11 de março de 2011

Clube da Luta

São dois personagens: um deles está sentado em uma cadeira. O outro está no chão, em um canto, observando tudo atentamente. Teoricamente, este deve ser o vilão – vilões sempre costumam fazer tocaias ardilosas. Por outro lado, aquele que mexe em um computador está vestindo negro (cor preferida dos vilões), enquanto o do chão é todo branco.

Não sabemos quem é o herói ou vilão.

Aquele na cadeira possui algo em suas mãos. Um pequeno saco com objetos coloridos. Talvez gemas e pedras preciosas. Do chão, o outro, escondido atrás de uma quina na parede. Observando pacientemente. Esperando por uma chance.

E ela surge quando uma das gemas, de cor esverdeada – uma esmeralda, talvez – escapa de suas mãos e cai, deslizando pelo chão de madeira do aposento. Era tudo o que o personagem de branco queria.

Tudo é muito rápido.

Num átimo, ele dispara em alta velocidade pelo local, à caça do objeto. Imediatamente, o personagem de negro dá um pulo derrubando a cadeira na qual estava e cruza o ar, aterrissando sobre seu oponente, abraçando seu corpo e impedindo seu avanço.

A pequena gema verde, alheia a tudo, continua deslizando pelo assoalho.

Ambos lutam. Para escapar do rival, o personagem de branco precisa inverter o jogo. Assim, por baixo do adversário, ele contorce seu corpo, encontrando espaço para dar uma cotovelada na boca de seu oponente, deixando-o tonto.

Surpreendido pelo golpe, o personagem de negro afrouxa os braços, permitindo que o adversário escape em direção ao objeto. Contudo, consegue ainda, num movimento desesperado, agarrar o personagem de branco pelas pernas, derrubando-o novamente.

A pedra verde bate em uma parede e finalmente pára em um canto do aposento.

Ambos rolam no chão. Por cima do adversário, o personagem de negro desfere dois socos no rosto de seu oponente, que tenta estrangulá-lo freneticamente. Ao ver que não seria bem sucedido, o personagem de branco revida o golpe, mas não com um murro, e sim golpeando o rosto do rival com o primeiro objeto que conseguiu agarrar (um sapato que estava ao chão).

O personagem de negro grita um palavrão.

Ambos rolam novamente.

Agora o personagem de negro está por baixo. O de branco, aproveitando a vantagem, segura o oponente por uma das orelhas, golpeando o chão com sua cabeça. Lutando contra a inconsciência, o de preto encontra força para desferir uma cotovelada no estômago do adversário, que, sem ar, cai para o lado, gemendo.

A valiosa jóia verde continua num canto próximo a parede.

Enquanto o adversário recupera o fôlego, o personagem de preto se arrasta pelo chão, em busca do objeto. Seu esforço dura pouco, sendo interrompido por um violento golpe na cabeça – em pé, seu adversário, com a veste branca já suja pela batalha, o golpeou com uma cadeira.

Mas o de preto permanece irredutível em sua missão de impedir que o oponente se apodere da gema esverdeada. Assim, mesmo abalado, consegue segurar uma das pernas do rival, derrubando-o no chão.

Ambos rolam mais uma vez, derrubando móveis.

E é aí que o personagem de branco comete um erro fatal: ao encontrar uma brecha para disparar em alta velocidade rumo à pedra preciosa, não percebe que o personagem de preto estava se levantando e o agarra pelas costas. Ele geme de dor enquanto é balançado no ar – ainda tenta enfiar o dedo no olho de seu oponente, em vão – e é atirado violentamente para o canto do aposento, caindo sobre um sofá.

Quando se recupera, vê que a derrota se consumou. O personagem de preto está de pé próximo a parede, com a pedra preciosa brilhando em suas mãos. Sua cor verde brilha sob a luz.

O personagem de preto observa o objeto atentamente e volta-se para o rival, mostrando o objeto em suas mãos. Porém, ele não sorri triunfante. Pelo contrário, seu rosto reflete somente ódio.

Segurando com força a gema esverdeada, ele grita.

– Você é retardado?

– Au!

– Você está cansado de saber que não pode comer chocolate!

– Au!

– Olha o estado em que a sala ficou!

– Au!

– Eu vou jogar isso aqui fora. Se você sequer olhar para aquele saco de M&M, você está morto!

– Au!

– Au porra nenhuma!

– Au!

– Babaca.



8 comentários:

Anônimo disse...

lol,
Sorte sua que o Besta-Fera não tem uma magnum 44

Gabi disse...

50 reais no Besta-Fera em qualquer luta limpa. Ou suja.

Dragus disse...

Au!

rbns disse...

Acho que nesse parágrafo vc confundiu os dois, dá uma olhada:

"Surpreendido pelo golpe, o personagem de negro afrouxa os braços, impedindo que o adversário escape em alta velocidade, em direção ao objeto. Contudo, consegue ainda consegue agarrar o personagem de negro pelas pernas, derrubando-o novamente."

Em tempo: "átimo"? Sério? Depois de ter soltado um "quinhão" não faz muito.

Legal. Gostei. Champ é cultura.

Rob Gordon disse...

Rbns

Tem razão. É que com os dois rolando pela sala, ficou difícil ver quem era quem.

Valeu!

Tyler Bazz disse...

Babaca.

Emilia disse...

Eu já sabia que era vc x besta-fera desde o começo, mas o diálogo no final é realmente engraçado, ri alto. (achei que fosse uma bolinha de ração - mas qual cachorro, a não ser o meu faminto daschound que mais parece um vira-lata, lutaria por uma bolinha de ração?)

Smaily Prado disse...

Cara, eu fiquei pensando que o de branco poderia ter enganado o de preto quando este parte finalmente para pegar a gema verde e o de branco correndo para a mesa para pegar o pacote inteiro!

Mas no final quando se descobre que é você lutando com seu cachorro foi sensacional! e realmente ele não pensaria em pegar o pacote... ou pensaria?