Hoje, as 18:00, foram encerradas as buscas pelo corpo do botão da manga direita de uma camisa xadrez que, acredita-se, tenha sido brutalmente assassinado no período da manhã.
As buscas se iniciaram logo após o almoço. Algumas horas antes, um filhote de cachorro (descrito por testemunhas como pertencente à raça Westie) fora surpreendido deitado na sala com a camisa na boca. Ao ser abordado por um policial, o canino rapidamente fugiu para baixo da mesa, tentando levar a camisa consigo. De acordo com o policial, "ao ver que não conseguiria se esconder com sua vítima a tempo, resolveu abandonar a camisa no meio da perseguição".
O policial, então, resolveu socorrer a peça de roupa, abrindo espaço para que o facínora conseguisse fugir para o quarto - onde, aparentemente, ainda está escondido. Constatando a ausência do botão em uma das mangas, o policial convocou equipes de resgate, que durante grande parte da tarde, empenharam-se (em vão) em encontrar o botão.
Um dos momentos mais dramáticos das buscas ocorreu por volta das 17:00, quando um pedaço do botão foi encontrado sob o tapete, o que, praticamente, reduziu a zero as chances de a vítima ser resgatada com vida. "O pedaço é grande, quase a metade do botão. Ele não iria conseguir sobreviver muito tempo sem isso", afirmou um membro da equipe de resgate. Poucas horas depois, a operação de resgate foi definitivamente suspensa, já que, além das chances de encontrarem o botão com vida terem desaparecido, a equipe estava operando com pouca luz.
O crime chocou a população local, que exige justiça das autoridades. Amanhã, será realizada uma passeata de protesto contra a violência na região, durante o funeral da vítima. A manifestação ocorrerá na cozinha, próxima à lixeira, onde o pedaço do botão será sepultado.
30 de setembro de 2006
27 de setembro de 2006
Folclore, é? Sei, sei...
Outro dia, estava falando com um amigo no messenger e ele me fez a a pergunta mais inusitada de toda a história contemporânea.
"Você sabe qual a perna que o saci não tem?"
Eu achei que fosse apenas o começo de uma piada e disse logo que não para ver como aquilo iria terminar. Não é que ele realmente precisava saber qual perna o saci não tem, para um texto que estava fazendo? Pensei no assunto (mas não pensei muito, confesso) e disse a ele que achava que não era definido. Uma hora ele tem a esquerda, outra ele tem a direita. Sei lá.Passam-se os minutos e ele volta com a resposta. De acordo com o Guia dos Curiosos, "na dúvida entre a direita ou a esquerda, muitos afirmam que se trata de uma perna centralizada, apoiada em dedos laterais mais desenvolvidos."
Ahá! Sacizão é pé-de-mesa! Ao invés de tripé, é mono-pé. Por isso que ele não tem pernas. Afinal, quem precisaria delas tendo um... dote desses?
Isso explica muita coisa. Afinal, convenhamos, criaturas da mitologia e do folclore sempre tiveram uma quedinha pela putaria, desde os tempos da Grécia Antiga, onde Zeus e companhia limitada comandavam, no Monte Olimpo, uma das maiores surubas da história. Ali, ninguém era de ninguém. Deus, semi-deus, mortal, não importa... Caiu na rede é peixe. Isso foi copiado pelos romanos depois – mudaram apenas os nomes para evitar problemas com os direitos autorais. E, como todas as estradas levavam a Roma, não demorou muito para a safadeza se espalhar pelo resto da civilização ocidental.
Aqui no Brasil, a coisa é mais discreta, mas existe. Lá na Amazônia, por exemplo, temos o Boto, que não perdoa uma índia por lá e a Iara, que é uma espécie de sereia do terceiro mundo, atraindo os viajantes que passam perto do Rio Amazonas. Mas a grande maioria das criaturas brasileiras são mais caretas. O grande exemplo é o curupira, que não quer nem papo, fica só correndo com os cabelos pegando fogo e defendendo as florestas. Tem também os Caboclos D´Água, lá em Minas Gerais, que ficam sacaneando os pescadores que pescam mais do que precisam e não devolvem os peixes para água.
Isso, claro, era o que se sabia, até agora.
Afinal, com o segredo do Saci descoberto, surge um mundo de novas interpretações sobre o folclore nacional. Afinal, o saci está no mainstream da coisa. Ele é o grande astro desse universo, junto com a Mula-sem-Cabeça. Sendo assim, é óbvio que o Saci tem grande influência sobre as outras criaturas, seja ela política ou apenas como grande lançador de tendências do lugar. O resto dos bichos, como o Curupira e o Neguinho do Pastoreio, são apenas coadjuvantes que passam os séculos batalhando seu lugar ao Sol. Tem alguns, tipo uma tal de Alemoa, lá em Fernando de Noronha, e um sujeito que atende por Papa-Figo, no Nordeste, que são totalmente indies, ninguém conhece. Quem dá as cartas mesmo é o Saci.
E agora, com o segredo do Saci descoberto, fica mais do que claro que sim, o folclore brasileiro também se amarra numa safadeza. A coisa aqui é muito mais low-profile que na Grécia ou em Roma, mas existe, sim. Afinal, se o dono do pedaço tinha esse segredo na “manga” (saca só o olhar da fera na foto ao lado), os outros bichos devem seguir o mesmo caminho, e, obviamente, tomando gosto pela coisa. Ou seja, daí a coisa é só ladeira abaixo, degringolando de vez.
Fico imaginando aquelas raves fenomenais na floresta. Curupira incendiando as matas, Iara e Boitatá já saíram para comprar mais vinho, Mula-sem-Cabeça dançando totalmente embriagada, Caipora distribuindo ecstasy entre os convidados... Tem umas criaturas chamadas Pinto Pelado e Cobra-Grande que devem formar uma duplinha infernal. Aí, chega o Sacizão, num rodamoinho. Saci, o mito. Saci, a lenda. Saci, o objeto de desejo. Todos olham para ele. Ele arruma o gorrinho e acendo o cachimbo. É o sinal para a putaria começar. Coitado do desafortunado que estiver passeando pela floresta nessa noite. Se chegar perto, sobra pra ele também.
Meu medo agora é o Chupa-Cabra vir a público explicar a origem do seu nome.
Aí, periga a coisa já descambar para o mau-gosto.
5 Criaturas mais Estranhas do Folclore Brasileiro
1. Anta-Cachorro (Amazonas) - é uma espécie de Wuzzles (aquele desenho onde todos os personagens eram uma mistura de dois animais, tipo Rinocaco) mas com um nome vagabundo. E, pior, apesar do nome, ela é uma espécie de amálgama entre onça e anta. Ou seja, o nome, além de pobre em criatividade, está errado.
2. Cabelobo (Maranhão/ Pará) - tem um nome mais elaborado que o colega acima, mas é tosco também. Dizem que é a versão indígena do lobisomem, o que não faz sentido nenhum, já que tem corpo de homem e focinho de tamanduá. Se alimenta de gatos e cachorros recém-nascidos. Só pode ser morto com um tiro no umbigo, sabe-se lá o motivo.
3. Arranca-Língua (Goiás) - Parece um macaco de 10 metros de altura e ataca os rebanhos de gado da região. O problema é que só arranca a língua deles, por alguma tara que é melhor ficar na obscuridade.
4. Árvore do Homem Morto (Goiás) - Reza a lenda que é um homem que foi petrificado ao tentar matar o pai. Na hora que apontou a espingarda, tornou-se pedra e está lá até hoje, no Parque das Emas, cercado pela vegetação. A hora que a Medusa souber, com certeza rola processo por plágio.
5. Zumbi (Sergipe) - Yes, nós temos Zumbis! Mas, diferente dos mortos-vivos dos filmes do George Romero, que se arrastam pelas ruas comendo cérebros, o morto-vivo brazuca tem o péssimo hábito de andar pelado, pedindo fumo nas estradas e batendo (tem como ser mais pobre?) em quem não atende seu pedido. Ou seja, é uma espécie de trainee ainda, está aprendendo como se faz. Mas, francamente, alguém que começa a conversar com um morto-vivo pelado no meio de uma estrada tem que apanhar mesmo, pra deixar de ser mané.
"Você sabe qual a perna que o saci não tem?"
Eu achei que fosse apenas o começo de uma piada e disse logo que não para ver como aquilo iria terminar. Não é que ele realmente precisava saber qual perna o saci não tem, para um texto que estava fazendo? Pensei no assunto (mas não pensei muito, confesso) e disse a ele que achava que não era definido. Uma hora ele tem a esquerda, outra ele tem a direita. Sei lá.Passam-se os minutos e ele volta com a resposta. De acordo com o Guia dos Curiosos, "na dúvida entre a direita ou a esquerda, muitos afirmam que se trata de uma perna centralizada, apoiada em dedos laterais mais desenvolvidos."
Ahá! Sacizão é pé-de-mesa! Ao invés de tripé, é mono-pé. Por isso que ele não tem pernas. Afinal, quem precisaria delas tendo um... dote desses?
Isso explica muita coisa. Afinal, convenhamos, criaturas da mitologia e do folclore sempre tiveram uma quedinha pela putaria, desde os tempos da Grécia Antiga, onde Zeus e companhia limitada comandavam, no Monte Olimpo, uma das maiores surubas da história. Ali, ninguém era de ninguém. Deus, semi-deus, mortal, não importa... Caiu na rede é peixe. Isso foi copiado pelos romanos depois – mudaram apenas os nomes para evitar problemas com os direitos autorais. E, como todas as estradas levavam a Roma, não demorou muito para a safadeza se espalhar pelo resto da civilização ocidental.
Aqui no Brasil, a coisa é mais discreta, mas existe. Lá na Amazônia, por exemplo, temos o Boto, que não perdoa uma índia por lá e a Iara, que é uma espécie de sereia do terceiro mundo, atraindo os viajantes que passam perto do Rio Amazonas. Mas a grande maioria das criaturas brasileiras são mais caretas. O grande exemplo é o curupira, que não quer nem papo, fica só correndo com os cabelos pegando fogo e defendendo as florestas. Tem também os Caboclos D´Água, lá em Minas Gerais, que ficam sacaneando os pescadores que pescam mais do que precisam e não devolvem os peixes para água.
Isso, claro, era o que se sabia, até agora.
Afinal, com o segredo do Saci descoberto, surge um mundo de novas interpretações sobre o folclore nacional. Afinal, o saci está no mainstream da coisa. Ele é o grande astro desse universo, junto com a Mula-sem-Cabeça. Sendo assim, é óbvio que o Saci tem grande influência sobre as outras criaturas, seja ela política ou apenas como grande lançador de tendências do lugar. O resto dos bichos, como o Curupira e o Neguinho do Pastoreio, são apenas coadjuvantes que passam os séculos batalhando seu lugar ao Sol. Tem alguns, tipo uma tal de Alemoa, lá em Fernando de Noronha, e um sujeito que atende por Papa-Figo, no Nordeste, que são totalmente indies, ninguém conhece. Quem dá as cartas mesmo é o Saci.
E agora, com o segredo do Saci descoberto, fica mais do que claro que sim, o folclore brasileiro também se amarra numa safadeza. A coisa aqui é muito mais low-profile que na Grécia ou em Roma, mas existe, sim. Afinal, se o dono do pedaço tinha esse segredo na “manga” (saca só o olhar da fera na foto ao lado), os outros bichos devem seguir o mesmo caminho, e, obviamente, tomando gosto pela coisa. Ou seja, daí a coisa é só ladeira abaixo, degringolando de vez.Fico imaginando aquelas raves fenomenais na floresta. Curupira incendiando as matas, Iara e Boitatá já saíram para comprar mais vinho, Mula-sem-Cabeça dançando totalmente embriagada, Caipora distribuindo ecstasy entre os convidados... Tem umas criaturas chamadas Pinto Pelado e Cobra-Grande que devem formar uma duplinha infernal. Aí, chega o Sacizão, num rodamoinho. Saci, o mito. Saci, a lenda. Saci, o objeto de desejo. Todos olham para ele. Ele arruma o gorrinho e acendo o cachimbo. É o sinal para a putaria começar. Coitado do desafortunado que estiver passeando pela floresta nessa noite. Se chegar perto, sobra pra ele também.
Meu medo agora é o Chupa-Cabra vir a público explicar a origem do seu nome.
Aí, periga a coisa já descambar para o mau-gosto.
5 Criaturas mais Estranhas do Folclore Brasileiro
1. Anta-Cachorro (Amazonas) - é uma espécie de Wuzzles (aquele desenho onde todos os personagens eram uma mistura de dois animais, tipo Rinocaco) mas com um nome vagabundo. E, pior, apesar do nome, ela é uma espécie de amálgama entre onça e anta. Ou seja, o nome, além de pobre em criatividade, está errado.
2. Cabelobo (Maranhão/ Pará) - tem um nome mais elaborado que o colega acima, mas é tosco também. Dizem que é a versão indígena do lobisomem, o que não faz sentido nenhum, já que tem corpo de homem e focinho de tamanduá. Se alimenta de gatos e cachorros recém-nascidos. Só pode ser morto com um tiro no umbigo, sabe-se lá o motivo.
3. Arranca-Língua (Goiás) - Parece um macaco de 10 metros de altura e ataca os rebanhos de gado da região. O problema é que só arranca a língua deles, por alguma tara que é melhor ficar na obscuridade.
4. Árvore do Homem Morto (Goiás) - Reza a lenda que é um homem que foi petrificado ao tentar matar o pai. Na hora que apontou a espingarda, tornou-se pedra e está lá até hoje, no Parque das Emas, cercado pela vegetação. A hora que a Medusa souber, com certeza rola processo por plágio.
5. Zumbi (Sergipe) - Yes, nós temos Zumbis! Mas, diferente dos mortos-vivos dos filmes do George Romero, que se arrastam pelas ruas comendo cérebros, o morto-vivo brazuca tem o péssimo hábito de andar pelado, pedindo fumo nas estradas e batendo (tem como ser mais pobre?) em quem não atende seu pedido. Ou seja, é uma espécie de trainee ainda, está aprendendo como se faz. Mas, francamente, alguém que começa a conversar com um morto-vivo pelado no meio de uma estrada tem que apanhar mesmo, pra deixar de ser mané.
