4 de junho de 2012

A Avó de Todos


Algumas semanas atrás, precisamos levar minha avó ao hospital. Ela não estava bem e precisava fazer uma série de exames. Enquanto aguardávamos na sala de espera, ela, na cadeira de rodas, se cansou de ficar naquela posição e pediu para mim:

- Fique aqui ao meu lado para eu apoiar a cabeça em você.

Ficamos bastante tempo assim. Ela sentada com a cabeça encostada no meu peito, e eu em pé e em silêncio, fazendo cafuné nos seus cabelos. Quando o médico a chamou, minha mãe entrou com ela e eu fui embora.

Mas antes, abaixei na frente dela e me despedi.

- Vó, eu vou ver se consigo voltar com uma garrafa de vodca para você. E trago um pouco de maconha, seus CDs do Bob Marley e seu skate, para você dar umas voltas no corredor.

Ela morreu de rir. Ela adorava quando eu dizia essas coisas – e eu falava isso para ela o tempo inteiro, desde os quinze anos de idade. Com o tempo, ela mesma começou a entrar na brincadeira. Eu reclamava que o quarto dela estava cheirando a maconha e ela, rindo, respondia que:

- Tinha sobrado uma pontinha de ontem à noite, então eu fumei antes que estragasse.

Mas, neste dia no hospital, quando disse isso a ela, ouvi um senhor de idade, que também aguardava o médico ali perto, comentar com a minha mãe:

- Que família amorosa vocês têm!

Eu não consegui disfarçar o sorriso.

Sim, minha família esbanja amor, mas eu não consigo evitar o orgulho que sinto quando isso transparece no meu relacionamento com a minha avó materna. Como minha avó paterna – que também era minha madrinha – morava em Santos, eu sempre fui muito mais próximo da mãe da minha mãe. A Vovó Helena. Ou apenas, a Vovó.

“Vovó”.

A palavra por si só já é mágica. Ao menos, para mim sempre foi. Quando eu era criança, bastava minha mãe avisar que “a vovó vem para cá” e o dia ganhava novas cores. Tudo se tornava especial. Às vezes, minha mãe ia me buscar em algum lugar e avisava que “a vovó está em casa” e eu não via a hora de voltar e encontrá-la.

Melhor que isso era somente quando ela dormia em casa. Quando isso acontecia, ela dormia no meu quarto – as costas dela ainda eram boas, então ela dormia num colchão ao lado da minha cama. Mas às vezes nós trocávamos: eu dormia no colchão, e ela na cama.

E era ali, com a luz apagada e sozinho com a minha vó, que eu conversava muito tempo com ela. Perguntava sobre a vida, pedia por histórias do vovô e dos meus pais, queria saber como e para quem ela tinha rezado. Conversava com ela o máximo que eu aguentava, até cair no sono.

Isso acontecia muito quando eu era criança. Com o tempo, ela foi morar na casa dos meus pais e tinha seu próprio quarto. Mas as conversas com minha vó antes de dormir marcaram muito minha infância como neto.

Claro que esta não é a primeira lembrança que eu tenho da minha avó. Assim como acontece com quase todo mundo, minhas primeiras lembranças são um pouco vagas, confusas. Acho que nós temos um monte de “primeiras lembranças” na infância. E  eu tenho um punhado de “primeiras lembranças da minha avó”.

De todas elas, a que eu mais gosto vem da época que morei em Manaus. Eu devia ter por volta de cinco anos e ela estava nos visitando com meu avô.

Me lembro de estar com ela, sentado num degrau da sala, jogando dominó. Era um dominó da Disney; as peças eram de madeira preta, com imagens dos principais personagens. E ela insistia que o nome de um dos personagens era Cartolinha. E eu corrigia o tempo todo:

- Não é Cartolinha, vó! É Tio Patinhas!

Mas, para ela, continuava sendo Cartolinha. Tenho quase certeza de que ela também chamava a Margarida de Lacinho (por causa do laço que ela usava na cabeça), mas pode ser apenas o meu cérebro pregando uma peça. Mas do Cartolinha eu tenho certeza.

Conforme os anos foram passando, eu comecei a perceber que a Vovó era muito mais que apenas “minha vó”. Todas as histórias que ela contava ou que os outros contavam sobre ela mostravam isso. Era não apenas a minha vó, mas havia sido uma mulher que, com pouca instrução, batalhou para criar e proteger sua família, numa época em que tudo era mais difícil.

