Antes de continuarmos, quero mostrar trechos destes comentários.
"A capacidade que você teve de se expor nesse texto mostra a coragem que você tem dentro de si. A confiança que você teve de se abrir aos leitores mexeu demais comigo. Eu tenho um carinho imenso por esse blog por causa dessa generosidade que você tem de ao mesmo tempo escrever para você, escrever para os seus leitores. Essa via dupla que você tem aqui, e não digo só aqui nos comentários, me refiro aos próprios textos mesmo, é que me cativou muito."
"Eu sempre pensei que se tu mostrasse o teu rosto o blog perderia a graça, do mesmo jeito que depois que se vê um filme o livro perde um pouco da magia de imaginar cenários e personagens. Há algumas semanas tu começou a colocar fotos com o teu rosto, mas de nenhum modo o Champ perdeu o sentido. Parabéns pela bem sucedida aproximação com os leitores, coisa que tu sempre disse que era o mais importante."
Neste momento que estou vivendo, tenho escrito sobre muita coisa importante para mim, e já fazia tempo que eu estava com vontade de escrever sobre os meus leitores. Sim, sobre vocês.
A ideia vinha e voltava para a minha cabeça o tempo todo, e estes dois comentários vieram me mostrar que era hora de fazer isso. E já aviso de antemão que este é um daqueles “textos não planejados”, no qual eu vou pensando nele enquanto escrevo – isso pode sacrificar a qualidade do texto, mas me faz muito bem, então vai valer a pena.
Enfim, são anos e anos de blog. Ou melhor, de blogs – no plural. Convites para escrever em outros blogs. Dois livros publicados. Parcerias, publieditorais e por aí vai. E eu não teria conseguido nada disso sem vocês. Absolutamente nada. Afinal, uma pessoa que cria algo depende do público para sobreviver, e daí vem o enorme respeito com que eu sempre fiz questão de tratar os leitores aqui no blog.
Contudo, hoje não estou falando somente como escritor, mas também – e principalmente como pessoa. E é como pessoa que afirmo ter muito orgulho, muito orgulho mesmo, de ter vocês aqui, lendo o que escrevo. Porque, esta via de mão dupla que eu construí no blog (como disseram nos comentários acima) não foi construída com qualidade de texto ou com meia dúzia de piadas boas, mas sim com respeito e, principalmente, com honestidade.
Eu escrevo exatamente aquilo que sou. E creio é daí que vem esta proximidade com os leitores. Eu escrevo sem montar armadilhas ou tentando passar a impressão de ser algo que não sou – caso contrário, eu teria sido desmascarado no momento em que alguns leitores viraram amigos pessoais meus. Às vezes vocês dão risada aqui; às vezes vocês choram. Mas é sempre honesto. É sempre verdadeiro.
Isso aumenta ainda mais o orgulho que sinto em saber que vocês estão aí, em outras cidades e estados, até mesmo em países diferentes. E não tem absolutamente nada a respeito de ego, de vocês fazerem parte da minha vida. Sim, vocês fazem. Vocês mostram apoio a mim quando é preciso, se preocupam quando eu não estou bem, sentem falta do meu cachorro. A lista seria imensa.
Mas, novamente, caímos na via de mão dupla. Mais que isso, vocês compartilham suas histórias aqui. Suas experiências, suas vontades, suas piadas. Hoje, o Champ é formado por dois blogs: o meu blog, que são as postagens; e os comentários, que se tornaram um blog coletivo, do qual participo.
O que estou tentando dizer é que sinto orgulho por vocês fazerem parte da minha vida, mas meu orgulho maior é por permitir que, com meus textos, eu faça parte da vida de vocês.
Vocês não fazem ideia da honra que eu sinto com tudo isso. Como pessoa e como escritor.
Às vezes, até me assusto (no melhor sentido possível) com a intimidade que eu e vocês temos. Outro dia mesmo, conversando com a Ana ela argumentou que “você tem fãs”. E eu devolvi o que sempre respondo nestas horas: “não, não tenho. Eu tenho amigos”. E desde o post Uma Verdade Inconveniente, eu tenho mais e mais certeza disso. Desde o post Uma Verdade Inconveniente, vocês ganharam outra dimensão para mim, ainda maior do que antes – e olhe que antes mesmo já era enorme.
E, vejam bem, não estou aqui tentando vender nada, muito menos vender a mim mesmo como “alguém legal”. Não sou candidato a nada, muito menos tentando conquistar vocês com o truque do “ele tem um blog legal e me trata como amigo”. Não, conquistar leitores se faz com textos e só – mesmo porque uma mentira destas jamais se sustentaria por muito tempo.
Mas meu ponto é: não estou tentando mostrar que sou uma pessoa boa, ou legal, ou nada de bom. Aliás, é justamente o contrário. Exponho minhas falhas aqui, meus questionamentos. Busco, com vocês, respostas para situações que não entendo.
