21 de julho de 2009

Nos Bastidores da Notícia

Ok. Vamos polemizar um pouco.

Como os leitores mais habituais aqui sabem, eu tenho passado por um sério bloqueio criativo. E, como eu deixei claro alguns posts atrás, um dos motivos disso – senão o principal – é o volume de trabalho que eu tenho, literalmente, enfrentado, nas últimas semanas. Tanto é que por causa disso, eu não consegui abordar alguns assuntos que gostaria no blog.

Um deles é a obrigatoriedade do diploma de jornalismo. Muita gente me perguntou, especialmente via Twitter e Messenger, qual era minha opinião sobre isso e, principalmente, se eu iria falar disso no blog. Eu queria mesmo escrever (já tinha até o título: Guerra de Canudos), mas realmente não tive tempo – e o assunto acabou esfriando. Mas, outro dia, um amigo veio me cobrar o motivo de eu não ter escrito nada a respeito.

Enfim, ao invés de simplesmente dizer que estou entupido de trabalho, o que seria bastante fácil, acho que cabe aqui dizer um pouco sobre como foram as minhas últimas semanas.

Ano que vem, fará 10 anos que eu trabalho dentro de uma redação. Comecei numa revista no ano de 2000, como editor-assistente, sem saber praticamente nada. Saí de lá anos depois, como editor-chefe. Hoje, eu trabalho em outra editora.

Sou chefe de redação – coordeno uma equipe interna (jornalista e estagiário) e um batalhão de colaboradores, entre fotógrafos, diagramadores e colaboradores (destes, alguns que vocês certamente conhecem).

Mas, como minha equipe interna é bastante reduzida, o volume de trabalho é enorme. Fazemos três revistas mensais. Eu disse revistas, e não panfletos de três ou quatro páginas.

E meus prazos são sempre apertados, por diversos motivos (um feriado entre os dias 5 e 12, por exemplo, simplesmente destrói meu mês). Sendo assim, não é difícil – aliás, é bem comum – eu ter que trabalhar em casa em pelo menos dois ou três finais de semana por mês. Além disso, ainda fazemos a newsletter de uma empresa, mas sem periodicidade fixa.

Ah, esqueci de dizer que a redação ainda abastece com notícias, diariamente, dois sites.

Desta forma, eu não apenas coordeno toda a redação, como faço também a primeira revisão em todos os textos da revista (escritos aqui dentro ou por colaboradores), e escrevo os meus textos – que, claro, não são poucos. E, claro, ainda encontro tempo para ir a algum evento do meu meio, ou para sair correndo e entrevistar alguém, seja um executivo do mercado em que atuo, seja um dos subprefeitos de São Paulo.

Ah, sim, e estamos com novos projetos. Um deles – que já está bastante encaminhado, por sinal – é uma revista nova, com cerca de 30 páginas editoriais. Assim, eu tive que, nas últimas semanas, participar de reuniões de pauta, fazer contato com novos colaboradores (discutindo temas e abordagens de matérias, valores de cada texto) encomendar um projeto gráfico, revisar o projeto gráfico e pedir alterações.

Tudo isso, claro, sem parar de fazer as outras revistas.

É mais ou menos assim: Com uma mão apuro informações e redijo textos da revista A; com a outra, vou adiantando o que posso da revista B. Mas claro que às vezes tenho mais revistas que mãos. Só que o prazo, o temível e famigerado deadline, nunca muda – e é sempre apertado.

Sendo assim, há momentos em que é bastante difícil encontrar tempo para mim. Semana passada, por exemplo, eu consegui almoçar, de verdade mesmo, na quinta e na sexta. Na terça, por exemplo, como eu precisava fazer uma reunião com um colaborador e já eram 18:00, fiz a reunião no boteco aqui em frente, comendo uma coxinha. Quatro horas depois, eu estava entrando num restaurante com um diagramador, para ver algumas páginas do projeto gráfico.

E, não, não sou o melhor jornalista do mundo. Nem me acho isso. Já fiz cagadas, já cometi erros, mas, passado o susto inicial (porque sempre assusta, já que os erros invariavelmente são descobertos quando a revista está impressa), procuro aprender com eles.

