19 de fevereiro de 2013

A Cidade que Reza para Não Chover


Ontem tivemos reunião de TerapiaHQ. Eu – acompanhado da Esposa -, Mario Cau e MarinaKurcis passamos boa parte do dia num café em Higienópolis, discutindo diversos assuntos: ideias para o novo capítulo, melhores formas de lançar a HQ em livro e outros temas ligados à história como um todo.

Deveria ter sido um dia bom. Saí de lá animado e pronto para colocar as ideia no PC assim que voltasse para casa. Quem sabe até fazer mais um texto para o blog, mandar alguns mails sobre trabalho e até mesmo rabiscar alguma coluna para algum dos sites que eu colaboro. Depois, um banho e um filme, ou um livro na cama.

Mas não consegui fazer nada disso. Veja bem, vontade – até mesmo empolgação – para trabalhar não faltava. O que faltou mesmo foi morar em uma cidade que me permitisse isso.

Saímos de Higienópolis por volta das 17:00. Já chovia – e muito – na cidade. Conseguimos chegar em casa, na Vila Mariana, depois das 19:00. O que encontramos no caminho foi uma cidade entre os estágios de “abandono total” e “guerra civil”. Nenhum semáforo funcionava e aparentemente os funcionários da CET foram os primeiros a abandonar o barco, já que não o vimos orientando o trânsito em lugar algum.

O resultado? Cada um por si e Deus – que é brasileiro mas duvido que more por aqui – por todos. Carros fechando os outros, carros na contramão, carros fechando cruzamentos. Basicamente, carros fazendo uma única coisa: atravancando a cidade.

Não sei se todo brasileiro é mal educado no trânsito, mas o paulistano, com certeza, é. E basta chover para o paulistano achar que ele tem o direito de fazer qualquer coisa com seu veículo. As dezenas, centenas, milhares de carros atrás, prejudicados pelo descaso? Problema delas. Ele paga seus impostos e isso lhe confere o direito de fazer o que quiser. Aliás, se ele puder prejudicar os outros, tanto melhor. Afinal, dirigir em São Paulo deixou de ser um inferno, se tornou uma competição. O objetivo não é mais chegar em algum lugar, mas sim chegar neste lugar atrapalhando os outros – é o velho costume da maladragem brasileira, mas sobre rodas.

Em determinado momento na Alameda Santos, um carro importado conseguiu fechar uns três carros de uma vez. Foi pouco depois de passarmos em frente a um hotel, onde uma pessoa havia simplesmente estacionado seu carro na faixa da direita para esperar uma pessoa. Já não há espaço suficiente para todos os carros em São Paulo, mas o sujeito tem o direito de parar na rua e ficar esperando por alguém, atrapalhando ainda mais o tráfego. Basta apenas ligar o pisca-alerta que, no trânsito de São Paulo, é o equivalente ao “fodam-se vocês, eu tenho meus próprios problemas, se quiserem passar é só dar a volta”.

Enfim, o carro importado. Fechou três carros – entre eles o nosso – e a Esposa buzinou. De repente, ouvimos uma voz robótica nos xingando. Olhei para o lado esperando ver o RoboCop apontando uma arma para mim, mas tudo o que vi foi o carrão. E os xingamentos e reclamações continuavam.

Foi quando entendi o que aconteceu: o sujeito instalou um microfone no carro. Agora, ele pode xingar as pessoas no trânsito sem precisar abrir o vidro, sem correr risco algum. Este é o maior desenvolvimento tecnológico da história de São Paulo: agora, ele não precisa mais xingar as pessoas no trânsito. Seu carro faz isso por ele. Na má educação paulistana, seu carro se tornou um veículo de guerra, armado e preparado para falar – em alto e bom som, na rua, que a mãe do motorista da frente é uma piranha, e que o sujeito do carro ao lado é um corno. E ali, sem abrir a janela, sem mostrar o próprio rosto. Porque o paulistano, na verdade, não quer brigar; ele quer apenas extravasar o ódio que sente pelas pessoas dos outros carros.

