22 de agosto de 2012

O Amigo Desconhecido


Fala Rob, tudo bem?

Faz tempo que estou querendo te enviar um e-mail, só não tinha ideia do que escrever.

Na verdade ainda não tenho, mas e daí? Rsrsrsrs

Primeiramente queria te parabenizar, pela Terapia (a HQ e não o fato de fazer terapia), pelo seu blog, por suas crônicas, por suas palavras, enfim, parabéns!

Não quero tomar seu tempo, nem espero que você responda, mas me sinto bem escrevendo para agradecer.

Você pode estar pensando: “porque diabos ele está me agradecendo”, ou até mesmo “não, não estou pensando isso”.

Não importa, agradeço porque em tempos difíceis, onde um cara estava procurando se encontrar, saber o que lhe fazia feliz, pois a única coisa que o deixava contente era chegar em casa, dar um beijo em sua cadela (minha cã) e ficar agarrado com sua Esposa e o resto do seu dia era uma lástima, eu me encontrei em uma história onde o protagonista faz terapia e também não se encontra e ele adora música.

Isso me fez lembrar de duas coisas: 1) quando eu era mais novo (exatamente 10 anos atrás) eu gostava de tocar violão e isso me fazia bem e 2) amava escrever histórias sem sentido, ou usando meus amigos de escola como personagens.

Mas como não acreditamos em nossos sonhos, começamos a fazer coisas para talvez (sim talvez, pois nem sempre é uma verdade), agradar aos outros, mas inevitavelmente, aquela nossa vontade ganha força, é maior e sempre acaba nos mostrando o quanto estamos infelizes.

Então procurei saber dos autores desta HQ, adorei os desenhos do Mario Cau, li o Blog da Marina e cheguei no seu blog.

No início, confesso, só li um post “How blue can you get”, gostei pelas dicas de blues e salvei em meus favoritos, assim mesmo, com este nome.

E um belo dia, tentando achar algo interessante para matar o trabalho, olhei em meus favoritos e entrei no seu blog, mas desta vez queria ver do início. E me vi vidrado, apaixonado pelos textos e me vi triste, triste porque adorava escrever, me vi em seus textos, me identifiquei com você (nada homossexual) e percebi que estou a anos fazendo coisas que eu não gosto e me deixando de lado.

Pra não deixar isso aqui um trabalho de faculdade de 100pgs, gostaria de agradecer por me fazer lembrar os meus sonhos, do meu sarcasmo, da minha ironia, da minha falta de sorte assim como você.

Resolvi me mexer, comprei uma guitarra e percebi que não consigo tocar guitarra sem fazer barulho, comprei um violão e percebi que fiquei tanto tempo sem tocar que estou parecendo uma criança, reaprendendo do zero. Me inscrevi em um curso de quadrinho, estou pensando seriamente se eu faço um curso de cinema, ou se me inscrevo em uma graduação, já sou formado em publicidade, mas sempre quis fazer cinema.

E o que está me dando mais medo, mas vou voltar, é escrever.

Escrever sobre as coisas banais da vida, sobre as coisas felizes, sobre as coisas tristes, sobre as coisas.

Existem pessoas e situações que fazem com que nossa vida não fique aquela coisa chata de se viver, geralmente estas pessoas estão ao nosso lado, em nosso dia-a-dia, os chamamos de amigos, primos, mãe, meu amor, para com isso cachorro. Eles são nossos elos com o mundo real, são um grupo seleto e mesmo não te conhecendo pessoalmente, mesmo sem termos tomado uma cerveja juntos, sem ter comido um torresmo em uma casa do norte qualquer, você me ajudou a mudar minha vida, por isso te agradeço.

Obrigado Rob, não deixe de escrever e tornar vidas mais fáceis, quem sabe eu entro nessa parada e começo a escrever também, para quem sabe um dia, ajudar alguém como você me ajudou.

Abs,
Do seu amigo,
R. M. S.

**********

Alguns dias atrás, recebi este e-mail de um leitor.

De um leitor que não conheço, com quem provavelmente nunca conversei. Ao menos, não diretamente.

Eu poderia rabiscar um texto enorme aqui, falando sobre a importância de escrever, a importância de escrever para vocês, sobre como gosto de escrever... Mas não vou. Pois nada do que eu escreva aqui faria justiça ao que senti quando recebi esta mensagem.

Ao invés disso, quero apenas partilhar um diálogo que presenciei anos atrás e que ilustra bem o que estou sentindo.

- Existem milhões de animais abandonados na cidade. Se você adotar um deles, vai fazer alguma diferença?

- Não, não vai.

- Vai. Vai fazer muita diferença. Vai fazer diferença para aquele que você tirou da rua. Para este, vai fazer toda a diferença do mundo.

Porque, sabem... Quando você faz a diferença para uma única pessoa, você faz a diferença para você também.

Eu posso fazer a diferença uma vez ou outra com meus textos. Nem sempre consigo. Mas, como escritor, tenho a obrigação de tentar isso todos os dias.