Escrevo isso apenas para vocês terem uma dimensão de como foram minhas últimas semanas, e entenderem porque alguns assuntos relevantes passaram batidos pelo blog. E isso, claro, não vai mudar. Entre escrever minha opinião sobre um determinado assunto no blog e produzir um texto para o trabalho, obvio que o trabalho vem em primeiro lugar, já que eu não ganho um centavo com este blog – mas eu ainda consigo, às vezes, escrever para o blog no trabalho, como acontece justamente agora.

Hoje, eu sei que ao longo destes quase dez anos, tudo o que eu sei sobre minha profissão, aprendi com um punhado de pessoas que trabalharam comigo, sejam chefes, funcionários, colaboradores ou simples colegas. Aprendi fazendo. Aprendi errando. Mas, pelo jeito, algo eu aprendi. Afinal, ainda estou aqui, vivendo disso e trabalhando cada vez mais.

Ah, sim, quase me esqueci de dizer, mesmo sendo, teoricamente, o assunto do texto: eu não tenho diploma de jornalismo.

44 comentários:

Dragus disse...

Demorou a nascer essa criança, heim?

Agora pelo menos quando discutir sobre jornalismo - esse assunto sempre vai voltar a tona. - terei como citar um exemplo de profissional de sucesso na área sem precisar falar de figuras míticas.

Poderei citar Rob Gordon, como exemplo próximo, do que falo. =)

Parabéns pela coragem em colocar isso em aberto. Muita gente vai se roer.

Bridget Jones disse...

Eu nunca sou séria, mas as vezes a gente tem que dar (ui!) a mão a palmatória.

É difícil desprezar um diploma. Eu nunca faria isso, de fato. Mas também é importante encarar que muitos jornalistas (conhecidos, incusive) não são formados. E com certeza também não podemos desmerecer o trabalho destas pessoas que aprenderam na prática, o que a faculdade de jornalismo ensina na teoria.

A teoria é importante, eu nunca diria o contrário. Mas o talento, a perspicácia (sim, jornalista tem de ser perspicaz), o "olho rápido", a mente observadora, são aguçados com anos de trabalho. E nem sempre, estas características começam a desenvolver-se na faculdade de jornalismo propriamente dita.

Algumas vezes, (a exemplo do Rob) ela se desenvolve naturalmente. E isso é um grande mérito.

That's it!

@fbjr disse...

Chackmate!

MaxReinert disse...

Eu sabia...eu sabia!!!!!!

Gabi Bianco disse...

Eu também não tenho diploma. De jornalismo, né? Eu tenho um outro lá de gastronomia. É sério.

E nem por isso sou menos capaz que meus colegas que se formaram em comunicação. Quer dizer, eu sou até mais capaz, se bobear. Afinal, além de produzir conteúdo, sou capaz de fazer boulabaisse.

beijo

Fábio Buchecha disse...

Tá, mas e uma vaguinha pra mim aí, tem?

Eu tenho diploma :P

Kel Sodre disse...

Várioas coisas a se considerar nesse post.

1) Rob, quero te entrevistar! Quero muito! Fazer seu perfil para publicar em lugar nenhum ou, no máximo, no Armário. Deixa?

2) Me dá uma vontade de fazer todas essas coisas que você diz... reuniões de pauta, revisões de textos (adoro!), ir a eventos da área, fazer 3 revistas, tudo. Morro de vontade. Quem sabe a partir do fim do ano, quando me formo (sim, terei diploma de jornalismo)...