Para mim, nada foi mais emblemático que esta situação: ao invés do sujeito pensar em como ajudar a resolver o problema, ele investe tempo, dinheiro e energia para se aprimorar e superar os outros na realização do problema.

E foi assim até em casa – atravessamos quatro bairros em mais de duas horas, tempo suficiente para ter ido e voltado de Campinas, cidade onde o Mario mora. Todos os tipos de barbárie que você possa imaginar no trânsito, nós vimos ontem. Era como se o tráfego de São Paulo estivesse procurando por um novo emprego e resolvido montar seu portfólio no final do dia.

Culpa do governo? Também - mas daqui a pouco eu falo sobre isso. Culpa da chuva? Talvez – e eu também quero falar sobre a chuva. Mas a grande culpa mesmo é do paulistano. Pois o paulistano não precisa de um temporal para se tornar mal educado. Muita gente reclama que as pessoas se aproveitam do anonimato da internet para fazer o que bem entenderem. O paulistano talvez seja o único povo do mundo que acha que estar dentro de um carro lhe confere o mesmo direito.

Aliás, não precisa ser carro, vale qualquer veículo. Motoboys fazem o que bem entendem no trânsito, sempre quebrando regras e levando retrovisores como troféus. Tudo o que a cidade faz é se adaptar aos erros dele, mesmo porque quando um deles é atropelado, a culpa invariavelmente cai sobre o motorista.

Ciclistas? Mesma coisa. Brigam o tempo pelos seus direitos e exigindo respeito no trânsito – e estão certos ao fazerem isso – mas acreditam que as mesmas leis não se aplicam a eles. Os únicos ciclistas que vejo respeitando as leis de trânsito são as famílias que pedalam pelas ciclovias fechadas de domingo. No resto da semana, quase todo ciclista que vejo está fazendo algo errado: não param no sinal vermelho – e, quando o fazem, estacionam na faixa –; andam por pistas nas quais não deveriam, a exemplo do motoboy; cortam e costuram pelo meio dos carros. Sim, acredito que existam exceções entre os ciclistas. Da mesma forma que existem exceções entre os motoboys, os taxistas, os motoristas particulares, os motoristas de ônibus.

Mas, pelo que vejo nas ruas, são apenas isso: exceções, que servem apenas como dado estatístico para confirmar a regra que São Paulo faliu como instituição, e que o paulistano falhou como cidadão. A chuva não é o problema, ela apenas mostra isso sob alguns aspectos. Pois todas as áreas de São Paulo estão entregues ao Deus dará: saúde, educação, segurança. Todas. E isso não é culpa da chuva. A chuva é apenas um fenômeno climático que, mesmo acontecendo desde a pré-história, a maior cidade do Brasil, em seus quase 500 anos , não conseguiu encontrar um modo de enfrentar. Pois este ano a chuva destruiu a cidade em um dia, da mesma forma que aconteceu ano passado, da mesma forma que acontecerá ano que vem. E no próximo.

Aí, claro, culpa-se o governo. O que não deixa de estar certo, mas também não é a verdade inteira.

Sejamos sinceros: a maior cidade do Brasil não tem a menor infraestrutura. Aliás, dizem que São Paulo é uma cidade cosmopolita: é verdade. Quase todos os povos estão aqui representados: São Paulo tem cultura de uma capital européia e a economia de um emergente asiático, mas também tem a educação de um vilarejo do velho oeste americano e a estrutura de uma tribo africana.

Vamos falar do governo, então. Após horas passando por uma cidade abandonada, sem CET, sem semáfores, sem ordem ou progresso, tudo melhorou quando chegamos à Vila Mariana. Lá, não vimos mais nada de errado. Quer dizer, não vimos nada pois a região estava totalmente sem luz. Compreensível: choveu, alguma árvore caiu e arrebentou um fio. Não seria a primeira vez nem a será a última.

