das cenas do filmes, ao mesmo tempo em que me mostrava totalmente interessado no que ele falava, mesmo sem ouvir nada do que ele dizia. Quando ele terminou – ou parou para respirar, não sei – eu aproveitei a brecha:

– Ok, mas quero preta.

Ele me entregou uma, e eu experimentei. Bonita, mas, assim, não era um Al Pacino. Claro, na escala de mafiosos, ela não era um Fredo Corleone, mas também não era um Al Pacino. Era, digamos, um Ray Liotta em Os Bons Companheiros. Experimentei. Ficou boa. Mas, ressalto, não era um Al Pacino. Porém, uma velhinha que passava pelo meu lado pareceu discordar. Ela parou no corredor e ficou olhando para mim, com cara de aprovação. Vendo a dúvida nos meus olhos, sorriu e disse:

– Ficou muito boa em você.

– É?

– Sim, está ótima.

Pensei em acender um cigarro ali e começar a fumar como mafioso (sim, eu sei fazer isso; sim, eu sou idiota às vezes) para impressionar ainda mais a velhinha, mas fumar naquele local lotado faria com que eu fosse preso por terrorismo, e não por envolvimento com a máfia. Eis que me surge o vendedor com outra jaqueta. Meus olhos brilharam.

Era uma jaqueta Pacino. Gola larga. Bolsos grandes. Aposto que se eu procurar direito, encontro lugar para colocar uma Beretta. Arranquei da mão dele e comecei a experimentar. Coloquei uma manga, coloquei a outra. Dei uma arrumada nos ombros. E comecei a fechar a jaqueta, já imaginando ter que lidar com grampos telefônicos clandestinos do FBI na minha casa.

A jaqueta não fechava.

Tentei de todas as formas. Forcei o zíper, tentei de novo. Nada. Encolhi a barriga, nada. Merda. Forcei o zíper de novo, que quase quebrou na minha mão. Nada. Olhei para o vendedor e perguntei:

– Não tem uma desse modelo, mas maior?

– Não. Só essa.

Suspirei. O maior império moderno do crime acabou antes mesmo de nascer por causa de uns kilos a mais. Ô fase.

– Bom, vou levar então aquela primeira.

– Qual?

– A primeira.

– Aquela que a velhinha gostou?

...é...

– Não entendi.

...é... aquela mesma...

– Oi?

– É! Aquela que a velhinha gostou! Pronto, falei! Feliz?

Ele me entregou a jaqueta. Olhei de novo. Realmente, não era um Al Pacino. Longe disso. Com essa jaqueta, eu não chegaria nem a caporegime, quanto mais a Don. Quando muito, vou ser um soldado de uma família menor, tendo que me envolver em roubos menores para sobreviver. Além disso, meus sonhos se esfacelaram quando fui pagar:

– Você não parcela em quatro vezes?

– Não, só em três.

– Se você parcelar em quatro, eu vou considerar isso um favor pessoal a mim. E você terá a minha amizade.

– Eu não quero sua amizade. Você vai pagar em três vezes ou à vista?

– Em três vezes, mesmo.

Merda. Ninguém respeita mais nada. Quer dizer, talvez a velhinha me respeitasse quando me visse com a jaqueta. Mas seria impossível construir um império baseado simplesmente numa velhinha.

Para piorar, nem isso eu consegui, já que não consegui mais encontrar a velhinha, em meio aquela multidão de velhinhas, malhas e cacharréis. Como consolo, deixo vocês com o Top 5 Filmes interpretações do Al Pacino:

1. O Poderoso Chefão II – nada é mais assustador que os longos minutos de silêncio dele neste filme.

2. Um Dia de Cão – toda vez que eu me ferro no trabalho, tenho vontade de ir até o meio da Pedroso de Moraes e começar a gritar: “Attica! Attica!” para as pessoas.

3. O Pagamento Final – Ao lado de Fogo contra Fogo, é o último grande trabalho dele (Advogado do Diabo não conta, porque contracenar com o Keanu Reeves é jogo ganho).