3) Não acho que o diploma seja o mais importante. Acho que os conhecimentos adquiridos na faculdade são importantes. Se a pessoa consegue esses conhecimentos - e qui não me refiro só aos aspectos técnicos, mas também à teoria e as questões éticas que envolvem o jornalismo - por outros meios, mérito dela, ponto pra ela, parabéns pra ela. Deve ser considerada tão jornalista quanto os que possuem diploma. Esse parece ser o caso do Rob, logo, Rob, te admiro ainda mais agora do que já admirava antes.
Ainda tenho duas considerações a fazer a respeito da queda da lei de imprensa. A primeira delas é que a queda da obrigatoriedade do diploma é uma questão relevante, sim, mas não é o cerne da questão. Estamos pensando muito em diploma ou não diploma e nos esquecemos que agora o jornalismo está rendido à legislação civil, o que pode ser extremamente prejudicial, principalmente para os próprios jornalistas, visto que a corda sempre rompe do lado mais fraco. A segunda consideração é que, sinceramente, competir com outros profissionais na função de escrever matérias não é o que mais me preocupa. Estou preocupada, sim, com o poder de negociação da classe que, se antes era mínimo, agora é capaz de passar a ser ridículo ou nulo. Se o jornalista já era um profisional na maioria das vezes prostituído, que trabalhava por quaiquer R$500 no mês, agora vai ter que se sujeitar a condições ainda mais degradantes, uma vez que as empresas têm o argumento do "tá reclamando de quê? Eu podia contratar um engenheiro pra escrever no teu lugar!".
Sim, tenho uma visão muito pessimista da situação e acredito muito pouco ou quase nada na força do Sindicato para resolver isso. Tenho pouca experiência, ainda sou uma universitária sem muita propriedade para afirmar as coisas, mas já percebi que jornalista é uma raça muito desunida. Vejo isso em mim e nos meus colegas, que estão preocupados com a pauta de hoje, com a entrevista de amanhã - como deve ser - e nunca foram, ou nunca fomos - a uma reunião do Sindicato.

Priscila Nicolielo disse...

vc deveria aconselhar a tomarmos um café antes de começar a ler. rs
bom, entendo essa falta de tempo. divido uma redação com meus textos pessoais, que vão além do blog... E como me frustro por não conseguir finalizar uma peça ou um curta há tanto tempo começados. quando volto para eles, não tenho mais vontade das discussões que propus ali... Mas é a vida que escolhemos, certo?
ah, obrigada pelos elogios em meu blog.
um beijo,

Maria Fernanda disse...

As pessoas esquecem que não se aprende NADA na faculdade. Jogue-as na redação - minha, sua ou qualquer outra - pra ver que "delícia" de vida! Eu não tenho diploma, você não tem e ainda assim nos chamam pra sermos jurados, colaboradores, escritores e contarmos nossas histórias. Chama-se talento. E isso não se ensina. Beijos.

Varotto disse...

Muito boa essa sua forma de dar sua opinião sem (parecer) abordar o assunto diretamente.

Tyler Bazz disse...

Fato é que o diploma não garante qualidade. Com a internet aí, fica cada vez mais fácil achar jornalista formado fazendo cagada. Ao mesmo tempo a gente vê uns caras que aprenderam de outra forma, e trabalhando direito.

O que aumenta com a não-exigência do diploma, na minha opinião, é a responsabilidade e, talvez, a participação do leitor. Agora é torcer pra que a população leitora cresça, não só em números, mas em qualidade.

Tyler Bazz disse...

Ah sim, e ligando o modo "Tradutor que se fode porque a profissão não é regulamentada":

CHUPEM, JORNALISTAS!

Dragus disse...

Por favor, não agridam o Tyler.

Ele é legal. Não merece ser crucificado na onda que virá ao cometer o crime de ser sincero.

Fernando R. Silva disse...

Olá, Rob!

Nos conhecemos mais ou menos da blogosfera. Mas hoje acessei o blogue por conta do apelo pelo Twitter de um cara que gosto muito, que é o Tyler.

Bom, achei do caralho a explicação implícita para o polêminco tema. No fim das contas, o que vale é fazer o trabalho bem feito, com competência, ter a consciência limpa, e claro, ganhar dinheiro com isso. Diploma não é tudo. Ajuda, mas não é tudo.

Estou te seguindo a partir de agora e te lincarei também, ok.

Abraços!

Flavita disse...

Rob, vc só esqueceu - convenientemente - de contar para os leitores qual é a tua formação. Talvez eu faça um post sobre isso. Vai se chamar "Como eu conheci Rob Gordon".