Em meio à escuridão, chegamos em casa, apenas para descobrir que a chuva que caiu na Vila Mariana havia arrebentado quase todo o telhado do nosso vizinho. Ele perdeu tudo o que possuia na sala – e isso inclui não apenas os móveis, como o teto do aposento. Oferecemos ajuda, mas ele já tinha tudo sob controle, mesmo porque a tragédia havia acontecido mais de duas horas antes. Tudo o que ele podia fazer naquele momento era rezar – no escuro – para não chover mais até hoje, quando o pedreiro iria lá refazer o telhado. Ainda hoje vou tocar ali para ver se estão precisando de alguma coisa.

E, ainda em meio à escuridão, passamos a noite. Sem luz. Pelo que sei, a luz acabou entre 16h e 18h ontem. E voltou hoje, pontualmente às 6h da manhã – exatamente oito horas depois da previsão da companhia elétrica. Na melhor das hipóteses (ou seja, com a luz acabando às 18h), ficamos sem energia elétrica em casa por 12 horas.

Agora, a culpa disso é de quem? Da chuva que derrubou uma árvore? Bem, isto pode ser o causador da falta de luz. Agora, 12 horas sem luz? Na maior cidade do continente? Isso não é culpa da árvore.

Veja bem, eu vou colocar de forma simples o modo que eu enxergo as coisas: se eu sou cliente de uma empresa de celular e pago a conta todo mês, eu quero meu celular funcionando – e, caso isso não aconteça, eu quero o problema resolvido imediatamente, ou, no mínimo uma explicação satisfatória. O mesmo acontece com a empresa de energia elétrica. A partir do momento que eu pago uma conta de luz todos os meses, eu sou um cliente e exijo respeito – pois o fato dela ser do governo não a torna imune isso. Pelo contrário, num mundo perfeito ela deveria dar o exemplo para todas as outras empresas da cidade.

Eu não sou idiota a ponto de acreditar que o Estado tem responsabilidade por tudo o que acontece na minha vida. Ele não tem, por exemplo, como impedir alguém de me assaltar na esquina; mas ele tem a obrigação de prender e punir esta pessoa, para entregar justiça e coibir novos assaltos. Mas a luz não tem vontade própria; ela não chegará em casa por conta própria. Se a energia da minha casa for cortada por causa de uma árvore, eu tenho o direito de exigir que ela seja religada o mais rápido possível (algo que dificilmente possa ser definido como 12 horas), independente de eu morar num bairro nobre ou na periferia. A única condição é eu pagar pela conta todo mês. Afinal, eu não estou pagando apenas pela luz que usei no mês anterior, eu estou contratando um serviço. E é isso que o governo não entende.

Mas claro que o culpado de tudo isso é a tempestade. Bom, a primeiro plano, sim. Mas, quando você para e pensa que estas tempestades caem durante os meses de fevereiro e março em todos os anos da história da cidade, transformando São Paulo num caos urbano, sem luz, sem transporte público, com alagamentos e deslizamentos, fica claro que a culpa não é exatamente da chuva. Tudo o que ela faz é cair. A culpa é do Estado que não consegue fazer nada a respeito – mesmo sabendo, como toda a população, o que vai acontecer exatamennte, na época que vai acontecer, e tendo certeza do local em que vai acontecer, pois os estragos maiores são sempre nos mesmos locais.

A impressão que tenho é que tudo o que Estado faz é lavar as mãos e dizer que “é assim mesmo, a chuva é terrível, baita tragédia, um dos maiores problemas de São Paulo, mas agora que ela passou, vamos limpar as ruas e bola para a frente, pessoal”. E, assim como meu vizinho, tudo que nos resta é rezar para não chover. Pois, se chover, a cidade ficará inundada, já que todos os bueiros estão entupidos com o resto de qualidade de vida que o paulistano perdeu há tempos.