4. O Poderoso Chefão III – eu sei, é o mais fraco da trilogia. Mas as cenas em que ele se confessa e o berro na escadaria da ópera são melhores que tudo o que o Tom Cruise fez na vida

5. Perfume de Mulher – também é meio jogo ganho (Al Pacino X Chris O’Donnell?), mas é marcante demais, não dá para ficar fora da lista.

4 de junho de 2008

Notícia Extraordinária II

Após dezoito meses vivendo em relativa paz, os moradores do bairro de Pinheiros, em São Paulo, voltaram a sofrer com os ataques da criatura conhecida como Besta-fera. O último ataque (descrito por testemunhas como um cão da raça westie) havia sido registrado em setembro de 2006, e havia resultado na morte de um botão de camisa. Desde então, os ataques haviam cessado. Ontem, porém, o desaparecimento de um par de meias causou pânico entre a população, que credita o atentado à violenta criatura que habita a região.

Rob Gordon, dono das meias desaparecidas, está inconsolável. “Fui tomar banho e deixei as meias em cima da cama. Quando voltei, a porta do quarto estava aberta e elas não estavam mais lá”, afirma Gordon, acrescentando ainda que, desesperado, procurou por elas durante horas, olhando sob a própria cama e os sofás da região. “Cheguei até mesmo a vasculhar a cozinha e a varanda do meu apartamento, mas foi inútil. Não encontrei nem sinal delas”, afirmou, abatido.

O ataque trouxe inúmeros prejuízos ao dono das meias. “Sou homem e moro sozinho, então eu não disponho de muitas meias limpas em casa. Como perdi esse par nesta tragédia, estou tendo que usar, hoje, um par mais antigo, que está largo”, contou, erguendo uma das calças para mostrar, à reportagem, que a meia que foi obrigado a usar não para na sua canela, caindo toda hora. “Tenho que ficar puxando a meia para cima o dia todo, agora. Tudo porque as autoridades relaxaram na captura do animal”.

O sentimento de revolta na região é geral. Diversos moradores planejam ir à delegacia para cobrar maior empenho das autoridades e o próprio Rob Gordon afirmou que pretende organizar uma passeata em sua sala de estar. De acordo com a vítima, a idéia é desfilar sem sapatos – ou seja, calçando apenas um par de meias – e com um cartaz exigindo o fim da violência. Vale lembrar que o corpo da última vítima da lendária Besta-fera ainda não foi localizado. A polícia pretende intensificar as buscas no local. “Apesar de esperar pelo pior, ainda tenho esperança de que minhas meias sejam encontradas com vida”, afirmou Gordon, com os olhos cheios de lágrimas.

3 de junho de 2008

Comuna

Ontem eu recebi a notícia de que o leitor Thiago Neres criou, no Orkut, a comunidade Championship Vinyl – Blog. Antes de prosseguirmos, quero agradecer ao Thiago, um dos leitores mais fiéis do Champ – pela homenagem.

Já há alguns meses algumas pessoas vinham insistindo para eu criar uma comunidade dedicada ao blog no Orkut, mas eu me recusava terminantemente, já que eu sou o dono do blog (o Champ discordaria disso, mas não vem ao caso). Eu explico.

Vamos pegar um nome fictício tipo... Hum... Carmilla. Imagine uma comunidade chamada “Nós Amamos a Carmilla”. Aí, você lê a descrição e tem algo como “O ponto de encontro para todos os que acham que adoram esse gatinha muito louca! E na boa? Colegas de escola, do prédio e da aula de inglês são bem vindos!” Você continua descendo os olhos e dá de cada com o dono & criador da comunidade: Carmilla. Ou seja, ela foi homenageada por ela mesma. É o mesmo que eu construir uma estátua minha e colocar na esquina de casa. A não ser que você seja um imperador romano, uma atitude dessas é o cúmulo da carência.

Mas, enfim, a comunidade do blog está criada e estão todos convidados a entrar. Quer dizer, a comunidade é do Thiago, mas acredito que posso convidar vocês em nome dele, já que acho difícil alguém criar uma comunidade para ser o único membro e dizer para os amigos “que manda ali e tem controle absoluto sobre todos os tópicos”. Não, falando sério agora: entrem e prestigiem. Mesmo porque o Thiago já me avisou que quando a comunidade chegar aos 100 membros, sorteios de automóveis e casas mobiliadas (todos custeados pelo próprio Thiago, numa iniciativa digna de aplausos) serão feitos semanalmente entre os membros da comunidade.

