13 de março de 2013

Os E-Mails que eu Troquei com o Pão de Açúcar. Ou não.


Algumas semanas atrás, fui ao mercado com a Esposa comprar algumas coisas. Era um domingo à noite. Chegando ao Pão de Açúcar da Ricardo Jaffet, constatamos que cerca de metade das prateleiras da loja estavam totalmente vazias. Assim, compramos somente o que encontramos (nem metade da nossa lista) e ainda ouvimos da funcionária do caixa que “no domingo à noite é assim mesmo”.

Voltando para casa, reclamei com o Pão de Açúcar sobre isso no Twitter, citando também a barata que estava ao lado de uma geladeira de carnes.

No dia seguinte, a resposta:



Mandei uma DM com meu endereço de e-mail – eles começaram a me seguir – e estou até hoje esperando o contato deles. Como ainda não recebi nada, acredito que o Pão de Açúcar tenha concluído que eu sou louco, que eu devo ter imaginado tudo aquilo e que não valia a pena perder tempo comigo.

O Pão de Açúcar adora perguntar "o que faz você feliz?". Bem, me faria feliz se eles dessem atenção aos seus clientes. Mas, como isso não aconteceu, respeitarei a decisão da empresa. Vou bancar o louco e falar sozinho mesmo, nem que seja para descobrir se isso me faz feliz.

Assim, vejam abaixo a troca de e-mails que nunca aconteceu.


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Oi, Rob, como vai?

Diferente do que conversamos por Twitter, nós não vamos mandar e-mail nenhum pedindo para você nos contar em detalhes quais problemas enfrentou em uma de nossas lojas. Também não queremos saber em qual loja isso aconteceu.

Este contato com nosso clientes é importante demais, para que possamos deixá-los falando sozinho no Twitter.

Equipe Pão de Açúcar

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Oi, Pão de Açúcar, tudo bom?

Obrigado pelo não envio do e-mail. Isso me dá chance de ficar falando sozinho e poder desabafar um pouco sobre o que aconteceu comigo mesmo. Devo me sentir um pouco melhor depois disso.

O problema aconteceu na loja da avenida Ricardo Jaffet. Era um domingo à noite e fui fazer compras com minha esposa. Dos mais de 10 itens em nossa lista de compras, encontramos menos de três. E não se tratavam de produtos difíceis de ser encontrados, como velo de ouro, cristais de dilítio, pedra filosofal ou bateria para um sabre de luz. Eram mercadorias comuns, que costumam ser oferecidas nas lojas (a saber: cebolinha, mostarda, pão de hambúrguer etc).

Mas as prateleiras estavam vazias de tal forma (a seção de vegetais, por exemplo, devia contar com um pé de alface e três cebolas) que cheguei a pensar que estávamos sofrendo algum tipo de racionamento – quase fui ao gerente perguntar se havíamos declarado guerra a outro país.

Assim, compramos menos de 30% dos produtos de nossa lista. Ao reclamarmos da ausência de produtos na loja para a funcionária do caixa, ela afirmou que “ah, domingo é assim mesmo, ninguém repõe as prateleiras. CPF na nota?”.

Vale dizer que quando ainda estávamos caçando as mercadorias pela loja, ao lado da geladeira de carnes – próximo a uma porta do depósito – demos de cara com uma barata no chão. Conferi minha lista cuidadosamente e, como a palavra “barata” não estava escrita em lugar algum, concluí que eu não precisava comprá-la – uma pena, pois assim eu conseguiria mais um produto da lista.

Desta forma, deixamos o inseto ali, cuidando dos seus afazeres (não sei se ele estava procurando por restos de comida no chão ou se, assim como eu, a barata estava procurando cebolinhas e mostarda). Não mencionei a barata à funcionária do caixa com medo dela responder que “domingo é assim mesmo”.

Assim, caso vocês tivessem mandado o e-mail como prometido, esta seria a minha resposta. E, com base no texto acima, minhas dúvidas seriam:

1 – Nós realmente não estamos em guerra com outro país, certo?

2 – Este procedimento é realmente padrão nas noites de domingo?

3 – Caso este procedimento seja padrão, e levando-se em conta que a loja é 24 horas, vocês podem me indicar quais os horários exatos de início e término da “noite de domingo”?

