6 de novembro de 2006

Barcelona X Ponte Preta - O Homem, A Lenda, O Mito

Conforme prometido, eis aqui o expoente máximo da filosofia Barcelona X Ponte Preta da história do cinema: o dublê-de-astro-e-pretenso-sacerdote-da-cientologia Tom Cruise. Apesar de termos muitos candidatos ao posto, o “ator” consegue a proeza de ser derrotado em todas as rodadas de qualquer campeonato que participa, tomando goleadas tanto de times consagrados como de equipes do mesmo nível. E sempre com casa cheia (é difícil seus filmes não fazerem menos de US$ 100 milhões de bilheteria só nos Estados Unidos) e sob a direção de grandes cineastas.

Sua carreira começa em 1981, mas os filmes que fez antes de 1986 não servem para nossa análise, já que, até Top Gun – Ases Indomáveis, ele era apenas um ator que procurava seu espaço e atuava em pequenos papéis (o que não o impediu de ser engolido por gente do calibre de George C. Scott, Sean Penn, Rebecca de Mornay e Tim Curry). Ou seja, ele ainda não era uma Ponte Preta, estava mais para Bangu ou São Raimundo.

Porém, Top Gun mudou tudo. Top Gun fez dele um astro do dia para a noite e o motivou a maiores aspirações em sua carreira. Foi o sucesso do filme que fez com que ele (apesar de ser meio engolido por Val Kilmer) achasse que tinha virado time grande e que poderia disputar, de igual para igual, qualquer campeonato.

Montou um time competitivo e, literalmente, “achou que dava”.

Mas será que deu? Veremos a seguir, no histórico detalhado de sua carreira pós-Top Gun.


A Cor do Dinheiro (1986)
Resolve começar sua nova fase de “time grande” com o pé direito, sendo dirigido por Martin Scorsese e contracenando com ninguém menos que Paul Newman. O resultado é previsível: Cruise some em campo e Paul Newman leva o Oscar.

Coquetel (1988)Depois de apanhar na mão de Paul Newman, resolve voltar para o esquema galã-de-filmes-da-sessão-da-tarde. Ou seja, o filme nem conta, é quase um amistoso. Mas leva umas mordidas da Elizabeth Shue, tomando uns dois gols de bola parada.

Rain Man (1988)Certo de que precisava apenas de uma nova chance para provar ao mundo que seria o novo Laurence Olivier, decide novamente encarar um time grande. O problema é que não satisfeito em contracenar com Dustin Hoffman, resolve contracenar com Dustin Hoffman interpretando um autista. A goleada chega às raias do vexame e Dustin Hoffman leva o Oscar.

Nascido em 4 de Julho (1988)Mais esperto, resolve não contracena com ninguém do quilate dos adversários anteriores. Willem Dafoe, óbvio, engole todas as cenas em que aparece, mas como são apenas poucos minutos, Cruise não chega a passar vergonha (seria o equivalente a 0 x 1 de pênalti). Chegou a ser indicado ao Oscar, mas era o ano em Daniel Day-Lewis havia feito Meu Pé Esquerdo. Ou seja, levou o conceito de Barcelona X Ponte Preta à festa do Oscar. Adivinhe quem ganhou.

Dias de Trovão (1990)
Com uma indicação ao Oscar no bolso, achou que tinha virado definitivamente, um time grande e resolveu apostar numa fórmula que já havia sido bem-sucedida: fazer um novo Top Gun. Chamou o Tony Scott e trocou os aviões por carros de corrida. O problema é que, desta vez, ao invés de Val Kimer, que era um adversário mais fácil, tinha Robert Duvall pela frente, que enfia 3 x 0 ainda no primeiro tempo. Nicole Kidman também aparece, mas (ainda) não engole o então futuro marido.

Um Sonho Distante (1992)É o primeiro filme no qual é engolido pela esposa, tomando uns dois ou três gols. Mas, para sorte dele, ninguém lembra disso, justamente porque ninguém lembra do filme (que é bem meia-boca, por sinal).

Questão de Honra (1992)Jack Nicholson interpreta um filho da puta, sórdido, mentiroso e corrupto. Cruise leu o roteiro, viu com quem iria contracenar e achou que dava. A cena na qual Nicholson grita “You can’t handle the truth!” serve como palco para um dos gols mais bonitos dentro os inúmeros que o ponte-pretiano tomou ao longo da carrreira. Ah, sim, Nicholson foi indicado ao Oscar.