Criou três filhas, seis netos e três bisnetos com uma honestidade e uma coragem (e, principalmente, com um amor) que jamais se abalaram. Nunca abriu mão de princípio algum, nem mesmo quando perdeu o marido – poucos meses depois de jogar o dominó do Cartolinha com o neto – ou quando teve a coragem de enterrar uma filha, muitos anos depois.

As histórias são muitas – estamos falando de uma mulher que nasceu em 1918 – mas eu, claro, tenho um carinho especial por aquela em que ela é apenas Vó. Pois é assim que eu sempre a vi, e é assim que eu sempre a verei.

Aliás, não apenas eu, como muitos dos meus amigos. Todos eles sempre me disseram que era impossível não adorar minha avó. Aliás, alguns deles tiveram a sorte única de ter três avós: a materna, a paterna e a minha. Era a Avó de Todos. E nada me deixava mais feliz em saber que a Avó de Todos era justamente a minha avó.

Porque eu era o neto. Eu que podia tirar ela para dançar no meio da sala sem motivo algum, eu que fingia lutar boxe com ela (e ela entrava no espírito, colocando os punhos fechados na frente do rosto), eu que desarrumava os cabelos dela fazendo barulho de vento, algo que a deixava enfurecida e gargalhando ao mesmo tempo.

Eu era o neto. E, na minha cabeça, para ser neto é preciso ser criança. E isso independe da idade que você tenha.

Tivemos muitas conversas sérias, mas, ao lado dela, sempre fiz questão de ser criança. Fui criança com cinco anos, jogando o dominó do Cartolinha no chão da sala; fui criança com quinze anos, passando férias com ela em Serra Negra; fui criança com vinte cinco anos, a levando de braços dados para passear no shopping.

Esta foi a vó que me viu crescer, mas que nunca me viu deixar de ser criança. Pois era impossível deixar de ser criança ao lado dela. Especialmente com a infância que ela, como avó, me deu.

Talvez seja por isso que eu não consiga ver direito a minha idade, ou a dos membros da minha família. Claro que eu sei quantos anos tenho, mas estou falando aqui no aspecto emocional. Às vezes, é como se o tempo tivesse congelado, ou passasse mais devagar.

Assim, emocionalmente falando, um pedaço do meu cérebro ainda me vê como se eu tivesse cerca de quinze anos. Meu irmão tem vinte e poucos anos, meu primo mais novo tem menos de dez. Meus pais e tios tem menos de cinquenta anos, e minha avó tem uns sessenta e poucos anos.

Não sei se isso acontece com todos vocês, mas acontece comigo. Eu sei a minha idade, mas me sinto como se fosse mais novo, e o mesmo vale para as pessoas mais próximas, especialmente da família.

Mas claro que às vezes você recebe alguns choques de realidade, que insistem em mostrar que na verdade, o tempo passou. Foi você quem não percebeu.

Foi o que aconteceu ontem à tarde.

Andando naquela alameda larga e arborizada, atrás daquele veículo pequeno e estranho, todo aberto, parecendo um carrinho de golfe, eu caí na real e percebi que as idades dentro da minha cabeça estavam erradas.

Eu não tenho quinze anos, tenho trinta e seis. Meu irmão tem quarenta anos e já é pai. Meu “priminho” tem quase trinta anos e está se casando. Meus pais e tios têm idades que giram ao redor dos setenta anos. E minha avó...

Bem, minha avó está ali na frente, dentro daquele caixão.

Pois o tempo passou rápido. Mais rápido que gostaríamos. Na verdade, ele sempre passa mais rápido do que queremos. Tudo o que temos que fazer é aproveitá-lo da melhor forma possível. Apenas isso.

É o tal ciclo da vida, que nós somos obrigados a entender –  e que na verdade apenas fingimos entender – e aceitar da melhor forma possível. Procuramos significados, lamentamos, mas nunca entendemos realmente. Apenas aceitamos e procuramos nos confortar uns aos outros. Não há mais nada a ser feito.

No momento em que o caixão descia a Esposa segurou minha mão com carinho e mostrou o céu.

- Olhe o pôr-do-Sol lindo que sua avó ganhou.

E eu olhei rapidamente para cima.

