13 de agosto de 2014

O Ano que A Depressão Roubou de Mim

Quase três anos atrás, eu estava sentado no consultório de uma psiquiatra.

Eu já fazia terapia com uma psicóloga. Mas, nos meses antes disso, a situação parecia piorar a cada dia. Para cada metro emocional que minha vida subia, ela descia dez.

Até então, eu conseguia conversar, trabalhar, sorrir. Eu conseguia levar adiante. Fiz isso por meses. Tocava minha vida, creio que atribuindo o que eu sentia ao cansaço. Tentava não pensar a respeito de que entrava em casa todas as noites com um nó na garganta e tentava ir dormir logo com a esperança de que vai passar e que amanhã vai ser melhor.

Mas o amanhã era sempre pior. E o depois de amanhã também. Não foi um dia ou um fato que me deixou assim. Acredito que isso pode acontecer com algumas pessoas, mas comigo os motivos foram o acúmulo de algumas coisas e a ausência de outras. Sobravam pressão, cobranças, tristeza, trabalho, solidão.  Faltavam perspectiva, descanso, paz de espírito e compreensão.

Olhando hoje, me enxergo como uma bomba-relógio. Eu atravessava os dias, torcendo para a contagem regressiva não acabar. Em alguns dias o ponteiro corria, em outros ele apenas caminhava. Mas ele não parava, e estava sempre ali, mostrando que eu tinha pouco tempo. Um dia, ele chegou no zero.

Uma bomba teria explodido.

Eu implodi.

E, nesta implosão, eu descobri que o inferno existe. Não embaixo da Terra, mas dentro de cada um de nós. Todos nós temos o nosso inferno, e eu estava preso dentro do meu, sem saber direito como eu havia chegado até ali, sem saber se existia uma saída.

Na verdade, eu não sabia se queria achar uma saída. Porque o grande truque deste inferno pessoal é que ele não aprisiona ninguém que cai ali; pelo contrário, ele apenas convence você que se acostumar a ficar ali dá menos trabalho que procurar uma saída.

Ao menos, comigo, foi assim. Eu não queria achar saída alguma, queria ficar apenas sentado no sofá da minha casa, com o notebook no colo e pulando de um site de notícias para o outro, olhando todas as manchetes e sem ler nenhuma.

Fazia isso por horas. Um dia, cheguei a fazer isso durante praticamente 24 horas seguidas. Em silêncio, acendendo um cigarro no outro e olhando sites. Às vezes, eu me levantava, tomava um gole de Coca-Cola e voltava para o sofá. Acendia outro cigarro e pegava o notebook e começava a rodar os sites novamente.

Sem falar. Sem comer.

Mas pensando.

Porque a pior coisa do inferno é jamais conseguir parar de pensar.

E, quanto mais eu pensava, mais confuso eu ficava. Até hoje não sei se isso é algo específico meu, mas todos os meus pensamentos eram contra mim. Eu era promotor e juiz, trabalhando juntos para provar de forma incontestável que eu era o culpado pelos meus erros, pelos erros dos outros e até mesmo por erros que não são culpa de ninguém, a não ser da vida. E que eu deveria ser punido.

Um dia eu não aguentei. Um dia eu estava sentado no chão da cozinha, com a Esposa me abraçando. E eu chorava e gritava “Me ajuda! Por favor, me ajuda”. Até hoje eu não sei se era para ela, se era para mim, se era para Deus, se era para o mundo. Acho que era um grito de socorro para qualquer um que me ouvisse. Eu não aguentava mais ser punido por um crime que eu nem sei qual era.

Mas acho que esta necessidade de punição não é só minha.

Descobri isso na conversa que tive com a psiquiatra. Eu não lembro direito como foi, porque eu tenho muito poucas memórias desse período. Sabe aquele sonho que escapa assim que você acorda e deixa somente um ou outro flash? Minhas lembranças desses meses são exatamente assim: tenho flashs, pedaços de lembranças, trechos de conversas... E mais nada.

Um destes flashs foi um trecho de uma conversa com a psiquiatra – é engraçado, eu não consigo me lembrar do rosto dela, por mais que eu tente. Eu estava há contando como eu me sentia e ela me interrompeu.

– Você se machuca?

– Como assim?

– Você se machuca? De propósito?

Lembro de sentir vergonha na hora. Mas engoli a vergonha e respondi que sim.

E era verdade. Eu não era apenas promotor, juiz e jurado. Depois que eu me condenava, eu era também carrasco.  E me agredia fisicamente.

É difícil descrever: em crises, eu cheguei a arrebentar minha cabeça na parede mais de uma vez. Em algumas crises, dei tapas e socos no meu rosto, às vezes usando objetos para isso – lembro de ter feito isso com um controle remoto. Eu me arranhava. Sempre com a maior força que eu conseguia. Sempre para me punir por um crime que eu nem sabia direito qual era.

Sempre com ódio. Não era apenas ódio de tudo. Era ódio de mim.

– Essa foi a melhor coisa que você me disse até agora. Muitas pessoas passam por isso que você está passando. E normalmente aquelas que tentam se suicidar são as que não se machucam fisicamente em momento algum. Elas se punem de outro jeito.

Eu fiquei quieto.

– Você já pensou nisso? Alguma vez?

