15 de julho de 2013

Os Filmes que Esqueci

Foi em algum momento de 1980. Acredito que tenha sido durante a tarde.

Neste dia, entrei no cinema do Shopping Ibirapuera com a minha mãe para assistir a Apertem os Cintos... O Piloto Sumiu!

Lembro-me de pouca coisa desse dia. A primeira delas é que, como o filme era legendado e eu ainda não sabia ler, fiquei sem entender quase nada do que acontecia na tela – provavelmente, nós fomos ao cinema somente porque eu insisti.


Este foi o segundo filme que vi nos cinemas. E o primeiro que me lembro.

Assim, em um momento, perguntei para a minha mãe o que eles estavam falando. E ela respondeu que estavam falando algo sobre um sujeito no avião ser um jogador de basquete. Provavelmente era alguma piada envolvendo o Kareem Abdul-Jabbar, que está no filme, mas eu continuei sem entender nada.

A outra coisa que lembro é de ter feito algo que eu faria ainda em muitas outras sessões, já com a luz apagada. Olhei para trás e observei aquele pequeno quadrado de luz saindo da cabine de projeção, maravilhado com a ideia de que aquela luz se alargava até virar um filme inteiro na tela.

Esta não foi a primeira vez que fui ao cinema. Mas é a primeira da qual me lembro. Reza a lenda que meu pai atravessou a cidade para nos levar ao único cinema que estava passando Superman II. Eu estava junto, eu assisti ao filme, sei que isso aconteceu... Mas não me lembro de nada sobre isso.

Mas, apesar de não ter nenhuma recordação deste dia, é justo que a primeira vez que eu tenha entrado num cinema tenha sido por causa do meu pai. Afinal, foi a graças a ele que me apaixonei por muitas coisas, e cinema é uma delas. Tive a sorte de ter um pai apaixonado por cinema, o que me abriu os caminhos para isso – convenhamos, é fácil você gostar de algo quando tem um “guia” segurando sua mão e lhe explicando não somente o que é bom, mas sim porque é bom.

Assim, eu comecei a ver clássicos do cinema desde muito cedo, dentro de casa. Claro que íamos ao cinema com frequência. Rocky IV, De Volta para o Futuro, Os Goonies... Essas são as que me recordo bem, sem precisar forçar a memória. Certamente existem outras. Mas a minha paixão por cinema não nasceu somente nas salas escuras, mas sim na sala de casa.

Muito disso se deve ao fato de termos comprado um videocassete antes de muita gente, ainda em 1980 – isso porque moramos dois anos em Manaus, e os primeiros aparelhos de videocassete do país estava ali, na Zona Franca. Assim, eu e meu irmão passávamos as férias deixando o videocassete gravando o filme da madrugada da Rede Globo – que já se chamava Corujão – para assistirmos no dia seguinte.

Assim, eu descobri muitos filmes bons, estrelados por atores e assinados por diretores que eu não sabia o nome, muito menos que seriam pessoas que eu veneraria no futuro. Um deles era uma comédia de terror que satirizava os filmes de vampiros, dirigido por um sujeito que, anos depois, eu aprenderia que se chama Roman Polanski.

O filme se chama A Dança dos Vampiros.

E eu enlouqueci.



Não é o meu filme preferido. É o filme da minha vida.

Acredito que toda criança tem um filme que é dela. O meu foi A Dança dos Vampiros. Eu assistia ao filme seis, oito vezes por dia. Era quase minha música ambiente de infância: ficava passando na TV enquanto eu fazia outras coisas. Quando ele acaba, eu rebobinava a fita e passava de novo. Meu irmão tinha anotado quantas vezes eu assisti ao filme na vida. Esse número se perdeu, mas era coisa de 300 e poucas vezes.

Com 10 anos de idade, eu já sabia o filme inteiro de cor, tanto em inglês e português – eu tinha as duas versões gravadas. Mas, com 10 anos de idade, eu já sabia que o cinema não era feito somente dos vampiros do Polanski ou dos filmes que eu ia ver nos cinemas. Isso porque meu pai me apresentou a um mundo formado por filmes como Guerra nas Estrelas, Sete Homens e Um Destino, 2001 – Uma Odisseia no Espaço, Fugindo do Inferno.


Um dos motivos de eu querer ser o Steve McQueen quando criança.