E um dos motivos disso é que São Paulo, há tempos, virou um campo de batalha político, especialmente entre os dois maiores partidos do Brasil. A recente eleição para prefeito deixou claro que servia apenas como armamento para a próxima eleição presidencial. E, como acontece em todo campo de batalha, São Paulo virou terra de ninguém. E caso você seja filiado ou eleitor do partido do atual prefeito, nunca é demais ressaltar: não falo como eleitor, mas como cidadão paulistano. Pouco me importa aqui se o prefeito é do do PT, do PSDB, do PMDB, do PV, da PQP. O que me importa é que ele foi eleito e precisa cuidar da cidade.

Coisa que nenhum deles faz – pelo contrário, assim que é eleito ele simplesmente muda tudo da administração anterior e começa obras novas, que não serão terminadas pois o próximo prefeito vai anular tudo e começar suas próprias obras. São Paulo é uma empresa sem estratégia, São Paulo é um time sem tática, São Paulo é uma cidade acéfala, afundando cada vez mais em seus próprios problemas que agora tornaram-se grandes demais para serem disfarçados com o crescimento da cidade. Crescimento este que se tornou, aliás, o grande problema: São Paulo é uma cidade impossível de ser administrada por uma única pessoa, por mais que ela seja bem intencionada – o que, infelizmente, não é o que acontece.

E isso vale para todas as administrações das últimas décadas. E, infelizmente, aposto que continuará valendo para esta que se inicia agora e para as próximas. Pois o prefeito de São Paulo é, antes de ser prefeito, um paulistano típico (por ter nascido aqui, ou simplesmente por residir aqui), contaminado com toda a má educação, egoísmo e falta de cidadania que assola cada rua da cidade – chovendo ou não. É um paulistano como qualquer outro, conseguindo a proeza de ignorar e reclamar ao mesmo tempo o desastre que esta cidade se tornou, mas preocupado apenas em não pegar trânsito.

Como eu disse acima, existem exceções na cidade: estão no trânsito, nas ruas, no metrô. Mas, no Brasil, uma exceção jamais chega ao poder.

Sou paulistano. Tenho orgulho disso e amo muito a minha cidade. Mas ontem, vendo tudo o que esta cidade se tornou, sendo jogado na minha cara a cada meia hora, meu projeto de vida ficou ainda mais claro. Nasci em São Paulo, cresci em São Paulo.

Mas não vou morrer em São Paulo. E muito menos vou deixar São Paulo me matar.

Mas, antes de ir embora, desejo boa sorte ao novo prefeito. Tomara que ele consiga chegar cedo em casa hoje. E tomara que sua casa tenha luz. Afinal, é época de chuvas. Tudo o que podemos fazer, na maior cidade do país, é rezar para não chover.

9 comentários:

Ricardo Wagner disse...

E assim inicia-se uma cisma.

Sil disse...

Tristes mas sábias palavras meu querido.
É uma pena que todos sejam tão egoístas.
Dói o coração ver tudo isso acontecendo e saber que nada será feito para mudar.
Mas não posso abandonar este lugar, ainda não.
Quem sabe um dia.

Natalia Máximo disse...

Muito tenso ver tudo isso ontem - e todo dia, com ou sem chuva. É motorista atropelando motoqueiro, atropelando ciclista, atropelando pedestre (que, "já que somos a parcela mais fraca do tráfego, vamos desrespeitar tudo mesmo"). E pior que não é só em São Paulo. É um país que, apesar de tudo que tem que me faz amar morar aqui e me faz amar ser brasileira, não tem estrutura pra nada, inclusive pros problemas que enfrente desde que eu, você, nossos pais e avós se conhecem por gente. Seu texto me lembrou muito esse aqui, de um outro amigo meu, sobre a questão da chuva http://oitozeromeia.blogspot.com.br/2010/02/pegos-de-calcas-curtas-mas-nem-tanto.html.