– Não.

E foi assim, depois de contar verdades e minhas verdades (porque nem tudo o que eu acreditava ser verdade devia ser verdade) que saí de lá com receitas e mais receitas de remédios no bolso.

Mas a depressão não é uma doença comum. Não é uma gripe que você toma remédio e três dias depois está melhor, e na semana seguinte está bom. Os remédios demoram para fazer feito. E às vezes não fazem efeito algum, precisando de outra dosagem ou, muitas vezes, outro remédio.

Eu comecei tomando um antidepressivo pela manhã e, por causa da Síndrome do Pânico que veio junto com a depressão, eu precisava andar com comprimidos de Rivotril dentro da carteira. À noite, mais Rivotril, desta vez gotas, desta vez para dormir.

Não adiantou nada. Nada mudou. Mesmo sabendo que eu devia sair do inferno eu não conseguia dar um passo, não em direção à porta, mas em direção alguma. Um dos motivos principais disso é que eu não dormia. Tomava o Rivotril, deitava e dormia uma hora. Duas. Aí acordava, me sentava na cama e ficava horas ali, sentado, olhando o quarto escuro e sem conseguir parar de pensar. Sabe aqueles dias que você acorda mais cansado que estava quando foi dormir?

Multiplique isso por meses e você terá um emocional em frangalhos.

A dosagem aumentou e eu não dormia. A dosagem aumentou mais uma vez e eu não dormia. Foi alguns meses depois de começar a tomar remédios que a psiquiatra me receitou outro remédio para a noite: um antidepressivo que não funcionava mas que tinha um efeito colateral fortíssimo: sono.

Tomei o remédio uma hora antes de dormir. Quinze minutos depois eu fui carregado para o quarto pela Esposa, dormindo em pé. Devo ter conseguido dormir seis, sete horas. E sempre que me lembro disso me emociono um pouco. Foi o primeiro passo que dei. Não foi um passo grande, e não sei nem se foi um passo rumo a algum lugar. Mas conseguir dormir foi um passo.

Eu poderia dizer que, depois disso, tudo se resolveu. Mas não. O primeiro passo é apenas o primeiro passo. E minha vida, como eu disse certa vez nesse blog, era feita de passos.

Eu me sentia, às vezes, como alguém que voltara de uma guerra e precisava se acostumar com o mundo novamente.

Voltas pequenas nos bairros, sempre em ruas sossegadas (bastava ter meia dúzia de gente ao meu redor numa calçada para a Síndrome do Pânico fazer com que eu congelasse e me enfiasse num canto, branco, às vezes tremendo, de onde eu não conseguia sair). Não sei porque, eu não podia tomar banho sozinho. Eu precisava da Esposa ali no banheiro, sentada num banco, conversando comigo enquanto eu tomava banho. E sempre que íamos a algum lugar, bastava eu dizer “quero ir embora” ou “não estou bem” que estávamos em casa minutos depois.

Mas haviam recaídas. Se meses antes para cada metro que eu subia dez, desta vez para cada cinco, seis passos que eu dava, eu voltava um. Parece pouco, mas não era fácil. Não é pouca coisa ter crises de choro no meio da rua, não é pouca coisa querer ir dormir somente porque você acha que nunca mais vai voltar a ser o que era, não é pouca coisa morrer de medo de ter que tomar remédios a vida inteira.

Contudo, eram apenas isso: recaídas. Algumas grandes, algumas menores, mas que faziam questão de me mostrar que eu era mais frágil que as outras pessoas. Porque a palavra é essa: fragilidade. Se encostam em você, seu emocional desmorona. Se algo de errado acontece, seu emocional desmorona. Acho que o segredo não é tentar fazer desmoronar, é saber que não desmoronou tudo, mas só um pedacinho.

Eu não teria conseguido perceber isso e teria desmoronado sempre se não fosse pela minha Esposa. Desde o dia que eu passei 24 horas sozinho olhando o computador, ela decidiu que eu não tinha mais condições de ficar sozinho – “você parecia um velhinho quando cheguei na sua casa”, ela me diz até hoje, sempre que lembra desse dia. Mal imaginava que, nos próximos meses, eu perderia quinze quilos.

Mas ela se tornou presença constante ao meu lado. Mas não era uma questão de estar ao lado, mas sim de estar à frente. Estávamos começando a namorar e ela abriu de um começo de namoro normal e assumiu que o papel dela era me blindar, ficando ao meu lado nos momentos de crise – e, hoje eu consigo ver, impedindo muitas crises antes mesmo delas acontecerem.

Eu jamais teria conseguido sem ela, e jamais teria conseguido sem outras pessoas. Minha família, por exemplo. Todos sempre cuidaram de mim sem me pressionar. Eles entenderam que eu não estava confuso, desanimado, triste. Eu estava doente. E, assim como a Esposa e como meus amigos que acompanharam o que passei entenderam que, antes de eu precisar deles, eu precisava de mim. E me deram todo o espaço, todo o apoio, todo o tempo e todo o amor do mundo para eu me reencontrar.

Isso parece fácil, e até óbvio, mas não é. Pois é mais evidente ainda que muitas pessoas não entendem a depressão.