Longa Jornada Noite Adentro - 10
A partir de agora, começarei a publicar posts mostrando o resultado da minha noite em claro, com os meus 10 maiores filmes (americanos). Para mais detalhes sobre o que estou falando, veja o post "Longa Jornada Noite Adentro", logo abaixo. Enfim, segue o primeiro texto.
Quanto Mais Quente Melhor
(Some Like It Hot, EUA, 1959)
Direção: Billy Wilder
Elenco: Jack Lemmon, Tony Curtis, Marilyn Monroe
Billy Wilder é, com certeza, um dos melhores diretores de todos os tempos e um dos grandes alicerces da época de ouro de Hollywood – pelo menos três ou quatro de seus trabalhos merecem figurar em qualquer lista dos melhores filmes de todos os tempos. Porém, apesar de visitar diversos gêneros com a mesma competência, o austríaco radicado americano se sentia mais à vontade em comédias, sempre narradas com extrema elegância e inteligência – duas constantes em sua obra, que deixam clara a influência que a carreira de um de seus mentores (e outro gênio), Ernst Lubitsch, exerce sobre seus trabalhos.
Por isso, não é surpreendente apontar Quanto Mais Quente Melhor como a melhor comédia de todos os tempos. Ou, pelo menos, a que contém com os diálogos mais engraçados da história. Mérito, sobretudo, da excelente parceria do diretor com o roteirista I. A. L. Diamond. Reassistindo ao filme semanas atrás, me surpreendi em reparar como, apesar de ser uma produção de 1959 (e ambientada nos anos 30), os diálogos continuam ágeis e afiados. O filme não envelheceu um dia, desde sua estréia.
Para quem não conhece, a trama é simples: dois músicos de jazz (Tony Curtis e Jack Lemmon) presenciam uma chacina orquestrada pela máfia de Chicago (o famoso massacre do Dia dos Namorados) e, para escaparem dos criminosos, disfarçam-se de mulheres e juntam-se a uma banda feminina que irá se apresentar em Miami. O que poderia tornar-se um filme apenas agradável e divertido – mas não memorável – acaba se tornando uma das melhores comédias de erros já vistas, graças a dois motivos.
Primeiro: o imbroglio que o roteiro arquiteta para os dois protagonistas a partir do momento em que vestem de mulheres, criando praticamente duas histórias independentes, mas que se cruzam ao longo de toda a segunda metade da fita. Numa delas (a mais engraçada) Jack Lemmon precisa encontrar um jeito de escapar de um milionário mimado que deseja se casar com ele. Na outra, Tony Curtis finge, por sua vez, que é um milionário solteirão para conquistar a bela (e burra) vocalista da banda, Marilyn Monroe. No meio de tudo isso, ambos precisam continuar mantendo seus disfarces, para não caírem nas garras dos mafiosos.
A segunda força motriz do filme é Jack Lemmon. O ator, que faria outros seis filmes com Wilder, produz em Quanto Mais Quente Melhor uma interpretação inesquecível. Sim, Curtis e Marilyn estão bem (mesmo com ela totalmente chapada de calmantes durantes as filmagens), mas Lemmon rouba o show do começo ao fim, com uma interpretação minuciosa e repleta de detalhes. Se você já assistiu ao filme, assista novamente, mas sem tirar os olhos de Lemmon. Ele faz rir em todos os momentos que está na tela, até quando a cena não o coloca como elemento central.
Um exemplo claro disso é a “seqüência dos encontros”. Ao mesmo tempo em que Curtis (disfarçado de milionário) seduz Marilyn num iate, surgem flashes curtos da seqüência onde Lemmon (vestido de mulher), dança tango com Joe E. Brown. Wilder constrói, aqui, uma das melhores piadas do filme, deixando a cena do tango absolutamente irresistível – e não exagerada e cansativa, como resultaria caso fosse exibida na íntegra e sem cortes. Porém, essa estratégia do diretor não teria funcionado sem a presença de Lemmon. Seu personagem, no início visivelmente constrangido por ter que dançar com outro homem, acaba se envolvendo cada vez mais com o tango (e com Joe E. Brown) e mostra isso a cada flash simplesmente pela sua forma de dançar. A piada, então muda completamente, surpreendendo a platéia sem perder o tom de escracho. A última passagem do tango deixa mais do que claro que, naquele momento, o personagem de Lemmon se esqueceu completamente que é um homem. Tanto que será necessário Tony Curtis convencê-lo de que ele não pode se casar com o milionário, na inesquecível seqüência seguinte.
Mesmo com alguns cortes... a magistral cena do tango
Curiosamente, todo texto que encontro sobre Quanto Mais Quente Melhor ressalta a genialidade da cena final, protagonizada por Jack Lemmon e Joe E. Brown. O “Nobody is perfect” que encerra o filme virou tabu: não se pode falar da obra sem citá-lo. Não discuto a qualidade desse diálogo, mas, também não o coloco como ponto alto da obra. Seria absurdamente injusto com todas as outras cenas do filme. Afinal, Joe E. Brown pode até estar certo ao dizer que, realmente, ninguém é perfeito. Mas, para nosso consolo, existem filmes perfeitos. E Quanto Mais Quente Melhor é um deles.
Jerry (Jack Lemmon): Tenho novidades para lhe contar!
Joe: (Tony Curtis): O que houve?
Jerry: Eu vou me casar!
Joe: Parabéns! Quem é a garota de sorte?
Jerry: Sou eu!
5 Curiosidades sobre Quanto Mais Quente Melhor
1. Numa exibição-teste, a platéia ria tanto na cena em que Jack Lemmon anuncia seu casamento que acabaram perdendo boa parte do diálogo. A cena foi refeita, com o personagem balançando as maracás entre cada frase, para dar tempo ao público rir.
2. Tony Curtis perguntou a Billy Wilder se ele poderia imitar Cary Grant ao fazer um sotaque nas cenas em que finge ser milionário e o diretorgostou da idéia. Aparentemente, Grant assistiu ao filme e declarou "eu não falo desse jeito". (Sim, fala)
3. Um homem que havia interpretado uma mulher nos palcos tentou ensinar Curtis e Lemmon a andar de salto alto. Depois de uma semana, Lemmon recusou sua ajuda, dizendo que ele não queria andar como uma mulher, mas como um homem que estivesse tentando andar com uma mulher.
4. A figurinista que tirou a medida dos três atores centrais para a produção de vestidos brincou com Marilyn Monroe dizendo "Tony Curtis tem uma bunda mais gostosa que a sua". Marilyn abriu sua blusa e disse "OK, mas ele não tem peitos como esses!"
5. Marilyn Monroe estava tão chapada nas filmagens que não conseguia acertar seu texto na cena em que entra no quarto, abre uma gaveta e pergunta: "Onde está a garrafa?". Após 40 takes desperdiçados, Billy Wilder resolveu escrever a frase dentro da gaveta. Quando voltaram a filmar, ela entrou no quarto e abriu a gaveta para ler a frase. Mas abriu a gaveta errada.
Quanto Mais Quente Melhor
(Some Like It Hot, EUA, 1959)
Direção: Billy Wilder
Elenco: Jack Lemmon, Tony Curtis, Marilyn Monroe
Billy Wilder é, com certeza, um dos melhores diretores de todos os tempos e um dos grandes alicerces da época de ouro de Hollywood – pelo menos três ou quatro de seus trabalhos merecem figurar em qualquer lista dos melhores filmes de todos os tempos. Porém, apesar de visitar diversos gêneros com a mesma competência, o austríaco radicado americano se sentia mais à vontade em comédias, sempre narradas com extrema elegância e inteligência – duas constantes em sua obra, que deixam clara a influência que a carreira de um de seus mentores (e outro gênio), Ernst Lubitsch, exerce sobre seus trabalhos.
Por isso, não é surpreendente apontar Quanto Mais Quente Melhor como a melhor comédia de todos os tempos. Ou, pelo menos, a que contém com os diálogos mais engraçados da história. Mérito, sobretudo, da excelente parceria do diretor com o roteirista I. A. L. Diamond. Reassistindo ao filme semanas atrás, me surpreendi em reparar como, apesar de ser uma produção de 1959 (e ambientada nos anos 30), os diálogos continuam ágeis e afiados. O filme não envelheceu um dia, desde sua estréia.
Para quem não conhece, a trama é simples: dois músicos de jazz (Tony Curtis e Jack Lemmon) presenciam uma chacina orquestrada pela máfia de Chicago (o famoso massacre do Dia dos Namorados) e, para escaparem dos criminosos, disfarçam-se de mulheres e juntam-se a uma banda feminina que irá se apresentar em Miami. O que poderia tornar-se um filme apenas agradável e divertido – mas não memorável – acaba se tornando uma das melhores comédias de erros já vistas, graças a dois motivos.
Primeiro: o imbroglio que o roteiro arquiteta para os dois protagonistas a partir do momento em que vestem de mulheres, criando praticamente duas histórias independentes, mas que se cruzam ao longo de toda a segunda metade da fita. Numa delas (a mais engraçada) Jack Lemmon precisa encontrar um jeito de escapar de um milionário mimado que deseja se casar com ele. Na outra, Tony Curtis finge, por sua vez, que é um milionário solteirão para conquistar a bela (e burra) vocalista da banda, Marilyn Monroe. No meio de tudo isso, ambos precisam continuar mantendo seus disfarces, para não caírem nas garras dos mafiosos.A segunda força motriz do filme é Jack Lemmon. O ator, que faria outros seis filmes com Wilder, produz em Quanto Mais Quente Melhor uma interpretação inesquecível. Sim, Curtis e Marilyn estão bem (mesmo com ela totalmente chapada de calmantes durantes as filmagens), mas Lemmon rouba o show do começo ao fim, com uma interpretação minuciosa e repleta de detalhes. Se você já assistiu ao filme, assista novamente, mas sem tirar os olhos de Lemmon. Ele faz rir em todos os momentos que está na tela, até quando a cena não o coloca como elemento central.
Um exemplo claro disso é a “seqüência dos encontros”. Ao mesmo tempo em que Curtis (disfarçado de milionário) seduz Marilyn num iate, surgem flashes curtos da seqüência onde Lemmon (vestido de mulher), dança tango com Joe E. Brown. Wilder constrói, aqui, uma das melhores piadas do filme, deixando a cena do tango absolutamente irresistível – e não exagerada e cansativa, como resultaria caso fosse exibida na íntegra e sem cortes. Porém, essa estratégia do diretor não teria funcionado sem a presença de Lemmon. Seu personagem, no início visivelmente constrangido por ter que dançar com outro homem, acaba se envolvendo cada vez mais com o tango (e com Joe E. Brown) e mostra isso a cada flash simplesmente pela sua forma de dançar. A piada, então muda completamente, surpreendendo a platéia sem perder o tom de escracho. A última passagem do tango deixa mais do que claro que, naquele momento, o personagem de Lemmon se esqueceu completamente que é um homem. Tanto que será necessário Tony Curtis convencê-lo de que ele não pode se casar com o milionário, na inesquecível seqüência seguinte.
Mesmo com alguns cortes... a magistral cena do tango
Curiosamente, todo texto que encontro sobre Quanto Mais Quente Melhor ressalta a genialidade da cena final, protagonizada por Jack Lemmon e Joe E. Brown. O “Nobody is perfect” que encerra o filme virou tabu: não se pode falar da obra sem citá-lo. Não discuto a qualidade desse diálogo, mas, também não o coloco como ponto alto da obra. Seria absurdamente injusto com todas as outras cenas do filme. Afinal, Joe E. Brown pode até estar certo ao dizer que, realmente, ninguém é perfeito. Mas, para nosso consolo, existem filmes perfeitos. E Quanto Mais Quente Melhor é um deles.
Jerry (Jack Lemmon): Tenho novidades para lhe contar!
Joe: (Tony Curtis): O que houve?
Jerry: Eu vou me casar!
Joe: Parabéns! Quem é a garota de sorte?
Jerry: Sou eu!
5 Curiosidades sobre Quanto Mais Quente Melhor
1. Numa exibição-teste, a platéia ria tanto na cena em que Jack Lemmon anuncia seu casamento que acabaram perdendo boa parte do diálogo. A cena foi refeita, com o personagem balançando as maracás entre cada frase, para dar tempo ao público rir.
2. Tony Curtis perguntou a Billy Wilder se ele poderia imitar Cary Grant ao fazer um sotaque nas cenas em que finge ser milionário e o diretorgostou da idéia. Aparentemente, Grant assistiu ao filme e declarou "eu não falo desse jeito". (Sim, fala)
3. Um homem que havia interpretado uma mulher nos palcos tentou ensinar Curtis e Lemmon a andar de salto alto. Depois de uma semana, Lemmon recusou sua ajuda, dizendo que ele não queria andar como uma mulher, mas como um homem que estivesse tentando andar com uma mulher.
4. A figurinista que tirou a medida dos três atores centrais para a produção de vestidos brincou com Marilyn Monroe dizendo "Tony Curtis tem uma bunda mais gostosa que a sua". Marilyn abriu sua blusa e disse "OK, mas ele não tem peitos como esses!"
5. Marilyn Monroe estava tão chapada nas filmagens que não conseguia acertar seu texto na cena em que entra no quarto, abre uma gaveta e pergunta: "Onde está a garrafa?". Após 40 takes desperdiçados, Billy Wilder resolveu escrever a frase dentro da gaveta. Quando voltaram a filmar, ela entrou no quarto e abriu a gaveta para ler a frase. Mas abriu a gaveta errada.
23 de setembro de 2006
Ascensão e Queda de Z-12
Acabei de passar em frente a uma banca da Cardeal, onde tinha uma revista UFO pendurada. Era impossível não parar parar para ler a chamada da capa, na qual um especialista avisa que o contato com extraterrestres será feito até abril de... 2007.
Abril de 2007? Ano que vem?!
Nem vou entrar no mérito desse cara estar certo ou não. Aliás, fiquei com vontade de comprar a revista para descobrir o porque de abril de 2007. Se fosse 2006, estaria claro que o alien veio assistir a Copa. Mas a única coisa de importante que acontecerá em 2007, que eu me lembro, é a estréia de Homem-Aranha 3, e não creio que isso seja motivo para alguém ir de um planeta para outro.