Todos os dias, eu lia a programação de filmes do jornal. E quando iria passar um filme que eu gostava ou queria ver – outras obsessões minhas, quando criança, eram Inferno na Torre e o western Ninho de Cobras – eu começava imediatamente a campanha de poder ficar acordado até mais tarde, para assisti-lo (e gravá-lo sem comerciais, para minha coleção).

Mas acho que eu comecei a entender de verdade a história do cinema quando descobri os famosos guias de Vídeo da Editora Abril nas bancas – o primeiro tinha uma capa toda vermelha e foi lançado, se eu não me engano, em 1988. A partir daí comprei todos os anos, junto com os guias da extinta Vídeo News que encontrava pela frente.

Para mim, eles não foram apenas fonte de consulta, mas leitura diária: eu passava o dia inteiro lendo críticas de filmes famosos, buscando outros filmes de algum ator que admirava, dos mesmos diretores, devorando sinopses. Os guias eram anuais e sempre que um era lançado, eu já havia decorado o volume anterior de ponta a ponta. Não é à toa que eu passei boa parte da minha adolescência sabendo, por exemplo, o ano de um filme que eu nunca tinha assistido.

Mas não se engane: eu assistia sempre que podia. Foi nesta época que comecei a rodar as locadoras do bairro em busca de filmes clássicos – o dia que encontrei uma locadora que tinha uma cópia de Os Sete Samurais e uma de Era uma Vez no Oeste eu quase dei uma festa em casa. Alugava os clássicos que ficavam esquecidos nas prateleiras e devorava. Mas isso não saciava minha vontade de cinema, apenas fazia com que ela aumentasse.


Eu comecei a ficar adulto. E os meus filmes também.

Ao mesmo tempo, gravava filmes da televisão e comecei a minha coleção de filmes – talvez você ache loucura, mas até pouco tempo atrás eu me lembrava dos quatro primeiros filmes exibidos quando a Globo criou o Tela Quente (hoje, lembro apenas dos dois primeiros: O Retorno de Jedi e Os Caçadores da Arca Perdida. Se eu não me engano, depois vieram Alien – O Oitavo Passageiro e Comando para Matar).

Logo, a coleção aumentou quando comecei a copiar filmes das locadoras, juntando o videocassete de um amigo meu. Em pouco tempo, eu tinha uma videoteca respeitável, que reunia tanto grandes filmes da minha geração como grandes clássicos.

Os anos se passaram. E, quando eu tinha por volta de vinte anos, meu pai entrou no meu quarto e pediu que eu sugerisse um filme da minha coleção para ele, acrescentando que:

- Afinal, hoje, você entende mais que eu sobre cinema.

Talvez fosse verdade. Eu já era adulto e começava a me aventurar por filmes cada vez mais clássicos, mas sem perder o gosto pelos filmes modernos. E começava a estudar mais a fundo cineastas e suas obras. E, mais importante que estudar mais a fundo, eu começava a entender mais a fundo.

Perto dos 20 anos, o cinema definitivamente fica adulto na minha vida.

Isso, somado ao fato de eu ler sobre cinema sempre que podia fez com que eu aprendesse muito sobre cinema por conta própria – e talvez de forma até mesmo obsessiva. Eu lia tanto a respeito que acabei decorando informações sobre muitos filmes antes mesmo de assisti-los, e isso sem falar na minha mania em decorar frases de filmes, que já era respeitável.

Ao mesmo tempo, eu começava também a minha coleção de trilhas sonoras de filmes. Durante muito tempo eu ouvia apenas isso dentro de casa, comprando CDs – normalmente importados e caríssimos. Eu lia quadrinhos, eu gostava de futebol, eu adorava rock, mas eu respirava cinema.

Nada mais justo que eu fosse trabalhar com isso. Primeiro, dentro da própria faculdade. Me tornei monitor de uma matéria sobre história do cinema e passei dois anos fazendo isso – cheguei até mesmo a dar aulas quando a professora faltava. Depois, como indicador de filmes na locadora que tinha o maior acervo da cidade – diziam que a loja em questão tinha o maior acervo da América Latina.

Depois, escrevendo.

Como leitores mais antigos devem saber, eu passei mais de dez anos da minha vida trabalhando dentro de redações. O que talvez muitos não saibam – já que eu normalmente fiz questão de manter este blog afastado da minha carreira antiga – é que 99% do que eu escrevia era voltado a cinema e vídeo. Mas não se enganem: eu não fui contratado por saber escrever bem. Eu aprendi a escrever de verdade dentro de uma redação (da mesma forma que eu aprendi a ser chefe de redação trabalhando como chefe de redação). Eu fui contratado pelos meus conhecimentos sobre cinema.