Eu havia evitado olhar o céu durante o dia inteiro. Pois, desde pequeno, sempre que olho para o céu num momento de aperto, eu vejo meus avôs. Passei a vida inteira vendo meus dois avôs. De alguns anos para cá, via também minha vó, mãe do meu pai. Mas eu não estava preparado para ver os quatro lá em cima.

Mas o céu avermelhado me mostrou que agora as coisas vão ser assim. A partir de agora, sempre que eu olhar para o céu, os quatro vão estar ali em cima. Olhando por mim e pela minha família. E em paz.

Foi quando eu percebi que minha avó não havia ganhado um pôr-do-Sol. Pelo contrário. Ela estava dando aquele entardecer para nós. Esta era a última lição dela: não importa o que aconteça, o Sol ainda brilha. Basta saber olhar para ele.

Mas eu não consegui falar nada disso. Não tive forças ou condição de transformar isso em palavras. Apenas apertei a mão da Esposa e respondi:

- É o Céu da Vovó.

E isso ficou ainda mais claro para mim quando voltamos para casa, horas depois. Fui fumar um cigarro no quintal do fundo, ainda tomado pela tristeza. Mas, sozinho ali e pela primeira vez desde que o dia havia nascido, criei coragem e olhei de verdade para o céu.

E dei de cara com duas estrelas, uma ao lado da outra, que batizei de “Vovó” e “Vovô”.

Infantil? Talvez. Mas, para ser neto, é preciso ser criança. E sendo neto dela, é fácil ser criança para sempre.

Ou vocês têm alguma dúvida de que o dominó do Cartolinha não está guardadinho na casa dos meus pais, junto com meus antigos brinquedos?

**********

Em tempo: antes de encerrar, gostaria de falar uma última coisa. Ontem, contei muitas histórias sobre minha avó, e aprendi outras tantas. Mas a melhor de todas foi meu priminho que contou. Eu não conhecia e quero compartilhar aqui.

Alguns anos atrás, ela teve um problema nos joelhos e o médico a obrigou a usar bengala. Nós compramos a tal da bengala, mas ela, teimosa, se recusava a usar o negócio. Nós insistimos, pedimos, brigamos, imploramos e nada.

Até que um dia ela se cansou e, do alto dos seus oitenta e poucos anos, colocou um fim ao assunto.

- Bengala é coisa de velho!

Essa era a minha avó.

Essa era a avó de todos.


Observação: como sempre, lerei todos os comentários que este post receber. Mas, desta vez, me dou o direito de não respondê-los - mesmo ficando muito feliz com cada um deles. Obrigado.

34 comentários:

Bonilha disse...

Meus sentimentos Rob. Marejei os olhos aqui. Puta texto e bela homenagem.

Lilian disse...

Puxa, Rob. Tou aqui praticamente chorando. Tudo o que eu disser é tão clichê. Não tem nada mesmo que eu possa dizer.

Bom, você teve uma história linda de infância e uma história linda com a sua avó, que é uma coisa que eu não tive. Invejo mesmo quem viveu isso. Correndo o risco de ser brega, digo que esse é um tesouro dos mais preciosos que você vai guardar na alma, para o resto da vida.

No mais, desejo a você força para superar a dor e ficar apenas com uma doce saudade...

Um abraço bem apertado,

Bia (@beatrisgn) disse...

Rob,

Nunca sei muito bem o que dizer nessas horas. Prefiro parar por aqui, com o coração apertado e te deixar um abraço.

Rodrigo Rigotti disse...

Cara, ao contrário de todos esses dias que se passaram, foi a primeira vez que eu sorri ao invés de chorar ou ao menos ficar com os olhos marejados ao ouvir da vovó.
Ela foi uma grande mulher que venceu na vida, e todos nós somos privilegiados por cada momento de alegria que ela nos proporcionou.
Seu texto condensa em algumas palavras o sentimento de gratidão que cada um de nós, sejam filhas, netos ou bisnatos, sentimos por ela.
Obrigado, Rob.
Obrigado, vovó Helena.

Mario Cau disse...

Rob, irmão,
Fiquei emocionado, de verdade, com seu texto... E olha que, como já devo ter comentado contigo, eu não me emociono fácil, não de me levar às lágrimas furtivas que quase caem...

Sinto muito pela sua perda... Mas a sua certeza de que ela está lá, com seus outros avós, olhando pra você, é um conforto especial. E esse lindo texto é uma homenagem e tanto a ela.