Claro que não podemos descartar a hipótese de ser alguém vindo reclamar sobre Plutão. Eu queria ver o povo daquela comissão tentando explicar, com gráficos e planilhas que "veja, o planeta é pequeno demais, a gente não sabia que o senhor iria se ofender" para um sujeito azul, de 3 metros de altura, segurando um rifle de plasma e visivelmente emputecido com a desvalorização de quase 70% no valor dos imóveis do ex-planeta, após o rebaixamento.
Enfim, na mesma hora que vi a revista lembrei de uma crônica que eu li anos atrás (Stanislaw Ponte Preta?), onde um alien desce num morro do Rio de Janeiro, pergunta aos moradores se há vida inteligente no planeta e ninguém sabe responder se tem ou não. Comecei a pensar o que aconteceria se um alienígena, chegasse aqui nas próximas semanas ou meses.
Pior ainda, imagina se ele (vamos chamá-lo, como referência de... sei lá... Z-12. Pronto.) resolve pousar no Brasil?
A nave desce, sei lá, no meio do Rio de Janeiro, com direito a sons, luzes e uma multidão que espera ansiosa, sem saber exatamente o que está acontecendo. Ao lado da plataforma de pouso, um palco onde Daniel e Ivete Sangalo se apresentam para dar as boas vindas ao alienígena, que, ao descer a rampa, revela-se um bicho de 1 metro de altura, todo roxo, com a cabeça do tamanho de uma jaca e olhos negros do tamanho de um pires. Em suas primeiras declarações, deixaria claro que veio em paz e que está aqui apenas como um visitante, para tentar entender o costume dos habitantes do planeta azul.
A Globo, com certeza, iria transmitir ao vivo. O Galvão, a cada 3 minutos, ia ressaltar o fato do alien ter decidido pousar aqui por causa da alegria do povo brasileiro e ia alternar a transmissão com flashes do Olodum tocando no Pelourinho ("É o Olodum! É o ritmo do pouso", diria o Galvão, alucinado). Já os pastores da Record falariam que Z-12 é um emissário do Senhor que veio nos punir e o SBT anunciaria que ele já estava confirmado para o Programa do Gugu, onde iria participar da brincadeira da banheira e de pegadinhas exclusivas.
Na semana seguinte, claro, o alien está na capa de todas as revistas. A Caras colocaria ele na capa, na sua foto-default, mostrando Z-12 sem camisa, sentado no cais da Ilha de Caras, com a chamada "Após chegar à Terra, Z-12 comemora na Ilha de Caras sua grande fase profissional". E o coitado do Z-12 ali, segurando um copo com uma rodela de limão e com cara de quem não está entendendo porra nenhuma. Ou seja, a CNN tentando entrevistá-lo para descobrir suas origens e seus objetivos. A Nasa querendo conversar com ele para explorar a tecnologia de seu povo. A ONU exigindo um pronunciamente mundial de Z-12. E ele ali, na Ilha de Caras, descalço e sem camisa, tomando suco de melão com cenoura à beira-mar, ao lado da Tônia Carreiro, do Magal e da Luiza Brunet.
Que vergonha.
Isso sem falar nas manifestações populares. Os fãs de Arquivo X, Star Trek e Star Wars organizariam uma passeata na Paulista, reunindo milhares de pessoas vestindo camisetas com a cara do alienígena ao lado da frase "Eu Sempre Acreditei", e que marchariam pela cidade entoando berros como "Quem é nerd agora?", mesmo visivelmente constrangidos pelas presenças de Tiazinha e da Elba Ramalho. O Lula ia convidar Z-12 (que, à essa altura, já fala português de forma mais fluente que o presidente) para um almoço, onde lhe presentearia com uma camisa do Corinthians. O alien seria chamado para apresentar o Criança Esperança ao lado do Renato Aragão. A MTV iria convidá-lo para uma participação especial na quinta versão do Acústico dos Titãs. Qualquer evento que ele fosse, os malas do Pânico iam estar atrás dele, enchendo o saco do cara para ele calças as sandálias anti-gravitacionais da humildade
Obviamente, o Raul Gil, que não conseguiu acesso nenhum ao extra-terrestre, iria fazer um concurso de calouros para ver qual dos 7 candidatos toscos imita melhor o alienígena, no concurso "Z-12 Brasileiro".
Quem iria ficar feliz da vida com tudo isso é a Cicarelli, porque assim o mundo esqueceria o vídeo que mostra a ex-Senhora Gordo (eufemismo mode: on) em clara tentativa de perpetuar a espécie no litoral espanhol.
Ou seja, a mídia ia simplesmente massacrar o coitado, que graças à super-exposição, iria ficar com a imagem totalmente desgastada. Não iria demorar para surgirem comunidades "Eu Odeio o Z-12" no Orkut, e o auge da decadência seria a cobertura maciça que a imprensa daria quando ele fosse preso, numa madrugada, por brigar numa balada.
Meses depois, a mídia já teria inventado um novo herói e Z-12 estaria totalmente esquecido e seguiria ladeira abaixo: viraria cantor evangélico, fazendo shows pelo interior de São Paulo. Até, claro, receber um convite para estrelar um filme pornô, que seria lançado com o título de Nas Estrelas com Z-12.
Z-12, vai por mim: esquece. Seja qual for o motivo que fará você vir para até abril de 2007, esfria a cabeça e coloca essa idéia de lado. Vai para Júpiter, Marte, Tatooine, Vulcano... Qualquer outro planeta. Menos aqui.
Vai por mim. Você não estará perdendo muita coisa.
E, mesmo sem contar com o carisma do desafortunado Z-12, 5 alienígenas que deveriam visitar nosso país (e o motivo da visita):
1. Spock (para participar de um debate político com o Lula)
2. Predador (quem não gostaria de ver o Predador jogando como zagueiro no seu time?)
3. Darth Vader (para... digamos... "negociar" um acordo com o PCC)
4. Os aliens de Marte Ataca! (para reduzir o número de pombos em São Paulo)
5. Klingons (para patrulhar as ruas de São Paulo, caso o Vader não possa vir)
Abril de 2007? Ano que vem?!
Nem vou entrar no mérito desse cara estar certo ou não. Aliás, fiquei com vontade de comprar a revista para descobrir o porque de abril de 2007. Se fosse 2006, estaria claro que o alien veio assistir a Copa. Mas a única coisa de importante que acontecerá em 2007, que eu me lembro, é a estréia de Homem-Aranha 3, e não creio que isso seja motivo para alguém ir de um planeta para outro.
Claro que não podemos descartar a hipótese de ser alguém vindo reclamar sobre Plutão. Eu queria ver o povo daquela comissão tentando explicar, com gráficos e planilhas que "veja, o planeta é pequeno demais, a gente não sabia que o senhor iria se ofender" para um sujeito azul, de 3 metros de altura, segurando um rifle de plasma e visivelmente emputecido com a desvalorização de quase 70% no valor dos imóveis do ex-planeta, após o rebaixamento.
Enfim, na mesma hora que vi a revista lembrei de uma crônica que eu li anos atrás (Stanislaw Ponte Preta?), onde um alien desce num morro do Rio de Janeiro, pergunta aos moradores se há vida inteligente no planeta e ninguém sabe responder se tem ou não. Comecei a pensar o que aconteceria se um alienígena, chegasse aqui nas próximas semanas ou meses.
Pior ainda, imagina se ele (vamos chamá-lo, como referência de... sei lá... Z-12. Pronto.) resolve pousar no Brasil?
A nave desce, sei lá, no meio do Rio de Janeiro, com direito a sons, luzes e uma multidão que espera ansiosa, sem saber exatamente o que está acontecendo. Ao lado da plataforma de pouso, um palco onde Daniel e Ivete Sangalo se apresentam para dar as boas vindas ao alienígena, que, ao descer a rampa, revela-se um bicho de 1 metro de altura, todo roxo, com a cabeça do tamanho de uma jaca e olhos negros do tamanho de um pires. Em suas primeiras declarações, deixaria claro que veio em paz e que está aqui apenas como um visitante, para tentar entender o costume dos habitantes do planeta azul.
A Globo, com certeza, iria transmitir ao vivo. O Galvão, a cada 3 minutos, ia ressaltar o fato do alien ter decidido pousar aqui por causa da alegria do povo brasileiro e ia alternar a transmissão com flashes do Olodum tocando no Pelourinho ("É o Olodum! É o ritmo do pouso", diria o Galvão, alucinado). Já os pastores da Record falariam que Z-12 é um emissário do Senhor que veio nos punir e o SBT anunciaria que ele já estava confirmado para o Programa do Gugu, onde iria participar da brincadeira da banheira e de pegadinhas exclusivas.
Na semana seguinte, claro, o alien está na capa de todas as revistas. A Caras colocaria ele na capa, na sua foto-default, mostrando Z-12 sem camisa, sentado no cais da Ilha de Caras, com a chamada "Após chegar à Terra, Z-12 comemora na Ilha de Caras sua grande fase profissional". E o coitado do Z-12 ali, segurando um copo com uma rodela de limão e com cara de quem não está entendendo porra nenhuma. Ou seja, a CNN tentando entrevistá-lo para descobrir suas origens e seus objetivos. A Nasa querendo conversar com ele para explorar a tecnologia de seu povo. A ONU exigindo um pronunciamente mundial de Z-12. E ele ali, na Ilha de Caras, descalço e sem camisa, tomando suco de melão com cenoura à beira-mar, ao lado da Tônia Carreiro, do Magal e da Luiza Brunet.
Que vergonha.
Isso sem falar nas manifestações populares. Os fãs de Arquivo X, Star Trek e Star Wars organizariam uma passeata na Paulista, reunindo milhares de pessoas vestindo camisetas com a cara do alienígena ao lado da frase "Eu Sempre Acreditei", e que marchariam pela cidade entoando berros como "Quem é nerd agora?", mesmo visivelmente constrangidos pelas presenças de Tiazinha e da Elba Ramalho. O Lula ia convidar Z-12 (que, à essa altura, já fala português de forma mais fluente que o presidente) para um almoço, onde lhe presentearia com uma camisa do Corinthians. O alien seria chamado para apresentar o Criança Esperança ao lado do Renato Aragão. A MTV iria convidá-lo para uma participação especial na quinta versão do Acústico dos Titãs. Qualquer evento que ele fosse, os malas do Pânico iam estar atrás dele, enchendo o saco do cara para ele calças as sandálias anti-gravitacionais da humildade
Obviamente, o Raul Gil, que não conseguiu acesso nenhum ao extra-terrestre, iria fazer um concurso de calouros para ver qual dos 7 candidatos toscos imita melhor o alienígena, no concurso "Z-12 Brasileiro".
Quem iria ficar feliz da vida com tudo isso é a Cicarelli, porque assim o mundo esqueceria o vídeo que mostra a ex-Senhora Gordo (eufemismo mode: on) em clara tentativa de perpetuar a espécie no litoral espanhol.
Ou seja, a mídia ia simplesmente massacrar o coitado, que graças à super-exposição, iria ficar com a imagem totalmente desgastada. Não iria demorar para surgirem comunidades "Eu Odeio o Z-12" no Orkut, e o auge da decadência seria a cobertura maciça que a imprensa daria quando ele fosse preso, numa madrugada, por brigar numa balada.
Meses depois, a mídia já teria inventado um novo herói e Z-12 estaria totalmente esquecido e seguiria ladeira abaixo: viraria cantor evangélico, fazendo shows pelo interior de São Paulo. Até, claro, receber um convite para estrelar um filme pornô, que seria lançado com o título de Nas Estrelas com Z-12.
Z-12, vai por mim: esquece. Seja qual for o motivo que fará você vir para até abril de 2007, esfria a cabeça e coloca essa idéia de lado. Vai para Júpiter, Marte, Tatooine, Vulcano... Qualquer outro planeta. Menos aqui.
Vai por mim. Você não estará perdendo muita coisa.
E, mesmo sem contar com o carisma do desafortunado Z-12, 5 alienígenas que deveriam visitar nosso país (e o motivo da visita):
1. Spock (para participar de um debate político com o Lula)
2. Predador (quem não gostaria de ver o Predador jogando como zagueiro no seu time?)
3. Darth Vader (para... digamos... "negociar" um acordo com o PCC)
4. Os aliens de Marte Ataca! (para reduzir o número de pombos em São Paulo)
5. Klingons (para patrulhar as ruas de São Paulo, caso o Vader não possa vir)
21 de setembro de 2006
Longa Jornada Noite Adentro
Nas últimas semanas, três pessoas diferentes – e que não se conhecem – pediram para que eu fizesse a lista dos 5 melhores filmes de todos os tempos. Assim, com esse descaso todo, como se estivesse pedindo para eu passar o sal ou perguntando "vamos até a padaria comigo?". Absurdo. Não se pede uma coisa dessas a um tarado por listas como eu. Você quer brincar de listas comigo? Peça os 5 melhores filmes do Brando, os 5 melhores filmes de máfia (italiana ou não), as 5 melhores trilhas do John Williams, etc. Agora, os 5 melhores filmes da história? Esse tipo de coisa não se faz. Seria como pedir para Moisés escolher os três melhores mandamentos.
Nas três vezes, comecei a suar frio na mesma hora. Uma lista dessas não se pede assim. Caso você queira uma lista dessas, o bom senso recomenda que você me ligue primeiro e fale algo como; "Vamos jantar essa semana? Preciso conversar com você". Mas as pessoas não têm noção da profundidade de uma lista dessas e pedem isso, assim, à queima-roupa.
Depois de surtar e sentir enjôo, comecei a impor regras. Abri negociações e disparei que "Não, tem que ser pelo menos 10. E as trilogias, tipo O Poderoso Chefão, têm que ser consideradas como um filme só".
Não colou, o máximo que eu consegui foi só o lance de "aumentar para 10". "Se você quiser colocar Chefão, Chefão II e Chefão III, pode colocar. Mas são três filmes. Vão sobrar só 7 espaços". Ou seja, num português claro: fudeu. Simples assim. Fui para casa, tomei banho, coloquei minha melhor roupa. Desliguei a TV, fechei o messenger, tirei o fone da tomada e sentei no sofá com um bloco e uma caneta, supervisionado pelo cachorro que, para variar, parecia se divertir com meu desespero.
