11 de fevereiro de 2010

O Império dos Sentidos

É comum acreditar que um aparelho de mp3 gira em torno de apenas um dos cinco sentidos: a audição. O engano é fácil de ser explicado, já que estamos falando de música (no meu caso, no máximo), entrando diretamente nos seus ouvidos pelos fones.

Agora, o que nem todo mundo sabe é que é possível expandir a experiências para todos os demais sentidos. Basta apenas um pouco de imaginação – e uma capacidade inigualável de pagar micos colossais.

E eu possuo essas duas características (especialmente a segunda, que tenho de sobra), como ficou claro no elevador do meu prédio, hoje de manhã.

Assim, deixo vocês com o Top 5 Sentidos do Corpo Humano, Pela Ordem que Eles Organizaram uma Conspiração para me Envergonhar:

1. Audição - Entrei no elevador ouvindo Holy Wars... The Punishment Due, do Megadeth, no mp3. No máximo. Apertei o botão do Térreo e encostei-me à parede. As guitarras começaram a cortar meu cérebro em dois, enquanto a bateria fazia meus órgãos tremerem. O baixo dominava o elevador. Fechei os olhos e fiquei ouvindo a música, acorde por acorde, verso por verso. Logo, comecei a cantar junto, baixinho. O elevador se tornou meu palco.

2. Tato – Não agüentei e comecei a tocar air guitar no elevador. Eu praticamente sentia o instrumento em minhas mãos, e comecei a cantar junto, balançando a cabeça. Eu não estava mais no elevador (que, a esta altura, deveria estar no sexto andar). Eu estava em Donnington, em algum Monsters of Rock. E no palco. Eu não era mais Rob Gordon, eu era David Mustaine, chacoalhando os cabelos (que não tenho), cantando, cada vez mais alto, Waaaaaaage the war... On organized crime!, e enlouquecendo os milhões de fãs (que também não tenho), todos apaixonados pela minha banda (que não existe).

3. Olfato – Comecei a sentir um leve perfume adocicado ao meu redor. Achei estranho. No meio de um show do Monsters of Rock, o único cheiro adocicado que deveria existir era o de maconha. Fora isso, apenas cheiro de suor. De onde estaria vindo aquele cheiro? Afinal, mesmo se meu mp3 tivesse um recurso como “ativar odor” da música, versos como “some people risk to employ me, some people live to destroy me, either way they die... They diiiiie!” dificilmente teriam cheiro doce, estando mais para odor de pólvora e sangue.

4. Visão – Curioso, abri os olhos. Não estava mais em Donnington, mas sim de volta ao meu elevador. E eu não cantava para uma platéia de milhões, mas para uma pessoa: uma mulher com cerca de quarenta anos, moradora do terceiro andar do meu prédio, e que estava saindo de casa, provavelmente para trabalhar. O perfume vinha dela. Eu estava tão entretido com meus riffs imaginários que não senti o elevador parando. Ao menos, ela estava, aparentemente, gostando da música. Afinal, ela estava rindo. Se bem que logo caí na real e percebi que não estava rindo por estar satisfeita com a minha performance, mas por ter aberto a porta do elevador e ter dado de cara com o carequinha imbecil do oitavo andar “brincando de musiquinha”.

5. Paladar – Eu não sentia mais o gostinho da fama na boca; apenas o sabor da vergonha. Parei de balançar a cabeça, guardei meu instrumento e abandonei a carreira musical. Não consegui nem olhar para a mulher. Dei apenas um sorriso amarelo e fiquei encarando o chão, ate o elevador parar no Térreo e eu descer, resmungando um bom dia, baixinho. Graças a Deus, ela foi para a garagem. A próxima vez que o pessoal do Megadeth me procurar para uma jam no elevador, a única condição que meu agente fará será ela precisa ser, obrigatoriamente, no meio da madrugada.

15 comentários:

Otavio Oliveira disse...

ohaohaohaoha mas pensa só, Rob, pelo menos vc n precisou passar pelo constrangimento que acomete duas pessoas em um elevador, quando a maior conversa que pode existir é 'e o calor, hem?' ou 'como chove', no caso de SP.

pensando bem. é, acho que seu constrangimento foi pior.

@otaviocohen

Tyler Bazz disse...

Screeeeeeeeeam for me coroa do terceiro andaaaaaaaaar!

Rafiki disse...

Ora, teve platéia e ainda reclama?

Leonor disse...

Vc é doido...sério...^^

Nadia disse...

O unico comentário que eu posso fazer nesse momento é:

"Hehê, se fode!"

huahauhauhauhauhua

Yellowmega disse...

e me encostei-me???? looooool

Rob Gordon disse...

Yellowmega:

Nunca confie cegamente no corretor ortográfico do Word.

E, como diria Sean Coonnery em Os Intocáveis: "isso encerra a lição de hoje."

Valeu.

Alexandre Greghi disse...

Sorry, but.... a lição continua... Ou seria um bis???
3. olfato... "apenas cheio de suor".

Alexandre Greghi disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Alexandre Greghi disse...

ps: antes ela ouvir Megadeath do que "calcinha preta" ou "reboleichiom" no elevador! A coroa devia agradecer a você!

Varotto disse...

you got issues...

Yellowmega disse...

My issues: Megadeth rules!!! ;)

Milla Pupo disse...

Hahahaha oka! Compreensível! Aee e eu estava no Megadeth, no Monsters *_*

Deu saudade!

Bjs

Pri disse...

Rob vc é cada vez mais bizarro! uauahuahaua

Carol disse...

Acho que é mais ou menos o que eu sinto quando sou pega falando sozinha...