17 de dezembro de 2008

Jim Morrison e o Maníaco do Táxi - Parte I

Na sexta-feira passada, aconteceu o happy hour de final de ano com meus amigos da faculdade. Isso é algo que certamente seria uma tradição anual, se não fosse tão difícil reunir todos nós. E olhe que não estou falando de 35 pessoas, mas sim de meia dúzia. Mas também não é de se espantar, já que era difícil conseguirmos nos reunir até mesmo na faculdade, pois estabelecemos um sistema de rodízio de faltas que permitia a todos do grupo “cabular assiduamente”.

Mas todos ano nós tentamos, e quando tentamos reunir pelo menos 50% do grupo (ou seja, três pessoas), nos damos por satisfeitos. E, na sexta-feira passada, após uma extensa troca de e-mails, fechamos o local: uma casa de espetinhos em Moema, as 22:00. O problema é que devido aos meus horários de travesti (quem mandou não estudar e ser jornalista mode: on), consegui sair do trabalho só à meia-noite, e fui correndo para o ponto de táxi ao lado da redação.

Vazio.

Fiquei parado ali feito um imbecil, esperando algum táxi aparecer, enquanto recebia demonstrações de carinho e apoio dos meus amigos por sms (coisas como “cadê você, caralho?”). Felizmente, menos de cinco minutos depois, um táxi passou na rua. Fiz sinal, ele parou e entrei.

Eu deveria ter desconfiado que não tinha sido uma boa idéia quando percebi que o sujeito não era apenas parecido, mas exatamente igual ao louquinho do Prison Break. E nem tanto por causa da barba ou do cabelo, mas sim por causa do olhar estalado e homicida. Bom, paciência, não é culpa dele, pensei. O cara nasceu assim. Vamos em frente.

Disse a ele que iria para Moema, mas ele não ouviu. Na verdade, nem eu ouvi o que havia dito, porque o rádio dele estava no volume máximo, tocando The Doors. Como ele percebeu que eu e o Jim Morrison estávamos falando ao mesmo tempo, ele abaixou o volume (mas não muito, foi do 30 para o 27) e eu disse novamente que ia para Moema.

O carro começou a andar.

Aproveitando que a música estava num momento mais calmo, só com baixo e bateria, avisei que não tinha dinheiro e perguntei se poderia pagar em cheque.

A estranheza da noite começou ali mesmo.

Você tem cartão?, ele gritou

Tenho. Mas você aceita cartão?, berrei de volta.

Não, eu aceito gasolina.

Quê?

Gasolina!

Abaixa o rádio!

Você não gosta de Doors? É bem louco!

Abaixa o rádio!

Ele abaixou (para o 22). Achei melhor recomeçar tudo de novo. Perguntei se podia pagar em cheque, e ele respondeu:

– Eu aceito gasolina. Coloca gasolina no meu carro e eu te levo para Moema.

Bom, Ok. Faz sentido.

Encostamos num posto, ele colocou 30 reais de gasolina, eu paguei e fomos. Assim que saímos de Pinheiros, ele começou a se vangloriar do seu modelo revolucionário de negócio.

– Muito bom, isso, né? Eu coloco gasolina no carro e você chega onde quiser.

A idéia não era tão genial assim, mas, como ele ficava me encarando com aquele olhar vidrado e levemente homicida, achei melhor não discordar.

– É. É uma boa idéia sim.

– Só eu faço isso.

– Ok.

– E é uma puta idéia, não é?

– É. É uma puta idéia. Você vai pela Brasil?, tentei desconversar.

– Você gosta de The Doors?

– Sim. Você vai pela Brasil?

– Eu acho muito louco. O jeito que os caras tocam a guitarra.... Não parece que eles estão dando uma com a guitarra?

– Sim. Você vai pela Brasil?

– Acho que sim. Você quer ir para a praia?

– Sim. Você vai pela... Espera, eu quero ir para onde?

– Para a praia.