Sherman, Carmilla, Hóstia... Vocês estão mais que convidados também. Afinal, eu sei que existem leitores que até pagariam para ver o profile de vocês no Orkut.

O link da comunidade é este aqui. E, enquanto vocês entram na comunidade, deixo, aqui, o Top 5 Tópicos que devem aparecer na comunidade mais cedo ou mais tarde (talvez mais cedo, já que o Gomex deve se inscrever lá para criar pelo menos dois, só de sacanagem):

1. Quem você prefere? Besta-fera ou Síndica?

2. Post novo! O que acharam?

3. Pessoa acima: beijava ou “ô fase”?

4. XXXIncrease your sexual performanceXXX

5. Ele mora em Pinheiros mesmo?

2 de junho de 2008

Existem Leitores e Leitores

Fiquei pensando desde sexta-feira em como responder ao comentário da nova musa do blog, Plagiana, que entrou aqui no blog brigando comigo por ter sido acusada de plágio. E fez todo esse carnaval porque um texto meu estava no blog dela. Rabisquei três textos – um deles era rimado e com direito a mensagem codificada – mas não fiquei satisfeito com nenhum, achei que não tinham a cara do blog. O rimado ainda está no meu computador, quem sabe um dia ele seja publicado numa encadernação para colecionadores, no capítulo “textos excluídos”.

Porém, no sábado, recebi um comentário de um leitor novo – Fox – que me fez pensar mais – e melhor – sobre o assunto. Antes de continuarmos, creio que é melhor colocarmos direto o comentário aqui, para quem não viu:

Olá Rob, tudo bem?
Você não me conhece, e na verdade eu também não te conheço. Só que segunda passada, eu vim parar sem querer no seu blog champ-review - e nem lembro o que procurei no google, mas garando que não foi "bam bam pelado" - e gostei do seu jeito de escrever, e clicando nos links acabei caindo aqui no Champ Vinyl.
E bom... não tem outra forma de falar isso, então eu vou simplesmente falar: tenho que confessar que desde segunda, eu li todo o seu blog. Todo. Não to dizendo dos "tops 5" que ficam ali do lado não, estou dizendo TODOS os posts. Cliquei no primeiro mês ali, em Julho/06 e fui lendo até chegar em Maio/08. Acredite.
E quero dizer parabéns por tudo que você escreveu, e por sempre levar as coisas na esportiva (?). Seus textos fluem de uma forma única, e realmente prendem o leitor. Ri bastante, me identifiquei com muitas coisas que você escreve, seu modo divertido de ver as coisas e tal... e bem, não posso dizer que somos nem parecidos - o que só mostra como você escreve bem, já que somos diferentes e eu gostei muito dos textos -: Meu nome é Vinícius Alves, moro em Vitória/ES, tenho 21 anos, trabalho e estudo...ahn, tenho uma banda, de pop/punk/rock, meu estilo musical é bem diferente do seu, e blablabla... enfim, poucos - ou nenhum - ponto em comum. E ainda assim, seus textos foram ótimos de serem lidos =]
Enfim, já escrevi demais aqui, só queria que você ficasse ciente que seus textos são excelentes, e para continuar postando sempre =]
Ah, para não permanecer no anonimato:
http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=16603312766292771494
Abraço!
E agora, me dá licença que vou continuar lendo o Chronicles! =]

ps: não sou um serial killer. ¬¬

Esqueçam, por um momento, que o leitor está elogiando meus textos. A questão não é essa. O que me chamou a atenção é que ele quase pede desculpas por invadir meu blog postando um comentário. Ele se justifica, a todo o momento, para dizer que gostou dos meus textos, e ainda pede desculpas por “ter escrito demais”. O comentário dele chega a ser irritante (no melhor sentido que essa palavra pode ter) de tão bem-educado.