Não sabia nem por onde começar. Arrisquei colocando os aqueles nomes que seria falta de educação deixar de fora. Kurosawa, Fellini, Hitchcock, Scorsese. Cheguei a uma lista de uns 30 diretores e comecei a limar. Corta daqui, tira dali, mexe aqui... Consegui reduzir para 28. Na verdade, 28,5 porque não cortei definitivamente o Polanski, só marquei um ponto de interrogração ao lado do nome dele, deixando em stand-by para futura análise.
Não vai dar certo.
No desespero, comecei a pensar em alternativas como fazer uma lista ridícula, abrindo com Vanilla Sky e ainda colocando uma justificativa como “um filme à frente do seu tempo, que terá seu valor reconhecido apenas em 3 ou 4 décadas”. Não, não tenho coragem de fazer isso. O que as pessoas iriam pensar de alguém que gosta de Vanilla Sky? Isso seria usado contra mim o resto da vida.
Hum... Idéia. Posso colocar filmes (bons) que nenhuma das três pessoas tenha assistido, assim não geraria polêmica e eu ainda teria a imagem de ousado. Eu pegaria só o “lado B” dos grandes diretores. É o mesmo esquema usado pelos indies que freqüentam o Espaço Unibanco. Se o filme só passou lá, durante 3 dias, “é sensacional, talvez seja o melhor do ano, que pena que você não viu”. Agora, se o mesmo filme estreou com 450 cópias, “você gostou? Eu achei uma merda, comercial demais”.
Perfeito. Scorsese, eu coloco Caminhos Perigosos. Coppola, hum... Vou de A Conversação. Hitchcock eu pegaria algum da fase inglesa, tipo O Homem que Sabia Demais (o original), e ainda arriscaria um comentário como “depois disso, ele apenas se copiou, ficou preguiçoso”. Kubrick, eu arriscaria Barry Lindon, já que ninguém consegue assistir ao filme sem cochilar.
“Perfeito. Amanhã trabalho nisso. Vou dormir”, pensei, inocente.
Acordei no meio da noite suado, passando mal. Levantei – sob protestos do cachorro que dormia em cima das minhas costas – e acendi um cigarro. Algo me incomodava. Sentei no sofá, liguei a TV e comecei a passar os canais. Algo realmente me incomodava. E eu não fazia idéia do que poderia ser. Apaguei o cigarro e, assim que levantei, dei de cara com ela, sobre a TV, me olhando fixamente.
A caixa do Chefão.
Tentei ignorar e voltei para a cama. Com o cachorro acomodado de novo em cima de mim, sonhei que James Caan recebia um embrulho com teclado e um peixe, e alguém virava para ele dizia: "É uma mensagem siciliana. Significa que Rob Gordon dorme com os peixes". Acordei e decididi abandonar o plano dos Lados B. Eu não me perdoaria jamais por escrever uma lista desssas e deixar um Corleone de fora. Mas tomei a decisão, também, de que eu precisava arrumar espaço na lista. E, se eu não consigo aumentar o tamanho dela ("não posso mesmo fazer 25 ao invés de 10?"), vou precisar dar um jeito de reduzir o conjunto universo.
Na noite seguinte, disparei um mail para uma das três pessoas, dizendo: “Vou colocar apenas filmes americanos, ok? Assim, se você quiser assistir algum, é mais fácil, porque a maioria dos europeus e orientais que eu colocaria não foi lançada em DVD no Brasil”, menti descaradamente. Qual não foi minha surpresa quando eu recebi, minutos depois, um simples (e sensacional) “OK”. Beleza, depois eu penso nos Kurosawas e Fellinis da vida.
Relacionei 10 filmes no Word e fiquei olhando a lista meia hora. Levanto, vou olhar meus DVDs. Volto, abro o IMDB. Levanto, vou olhar meus CDs de trilhas. Sento e mudo metade da lista. Levanto, vou olhar meus livros de cinema. Volto correndo pro computador e mexo de novo. Mudo, apago, escrevo, amaldiçôo a vida. Desço para comprar cigarros e volto correndo porque, quando estava no caixa, lembrei que tinha esquecido a merda do Casablanca. 6 cigarros e 1 litro de Coca depois (sim, Light. Merda de triglicéris) tenho algo que parece ser definitivo nas mãos.
Crio coragem, respiro fundo. Acendo o sétimo cigarro e mando o mail, com os filmes, os porquês de cada filme, regras para ler a lista e 35 menções honrosas de filmes que poderiam estar na relação. E um pedido de desculpas:
“Eu sei, ficou óbvia. Mas veja só, não tem Cidadão Kane”.
E deixei bem claro que essa é a MINHA lista. Ela não tem a pretensão de ser a lista definitiva dos melhores filmes americanos. É uma lista com os MEUS filmes, pensando qualidade, importância e, principalmente, gosto pessoal. Sim, estou falando isso para amenizar possíveis xingamentos.
Em todo o caso, são 10 filmes que eu levaria para uma ilha deserta. São 10 filmes que eu recomendo a qualquer pessoa. São 10 filmes que todo vertebrado tem que ter uma cópia em casa.
Aos poucos, vou postando os filmes aqui, com pequenos textos sobre cada um deles, alternando com posts comuns. E, diferente dos escritores de novela, não vou alterar os primeiros filmes da lista com base nos comentários que forem chegando.
Aliás, para já começarem os xingamentos, 5 filmes absurdamente doloridos de ter deixado fora da lista.
1. Uma Rua Chamada Pecado - Teve mais ou menos a mesma carreira da Alemanha na Copa. Era franco-favorito, mas acabou caindo perto da final.
2. Os Imperdoáveis - Ainda é o melhor filme do Clint. Mas fui direto à fonte e resolvi pegar a obra-prima de um dos professores dele.
3. Ben-Hur - Eu sei, o filme é tão grandioso que Jesus Cristo é coadjuvante. O problema é que é tão grandioso, mas tão grandioso, que não cabia na lista (eu disse que só 10 era foda).
4. Onde Começa o Inferno - Aproveito para informar que não há John Wayne na lista. E, antes que comecem a me apedrejar, ninguém se sente pior com isso do que eu.
5. 2001 - Uma Odisséia no Espaço - Eu sei, é Kubrick, é revolucionário, é único. Mas ficou de fora. Eu sei, eu sou um merda.
Nas três vezes, comecei a suar frio na mesma hora. Uma lista dessas não se pede assim. Caso você queira uma lista dessas, o bom senso recomenda que você me ligue primeiro e fale algo como; "Vamos jantar essa semana? Preciso conversar com você". Mas as pessoas não têm noção da profundidade de uma lista dessas e pedem isso, assim, à queima-roupa.
Depois de surtar e sentir enjôo, comecei a impor regras. Abri negociações e disparei que "Não, tem que ser pelo menos 10. E as trilogias, tipo O Poderoso Chefão, têm que ser consideradas como um filme só".
Não colou, o máximo que eu consegui foi só o lance de "aumentar para 10". "Se você quiser colocar Chefão, Chefão II e Chefão III, pode colocar. Mas são três filmes. Vão sobrar só 7 espaços". Ou seja, num português claro: fudeu. Simples assim. Fui para casa, tomei banho, coloquei minha melhor roupa. Desliguei a TV, fechei o messenger, tirei o fone da tomada e sentei no sofá com um bloco e uma caneta, supervisionado pelo cachorro que, para variar, parecia se divertir com meu desespero.
Não sabia nem por onde começar. Arrisquei colocando os aqueles nomes que seria falta de educação deixar de fora. Kurosawa, Fellini, Hitchcock, Scorsese. Cheguei a uma lista de uns 30 diretores e comecei a limar. Corta daqui, tira dali, mexe aqui... Consegui reduzir para 28. Na verdade, 28,5 porque não cortei definitivamente o Polanski, só marquei um ponto de interrogração ao lado do nome dele, deixando em stand-by para futura análise.
Não vai dar certo.
No desespero, comecei a pensar em alternativas como fazer uma lista ridícula, abrindo com Vanilla Sky e ainda colocando uma justificativa como “um filme à frente do seu tempo, que terá seu valor reconhecido apenas em 3 ou 4 décadas”. Não, não tenho coragem de fazer isso. O que as pessoas iriam pensar de alguém que gosta de Vanilla Sky? Isso seria usado contra mim o resto da vida.
Hum... Idéia. Posso colocar filmes (bons) que nenhuma das três pessoas tenha assistido, assim não geraria polêmica e eu ainda teria a imagem de ousado. Eu pegaria só o “lado B” dos grandes diretores. É o mesmo esquema usado pelos indies que freqüentam o Espaço Unibanco. Se o filme só passou lá, durante 3 dias, “é sensacional, talvez seja o melhor do ano, que pena que você não viu”. Agora, se o mesmo filme estreou com 450 cópias, “você gostou? Eu achei uma merda, comercial demais”.
Perfeito. Scorsese, eu coloco Caminhos Perigosos. Coppola, hum... Vou de A Conversação. Hitchcock eu pegaria algum da fase inglesa, tipo O Homem que Sabia Demais (o original), e ainda arriscaria um comentário como “depois disso, ele apenas se copiou, ficou preguiçoso”. Kubrick, eu arriscaria Barry Lindon, já que ninguém consegue assistir ao filme sem cochilar.
“Perfeito. Amanhã trabalho nisso. Vou dormir”, pensei, inocente.
Acordei no meio da noite suado, passando mal. Levantei – sob protestos do cachorro que dormia em cima das minhas costas – e acendi um cigarro. Algo me incomodava. Sentei no sofá, liguei a TV e comecei a passar os canais. Algo realmente me incomodava. E eu não fazia idéia do que poderia ser. Apaguei o cigarro e, assim que levantei, dei de cara com ela, sobre a TV, me olhando fixamente.
A caixa do Chefão.
Tentei ignorar e voltei para a cama. Com o cachorro acomodado de novo em cima de mim, sonhei que James Caan recebia um embrulho com teclado e um peixe, e alguém virava para ele dizia: "É uma mensagem siciliana. Significa que Rob Gordon dorme com os peixes". Acordei e decididi abandonar o plano dos Lados B. Eu não me perdoaria jamais por escrever uma lista desssas e deixar um Corleone de fora. Mas tomei a decisão, também, de que eu precisava arrumar espaço na lista. E, se eu não consigo aumentar o tamanho dela ("não posso mesmo fazer 25 ao invés de 10?"), vou precisar dar um jeito de reduzir o conjunto universo.
Na noite seguinte, disparei um mail para uma das três pessoas, dizendo: “Vou colocar apenas filmes americanos, ok? Assim, se você quiser assistir algum, é mais fácil, porque a maioria dos europeus e orientais que eu colocaria não foi lançada em DVD no Brasil”, menti descaradamente. Qual não foi minha surpresa quando eu recebi, minutos depois, um simples (e sensacional) “OK”. Beleza, depois eu penso nos Kurosawas e Fellinis da vida.
Relacionei 10 filmes no Word e fiquei olhando a lista meia hora. Levanto, vou olhar meus DVDs. Volto, abro o IMDB. Levanto, vou olhar meus CDs de trilhas. Sento e mudo metade da lista. Levanto, vou olhar meus livros de cinema. Volto correndo pro computador e mexo de novo. Mudo, apago, escrevo, amaldiçôo a vida. Desço para comprar cigarros e volto correndo porque, quando estava no caixa, lembrei que tinha esquecido a merda do Casablanca. 6 cigarros e 1 litro de Coca depois (sim, Light. Merda de triglicéris) tenho algo que parece ser definitivo nas mãos.
Crio coragem, respiro fundo. Acendo o sétimo cigarro e mando o mail, com os filmes, os porquês de cada filme, regras para ler a lista e 35 menções honrosas de filmes que poderiam estar na relação. E um pedido de desculpas:
“Eu sei, ficou óbvia. Mas veja só, não tem Cidadão Kane”.
E deixei bem claro que essa é a MINHA lista. Ela não tem a pretensão de ser a lista definitiva dos melhores filmes americanos. É uma lista com os MEUS filmes, pensando qualidade, importância e, principalmente, gosto pessoal. Sim, estou falando isso para amenizar possíveis xingamentos.
Em todo o caso, são 10 filmes que eu levaria para uma ilha deserta. São 10 filmes que eu recomendo a qualquer pessoa. São 10 filmes que todo vertebrado tem que ter uma cópia em casa.
Aos poucos, vou postando os filmes aqui, com pequenos textos sobre cada um deles, alternando com posts comuns. E, diferente dos escritores de novela, não vou alterar os primeiros filmes da lista com base nos comentários que forem chegando.
Aliás, para já começarem os xingamentos, 5 filmes absurdamente doloridos de ter deixado fora da lista.
1. Uma Rua Chamada Pecado - Teve mais ou menos a mesma carreira da Alemanha na Copa. Era franco-favorito, mas acabou caindo perto da final.
2. Os Imperdoáveis - Ainda é o melhor filme do Clint. Mas fui direto à fonte e resolvi pegar a obra-prima de um dos professores dele.
3. Ben-Hur - Eu sei, o filme é tão grandioso que Jesus Cristo é coadjuvante. O problema é que é tão grandioso, mas tão grandioso, que não cabia na lista (eu disse que só 10 era foda).
4. Onde Começa o Inferno - Aproveito para informar que não há John Wayne na lista. E, antes que comecem a me apedrejar, ninguém se sente pior com isso do que eu.
5. 2001 - Uma Odisséia no Espaço - Eu sei, é Kubrick, é revolucionário, é único. Mas ficou de fora. Eu sei, eu sou um merda.
20 de setembro de 2006
Carta Aberta aos Meus Vizinhos (com Som Digital)
Como alguns de vocês devem ter reparado, comprei um Home Theater. Venho, então, esclarecer algumas dúvidas que possam ter surgido nos últimos dias.
1 - Sim, o receiver tem controle de volume.
2 - Não, eu não vou colocar o volume abaixo do 30.
3 - Sim, eu assisto a Apocalypse Now e O Resgate do Soldado Ryan pelo menos uma vez por semana, com o som 5.1 Digital.
4 - Sim, eu assisto a shows do Iron Maiden e do Judas Priest pelo menos duas vezes por semana, cada.
5- Sim, o som desses discos também é 5.1 Digital.
6 - Sim, eu também acho o som bastante cristalino.
7 - Sim, eu vejo necessidade de ouvir nesse volume.
8 - Não, meu cachorro já está acostumado. Obrigado pela preocupação.
