28 de agosto de 2012

Este Post Não é Sobre Rock


Às vezes, eu gostaria que a história do rock tivesse um começo determinado.

Poderia ser uma data, um evento, um disco. Seria um ponto de partida para tudo. Isso me ajudaria bastante, especialmente quando eu fizesse as minhas coletâneas. Ah, sim, porque eu faço coletâneas de tudo o que vocês podem imaginar – e o meu projeto de vida neste sentido é a Coletânea Definitiva, com toda a história do rock traçada e alinhada em ordem cronológica.

Infelizmente, para isso é preciso um ponto de partida. E o rock tem dezenas de pontos de partida. O mais comum é, claro, Elvis, o famoso “garoto branco que fazia música negra”. Assim, podemos pegar a gravação de (That’s) All Right Mama como o marco zero de tudo.

Funciona? Funciona.

Mas não é exato. Afinal, antes de julho de 1954, data da primeira gravação de Elvis, o rock já existia, graças a pessoas como os bluesmen T-Bone Walker e Muddy Waters, que já haviam eletrificado suas guitarras; e Ray Charles e Fats Domino, autores de pérolas como Mess Around e Blueberry Hill.

O começo da história do rock é quase um paradoxo: quanto mais você procura por ele, mas difícil será encontrá-lo.

Agora, não é segredo para ninguém que, nos anos 60, o rock ganhou o status de arte. Certo, Mick Jagger pode cantar que “it’s only rock and roll”, mas este verso não faz jus à verdade, por mais famoso que ele seja. A partir da segunda metade da década de 60 surgiram discos e álbuns que não devem nada às outras formas de arte, seja pela experimentação, pelo caráter vanguardista, pelo teor social.

As provas disso são muitas. Em poucos anos, o mundo viu o surgimento de bandas como Pink Floyd, David Bowie, Jimi Hendrix, Deep Purple, Led Zeppelin, The Doors; e o nascimento de discos do calibre de Pet Sounds, Disraeli Gears, The Velvet Underground, Let it Bleed, Tommy, Black Sabbath...  Ficando somente em bandas e discos, sem falarmos de músicas individuais, os exemplos são muitos.

Pois mais importante que saber quando foi o nascimento do rock, é entender que nos anos 60 ele deixou de ser “criança”. Deixou de ser apenas um estilo musical e virou arte. E, de repente, descobriu-se que a música barulhenta que os jovens ouviam era mais que isso. Era muito mais. Era quase uma força da natureza com a capacidade de retratar a sociedade, alterar costumes, lançar modas... Com o poder de mudar o mundo.

E o fez. Tanto que o mundo nunca mais foi o mesmo.

E, por trás de tudo isso, existe outro “marco zero”: o encontro entre Bob Dylan e os Beatles num quarto de hotel, em Nova York.

Em uma tarde, tudo mudou.

Até o momento, Beatles e Dylan haviam trilhado caminhos diferentes. Enquanto os ingleses faziam o rock explodir novamente, o norte-americano começava a reinar absoluto no mundo folk. Enquanto Dylan cantava uma América realista, os Beatles falavam de amores inocentes. De um lado do Atlântico, guitarras; do outro, um violão. Admiravam-se mutuamente, à distância.

Em uma simples tarde, tudo mudou. Numa conversa com perfume de maconha, Dylan incentivou s Beatles – especialmente John Lennon – a tentarem compor letras mais intimistas, menos inocentes, mais realistas; e, encantado com o som do quarteto, Dylan decidiu ligar sua guitarra num amplificador, mergulhando de vez no mundo do rock.

Em uma simples tarde, os Beatles mudaram. Em uma simples tarde, Dylan mudou.

Em uma simples tarde, tudo mudou. Like a Rolling Stone. In My Life. Highway 61 Revisited. A Day in the Life. Just Like a Woman. Yesterday. Ballad of a Thin Man. Norwegian Wood. Maggie’s Farm. You’ve Got to Hide Your Love Away.

Em uma simples tarde, o mundo mudou. E todos os discos e bandas que citei lá em cima começaram a tomar forma.

Isso aconteceu exatamente há 48 anos, no dia 28 de agosto de 1964. Assim, hoje pode ser considerado o aniversário do rock moderno, ou, ao menos do rock como conhecemos hoje. Pois tudo o que ouvimos hoje está de alguma forma ligado a Beatles e Dylan, bem como suas carreiras, depois de 28 de agosto de 1964, estariam ligadas de alguma forma ao que aconteceu nesta tarde, naquele quarto de hotel.

28 de agosto.

Um dos dias mais importantes da minha vida.

E não estou falando de rock. Estou falando do aniversário da minha esposa.

Pois ela faz comigo o que aquela simples tarde fez com o rock. E ela faz comigo o que o rock faz com o mundo.

Ela fez minha vida amadurecer, transformando-a em arte. Ela faz minha vida ganhar força e som, inteligência e paixão, delicadeza e sensibilidade. E tudo isso mantendo a graça, a diversão e a dança. Às vezes ela é um refrão contagiante, às vezes é um solo delicado.