Sinceramente, dá gosto receber um comentário assim. Não apenas pelos elogios, ou pelo fato de ele ter lido o blog inteiro, de ponta a ponta (isso é um dos sonhos de qualquer blogueiro). Se você tem um blog, sabe que receber um comentário destes faz você repensar seus próximos textos, já que uma das suas metas, agora, é não decepcionar esse leitor em especial. Afinal, é o mínimo que você pode fazer como agradecimento pelo sujeito ter lido, em poucos dias, absolutamente tudo o que você escreveu.

Do outro lado da moeda, ainda estou com o comentário da Plagiana engasgado aqui. Sei que eu não deveria dar muita atenção a isso, mas a vantagem de você ter 1.60m de altura é que você tem um álibi perfeito para se comportar de forma infantil em determinados momentos. Se vocês não leram o texto dela – quer dizer, acho que é dela, pois nada me garante que não seja plágio – está aqui abaixo:

Ofensas eu não aceito cara, primeiro porque nem de ti copiei, plagiei ou fiz nada do tipo, minha PARCEIRA de blog que copiou de um lugar chamado "crônicas da vida" e que por algum motivo estava lá sem autor, eu NUNCA entrei antes em seu blog, e outra, TODOS os textos copiados no meu blog tem direitos autorais.
Quando resolver ofender alguem veja o AUTOR DO POST e não saia xingando por aí a esmo. Okey?
Bejinho, e fique bem!

Deixando de lado o festival de contradições – ela diz que o texto não é plagiado, mas “copiou” de outro site; diz que não foi ela quem postou, mas sim uma amiga, porém o post (que já foi tirado do ar) estava assinado por ela – o que me incomodou foi o tom da resposta. Se eu copio o texto de alguém e essa pessoa vem reclamar comigo, eu pediria desculpas e, morrendo de vergonha, inventaria uma desculpa do tipo “esqueci de linkar você!” e colocaria um link na mesma hora.

A última coisa que eu faria seria entrar no blog da pessoa plagiada e ainda brigar com ela. Só faltou ela dizer que o texto “nem era grande coisa, mesmo”.

Mas, enfim, colocando os comentários destes dois leitores na mesa, lado a lado, temos um retrato do mundo virtual de hoje. De um lado, alguém educado, que coloca suas opiniões de forma educada e abre mão do anonimato para isso; de outro, alguém que não aparenta ter muita ética, e ainda briga para defender seus direitos – independente deles serem inexistentes no assunto em questão.

Obrigado, Fox, por mostrar que o mundo virtual – que é onde publico meus textos – ainda tem esperança.

Obrigado, Plagiana, por me lembrar de que ainda temos que muito melhorar.

E, já que estamos falando de leitores, como alguns de vocês devem ter notado, atualizei alguns dias atrás as listas dos Top 5. O post “E na boa?” entrou para o panteão do Champ graças a diversos leitores que resolveram imortalizar a Carmilla no blog. Para se ter uma idéia da campanha feita por alguns leitores, vejam o comentário da Pamela no post em questão (é um dos últimos).

Já o esférico Sherman não teve a mesma sorte. Apesar de tentar conseguir seus 15 kilos, quer dizer, minutos de fama aqui no blog, chegando até a ganhar dois posts (este e este), os comentários recebidos não tiveram o peso (desculpe, Sherman, não resisti) necessário para os levarem ao Top 5. Ou seja, foram divertidos, mas acabaram se tornando mesmo uma espécie de gordura (ih, desculpe de novo) aqui no blog. O que é uma pena, porque eu, pessoalmente, achei os dois textos bem redondinhos.*

Posto isso, continuamos com a programação normal. Mas, dando uma colher de chá ao nosso amigo que se mostra “faminto” por respostas (e que sofre de falta de classe crônica), deixo o Top 5 apelidos para baixinhos que o Sherman pode usar sempre que deseja me ofender no blog:

1. Cantor de rádio de pilha

2. Ator de microfilme

3. Salva-vidas de aquário

4. Lenhador de bonsai

5. Atacante de futebol de botão

* A palavra “gordo” não foi usada neste parágrafo.