19 de novembro de 2010

In Our Life

(ou: "Como os Beatles Explicam a Vida")




Dentro da casa dos seus pais, tudo ainda é doce.
Existe somente proteção, conforto, amizade e amor.

Você ainda não conhece o mundo,

mas o mundo que você conhece é maravilhoso.






Arriscando os primeiros passos na rua,
surgem os primeiros amigos.

E, com eles, as gargalhadas inocentes,

em brincadeiras e canções e faz de conta.






Mas logo seu coração dispara por alguém.
E tudo o que você quer, mesmo sem saber

ao certo o motivo, é encontrar essa pessoa

de novo. E de novo. E de novo.





Eis que surge alguém que é para sempre.
Ao menos você tem a certeza de que é

para sempre, mas não desconfia que toda vez

é para sempre. E que toda vez será a primeira vez.






Mas, da mesma forma que toda vez
é para sempre, você descobre que nada

é para sempre. Pelo contrário, você

percebe que toda vez será dolorido.






Contudo, você ainda é jovem
e logo consegue superar o coração partido,

porque o mundo ainda é seu.

O mundo ainda é todo seu.





Mas ter o mundo não é suficiente.
Você precisa mudá-lo. Não basta

caminhar sobre ele, você precisa

marcá-lo, modificá-lo, corrigi-lo.






Até a hora em que você decide se tornar
adulto de verdade e sai em busca do seu canto.

Sem se importar em ter deixado dois

corações partidos na casa onde cresceu.






Morando sozinho, descobre o preço disso,
bem como a proteção que existia na

casa dos seus pais, além de amorosa

e carinhosa, era também, financeira.





Assim, você desiste de mudar o mundo
e passa a se concentrar na sua vida.

Você não abandona seus ideais,

contudo não há mais tempo para pensar neles.






E é neste momento que aparece alguém
fazendo você se sentir de novo na primeira vez,

com a diferença que você pensa mais

no presente que no "para sempre".






E, aos poucos, vocês começam a
construir uma vida juntos, tentando aprender

a respeitar e a conviver com as diferenças

entre você e a pessoa ao seu lado.






Contudo, se o amor é honesto, se você
é honesto, isso se torna fácil.

Você não quer mais competir,

você quer a pessoa ao seu lado.






Agora você tem um passado, que,
desde
a primeira música, construiu você.
Mas você sabe, também, que o

presente pode ser melhor que as memórias.






Porém, este mesmo presente está
mais perto do futuro que você imagina.

Você não é mais jovem como gostaria...

Você não tem mais tanto tempo quanto imaginava.






Mas a idade traz sabedoria. Você não
quer mais amar loucamente nem pensar nas contas.

Você quer apenas ser feliz, e é.

Especialmente nas pequenas coisas.






Porque, se existe algo que você aprendeu
nestes anos todos é que, muitas vezes,

a melhor coisa que você pode fazer é: nada.

É isso é reconfortante.






E, quanto tudo mais falhar, você sempre
pode correr para as duas coisas
que
você mais precisa e que o mantém vivo:

o amor...





...e aquele pequeno punhado de
amigos que estiveram ao seu lado

em todas as canções que você ouviu

e cantou junto, desafinando ou não.





Amor e amigos. E isso é tudo o que você
precisa para entender que, não importa

o que aconteça, basta apenas

viver um dia de cada vez.

23 comentários:

Ordinary Broken Heart. disse...

Amigos que se tornam heróis, heróis que, por nos conhecerem tanto, acabam se tornando amigos. Ótimo post. ♥

Pedro Lucas Rocha Cabral de Vasconcellos disse...

All together now, please.

Hally disse...

Porra, Rob!

Me fazer chorar a essa hora da manhã, no trabalho ainda, é muita sacanagem.

Belíssimo post. De verdade mesmo.

Hydrachan disse...

Sensacional, Rob! =D
Acho que ninguém melhor para falar sobre essas duas coisas tão importantes, quanto esses "caras" aí.
E você conseguiu captar isso com uma sensibilidade incrível!
Amei! =)

Bjs!

Daddy Mallagoli disse...

Da série "porra, por que não fui eu que escrevi isso?".
Doeu.

Lunnafe disse...

Fantástico!!!

Adorei o texto com as musicas, mto bom, mto inspirado (e inspirador).

Ana disse...

Nem sei dizer o quanto eu achei foda esse post.
Sensacional, Rob, sensacional...

Bia Nascimento disse...

Nossa Rob...sem palavras. Depois eu volto e comento esse post como ele merece.

Tyler Bazz disse...

w-o-w
To arrepiado demais aqui..

E She's Leaving Home é uma das músicas mais lindas, mais fortes que já escreveram até hoje.
(E NINGUÉM usa a palavra "handkerchief" tão bem, em situação nenhuma...)

Otavio Oliveira disse...

é por isso que eu não me importo de parecer clichê ou só um maria-vai-com-as-outras quando respondo de boca cheia que Beatles é a minha banda número um.

Gabi disse...

Beatles.

(L)

Letícia disse...

Beatles é o pretinho básico da música.

Garota Marota disse...

Merda, chorei!

Dani disse...

Aiai, Beatles...

Não preciso dizer mais nada.

Lara disse...

porra, rob. gosto de beatles por causa do meu pai. eu não vivi a febre, eu não vi eles humilhando as outras bandas existentes, eu não sou beatlemaníaca. mas tem alguma coisa que me faz pensar que eles são os caras que a música precisava.

e você conseguiu descrever a vida de todo mundo, com uma banda que todo mundo deveria gostar. merece uma estrelinha de ouro, no mínimo.

Larissa Bohnenberger disse...

São 02:40 da manhã, estou aqui, no meu quarto, sentada em frente ao computador com um sorriso no rosto e os olhos cheios de lágrimas. Realmente emocionante. Obrigada.

Adônis disse...

Genial, Rob, excelente post!!!

Natalia Máximo disse...

Ou "Como Beatles fazem meu mundo ter sentido"

Natalia Máximo disse...

Ou ainda: "sobre como nunca vou me recuperar do show do Sir Paul McCartney"

Marcolino disse...

Sensacional! Parabéns!

Tomei a liberdade de copiar e postar no meu blog, espero que não se importe. Com as devidas referências e créditos, claro.

O Antagonista disse...

Emocionante, sensacional!

Li Pizzicato disse...

maravilhoso sempre

Honey Pie disse...

Queria conseguir escrever um comentário bem bacana falando de como você conseguiu explicar um dos motivos de amá-los tanto, há tanto tempo. Não vou conseguir deixar esse comentário legal, mas tudo bem, o mais importante é agradecer por um post tão lindo.