Poucos dias antes de eu ir ao psiquiatra, estava conversando com um amigo na internet. Era, na época, um dos meus melhores amigos, conversávamos todos os dias sobre tudo. Mas ele havia dado uma sumida. Nesse dia, chamei e perguntei se havia acontecido algo. Ele me respondeu que eu havia me tornado uma pessoa chata. Eu pedi desculpas, disse que achava que estava doente e iria ao médico. Ele insistiu: eu havia me tornado chato. Pedi desculpas mais uma vez e disse que iria fazer de tudo para voltar a ser o que era e me despedi. Foi a última vez que nos falamos.

Porque essa é sempre uma das leituras que as pessoas fazem da depressão: “a pessoa se tornou chata”. A outra leitura que as pessoas também fazem é que a pessoa que sofre de depressão está apenas tentando chamar a atenção e passar por coitadinho. Isso foi falado sobre mim na internet, depois que tornei minha doença pública com um texto no blog.

Meses depois, uma pessoa me disse que “tomara que essas pessoas passem por isso também para ver como é difícil”. E eu respondi que “Não. Eu não desejo que ninguém passe pelo que eu passei”.  

Aliás, até hoje eu não entendo porque tornei público, no blog, o fato de eu estar com depressão. Talvez porque eu precise escrever para entender. Não sei ao certo – é uma das memórias que se perderam. Mas foi uma das melhores coisas que fiz. Comecei a receber apoio de muitas pessoas. Leitores do blog, amigos de Twitter, gente que eu nunca tinha visto pessoalmente. Comecei a receber e-mails, mensagens de apoio e de carinho nas quais eu me agarrava nos piores momentos. Se eu era importante para alguém que nunca tinha me visto, mesmo que somente por causa das minhas crônicas, eu precisava ser importante para mim por algum motivo. Mesmo que fossem as crônicas.

E tornar minha doença assunto no blog foi importante porque pude ajudar muita gente. Muita, muita gente se identificou comigo, com o que eu sentia. Muita gente mesmo. Comecei a receber e-mails de leitores que diziam sentir alguns dos mesmos sintomas que eu, queriam saber o que fazer, se achavam que eu estava doente.

Eu respondi todos, com o máximo de atenção que podia, mas sempre com cuidado, sempre deixando claro que não sou médico. Mas aconselhava todos eles a não cometerem o mesmo erro que eu cometi: “não demore para buscar ajuda. Não fique se testando. Se parecer insustentável, se parecer sem saída, vá ao médico. Não se desafie porque você vai perder”.

Muita gente, até hoje, diz que fui corajoso em expor o que estava passando e que eu deveria me orgulhar disso. Eu não me orgulho. Não me orgulho nem sinto vergonha de ter atravessado por isso. Eu sofri de depressão e síndrome do pânico, e isso não me torna um herói ou uma vítima. Ter superado e deixado isso para trás talvez mostre que eu sou mais forte que a depressão pensava, e isso me basta. Uma vez eu terminei um post prometendo para mim mesmo que iria derrotar isso.

E derrotei.

Com força, com vontade, com coragem de começar a abandonar os remédios por conta própria, com amor de quem amo, com amor de quem nem conheço.

Mas se vocês perguntarem para mim se estou 100% hoje, eu não saberei responder. Talvez eu nunca volte a estar 100%, ou talvez eu esteja 100% mas não seja exatamente a mesma pessoa que era antes. Esta é uma dúvida que vou levar comigo: hoje tenho limites e limitações que eu não tinha antes das doenças. Não sei eu apenas não os conhecia ou se eles ficaram como herança da depressão.

Existem situações em que não sinto absolutamente nada, apenas frieza; existem outras – normalmente quando estou cansado – que sinto uma espécie de vazio, algo me puxando para baixo. É raro, mas acontece. Hoje, não posso ficar exausto – que lê isso aqui há tempos sabe que eu trabalhava doze, catorze horas por dia. Hoje, isso me faz mal.

Da mesma forma, eu não consigo lidar com coisas muito boas. Meu aniversário, por exemplo: eu não consigo lidar com toneladas de pessoas me dando os parabéns na internet. Eu adoro, me sinto querido como qualquer pessoa, mas... É estranho, eu me sinto um pouco pressionado, como se precisasse fazer algo que não fosse agradecer para justificar todas as mensagens. Não me entendam mal, é quase como se fosse um amor maior que eu, uma emoção mais forte que eu... E não consigo lidar com tudo ao mesmo tempo. Respondo, fico horas sem olhar, volto a responder.

Existem outras coisas que sou diferente. Não apenas reações, mas sonhos. Hoje paz e qualidade de vida são essenciais para mim. Trabalho com o mesmo empenho, mas não abro mão disso. E, diferente do que eu fazia dez anos atrás, eu não desafio meus limites. Eu os aceito e respeito cada um deles. Porque acho que esta foi a grande mudança que sofri, e acho que muita gente que conseguiu superar uma depressão sente o mesmo:

Eu não estou mais no inferno. Mas agora eu sei que o inferno existe.

Justamente por isso eu não gosto muito de falar sobre o assunto. Voltei a escrever normalmente – com esforço no começo – para não transformar um blog de risadas e lágrimas doces em um blog de textos amargos. Eu devia isso a mim e devia isso a cada uma das pessoas que lia o que eu escrevia e me viu caindo. Eu precisava levantar e devia isso a cada um que ficou do meu lado e não desistiu de mim.

