30 de agosto de 2013

Rob Gordon X Porta do Santander



Aconteceu há alguns minutos, quando tive que ir até o Santander resolver umas coisas.

Já saí de casa com o meu Sentido de Aranha disparando feito um sino de igreja na hora da missa, porque sempre que eu vou ao banco, alguma coisa acontece. E, em 50% das vezes, é algo envolvendo o maldito detector de metais da porta.

Eu não entendo aquele detector de metais. Na verdade, ele também não me entende.

Já tivemos várias discussões e uma vez, anos atrás, eu arrebentei uma porta do Itaú porque o detector de metais não me deixava sair do banco. Sim, sair. Ou ele achou que eu havia roubado um clipe de papel do banco, ou ele entendeu que eu era um criminoso em potencial, e deveria ser mantido dentro do banco até a polícia chegar, no melhor esquema Minority Report – A Nova Lei. Meti o pé na porta e saí – meia hora depois, passei na frente do banco e dois técnicos estavam consertando a porta.

Enfim, o que me incomoda nos detectores de metais é que, aparentemente, somente quem pode entrar no banco é barrado. Quanto menos metal você tiver, maiores as suas chances da porta travar. Aliás, se os detectores de metal do banco fossem usados numa questão de vestibular, ela seria mais ou menos assim.

Qual destas pessoas será barrada no detector de metais de um banco?

(  ) Homem de Ferro
(  ) Dr. Destino
(  ) Homem de Aço
(X) Você

E é sempre assim. Eu sou barrado. Você é barrado. Ladrões não são barrados. Sequestradores não são barrados. Tropas Imperiais – mesmo usando roupa de metal – não são barrados.

Claro que agora, no Santander, isso aconteceu. Entrei no banco e já fui direto deixar tudo o que eu tinha de metal: uma chave, uma carteira (que deveria ter algumas moedas) e um isqueiro. Fui até a porta, girei...

E travou.

Fui surpreendido por uma voz robótica, que parecia vir de todos os lugares. Era quase como se o C-3PO tivesse se tornado onipresente e encarregado da segurança do banco.

- Senhor, foi detectado o excesso de metal em seus pertences.

- Sim, eu deixei todos eles ali, à mostra. Você pode detectar um monte de metal ali, depois que me deixar entrar.

- Senhor, o metal foi detectado em você. A porta não irá abrir.

Olhei para cima e vi um pequeno alto-falante. Era dali que vinha a voz. E era um alto-falante de metal.

- Você é um alto-falante de metal. Talvez seja você que esteja sendo detectado, já pensou?

- Senhor...

- Eu não tenho nada de metal. E você é feito de metal, e acha que o problema é comigo. O problema é com você. Você está detectando a si mesmo. Sua programação está falha.

- Como, Senhor?

Desisti. A brincadeira seria boa, mas aparentemente não era à prova de imbecis. E eu estava com pressa.

- Nada.

- O senhor tem algo de metal?

- Olhe, só aqui no meu iPod tem um monte de coisa. Iron, Judas, Megadeth, Anthrax. Você curte também?

- Senhor?

- Tem Motörhead também. Mas o próprio Lemmy diz que eles não são metal, são rock. Então, acho que não vai influenciar.

- Senhor...

- Tem AC/DC também. Mas só a imprensa americana fala que eles são metal. Não são. AC/DC é hard rock, como você deve  saber.

- Senhor, eu preciso que todos os objetos de metal sejam retirados.

Chega de brincar.

- Certo. Olhe, é o seguinte, eu posso ficar pelado aqui que não vai adiantar, por causa do meu joelho. Eu tenho um pino no joelho.

Mentira. Sim, meu joelho até hoje amarga anos e anos de futebol de rua. E ele estala o tempo inteiro – ou seja, se tivesse alguma coisa dentro não seria um pino, mas sim uma castanhola.

- O pino no joelho do senhor é de metal?

- Sim. É eu coloquei quando sofri um acidente no Canadá. É de adamantium.

- Ok. O senhor pode entrar.

Aproveitando que 1) tenho adamantium no corpo (ao menos, na versão oficial divulgada ao androide do Santander) e 2), tenho 1.60m, a oportunidade era boa demais para ser perdida.

Olhei para cima e sorri:

- Valeu, xará.

E entrei no banco torcendo, claro, para ser atacado por ninjas e ter que fatiar alguém. E descolar um charuto e uma cerva.

5 comentários:

Hydrachan disse...

Hahahaha Muito bom!!!

Existe uma lista de coisas que o Demônio enviou à Terra para infernizar a vida das pessoas.
Porta de banco com detector de metais, é uma delas.
Impressora é outra, mas aí é outro caso.

Meus parabéns! Você venceu uma pequena batalha com o Diabo. Mas ele também deve estar rindo numa hora dessas.

;)

Fernando Santos disse...

Bom mesmo! não sei o que é pior: porta com detetor de metais ou telemarketing!

Michele disse...

Porta de metal é um porre mesmo. Sabia que na maioria dos Itaú elas não existem mais? Melhorou MUITO minha vida!

A ao Fernando Santo... realmente... complicado isso!

Adônis disse...

Marvin??? hahahaha

Wesley disse...

Ou você poderia simplesmente ter feito como um senhor que vi ontem na Caixa da Vital Brasil: Sacou um canivetão do bolso, colocou no cesto, entrou e pegou seu canivete do outro lado. O cara da voz está atrás de uma cabine blindada e nem vê o que colocam ali. Não fiquei pra ver o resto da história...