Sem Mais,
Rob Gordon,
8º Andar.
1 - Sim, o receiver tem controle de volume.
2 - Não, eu não vou colocar o volume abaixo do 30.
3 - Sim, eu assisto a Apocalypse Now e O Resgate do Soldado Ryan pelo menos uma vez por semana, com o som 5.1 Digital.
4 - Sim, eu assisto a shows do Iron Maiden e do Judas Priest pelo menos duas vezes por semana, cada.
5- Sim, o som desses discos também é 5.1 Digital.
6 - Sim, eu também acho o som bastante cristalino.
7 - Sim, eu vejo necessidade de ouvir nesse volume.
8 - Não, meu cachorro já está acostumado. Obrigado pela preocupação.
Sem Mais,
Rob Gordon,
8º Andar.
Aral contra Dudinka
Você sabe que está ficando velho quando pode entrar numa loja de brinquedos com seu próprio talão de cheques. E você sabe que está ficando velho quando você passa meia hora numa loja de brinquedos e simplesmente não acha absolutamente nada legal. Foi exatamente isso que aconteceu comigo numa loja na Teodoro Sampaio, que fica exatamente no meio do caminho entre minha casa e meu trabalho. Eu sempre passava em frente, mas nunca tinha entrado – ao contrário de bancas, livrarias e lojas de CDs, eu consigo me controlar vendo uma loja de brinquedos. Mas eu sempre diminuía a velocidade média – que já não é muito alta, afinal, estamos falando da Teodoro Sampaio – e arriscava uma espiada na vitrine, pensando “um dia eu entro aqui”.
Ontem, entrei.
Obviamente, assim que eu entrei, protagonizei com uma vendedora o mesmo diálogo que ocorre toda vez que eu entro numa loja de brinquedos.
– Boa tarde. – Boa tarde. – O senhor está procurando algo para menino ou menina? – Menino. – Qual a idade dele? – 31.
E, enquanto a vendedora pensava em como responder a isso, parti para o fundo da loja e comecei a fuçar nas prateleiras. A primeira que eu encontrei foi a dos bonecos e miniaturas. E aí começou a decepção. A maioria dos bonecos é cara demais e feia demais e metade dos que eu vi são baseados em desenhos ou em games que eu não conheço. Se bem que eu nunca fui muito fã dessa prateleira, porque sempre detestei aquelas miniaturas de super-heróis com variações estranhas. Você olha as prateleiras e vê bonecos do Hulk, do Batman, do Homem-Aranha. OK.
Mas, aí, quando você começa a ver de perto, encontra imbecilidades como Batman com roupa de mergulhador, Wolverine com proteção para batalha na neve, Homem-Aranha com roupa de verão, Hulk com uniforme de técnico da Eletropaulo. Como uma criança brinca com isso? Imagino um moleque sentado no chão da sala com o Hulk, gritando: "Poste de homenzinhos quebrou! Hulk troca poste de homenzinho!”.
Os bonecos que eu gostava mesmo eram os Comandos em Ação. (G.I. Joe porra nenhuma, pra mim vai ser sempre Comandos em Ação). Me lembro de quando ganhei os bonecos da primeira série. Os saudosos Cabeça-de-Ponte, Arma Pesada, Bazuqueiro, Rádio Alerta e Raio Laser. Nessa época, os vilões ainda nem chamavam Cobra. Era apenas um boneco todo preto que tinha o nome de Invasor. Nas séries seguintes, começaram a sair mais bonecos, mais veículos e mais vilões. Legal. O problema é que ficou impossível comprar todos, especialmente porque alguns tanques e outros veículos custavam uma fortuna e você simplesmente não tinha mais onde guardar aquilo – um amigo meu tinha um carro anfíbio que era quase do tamanho de um Fusca.
Dei mais uma fuçada, onde vi um Gollum e um Anakin Skywalker juntando pó (achei que o Gollum ficaria legal em cima da minha TV, mas o preço me mostrou que não) e fui para a minha parte preferida: a seção de jogos.
Outra decepção. Me senti como se tivesse 12 anos. Mas não por saudosismo e, sim, pelo fato de que os jogos de hoje são exatamente os mesmos que estavam à venda 20 anos atrás: War, Banco Imobiliário, Jogo da Vida, etc. Eles apenas mudam a foto da caixa e reeditam o jogo. Pô, será que ninguém pode criar um jogo novo? Será que o departamento de criação dos jogos da Grow era formado por um velhinho que se aposentou quando eu tinha uns 15 anos? Ou tudo isso é medo de competir com o PlayStation?
Se for, fica claro que as próximas gerações estão perdidas, entregues aos Wiining Eleven e Final Fantasy da vida. Os jogos de tabuleiro são essenciais na formação de qualquer pessoa.
Veja o War, por exemplo. Além de aprender que existem (ou existiam) lugares chamados Omsk e Aral, é jogando War que uma criança compreende que uma amizade de anos não significa nada quando seu melhor amigo precisa da Inglaterra (que está sob o seu domínio) para invadir a América do Norte. É atrás daquele tabuleiro que ela descobre que a vida pode ser ridícula quando ela perde todos os 12 exércitos da troca (para um imbecil que tinha apenas um exército), porque ele só tirou 1 nos dados, em todos os ataques. É só tirando o temível objetivo “Conquistar a Ásia e a América do Sul” que se aprende que, às vezes, sua vida está fadada ao fracasso, independente do quanto você tentar. E, pior, é lá que ela descobre que podem existir pessoas cujo objetivo de vida não implica em conquistar nada e, apenas em tirar você do jogo.
Está mais que na hora de as empresas acordarem e começarem a produzir jogos novos. Claro que as continuações como War II – que, por sinal, já é velha – não contam, porque, como toda continuação, elas são muito mais fracas que o original (as únicas exceções conhecidas pelo homem são O Poderoso Chefão II e O Império Contra-Ataca). Também não contam jogoso como Perfil II, Master II, porque são apenas expansões dos originais, não mudam nada.
Por outro lado, na preguiça de criar jogos novos, talvez essa possa ser a saída. Atualizar os jogos: um War III com a possibilidade de ataques terroristas (e um mapa atualizado, pelo amor de Deus) viria bem a calhar. Um Jogo da Vida onde você perde tudo devido a pacotes econômicos do governo seria legal também. E Scotland Yard, com a possibilidade de examinar a cena do crime, no estilo C.S.I. e com casos famosos, como da Richtofen ou o assassinato do Ubiratan? Isso sem falar no Master – Versão Nerd, com as categorias Star Wars, Star Trek, O Senhor dos Anéis, Quadrinhos, Arquivo X, Séries Diversas?
E, aí, tenho certeza, jogos novos e mais atuais começariam a surgir naturalmente. Deixo aqui umas idéias (e, para facilitar o trabalho da Grow, coloco também aquele textinho da caixa, que vem acompanhado da foto das crianças jogando e funciona como propaganda):
Celebridades.
Saia do anonimato e torne-se uma pessoa famosa. Qual caminho você irá escolher? Arriscar a sorte num show de Calouros? Participar do Big Brother Brasil? Dançarina de banda de axé: Namorar um piloto de fórmula 1 que morre num acidente? Engravidar de um roqueiro internacional? Você escolhe a forma de ficar famosa e a revistas de fofocas escolhem você para a próxima capa!
Participantes: de 2 a 6
Idade: a partir de 10 anos (a não ser que você seja filho da Xuxa ou da Carla Perez)
Campanha Política.
Funde seu partido e construa uma carreira política completa, de vereador até presidente. Lance pacotes econômicos, contrate um bom advogado e mãos à obra! Proteja seus escândalos, descubra as falcatruas dos seus concorrentes e, uma semana antes da eleição, libere para os jornais as fotos comprometedoras do governador com a secretária!
Participantes: ilimitado
Idade: a partir de 25 anos
Império.
Tráfico de drogas! Seqüestros! Assalto a bancos! Saia da sarjeta e conquiste a cidade, explodindo quartéis-generais de quadrilhas rivais. Pesquise novas drogas e assassine juízes. Se for preso, basta comprar um celular no mercado negro e continuar construindo seu Império. O mundo é seu... Mostre quem manda, caralho!
Participantes: 2 a 6
Idade: a partir de 8 anos
(Pistolas não incluídas)
E, por fim, (auto homenagem mode: on),
Parem as Máquinas!
Batalhe seu caminho através de uma redação de uma revista. Escreva matérias sem contar com um prazo humano e entrevistando personalidades débeis-mentais. Drible assessorias de imprensas que só atrapalham. Escolha seu caminho: você será um jornalista honesto ou jabazeiro? Divirta-se com seus amigos escolhendo a manchete do dia e lute para chegar ao cargo de editor-chefe, que dá direito a uma estagiária que está lá apenas para pegar café para você!
Participantes: 2 a 6
Idade: a partir de 10 anos
(alfabetização não necessária, mas recomendada)
As idéias estão aí. Pessoal da Grow, mãos à obra. Chega de preguiça. As crianças – especialmente as de 31 anos – agradecem.
De quebra, as 5 frases mais ouvidas em jogos de tabuleiro
1. 3 contra 1, de Aral para Dudinka. (War)
2. Qual o número do museu? (Scotland Yard)
3. Caiu no hotel em Copacabana! Tá fudido! (Banco Imobiliário)
4. Como funciona esse negócio de avião, mesmo? (War II)
5. Sei lá, caralho! (Master)
Ontem, entrei.
Obviamente, assim que eu entrei, protagonizei com uma vendedora o mesmo diálogo que ocorre toda vez que eu entro numa loja de brinquedos.
– Boa tarde. – Boa tarde. – O senhor está procurando algo para menino ou menina? – Menino. – Qual a idade dele? – 31.
E, enquanto a vendedora pensava em como responder a isso, parti para o fundo da loja e comecei a fuçar nas prateleiras. A primeira que eu encontrei foi a dos bonecos e miniaturas. E aí começou a decepção. A maioria dos bonecos é cara demais e feia demais e metade dos que eu vi são baseados em desenhos ou em games que eu não conheço. Se bem que eu nunca fui muito fã dessa prateleira, porque sempre detestei aquelas miniaturas de super-heróis com variações estranhas. Você olha as prateleiras e vê bonecos do Hulk, do Batman, do Homem-Aranha. OK.
Mas, aí, quando você começa a ver de perto, encontra imbecilidades como Batman com roupa de mergulhador, Wolverine com proteção para batalha na neve, Homem-Aranha com roupa de verão, Hulk com uniforme de técnico da Eletropaulo. Como uma criança brinca com isso? Imagino um moleque sentado no chão da sala com o Hulk, gritando: "Poste de homenzinhos quebrou! Hulk troca poste de homenzinho!”.
Os bonecos que eu gostava mesmo eram os Comandos em Ação. (G.I. Joe porra nenhuma, pra mim vai ser sempre Comandos em Ação). Me lembro de quando ganhei os bonecos da primeira série. Os saudosos Cabeça-de-Ponte, Arma Pesada, Bazuqueiro, Rádio Alerta e Raio Laser. Nessa época, os vilões ainda nem chamavam Cobra. Era apenas um boneco todo preto que tinha o nome de Invasor. Nas séries seguintes, começaram a sair mais bonecos, mais veículos e mais vilões. Legal. O problema é que ficou impossível comprar todos, especialmente porque alguns tanques e outros veículos custavam uma fortuna e você simplesmente não tinha mais onde guardar aquilo – um amigo meu tinha um carro anfíbio que era quase do tamanho de um Fusca.
Dei mais uma fuçada, onde vi um Gollum e um Anakin Skywalker juntando pó (achei que o Gollum ficaria legal em cima da minha TV, mas o preço me mostrou que não) e fui para a minha parte preferida: a seção de jogos.
Outra decepção. Me senti como se tivesse 12 anos. Mas não por saudosismo e, sim, pelo fato de que os jogos de hoje são exatamente os mesmos que estavam à venda 20 anos atrás: War, Banco Imobiliário, Jogo da Vida, etc. Eles apenas mudam a foto da caixa e reeditam o jogo. Pô, será que ninguém pode criar um jogo novo? Será que o departamento de criação dos jogos da Grow era formado por um velhinho que se aposentou quando eu tinha uns 15 anos? Ou tudo isso é medo de competir com o PlayStation?
Se for, fica claro que as próximas gerações estão perdidas, entregues aos Wiining Eleven e Final Fantasy da vida. Os jogos de tabuleiro são essenciais na formação de qualquer pessoa.
Veja o War, por exemplo. Além de aprender que existem (ou existiam) lugares chamados Omsk e Aral, é jogando War que uma criança compreende que uma amizade de anos não significa nada quando seu melhor amigo precisa da Inglaterra (que está sob o seu domínio) para invadir a América do Norte. É atrás daquele tabuleiro que ela descobre que a vida pode ser ridícula quando ela perde todos os 12 exércitos da troca (para um imbecil que tinha apenas um exército), porque ele só tirou 1 nos dados, em todos os ataques. É só tirando o temível objetivo “Conquistar a Ásia e a América do Sul” que se aprende que, às vezes, sua vida está fadada ao fracasso, independente do quanto você tentar. E, pior, é lá que ela descobre que podem existir pessoas cujo objetivo de vida não implica em conquistar nada e, apenas em tirar você do jogo.
Está mais que na hora de as empresas acordarem e começarem a produzir jogos novos. Claro que as continuações como War II – que, por sinal, já é velha – não contam, porque, como toda continuação, elas são muito mais fracas que o original (as únicas exceções conhecidas pelo homem são O Poderoso Chefão II e O Império Contra-Ataca). Também não contam jogoso como Perfil II, Master II, porque são apenas expansões dos originais, não mudam nada.
Por outro lado, na preguiça de criar jogos novos, talvez essa possa ser a saída. Atualizar os jogos: um War III com a possibilidade de ataques terroristas (e um mapa atualizado, pelo amor de Deus) viria bem a calhar. Um Jogo da Vida onde você perde tudo devido a pacotes econômicos do governo seria legal também. E Scotland Yard, com a possibilidade de examinar a cena do crime, no estilo C.S.I. e com casos famosos, como da Richtofen ou o assassinato do Ubiratan? Isso sem falar no Master – Versão Nerd, com as categorias Star Wars, Star Trek, O Senhor dos Anéis, Quadrinhos, Arquivo X, Séries Diversas?