Hoje, com todo mundo falando sobre este assunto, eu achei que podia contribuir um pouco, mostrando um pouco a realidade de quem já esteve lá e como é difícil voltar. Falar aqui que a depressão precisa ser tratada como doença é chover no molhado. Até quem não consegue enxergar a depressão desta forma já ouviu isso.

Assim, o que eu sugiro é: se você não consegue apoiar uma pessoa que está em depressão por não entender o problema, apenas não duvide dela. Respeite o que ela diz que sente e deixe-a em paz. Ela precisa de espaço, ela precisa de tempo e sua dúvida sobre o que ela está passando vai atrapalhar mais do que sua falsa certeza ajudaria.

E, se você está passando por isso, deixe eu te falar uma coisa: você vai sair disso. Eu tenho certeza. Por mais que você ache que não, confie em mim: eu também achava que não e saí. E sei que você pode sair. Eu sei que parece que não existem caminhos, mas eles existem e estão na sua frente. Não se force a andar por eles sem enxerga-los, apenas aguente mais um pouquinho que eles irão aparecer.

E você pode sentir raiva, medo, desânimo, fraqueza, vontade de desistir. Você pode e vai sentir. Apenas peço que faça o que fiz: não deixe jamais de sentir amor por você. Pois, quando você está no inferno, é isso que irá mostrar o caminho para você.

Peço desculpas pelo tamanho do texto, mas eu tinha umas contas para acertar comigo mesmo sobre este assunto. E é um texto até pequeno. Quando comecei a escrevê-lo, digitei que “quase dois anos atrás, eu estava sentado no consultório de uma psiquiatra”. Só na metade do texto é que eu percebi que havia errado, voltei e corrigi para “três anos”. Isso é algo que eu preciso me acostumar: eu perdi um ano da minha vida. E um texto, por maior que ele seja, nunca vai substituir isso.

Mas se eu estou escrevendo sobre este ano que perdi, é porque estou aqui.

E, sabendo que existe um inferno, estar aqui basta.

Com amor, e muito obrigado por tudo, sempre,

Rob

30 comentários:

Kika Lindoso disse...

A gente leu, torceu, rezou, mandou boas vibrações e ganhou você de volta ainda melhor. <3

Marco Sá disse...

Eu me sinto muito próximo de você nesse texto. Para o bem e para o mal.

Renata Schmitd disse...

Você pode não voltar a ser 100% do que era. Quem passa por isso muda mesmo. Mas ser 100% do que você é hoje é uma benção, pela qual você e todos que te amam tem de agradecer diariamente. E eu agradeço.

Mariana Castro disse...

Que belo depoimento, Rob. Sofri por anos com pânico e depressão e só consegui superar por conta do apoio e do incentivo da família e dos amigos que restaram. Que bom que você teve pessoas especiais à sua volta para segurar a barra nos momentos em que a força pareceu inexistente. E que bom que venceu. Infelizmente, vi poucos depoimentos por esses dias como o seu da época, de pessoas que sofrem do problema e precisam de ajuda. Talvez por esse misto de vergonha, medo, culpa, fraqueza que toma conta. Mas espero que essas pessoas estejam lendo este seu texto e outros assim, e que elas percebam que é possível, sim, vencer, e que o mundo é verdadeiramente mais bonito porque cada uma delas existe. Mais uma vez, obrigada por esse belo texto e parabéns por ter tido a força para escrevê-lo.

Alan (FFC) disse...

Um texto corajoso de alguém que venceu essa doença maldita. Que bom. Tomara que esse texto chegue aos olhos de outros que estejam lutando e vão vencer essa guerra assim como vc.

Anônimo disse...

Há 5 anos eu senti o mesmo que você, tudo isso que sentiu...
Não cheguei a me machucar (acho que porque não chegava a me culpar por algo, logo não me sentia na necessidade de me punir) e nem a tomar remédios, mas fiz algumas sessões de terapia que no começo foi bacana, me ajudou, mas depois meio que perdeu a força, o sentido.
Não fui diagnosticada por um médico com depressão, mas eu sei o que eu passei, o que eu senti... e foi exatamente o que você descreveu. Claro que algumas coisas foram diferentes, como exemplo, eu dormia. Muito. Cheguei a dormir 24h. E mais de uma vez. Houve dias em que eu levantava apenas para ir ao banheiro e comer um pouco alguma coisa. Outros dias varava a noite e passava fácil umas 40h acordada.
No começo eu achava que era apenas mais uma das minhas fases de isolamento, que eu aproveitava para fazer um "balanço" da minha vida, pensar sobre as coisas, pessoas, redirecionar minha energia, meus objetivos... Eu gostava disso (gosto até hoje) porque me fazia sentir falta de ter amigos, de ver pessoas, de fazer coisas... Me dava um gás para lidar com pessoas e ir atrás das coisas.
Mas o ano de 2009 foi conturbado, eu não pude me isolar e ter um momento de paz para colocar minha cabeça na lugar, para pensar direito... Eu não tinha espaço, não tinha privacidade e não tinha uma pessoa legal ao meu lado para me apoiar. Pelo contrário, eu me sentia como se além de já estar caminhando para o inferno por mim mesma, estava sendo empurrada por essa pessoa para ir logo. Foi difícil.
Só consegui me recuperar quando decidi me afastar dessa pessoa, tirar meu tempinho para ficar completamente só e respirar fundo e pensar devagar.
Me recobrei, mas não 100%, ainda passei mais 1 ano nessa loucura.
Mas consegui me recuperar bem e sinceramente acho que passar por tudo aquilo me fez crescer, evoluir. Hoje ainda tenho meus momentos de solidão, algumas sensações de infelicidade, mas nada tão grave. E o melhor de tudo é que hoje sou uma pessoa muito diferente do que eu era, e melhor.