E já parou pra pensar que, querendo ou não, somos os menos prejudicados nessa história, pelo simples fato de morar em uma região mais central? A maior parte da população paulistana continua saindo do trabalho às 18h e chegando em casa depois das 23h em dia de chuva, mas quem disse que isso é o bastante pra exercer um pouco de cidadania, respeito ou educação? A população tem muito a exigir, mas se esqueceu que tem muito a fazer também...

Mario Cau disse...

Cara, foi tenso mesmo!
Eu consegui sair de São Paulo ontem com mais facilidade do que imaginava. Subi a Angélica, desci a Rebouças e peguei a marginal Pinheiros, e esse trajeto é o meu favorito pra chegar/sair de Sampa.

Vi muitos semáforos desligados, mas vi CETs também. Eles estavam ajudando em alguns casos, mas nada adianta um cara ou moça ajudando no cruzamento se a proporção de gente FDP por metro quadrado nas ruas é alarmante.

Cheguei em Campinas (com todo o trânsito aí e aqui), na mesma hora que vocês chegaram na sua. A diferença é que eu andei mais de 100km nesse tempo, e vocês com certeza andaram muito menos que isso.

Das 5 últimas vezes que fui pra São Paulo, sempre fica na minha mente a ideia de que viver aí é inviável, e a cidade não suporta mais tudo o que acontece nela.

Eu adoro São Paulo, quando ela é amigável e me recebe bem. Ultimamente, eu torço pra não precisar ir... 8- /

Varotto disse...

Deprimente.

E mais deprimente ainda saber que isso vale para muitas outras cidades.

Bruno Santos disse...

E se toda a rede elétrica da cidade fosse subterrânea? Acho que seria mais difícil da árvore levar a culpa né? Aliás, não só em SP, mas em todas as outras cidades do país. E nem é dizer que é um troço tão difícil de se fazer. É só ir fazendo aos poucos, como toda obra. Recapeamento de asfalto é feito assim, esgotamento sanitário é feito assim, mais uma porrada de coisas são feitas assim. O problema é que ninguém nem começa a fazer, aí fica complicado. :-(

Anônimo disse...

Cara, vem pra Belo Horizonte!!! É uma cidade maravilhosa, com um povo hospitaleiro, receptivo e carinhoso!!! Os problemas existentes em SP são inerentes a toda cidade grande, e claro, isso vai muito além da chuva. Por aqui existem alguns desses problemas também, porém a cidade não foi completamente tomada pela politicagem, ainda há tempo para viver bem por aqui!!! No mais, só me resta lamentar, pois xingar, falar, protestar, não adianta se é feito sozinho. Boa sorte Rob!!! Abraço!

Camila disse...

Sempre desço no metrô Marechal Deodoro, que fica mais perto de onde eu moro, e a Rua das Palmeiras SEMPRE alaga quando chove. Não dá para diferenciar calçada de rua porque tudo vira um riacho de leptospirose. Quem não tem alternativa, enfrenta o alagamento quase a nado.

Não entendo o que acontece em São Paulo. Vejo reportagens sobre os estragos das chuvas de verão em São Paulo desde que me entendo por gente e ninguém faz alguma coisa. Não que Curitiba não tenha esses problemas (também alaga, falta luz, o trânsito vira terra de ninguém), mas em São Paulo as dimensões são maiores e nem obras básicas são feitas. Parece que prefeitura e governo do estado ligaram o "foda-se" e o povão que se ferre sozinho.

Pri disse...

Lamentável mesmo, neste dia foi horrível demais! Ficamos mais de 36 horas sem energia elétrica aqui em casa e, quando fiz uma reclamação na Eletropaulo, descubro que eles irão demorar 10 dias pra me responder.
Muito desrespeito nessa cidade de ninguém, isso sem considerar todo esse transito todos os dias.
As vezes amo demais SP, mas tem horas que morro de vergonha de ser paulistana.