A Firma (1993)Um dos típicos casos da "engolida rio de piranhas” (veja o “top 5’ do post anterior): Ed Harris engole Cruise. Gene Hackman engole Cruise. Holly Hunter engole Cruise. Ou seja, mais uma vez ele está por baixo da cadeia alimentar. Como Holly Hunter acumulou maior saldo de gols, levou o Oscar de Atriz Coadjuvante pra casa.

Entrevista com o Vampiro (1994)
Muita gente diz que é a melhor interpretação de Tom Cruise em sua carreira. Mas convenhamos... Quem poderia engolir ele ali? Brad Pitt ainda estava aprendendo a atuar e Antonio Banderas mal sabia falar inglês (e a língua “prefa” não ajuda muito). Então, nesse grupo fraco, passa impune metade do filme. Na outra metade, porém, estabelece novos padrões para o seu aspecto ponte-pretiano, sendo engolido pela Kirsten Dunst, que tinha apenas doze anos de idade.

Missão: Impossível (1996)Como ele mesmo quem produz o filme, resolveu não correr riscos e tirou todos os atores bons, deixando o show girar todo ao seu redor. Mesmo assim, o Jon Voight (que nem parece muito interessado no filme) dá uma engolidinha de leve, para o filme não passar em branco. Primeira derrota em casa.

Jerry Maguire – A Grande Virada (1996)A maior prova de que contracenar com Cruise é o melhor caminho para se ganhar um Oscar é que a estratégia funcionou até com Cuba Gooding Jr., que provavelmente será lembrado na história do cinema simplesmente como... Cuba Gooding Jr. Preocupado em não ser engolido por por uma Renée Zellweger pré-Bridget Jones que trabalha no filme, Cruise acaba perdendo para Jonathan Lipnicki (que bate o recorde de Kirsten Dusnt, engolindo o filme inteiro com apenas 6 anos de idade). Ah, sim. Cruise foi indicado também, mas do outro lado havia "só" Geoffrey Rush por Shine - Brilhante. Não tinha como (nem porque) ganhar.

De Olhos Bem Fechados (1999)Ao invés do método Stanilavski de interpretação, Cruise, aqui, revoluciona o cinema inaugurando oficialmente o “método Barbosa de interpretação”: cada frase que ele pronuncia começa com a repetição do final do último diálogo dito no filme. Se havia simplesmente sido engolido pela mulher em Um Sonho Distante, aqui Nicole Kidman mostra quem manda em casa e destroça o marido. Não satisfeito com isso, ainda presta um desfavor ao cinema, matando Stanley Kubrick – provavelmente de desgosto. Não deve ser fácil para alguém que dirigiu Kirk Douglas, Peter Sellers e Jack Nicholson gritar “ação” e ver Tom Cruise entrando em cena.

Magnólia (1999)É o maior desempenho de sua carreira, tanto que foi indicado para o Oscar de coadjuvante. E, sim, ele faz bonito, mas não podemos esquecer que Jason Robards, em estado terminal na cama (praticamente apenas mexendo os olhos durante o filme inteiro), joga de igual para igual com Cruise, arrancando um empate. Ou seja, quando realmente tinha chance de ser campeão, amarela na final e entrega o título para Michael Caine, que levou o Oscar por Regras da Vida.

Missão: Impossível II (2000)
Novamente, o filme é dele. Tomou cuidado para se cercar com gente ruim, como Dougray Scott e Thandie Newton. Mas, por distração, acabou esquecendo no elenco Anthony Hopkins na fita, que faz só uma pontinha. Resultado: é engolido por alguns segundos, perdendo (em casa) por 0 x1.

Vanilla Sky (2001)É um dos piores filmes da história. Novamente, achou que estava seguro, cercado por Cameron Diaz, Kurt Russell e Penélope Cruz. Mas quem surpreende é Jason Lee, que, mesmo com a ruindade do roteiro, consegue dar umas mordidas no pouco tempo em que fica em cena.

Minority Report – A Nova Lei (2002)
Acho que finalmente iria engolir alguém quando pegou o Colin Farrell pelo caminho. O cenário estava todo armado. Mas, junto com ele, estava Max Von Sidow, que engole todo mundo. Cruise ainda consegue ser engolido pela Samantha Morton nas cenas em que aparecem juntos. E nem consegue ir para a repescagem como terceiro do grupo pois só empata com Farrell.

