30 de março de 2009

Cantando no Chuveiro Banheiro

Já peço desculpas antecipadamente a qualquer pessoa que se ofenda com este post. Estou desde a semana passada tentando escrever sobre isso, mas não consigo por receio disso. Hoje resolvi meter os peitos, por que ainda estou muito puto com isso.

Antes disso, porém, quero deixar claro uma coisa: eu não tenho preconceito de nenhum tipo. Faço piadas com judeus, negros, orientais, gays e todas as minorias existentes, justamente porque tenho amigos de todas estas minorias – alguns deles, por sinal, grandes amigos.

Para mim, fazer piada com alguém por causa da etnia ou da opção sexual é algo absolutamente natural – respeitadas as devidas fronteiras com o mau gosto – da mesma forma que é normal fazerem piadas comigo por causa da minha altura ou de eu ser careca, ou gostar de filmes de mortos-vivos.

Falando especificamente sobre gays, o que estou tentando dizer aqui é que não tenho absolutamente nada a ver com as decisões que cada um toma sobre seu próprio corpo. Você é homem e quer se relacionar com outro homem? Faça isso, o corpo é seu, a vida é sua e somente você sabe o que é melhor para você mesmo. Agora, da mesma forma que você luta para que a sociedade aceite suas escolhas, favor respeitar as escolhas dos outros.

E isso inclui as minhas.

Posto tudo isso, sexta-feira passada eu estava na Fnac, na hora do almoço e fui até o banheiro. Quem conhece a Fnac de Pinheiros sabe que um dos banheiros fica na parte de CDs, logo depois da seção de jazz e música clássica. Estou caminhando na direção do banheiro, e quando estou a cinco metros, a porta do banheiro se abre e um sujeito de cerca de cinqüenta anos sai de lá de dentro.

Cruzei por ele e entrei no banheiro. Um funcionário da Fnac estava lá dentro. Parei em uma das casinhas e, de pé, abri a calça e obedeci ao imperioso chamado da natureza. Ao mesmo tempo, ouvi a porta se abrindo e pensei “o funcionário da Fnac foi embora”. Segundos depois, a porta se abriu e pensei “outra pessoa entrou no banheiro”.

Acabei o que tinha que fazer ali, fechei a calça e ao me virar para lavar as mãos, vejo que quem havia entrado no banheiro era o mesmo sujeito de cinqüenta e poucos anos que havia usado o banheiro segundos atrás. Já fiquei grilado e, instantaneamente, dei uma olhada de não-tenho-amigos-e-gosto-disso para ele.

Ele me encarou por uns dois segundos e, enquanto eu me dirigia a pia, ele caminhou para um dos mictórios e ficou exatamente de costas para mim. Eu, lavando as mãos, o observava pelo espelho e podia reparar que ele estava claramente fingindo que obedecia ao sistema renal e estava muito mais concentrado em mim no que quer que ele estivesse fazendo ali, porque ele ficou virando a cabeça, tentando me olhar.

Senti nojo. Não nojo da opção sexual dele, nojo da atitude dele. Mesmo assim, não me intimidei e caminhei ao lado dele, para usar aquelas máquinas de ar quente para secar as mãos. Comecei a esfregar as mãos, e, sinceramente, estava pronto para dar uma cotovelada na boca dele ao menor movimento suspeito que ele fizesse. Ele continuou virando a cabeça para tentar me olhar, mas ignorei isso da melhor forma que pude.

Para evitar a confusão que se anunciava – leia-se porrada na boca, seguranças, delegacia, nesta ordem – assim que saí do banheiro caminhei diretamente para a área de CDs de música clássica, de uma forma que ele sairia do banheiro e não teria como me ver. Segundos depois, descobri que menosprezei a cara-de-pau do sujeito. Ele saiu do banheiro olhando para os lados, com o radar ligado. Ao ver onde eu estava, claramente desviou o caminho e se colocou no corredor atrás de mim, num lugar onde poderia ficar me observando.

