23 de maio de 2011

Encontros

Algumas coisas estão começando a acontecer para o meu blog. E uma delas rolou semana passada, quando recebi um release – aqui no e-mail do blog – sobre o festival de música Natura Nós, convidando este que vos escreve e um (a) acompanhante. Poucos dias depois, tocou meu telefone.

– Alô.

– Rob?

Meu impulso foi dizer que “não, não tem ninguém com este nome” e desligar. Sim, por mais que eu assine meus textos com este nome há anos, eu ainda não me acostumei com o “Rob” como palavra falada. Mas aí eu parei e pensei: “Você tem um blog e ele é escrito pelo Rob Gordon, lembra? Logo, você é o Rob.”

Ainda bem que a pessoa do outro lado do fone aguardou pacientemente eu resolver meu problema mental. Assim, continuei conversando com ele sobre o evento, pegando mais informações, combinando o local de encontro...

E, mais importante: identificar a proposta do evento. É engraçado: eu acredito que aprendi a escrever dentro de uma redação; contudo, na primeira oportunidade que tive em “trabalhar” com o blog, foi o meu instinto de jornalista que prevaleceu. Fiquei um pouco apreensivo – nunca havia sido chamado para uma “pauta” pelo blog, mas logo isso passou. Tratei o tema como se fosse uma matéria comum. Quanto à abordagem do texto? Depois eu pensaria nisso.

Assim, no final da tarde, cheguei, junto com a Srta. Acompanhante, ao show. Ou melhor, “aos” show. O Natura Nós, para quem não conhece – e eu não conhecia – é um festival de música com dois palcos e diversos artistas: alguns alternativos; outros (bem) mais badalados.

Assim, os grandes nomes desta edição eram Maria Gadú, Roberta Sá, Laura Marling, Jamie Cullum e Jack Johnson (no sábado); domingo, as principais atrações eram Palavra Cantada e Toquinho.

Logo na entrada, fui avisando o meu contato.

– Antes de começarmos a brincar, você precisa saber que a coisa mais leve que ouço, atualmente, é Alice Cooper.

Ele deu risada.

– Você vai gostar. Não se preocupe. Aqui, vamos além da música.

Levantei a sobrancelha, desconfiado. Não seria a primeira vez que alguém de um departamento de marketing ou comunicação teria me prometido algo assim, em vão. Mesmo assim, dei um voto de confiança e fui em frente.

A Área Vip estava já estava cheia quando entrei – graças ao trânsito de São Paulo, que vai além da música, do bom senso e do suportável, consegui chegar somente na metade do festival, num breve intervalo entre alguns shows. E aproveitei para explorar a Área Vip, algo que nunca havia feito sem um crachá de “imprensa” pendurado no pescoço.

Poucas vezes vi um espaço tão bem montado em termos de exposição da marca – e olhe que tenho dez anos de eventos (maiores e menores) deste tipo nas costas. A marca Natura estava exposta em todos os cantos do local, mas nunca de forma ofensiva ou exagerada. Em momento algum você se sentia “invadido” ou “comprado”, somente discretamente (quase elegantemente) cercado pelo nome da empresa.


A Área Vip - ou parte dela.

Mas, claro que, por ser um convidado – o que tornava um pouco diferente das outras pessoas que estavam ali, boa parte delas que havia comprado ingressos para a Pista Premium, ao qual eu tinha acesso, vale citar – tive certas regalias, em especial mimos oferecidos pela Natura. Mas daqui a pouco eu volto a falar sobre isso, quero falar um pouco da minha experiência na Área Vip.

Para mim, é uma novidade estar numa área destas, ainda mais num show assim. Já estive em áreas Vip de eventos relacionados a cinema, mas nunca em um show, ainda mais de músicas que não fazem parte do meu cotidiano. Assim, ao invés de encontrar pessoas vestidas de preto da cabeça aos pés, encontrei pessoas de outras tribos: desde o público que certamente passou horas se arrumando, em casa, para ir ao evento, até espectadores “comuns”, que estavam lá para curtir seus artistas preferidos.