Passei dez anos escrevendo sobre isso. Entrevistei muita gente que admiro e reuni algumas histórias para contar. Tomei caipirinha com o Viggo Mortensen, fumei charuto com o Ron Perlman e tremi na frente do Roman Polanski (quando fiz uma pergunta sobre A Dança dos Vampiros). Qualquer dia eu conto algumas dessas histórias aqui.

Mas, mesmo escrevendo profissionalmente sobre cinema, o amor nunca se foi. A prova disso é que ainda hoje, às vezes, eu estou no cinema e olho para trás, maravilhado com aquele facho de luz que corta a escuridão e me leva para um mundo totalmente novo, na tela.

Entretanto, com tudo o que aprendi sobre cinema, alguns filmes permanecem desconhecidos para mim. E, pior: são filmes que assisti. E são filmes que me marcaram.

Explico melhor: existem alguns filmes que vi na minha infância, a maior parte deles antes de ir para Manaus – provavelmente vendo à noite na TV, sem meus pais saberem – e dos quais não me lembro do nome, muito menos de atores. Lembro apenas uma ou outra cena que me fizeram arregalar os olhos na sala e que me marcaram profundamente, mais até que filmes que vi e revi.

Talvez estes sejam os filmes que fizeram minha paixão pelo cinema nascer, mas não sei nada sobre eles. E sempre pensei neles como algo perdido no tempo. As cenas que me marcaram podem estar totalmente deturpadas pela minha memória, e às vezes, parecem lembranças de sonhos que escapam poucos minutos depois... Com a diferença de que elas permanecem aqui.

Curiosamente, eu sempre achei que estes filmes seriam um dos grandes mistérios da minha vida. Até pouco tempo atrás, pensava nessas cenas com a sensação de que nunca descobriria nada sobre esses filmes, e que as coisas são assim mesmo. Comparando em grosso modo, era quase uma saudade conformada.

Contudo, de uns tempos para cá, comecei a pensar muito nelas. E decidi que quero encontrar estes filmes – afinal, junto com os primeiros filmes que meu pai me mostrou, algo do meu caráter foi moldado por eles (ou, pelo menos, pelas cenas que ficaram tatuadas no meu cérebro).

O primeiro deles, aparentemente, é o mais fácil – pois eu tenho mais informações. Foi um filme que alugamos (numa época em que as locadoras ainda tinham somente fitas piratas) com o nome de III Guerra Mundial. Tratava-se de um exército de americanos enfrentando soldados russos ao redor de uma base no Ártico – e a cena da que me marcou demais é a final (para não dar spoilers, basta dizer que envolve uma granada). Pesquisando aqui, cheguei a conclusão que as chances de ser Estação Polar Zebra (de John Sturges, mesmo diretor de Sete Homens e Um Destino e Fugindo do Inferno) são grandes. É algo a ser checado.

Já no segundo filme o nível de dificuldade aumenta. Tudo o que me lembro é que o roteiro girava em torno de dois alpinistas: um velho e outro moço. E só me lembro disso graças a uma cena em que a corda do alpinista mais jovem escapa e o velho, ao tentar segurá-la e impedir que o parceiro despenque, faz com que suas mãos comecem a se encharcar de sangue. Nunca esqueci o close nas mãos vermelhas do velho e aflição que senti ao ver aquilo na tela com quatro ou cinco anos de idade. Dei uma pesquisada aqui e descobri que pode ser A Maldição da Montanha, com Spencer Tracy e Robert Wagner – ao menos, é o único filme antes dos anos 70 que tem personagens parecidos. Mais uma vez, é algo a ser checado.

O terceiro filme apresenta um desafio enorme. Não me recordo de absolutamente nada da história, nem da cara dos atores. Lembro apenas que era um filme de terror – com um jeitão de produção da Hammer – e que, em uma cena, o sujeito saía de uma casa em direção ao jardim. Descia em um jardim de pedras e saía num enorme gramado, com moitas... E de repente, braços brancos começavam a sair por cima das moitas, como se fossem pessoas mortas e enterradas ali, que sentiram a presença do sujeito. Sinceramente? Eu nunca senti tanto medo na minha vida quando vi esses braços. E esse filme, eu não faço ideia de como começar a procurar.