Larguei um CD que eu estava fingindo ver e, tremendo de raiva, saí de lá antes que eu enfiasse a mão na cara do sujeito. Não sei se ele me seguiu, porque se eu virasse a cabeça e visse que ele estava atrás de mim, o tempo ia fechar de verdade. Fui embora da Fnac e não vi mais nem sinal do sujeito.

Me senti totalmente exposto, especialmente na parte do banheiro. Como eu disse, se você quer que respeitem suas opções, respeite as dos outros. E ficar ensaiando uma aproximação no meio do banheiro masculino não é a maneira mais indicada de fazer isso, ainda mais quando você não sabe se a outra pessoa é gay ou não. Eu não tenho problema nenhum com gays, tenho problema com pessoas que invadem meu espaço sem permissão. Aliás, a atitude deste sujeito mostra que ele não é homossexual, é viadinho – existe uma enorme diferença entre estes dois conceitos, mais ou menos como existe entre “mulher” e “vagabunda”, “homem” e “cafajeste” – e eu estava pronto para tratá-lo como tal.

Você é homossexual e quer me cantar? Sinta-se à vontade. Eu vou soltar um “não” e pronto. Agora, não faça isso dentro de um banheiro. Uma pessoa assim entrar em um banheiro masculino é a mesma coisa que um homem entrar no banheiro das mulheres. Apenas para deixar claro o que me incomodou na situação, aviso aqui que se minha mãe ou minha namorada estivessem dentro um banheiro e um sujeito invadisse o local, eu iria querer matá-lo do mesmo jeito. Porque, sim, é exatamente a mesma coisa que ele fez. E eu, que gosto de mulheres, nunca fiz isso, porque sei que existem limites que devem ser respeitados. E se você não sabe respeitar estes limites de acordo com a sua opção sexual, bem, crie-se, então, um banheiro para gays.

A coisa é pior. Existe uma comunidade no Orkut, com cerca de 200 pessoas, sobre os banheiros da Fnac. No fórum, eles discutem quais lojas da rede têm os melhores banheiros para “rolar uma pegação”, como eles mesmos dizem. Fuçando na comunidade, vi que uma pessoa postou o seguinte comentário sobre o banheiro da Fnac Pinheiros: “Lá é um paraíso a ser descoberto... SEMPRE vazio.... fica no piso inferior, junto aos CDs de musica [sic] clássica [sic]... vale a pena conferir!” Além disso, eles combinam encontros nos banheiros das lojas com frequência.

Estas pessoas sabem que o banheiro não está ali para isso? Elas sabem que existem hotéis e motéis pela cidade e que transar no banheiro é atentado ao pudor? Será que elas desconfiam que famílias frequentam aquela livraria – ela tem até uma enorme seção infantil – e que talvez um pai possa querer levar seu filho pequeno ao banheiro?

Ou os direitos dos gays, pelos quais eles lutam tanto para que sejam aceitos, inclui permissividade? Desculpe, não é porque boa parte da sociedade não aceita sua opção que isso lhe dá o direito de transar onde quiser, ou de se insinuar para outras pessoas dentro de um banheiro. Eu adoro sexo e não é por isso que eu transo na rua, por total respeito às outras pessoas – e isso inclui você.

Então, por favor, respeite a mim, respeite minhas escolhas e respeite os meus valores.

30 comentários:

Pedro Lucas Rocha Cabral de Vasconcellos disse...

Concordo total e inteiramente Rob, já fui acediado em banheiros também, e é ridículo...


só discordo de uma coisa, fazer sexo em locais publicos, mas reservados, é muito bom...

Banheiros ocultos de clubes depois da meia noite são uma boa pedida, acredite nenhum pai vai levar o filho lá.

abraços

Ando disse...

Rob, tem apenas um porém, provavelmente aquele senhor que estava no banheiro era casado e tinha filhos também.

E, ao fim a mensagem é direcionada não a maiorida dos gays, mas àqueles que por não terem coragem de enfrentar o preconceito da sociedade, agem desta forma lamentável.