=P

Flavita disse...

ps: Kel, é que vc é novinha, mas é ingenuidade sua achar que o diploma garantia alguma coisa ou que a obrigatoriedade do diploma fazia com que as empresas/veículos pagassem melhor ou tivessem respeito. Quando a questão é grana o patrão (se for escroto) sempre terá um argumento (igualmente escroto). Antes da queda era contratando estagiário, recém-formado etc por menos da metade do salário de um profissional estabelecido. O problema é bem mais embaixo. Existem alguns textos muito bons sobre o assunto que mostram bem quais devem ser sdua preocupação. Nós, da comunicação social, estamos num momento bem angustiante. O mundo tá mudando bem rápido e as profissões do setor tb. Talvez nossas profissões (sou relações públicas e fotógrafa) se tornem obsoletas. Hoje, o cidadão é produtor de conteúdo. É um momento de transformação, mas ao mesmo tempo que nos angustia é uma oprotunidade de descobrirmos novas oportunidades. Não desanima não. O canudo é detalhe. Juro!

ps2: não, o Rob não é RP.

Flavita disse...

opa, oportunidade de descobrirmos oportunidades ficou bonito né?

" é uma chance de descobrirmos novas profissões, áreas etc".

Dama do Lago disse...

No seu caso, meu caro, o diploma é o de menos(sério mesmo).
Acho mais importante você começar a aprender a digitar com os pés :D
Beijo
Sil

Otávio disse...

Caros, eu posso afirmar que o que ele escreveu não é nem um pouco exagerado. É sofrimento puro!

E não é à toa que incidentes com o caso da lasanha fumegante acontecem. Stress puro.

Isabella disse...

Você com tanto trabalho... E eu com tão pouco.


Quer me contratar?



PS: Não tenho diploma.

Otavio Cohen disse...

primeiro o comentário brincadeira com fundo de verdade

E uma vaguinha pra mim aí, tem?? terei diploma em seis meses, assim como a kel, aliás ela é da minha sala e eu faço projeto de final de curso com ela...

agora o comentário sério:

não acho mesmo que é ingenuidade querer se formar em jornalismo. eu faço estágio com jornalismo policial e quanto mais gente morrer ou se acidentar, "melhor" pra mim. e não, eu não gosto, apesar de saber que altas pessoas curtem essa adrenalina. isso me tira o sono e me faz ter muitas crises agora no finalzinho do curso. varias vezes já pensei em desistir e ir fazer veterinária, que é minha paixão. mas eu continuo. e se continuo é pq tenho alguma esperança de talvez um dia chegar a trabalhar com as mesmas coisas que o rob trabalha. não é brincadeira quando eu puxo o seu saco, rob, quando falo que quero ser vc quando crescer. é verdade.

deixando de lado as questões ideológicas, que já foram discutidas por aqui e em todos os outros lugares do mundo, me fala aí, rob. Se eu fosse estudante de veterinária vc me daria um estágio na sua equipe? que oportunidade eu teria?

modéstia à parte, eu me viro mto bem escrevendo e também tenho esse tino jornalístico aí. mas acho que essa história de que hoje, em 2009, com essas 298475 faculdades de jornalismo por aí, não ter diploma e ainda sim querer ENTRAR no mercado é IMPOSSÍVEL. desculpa, mas é papo de quem já está dentro das redações há dez anos.

realmente, no meu caso não muda muita coisa. estou me formando numa das melhores universidades do país. mas e se por acaso eu não tivesse passado no vestibular?

Fagner Franco disse...

Sem nenhum comentário a altura de alguns aqui pra fazer, apenas parabéns pela forma criativa de explicar sua opinião sobre o assunto.

Detalhe que nos últimos meses estive enfrentando dúvidas quanto a meu futuro (tanto que tranquei minha facul de TI). Sim, pensava em entrar na área do jornalismo. Na verdade, era uma maneira de entrar numa área menos distante (e que, ao meu ver, me traria alguns importantes conhecimentos pra o cinema) do audiovisual, do cinema etc. E sem ser uma faculdade restrita de cinema (não preciso ir longe para mostrar gente que faz cinema e não fez cinema). Bem nesse tempo, me sai esse lance de diploma. Que, na verdade, me deixou mais confuso...haha...

Em resumo, não tive a oportunidade de, cedo, entrar na área, mesmo sem diploma e, mesmo se eu fizer, não fará muita diferença...haha...não sei se me entendeu...mas enfim, to fudido.