Hoje eu fui visitar a minha avó paterna, cm suas ótimas histórias e uma disposição que eu não vejo em muita gente bem mais nova. Ainda bem que fui lá, e não desenhei nada hoje cedo. Ainda bem, pq se eu tivesse lido seu texto sem ter me dado o tempo de ir vê-la, eu com certeza teria sentido um aperto imenso no peito.

Grande abraço, amigo. força sempre, to aqui se precisar. 8- )

R. disse...

...

Dudu disse...

Essa coisa da idade que a gente insiste em ter mentalmente é foda. E também fiquei com os olhos marejados.

Fato que ela olha por todos vocês lá de cima.

Abraço.

Helen disse...

Lindo texto, estou emocionada. Uma linda homenagem para a sua avó. Nenhum dos meus avós está conosco mais, e sinto muitas saudades. Receba meu abraço, fica bem. Ela tá BEM melhor do que a gente agora, tenha certeza.

Observação: esse negócio da idade congelada acontece comigo também, você só colocou em palavras de uma forma que eu ainda não tinha conseguido.

Laís Afonso disse...

Chorei muito com seu texto, sei bem o que é isso, minha Vózinha foi mais que uma mãe pra mim, foi ela quem me criou e me ensinou sobre tudo.
Faz um ano e meio que a perdi, e ainda não me acostumei com a idéia.
Por várias vezes chego em casa com um problema e com muita vontade de poder escutar um conselho dele, ou chego triste e lembro que ela faria de tudo pra me animar, ela foi e sempre sera minha estrela guia, e quando olho pro céu e vejo um estrela brilhante sei que é ela olhando por mim.
Minha velha rabugenta ( como eu chamava ela, ela me chamava de cadela sem vergonha) também era uma avó de todos, que se recusava a cair, e que não acreditava em ser velha. O lugar dela no meu coração nunca será substituído, e eu nunca vou me esquecer de tudo que ela fez por mim.
Obrigado pelo e texto e por fazer aquela saudade boa e gostosa de ter ela do meu lado, ao invés da saudade cheia de lamento!

Elise disse...

Rob, não sei o que dizer. Mas queria comentar só pra te mandar força e dizer que sinto muito pela sua perda. Sinta-se abraçado, e se precisar é só chamar que estamos aqui.
=)

gilgomex x disse...

Em determinadas partes do texto vc falou sobre o quão amorosa é sua família. E como vc diz, gosta que os outros percebam, se orgulha disso... e deve se orgulhar ainda mais, pois acho que não só comigo, como com vários dos leitores do blog deve acontecer igual, pois quando leio seu blog e vejo seus textos, tantos os engraçados, quanto estes tristes, me fazem querer ser mais carinhoso com minha familia. Minha família e a família de minha esposa não é exatamente amorosa assim, amamos uns aos outros, mas demonstramos pouco. Acho que só demonstro meu amor, as vezes de maneiras que eu nem imagino, para minha filha. Acho que aprendi assim e acabei ficando igual os restante da familia. Mas cada vez que leio um texto seu sobre família, penso em agir assim com a minha familia e amigos... Creio que os seus textos sejam um tipo de terapia para mim.
Meus sentimentos e obrigado a seus avós por terem trazido ao mundo seus pais que trouxeram você a nós... Leitores e fãs!

Silvia disse...

Abraço para você e os seus. Nada que se diga aliviará as saudades.

Hally disse...

A vovó que curtia AC/DC tá lá tomando umas com o Bon Scott e morrendo de orgulho da família.

Entendo perfeitamente o que você está passando e quero que você tenha força. Não pra superar, mas pra não esquecer de histórias como a do Cartolinha, e essa mesma que você um dia comentou no Twitter a respeito de sua avó que gostava de AC/DC.

Força, sempre.

Natalia Máximo disse...

Não tenho muito o que dizer nessas horas, sei como é difícil, só desejo muita força e envio muitas energias para você para a sua família, Rob.

Nelson disse...

Meus sentimentos, Rob. De coração mesmo.

Eu fui criado pelos meus avós paternos, e sei que a gente absorve muita coisa dos velhinhos. Hoje eu sei que grande parte do que eu sou se deve aos dois. Nós somos um "resumo" das pessoas que conviveram com a gente, e dá pra ver claramente que grande parte do seu bom humor veio dela.

Tenha a mais absoluta certeza de que do mesmo jeito que você se orgulha dela, ela se orgulha de você.