Como diria o meu amigo Bóris: "Isso é uma vergonha!"

Davis Sousa disse...

Banheiros ocultos de clubes depois da meia noite são uma boa pedida, acredite nenhum pai vai levar o filho lá.

Existe uma pequena diferença entre um banheiro oculto depois da meia noite e um banheiro vazio em pleno horário comercial...

Anônimo disse...

Já aconteceu a mesma coisa comigo, só que comigo no caso, o cara chegou a me cantar, eu falei que não era baitola e pra ele sair do meu pé e ele continuou no meu pé... Só que ao contrário de você eu não fui paciente e sentei a porrada nele...

e pode me chamar de preconceituoso, mas não, eu não gosto do gay !

Felipe Lima disse...

Rob, entendo o receio que vc teve em postar sobre esse assunto. Parece que virou tabu falar mal de determinada atitude de um gay, como se isso ferisse toda a comunidade.
Existe um certo complexo da parte de muitos deles, que acaba por impedir que qualquer tipo de crítica seja encarada de forma madura, isso não ocorre só com relação a eles, mas também com qualquer tipo de minoria. Talvez isso ocorra hábito adquirido por anos de luta pelos seus direitos.
Só que isso faz com que tenhamos que tomar cuidado para não transparecer algo que nunca fomos - preconceituosos.
Por exemplo, não se pode mais utilizar adjetivos que antes eram comuns, mas que agora soam perjorativos. Minha amiga, que é estudante de enfermagem, outro dia me disse que o termo "aidético" hj em dia não é mais usado por ter uma carga negativa! Esse comentário me deixou muito surpreso, pois, para mim, nada mais é do que uma palavra corriqueira, sem o menor tipo de conotação depreceativa. Mas fazer o quê? Tudo hj em dia vira ataque e preconceito, qualquer coisa que se fale é passível de processo, como uma espécie de censura velada que acaba por gerar um preconceito velado também. Ações são muito mais sérias do que palavras que muitas vezes são colocadas de forma errada num momento inoportuno.
Parto do princípio que somos seres humanos, e errar é inerente a nossa espécie, sendo ou não minoria. Portanto, não podemos nos privar de expor nossas opiniões por medo de sermos mal interpretados. Parabéns pela coragem de postar um texto que poderia ter sido interpretado de forma equivocada por tanta gente.

Vladir Duarte disse...

Concordo plenamente e apoio você! Também já passei por situações bem parecidas e constrangedoras. Há tanto clamor por respeito aos homossexuais, o que é justíssimo. Entretanto, quem quer respeito precisa, antes de tudo, respeitar a si mesmo; depois, respeitar os outros... abordar, cantar e até transar dentro de banheiros não me parecem atitudes que tenham alguma coisa a ver com respeito aos demais, principalmente, àqueles que não são homossexuais. Aliás, diria a mesma coisa e me sentiria tão desrespeitado quanto, se encontrasse um casal hetero transando num banheiro qualquer. Enfim, ainda bem que não são todos os homossexuais que agem assim. Pelo contrário, me parece ser atitude de uma minoria mesmo!

Sua indgnação é certíssima.

Valeu!

Varotto disse...

Pô, só porque o cara tinha uma tara por baixinhos carecas (ou indivíduos calvos verticalmente prejudicados, para os P.C.'s)... (PILHA mode: ON)

Nash disse...

Run to the Hills!!!one!1

Maria disse...

Eu poderia ter escrito esse texto, ressalvadas as diferenças óbvias. Não tem coisa que me incomode mais do que homem que fica "secando" na cara dura, sem nenhum respeito, como se você fosse um pedaço de carne e ele não comesse há uma semana. Acho nojento, ridículo. Homem de verdade não faz essas coisas. Me sinto tão mal que costumava perder a cabeça: xingar, mostrar o dedo do meio, essas coisas. Aí percebi que os idiotas gostavam da "interação". Agora só faço minha melhor cara de desprezo.