4 – A presença da barata é algo comum? Ela agia com tanta naturalidade dentro do mercado que, pensando depois, tive a impressão dela ser funcionária da empresa – ou, no mínimo, promotora de vendas. É alguma ação de marketing? Ela não deveria estar perto dos inseticidas?

5 – Como eu sou Cliente Mais, será que não posso me utilizar deste benefício (e, aproveitando o nome “Mais” dado aos clientes preferenciais) encontrar “Mais” produtos que o normal em um domingo à noite? Um exemplo para ilustrar melhor: dois clientes vão ao mercado comprar os mesmos dez produtos. O cliente normal encontra apenas dois, enquanto o Cliente Mais tem acesso ao depósito secreto da loja, encontrando “mais” três produtos (e outra barata). Fica a sugestão.

6 – Em tempo: vocês conhecem algum lugar perto da Vila Mariana que venda cebolinhas e que funcione normalmente nas noites de domingo? Podem me indicar?

Mais uma vez, agradeço terem me deixado falando sozinho no Twitter. Certo de sua não resposta, agradeço desde já.

Abraços,

Rob.

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Oi, Rob. Como vai?

Muito obrigado pela resposta que nunca recebemos porque nunca mandamos o e-mail para você, em primeiro lugar.

Estamos analisando a sua mensagem e, assim que possível, não responderemos a você.

Obrigado

Equipe Pão de Açúcar

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Oi, Pão de Açúcar, tudo bom?

Será que vocês conseguiriam, ao menos, agilizar a resposta do item 6, me indicando outro mercado da região? Minha esposa costuma usar bastante cebolinhas ao cozinhar, e não gostaria de ser surpreendido desta forma em outro domingo à noite.

Já perguntei ao meu vizinho se algum outro mercado aqui perto fica aberto de domingo à noite, e ele respondeu que “só o Pão de Açúcar, mas nunca tem nada lá”.

Certo de sua não atenção, grato.

Rob

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Oi, Rob. Como vai?

Muito obrigado pela resposta que nunca recebemos porque nunca mandamos o e-mail para você, em primeiro lugar.

Estamos analisando a sua mensagem e, assim que possível, não responderemos a você.

Obrigado

Equipe Pão de Açúcar

6 comentários:

Ricardo Wagner disse...

Cuidado, eles podem te processar por dizer a verdade.

É moda agora usar da justiça pra censurar.

Camila disse...

Esses tempos, quando ainda morava em Santa Cecília, fui ao Pão de Açúcar Higienópolis para comprar coisas que não se acha nos mercadinhos de Santa Cecília. Achei tudo o que queria, mas o problema foi no caixa. A moça me fez uma pergunta e eu só entendi "hfoasfasdaf mais?". Meio incerta, disse que não. Ela ia começar a passar minhas compras e eu disse: "Mas eu quero nota paulista". Ela deu aqueles suspiros de gente que está de saco cheio, fechou a cara e começou a jogar minhas compras para o outro lado. Fiquei puta e disse: "Não adianta ficar de cara feia e jogar minhas compras". Ela retrucou: "Não tô de cara feia. Essa é minha cara mesmo". Respondi: "Não é, não. Faça o favor de me tratar bem porque seu gerente vai ficar sabendo disso". Ela mudou a cara, mas mesmo assim eu reclamei para o gerente e para o Twitter do Pão de Açúcar. Pediram meus contatos, mas alguém me ligou? Nem.

Varotto disse...

Pão de Açucar

Deixar o cliente falando sozinho é o nosso maior compromisso.

George Marques disse...

Pior que isso é comum nas empresas: falam no Twitter público que vão resolver, quando vira algo privado eles ignoram totalmente.

Adriano disse...

Eles devem conhecer seu blog e, ao ver a reclamação, falaram "esse não é aquele cara que inventou os duendes do sal nas nossas lojas"?

Aí convocaram uma reunião às pressas, com a meta "como podemos colaborar para um novo post no Champ"?

Após algumas horas de debate, isso foi o melhor que conseguiram fazer.

Natalia Máximo disse...

Tem um Pão de Açúcar perto da minha casa onde o atendimento é bom, os atendentes sempre foram simpáticos e, até agora, não faltou nada. Mas como é isso que me faz feliz, não vou comemorar muito porque vai que eles cortam isso de mim, né...