Não tive como permanecer impassível. Olhei para ele e ele estava me encarando fixamente. Comecei a perceber que eu estava correndo risco de vida dentro do carro – e não porque ele estava dirigindo pelo corredor de ônibus da Rebouças sem olhar para a frente, mas porque se existisse uma escola de psicopatas, ele certamente seria o primeiro da classe. Olhei ao redor, procurando por um machado, um facão, uma foice, ou qualquer coisa que ele poderia usar como arma caso eu respondesse algo que ele não gostasse. Não vi nada, então fiquei um pouco mais tranqüilo e fui sincero.

– Não, eu quero ir para Moema.

– Ah, tá.

Espera, como assim, “ah tá?” Ele estava indo para a praia?

(Continua...)

17 comentários:

Dalleck disse...

Aaaaaah, esse "continua" me deixa agoniado que nem em Lost xP

Bom, só espero que você não tenha postado isso de um cativeiro na praia xD

Barlavento disse...

Tô adorando essa sua Ô Fase... Tão produtiva...

Helen disse...

– E é uma puta idéia, não é?

– É. É uma puta idéia. Você vai pela Brasil?, tentei desconversar.

– Você gosta de The Doors?

– Sim. Você vai pela Brasil?

– Eu acho muito louco. O jeito que os caras tocam a guitarra.... Não parece que eles estão dando uma com a guitarra?

– Sim. Você vai pela Brasil?

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Dei um berro em forma de gargalhada! Ai, Rob, essa foi a melhor do dia! Espantou o meu mau-humor.

Me ocorreu agora há pouco que sou sua leitora há um ano. Er...parabéns? (Hahaha prepotência mode: on)

Agora sério: um ano com muito mais risadas. Obrigada! :)

Gilgomex™ disse...

er... levando em consideração tudo que foi dito...
sim, Jim Morrison é (era) bem loco!!!

Pâmela disse...

ADOOOOOOORO psicopatas

Pâmela disse...

queria ser uma pscicopata :(
MUAHUAHAUHUAHUAUAHUHAUHAUHAUAU
tá bom, parei.

Pâmela disse...

Rob, tá faltando os seus comentários ao comentários!
Há um bom tempo. DDDDDD:

MaxReinert disse...

hauhauhaa... meeedo.... Praia em São paulo??? Como assim????

PS: Responde a Pâmela que ela tá carente!!!!

Tyler Bazz disse...

Sério... posta LOGO!.. tá bom demais isso!!!

Fora que.. The Doors é "bem lôco"

Varotto disse...

Da série "Gotas de sabedoria":

The Doors é bem lôco...

... Mas psicopata é muito mais.

Thiago Apenas disse...

"mas exatamente igual ao louquinho do Prison Break"
Legal se ele desse aquela virada de cabeça, como quem tenta entender algo. hauhaauhahhuahaahu

Pat Rabbit disse...

tenho medo, cruzes!
sou um imã para maníacos de todos os tipos.
só não me diga q vc foi parar na praia, senão não é só essa história q estará em partes por aqui :)

Gisela Melloso disse...

Adorei, quero o finallllllllllllllllllllllllllll
agoraaaaaaa, vc não imagina como é meu olhar vidrado viu? rsrsrsrs

Amei a parte do sms de carinho dos amigos!!!

Por favor avise assim que tiver a 2ª parte!!!

Abraçãoooooo( com olhos vidrados)

Kel Sodré disse...

hihihihih

Olhou o nome do cara no crachá de taxista dele? Dá uma googlada no cara e coloca os dados dele aqui em anexo ao próximo post da série pra gente se divertir mais!

Larissa Bohnenberger disse...

Ai, que medo!
Tô loca pra ler a continuação!

Stess disse...

Hahahahahah ele ia te levar pra praia sob chuva, só pra cantar aquele parte do "there's a killer on the road"

Stess disse...

Ao som de "Riders on the storm", esqueci de falar :-)