Parabéns para você que entro na área que gosta, sabe o que faz, faz bem e ainda provou que a lei, de certa forma, tem seu lado bom: Dar oportunidades àqueles que sabem mesmo jornalismo, sabem escrever, independente do diploma. Parabéns!

(Cacete, escrevi pra caralho)

bjomeliga disse...

Não sou jornalista nem trabalho no meio, mas adorei a forma como você colocou a coisa. E né, uma série de diplomas são dispensáveis, se você pensar bem.

Otávio disse...

Bom, eu tb não tenho diploma de jornalista e trabalhei com Gordon. Eu trabalho na área há 10 anos e um detalhe FUNDAMENTAL: escrevi para alguns dos veiculos mais importantes do Brasil sem sequer ter saido de casa, conhecido editor pessoalmente ou ter morado em SP (bom, só fui morar bem depois e por pouco tempo).

Ou seja, se você é bom, mostre seu trabalho. Nunca mostre seu currículo, mostre seus textos. Os seus melhores textos. Refine seu modo de se expressar e seu estilo.

Com isso, alguns contatos que for angariando pelo caminho e, claro um pouco de sorte, você entra. Não pode é desistir ou pensar que nunca vai dar certo. Acreditem, sei bem como é isso.

Lizzie disse...

Rob, é uma questão deveras complicada. Há muitos jornalistas formados e totalmente incompetentes no mercado de trabalho. No entanto, colocar as mulheres-fruta a fazer um trabalho de jornalista também não é nenhuma boa idéia.

Existe uma gama enorme de talentos 'soltos' por aí e que não possuem diploma - você, por exemplo. Contudo muitas pessoas não tão talentosas assim necessitam de um curso para aprender os conceitos, descobrir um pouco mais da técnica. Acredito ser problemático qualquer pessoa (vindo de qualquer ramo, muitas vezes sem nenhuma paixão ou talento pelo jornalismo) poder se denominar jornalista. Pode virar uma 'profissão-de-fuga'.


No mais, é um belo post.
Beijos

Charlie Dalton disse...

Você escreve muito! E o interessante é que a leitura não fica cansativa, apesar do volume.

Sei não! Se for assim, eu posso virar redator também! Não tenho diploma. (Tenho do cursinho de Informática do meu bairro, mais isso não conta.)

Você é um dos guris da blogosfera que me inspira. Quando eu crescer, quero escrever como você.

Jullia A. disse...

Eu quero ser jornalista.
Com ou sem diploma. Jornalista.

Jullia A. disse...

Eu quero ser jornalista.
Com ou sem diploma. Jornalista.

Marina disse...

Eu sinceramente não sei como você consegue ter paciência e assunto para escrever nos blogs da maneira como você escreve, com essa frequência, com a qualidade e o humor impecável, depois de passar o dia trabalhando e, principalmente, escrevendo.

Nunca escrevi por profissão e não sei poderia viver disso. É gostoso escrever por hobbie e não sei como encararia essa coisa de prazos apertados. Inspiração tende a sumir nessas horas.

Enfim, tenho uma opinião meio dividida sobre esse caso do diploma, então melhor nem opinar.

Varotto disse...

Aproveitando o gancho:

"varias vezes já pensei em desistir e ir fazer veterinária, que é minha paixão. mas eu continuo"

Otavio, pense bem mesmo nisso porque à medida que o tempo passa, largar a carreira não fica mais fácil.

Trabalho hoje com coisas com as quais tenho afinidade, mas não são a minha paixão. E ter atingido um certo patamar e uma situação de conforto, me impedem de pular do barco.

Não me arrependo exatamente de ter seguido o rumo que escolhi porque muita coisa boa me aconteceu no caminho. Mas dói um pouquinho quando penso que poderia estar fazendo outras coisas que me recompensariam muito mais.

Rafaella Weiss disse...

caramba, Rob! imagino o quanto deve estar estressante o trabalho aí. acompanhando o comentário da Marina, mesmo com todas essas semanas duras que você teve, ainda consegue escrever impecavelmente.

tem muita gente com diploma, que não chega ao rastro de como você escreve.
vocação a gente tem, não cria.

beijo, Rob!
até mais

Anônimo disse...