Ufa, desculpa o desabafo. Sei que você não é homem desse tipo e não merecia passar por esse tipo de situação. Espero que não se repita.

beijos

Fabio disse...

Seria tão bom se houvesse toda essa paranóia anti-preconceito contra gente.. humm.. normal (no sentido de não pertencente a nenhuma minoria).
parece que ter altura normal, pele clara, ser heterossexual e se ofender com exageros de qualquer ser humano, seja ele integrante de certas "minorias", ou não, te torna uma pessoa ruim.
daqui a pouco, o normal de hoje se tornará uma minoria rechaçada e policiada. Vivendo em Los Angeles, em alguns momentos tenho a impressão que ser homem heterossexual é um pecado mortal e fechar a porta para uma cantada é tão ofensivo quanto chamar um sujeito de bicha.
falta de respeito não tem nada a ver com vitória civil e, com todo o respeito, o espaço já está conquistado, se nego ainda acha que se fazer de vítima de preconceito funciona e que isso lhes garante o direito de fazer o que bem entende em público, tô começando a achar que Harvey Milk e outros ajudaram a piorar o mundo.
Se todo mundo se respeitar, tudo bem, mas, "por ser minoria e ter que sempre lutar" alguns grupos se vêem no direito diário de fazer manifestações nas ruas, abordar motoristas para "demonstrar o orgulho gay". E como explicar pra minha filhinha que tudo aquilo ali é "normal", sendo que ela não vê tanta promiscuidade dentro de casa ou na escola? como inserir esse tipo de comportamento na vida "normal" se tudo que ele não é, é ser normal.
Opção cada um faz a sua e devemos, sim, respeitar. Mas direito civil nenhum dá a essas pessoas o direito de invadirem nossas vidas, seja num banheiro ou num farol, se beijando para mostrar que o amor é lindo, sem serem convidadas. Não forço minha opção sexual, minha nerdice e nem meus gostos goela abaixo de todas as pessoas que cruzam meu caminho, por que ser "obrigado" a aceitar isso para não ser preconceituoso ou fazer de conta que tenho uma "mente aberta"?

Como diria o Rob, a Humanidade não deu certo. Antes não éramos felizes com a política, depois deixamos de estar felizes com o corpo em que nascemos, hoje eles nao estão felizes com o modo como os olhamos, o que nos reserva o amanhã? Inventar uma "saída do armário" para garantir trabalho, melhorar círculos sociais e ser aceito como "cool".

Medo, muito medo. Saudade do convívio com meus amigos gays que se respeitam e respeitam os outros da maneira como meus pais o faziam, não tentavam mudar seu ambiente pois, o que importa para eles, é serem felizes. Os outros que se danem. ô fase.

Kel Sodre disse...

Dando mais um parecer feminino:

mulher passa por isso o tempo todo. Claro que não há o agravante do banheiro, mas sempre há um ser do sexo masculino - porque, para mim, homem é outra coisa - que usa da imunidade conferida pela sociedade e pela história para agredir uma mulher dessa forma.

É agressão, sim. Da mesma forma que o Rob se sentiu agredido, invadido, toda mulher - e não as vagabundas, como o texto diferencia - se sente agredida com esse tipo de comportamento, venha ele de um macho ou de uma outra fêmea, homossexual.

Esse tipo de atitude não fere a honra de homem ou de mulher. Esse tipo de comportamento te fere como pessoa. E aqui o problema também não é mais dos homossexuais. O problema é do humano. Da mesma forma que há machos heterossexuais que, nojentamente, se acham no direito de comentar em público sobre os seios de uma mulher e olhá-los enxergando-os despidos, também há machos e fêmeas homossexuais que aprendem esse tipo de atitude e, por ela não ser condenada em nossa sociedade como deveria, acham que é algo normal.