Agora, vocês, aí do outro lado da tela... Acreditem: vocês fazem a diferença todos os dias. Mais do que vocês imaginam.

Muito obrigado.

Muito obrigado por tudo.

Rob

21 comentários:

Hydrachan disse...

Lindo! =) E merecido.

Eu não conseguiria me expressar melhor do que o R. M. S., e depois de ler esse e-mail, acho que ele devia perder o medo de escrever.
Não acha? ;)

Simplesmente perfeito! =)

Bjs!

Adriano disse...

Seu Robgórdo? Então posso te chamar de pára com isso cachorro?

Nelson disse...

Uma amiga uma vez me contou que a verdade, por ser normalmente dura e feia, acaba sendo ignorada ou não assimilada. Já se pegarmos essa mesma verdade e colocarmos uma fantasia bonitinha nela, é bem mais fácil dela entrar na nossa cabeça.
Por isso creio que a ficção, as crônicas, romances, fábulas e todo tipo de escrita tem um enorme valor, tão grande como o jornalismo. Sem elas, seríamos muito mais pobres.
Querendo ou não, eu aprendi mais sobre a vida lendo Tolkien do que livros de auto-ajuda.

Parabéns Rob, e parabéns pro Anônimo também. É difícil se abrir, mesmo anonimamente.

grande abraço!

Mary Farah disse...

Caramba, Rob.
Chorei de novo. Fala sério.
Vc faz muita diferença viu? O leitor expressou muito bem com seu depoimento pessoal. Obrigadão!

Anônimo disse...

Ai gente que lindo! É o que sinto... me senti na pele do RMS, com uma pequena diferença, ainda não me encontrei...

Rafael A.M. disse...

Rob, como faço para te contactar "em off"? Acho que vc vai querer saber como cheguei até você, encaixa muito bem com o espírito do "Chronicles", eu acho...Abraços.

Hally disse...

Pô, que bacana isso aí. Ainda não me encontrei, mas todo o seu trabalho me faz pensar. E se não faz pensar, faz apenas rir, o que já é um grande ganho em certos dias onde nada parece dar certo. Praticamente o Champ é meu porto seguro, onde posso ser eu mesma, a tonta que ri sozinha na frente do computador.

Giovana disse...

Bem, quero que vc saiba que eu cito seus textos, suas piadas nas conversas assim : - o meu amigo desconhecido disse..... kkkkkkkk! Considero assim mesmo, me reconheço em muitos textos e sempre dou pinta que estou lendo seu blog pq caio na gargalhada aqui no trabalho.
Ah, e cheguei ao seu blog através do Acepipes Escritos, um texto onde ele conta sobre o show que vcs foram aí em São Paulo.
Agora os dois são leitura obrigatória para mim, um refresco para o meu dia-a-dia!

Varotto disse...

O poder...

(e a responsabilidade)

Anônimo disse...

Fala Rob!!

então cara, uma certa vez eu deixei um comentário aqui no champ a respeito de um texto no chronicles, você até pediu pra que eu entrasse em contato com você, eu entrei e você não respondeu o e-mail!!

abraço!!!!

Rob Gordon disse...

Hydrachan:

Muito obrigado. E, pela profundidade e sinceridade da carta dele, eu apostaria no fato de que ele já perdeu o medo. Talvez ele mesmo não tenha percebido isso ainda, mas ele já perdeu.

Beijos!

Rob

Rob Gordon disse...

Adriano:

Eu tenho certeza que isso é uma piada antiga nossa, mas não estou conseguindo me lembrar de jeito nenhum!

Abraços!

Rob

Rob Gordon disse...

Nelson:

Aqui, deste lado da tela e falando como cronista, uma das coisas mais divertidas em escrever é colocar a minha realidade de forma fantasiosa. Claro que aqui no Champ eu faço isso de forma explícita, mas tem textos no Chronicles (e não são poucos) que são muito mais reais do que as pessoas acham.

Abraços!

Rob

Rob Gordon disse...

Mary farah:

Eu que agradeço. Pode ter certeza disso.

Beijos!

Rob

Rob Gordon disse...

Anônimo:

Mas você se encontrará. Pode ter certeza disso.

Rob

Rob Gordon disse...

Rafael:

Pode mandar um mail para o mesmo endereço - este fica em off. Desculpe a demora em responder o comentário!

Abraços, e mais uma vez obrigado!

Rob

Rob Gordon disse...

Hally:

Muito obrigado pelas palavras. O mínimo que posso fazer é agradecer, já que, durante um bom tempo, este blog foi meu porto seguro também. Muito obrigado mesmo!

Beijos!

Rob

Rob Gordon disse...

Giovana:

E o seu amigo desconhecido aqui agradece muito suas palavras. Muito mesmo.

Beijos!

Rob

Rob Gordon disse...

Varotto:

Exatamente. Especialmente na parte da responsabilidade. :)

Abraços!

Rob

Rob Gordon disse...

Anônimo:

Já respondi o e-mail, você recebeu?

Abraços!

Rob

Anônimo disse...

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