Naum li os outros comentarios pra naum influenciar e naum me deixar com a sensaçao de q stou escrevendo o q os outros jah disseram...
Acabei de chegar de um jantar com uma amiga, e estavamos falando justamente sobre esse fato do diploma.
Eu naum concordo em alguns aspectos, mas tive q confessar a ela que existem 'blogueiros' 'melhores' que jornalistas. E mais, eu disse: 'Mesmo que tu naum curta blogs e afins, precisa conhecer o Rob do Champ. Certamente ele tem diploma, mas se naum tivesse, pra mim naum faria a minima diferença...'
Bom, naum sei se fico surpresa por saber que tu naum possui o dito canudo ou se passo a te admirar ainda mais...
Se for assim, pra escrever de forma que preencha nossos momentos na frente dessa maquina, que venham mts outros jornalistas por conta propria!

dari

Daniela disse...

Um dia você conta quais revistas são essas? :P

LucasCF disse...

Um dia você conta quais revistas são essa? [2]

Hally disse...

Existem muitos jornalistas das antigas, bons pra caramba, que não possuem diploma. Existem muitos jornalistas que estudaram nas melhores faculdades e não sabem fazer isso direito.

Toda regra tem sua exceção. Eu ganhei uma bolsa integral do prouni para fazer jornalismo em uma universidade bastante importante no Paraná. Desisti, pois, sinceramente, um jornalista vive de escrever, e eu não faço isso muito bem. Mudei radicalmente e fui para a informática, que descobri ser o caminho certo.

E tu, é corajoso em abordar estes temas. Já vi muitas manifestações sobre o assunto de estudantes descontentes, mas garanto que um décimo deles terá talento o suficiente para dar à profissão o glamour que ela exerce em quem não faz a mínima para o que realmente faz um jornalista.

Parabéns pelo post. Até mesmo quando queres falar sério, tu o faz com maestria!

Stephanie disse...

Rob,

eu sou jornalista "com diploma" e sinceramente, até agora não cheguei a nenhuma conclusão quanto a essa história da obrigatoriedade.

Sei que a faculdade não faz um jornalista. Aprendi quase tudo numa redação de agência de nóticias onde se produziam textos que alimentavam jornais, sites, revistas. Uma puta escola. Pra mandar bem num ambiente desses os requisitos eram ter bom texto e acompanhar o noticiário - ninguém precisa de curso superior pra isso.

O que me irrita nessa polêmica é as pessoas falaram como se o curso de comunicação fosse só um meio pra ganhar uma pedaço de papel que legitima alguma coisa. Muita gente entra e sai de qualquer faculdade sem aprender nada, nem como profissional nem como ser humano (eis aí uma coisa realmente grave). Acho que currículos das universidades estão engessados, precisam ser revistos, mas o fim da exigência do diploma não é motivo pras pessoas desistirem da carreira ou de estudar jornalismo.

acho que esse pessoal que valoriza demais o canudo está preocupado com a coisa errada. A merda é você ser um só ser chefe de redação responsável por várias revistas, quando cada uma delas devia ter seu próprio chefe e cada um deles ter tempo de, além de trabalhar pra cacete, ter tempo pra curtir a própria vida. Por que com ou sem diploma, o enxugamento das redações é um fato muito mais preocupante.

belo texto, como sempre, você manda muito bem.

beijo

portalmeira.com disse...

É uma profissão cuja atividade é por excelência a expressão da liberdade, da criatividade e porque não da arte.
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Creio que a exigência de diploma não traz grandes benefícios a sociedade e até já escrevi sobre isto no meu blog.
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Mas enfim, o que vale mesmo é a competitividade, competência e profissionalismo, ainda que sem diploma.
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Sempre desconfiei que o senhor Rob Gordon guardava alguma relação com a boa e simpática escrita e duvidava que fosse um jovem nerd desempregado que fazia os textos aqui expostos.
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Enfim, acertei =D
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Sucesso Rob e um abraço! =D

Gilgomex™ disse...