Prova de como esse tipo de absurdo é visto como normal é uma propaganda de cerveja que está no ar esses dias. Nela, as mulheres fazem com os homens exatamente o que eles fazem com as mulheres. Ou seja, cantam de forma agressiva, lançam olhares invasivos. A diferença é que os homens da propaganda gostam desse tipo de atitude. Isso dá a entender que mulher gosta desse tipo de "cortejo", mas não admite. A propaganda dá a entender que toda mulher faz o famoso "cu-doce" quando, na verdade, a maioria das mulheres se sente violentada com esse tipo de abordagem, seja ela masculina ou feminina homossexual.

Não é porque esse tipo de atitude não está previsto em lei como sendo crime que ela deixa de ser errada e está livre de condenação. A diferença é que, na qualidade de um ato lícito, ela só pode ser repudiada no campo da moral.

Triste.

Rob Gordon disse...

A coisa mais recompesadora de ter um blog é quando você tem leitores que postam comentários melhores que o post em si.

O Lerdo disse...

Direitos, direitos, direitos... é só isso que cobram. Enquanto isso, já há McDonald's da vida que fecham seus banheiros em alguns horários por causa dessa gente*. Quem precisa de um banheiro pra ser usado como banheiro é prejudicado. Quem tem de enfrentar um transporte público lotado corre o risco de levar uma mão boba de alguém (homem ou mulher podem ser tanto vítimas quanto agressores). Enfim, quem é correto (seja homem ou mulher, hétero ou homo) acaba pagando por um grupo de maus-caráteres.

* Antes que a patrulha politicamente correta (ela está sempre à espreita) tente distorcer alguma coisa, o "dessa gente" se refere aos pervertidos, não aos gays ou qualquer outro grupo. Aliás, ao contrário do que muita gente pensa, essas duas palavras não são sinônimas.

Parabéns por expor essa situação desagradável de forma aberta. Hoje em dia poucos tem coragem de contrariar "o sistema".

O Lerdo disse...

Ah, sim... o assunto é sério, mas o título do post foi realmente engraçado xD

Frank Slade disse...

Cara... vou te dizer uma coisa... já cheguei ao cumulo de dar porrada em um viadinho por causa disso, muita falta de respeito, infelizmente, fui tachado de cego, ortodoxo e etc... porém eu sei o que eu passei, eu sei o quanto foi vexatória a situação... te entendo perfeitamente e compartilho seus pensamentos...

no mais... forte abraço!

Leandro disse...

isso prova que eu não sou a unica pessoa com um "para-raio-de-loucos" :-)

Matheus Silva disse...

Se um homem faz isso com uma mulher ele será chamado de cafajeste
Então por qual motivo não podemos reclamar quando os gays fazem isso com nós

Eles não querem igualdade?
Na igualdade poderiamos reclamar livremente das ações deles
Então parabéns Rob, não fizeste nada de errado
:-\

Varotto disse...

Falta de respeito não tem sexo, cor, religião nem idade.

E mais, sempre defendi a idéia de que por mais que realmente existam diferenças basais entre homens e mulheres, a grande maioria delas são de cunho socio-cultural.

Esse exemplo da propaganda de cerveja mostra isso. Toda menina (ou quase) acha os meninos adolescentes uns babacas, que ficam babando em cima da foto de uma gostosona numa revista. Mas bastou o Paulo Zulu fotografar mostrando a bunda que choveu mulher fazendo a mesma coisa. E eu não estou criticando isso não! Direitos iguais para todos. Mas não venham dizer que acham isso babaquice de homem. Até mesmo porque já cheguei à conclusão de que, no geral, não existem homens nem mulheres. Existem indivíduos, cada um diferente do outro. (assunto desviado, ops!, mode: ON)

Kel Sodre disse...

Varotto, concordo com você em parte.

Também acho que existe mulher cafajeste, que molesta homens sem pudor. Só acho que o número delas é bem menor do que o de homens que têm esse tipo de atitude com mulheres. Não há um dia que eu passe sem presenciar um olhar invasivo, um comentário agressivo por parte de um homem. Ao contrário, é mais raro eu ver uma mulher fazer isso com um homem. E, além disso, esse tipo de mulher é muito mais condenada pela sociedade do que o tipo de homem que toma a mesma atitude. Mulher que canta homem é vagabunda. Homem que canta mulher é... homem. Às vezes, é até garanhão, pegador, é fodasso!