Se cuida cara, e qualquer coisa estamos aí.

Grande abraço.

Rê Losilla disse...

Agradeça, a quem vc acreditar, por ter tido tanto tempo com sua vovó.

Perdi ambas em um curto espaço de tempo e ambas para o maldito câncer. Tem um pouco mais de 10 anos que elas se foram... eu tinha meus 14, 15 anos. Não sei como separar quando falo delas, eram tão diferente, mas ao mesmo tempo tão igual. Uma fazia bolos para fora, fazia batizado das bonecas que ganhávamos nos aniversários e natal, balas de coco e a melhor sopa do mundo.

A outra, costurava pra fora, fazia roupas para minhas bonecas, casacos de flanela para suportarmos o frio, bolinho de chuva com chá nos domingos de tarde, e um macarrão alho e óleo maravilhoso.

Uma foi diagnosticada quando os filhos mais novos (gêmeos) nasceram, deram meses, no máximo poucos anos. Ela viu todos os filhos casarem, todos os netos nascerem... faleceu quando os "pequenos" tinham quase 40. A outra não sei bem quando foi diagnosticada, mas tb superou anos a mais do que pensávamos.

Elas me foram tiradas muito, MUITO, cedo. Até hoje o natal é comemorada na casa de uma delas, e até hoje as lembranças são fortes e até hoje me sinto criança quando lembro delas.

Tukow disse...

Rob...

Sinto muito pela sua perda. Sei como é horrível perdemos alguem que amamos. Tive uma perda recente na minha vida, minha segunda mãe.

Na questão de avós, Meu vó materno faleceu antes que eu nascesse, mas era uma cabra arretado, batalhador até a última. Minha avó materna faleceu um dia depois da minha festa de aniversário de 1 ano, ou seja, meu aniversário te uma pontinha de tristeza. Segundo minha mãe, eu passei minha infância toda brincando com minha vó falecida. De contar conversas que só ela saberia. Isso fica para acredita! Meu avô paterno, faleceu na minha frente quando eu tinha 7 anos.

Manteve-se em minha vida minha avó paterna. Ela não é a pessoa mais fácil do mundo para lhe dar. Ela não é velha e não faz coisas de velha, assim como sua avó. Tem pessoas da minha familia que pergunta como eu tenho paciência com ela e eu respondo que não é paciência... é amor. Afinal, só tenho essa avó, se eu não curti-la, vou curtir qual avó? Curiosamente, ficamos mais próximos recentemente. Eu sou o único que a ensina a mexer no computador, abri um facebook pra ela, liga sempre pra perguntar como ela esta.

Minha familia é um pouquinho mais complicada que é sua, mas é a que eu tenho e não poderia ter uma melhor.

E lembre-se, as pessoas que deixaram seu brilho na terra, não morre nunca!!! (Nem que seja virando uma estrela)

Abraços!!!

Biazita disse...

Lindo post, linda homenagem, só não chorei pq tava lendo na biblioteca...
Perder pessoas assim queridas só mostra q a gente não leva nada da vida, q o importante são esses momentos únicos q passamos.
A saudade nunca vai passar, mas vai se acalmar.
Um beijo!

Claudia Iarossi disse...

Por que eles têm que ir?

Beijo grande!

Renata de Toledo disse...

quando eu conseguir parar de chorar eu volto para te dizer alguma coisa confortante. se é que existe algum conforto numa hora dessas.

Marianna disse...

Toda vovó tem um céu...=)

Michele disse...

Rob, eu tou chorando aqui, relembrando os tempos com minha mãe, que faleceu há mais de 10 anos. Muitas vezes eu me sinto mais velha do que realmente sou, pois os anos que se sucederam à morte dela foram muito, muito ruins para mim.

E eu sei que nada que eu possa falar vai te ajudar nesse momento, condolências não ajudam, dizer que ela está melhor também não(até pq, e a gente? como fica sem a pessoa amada?). E principalmente, o tempo cura a dor e deixa só a saudade. Eu sei que dizer isso é um clichê, mas ouça a voz da sabedoria(eu já perdi mãe, 4 avôs, 2 irmãos, 1 tio, alguns muitos primos e considero como se tivesse perdido meu pai há 6 anos). Isso passa, fica só a lembrança, os bons momentos.

Beijo(e sinta esse na testa, pq eu gosto mt de dar beijos na testa das pessoas em momentos como esse).