E, aí, tenho certeza, jogos novos e mais atuais começariam a surgir naturalmente. Deixo aqui umas idéias (e, para facilitar o trabalho da Grow, coloco também aquele textinho da caixa, que vem acompanhado da foto das crianças jogando e funciona como propaganda):
Celebridades.
Saia do anonimato e torne-se uma pessoa famosa. Qual caminho você irá escolher? Arriscar a sorte num show de Calouros? Participar do Big Brother Brasil? Dançarina de banda de axé: Namorar um piloto de fórmula 1 que morre num acidente? Engravidar de um roqueiro internacional? Você escolhe a forma de ficar famosa e a revistas de fofocas escolhem você para a próxima capa!
Participantes: de 2 a 6
Idade: a partir de 10 anos (a não ser que você seja filho da Xuxa ou da Carla Perez)
Campanha Política.
Funde seu partido e construa uma carreira política completa, de vereador até presidente. Lance pacotes econômicos, contrate um bom advogado e mãos à obra! Proteja seus escândalos, descubra as falcatruas dos seus concorrentes e, uma semana antes da eleição, libere para os jornais as fotos comprometedoras do governador com a secretária!
Participantes: ilimitado
Idade: a partir de 25 anos
Império.
Tráfico de drogas! Seqüestros! Assalto a bancos! Saia da sarjeta e conquiste a cidade, explodindo quartéis-generais de quadrilhas rivais. Pesquise novas drogas e assassine juízes. Se for preso, basta comprar um celular no mercado negro e continuar construindo seu Império. O mundo é seu... Mostre quem manda, caralho!
Participantes: 2 a 6
Idade: a partir de 8 anos
(Pistolas não incluídas)
E, por fim, (auto homenagem mode: on),
Parem as Máquinas!
Batalhe seu caminho através de uma redação de uma revista. Escreva matérias sem contar com um prazo humano e entrevistando personalidades débeis-mentais. Drible assessorias de imprensas que só atrapalham. Escolha seu caminho: você será um jornalista honesto ou jabazeiro? Divirta-se com seus amigos escolhendo a manchete do dia e lute para chegar ao cargo de editor-chefe, que dá direito a uma estagiária que está lá apenas para pegar café para você!
Participantes: 2 a 6
Idade: a partir de 10 anos
(alfabetização não necessária, mas recomendada)
As idéias estão aí. Pessoal da Grow, mãos à obra. Chega de preguiça. As crianças – especialmente as de 31 anos – agradecem.
De quebra, as 5 frases mais ouvidas em jogos de tabuleiro
1. 3 contra 1, de Aral para Dudinka. (War)
2. Qual o número do museu? (Scotland Yard)
3. Caiu no hotel em Copacabana! Tá fudido! (Banco Imobiliário)
4. Como funciona esse negócio de avião, mesmo? (War II)
5. Sei lá, caralho! (Master)
14 de setembro de 2006
Hulk na Encruzilhada... E Jaime no Boteco.
Quem gosta de quadrinhos e tem por volta de 30 anos deve lembrar da saga do Hulk na Encruzilhada. Isso foi publicado aqui no Brasil (acho que) por volta de 88 ou 89, ainda no tempo dos formatinhos. Enfim, a história era um tesão: o Hulk, totalmente selvagem e irracional, era exilado da Terra pelo Dr. Estranho e vai parar na tal Encruzilhada, que era um portal que ligava diversas dimensões. Em cada história da saga, ele entrava numa dimensão diferente, tentando achar o caminho de volta. Ou seja, literalmente, você não sabia o que esperar a cada capítulo.
Exatamente como o boteco aqui da frente.
Cada vez que eu entro ali, me sinto como o Hulk. Não sei que tipo de seres vou encontrar ali; não sei como serei tratado no local; não sei se vou sair vivo dali. A única coisa que eu tenho certeza é de que, caso eu seja atendido, eu serei mal atendido. O boteco em questão (que não é sujo como um boteco deveria ser, mas também não é limpo como a lanchonete que os donos acreditam que aquilo seja) é um mundo complexo, um ecossistema fechado, que reage mal à presença de estranhos. É um micro universo formado pelos seguintes organismos:
O Chapeiro (ou O Killer Beast): deve ser extremamente perigoso, já que passa o dia trancado num cubículo com uma chapa e um fogão. Seu único contato com o mundo exterior se dá por meio de rápidas olhadas que ele arrisca, através da fresta na qual ele entrega os sanduíches. Uma vez, numa dessas olhadas, arrisquei cumprimentá-lo e ele apenas estreitou os olhos antes de sumir novamente. Quando está fazendo Sol (e quando ele acerta no X-Salada, o que é bem difícil), o deixam sair por cinco minutos e fumar um cigarro acorrentado na árvore da calçada.
A Garçonete (ou A Nutricionista): é a única garçonete do universo que escolhe o que os clientes vão comer. Um dia eu cheguei lá morrendo de pressa e pedi uma coxinha. A resposta dela foi categórica: "Não. Ontem você já comeu uma coxinha. Hoje você vai comer o prato do dia, porque faz bem". Tentei argumentar, mas não deu certo. Só funcionou quando eu disse que "ok, eu como o prato, mas vou pagar só uma coxinha". Ela fez cara feia e praticamente jogou a coxinha em mim.
O Garçom (ou a Aberração): se fosse realizado um concurso para definir as pessoas mais escrotas do planeta, ele receberia um prêmio especial do Júri. Saído diretamente da rua de Faça a Coisa Certa, do Spike Lee, ele se acha a coisa mais malandra do mundo. Chama toda mulher de "gata" e todo homem de "bródi". Quando você pergunta o que tem para comer hoje, ele responde como "o misto quente tá bem lôco". A última vez que o vi, ele estava deitado na calçada do boteco, sem camisa, tomando Sol. E eu ali, no balcão, esperando para ser atendido.
O Regente (ou o Não Tem): é o mais gente boa do lugar, mas, infelizmente, ele É do lugar. Eu acredito que ele seja sócio, mas minoritário, porque somente tem acesso a uma das portas da geladeira que fica sob o balcão. Qualquer coisa que você peça a ele (seja uma Coca, seja um Marlboro, seja um chocolate) ele abre a porra da portinha, fica 4 minutos olhando na geladeira e volta com cara de decepcionado, dizendo que "Não tem. Acabou."
A Imperatriz (ou a Gorda): é a pior de todas. É a dona do lugar, mas trabalha com a competência de um estagiário. Ela está sempre sentada, batendo papo com alguém e com aquele olhar perdido, fitando o infinito. Manja o De Niro no Tempo de Despertar? É igualzinho, com a diferença que o De Niro foi indicado ao Oscar. Às vezes o bar está totalmente vazio e eu entro. Sento no balcão na frente dela e sou sumariamente ignorado por 5 minutos, que é o tempo que o cérebro dela deve demorar para processar a informação de que há um cliente no lugar. Eu tusso, assobio, finjo que falo no celular. Tudo para chamar a atenção dela. Em vão. O cérebro dela funciona num ritmo próprio e isso precisa ser respeitado. Ao perceber que estou ali, ela vira e faz a pergunta do ano:
– Você vai querer alguma coisa?
Penso em responder que "não, estou apenas admirando a sua beleza", mas sei que a diplomacia num caso desses é essencial. Ainda mais quando você está no território deles.
– Uma Coca.
– Geli-limão? (auto-reference mode on)
– (suspiro) Não.
Aí ela começa a gritar com a Nutricionista (que não está à vista) que "um cliente quer uma Coca!". O chapeiro se assusta com o barulho e espia rapidamente pela fresta antes de se esconder novamente. A Nutricionista surge (sabe-se lá de onde), e vem pegar a Coca, que estava a mais ou menos meio metro da Gorda. Ela me entrega a lata e pega um copo, perguntando:
– Geli-limão?
– Não.
– Por que você não toma um suco ao invés disso?
Mas o acontecimento-símbolo do boteco foi um dia que eu cheguei lá e a Gorda estava sozinha, falando no telefone. Na mesma hora eu me conformei: "Bom, se ela está no telefone, hoje vai demorar mesmo. Hoje vai demorar de verdade". Sentei no balcão e comecei a ouvir a conversa:
– Sim, é esse número mesmo, mas não tem ninguém aqui com esse nome.... Isso, não conheço ninguém com esse nome...
Eu comecei a chamar a atenção dela através de gestos e ela olhou para mim. Hum... Fizemos contato visual. Bom começo. Assim que ela desligar o telefone, o cérebro dela pode começar a trabalhar a idéia de que estou aqui. Ela fez um sinal para eu esperar (provavelmente, um reflexo inconsciente) e continuou no telefone.
– Olha, o número está correto, mas não tem ninguém com esse nome. Sim, sim, o número é esse mesmo... (ela olhou para mim novamente) Olha, você me aguarda só um minuto?
O que? Ela pediu para a pessoa no telefone esperar para me atender? Uau! Ganhei o dia! Ela tira o telefone do ouvido, vira para mim e pergunta, de forma inocente:
– Seu nome é Jaime?
– Olha... Eu só queria uma Coca.
– Mas seu nome é Jaime?
– (suspiro) Não.
Ela pega o telefone novamente.
– Estou falando para você, não tem nenhum Jaime aqui. Tenho certeza de que você anotou o número errado.
Eu suspirei e fiquei ali, quieto, esperando minha Coca.
Em Roma, faça como os romanos. Mesmo que eles sejam imbecis.
5 Frases Mais Ditas pelos Funciónários do Boteco ao Lado
1. Hum?
2. Não tem.
3. Geli-limão?
4. Acabou, bródi (ou gata). Pede outra coisa aí, que eu vejo se tem.
5. Você já foi atendido?
Exatamente como o boteco aqui da frente.
Cada vez que eu entro ali, me sinto como o Hulk. Não sei que tipo de seres vou encontrar ali; não sei como serei tratado no local; não sei se vou sair vivo dali. A única coisa que eu tenho certeza é de que, caso eu seja atendido, eu serei mal atendido. O boteco em questão (que não é sujo como um boteco deveria ser, mas também não é limpo como a lanchonete que os donos acreditam que aquilo seja) é um mundo complexo, um ecossistema fechado, que reage mal à presença de estranhos. É um micro universo formado pelos seguintes organismos:
O Chapeiro (ou O Killer Beast): deve ser extremamente perigoso, já que passa o dia trancado num cubículo com uma chapa e um fogão. Seu único contato com o mundo exterior se dá por meio de rápidas olhadas que ele arrisca, através da fresta na qual ele entrega os sanduíches. Uma vez, numa dessas olhadas, arrisquei cumprimentá-lo e ele apenas estreitou os olhos antes de sumir novamente. Quando está fazendo Sol (e quando ele acerta no X-Salada, o que é bem difícil), o deixam sair por cinco minutos e fumar um cigarro acorrentado na árvore da calçada.
A Garçonete (ou A Nutricionista): é a única garçonete do universo que escolhe o que os clientes vão comer. Um dia eu cheguei lá morrendo de pressa e pedi uma coxinha. A resposta dela foi categórica: "Não. Ontem você já comeu uma coxinha. Hoje você vai comer o prato do dia, porque faz bem". Tentei argumentar, mas não deu certo. Só funcionou quando eu disse que "ok, eu como o prato, mas vou pagar só uma coxinha". Ela fez cara feia e praticamente jogou a coxinha em mim.
O Garçom (ou a Aberração): se fosse realizado um concurso para definir as pessoas mais escrotas do planeta, ele receberia um prêmio especial do Júri. Saído diretamente da rua de Faça a Coisa Certa, do Spike Lee, ele se acha a coisa mais malandra do mundo. Chama toda mulher de "gata" e todo homem de "bródi". Quando você pergunta o que tem para comer hoje, ele responde como "o misto quente tá bem lôco". A última vez que o vi, ele estava deitado na calçada do boteco, sem camisa, tomando Sol. E eu ali, no balcão, esperando para ser atendido.
O Regente (ou o Não Tem): é o mais gente boa do lugar, mas, infelizmente, ele É do lugar. Eu acredito que ele seja sócio, mas minoritário, porque somente tem acesso a uma das portas da geladeira que fica sob o balcão. Qualquer coisa que você peça a ele (seja uma Coca, seja um Marlboro, seja um chocolate) ele abre a porra da portinha, fica 4 minutos olhando na geladeira e volta com cara de decepcionado, dizendo que "Não tem. Acabou."
A Imperatriz (ou a Gorda): é a pior de todas. É a dona do lugar, mas trabalha com a competência de um estagiário. Ela está sempre sentada, batendo papo com alguém e com aquele olhar perdido, fitando o infinito. Manja o De Niro no Tempo de Despertar? É igualzinho, com a diferença que o De Niro foi indicado ao Oscar. Às vezes o bar está totalmente vazio e eu entro. Sento no balcão na frente dela e sou sumariamente ignorado por 5 minutos, que é o tempo que o cérebro dela deve demorar para processar a informação de que há um cliente no lugar. Eu tusso, assobio, finjo que falo no celular. Tudo para chamar a atenção dela. Em vão. O cérebro dela funciona num ritmo próprio e isso precisa ser respeitado. Ao perceber que estou ali, ela vira e faz a pergunta do ano:
– Você vai querer alguma coisa?
Penso em responder que "não, estou apenas admirando a sua beleza", mas sei que a diplomacia num caso desses é essencial. Ainda mais quando você está no território deles.
– Uma Coca.
– Geli-limão? (auto-reference mode on)
– (suspiro) Não.
Aí ela começa a gritar com a Nutricionista (que não está à vista) que "um cliente quer uma Coca!". O chapeiro se assusta com o barulho e espia rapidamente pela fresta antes de se esconder novamente. A Nutricionista surge (sabe-se lá de onde), e vem pegar a Coca, que estava a mais ou menos meio metro da Gorda. Ela me entrega a lata e pega um copo, perguntando:
– Geli-limão?
– Não.
– Por que você não toma um suco ao invés disso?
Mas o acontecimento-símbolo do boteco foi um dia que eu cheguei lá e a Gorda estava sozinha, falando no telefone. Na mesma hora eu me conformei: "Bom, se ela está no telefone, hoje vai demorar mesmo. Hoje vai demorar de verdade". Sentei no balcão e comecei a ouvir a conversa:
– Sim, é esse número mesmo, mas não tem ninguém aqui com esse nome.... Isso, não conheço ninguém com esse nome...