Quanto ao lance das revistas: não vejo problema, nesse caso, nem em homens babarem em fotos de mulheres bonitas nas revistas e nem em mulheres babarem nas fotos da bunda do Paulo Zulu. Nesse caso específico, essas pessoas escolheram se expor dessa maneira, já sabendo de antemão que seriam alvo de olhares e comentários desse tipo. Se uma pessoa maior de idade e vacinada escolhe posar nua em uma revista de grande circulação, presume-se que ela pensou nas consequências que esse ato poderia ter e resolveu arcar com isso. E uma dessas consequências é ser alvo de olhares desejosos e comentários sujos. Se ela não quiser se sujeitar a isso, a solução é não posar neste tipo de revista, nem fazer esse tipo de foto.

O que não está, de jeito nenhum, correto é que as pessoas transportem esse olhar e esses comentários para aquela pessoa que está passando na rua, como centenas de outras. Não é porque o homem é bonito e está passando na minha frente que isso me dá o direito de cantá-lo despudoradamente. E o mesmo vale para a mulher bonita que passa naquela rodinha de homens que a comem com os olhos.

Mas concordo com você que a maior parte das diferenças entre homem e mulher (tirando as óbvias fisiológicas, naturalmente) é sócio-cultural.

G7 disse...

Mexer com gente não presta. Eleja 3ou 4 com quem você aguenta conviver, outra meia dúzia que você precisa e, para o resto, a solução tem nome: e-commerce.

Eu peço até Tylenol pela Internet. Toda vez que a coisa envolve contato humano, dá errado.

E você insiste não só em tentar interagir com os terráqueos, mas o faz na região de Pinheiros / VIla Madalena / praça Benedito QueLixo. Sai dessa, abre uma conta no Submarino.

Paulo disse...

Olá! Primeira visita ao blog, gostei muito!

Olha... sou gay, mas concordo com tudo que você postou! Concordo que existe lugar e hora para tudo. Eu mesmo fico incomodado quando esse tipo de situação ocorre comigo, mesmo eu sendo gay!

Como você disse, existem "gays" e "viadinhos", "homens" e cafajestes"...

Sementes ruins existem em toda a parte, não importa a preferência sexual!!

Zu(ale) disse...

Eu achava que se eu fosse gay teria muito mais sucesso com o "sexo oposto", pois sempre encontrei desses figuras que não respeitam a escolha alheia. Com o passar do tempo percebí que simplesmente as mulheres respeitam mais, ou não prestam atenção em mim mesmo (feinho arrumado mode:on).
Uma vez na Av. Paulista um falou alguma coisa sobre meu peito. Não entendí bem o q foi, mas me sentí muito mal. Tão mal q não tive reação na hora.
Outro que já encontrei algumas vezes na rua onde moro, não fala nada, mas olha com cara de coiote... só falta a lingua passando nos dentes. E olha q n sou nada "Zulú" uhahuauhahau.

Larissa Bohnenberger disse...

Bem, Rob, infelizmente dentro de todas as minorias existe uma minoria que utilizam da agressividade como modo de se impor em uma sociedade onde não se sentem aceitos. E não é por aí. E a coisa não fica só no âmbito sexual. Quando criança uma vez, eu apanhei de uma menina negra, bem mais velha que eu, pelo simples fato de ser loira de olhos azuis.
E só para complementar o comentário da Maria, acho que vocês homens se revoltam mais com estas situações que você descreveu porque não é tão comum passar por isso. Não que não seja revoltante levar uma cantada num banheiro público, de quem quer que seja, mas como a própria Maria falou, quando se está acostumada a estas situações, acabamos aprendendo a lidar com elas da maneira mais simples: indiferença. Porque homens heterossexuais agem assim o tempo todo, e infelizmente não há muito o que possamos fazer a respeito.
Bjs!