Acredito que falar sobre, o que for, nos ajuda a superar. Tenho uma teoria de que nós aceitamos melhor o que ouvimos do que apenas sentirmos. Quanto mais você expõe o problema, mais você o entende, porque procurará sempre pela melhor descrição, e é aí que a mágica acontece. Ao procurar as melhores palavras para descrever, ao colocar para fora aquilo que sente, você não só externa o problema, como você próprio se ouve falar e passa a enxergar esse problema apenas como um evento.
Um exemplo do que estou tentando dizer é: Sabe quando você fala alguma coisa e quando termina se dá conta do quanto aquilo soou mal ou ridículo? O famoso "é, eu me ouvi" ? Mais ou menos isso, ás vezes temos um pensamento ou sentimento que não nos damos conta do quão ridículo ou idiota é, enquanto não falarmos e não nos ouvirmos.
É óbvio que esse exemplo não se encaixa para tudo e há certas coisas que realmente machucam somente ao pensar. Mas é aquela coisa: Em frente ou enfrente. Só que em frente nem sempre significa superar, muitas vezes é apenas deixar para trás. Agora o enfrente, esse sim, você fica cara a cara e quando não tiver mais um pingo de medo ou de ressentimento ou de mágoa, o que for, aí sim terá superado.

Sorry pelas divagações e desabafos.
Fabi

Luilton disse...

É realmente um grande texto. Mas não estou falando do comprimento. Leria por mais algumas horas, dias, se necessário.
Seu texto vai ajudar muita gente. Nas suas dicas sobre apenas não duvidar e deixar a pessoa em paz, incluo enviar o link desse texto. Os olhos dela vão se abrir para o universo além-inferno que existe diante dela.
Parabéns e obrigado.

Varotto disse...

É preciso ter cojones para escrever algo assim.

Sil disse...

Quando você contou, naquela época eu chorei.
Fiquei triste ao saber que alguém com tanta alegria no coração estava doente.
Hoje, eu chorei novamente.
Mas foi de alegria, porque você venceu essa doença ingrata e, mesmo que você não tenha mais aquela alegria de antes, você ganhou, nesta jornada algo muito melhor: a certeza de que, ao seu lado, você tem uma mulher que o ama demais.
Essa é a sua maior recompensa, acredite.
Fique bem.
Beijos

adrianoduarte disse...

Oi, Rob!
Bom dia!

Começo lhe dizendo que me identifico profundamente com a sua história. Eu também fui depressivo. Minha implosão aconteceu quando, em seis meses, fali, perdi o meu melhor amigo e minha maior paixão.

Um dia, vendo uma fila absurdamente grande numa casa lotérica, tive o seguinte insight: "Estas pessoas somente estão enfrentando esta fila enorme porque estão querendo mudar de vida. Mas, será que elas precisam mesmo mudar?" Eu precisava, desesperadamente, mudar de vida, mas não me sujeitaria àquela fila.

Comecei a escrever crônica; sendo que eu jamais havia escrito absolutamente nada. Mesmo sem ter talento, eu escrevia. Com as palavras no computador eu conseguia dizer aquilo que não saia pela minha boca porque o choro não permitia.

Fiz (faço) terapia, tomei homeopatia por muito tempo, e consegui me reconstruir.

Hoje, escrevo pouco. Nunca tive regularidade para publicar. Mas leio sempre os seus textos. Para falar a verdade, tem alguns textos que eu gostaria de tê-los escrito, de tanto que me identifiquei.

E, neste momento, percebo que eu e você estamos vivendo a mesma fase: a conscientização de nós mesmos e de tudo o que vivemos, e com isso desenvolvemos uma profunda GRATIDÃO, a quem nos apoiou e à vida...

Parabéns pelas sua vitórias!

Gratidão pela generosidade que teve ao dividir com o mundo suas experiências e fantasias!

Abraço!

Adriano

Fagner Franco disse...

Cara, importantíssimo (mesmo) um texto desse. Vi uma amiga muito próxima passar por uma fase dessa, acompanhei de longe a tua fase, e vejo que é importante ler, conhecer pessoas que viveram isso. Espero que depois de tantos casos, de sucesso e outras de finais tristes, as pessoas comecem a abrir os olhos. Tanto as que passam por isso quanto as que estão próximas. Acredito que já saiba que estamos bem felizes que "voltou". E parabéns pela puta esposa que tu tem. Esse apoio não é só fundamental, ele é tudo.

Sthefanie disse...