No meio disso, uma pessoa xingava furiosamente seu celular, que se recusava a acessar o Twitter ou, na maior parte das vezes, a fazer ligações para outras pessoas. Evidentemente, era eu.

Mas logo o problema se resolveu e meu celular voltou ao normal, a tempo de conferir o show de Jamie Cullum, um dos que mais me interessava em toda a programação.

De todos os artistas da noite, ele era o que eu estava mais familiarizado. E, caminhando pela pista Premium, cheguei a poucos metros do palco, de onde assisti o que talvez tenha sido o “meu” momento musical da noite: sua versão de I Got a Woman, de Ray Charles, com o jovem britânico dançando e tocando piano ao mesmo tempo, acompanhado de sua banda.

Ao final do show, fomos investigar o segundo palco (as atrações principais aconteciam no Palco Verde; os secundários, no Azul), onde também conhecemos o Espaço Criativo, que reunia lojas de artesanatos, roupas e acessórios (chapéus, roupas, bolsas, maquiagem) que estavam disputando com os shows a atenção do público feminino presente, praticamente palmo a palmo.

Agora, antes de voltarmos ao Palco Verde, onde Jack Johnson encerraria a noite, hora de falar da Natura. Como eu disse, já havia recebido alguns mimos da Natura – daqueles que fazem a alegria das convidadas mulheres ou das namoradas de convidados homens – mas isso sempre faz parte do processo. Mas o interessante é que os produtos foram entregues numa sacola de pano (sustentabilidade é um dos lemas do festival), pequena (discrição é um dos lemas deste blogueiro) e fácil de carregar.

E, pouco antes do Jack Johnson entrar no palco, foi a hora de conhecer o projeto Natura Musical. Guiado por um representante da empresa, fui apresentando a todo o conceito por trás do evento em si, que promove a música como cultura e, mais importante ainda, como forma de encontro entre pessoas diferentes, de diversas partes do mundo. Basicamente, a música une as pessoas. E eu não preciso deixar de gostar de Slayer e passar a ouvir Jack Johnson para concordar com isso.

Evidentemente, existem espaços para as mulheres experimentarem os novos produtos da Natura – sobretudo das linhas mais sofisticadas – porque o evento é todo patrocinado pela marca (e, realmente, em alguns momentos você chega a esquecer isso). Mas o projeto cultural, que está em seu sexto ano (eu não sabia disso) vai além e patrocina desde CDs de novos artistas a turnês de nomes consagrados, além de realizar projetos que resgatam e mantém viva a história da música brasileira. E da música mundial, o que intensifica ainda mais o conceito de encontro.

Mais alguns mimos recebidos e hora de partir para casa. Jack Johnson ainda estava no palco, fazendo as mulheres gritarem a cada vez que sorria no telão, quase como um Bon Jovi do Havaí.


No Natura Nós, o mundo é,
antes de tudo, verde.


Mas, antes da saída, ainda houve tempo para colocar em prática na pele a filosofia de encontros. Encontrei, em momentos distintos, duas pessoas que já atuaram (por empresas diferentes) no mercado em que atuei durante antes. Abraços, beijos e “como você está?”, “o que está fazendo da vida?” além de um elogio, daqueles superlativos, que me deixou extremamente sem graça por ter me pegado tão desprevenido.

Imediatamente, meus olhos fugiram dos olhos da minha acompanhante e rezei baixinho para alguns dos produtos oferecidos pela Natura ter a capacidade de disfarçar meu rosto corado. Porém, imediatamente me lembrei de que jamais aplicaria aquele produto ali e fiz uma nota mental para responder apenas “é o frio” ao primeiro sinal de “você ficou vermelho com o que ele disse?”.

Fiquei. Mas fiquei feliz e orgulhoso.

Porque talvez seja esta a graça dos tais encontros promovidos pela música. Você encontra não apenas pessoas que não esperava ver (ou rever), mas também acaba encontrando, com a música, um pouco mais de você, um pouco mais do seu passado e – por que não? – do seu futuro.