Pedro, o Nogueira disse...

OK, galera, eu assino embaixo de tudo o que o Rob disse e de várias partes da discussão do post. Também já fui cantado e assediado, mas devo introduzir um fato que veio à tona em conversas minhas com amigos, sobre outras questões e outras minorias, pra usar a palavra corrente.

Na minha opinião, ninguém tem o direito de bater em ninguém, não importa o motivo, a não ser, resguardadas todas as proporções, por força policial ou em legítima defesa.

Ainda na minha humilde avaliação, se o cara não tinha uma arma [de fogo] apontada pra você, voce não tem que dar cotovelada nenhuma nele, por mais ofendido que você tenha ficado. Assim como, apropriando-me do exemplo da Kel Sodré, uma mulher vergonhosamente cantada não pode tirar um taco de baseball da bolsa e quebrar os dentes do maldito - por mais que pareça muito justo. Agressão é um recurso extremo e poucquíssimo justificável. E só porque o Rob fez um post foda sobre o assunto, não quer dizer que justifique um monte de gente vir dizer que já bateu em muito viadinho por aí ou em muita safada ou em muito cafajeste. Violência gera violência. Se você não gosta de ser assaltado ou espancado por bandido na rua, não gaste sua energia espancando ninguém. Ahimsa, pra entrar na onda.

Flavita disse...

Bom, a questão aqui é coação sexual e isso realmente independe de orientação sexual. Gente retardada tem em todo lugar. Não li todos os comentários, mas um me chamou atenção:

'Opção cada um faz a sua e devemos, sim, respeitar. Mas direito civil nenhum dá a essas pessoas o direito de invadirem nossas vidas, seja num banheiro ou num farol, se beijando para mostrar que o amor é lindo, sem serem convidadas. Não forço minha opção sexual, minha nerdice e nem meus gostos goela abaixo de todas as pessoas que cruzam meu caminho, por que ser "obrigado" a aceitar isso para não ser preconceituoso ou fazer de conta que tenho uma "mente aberta"?'

Hã??????? Olha, eu não curto meus companheiros heterossexuais quase trepando na minha frente em um bar, nem em banheiros públicos (sejam de clube ou da Fnac), mas dificilmente vou ficar ofendida em ver um casal demonstrando afeto, seja hetero ou gay. Gays têm tanto direito a demonstrações de afeto públicas (mãos dadas, abraço ou beijo) quanto nós...os "normais". Pelo comentário o Fábio não força sua "opção sexual" em ninguém. Portanto, se alguém encontrá-lo beijando uma mina na rua...pode ficar ofendido. Afinal, ninguém o convidou para demonstrar publicamente seu afeto.

Sabe, até pouco tempo casamentos interraciais tb não eram considerados normais e beijar um negro na rua podia dar um treta bem séria. Não era "normal". Então, pela lógica do Fábio, brancos e negros podiam fazer o que quisessem desde que dentro de suas casas. Não na rua, para todo mundo ver.

A mensagem é bem clara: eu te respeito desde que você não saia de casa. Só os "normais" podem viver, só eles podem amar, só eles podem constituir família, só eles podem... E é nessas horas que eu grito bem alto: a humanidade não deu certo.

O que o Rob coloca aqui, para mim (e felizmente para outras pessoas aqui, pelo que eu li), não tem nada a ver com o direito das minorias ou com o fato de ser ou não homossexual. Tem a ver com o cara ser um puta de um babaca sem noção. Assim como o mundo está cheio de "normais" igualmente sem noção.

Gwyddyon disse...

concordo com a flávia...

pra ser babaca não precisa ser negro, branco, gay hétero ou pan. Basta ser humano xD

O rob usou o caso da Fnac... e outras pessoas fizeram o mesmo. Eu me pergunto até que ponto algumas dessas pessoas, ou a humanos no geral, não acabam sendo meio hipócritas nesse ponto.

