1 de setembro de 2006

O Bom, O Mau, O Feio... E os Indies

Quem me conhece sabe que sou naturalmente avesso à bandas novas. Claro que acabo ouvindo coisas novas, mas institivamente espero uma decepção. Especialmente aquelas bandas-que-se-consagram-de-vez-no-Tim-festival. Sempre são 2 ou 3 ingleses (ou escoceses, irlandeses, etc), absurdamente andróginos, se vestem como consumidores do Mercado Mundo Livre e que fazem o mesmo tipo de som. Essas bandas têm, inclusive, um ciclo de vida bem definido, com vários estágios:

Fase indie - Explodem com um disco que a Folha de São Paulo classifica como "minimalista e visceral" e rotula como "o melhor disco de rock do ano" (aliás, de acordo com a Folha, todo mês sai o melhor disco de rock do ano).

Fase Pop - Não demora muito, estão no Top 10 da Mtv - o que comprova matematicamente o quanto o som deles é ruim.

Fase Deuses - Meses depois, desembarcam como a grande sensação do Tim Festival. Viraram deuses.

Fase Cults - O segundo disco já passa meio batido pela mídia (que já achou outra banda minimalista e que vai salvar a porra do rock).

Isso, claro, num espaço de dois anos e com dois discos. Daqui a 10 anos voltam no Tim Festival e são aclamados como mitos.

Será que o rock tem tanta necessidade assim de ser salvo? Eu acho que não. Pelo menos, não por meia dúzia de moleques politicamente corretos e que parecem que saíram daqueles out-doors de jeans onde todo mundo parece drogado. O problema é que eles cresceram nos anos 80 e tem como principal referência o Smiths. Nada contra a banda do(a) Morrisey, mas isso acaba deixando o som de todos esses grupos exatamente igual. Muda um riff aqui, uma batida ali e o CD tá pronto. Manda um clipe pra MTV e corre pro aeroporto, que semana que vem tem Tim Festival!

OK, alguém pode falar que, nos anos 60, Beatles, Rolling Stones, Beach Boys também era parecidos entre si, pois, por questões mercadológicas, era o que vendia. Mas todas essas bandas se reinventavam de disco para disco, especialmente a partir de Revolver. Isso, sem falar que, no final dos anos 60, Led Zeppelin, The Who, Deep Purple, Pink Floyd, Cream e tantas outras começaram a correr por fora. Do lado de cá do Atlântico (mas lá em cima, claro), explodem The Doors, Janis Joplin, Jimi Hendrix. Franz Ferdinand? Libertines. Esquece, não dá nem para comparar.

Mas não vou negar que, às vezes, me rendo ao hype e compro um CD de uma banda nova. Gozado que eles são sempre mais caros que os clássicos, o que, em alguns casos, beira a falta de educação. Enfim, três bandas me chamam a atenção, por fugirem do lugar-comum de bandas salvadoras do rock que infesta as rádios. Seguem, então, O Bom, O Mau e O Feio.

O Bom
Darkness - Explodiram com pinta de fazerem hard rock dos anos 80. As mesmas roupas, os mesmos gritos, os solos deliciosos. O problema é a referência. O hard rock dos anos 80 não é uma das melhores coisas que aconteceu no mundo. Motley Crue, Twisted Sisters... Ok, são divertidos, mas são apenas versões pastiches do hard rock (tesudíssimo) dos anos 70. Ou seja, já nasce datado, fica mais com cara de sátira que de homenagem. Mas o som é interessante. O problema é que o segundo disco já entrou mudo e saiu calado (o primeiro chegou a estourar) e a banda, pelo que li na internet ultimamente, está se esfacelando. Ou seja, era uma mentira. Mas, tomara que ainda se recuperem. A idéia, ao menos, é boa.

O Mau
Velvet Revolver - Na verdade, não é uma banda nova, e sim um Frankenstein de Guns N' Roses e Stone Temple Pilots. Slash continua tocando muito e as músicas mostram (diferente do Darkness), um hard rock mais agressivo, mas, também, nada que faça você levar o CD para o trabalho, no dia seguinte, e ouvir o dia inteiro. Não tem nada de muito especial. O problema é que ninguém sabe se a banda vai estar viva até o segundo álbum, de tanta droga que eles consomem. Aliás, não dá nem pra saber se eles lembram que a banda existe, pois provavelmente estavam totalmente chapados no estúdio.

O Feio
Wolfmother - Três australianos que surgiram do nada e que acham que vivem nos anos 70. Tranquilamente, um dos melhores CDs que eu comprei esse ano. E admito que comprei desconfiado, especialmente quando eu li que as influências deles eram Led Zeppelin, Black Sabbath e Jehtro Tull. Hum-hum. Então tá. Coloquei o CD pra rolar, e se você me disser que aquele riff ali é o Tony Iommi tocando, eu acredito. O vocal rasgado, a batida, a levada peso x melodia, está tudo ali. E, o melhor de tudo, eles vêm da Austrália (leia-se: AC/DC), ou seja: estão mais interessados em tomar cerveja e em tocar do que em salvar o rock – tanto que não não tem uma foto dos caras no CD, pra desespero do pessoal da Bizz. E o rock, que não aguenta mais a merda do Tim Festival, agradece. CD Obrigatório. Deus queira que o segundo CD deles não seja uma decepção.

5 Discos-Debut com Culhão (Não, não tem Oasis na lista, nem procure)

1. Led Zeppelin - Led Zeppelin (1969)
2. Black Sabbath - Black Sabbath (1970)
3. The Piper at the Gates of Dawn - Pink Floyd (1968)
4. Kill 'em All - Metallica (1983)
5. Appetite for Destruction - Guns N' Roses (1988)

3 comentários:

Anônimo disse...

êeeee idade !

Luciana Toledo disse...

É, Wolfmother é do cacete mesmo, Rob. Eu também me amarro.
Tem foto deles no www.allmusic.com

Luna disse...

Não sei se você lê comentários em posts tão antigos, mas na minha condição de recém-chegada no Brasil eu me espanto um pouco com os farrapos do indie rock que tomaram forma mais ou menos grotesca aqui. Morei sete anos em San Francisco e tenho que confessar que tinha alguma confiança na cena musical, e acreditava que um barulho considerável estava sendo feito ali, o suficiente para ser lembrado e respeitado pelas gerações futuras. Quando chego no Brasil, encontro mocinhas terrivelmente arrogantes vestidas todas iguais, ouvindo umas três ou quatro bandinhas padrão. Eu não te culpo por achar que o indie rock é uma coisa infundada e efêmera. Percebi que é mais um movimento local, mesmo. O que chega no Brasil é só a fumaça, difusa e sem embasamento. Com uma batidinha que é mesmo um porre.