Eu lembro a primeira vez q entrei nesse blog. Foi qdo atraves de várias buscas sobre depressao, encontrei seu post do besta-fera. Eu já estava muito mal, fiquei pior. Chorei muito mas, nunca mais abandonei o blog e, por causa dele descobri seu projeto terapia q hj amo tanto. Perdi um ano da minha vida tbm, enevoada e vivendo em suspenso.. Abandonei inumeros projetos e comecei o tratamento ha poucas semanas. Ter a constataçao de que vc tem depressao é algo assustador. Não acho q ela vai me abandonar, eu posso controla la mas, ela sempre estará lá me lembrando de como fiquei e do q posso me tornar. Mas, hj tenho as ferramentas d q preciso p vencer um dia de cada vez.

Anônimo disse...

Penso em me matar uma vez por semana pelo menos. Só não fiz porque sou covarde e não tenho coragem de levar adiante. E não bebo ou me drogo para evitar ter a coragem.

Me bato, me agrido física e moralmente, tenho severas crises só que depois de dez anos sofrendo desisti de lutar porque tenho que sustentar um monte de gente que depende de mim e não tenho condições de parar.

Daí fugi pro trabalho e pra ocupar a cabeça. Hoje tenho 5 empregos, faço faculdade e fujo de mim mesmo. Virei workaholic pra fugir do pânico de conviver comigo mesmo. E uso compras e comida para suprir a tristeza eventual. Em dez anos engordei 40kg.

E também fiquei chato com as poucas pessoas que socializam comigo.

Preferi escrever anônimo mesmo, porque não ao contrário de você não tenho coragem de me expor. Fiz uma vez para alguém que me jogou ainda mais pro buraco. Nunca mais cometo esse erro.

Mas fico feliz que você tenha saído.

Fernando Santos disse...

Rob,

Muita coragem escrever sobre o inferno que vc viveu e sobreviveu. E mais que coragem, um grande senso de solidariedade, porque pessoas na mesma situação vão ler e ver que tem saída, e vc estará ajudando outros seres humanos.

Lembro-me da carta que o Besta-Fera te escreveu na época, e me vem na cabeça que ele provavelmente estava mesmo sentindo aquilo tudo, e que, mesmo em seu inferno depressivo, vc conseguiu colocar em palavras o que o seu grande amigo sentia. E isso foi um grande toque de mestre da sua parte.

Grande Abraço
Fernando

Max Reinert disse...

"O dia em que ele explodir...
todos acharão que foi um acidente
assim como foi um acidente
a morte de sua filha

Dentro da sua ingenuidade...
o homem-bomba
que não sabe que é um homem-bomba
acha que está construindo uma casca que o protege

Dentro de sua ingenuidade...
o homem-bomba
acha que sua casca é suficientemente forte
para protegê-lo de todas as intempéries

Dentro da sua ingenuidade...
O homem-bomba
acredita piamente que se escondendo
dentro de um círculo fechado
está se resguardando de todos os problemas"

"Em pouco tempo...
eu também cairei
serei uma implosão
nada bonita
como um clarão branco

Um amontoado...
de coisas
que poderiam ter sido
mas não foram"

Que a escrita nos salve....sempre!!!!

Thais Pryscilla disse...

Pô... Sabe-se lá como comecei a te seguir no twitter.. .
Este é o primeiro post do teu blog que eu leio, só soube da existencia dele com a divulgação deste texto que vc fez no twitter...
Fiquei um tempo na beira do abismo que dá nesse inferno ai que você descreveu.
E só sei disso pq eu sei o que eu sentia, e COM CERTEZA se eu deixasse evoluir teria uma historia muito parecida com a sua pra contar.

Ganhou uma seguidora de verdade agora e admiradora por ter tido coragem de expor com detalhes e com muito sentimento tudo isso, quase me fez chorar várias vezes durante o texto...

Valorize sempre aqueles que te apoiaram, estejam proximos fisicamente ou não, e não deixe de dizer o quanto foram importantes!

Força!
=)

Karina disse...

Eu lembro do seu texto que tornou pública a depressão e do quanto foi lindo e preciso naquela época. Eu também já sofri muito com isso. Uma das primeiras coisas que eu escrevi na minha vida foi uma carta suicida. Eu tinha uns 6 ou 7 anos. A carta existe até hoje. Hoje sei reconhecer bem a minha depressão e diferenciá-la de outros sentimentos chatos, como tristeza, luto, desânimo. Mas até chegar nesse ponto eu conheci também o inferno e sei que ele existe e que pode me espreitar a qualquer momento. Por isso é importante estar atenta, porque sei que posso ser mais forte que ele e derrotá-lo.
Enfim, acho que o seu primeiro texto mais este são os melhores e mais significativos que já li sobre o assunto. Você conseguiu descrever o negócio com muita sensibilidade. Fazendo as vezes de todos os demais depressivos, obrigada!

Cesar da Mota Marcondes Pereira disse...

Rob,

poderoso demais o teu depoimento...
Sei que vim a conhecer teu blog - e a você mesmo - depois de boa parte disso.
Sei também que não posso, nem devo, me intrometer, já que o que acontece com cada um é um reflexo do seu jeito particular de ver o mundo...

Um jeito seu de pedir um tempo pra si mesmo...