Enquanto uns falam "dei porrada pq ele deu em cima de mim, falta de respeito etc..etc..", pergunto quantos deles não fazem o mesmo com as mulheres que encontram em sua vida.

Eu fui em uma boate hétero, com minha irmã e a cunhada dela. Ao sair de uma pista de dança e ir para outra, um cara pede um beijo pra minha irmã. Ela obviamente recusa, e o cara vai pra cima dela, tentando beijar ela assim mesmo.

E esse mesmo cara, eu apostaria, daria porrada em um gay se o mesmo o cantasse, seja no banheiro, seja no maracanã. E ele acaba fazendo a mesma coisa. Preconceito? acredito que nem tanto. Acho que é mais como o comportamente é socialmente aceito. Um cara dar em cima da mulher, mesmo que de uma forma desrespeitosa é visto como babaquice, e no fim ele recebe só um olhar atravessado, um gay leva porrada.

Com isso eu não quero defender os gays que dão em cima de um cara hétero da forma que fizeram com o Rob. Na verdade, acredito que mesmo que o Rob fosse gay, permaneceria sendo uma falta de respeito. Eu quero apenas chamar a atenção para o fato que alguns podem atirar a primeira pedar e acabarem cometendo os mesmos pecados, apenas não prestando atenção a esse pequeno fato.

Vinicius disse...

E por qual razão tiram sarro de ti por gostar de filme de morto vivo? Filme de zumbi é o que há em cinema-arte, pow!!!!

Pupin disse...

Mais uma vez, concordo plenamente com vc, Rob. Já passei por situações, parecidas, mas vc parece que sabe tudo o que passa na cabeça da gente... Vc lê pensamentos compadre??
Até tive uma experiência na qual "desconfiava" de um colega, que no meio de um churrasco em que só se encontravam homens, resolveu se "revelar ". Porém esperou que todos estivessem meio chapados para iniciar as cantadas. Eu tinha uma certa estima pela pessoa, uma certa amizade mesmo, porque era uma pessoa culta, era simpático. Mas naquele dia fez uma coisa que não combina absolutamente com meu caráter. Resolveu usar a amizade que tinha com todos ali e o inevitável estado de embriagues do pessoal para "cantar" a todos. Imediatamente disse pra ele, depois da segunda cantada: Cara na boa, se você estiver brincando, perdeu a graça, e como a resposta foi; não não é brincadeira, eu retruquei: Então sai de perto de mim por favor ou juro que te parto a cara no meio.
Fiquei chateado por levar uma cantada de um guey ? Não..juro que não. Fiquei indignado de uma pessoa usar um sentimento nobre, no caso a amizade, pra se aproximar de outra pessoa. Me senti traído mesmo, se é que vocês me entendem. Nos 2 minutos seguintes, o churrasco perdeu toda a graça. Senti imediatamente que ali não tava mais legal e fui embora. Depois fiquei sabendo que um a um todo mundo foi embora. Situação muito desagradável, porque não tenho preconceito com nada, e poderia ser amigo do cara até hoje. Mas isso que acabei de narrar, pra mim não passou de falta de caráter.

Bravo Rob. Parabéns pelo livro.

Abraço

Anônimo disse...

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Anônimo disse...

O assédio (passando a mão na bunda, nos peitos, esfregando o dito cujo duro e até tentando colocar nas coxas delas, como acontecia no vagão cheio do metrô no Rio de Janeiro, que foi necessário colocar um vagão exclusivo para mulheres. Muitos homens sentem-se no direito até de pegar nos peitos das mulheres anônimas em público (já vi)...o que as deixa furiosas.E os homens deste comportamento fazem isto em qualquer lugar e ainda se acham o máximo.Já estes gays complicados (alguns casados com mulher), coitados, como não têm espaço, pois o mundo é heteronormamativo,acabam repetindo, nos banheiros, o papel daqueles machos heterossexuais do metrô, p.ex.Neste caso, basta não corresponder, fingir que não viu, ou até dizer: não curot, gosto de buceta.