E tenho muito mais defeitos que qualidades – aliás, talvez minha maior qualidade seja a capacidade de admitir que eu tenha muitos defeitos. Já errei? Muito. Já errei com gente que não merecia, já errei com gente que merecia (o que ainda considero um erro, já que parto do princípio que “o erro de um não justifica o erro do outro”, como meu pai sempre me ensinou). E já errei muito comigo, como qualquer outra pessoa. Não tento ser perfeito, tento apenas dar o melhor de mim.
Mas me orgulho de nunca ter errado com vocês. Tento sempre ser o mais acessível possível, dando atenção a todos os leitores. Quando não respondo no Twitter, é porque não vi. Nos últimos tempos, muitos leitores me mandaram e-mails e, como já disse, alguns eu não respondi por causa de tudo o que estou passando e que, às vezes, parece ser uma barreira.
Mas, por outro lado, nunca me furtei a ajudar algum de vocês com um texto, revisando ou dando palpites ou azeitadas quando sou solicitado. E sempre guardo para mim, sem fazer propaganda disso. E sou sincero: quando o texto está ótimo, eu faço questão de dizer isso para a pessoa, da forma mais humilde que encontro – sempre tratando como um colega de letras.
É assim que sou. Não sinto inveja de um texto melhor que o meu; pelo contrário, sou o primeiro a elogiar. Não sinto inveja de blogs melhores que os meus (e olhe que são muitos); pelo contrário, tento aprender com eles. Mas sei que existe muita gente que faz o contrário. Como a Natalia Máximo disse neste post, “gente a milhares de quilômetros de distância torcendo para dar merda na vida alheia”. Verdade. Infelizmente, verdade.
Eu? Eu prefiro cuidar de mim e me esforçar para entregar a vocês sempre o melhor texto que eu puder fazer – é a minha obrigação como criador dos blogs. Um texto que faça vocês rirem sem eu precisar inventar situações dignas de filmes ou algo que não sou; um texto que faça vocês chorarem sem eu precisar bancar o coitadinho. Porque isso eu tenho orgulho de dizer que nunca fiz.
Aliás, algumas pessoas vieram me alertar a respeito de comentários soltos na internet sobre eu ter inventado essa história de depressão para chamar a atenção. Bem, como eu disse, são sete bilhões de pessoas e a internet é grande demais. Optei em pensar que os comentários não eram direcionados a mim e continuei tocando minha vida, que certamente é “um pouco” maior que isso. Da mesma forma que reagi ao ser acusado de ter "me tornado uma pessoa chata" pouco antes da depressão ter sido diagnosticada.
Enfim, cada um escolhe o caminho que quer.
Eu, deste lado, me sinto cada vez mais orgulhoso do caminho que escolhi, e de ter adotado a escrita como forma de ganhar a vida. E não por salário ou fama, mas porque me faz bem. E também porque eu conquistei um bem precioso demais com ela: toneladas de amigos que, muitas vezes sem sequer ter me encontrado pessoalmente, estão aqui, torcendo, compartilhando, questionando, aconselhando.
Sinceramente? Isso não tem preço. Porque isso não se conquista de forma fácil. Uma vez eu disse que o maior bem do Champ eram os leitores. E neste momento, eu consigo justificar isso contando uma história que rolou semana passada.
Eu estava em uma reunião de trabalho e foi dito que a meta de um texto não é mudar a vida de uma pessoa, mas sim mudar o dia dela, melhorar o dia dela de alguma forma. Eu sempre concordei com isso e é o que tento fazer aqui há anos. Uno o útil ao agradável: sempre adorei escrever (para mim, é como se fosse um videogame) e, se eu consigo colorir um pouco o dia de quem lê, melhor ainda. Esta é a minha função como escritor.
Mas, já faz muito tempo, muito tempo mesmo, que a cada comentário que vocês postam aqui, vocês melhoram muito o meu dia. Adoraria citar o nome de todos vocês, mas poderia acidentalmente deixar alguém de fora. Mas saibam que estou me referindo a todos vocês – mesmo aqueles que ainda não comentaram aqui, e que adoraria que se apresentassem agora.
Eu não tenho como agradecer a vocês por isso. Não da forma que seria merecido. Assim, eu pretendo apenas continuar entregando o melhor texto possível, e sendo sempre do jeito que sou. É o mínimo que posso fazer por vocês. E é o que farei, sempre.
E encerro este texto me curvando em agradecimento. Afinal, se eu sou artista por escrever, vocês também são. E, muitas vezes, melhores que eu. A prova disso está nos comentários que vocês deixam aqui.
Este texto é dedicado a todos os leitores,
e é uma forma de agradecer ao Gilgomex,
que publicou este post sobre mim na semana passada.
Obrigado, irmão.