Eu comecei a chamar a atenção dela através de gestos e ela olhou para mim. Hum... Fizemos contato visual. Bom começo. Assim que ela desligar o telefone, o cérebro dela pode começar a trabalhar a idéia de que estou aqui. Ela fez um sinal para eu esperar (provavelmente, um reflexo inconsciente) e continuou no telefone.
– Olha, o número está correto, mas não tem ninguém com esse nome. Sim, sim, o número é esse mesmo... (ela olhou para mim novamente) Olha, você me aguarda só um minuto?
O que? Ela pediu para a pessoa no telefone esperar para me atender? Uau! Ganhei o dia! Ela tira o telefone do ouvido, vira para mim e pergunta, de forma inocente:
– Seu nome é Jaime?
– Olha... Eu só queria uma Coca.
– Mas seu nome é Jaime?
– (suspiro) Não.
Ela pega o telefone novamente.
– Estou falando para você, não tem nenhum Jaime aqui. Tenho certeza de que você anotou o número errado.
Eu suspirei e fiquei ali, quieto, esperando minha Coca.
Em Roma, faça como os romanos. Mesmo que eles sejam imbecis.
5 Frases Mais Ditas pelos Funciónários do Boteco ao Lado
1. Hum?
2. Não tem.
3. Geli-limão?
4. Acabou, bródi (ou gata). Pede outra coisa aí, que eu vejo se tem.
5. Você já foi atendido?
Back from the Dead
Eu sei, eu sei. Estou há uma semana sem postar aqui, mas juro que é por falta de tempo. É que minha vida tem um ritmo parecido com o de uma mulher: uma semana por mês, eu fico completamente intratável, não durmo, como mal e brigo com todo mundo ao meu redor. Elas têm o motivo delas, e o meu é o fechamento da revista (sim, para quem não sabe, sou jornalista).
Eu sei que nada é mais decadente do que você entrar num blog abandonado, daqueles que o último post é do tempo que o Brasil era tetra. O cheiro de pó e os insetos andando pelas ruínas de um blog perdido no tempo é uma imagem que não desejo para o Championship Vinyl, e, por isso, aviso: se eu não estiver postando, é falta de tempo, não de preguiça. Ou de assunto.
Mas, para dar uma atualizada rápida nos útimos dias, antes de voltarmos à programação normal, vamos as fatos.
– O CD novo do Iron Maiden é, disparado, um dos melhores da banda. A primeira vez que você ouve é apenas mais um CD do Iron Maiden. Na terceira ou quarta vez, ele começa a ganhar novas cores. Na décima, se tornou uma obra-prima, rica em detalhes. Arrisco a dizer que é o melhor disco desde The X Factor (os xiitas que não ouvem esse álbum porque ele não pertence à fase Bruce Dickinson que me desculpem, mas é um puta álbum), sombrio e elaborado. Meu cachorro também aprovou: toda hora que eu escuto a faixa The Legacy em casa, ele começa a correr pela sala no momento que aquela guitarra tesudíssima entra rasgando depois da introdução da música. Claro que o pulo que eu dou nessa hora deve contribuir para a adrenalina dele, mas isso não diminui meu orgulho.
– Nesse tempo de vacas magras de posts, completei a "módica quantia" de 31 anos. E, meu amigo, 31 anos é foda. Todo o charme e a maturidade que você tem com 30 simplesmente desaparecem. Eu sei que isso contraria todas as regras de aritmética, mas, em termos de idade, o 31 está mais perto dos 40 que dos 30. Ou seja, estou andando com a velocidade de um foguete em direção aos 40. Ninguém mais se lembra que eu tinha 30 na semana passada. Pelo menos, o único presente "vestível" que eu ganhei foi sapato. Se eu tivesse ganhado um lenço ou uma meia, aí sim a coisa estaria feia. Nada é mais presente de velho que lenço (porque o velho está sempre gripado e espirrando) ou meia (porque o velho está sempre gripado e com frio no pé). Mas, como ganhei sapato... Hum, como diria um amigo meu: "Ainda dá!"
– O ponto alto do meu aniversário foi ir jantar com a respectiva (quebra-pau mode: off) na cantina mais tesuda da cidade, o Roperto, na 13 de Maio. Detalhe que lá tem dois velhos italianos que ficam andando pelas mesas e tocando músicas típicas (um com um violão e outro com um acordeão). Eles pararam na minha mesa e perguntaram "que música você quer?" E eu respondi "você escolhe". O do violão virou para o do acordeão e pediu um si menor. E começaram a tocar... A MÚSICA DO CHEFÃO! PRA MIM!* Me senti o cara mais fudido do lugar. As pessoas nas mesas ao lado me olhavam com um misto de respeito e inveja, pelo poder que eu emanava. Claro que quando a conta chegou e eu (após, obviamente, ter derrubado molho na porra da camiseta branca) não conseguia nem assinar o cheque de tanto que eu tinha comido, lembrei que sou bosta demais pra pertencer a família Corleone. Eu poderia ser, quando muito, um soldado dos Tattaglia, daqueles que morrem na rua, anônimos no meio de um tiroteiro qualquer.
* Você pode não acreditar, mas é a segunda vez (na vida adulta) que vou nessa cantina, e é a segunda vez que eles tocam essa música para mim. Na primeira vez, quase comecei a chorar e pensei em fazer todos os garçons formarem uma fila na minha mesa para beijar minha mão. Eu sei, sou tosco mesmo, me deixa em paz.
– E, para finalizar, séries de TV. Estou cada vez mais viciado em CSI. Em outro momento de tosquice aguda, sonhei que era o Grissom cochilando no sofá. Agora, eu ando pelas ruas procurando pistas que mostrem que o camelô do meu lado ou o carteiro que está vindo na minhda direção tem alguma coisa a ver com algum assassinato. Como eu já estava com impulsos de sair recolhendo digitais de todo mundo na rua, resolvi dar um tempo no relacionamento e me dei de aniversário a segunda temporada de Lost (ou "Derraparecidos", como dizem na dublagem em espanhol). Porém, no segundo episódio, eu já tinha certeza de que se o Grissom estivesse na ilha, ele já saberia explicar tudo o que acontece ali.
Bem, após essa breve recapitulação dos últimos dias, estou de volta.
Eu sei que nada é mais decadente do que você entrar num blog abandonado, daqueles que o último post é do tempo que o Brasil era tetra. O cheiro de pó e os insetos andando pelas ruínas de um blog perdido no tempo é uma imagem que não desejo para o Championship Vinyl, e, por isso, aviso: se eu não estiver postando, é falta de tempo, não de preguiça. Ou de assunto.
Mas, para dar uma atualizada rápida nos útimos dias, antes de voltarmos à programação normal, vamos as fatos.
– O CD novo do Iron Maiden é, disparado, um dos melhores da banda. A primeira vez que você ouve é apenas mais um CD do Iron Maiden. Na terceira ou quarta vez, ele começa a ganhar novas cores. Na décima, se tornou uma obra-prima, rica em detalhes. Arrisco a dizer que é o melhor disco desde The X Factor (os xiitas que não ouvem esse álbum porque ele não pertence à fase Bruce Dickinson que me desculpem, mas é um puta álbum), sombrio e elaborado. Meu cachorro também aprovou: toda hora que eu escuto a faixa The Legacy em casa, ele começa a correr pela sala no momento que aquela guitarra tesudíssima entra rasgando depois da introdução da música. Claro que o pulo que eu dou nessa hora deve contribuir para a adrenalina dele, mas isso não diminui meu orgulho.
– Nesse tempo de vacas magras de posts, completei a "módica quantia" de 31 anos. E, meu amigo, 31 anos é foda. Todo o charme e a maturidade que você tem com 30 simplesmente desaparecem. Eu sei que isso contraria todas as regras de aritmética, mas, em termos de idade, o 31 está mais perto dos 40 que dos 30. Ou seja, estou andando com a velocidade de um foguete em direção aos 40. Ninguém mais se lembra que eu tinha 30 na semana passada. Pelo menos, o único presente "vestível" que eu ganhei foi sapato. Se eu tivesse ganhado um lenço ou uma meia, aí sim a coisa estaria feia. Nada é mais presente de velho que lenço (porque o velho está sempre gripado e espirrando) ou meia (porque o velho está sempre gripado e com frio no pé). Mas, como ganhei sapato... Hum, como diria um amigo meu: "Ainda dá!"
– O ponto alto do meu aniversário foi ir jantar com a respectiva (quebra-pau mode: off) na cantina mais tesuda da cidade, o Roperto, na 13 de Maio. Detalhe que lá tem dois velhos italianos que ficam andando pelas mesas e tocando músicas típicas (um com um violão e outro com um acordeão). Eles pararam na minha mesa e perguntaram "que música você quer?" E eu respondi "você escolhe". O do violão virou para o do acordeão e pediu um si menor. E começaram a tocar... A MÚSICA DO CHEFÃO! PRA MIM!* Me senti o cara mais fudido do lugar. As pessoas nas mesas ao lado me olhavam com um misto de respeito e inveja, pelo poder que eu emanava. Claro que quando a conta chegou e eu (após, obviamente, ter derrubado molho na porra da camiseta branca) não conseguia nem assinar o cheque de tanto que eu tinha comido, lembrei que sou bosta demais pra pertencer a família Corleone. Eu poderia ser, quando muito, um soldado dos Tattaglia, daqueles que morrem na rua, anônimos no meio de um tiroteiro qualquer.
* Você pode não acreditar, mas é a segunda vez (na vida adulta) que vou nessa cantina, e é a segunda vez que eles tocam essa música para mim. Na primeira vez, quase comecei a chorar e pensei em fazer todos os garçons formarem uma fila na minha mesa para beijar minha mão. Eu sei, sou tosco mesmo, me deixa em paz.
– E, para finalizar, séries de TV. Estou cada vez mais viciado em CSI. Em outro momento de tosquice aguda, sonhei que era o Grissom cochilando no sofá. Agora, eu ando pelas ruas procurando pistas que mostrem que o camelô do meu lado ou o carteiro que está vindo na minhda direção tem alguma coisa a ver com algum assassinato. Como eu já estava com impulsos de sair recolhendo digitais de todo mundo na rua, resolvi dar um tempo no relacionamento e me dei de aniversário a segunda temporada de Lost (ou "Derraparecidos", como dizem na dublagem em espanhol). Porém, no segundo episódio, eu já tinha certeza de que se o Grissom estivesse na ilha, ele já saberia explicar tudo o que acontece ali.
Bem, após essa breve recapitulação dos últimos dias, estou de volta.
5 de setembro de 2006
O Novo Disco do Airon Meidi
Consegui comprar o CD novo do Iron Maiden. Faz umas duas semanas que estou esperando esse CD chegar no Brasil, vencendo a tentação de baixar tudo no Soulseek. Fiel que é fiel vai na Igreja e não reza em casa. Fui umas 4 vezes na Fnac sempre em vão. Na última delas, eles tinham o single do disco, mas não o disco, coisa que eu já classifiquei como sarcasmo.
Passei os últimos dois dias procurando na internet qualquer indício de que essa merda estivesse em algum site com a palavra mágica ao lado: pronta-entrega. Nada. Todas as lojas mostravam o disco em pré-venda. E, pior, cada um dava uma data diferente. De acordo com a Saraiva, a entrega seria dia 1. De acordo com a Fnac, dia 5. Já a Fnac dava como certa a entrega no dia 11. E eu, desesperado, procurando feito um imbecil algum sinal de que o disco existia.
Enfim, hoje entrei no site da Saraiva e estava, brilhando, ao lado do CD o termo "entrega disponível em 24 horas". Bom, o CD existe. É um começo. Agora, 24 horas é um negócio que não vai rolar. Preciso disso agora. Não tive dúvidas. Liguei na Saraiva do Eldorado e perguntei se o CD do Iron Maiden já estava nas lojas. O cara, que devia trabalhar na área de livros de auto-ajuda, perguntou para mim: "Airon Meidi?" E, eu, ansioso, respondi. "Isso, Airon Meidi. O disco novo". Ele foi perguntar para alguém e voltou dizendo que "sim, está disponível aqui". Não tive dúvidas. Assim que saí do trabalho, voei para lá e comprei o disco.
Agora estou aqui, ouvindo o Bruce Dickinson berrando Brighter Than a Thousand Suns. Mas fã é uma merda. Confesso que quando eu estava pagando o CD, eu JÁ tinha gostado. Os vizinhos que se preparem: será um feriado inesquecível.
As MINHAS 5 Músicas do Iron Maiden (mas é variável - muda toda semana).
1. Rime of the Ancient Mariner (Powerslave) - 12 minutos e nem um refrão. Precisa mais?
2. Powerslave (Powerslave) - Não, não está aqui porque é a minha preferida. Ah, foda-se. Sim, está aqui porque é a minha preferida.
3. Hallowed Be Thy Name (The Number of the Beast) - A levada da música é a mais perfeita sincronia entre baixo-guitarra-guitarra-bateria-vocal que eu vi.
4. Wasted Years (Somewhere in Time) - OK, talvez não devesse estar entre as cinco. Mas foi a primeira música que eu ouvi dos caras. E, para mim, isso significa um bocado.
5. Aces High (Powerslave) - Se um dia você for a um show do Iron e eles abrirem com essa música, dê meia-volta e compre outro ingresso assim que a música acabar. O valor que você tinha pago já foi todo gasto na primeira música.
Passei os últimos dois dias procurando na internet qualquer indício de que essa merda estivesse em algum site com a palavra mágica ao lado: pronta-entrega. Nada. Todas as lojas mostravam o disco em pré-venda. E, pior, cada um dava uma data diferente. De acordo com a Saraiva, a entrega seria dia 1. De acordo com a Fnac, dia 5. Já a Fnac dava como certa a entrega no dia 11. E eu, desesperado, procurando feito um imbecil algum sinal de que o disco existia.
Enfim, hoje entrei no site da Saraiva e estava, brilhando, ao lado do CD o termo "entrega disponível em 24 horas". Bom, o CD existe. É um começo. Agora, 24 horas é um negócio que não vai rolar. Preciso disso agora. Não tive dúvidas. Liguei na Saraiva do Eldorado e perguntei se o CD do Iron Maiden já estava nas lojas. O cara, que devia trabalhar na área de livros de auto-ajuda, perguntou para mim: "Airon Meidi?" E, eu, ansioso, respondi. "Isso, Airon Meidi. O disco novo". Ele foi perguntar para alguém e voltou dizendo que "sim, está disponível aqui". Não tive dúvidas. Assim que saí do trabalho, voei para lá e comprei o disco.