Juliana Leodoro disse...

Céu com cheiro de jaborandi...

Muito amor para vocês!

Anônimo disse...

Rob,

meus sentimentos e meu respeito pela ternura imensa que envolve toda sua família.

Quem tem um coração como o seu tem o privilégio de nunca estar realmente sozinho, cuide bem dele.

Varotto disse...

Lá pelos parágrafos tantos sua avó já tinha ganho mais uns netos, mesmo que póstumos.

Infelizmente, uma hora acontece com todo mundo, mas pense que 93, 94 anos não é para qualquer um. Principalmente fumando maconha todo dia e andando de skate por aí, depois de virar uma garrafa de vodka. Nem o Lemmy tem essa disposição toda.

Enfim, parece que nossa avó aproveitou bem o tempo dela.

Fagner Franco disse...

Cara, não sei o que dizer. Nos últimos meses, aprendi que a coisa mais idiota que o homem faz é querer que o tempo passe rápido. Tem que aproveitar cada momento - é o clichê mais necessário. Aproveitar cada dia, cada pessoa. Sinto muitíssimo pela perda. Que Deus (ou outro em quem vc acredita) esteja com sua família.

Karina disse...

Texto de arrepiar. Puro amor.

Pedro Lucas Rocha Cabral de Vasconcellos disse...

Esse post está no meu feed a dias, e eu sem coragem de le-lo...

Fica o mesmo desejo do casamento, paz, sempre.

E um abraço, de amigo, de irmão. Sempre.

Mariana Sillva disse...

A única coisa que tenho a oferecer são minhas lágrimas... Nada que eu fale faz a dor passar.
I'm sorry.

Giovana disse...

Bem, certas situações não tem palavras que se encaixem, nada que possa ser dito realmente... Mas faço idéia de como vc deve estar se sentindo, (falo que é como se estivese frio por dentro da gente). Moro no interior do interior, familia imensa, meus filhos tiveram até tataravó, então conheço essa dor da perda e a da saudade também. Sinto muito, mesmo.

Dani Cavalheiro disse...

Rob, esse texto foi uma homenagem linda, me levou às lágrimas. Nada que eu (ou qq um) possa dizer vai servir pra te consolar, mas quero deixar aqui os meus sentimentos.

Camila disse...

Demorei um pouco para comentar este post porque, como você sabe, meu avô morreu há alguns dias. Sei bem o vazio que sentimos nessas horas e é difícil ouvir os clichês que outras pessoas geralmente dizem. Não é culpa delas, eu sei, é realmente difícil encontrar palavras para esses momentos tão difíceis.

Só posso dizer que sinto muito, Rob, e que estou aqui para o que precisar.

Anônimo disse...

Pensei em mim e em minha vó, que perdi há dois anos. Não sou mais neta. Isso faz toda diferença. Nunca imaginei que faria tanta diferença no modo como me vejo, não ser mais neta. Mas pensei, também, no meu filho e na minha mãe. É uma relação tão especial.... tão bonita de olhar, e imaginar que tenho algo a ver com ela, que, de certo modo, sou responsável por ela. Lindo post.
Abraços, Karina.

Carlos Eduardo Vilaça disse...

Uma das coisas que a minha avó mais gostava era de reunir a família, os netos, para o almoço de domingo. E assim acontecia desde que me entendo por gente até dois anos atrás, quando ela nos deixou aos 95 anos, ainda lúcida e sem nenhum problema aparente. Foi um choque, rápido demais, sem aviso. No velório, ao redor do caixão, eu e meus primos nos reunimos, sem termos combinado nada, apenas porque era o que estávamos acostumados a fazer todo domingo, e começamos a contar estórias, conversar e rir de quando ela nos chamava de hereges por não gostar de ir à missa. Era um riso triste dessa vez, de despedida,de saber que não teríamos outros domingos como aqueles. Mas, felizmente, ainda teríamos uns aos outros, porque essa foi a lição mais valiosa da nossa avó: manter a família unida, sempre. E com muito amor.

PS: A minha avó materna ainda é viva, mas não reconhece nem a mim nem a ninguém por causa do Alzheimer. É tão difícil quanto a partida repentina da minha avó paterna. O tempo passa e realmente não sentimos. Parece que foi ontem que elas correram pra me abraçar ao saber de alguma conquista minha ou simplesmente pra matar a saudade.

PS2: Lindo texto, Rob.