Foi um dia desses que eu estava fumando na frente do mercado.
Antes que você ache que sou um desocupado, explico: eu tenho
o hábito de acender um cigarro quando saio de casa – quando vou para algum
lugar perto, nem levo o maço, apenas o cigarro que acendo quando coloco o pé na
calçada. Mas o problema é que eu ainda não me acostumei com o fato de que demoro
menos tempo para chegar ao mercado que para fumar um cigarro, então eu sempre
enrolo uns dois minutos ali, fumando na calçada.
E era isso que eu estava fazendo quando vi duas mulheres
saindo do mercado e andando na minha direção. Mas, como eu estava olhando a rua
e pensando na vida, não dei muita atenção a elas, especialmente porque uma
delas falou uma frase que poderia ser descrita como “Nonono? Nononono...” (professora do Charlie Brown mode: on).
O que me chamou a atenção foi a resposta da sua parceira.
– Os peito dessa mulher é uma delícia.
Sim, é evidente que eu olhei para trás. Pare de me olhar com
essa cara, porque você também teria olhado – e caso você seja minha Esposa,
gostaria de deixar claro que olhei para trás não para identificar a dona dos peito
delícia, e sim para conferir se eu havia escutado direito. Mesmo.
Só as duas continuavam ali. E nenhuma delas parecia ser a
dona dos peito delícia.
Concluindo que eu provavelmente havia escutado errado,
voltei a fumar olhando a rua enquanto as duas guardavam as compras no carro atrás
de mim. E continuaram conversando. A primeira – aquela que falava em nononono –
fez uma pergunta, agora em português.
– Mas é industrializado?
Sério, essa mulher deve entender muito de peito. Até onde eu
sei, a pergunta deveria ser “mas é natural?”. Mas ela perguntou se “os peito
eram industrializados” com tanta propriedade que eu imediatamente concluí que
ela deve ser especialista no assunto. A questão dela foi feita com a segurança
de um expert. Se um dia houver uma cruzada em busca de peitos – vai que depois
do apocalipse seja preciso um par de peito delícia para amamentar o novo líder da
humanidade, sei lá – eu seguiria essa mulher sem pestanejar.
Porém, a outra não deu atenção para isso. Aparentemente, ela
nunca havia pensado se os peito era natural ou industrializado. E nem queria
pensar nisso.
– Ah, não sei. Sei que é uma DE-LÍ-CIA!
Então, essa mulher está de sacanagem comigo. Provavelmente isso
é uma pegadinha e até o final da semana eu vou aparecer na televisão fazendo
papel de idiota. Se bobear, essa mulher que está falando é o Ivo Holanda com
peruca. Não. Pior. É um daqueles testes de fidelidade. Vou é ficar quieto na
minha, porque eu sei que o Twitter inteiro assiste a essa merda.
A especialista em peitos ficou em silêncio – e eu continuei
imóvel ali, caso você seja minha esposa – então sua amiga continuou.
– Aliás, peguei os peito mais de uma vez. Umas três vezes.
Tem muita carne.
Duas pessoas não teriam olhado para trás novamente depois
disso: eu e o Papa – mas o Papa certamente teria chamado um segurança e cochichado
um “fica ali perto e descobre de quem elas estão falando.” Mas, como eu não
tenho segurança, fiquei quieto e jurei que não ia mais dar atenção para aquilo.
Mas falhei miseravelmente quando a especialista em peito
perguntou:
– Mas onde ela está que eu não consigo ver?
Eu olhei para trás, fazendo cara de “sim, porra, onde essa
mulher es...”. Não. Minto. Eu olhei para trás apenas para ver se o mercado
estava cheio e as mulheres estavam ali entregando a localização da dona dos
peito delícia por coincidência.
Enfim, olhei para trás e vi a mulher apontando para o muro da
casa ao lado do mercado.
– Ela fica aqui atrás desse muro. Não está sentindo o
cheiro?
Que cheiro? Você está louca? Aqui atrás do muro tem apenas a
mulher que vende espetinhos, e ela deve ter uns sessenta anos de idade, e...
Espera.
Peitos.
Delícia.
Delícia.
Carne.
Industrializado.
Espetinho.
Não são os peito da mulher que é uma delícia, é o espeto da
mulher que é uma delícia. Maldita fonética.
Terminei meu cigarro e entrei no mercado, para comprar a
ração dos cachorros. E, na saída, pensei que já passou da hora de eu
experimentar o espetinho que a mulher que fica ao lado do mercado vende aos fins de tarde.
Dizem que é uma delícia. Cheio de carne.
Ai que dó. :D
ResponderExcluirHaha Apolônio!
ResponderExcluirAhahahah valeu a gargalhada da noite!
ResponderExcluirAhahahah valeu a gargalhada da noite!
ResponderExcluiressa foi ótima... muito boa mesmo
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