Como eu já comentei no MSN, agora sou ainda mais seu fã. Porque um cara conseguir fazer tanto e virar editor-chefe e tudo, sem diploma é muito complicado. Especialmente quando muitas vezes, logo ao chegarmos na frente de uma redação de jornal ou revista, os chefes já perguntavam: "Tem faculdade de Jornalismo?" Apesar de não ser um exemplo de pessoa que escreve com todas concordâncias e palavras bonitas possíveis e existentes no dicionário brasileiro, eu já escrevi para alguns jornais (para isto existem os revisores... heuheuehuheuehueh), e já até vivi disso durante alguns meses.

O problema é que toda vez que eu escrevia um texto pro jornal, o revisor ao invés de corrigir os erros de português ou de concordância, me dizia que o texto estava muito pessoal. Alguns hábitos que eu tinha (e ainda tenho, mas não trabalho mais em nenhum jornal, exceto pela Coluna num jornal local), como escrever "nossa cidade", "eu conversei com", "é uma grande novidade pra nossa população" eram frequentemente limadas de meus textos, por se tratarem, de acordo com as palavras do editor-chefe "opiniões pessoais que não interessam aos leitores". Aí desanimei... Mas quem sabe um dia eu volte.

Também não tenho diploma de jornalismo... Ou qualquer outro... Eu me mato de vergonha.

Diego Iwata Lima disse...

De fato, o diploma não faz o bom profissional sozinho. Vivência, bagagem, repertório e perfil para a função são coisas mais importantes que o pedaço de papel. Contudo, não há melhor lugar para aquisição de alguns desses requisitos do que as faculdades de jornalismo - nem caminho mais curto ou melhor guiado. Rob teve a sorte (?) de encontrar esse caminho atrás de uma porta insuspeita. Mas se vc é um estudante de terceiro colegial e quer se tornar um jornalista, não adianta fazer direito, publicidade ou contabilidade, my friend. Orgulho do meu pedaço de papel, com o logotipo da Cásper Líbero, do ano de 2002.

Arthurius Maximus disse...

Pois é meu camarada! Pelas antas que andam se manifestando por aí; você é um usurpardor da profissão alheia e um cara sem ética.

Isso é para você ver como tem "gente boa" por aí servindo como massa de manobra e gado manso, apenas repetindo discursos ensaiados e construídos com interesses inomináveis.

Crisolda disse...

Prazer em conhecê-lo, Rob!

(me surpreendeu no final do post, vc é fod... rs)

Matheus Silva disse...

e tu ainda acha tempo pra escrever aqui no blog, e se acha feliz com isso tudo.

parabéns, tu é uma das poucas pessoas que fazem um trabalho que realmente gostam

Melinda disse...

Caramba Rob?! Te respeitei! Fiquei surpresa em saber que não tinhas diploma de jornalismo.
Eu sei que não é este o ponto mais importante no perfil do profissional( a formação acaba acontecendo na marra), mas de toda forma adoro a tua franqueza e acho que é um dos elementos sedutores do teu blog, dos teus textos .Aliás...posso perguntar qual é a tua formação? Enfim ....congratulations

Maurílio Resende disse...

Eu tenho vinte e um anos e nenhuma experiencia.

O meu maior desejo é ser escritor, é poder viver do que eu crio, mas não é preciso ser um especialista pra saber que não é nada, nada fácil.

Sendo assim, decidi tentar vestibular para o curso de Produção Editorial, não porque acho necessário um certificado em curso superior para se tornar um escritor profissional, não mesmo. Apenas acredito que esta seja uma boa oportunidade de adquirir conhecimento e entender um pouco mais sobre o mercado, talvez até mesmo descobrir uma paixão pelo ritmo frenético de uma redação como a do Sr. Gordon.

Eu não sei de nada. Só sei que não quero tomar decisões importantes como essa pela simples conveniência de ter que escolher alguma coisa.

E Rob, o meu respeito pelo seu trabalho cresce cada vez mais.

Eu tenho um "emprego real" e praticamente não consigo concilia-lo com a produção de conteúdo para o meu blog, e olha que ele nem é tão corrido assim.

Está na hora de eu ser melhor...