Agora estou aqui, ouvindo o Bruce Dickinson berrando Brighter Than a Thousand Suns. Mas fã é uma merda. Confesso que quando eu estava pagando o CD, eu JÁ tinha gostado. Os vizinhos que se preparem: será um feriado inesquecível.
As MINHAS 5 Músicas do Iron Maiden (mas é variável - muda toda semana).
1. Rime of the Ancient Mariner (Powerslave) - 12 minutos e nem um refrão. Precisa mais?
2. Powerslave (Powerslave) - Não, não está aqui porque é a minha preferida. Ah, foda-se. Sim, está aqui porque é a minha preferida.
3. Hallowed Be Thy Name (The Number of the Beast) - A levada da música é a mais perfeita sincronia entre baixo-guitarra-guitarra-bateria-vocal que eu vi.
4. Wasted Years (Somewhere in Time) - OK, talvez não devesse estar entre as cinco. Mas foi a primeira música que eu ouvi dos caras. E, para mim, isso significa um bocado.
5. Aces High (Powerslave) - Se um dia você for a um show do Iron e eles abrirem com essa música, dê meia-volta e compre outro ingresso assim que a música acabar. O valor que você tinha pago já foi todo gasto na primeira música.
1 de setembro de 2006
Direito de Resposta
Hoje, eu recebi o seguinte release pelo mail.
SÁBADO VINYL
A Vinyl vc já conhece, a mais badalada e tradicional casa da Vila Olímpia com uma super festa toda semana !
Público mais velho, selecionado com muita gente bonita e descolada com o melhor som de São Paulo
Pista - Forneria - Lounge - Camarotes privets
Vale a pena lembrar que a casa enche bastante portanto para evitar de pegar filas
é legal chegar cedo (há anos não vejo uma frase tão bem escrita)
Djs TATY AGUIAR e RUBINHO
agitam a pista com o melhor do ELECTROHOUSE / DANCE / FLASH /
lista exclusiva H.Ferraz:
Mulheres R$10 / Homens R$20
! VC que recebe nosso e-mail é VIP até meia e meia ! (não, eu também não sei o que é "meia e meia")
LISTAS ATÉ SÁBADO AS 17 H
http://www.blogger.com/ ( assunto: Vinyl )
Apenas para esclarecimentos,
gostaria de deixar bem claro que não tenho absolutamente nada a ver com essa merda que emporcalha o belo nome Vinyl.
SÁBADO VINYL
A Vinyl vc já conhece, a mais badalada e tradicional casa da Vila Olímpia com uma super festa toda semana !
Público mais velho, selecionado com muita gente bonita e descolada com o melhor som de São Paulo
Pista - Forneria - Lounge - Camarotes privets
Vale a pena lembrar que a casa enche bastante portanto para evitar de pegar filas
é legal chegar cedo (há anos não vejo uma frase tão bem escrita)
Djs TATY AGUIAR e RUBINHO
agitam a pista com o melhor do ELECTROHOUSE / DANCE / FLASH /
lista exclusiva H.Ferraz:
Mulheres R$10 / Homens R$20
! VC que recebe nosso e-mail é VIP até meia e meia ! (não, eu também não sei o que é "meia e meia")
LISTAS ATÉ SÁBADO AS 17 H
http://www.blogger.com/ ( assunto: Vinyl )
Apenas para esclarecimentos,
gostaria de deixar bem claro que não tenho absolutamente nada a ver com essa merda que emporcalha o belo nome Vinyl.
O Bom, O Mau, O Feio... E os Indies
Quem me conhece sabe que sou naturalmente avesso à bandas novas. Claro que acabo ouvindo coisas novas, mas institivamente espero uma decepção. Especialmente aquelas bandas-que-se-consagram-de-vez-no-Tim-festival. Sempre são 2 ou 3 ingleses (ou escoceses, irlandeses, etc), absurdamente andróginos, se vestem como consumidores do Mercado Mundo Livre e que fazem o mesmo tipo de som. Essas bandas têm, inclusive, um ciclo de vida bem definido, com vários estágios:
Fase indie - Explodem com um disco que a Folha de São Paulo classifica como "minimalista e visceral" e rotula como "o melhor disco de rock do ano" (aliás, de acordo com a Folha, todo mês sai o melhor disco de rock do ano).
Fase Pop - Não demora muito, estão no Top 10 da Mtv - o que comprova matematicamente o quanto o som deles é ruim.
Fase Deuses - Meses depois, desembarcam como a grande sensação do Tim Festival. Viraram deuses.
Fase Cults - O segundo disco já passa meio batido pela mídia (que já achou outra banda minimalista e que vai salvar a porra do rock).
Isso, claro, num espaço de dois anos e com dois discos. Daqui a 10 anos voltam no Tim Festival e são aclamados como mitos.
Será que o rock tem tanta necessidade assim de ser salvo? Eu acho que não. Pelo menos, não por meia dúzia de moleques politicamente corretos e que parecem que saíram daqueles out-doors de jeans onde todo mundo parece drogado. O problema é que eles cresceram nos anos 80 e tem como principal referência o Smiths. Nada contra a banda do(a) Morrisey, mas isso acaba deixando o som de todos esses grupos exatamente igual. Muda um riff aqui, uma batida ali e o CD tá pronto. Manda um clipe pra MTV e corre pro aeroporto, que semana que vem tem Tim Festival!
OK, alguém pode falar que, nos anos 60, Beatles, Rolling Stones, Beach Boys também era parecidos entre si, pois, por questões mercadológicas, era o que vendia. Mas todas essas bandas se reinventavam de disco para disco, especialmente a partir de Revolver. Isso, sem falar que, no final dos anos 60, Led Zeppelin, The Who, Deep Purple, Pink Floyd, Cream e tantas outras começaram a correr por fora. Do lado de cá do Atlântico (mas lá em cima, claro), explodem The Doors, Janis Joplin, Jimi Hendrix. Franz Ferdinand? Libertines. Esquece, não dá nem para comparar.
Mas não vou negar que, às vezes, me rendo ao hype e compro um CD de uma banda nova. Gozado que eles são sempre mais caros que os clássicos, o que, em alguns casos, beira a falta de educação. Enfim, três bandas me chamam a atenção, por fugirem do lugar-comum de bandas salvadoras do rock que infesta as rádios. Seguem, então, O Bom, O Mau e O Feio.
O Bom
Darkness - Explodiram com pinta de fazerem hard rock dos anos 80. As mesmas roupas, os mesmos gritos, os solos deliciosos. O problema é a referência. O hard rock dos anos 80 não é uma das melhores coisas que aconteceu no mundo. Motley Crue, Twisted Sisters... Ok, são divertidos, mas são apenas versões pastiches do hard rock (tesudíssimo) dos anos 70. Ou seja, já nasce datado, fica mais com cara de sátira que de homenagem. Mas o som é interessante. O problema é que o segundo disco já entrou mudo e saiu calado (o primeiro chegou a estourar) e a banda, pelo que li na internet ultimamente, está se esfacelando. Ou seja, era uma mentira. Mas, tomara que ainda se recuperem. A idéia, ao menos, é boa.
O Mau
Velvet Revolver - Na verdade, não é uma banda nova, e sim um Frankenstein de Guns N' Roses e Stone Temple Pilots. Slash continua tocando muito e as músicas mostram (diferente do Darkness), um hard rock mais agressivo, mas, também, nada que faça você levar o CD para o trabalho, no dia seguinte, e ouvir o dia inteiro. Não tem nada de muito especial. O problema é que ninguém sabe se a banda vai estar viva até o segundo álbum, de tanta droga que eles consomem. Aliás, não dá nem pra saber se eles lembram que a banda existe, pois provavelmente estavam totalmente chapados no estúdio.
O Feio
Wolfmother - Três australianos que surgiram do nada e que acham que vivem nos anos 70. Tranquilamente, um dos melhores CDs que eu comprei esse ano. E admito que comprei desconfiado, especialmente quando eu li que as influências deles eram Led Zeppelin, Black Sabbath e Jehtro Tull. Hum-hum. Então tá. Coloquei o CD pra rolar, e se você me disser que aquele riff ali é o Tony Iommi tocando, eu acredito. O vocal rasgado, a batida, a levada peso x melodia, está tudo ali. E, o melhor de tudo, eles vêm da Austrália (leia-se: AC/DC), ou seja: estão mais interessados em tomar cerveja e em tocar do que em salvar o rock – tanto que não não tem uma foto dos caras no CD, pra desespero do pessoal da Bizz. E o rock, que não aguenta mais a merda do Tim Festival, agradece. CD Obrigatório. Deus queira que o segundo CD deles não seja uma decepção.
5 Discos-Debut com Culhão (Não, não tem Oasis na lista, nem procure)
1. Led Zeppelin - Led Zeppelin (1969)
2. Black Sabbath - Black Sabbath (1970)
3. The Piper at the Gates of Dawn - Pink Floyd (1968)
4. Kill 'em All - Metallica (1983)
5. Appetite for Destruction - Guns N' Roses (1988)
Fase indie - Explodem com um disco que a Folha de São Paulo classifica como "minimalista e visceral" e rotula como "o melhor disco de rock do ano" (aliás, de acordo com a Folha, todo mês sai o melhor disco de rock do ano).
Fase Pop - Não demora muito, estão no Top 10 da Mtv - o que comprova matematicamente o quanto o som deles é ruim.
Fase Deuses - Meses depois, desembarcam como a grande sensação do Tim Festival. Viraram deuses.
Fase Cults - O segundo disco já passa meio batido pela mídia (que já achou outra banda minimalista e que vai salvar a porra do rock).
Isso, claro, num espaço de dois anos e com dois discos. Daqui a 10 anos voltam no Tim Festival e são aclamados como mitos.
Será que o rock tem tanta necessidade assim de ser salvo? Eu acho que não. Pelo menos, não por meia dúzia de moleques politicamente corretos e que parecem que saíram daqueles out-doors de jeans onde todo mundo parece drogado. O problema é que eles cresceram nos anos 80 e tem como principal referência o Smiths. Nada contra a banda do(a) Morrisey, mas isso acaba deixando o som de todos esses grupos exatamente igual. Muda um riff aqui, uma batida ali e o CD tá pronto. Manda um clipe pra MTV e corre pro aeroporto, que semana que vem tem Tim Festival!
OK, alguém pode falar que, nos anos 60, Beatles, Rolling Stones, Beach Boys também era parecidos entre si, pois, por questões mercadológicas, era o que vendia. Mas todas essas bandas se reinventavam de disco para disco, especialmente a partir de Revolver. Isso, sem falar que, no final dos anos 60, Led Zeppelin, The Who, Deep Purple, Pink Floyd, Cream e tantas outras começaram a correr por fora. Do lado de cá do Atlântico (mas lá em cima, claro), explodem The Doors, Janis Joplin, Jimi Hendrix. Franz Ferdinand? Libertines. Esquece, não dá nem para comparar.
Mas não vou negar que, às vezes, me rendo ao hype e compro um CD de uma banda nova. Gozado que eles são sempre mais caros que os clássicos, o que, em alguns casos, beira a falta de educação. Enfim, três bandas me chamam a atenção, por fugirem do lugar-comum de bandas salvadoras do rock que infesta as rádios. Seguem, então, O Bom, O Mau e O Feio.
O Bom
Darkness - Explodiram com pinta de fazerem hard rock dos anos 80. As mesmas roupas, os mesmos gritos, os solos deliciosos. O problema é a referência. O hard rock dos anos 80 não é uma das melhores coisas que aconteceu no mundo. Motley Crue, Twisted Sisters... Ok, são divertidos, mas são apenas versões pastiches do hard rock (tesudíssimo) dos anos 70. Ou seja, já nasce datado, fica mais com cara de sátira que de homenagem. Mas o som é interessante. O problema é que o segundo disco já entrou mudo e saiu calado (o primeiro chegou a estourar) e a banda, pelo que li na internet ultimamente, está se esfacelando. Ou seja, era uma mentira. Mas, tomara que ainda se recuperem. A idéia, ao menos, é boa.
O Mau
Velvet Revolver - Na verdade, não é uma banda nova, e sim um Frankenstein de Guns N' Roses e Stone Temple Pilots. Slash continua tocando muito e as músicas mostram (diferente do Darkness), um hard rock mais agressivo, mas, também, nada que faça você levar o CD para o trabalho, no dia seguinte, e ouvir o dia inteiro. Não tem nada de muito especial. O problema é que ninguém sabe se a banda vai estar viva até o segundo álbum, de tanta droga que eles consomem. Aliás, não dá nem pra saber se eles lembram que a banda existe, pois provavelmente estavam totalmente chapados no estúdio.
O Feio
Wolfmother - Três australianos que surgiram do nada e que acham que vivem nos anos 70. Tranquilamente, um dos melhores CDs que eu comprei esse ano. E admito que comprei desconfiado, especialmente quando eu li que as influências deles eram Led Zeppelin, Black Sabbath e Jehtro Tull. Hum-hum. Então tá. Coloquei o CD pra rolar, e se você me disser que aquele riff ali é o Tony Iommi tocando, eu acredito. O vocal rasgado, a batida, a levada peso x melodia, está tudo ali. E, o melhor de tudo, eles vêm da Austrália (leia-se: AC/DC), ou seja: estão mais interessados em tomar cerveja e em tocar do que em salvar o rock – tanto que não não tem uma foto dos caras no CD, pra desespero do pessoal da Bizz. E o rock, que não aguenta mais a merda do Tim Festival, agradece. CD Obrigatório. Deus queira que o segundo CD deles não seja uma decepção.
5 Discos-Debut com Culhão (Não, não tem Oasis na lista, nem procure)
1. Led Zeppelin - Led Zeppelin (1969)
2. Black Sabbath - Black Sabbath (1970)
3. The Piper at the Gates of Dawn - Pink Floyd (1968)
4. Kill 'em All - Metallica (1983)
5. Appetite for Destruction - Guns N' Roses (1988)
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