É engraçado pensar nisso deste jeito, mas a depressão, pelo que passei, vivi e vivenciei, é um momento em que a mente nos pede pra olhar pra dentro - pro nosso Abismo pessoal - independente de como o deixamos antes de começar a perceber que ele existe...
E é isso o que causa medo e estranhamento em tantas pessoas: olhar pra dentro é incomum, fora do normal e (porque não?) "errado", já que o mundo nos manda tanta coisa nova todo dia.
É: eu estranho que não olhemos tanto pra dentro...

Como escritor, entendo a sua necessidade de escrever, botar pra fora, criar algo pra trazer uma visão/interpretação...
Pra trazer tua resposta.
Como amigo - do blog e seu - entendo (e admiro) ainda mais sua coragem de admitir, de novo, todos estes momentos que aconteceram - do ano que você "perdeu" até começar a longa jornada de volta e, saiba disso: todos estes eventos só te tornaram melhor - um humano, um escritor, uma pessoa melhor.

É isso o que percebo e é nisso em que acredito.

Enorme abraço, man!

Nivea Sorensen disse...

Eu escrevi ontem um texto sobre o mesmo assunto, porque eu também estive nesse inferno. Ai alguém me deixou seu link, eu resolvi ler e percebi que poderia ser um texto meu também. E aí a gente percebe que o que parece ser a coisa mais solitária do mundo, na verdade não é. Eu também não desejo o mesmo para ninguém mas me sinto um pouco menos sozinha quando encontro, ainda que virtualmente, um vizinho de inferno.
Abraço

Marcelo Castellani disse...

Gostaria muito de conversar com vc. Cada palavra que escreveu eu senti em minha vida, e ainda sinto hoje. Nunca pensei encontrar alguém na mesma situação. Obrigado!

janveneziani disse...

Olá,
A depressão também roubou praticamente um ano inteiro da minha vida. Passei por tudo o que você relatou aqui, exceto me agredir. Mas dormia 2 horas por noite e tinha crises de choro que duravam 3 a 4 horas, sem parar. Por meses acordei gritando todas as noites, sequencialmente. Tomei remédios por 1 ano. Tudo porque trabalhava de 12 a 14 horas por dia, todos os dias, sem descansar direito.
Fiquei apática, chata, triste, sem graça e mal conseguia me expressar.
O pior pra mim foram os remédios - eu decidi que não queria mais, e fiquei quase 2 anos em terapia, até os pesadelos desaparecerem. De vez em quando ainda acontecem, mas 1 vez a cada 2 meses.
Ainda bem que acabou. Ainda bem que você saiu disso e escreveu esse texto - deve ter sido tão dolorido quanto o processo em si. Eu escrevia todos os dias, me ajudava muito, mas acabei tirando o blog do ar porque ao ler, revivia cada sentimento ruim. E eu aprendi com essa ida ao inferno a não remoer as angústias.
Obrigada, de coração.

Michele disse...

Hey, Rob. Faz tempo que não sento e comento aqui - o que não significa que não tenho lido, só que não ando conseguindo escrever muito, mas precisava dizer isso: parabéns pela sua força, pela sua coragem. Eu sei que muitas vezes essa doença maldita pode ser bem complicada (e como sei, tive uma recaída ano passado da qual tenho certeza, não estou recuperada ainda), mas você merece sim isso.

Um trecho do que você escreveu me chamou muita atenção, "Mas se vocês perguntarem para mim se estou 100% hoje, eu não saberei responder. Talvez eu nunca volte a estar 100%, ou talvez eu esteja 100% mas não seja exatamente a mesma pessoa que era antes. Esta é uma dúvida que vou levar comigo: hoje tenho limites e limitações que eu não tinha antes das doenças. Não sei eu apenas não os conhecia ou se eles ficaram como herança da depressão." Eu me sinto exatamente assim. E eu sinto também que preciso me cuidar para ela não atacar novamente.

Eu tenho medo, sabe? Com toda a minha gama de problemas emocionais (maldita família que me traumatizou, maldito infeliz que me estuprou, malditos "amigos" que não souberam como lidar), eu tenho medo.

Ano passado, eu só chorava. Eu ficava DIAS sem banho, sem pentear cabelo. Ainda não sei como conseguia trabalhar, mas quase fui demitida - o que teria piorado minha crise. Tentei me matar. Hoje em dia, alguns sintomas ainda estão comigo, eu durmo muito. Muito mesmo, pra fazer o dia passar mais rápido. Eu fujo de problema, eu fujo de responsabilidades. Evito ser pressionada. E eu fiz uma tatuagem para sempre lembrar de que as coisas melhoram. Sempre que começo a ficar mal, olho meu pulso e ela está lá, me dizendo que tudo passa.

Eu percebi que um sintoma fortíssimo que tive foi um bloqueio enorme, a ponto de não conseguir mais escrever - ou ler livros. Esses dias escrevi meu primeiro conto em um ano. Óbvio, tá horroroso, mas eu quero mexer nele, quero acertá-lo, quero deixá-lo bonito.

Eu não desejo esse inferno para ninguém, mesmo. Achar que não vale nada, que não serve pra nada, que todos estariam melhor sem você. Nunca chorei tanto quando como imaginei minha gata me esperando eternamente na porta de casa, momentos antes de tirar a minha vida. E foi aí que eu desisti. Foi aí que eu decidi que ia vencer isso. É duro, é difícil, você acha que não tem forças, que não tem capacidade, que a depressão tirou tudo de bom em você - e por um período, ela tira mesmo.