Se alguém souber, favor avisar aí nos comentários.

Mas, se este filme ficar perdido para sempre na memória, não tem importância. Sei que ele está lá, guardado em algum lugar do meu cérebro, junto com os outros filmes que assisti na infância.

Afinal, cada um destes filmes é um pedaço da minha vida. E, bons ou ruins, amo cada um deles – especialmente porque muito do que sou hoje, eu devo a eles. A eles e àquela luz que rasga a escuridão do cinema até mergulhar na tela.

12 comentários:

R. disse...

Muito mais digno do que eu, que tinha como filme preferido da infância "A dama de vermelho". Vou ver se Otavio consegue te ajudar com os filmes esquecidos. Bjs.

Guilherme disse...

Tenho algumas lembranças assim da infância, meus filmes eram menos clássicos mas foram igualmente responsáveis por me tornar fã de cinema. Lembro de tardes assistindo filmes como os Mortos Vivos e Chuck - O Boneco Assassino na casa da minha prima, meu tio tinha um aparelho de VHS e eu passava o final de semana lá só pra assistir os filmes que ele tinha, até que assisti O Iluminado e ual!!!

Sobre esse terceiro filme não posso te ajudar, não faço ideia de qual seja, boa sorte na busca.

uma coisa "curiosa", O Corvo é minha primeira lembraça de filme, sempre que paro pra pensar acabo lembrando dele, mas sei que assisti outros filmes antes, sei que assisti Mortos Vivos e Chuck - O Boneco Assassin por exemplo, mas O Corvo é a primeira lembrança que tenho.


Abraço.

Varotto disse...

Sei como é esse sentimento de querer lembrar o nome de um filme para correr atrás. Já aconteceu comigo algumas vezes e, felizmente, em todas as ocasiões eu consegui chegar lá. Nem que tivesse que fazer uma busca na base do IMDB, limitada por décadas, ou por tema, e olhar, um por um, centenas e centenas de resultados até encontrar um que tocasse o sino. E essa minha obsessão por ter estes filmes é grande, mesmo que os filmes em si não sejam nada demais, ou ruins mesmo. Nessa onda, há algum tempo consegui comprar, em DVD, Digby, o Maior Cão do Mundo.

Tenho estado em uma onda de rever alguns que não via há décadas. Por estes dias assisti a Os Meninos do Brasil e, ontem, a Serpico. E hoje talvez role Todos os HOmens do Presidente.

Também colecionei a Video News por muito tempo.

Varotto disse...

Aproveitando o assunto, veja aí:

https://www.amazon.co.uk/dp/B008D1TNCE/ref=as_li_ss_til?tag=bjc-21&camp=2902&creative=19466&linkCode=as4&creativeASIN=B008D1TNCE&adid=0DE7QF77DC8XQANE2CYZ&

Matheus disse...

Eu tenho 23 anos, sou um pouco mais novo que você, conheço um pouco menos (leia-se absurdamente menos) de cinema que você, e quando me vem a cabeça um filme que me marcou na infância, eu lembro muito de Twister... quando ele foi lançado, não o assisti no cinema, mas quando saiu em cassete, lembro que fui à locadora com uns 7 anos de idade, vi a capa daquele filme e não consegui parar de querer assistir ele, desde então, assisti umas 50 vezes. Lembro direitinho quase o filme todo, mas cenas que me marcaram foram a cena do furacão levando embora a tela de um cinema drive-in enquanto passava o filme, aquilo foi épico pra mim, achei sensacional, lembro da cena que eles se escondem de um tornado dentro de uma oficina mecânica e de repente uma calota voadora faz um risco na testa de um cara e ele fica lá com cara de pasmo, como se tivesse visto um fantasma, tem também uma cena que eles estão fugindo de um tornado, aí encontram uma fazenda e entram num lugar lá, mas aí tá cheio de ferramentas, ceifadora, facão, eles se olham e saem correndo na hora, então arrumam um cinto, se amarram num cano de água eu acho, aí o furacão chega e eles começam a voar segurados pelo cinto no meio do furacão!!! hahahaha Lembro que comemorei como se fosse a final de um campeonato quando eles conseguem lançar as bolinhas do Projeto Dorothy dentro de um tornado F5 e a parte que mais me empolgou e me fez comemorar foi quando a Helen Hunt olhou pra tela do computador e os dados do furacão começaram a ser transmitidos. Cara, pensando agora, aquilo ali realmente marcou a minha infância, empolgo até hoje de pensar nisso!!
Bem, não é nenhum clássico, mas foi um puta filme que me marcou muito!!