E eu, apaixonado por música há mais de vinte anos, jamais imaginei que seria uma empresa de cosméticos que me faria pensar nisso tão a fundo. Obrigado, Natura. Não pelos brindes ou pelo conforto, mas sim por ter cumprido sua promessa e ter ido, realmente, muito além da música.


Nota 1 - As fotos foram tiradas com meu celular. Apesar da fraca qualidade delas, decidi publicá-las para aumentar a MINHA experiência no local. Para quem desejar, o site do Natura Musical (linkado no texto) conta com um Flickr com dezenas e dezenas de imagens profissionais.

Nota 2 - Por motivos éticos, nunca publiquei fotos dos brindes, acho desnecessário. Desta vez, porém, eu teria feito isso sem problemas, caso meu blog fosse voltado à maquiagem e beleza (algo que o meu barbear na terceira foto deixa claro que não é o caso).



10 comentários:

Michelle disse...

Te invejei horrores por ter visto o show do Jamie! Realmente este evento da Natura é muito bom, que no ano passado teve Jamiroquai(uma obsessão minha) mas também não consegui ir... Obrigada por compartilhar sua experiência com a gente, só fiquei com vontade de ver os brindes! :)

Hally disse...

Hei, não rola um sorteio dos brindes? Brinks amg. =)

Confesso que eu, como você, também não me sentiria muito em casa por estar num show onde as pessoas não estão de preto dos pés à cabeça. Mas acho a experiência muito válida.

Lilian disse...

Hei, não rola um sorteio dos brindes? Brinks amg. =) [2]

Legal, Rob. De vez em quando, um blog se destaca pelo que é, não por puxar o saco de uma ou outra empresa ou marca! Pelo jeito foi uma experiência bacana - e veja só, você nem teve alguma história na linha 'ô, fase' pra contar! Sinal que dessa vez vc deu mesmo sorte, rs.

Tyler Bazz disse...

"Ainda bem que a pessoa do outro lado do fone aguardou pacientemente eu resolver meu problema mental."

São grandes as chances de que estejamos falando da mais longa ligação telefônica da história.

Eu odiei o Natura Nós. Não porque eu tenha ido e não gostado, mas porque eu só fiquei sabendo do evento no momento em que ele estava ocorrendo, e com uma das minhas cantoras favoritas - Laura Marling - no palco. Fiquei aqui, na vontade de ir até SP ver. Fica pra próxima.

E eu tb poderia sugerir que a Natura SUMISSE com certos tipos de interação presentes no festival, mas deixemos isso pra lá. ¬¬

Varotto disse...

Maravilha de cenário!

Mas eu fiquei sem entender qual foi o motivo do convite e o que ele vai render, além da música.

Quando você começou o texto achei que fosse acabar em alguma coisa tipo um acordo, ou patrocínio. Era uma proposta para você fazer a cobertura do evento?

Mas, de qualquer forma, parabéns! Agora você é, oficialmente, um VIP (não, não vou falar que isso pode significar Viado Importante Paca, ou qualquer coisa parecida, porque sou muito educado e nunca pensaria uma coisa dessas). It's a long way to the top...

P.S.: A terceira foto ficou bizarra!

Michele disse...

Hei, não rola um sorteio dos brindes? Brinks amg. =) [3]

E olha esse Rob ficando saidinho e mostrando um pedaço da cara...

Mas cara, queria ter ido no show do Jack Johnson... Deve ter sido MUITO legal! Parabéns pela oportunidade... E vai que não vira algo maior daqui um tempo? As portas estão se abrindo =D

Srta. Acompanhante disse...

Os brindes ficaram para mim. :P

"...além de um elogio, daqueles superlativos, que me deixou extremamente sem graça por ter me pegado tão desprevenido."

Sim, todo mundo acha o Sr. Rob Gordon genial

Rob Gordon disse...

Como vocês podem ver pelo comentário acima... Sem sorteio.

Anônimo disse...

o máximo que fui convidado para algum evento assim, foi para me retirar...

Rafhael Marsigli disse...

Boa noite, não achei e-mail de contato no blog, mas gostaria de fazer uma proposta. Se puder notifique-nos no contato@cinemasmorra.com.br

Abraços