O Último Samurai (2003)
Resolveu contracenar apenas com atores de pouco prestígio ou japoneses pouquíssimos conhecidos no Ocidente. Resultado: Ken Watanabe engole o filme, é indicado ao Oscar e vira astro também deste lado do globo.

Colateral (2004)
“Ele já vai ser indicado por Ray mesmo, nem vai se preocupar com esse filme” pensou Cruise, ao entrar tranqüilo nos sets do filme de Michael Mann, onde interpretaria um assassino profissional contracenando com Jamie Foxx. Resultado: Foxx destroça o filme e é indicado novamente, concorrendo ao Oscar por Melhor Ator e Melhor Ator Coadjuvante.

Guerra dos Mundos (2005)
Só não é o pior filme da carreira de Tom Cruise porque Vanilla Sky é insuperável. Mas se esforça para isso. E, assim como no filme de 2001, as engolidas “são engolidas” pela cretinice do roteiro, e nosso Ponte Preta passa impune, sem tomar gol (mas sem fazer também). Isso, claro, até Tim Robbins entrar em cena e enfiar dois gols em 10 minutos.

Missão: Impossível III (2006)De novo, o filme tinha tudo para ser dele. Ele produz, dá palpites no elenco e pôde se cercar de gente ruim, que não oferecesse perigo. O problema é que estava tão preocupado com a porra da cientologia e com a placenta do futuro bebê que, acidentalmente, esqueceu o Philip Seymour Hoffman, que vinha embalado de um Oscar por Capote no filme. Ou seja, perdeu (feio) em casa.

Como provado acima, nada é mais Ponte Preta na história do cinema que Cruise, que tem todos os atributos necessários para tal: regularidade (perde toda semana), previsibilidade (perde tanto quanto entra como zebra ou quando entra como favorito), diversibilidade (perde em qualquer gênero, jogando em casa ou não).

Porém, como este blog reconhece o esforço dos vencidos, segue, abaixo, 5 Fortes Candidatos Derrotados por Tom Cruise (Keanu Reeves nem entra aqui, pelos motivos dados no post anterior):

1. Ben Aflleck – É engolido onde entra. A única chance que teve foi em Pearl Harbor, onde caiu num grupo fraco, mas acabou empatando com Alec Baldwin e Josh Harnett e perdeu para Tom Sizemore.

2. Matt Damon – Outro que é um prato cheio e que adora perder para pessoas da mesma idade. Já levou chocolates de Edward Norton (em Cartas na Mesa) e de Jude Law (em O Talentoso Sr. Ripley). Aguardemos o próximo ano, onde contracenará com Al Pacino em Ocean’s Thirteen, que promete revolucionar o conceito Barcelona X Ponte Preta.

3. Sylvester Stallone – O que dizer de alguém que entra em campo para enfrentar Robert de Niro, Harvey Keitel e Ray Liotta em Cop Land? Além disso, perdeu em casa nos filmes da série Rocky, onde é derrotado por todo mundo, menos para Dolph Lundgren, (que não abre a boca) em Rocky IV.

4. John Travolta – Ator cheio de altos (Pulp Fiction) e baixos (A Reconquista). Ano sim, ano não, faz um filme onde é um militar investigando alguma coisa. Escolha qualquer um desses (A Filha do General ou Violação de Conduta) e pronto.

5. Will Smith – Em Inimigo do Estado, é goleado por um Gene Hackman nem muito aí com o filme. Porém, não se arrisca muito e passa a maior parte do tempo fazendo coisas como Homens de Preto e Bad Boys.

3 comentários:

Luciana Toledo disse...

Eu acho que esse Top 5 está bom, mas talvez não concorde com a ordem, exceto pelo primeiro lugar. Não vejo esse cara se saindo bem em profissão nenhuma. E o infeliz ainda é podre de rico.

Quem disse que o Mundo é justo, né?

Paloma disse...

Coitado do Will Smith. se esforçou tanto pra fazer Ali. Acho que ele sai dessa lista com À Procura da Felicidade.

Mayra disse...

cara, vc mandou mto bem nesse seu post. mas eu acredito que no caso do tom cruise, ele deve ter um DOM bem especial. Ele já traçou a Nicole Kidman, a Penélope Cruz e agora a Kaith Homes. Ele deve fazer um teste bom de cama e passar...