A propósito, essa mania de olhar pro quadradinho e ficar viajando naquela luzinha passando até sair na tela eu também tenho, minha namorada inclusive acha que eu sou doido e ela sempre ri quando vamos ao cinema e eu olho pra trás, não é uma coisa que faço em todos os filmes, mas em grande parte!

Matheus disse...

A propósito, o primeiro estado americano que eu conheci foi Oklahoma só por causa desse filme!! hahahahaha Porque eu sei que está no corredor de furacões dos EUA.

Sil disse...

Adorei este texto! Eu me lembro de muitos destes filmes que marcaram sua infância e infelizmente não me lembro das minhas primeiras vezes no cinema a não ser as matinês de domingo com desenhos da Pantera Cor-de-rosa.
Mas eu me recordo de filmes marcantes e assustadores como Inferno na Torre e Terremoto.
E de filmes sem sentido como Curtindo a Vida Adoidado, exibido exaustivamente na Sessão da Tarde.
Mas meu marco no cinema foi a estréia de Guerra nas Estrelas em 1978. Cinema lotado de crianças, gritaria infernal quando as luzes se apagaram e então, meu mundo se resumiu à tela à minha frente.
E, naquele instante, apaixonei-me perdidamente pelo cinema.

Arielle disse...

Lembro de assistir no Corujão, escondida, numa madrugada insone, Ardida como Pimenta. Não lembro absolutamente nada do filme, mas lembro que adorava e virou rotina de tempos em tempos acordar de madrugada pra ver se estavam reprisando...

Lembro também de ter assistido umas 300 vezes "O Pássaro Azul". Recentemente fui procurar assistir e fiquei frustrada, porque a cena que mais me marcou no filme simplesmente não existia... Aí que descobri que existiam duas versões, e a que eu assistia era o remake de 1976. Até agora não tive coragem de reassistir com medo de quebrar o encanto...

Na mesma fita em que meus pais gravaram esse filme também tinha Duna. A cena do Shai-Hulud saindo da areia ficou gravada profundamente na minha memória, mas não lembrava de nada do filme. Reassisti depois de ler o livro pela primeira vez e... fiquei frustrada. Acho que fui contaminada pelo livro, sei lá.

Varotto disse...

E "A Gang dos Dobermans"?

Otávio Almeida disse...

Ótimo texto, cara! Como sempre. E, como dizem, passou um filme inteiro da minha vida diante dos meus olhos.

Abs!

Marcus Vinicius disse...

Mais um ótimo texto.

Dos filmes de infância, me lembro muito daqueles infantis com uma pitada de joselice, como o Pestinha (1 e 2) e Batutinhas. Também teve Space Jam, que eu era muito fã, especialmente porque era um enorme fã dos Looney Tunes. Outros que lembro dessa época é o "Quero ser grande" do Tom Hanks e o "Curtindo a Vida Adoidado".

Mas filme mesmo que eu vi e me intrigou pela primeira vez foi Seven. Tinha apenas 9 anos quando vi pela primeira vez e foi no VHS, quando vi com meus avôs.

Elise Garcia disse...

Eu era obcecada pelo filme Meu Primeiro Amor entre os 9-11 anos. Eu queria ser a Vada. Eu assisti tanto aquele filme, e a continuação, que eu decorei TODAS as falas dos DOIS filmes. Hoje em dia eu sei ainda boa parte dos diálogos do primeiro de cor, e ainda choro de soluçar na que eu considero a cena mais triste entre todos os filmes que eu já assisti.

Quanto a filmes que me marcaram e eu não lembro nada sobre, há dois. Um deles eu me lembro que era uma fita dupla, a história se passava dentro de um avião que havia entrado numa ruptura temporal, acho, e a cena que eu lembro mais claramente estava na segunda fita, uma menina cega que havia sido esfaqueada e na cena alguém retirava a lâmina do peito da menina e ela cuspia um pouco de sangue - não é uma cena muito agradável, mas é o que eu lembro. Já cacei até não poder mais e não encontrei.
Do outro eu lembro de uma cena onde o personagem - que eu acho que era interpretado pelo Rob Lowe beeeeem novinho, mas pode ser alguém parecido com ele - estava dançando...