Ela é minha banda preferida, meu disco de cabeceira, a melodia que assovio. Ela é o show do qual não me esqueço, a letra que sei de cor, o encarte mais bonito. Ela é a minha coletânea, a minha camiseta de banda, o ingresso que guardo com carinho. Ela é meu heavy metal, meu blues, meu rock clássico. Ela é a minha lista de músicas preferidas, a minha história de bastidores, e todos os shows que eu ainda quero ver.

Ela é a trilha sonora da minha vida. O meu rock.

Assim, nada mais justo que o rock e o amor celebrem seus aniversários no mesmo dia. Afinal, eles se confundem e se misturam o tempo inteiro.

Ao menos, na minha vida.

26 comentários:

Elise Garcia disse...

Depois de um texto desses, só posso desejar à Ana que tenha um dia sossegado, porque um feliz aniversário é certo que terá... =)

[e vc, hein, Rob, fazendo a gente ter ataques de ternurinha em público...]

Adônis disse...

Inacreditável o quão conveniente é o aniversário da Ana ser justo nesse dia tão importante para a história da música. Parabéns pelo texto, Rob, e parabéns, Ana, pelo seu aniversário! Felicidades!

Ana Claudia Savini disse...

É tudo tão lindo que você me deixou sem palavras, Luv.
Mas acho que você saber que fiquei emocionada e que foi o melhor presente que eu ganhei já diz tudo.
Amo você demais.
Beijos
<3

Juliana Canoura disse...

Que lindo,Rob !! Parabéns a Dona Esposa,muitas felicidades a ela e aos dois,sempre!

R. disse...

puta presente. :)

Max Reinert disse...

Ownnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnn



bixinha!!!

Hally disse...

Que coisa linda esses virginianos, hein? E concordo com a Elise, um feliz aniversário é certeza que você está tendo!

Varotto disse...

Ah! A surpresa. Sempre a surpresa final.

Ana parabéns pela data e pelo seu presente.

disse...

Que lindo Rob! Isso é que é presente de aniversário... Felicidades, Ana!

Mary Farah disse...

Aaaaaw Rob!
Que lindo, que lindo! Fantástica sua comparação! Perfeito!
Parabéns para aquela que faz seu mundo brilhar muito! VIVAAAAAA!!!!!

Fagner Franco disse...

CARAIO, que lindo! hahaha
Parabéns (atrasado, eu sei, mas já havia desejado twitteristicamente), Ana. Parabéns mesmo. Muitas, muitas felicidades do lado desse rapaz aí!

Kel Sodré disse...

Volteeei! :) E que bom ser recepcionada com um texto tão, mas tão, mas tão... ótimo. Por metade dele eu ficava repetindo meio sem querer dentro da cabeça "mas isso NÃO é um texto sobre rock???". haha Mas aí, claro, vi que não. É um texto sobre amor. Sobre dois amores de Rob. Né, Rob?

Acrescento que o dia 28 de agosto também é aniversário de uma amiga queriiida até não poder mais. E concluo que é um bom dia pra se nascer. Nascem gentes e coisas muito especiais no dia 28 de agosto. :)

Parabéns (com atraso, mas com carinho), Ana!!! Uma vida de rock pra você(s)! :)

Ana Claudia Savini disse...

Obrigada a todos os parabéns e felicidades. E sim, foi um aniversário bem feliz. :)

Rob Gordon disse...

Elise:

Desculpe pelo ataque de ternurinha. Mas foi por uma boa causa.

Beijos!

Rob

Rob Gordon disse...

Adônis:

Engraçado. O que você chama de "inacreditável", eu chamo de "faz muito sentido". Coisas que só uma Ana Savini faz por você.

Abraços!

Rob

Rob Gordon disse...

Ana:

Você merece um texto para cada música dos Beatles. Mesmo.

Te amo.

Beijos!

Rob

Rob Gordon disse...

Juliana Canoura:

Obrigado!

Beijos!

Rob

Rob Gordon disse...

R.:

Né? Ela merece. :)

Beijos!

Rob

Rob Gordon disse...

Max:

O senhor me respeite na frente da minha mulher. :)

Abração!

Rob

Rob Gordon disse...

Hally:

Virginianos são foda. :)

Beijos!

Rob

Rob Gordon disse...

Varotto:

Sem surpresa, não teria graça. :)

Abraços!

Rob

Rob Gordon disse...

Fê:

Obrigado!

Beijos!

Rob

Rob Gordon disse...

Mary Farah:

Obrigado! E a comparação não é mérito meu. Culpa dos Beatles, do Dylan e da Ana, que combinaram tudo.

Beijos!

Rob

Rob Gordon disse...

Fagner:

Valeu, cara!

Abraços!

Rob

Rob Gordon disse...

Kel:

Na próxima vez, confie em mim. Quando eu falo que não é um texto sobre rock, é porque não é um texto sobre rock. :)

E, sim, pessoas e coisas especiais nascem no dia 28 de agosto. Sorte a nossa. :)

Beijos!

Rob

Rob Gordon disse...

Ana:

<3

Beijos!

Rob