Quando estava mal, eu vinha aqui ler seus textos, sempre me alegraram.

Enfim, não vou me alongar no comentário, mas saiba que vc é uma pessoa iluminada e que sim, você merece todo esse amor que recebe. Parabéns por ter superado mais uma vez.

michele disse...

Excelente texto. muitas pessoas se sentem como você, eu já senti isso muitas vezes, e tento sempre ir p o lado positivo das coisas, lembrar fatos bons, pessoas que gostam de mim,é bem difícil de vez em quando.como é incrível a alma humana, e sabermos que nem tudo é perfeito. Parabéns por ter vencido essa etapa. Relatou exatamente o que muitas e muitas pessoas passam; mas infelizmente nem todas se recuperam, ou tem apoio suficiente.

Marina disse...

Sempre estive aqui, desde aquele primeiro texto sobre a depressão, torcendo por você, para que você conseguisse sair dessa. Sabia que você ia sair, sabia que você tinha uma pessoa incrível ao seu lado pra te ajudar. Não conheço vocês pessoalmente, você e a Ana, mas são engraçadas essas coisas, como a gente termina criando uma ligação. Acho que sei até quem é esse "amigo" que disse que você estava chato. Só fico feliz que esteja melhor. Força, sempre.

GbLopes disse...

Dude, cheguei ao seu blog através do Terapia, e cheguei ao Terapia não me lembro como. Acho que teu texto foi o primeiro que li que fala tão abertamente sobre isso. E precisa ter uma coragem da porra pra fazer isso.

Carry on.

Renata de Toledo disse...

Rob, eu não estou deprimida, eu SOU deprimida. E num grau sério, meu pai tinha transtorno bipolar, meu terapeuta explicou que é hereditário e enfim, entendo quando você diz que o inferno te convida a ficar. Eu tenho apenas um motivo para não cometer suicídio, e ele é o meu cachorro. Não, não faço tratamento. Meu terapeuta nunca me receitou remédios, até porque não tomo nem aspirina. Meu namorado, que não entende como funciona essa merda, chegou a me dar um cavalo (verdade) de Natal, para ver se me animava; eu não monto no coitado do cavalo. Nem tenho vontade de ir vê-lo, não tenho vontade de nada. Não sinto nada. Mas não presto nem para por um fim nessa vida de bosta, então não tem perigo. Vamos acordando e dormindo e acordando de novo. Quando o Floco um dia morrer, eu repenso se existe qualquer coisa nesse mundo que me importe. Eu já nasci condenada, e não tenho a tua vontade de sair do inferno. É até confortável aqui. Parabéns pela sua caminhada, e sinto muito pela sua perda dessa semana.

Manii Paulista disse...

Chorei, Rob. Textos como o seu são extremamente importantes. Quando estive na minha pior fase, foram coisas assim que me convenceram de que eu não estava fazendo tempestade em copo d'água, que nada daquilo era só drama meu. Essa é uma das piores partes, eu acho. Ouvir dos outros que você tá sendo "chato" e "fresco" já é horrível, mas quando nem você consegue se convencer de que tem mesmo um problema, existir fica insuportável. Outro dia eu li um tweet falando que escrever sobre depressão é inútil porque quem tem não precisa ler pra entender e quem não tem não vai entender nem desenhando. O caralho! A experiência de quem que já tinha passado pelos mesmos problemas que eu foi o que me deu esperança pra começar a melhor. Enfim, parabéns. Pelo texto e por ter vencido a batalha.

Raquel Abe disse...

me reconheci no seu texto, e apesar de acompanhar o blog sempre, nunca comentei. obrigada. mesmo. com esse texto pude perceber o quanto estou melhor, apesar de ainda viver com um pouco de medo de voltar ao inferno.
obrigada, mesmo.

Lilian disse...

Rob,

sou também doente, sei bem de tudo que fala. Parabéns pelo texto.
Mas só queria fazer uma observação importante... Você escreve que foi parando os remédios por conta própria... isso é muito perigoso. Se deu certo com você, ufa, que bom. Mas como você diz que muitos leem seu blog e se influenciaram pelo seu texto sobre a doença, é preciso ter cuidado com isso, tá? Só pra não endossar isso de parar sem acompanhamento médico (pq as recaídas, quando essa "parada" é feita por conta própria, podem ser fatais também).

Abraços!

Diego Iwata Lima disse...

Eu ia escrever no Facebook, mas sei o quanto você aprecia o comentário no blog. Eu me emocionei com a sua história. Especialmente por ter visto uma pessoa que amo muito passar por isso recentemente. Ao contrário de você, porém, essa pessoa rejeitou o tratamento. Negou-se e nega-se a acreditar que tenha alguma doença. Saiu do emprego e, de tabela, me colocou para fora da vida dela. Assim, não poderei acompanhar como e se ela vai sair do inferno em que ela nega estar. Torço para que ela ache o caminho sozinha, já que por indicação minha, não vai mais achar. Gostaria de mandar seu texto para ela, mas como mandar um texto sobre depressão para que alguém que negue a existência da doença? Só espero que ela leia isso aqui de alguma maneira, um dia. E que reúna forças para se encontrar, como você fez.